O fato do Matias veio da Amazon, o da Gabriela eu fiz. E estão os dois super felizes com o resultado: o Matias porque tem um fato 'muito fofinho', e a Gabriela porque gosta de entreter-se a babar a bolacha :D
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20 de fevereiro de 2020
Carnaval 2020
O Matias deu a ideia. Durante a minha gravidez, e face às inúmeras vezes em que lhe perguntaram 'como se ia chamar a mana', o Matias começou a dar duas respostas: Maria Teresa (o nome de uma antiga amiguinha da escola dele)... E monstro das bolachas. Acredito que para ele fosse uma chatice responder sempre às mesmas perguntas (e ainda é, passam a vida a perguntar-lhe como se chama a mana, ou se gosta da mana, ou se a mana se porta bem e por aí fora). Quis a sorte que a Gabriela nascesse com carinha de bolacha, e estava o disfarce de Carnaval orientado.
O fato do Matias veio da Amazon, o da Gabriela eu fiz. E estão os dois super felizes com o resultado: o Matias porque tem um fato 'muito fofinho', e a Gabriela porque gosta de entreter-se a babar a bolacha :D
O fato do Matias veio da Amazon, o da Gabriela eu fiz. E estão os dois super felizes com o resultado: o Matias porque tem um fato 'muito fofinho', e a Gabriela porque gosta de entreter-se a babar a bolacha :D
30 de janeiro de 2020
E como está a reagir o Matias à mana?
Esta é uma das perguntas que mais nos fazem: e como está a reagir o Matias à mana?
Confesso que nós estávamos razoavelmente optimistas. Sempre falámos ao Matias de ter manos (assim mesmo, no plural). Ele tem bebés bem pequeninos na escola dele, e por isso já tinha as expectativas ajustadas. É um miúdo muito independente e já bastante autónomo: veste-se, brinca sozinho, prepara o seu próprio pequeno-almoço, come sozinho, fala bem, etc. Nunca embandeirámos em arco esta questão de ter uma irmã, e sempre lhe explicámos que nos primeiros tempos a miúda ia basicamente existir. Nunca deixámos de lhe dar atenção, colo ou mimos (às vezes à custa de desinvestirmos um bocadinho na mais pequena, mas continuo a achar que nesta fase ela precisa é de mimos e descanso e isso pode ter no nosso colo enquanto brincamos com ele). Enfim, estávamos tranquilos.
Mas nada nos ia preparar para o que realmente aconteceu.
Confesso que nós estávamos razoavelmente optimistas. Sempre falámos ao Matias de ter manos (assim mesmo, no plural). Ele tem bebés bem pequeninos na escola dele, e por isso já tinha as expectativas ajustadas. É um miúdo muito independente e já bastante autónomo: veste-se, brinca sozinho, prepara o seu próprio pequeno-almoço, come sozinho, fala bem, etc. Nunca embandeirámos em arco esta questão de ter uma irmã, e sempre lhe explicámos que nos primeiros tempos a miúda ia basicamente existir. Nunca deixámos de lhe dar atenção, colo ou mimos (às vezes à custa de desinvestirmos um bocadinho na mais pequena, mas continuo a achar que nesta fase ela precisa é de mimos e descanso e isso pode ter no nosso colo enquanto brincamos com ele). Enfim, estávamos tranquilos.
Mas nada nos ia preparar para o que realmente aconteceu.
16 de janeiro de 2020
Porquêêêêêê?
Há uns meses eu estava a ter um dia particularmente dado a acidentes. A dada altura estava a orientar o jantar do Matias, e quando abri o congelador caiu a embalagem de ervilhas. As ervilhas sairam da embalagem e espalharam-se em todas as direcções da cozinha, e eu levantei as mãos e disse:
'Porquêêêêêê?'
O Matias assistiu à cena e desatou a rir à gargalhada. Uma hora depois, quando o Pedro chegou a casa, contou-lhe o episódio na perfeição ('e depois a mamã abriu os braços e disse assim: Porquêêêêêê?'). No dia seguinte contou isto na escola. Desde então, o Porquêêêêêê? tornou-se numa das nossas piadas preferidas, principalmente em dias como esse, em que tudo parece acontecer.
Hoje o Matias chegou a casa e eu disse-lhe que andava à procura de uma loja que fizesse o melhor bolo de chocolate para o aniversário dele. E ele respondeu:
'Mas eu não quero bolo de chocolate. Eu quero bolo de farofa.'
Pronto, para o aniversário dele o meu filho quer um bolo feito com farofa. Aquela que acompanha a picanha.
Depois disso, o Matias ainda fez um ar muito solene e disse:
Matias: Quando for grande quero ter um namorado.
Eu: Ok.
Matias: Mas o meu namorado vai ser um koala.
Eu: Ok.
Matias: Tu disseste que os koalas vivem na Austrália, mas este vai viver comigo.
Eu: Ok.
Matias: E eu vou ter cabelo preto aos caracóis.
Eu: Ok.
A sério, bolo de farofa. Sai mesmo ao pai este miúdo. Porquêêêêêê?
'Porquêêêêêê?'
O Matias assistiu à cena e desatou a rir à gargalhada. Uma hora depois, quando o Pedro chegou a casa, contou-lhe o episódio na perfeição ('e depois a mamã abriu os braços e disse assim: Porquêêêêêê?'). No dia seguinte contou isto na escola. Desde então, o Porquêêêêêê? tornou-se numa das nossas piadas preferidas, principalmente em dias como esse, em que tudo parece acontecer.
Hoje o Matias chegou a casa e eu disse-lhe que andava à procura de uma loja que fizesse o melhor bolo de chocolate para o aniversário dele. E ele respondeu:
'Mas eu não quero bolo de chocolate. Eu quero bolo de farofa.'
Pronto, para o aniversário dele o meu filho quer um bolo feito com farofa. Aquela que acompanha a picanha.
| O meu filho quer um bolo de farofa com bacon. Porquêêêêêê? |
Matias: Quando for grande quero ter um namorado.
Eu: Ok.
Matias: Mas o meu namorado vai ser um koala.
Eu: Ok.
Matias: Tu disseste que os koalas vivem na Austrália, mas este vai viver comigo.
Eu: Ok.
Matias: E eu vou ter cabelo preto aos caracóis.
Eu: Ok.
A sério, bolo de farofa. Sai mesmo ao pai este miúdo. Porquêêêêêê?
21 de dezembro de 2019
Feliz Natal :D
Por aqui entrámos oficialmente em modo de reclusão natalícia. O Matias voltou hoje de casa dos meus pais, o menu já está elaborado, as compras estão feitas, as prendas estão orientadas, ontem fomos ao cinema cumprir uma das nossas novas tradições natalícias (no ano passado fomos ver o Spider-Man: Into the Spider-Verse, este ano fomos obviamente ver o Star Wars: The Rise of Skywalker) e ainda fomos ver o bailado d'O Quebra-Nozes da Companhia Nacional de Bailado.
Tenham um feliz Natal, rodeado de amor e com muitos momentos felizes :)
Feliz Natal! :D
Tenham um feliz Natal, rodeado de amor e com muitos momentos felizes :)
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| Patuscos da mamã |
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| Ando a rir-me desta foto há semanas, a sério. Vou mandar emoldurar isto :D |
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17 de dezembro de 2019
Uma imagem real da maternidade #3
Primeira publicação
Segunda publicação
Quando o Matias nasceu estava preparada para um cenário demoníaco: esperava passar os meus dias fechada em casa, com ar de atropelada, sem tomar banho, sem ter tempo para nada e por aí fora. Entretanto ele nasceu e eu senti-me mesmo super feliz e cheia de energia. Olhando para trás, acho sinceramente que os meses em que estive de licença de maternidade foram dos mais felizes da minha vida, e só foram ultrapassados pelas fases seguintes porque, honestamente, acho muito mais piada ao Matias agora do que quando era bebé.
Agora a Gabriela nasceu, e algumas das coisas que escrevi na altura mantêm-se. Continuo a sentir que tenho imenso tempo. Todos os dias vejo filmes enquanto ela dorme ao meu colo (às vezes mais do que um). Consigo sempre tomar banho (nem que seja com ela na espreguiçadeira à minha frente). Não passo de todo os dias fechada em casa (embora ultimamente esta chuva não ajude lá muito). Vá, pareço um bocado atropelada, pronto.
Mas estou indiscutivelmente mais cansada. Estou tão cansada que há três dias fui abastecer o carro que conduzo há seis anos e fiquei cinco minutos parada na bomba porque não me lembrava se o meu carro era a gasóleo ou a gasolina (entretanto contei isto aos meus amigos e pelos vistos diz na portinha do combustível em letras gigantes, mas enfim, não vi). Estou tão cansada que há dois dias abri a embalagem de cebola picada com uma tesoura e depois deixei a cebola na bancada e guardei a tesoura no congelador. Estou tão cansada que ontem liguei a Actifry com a colher medidora lá dentro, por isso a dita (que é de plástico) derreteu. Estou tão cansada que passei a beber café todos os dias, apesar de ser desaconselhado por causa da minha frequência cardíaca. Estou estúpida, pronto.
(Por outro lado, estou uma estúpida com muito tempo livre, por isso ando a ler sobre a história da Swazilândia (agora Eswatini) e ontem li sobre as origens históricas do aperto de mão! Muito interessante!)
No entanto, estar cansada tem algumas coisas boas. Tendemos a simplificar imenso as rotinas do dia-a-dia, ficámos óptimos na gestão da ansiedade nos contactos do Matias com a miúda (ou seja, deixamo-lo brincar à vontade com a irmã e envolver-se imenso em tudo) e estamos especialistas a priorizar as nossas coisas.
Mas é difícil. Este cansaço. O peso deste amor, como diz aquele texto que eu gosto tanto. No Sábado fomos à festa de Natal da escola do Matias, e enquanto voltávamos no carro a miúda decidiu berrar durante vinte minutos seguidos. O Matias vinha ao lado dela a ler em voz alta um livro que ele adora, o 'Há Um Dragão No Teu Livro'. O Pedro vinha a falar de qualquer coisa. Vínhamos na Segunda Circular e a dada altura subiu um avião por cima de nós, e eu só pensei que queria ir-me embora e fugir dali, para algum lado com silêncio. E álcool. E depois a Gabi parou de chorar e o Matias disse:
'Fiz uma festinha na carinha da mana e ela gostou e parou de chorar.'
É claro que cinco segundos depois a Gabriela voltou a chorar, mas o Matias foi o resto do caminho a dizer 'tem calma minha pequenina, estamos quase a chegar a casa'.
O meu coração explodiu ali, e sempre que penso neste momento só me apetece chorar. Porque me sinto cansada, porque me sinto sozinha, porque me sinto insegura. E porque, ao mesmo tempo, nunca estive tão feliz, tão agradecida e tão forte. Nunca me senti tão completa.
Ser mãe é a coisa mais difícil da minha vida neste momento. Mas também é a mais bonita.
'It doesn't get lighter, but you'll get stronger, I promise.'
Segunda publicação
Quando o Matias nasceu estava preparada para um cenário demoníaco: esperava passar os meus dias fechada em casa, com ar de atropelada, sem tomar banho, sem ter tempo para nada e por aí fora. Entretanto ele nasceu e eu senti-me mesmo super feliz e cheia de energia. Olhando para trás, acho sinceramente que os meses em que estive de licença de maternidade foram dos mais felizes da minha vida, e só foram ultrapassados pelas fases seguintes porque, honestamente, acho muito mais piada ao Matias agora do que quando era bebé.
Agora a Gabriela nasceu, e algumas das coisas que escrevi na altura mantêm-se. Continuo a sentir que tenho imenso tempo. Todos os dias vejo filmes enquanto ela dorme ao meu colo (às vezes mais do que um). Consigo sempre tomar banho (nem que seja com ela na espreguiçadeira à minha frente). Não passo de todo os dias fechada em casa (embora ultimamente esta chuva não ajude lá muito). Vá, pareço um bocado atropelada, pronto.
Mas estou indiscutivelmente mais cansada. Estou tão cansada que há três dias fui abastecer o carro que conduzo há seis anos e fiquei cinco minutos parada na bomba porque não me lembrava se o meu carro era a gasóleo ou a gasolina (entretanto contei isto aos meus amigos e pelos vistos diz na portinha do combustível em letras gigantes, mas enfim, não vi). Estou tão cansada que há dois dias abri a embalagem de cebola picada com uma tesoura e depois deixei a cebola na bancada e guardei a tesoura no congelador. Estou tão cansada que ontem liguei a Actifry com a colher medidora lá dentro, por isso a dita (que é de plástico) derreteu. Estou tão cansada que passei a beber café todos os dias, apesar de ser desaconselhado por causa da minha frequência cardíaca. Estou estúpida, pronto.
(Por outro lado, estou uma estúpida com muito tempo livre, por isso ando a ler sobre a história da Swazilândia (agora Eswatini) e ontem li sobre as origens históricas do aperto de mão! Muito interessante!)
No entanto, estar cansada tem algumas coisas boas. Tendemos a simplificar imenso as rotinas do dia-a-dia, ficámos óptimos na gestão da ansiedade nos contactos do Matias com a miúda (ou seja, deixamo-lo brincar à vontade com a irmã e envolver-se imenso em tudo) e estamos especialistas a priorizar as nossas coisas.
Mas é difícil. Este cansaço. O peso deste amor, como diz aquele texto que eu gosto tanto. No Sábado fomos à festa de Natal da escola do Matias, e enquanto voltávamos no carro a miúda decidiu berrar durante vinte minutos seguidos. O Matias vinha ao lado dela a ler em voz alta um livro que ele adora, o 'Há Um Dragão No Teu Livro'. O Pedro vinha a falar de qualquer coisa. Vínhamos na Segunda Circular e a dada altura subiu um avião por cima de nós, e eu só pensei que queria ir-me embora e fugir dali, para algum lado com silêncio. E álcool. E depois a Gabi parou de chorar e o Matias disse:
'Fiz uma festinha na carinha da mana e ela gostou e parou de chorar.'
É claro que cinco segundos depois a Gabriela voltou a chorar, mas o Matias foi o resto do caminho a dizer 'tem calma minha pequenina, estamos quase a chegar a casa'.
O meu coração explodiu ali, e sempre que penso neste momento só me apetece chorar. Porque me sinto cansada, porque me sinto sozinha, porque me sinto insegura. E porque, ao mesmo tempo, nunca estive tão feliz, tão agradecida e tão forte. Nunca me senti tão completa.
Ser mãe é a coisa mais difícil da minha vida neste momento. Mas também é a mais bonita.
'It doesn't get lighter, but you'll get stronger, I promise.'
13 de dezembro de 2019
Primeiro filho versus segundo filho.
Acho que é inevitável compararmos experiências quando temos mais do que um filho, e cá em casa isso tem acontecido. Vai daí, decidi escrever sobre as diferenças que noto entre as nossas vivências com o Matias e com a Gabriela. Aqui vai :)
Pré-gravidez
Engravidei do Matias logo à primeira, de tal forma que fiz o teste de gravidez por descarga de consciência porque achava impossível estar grávida logo quando as pessoas que conhecia demoravam meses ou anos a engravidar. Vai daí, quando decidimos ter a miúda estava convencidíssima que ia engravidar naquele segundo, claro, somos tão férteis, um prodígio da natureza, recordes do Guinness connosco já.
Quando não engravidei no primeiro mês achei normal. Pronto, acontece, não se pode ser perfeito, até os campeões olímpicos da fertilidade têm direito a dias menos bons e tal. Mas depois não engravidei no segundo mês também, e aí comecei seriamente a fritar a pipoca.
Achei que era de ser velha (recordo que tenho trinta anos), que algo tinha corrido mal no meu primeiro parto (nada que indicasse isso, mas ok) ou que estava como naquela frase do Saramago no início do Memorial do Convento 'já se murmura na corte, dentro e fora do palácio, que a rainha, provavelmente, tem a madre seca'. Mentalizei-me que ia demorar meses a engravidar e pumbas, engravidei no mês seguinte.
(Sim, eu sei que sou histérica.)
Vai daí, diria que vivi um pré-gravidez mais ansiogénico da segunda vez, até porque o pré-gravidez do Matias durou pouquíssimo tempo.
Gravidez
Quando vi o teste positivo na gravidez do Mati fiquei feliz, mas também surpreendida e ansiosa. Não sabia bem o que era suposto fazer. Depois fomos almoçar com a minha sogra e tivemos de agir como se tudo estivesse normal. Contei às minhas pessoas na semana seguinte, no trabalho às oito semanas, aos meus amigos às doze e aqui no blog às treze.
Quando vi o teste positivo na gravidez da Gabi fiquei histérica (até porque já andava a achar que tinha a madre seca, recordo-vos). Duas horas depois estava a ligar às minhas pessoas e a mandar mail à minha médica de família, e no dia seguinte contei no trabalho e aos meus amigos. Escrevi pela primeira vez sobre a gravidez no blog às oito semanas.
O início da gravidez do Matias correu razoavelmente bem, sem grandes sintomas. Fomos a Nova Iorque, onde eu recebi o resultado da sexagem fetal e descobri que íamos ter um rapaz. Depois fomos ver o musical do Rei Leão e eu chorei tanto que a Joana e o Bernardo acharam que íamos ter de ir embora.
O início da gravidez da Gabriela foi tenebroso. Desatei a vomitar que nem uma pescada, a única coisa que tolerava no estômago era leite com chocolate da Ucal fresco (true story) e fiquei logo com a frequência cardíaca mais alta e por isso fui logo medicada. Às seis semanas sangrei e achei que seria 'só' uma sensibilidade aumentada do colo, mas no dia seguinte percebi que estava com uma ameaça de aborto por causa de um descolamento da placenta. Sangrei durante mais uma ou duas semanas. Chorei muito. No fim, tudo correu bem.
O resto da gravidez do Matias foi correndo. Comecei a desmaiar todos os dias, por isso fui medicada com um beta-bloqueante e vim para casa. Passei o segundo trimestre em repouso relativo, a aproveitar os dias bons para fazer compras. Tinha listas infinitas relacionadas com o enxoval, comprei imensas coisas inúteis (e outras muito úteis também), fiz um baby shower, duas sessões fotográficas e duas ecografias 4d. Vibrei com tudo. Delirei com tudo. Comprei um fato de cozinheiro para o Matias. Chorei porque não conseguia montar a cama, a poltrona ou o ovo no carro.
O resto da gravidez da Gabriela foi correndo também. Vim para casa sensivelmente na mesma altura do que na gravidez do Matias. Passei os meses restantes a organizar a chegada da miúda com muita calma. Usei as listas infinitas da gravidez do Matias, mas comprei pouquíssimas coisas. Fiz um baby shower, uma sessão fotográfica e zero ecografias 4d. Vibrei com tudo e delirei com tudo na mesma, mas de uma forma mais serena. Dei muito colo ao Matias e imaginei como seria dar colo a dois (é óptimo). Comprei vários vestidos com tule para a Gabriela. Não chorei a montar nada, já somos especialistas em montagens.
No geral, sinto que a gravidez da Gabriela foi mais difícil. Não tive dor ciática como na gravidez do Matias (muito chato!), mas tive vómitos e incontinência urinária (que entretanto desapareceu depois do parto, realmente o meu corpo detesta estar grávido!). Sentia-me fisicamente debilitada e enorme na mesma, mas sem aquele encanto das primeiras gravidezes em que tudo é novo, a barriga é linda, o mundo parece todo cor-de-rosa, os coelhinhos saltitam nos prados e etc.
Parto
Na minha aula de yoga para grávidas eu era a única que já era mãe, e as outras moças (grávidas pela primeira vez) adoravam falar sobre como não queriam epidural, queriam um parto natural com músicas e velas e danças, isto das dores era uma questão psicológica e conseguíamos todas parir sem fármacos só com o poder da mente. Geralmente eu fazia uma expressão assim:
Não me interpretem mal: eu admiro muito as pessoas que não levam epidural, a sério. A minha mãe teve dois filhos sem epidural, a minha avó teve dois filhos sem epidural, a minha bisavó teve nove filhos sem epidural. Sabem quem tem gostou mais do seu parto? Aqui a pessoa que levou epidural. Dito isto, tenho várias amigas que não levaram epidural (umas por opção e outras por razões médicas) e estão vivas na mesma e adoram os filhos e algumas também gostaram dos partos. Mas claramente há toda uma linha que separa os primeiros partos dos seguintes.
No primeiro parto eu não sabia para o que ia. Fiz a depilação às 32 semanas 'não fosse ele nascer às 36'. Levei duas malas de rodinhas cheias de bodegas, achei que corria o risco de ter o miúdo pelo caminho porque o hospital era a vinte minutos de carro de minha casa (e depois gramei com 38h a ter contracções), fui para o hospital cedíssimo e sentia-me aterrorizada com a perspectiva de passar a ser mãe. Tive um parto lindo.
No segundo parto eu sabia exactamente ao que ia. Fiz a depilação às 38 semanas e meia, e aproveitei para cortar e pintar o cabelo e pôr gelinho nas unhas. Levei um saco do ginásio com coisas para o primeiro dia e depois o Pedro trouxe o resto. Fui para o hospital muito mais tarde, com contracções de tal forma dolorosas e próximas que temi ter a miúda pelo caminho. Estava super tranquila. Tive um parto ainda mais lindo. Sabia o que queria, sabia o que fazer e deixaram-me fazê-lo.
O meu segundo parto foi melhor. Foi mais rápido, menos doloroso, mais intuitivo e muito mais natural.
Pós-parto imediato
O baque imediato foi exactamente o mesmo com o Matias e a Gabriela. Amei-os, ali, logo, naquele segundo em que os vi. Fiquei cheia de hormonas felizes, estava pronta para tudo, queria correr a maratona se me deixassem.
Levantei-me duas horas depois do parto do Matias e fui tomar banho. Ainda andei uma ou duas semanas com dores no braço que tinha partido e na episiotomia (um dos pontos abriu), mas andava impecável e cheia de energia. Um mês depois estava pronta para outra e não fiquei com qualquer sequela do parto.
Levantei-me duas horas depois do parto da Gabriela (porque não me deixaram levantar antes) e fui tomar banho. Tive contracções durante três ou quatro dias, mas de resto tive zero dores. Por outro lado, senti-me (e sinto-me) com menos energia. Fisicamente estou bem e uma semana depois já estava pronta para outra, mas mentalmente sinto-me muito mais cansada. Até ver não fiquei com qualquer sequela do parto.
Quando trouxemos o Matias para casa foi um namoro pegado. A amamentação foi um dramalhão, mas fora isso achei tudo lindo e maravilhoso e no geral a adaptação foi muito fácil. O Matias comia e dormia, e tirando ali umas três horinhas ao fim da tarde em que chorava bastante era um bebé muito tranquilo.
Quando trouxemos a Gabriela para casa foi uma aventura. A amamentação não foi um dramalhão porque acabou antes de o ser. A adaptação foi, e ainda é, um desafio. A Gabriela comia e dormia, mas chorava como uma desalmada e berrava como se a estivessem a matar, de tal forma que decidi que mal a miúda faça seis anos vou logo inscrevê-la nas aulas de canto para começar a rentabilizar estes pulmões.
No geral, diria que houve um investimento diferente no Matias. O tempo era todo para ele, o resto ficou em segundo plano, ele era a nossa única prioridade. A minha pasta das fotos da altura era assim:
Com a Gabriela foi diferente. O Matias continuou a ter mais investimento (porque é mais crescido e exige coisas diferentes e mais complexas), a casa tinha de estar habitável, a roupa tinha de estar lavada, a sopa tinha de estar feita, precisávamos de ter leite e pão e fruta e por aí fora. Por isso, a pasta das fotos de agora tem este aspecto:
Também senti que desta vez tivemos muito menos ajuda externa, por vários factores. As nossas famílias ficaram cá menos tempo, os nossos amigos vieram menos vezes, e acabámos por sentir-nos um bocadinho mais sozinhos e desamparados.
Pós-parto a médio prazo
Com o Matias a rotina instalou-se depressa. O Pedro voltou ao trabalho passado um mês, e no geral diria que tudo correu de forma tranquila. Eu estava focada no miúdo, íamos dando uns passeios, dormia umas sestas, tudo muito relaxado.
Com a Gabriela a rotina demorou mais tempo a instalar-se, mas acho que estamos finalmente a acalmar. O Matias já não acorda durante a noite com a miúda a chorar (o que é logo uma grande ajuda porque já só temos uma criança para gerir de madrugada e não duas). O Pedro volta ao trabalho daqui a dez dias. Andamos fartos de passear, até porque a Gabi fica tranquila na rua (leia-se, fecha a matraca), e nos dias em que saímos sentimos que ela dorme melhor. A Gabriela dorme e come tão bem como o irmão (possivelmente até melhor ainda), mas nós achamos que as noites, embora melhores, custam mais agora (não sei se estamos efectivamente mais acabados ou se simplesmente reprimimos o quanto nos custaram os primeiros meses do Matias).
Futurologia
Estou muito curiosa para ver o que aí vem. O Pedro volta ao trabalho mesmo antes do Natal, e estou expectante para perceber como vai ser gerir a miúda e o seu berranço, levar o Matias à escola e ir buscá-lo, gerir a casa sozinha durante o dia e gramar com as noites.
Também me parece que no geral a Gabriela vai ser uma bebé menos investida do que o Matias. A nossa vida está diferente, temos outro miúdo e outras responsabilidades, e possivelmente também temos outro enamoramento por esta fase porque sabemos que as seguintes são, sejamos honestos, mais fixes e divertidas. Por outro lado, e porque não pode ser tudo mau, também sentimos que somos agora muito mais confiantes e eficazes do que éramos antes, e no geral sinto que conseguimos corresponder às necessidades da miúda de uma forma mais rápida, até porque agora somos mais experientes.
Um óptimo exemplo disso é a questão das noites. O Matias sempre dormiu muito mal no nosso quarto. Por outro lado, eu também dormia muito mal com o Matias no nosso quarto. Vai daí, passámos o miúdo para o quarto dele com um mês. Na altura foi um mega drama, os protocolos isto, a morte súbita aquilo, que negligentes. Agora voltou a repetir-se a problemática, por isso a miúda foi para o quarto dela esta semana, sem qualquer drama, com zero sentimentos de culpa e com noites muito melhores para todos.
Por outro lado, também é muito mais giro ver a interacção do Matias com a Gabriela. Ele continua muito entusiasmado, adora encher a irmã de beijos e faz as perguntas mais deliciosas. Esta semana quando passámos a miúda para o quarto dela ele disse logo 'Yey, mana está tão crescida! Já fala?' :D
E pronto, a vida corre tranquila :)
Pré-gravidez
Engravidei do Matias logo à primeira, de tal forma que fiz o teste de gravidez por descarga de consciência porque achava impossível estar grávida logo quando as pessoas que conhecia demoravam meses ou anos a engravidar. Vai daí, quando decidimos ter a miúda estava convencidíssima que ia engravidar naquele segundo, claro, somos tão férteis, um prodígio da natureza, recordes do Guinness connosco já.
Quando não engravidei no primeiro mês achei normal. Pronto, acontece, não se pode ser perfeito, até os campeões olímpicos da fertilidade têm direito a dias menos bons e tal. Mas depois não engravidei no segundo mês também, e aí comecei seriamente a fritar a pipoca.
Achei que era de ser velha (recordo que tenho trinta anos), que algo tinha corrido mal no meu primeiro parto (nada que indicasse isso, mas ok) ou que estava como naquela frase do Saramago no início do Memorial do Convento 'já se murmura na corte, dentro e fora do palácio, que a rainha, provavelmente, tem a madre seca'. Mentalizei-me que ia demorar meses a engravidar e pumbas, engravidei no mês seguinte.
(Sim, eu sei que sou histérica.)
Vai daí, diria que vivi um pré-gravidez mais ansiogénico da segunda vez, até porque o pré-gravidez do Matias durou pouquíssimo tempo.
Gravidez
Quando vi o teste positivo na gravidez do Mati fiquei feliz, mas também surpreendida e ansiosa. Não sabia bem o que era suposto fazer. Depois fomos almoçar com a minha sogra e tivemos de agir como se tudo estivesse normal. Contei às minhas pessoas na semana seguinte, no trabalho às oito semanas, aos meus amigos às doze e aqui no blog às treze.
Quando vi o teste positivo na gravidez da Gabi fiquei histérica (até porque já andava a achar que tinha a madre seca, recordo-vos). Duas horas depois estava a ligar às minhas pessoas e a mandar mail à minha médica de família, e no dia seguinte contei no trabalho e aos meus amigos. Escrevi pela primeira vez sobre a gravidez no blog às oito semanas.
O início da gravidez do Matias correu razoavelmente bem, sem grandes sintomas. Fomos a Nova Iorque, onde eu recebi o resultado da sexagem fetal e descobri que íamos ter um rapaz. Depois fomos ver o musical do Rei Leão e eu chorei tanto que a Joana e o Bernardo acharam que íamos ter de ir embora.
O início da gravidez da Gabriela foi tenebroso. Desatei a vomitar que nem uma pescada, a única coisa que tolerava no estômago era leite com chocolate da Ucal fresco (true story) e fiquei logo com a frequência cardíaca mais alta e por isso fui logo medicada. Às seis semanas sangrei e achei que seria 'só' uma sensibilidade aumentada do colo, mas no dia seguinte percebi que estava com uma ameaça de aborto por causa de um descolamento da placenta. Sangrei durante mais uma ou duas semanas. Chorei muito. No fim, tudo correu bem.
O resto da gravidez do Matias foi correndo. Comecei a desmaiar todos os dias, por isso fui medicada com um beta-bloqueante e vim para casa. Passei o segundo trimestre em repouso relativo, a aproveitar os dias bons para fazer compras. Tinha listas infinitas relacionadas com o enxoval, comprei imensas coisas inúteis (e outras muito úteis também), fiz um baby shower, duas sessões fotográficas e duas ecografias 4d. Vibrei com tudo. Delirei com tudo. Comprei um fato de cozinheiro para o Matias. Chorei porque não conseguia montar a cama, a poltrona ou o ovo no carro.
O resto da gravidez da Gabriela foi correndo também. Vim para casa sensivelmente na mesma altura do que na gravidez do Matias. Passei os meses restantes a organizar a chegada da miúda com muita calma. Usei as listas infinitas da gravidez do Matias, mas comprei pouquíssimas coisas. Fiz um baby shower, uma sessão fotográfica e zero ecografias 4d. Vibrei com tudo e delirei com tudo na mesma, mas de uma forma mais serena. Dei muito colo ao Matias e imaginei como seria dar colo a dois (é óptimo). Comprei vários vestidos com tule para a Gabriela. Não chorei a montar nada, já somos especialistas em montagens.
No geral, sinto que a gravidez da Gabriela foi mais difícil. Não tive dor ciática como na gravidez do Matias (muito chato!), mas tive vómitos e incontinência urinária (que entretanto desapareceu depois do parto, realmente o meu corpo detesta estar grávido!). Sentia-me fisicamente debilitada e enorme na mesma, mas sem aquele encanto das primeiras gravidezes em que tudo é novo, a barriga é linda, o mundo parece todo cor-de-rosa, os coelhinhos saltitam nos prados e etc.
Parto
Na minha aula de yoga para grávidas eu era a única que já era mãe, e as outras moças (grávidas pela primeira vez) adoravam falar sobre como não queriam epidural, queriam um parto natural com músicas e velas e danças, isto das dores era uma questão psicológica e conseguíamos todas parir sem fármacos só com o poder da mente. Geralmente eu fazia uma expressão assim:
Não me interpretem mal: eu admiro muito as pessoas que não levam epidural, a sério. A minha mãe teve dois filhos sem epidural, a minha avó teve dois filhos sem epidural, a minha bisavó teve nove filhos sem epidural. Sabem quem tem gostou mais do seu parto? Aqui a pessoa que levou epidural. Dito isto, tenho várias amigas que não levaram epidural (umas por opção e outras por razões médicas) e estão vivas na mesma e adoram os filhos e algumas também gostaram dos partos. Mas claramente há toda uma linha que separa os primeiros partos dos seguintes.
No primeiro parto eu não sabia para o que ia. Fiz a depilação às 32 semanas 'não fosse ele nascer às 36'. Levei duas malas de rodinhas cheias de bodegas, achei que corria o risco de ter o miúdo pelo caminho porque o hospital era a vinte minutos de carro de minha casa (e depois gramei com 38h a ter contracções), fui para o hospital cedíssimo e sentia-me aterrorizada com a perspectiva de passar a ser mãe. Tive um parto lindo.
No segundo parto eu sabia exactamente ao que ia. Fiz a depilação às 38 semanas e meia, e aproveitei para cortar e pintar o cabelo e pôr gelinho nas unhas. Levei um saco do ginásio com coisas para o primeiro dia e depois o Pedro trouxe o resto. Fui para o hospital muito mais tarde, com contracções de tal forma dolorosas e próximas que temi ter a miúda pelo caminho. Estava super tranquila. Tive um parto ainda mais lindo. Sabia o que queria, sabia o que fazer e deixaram-me fazê-lo.
O meu segundo parto foi melhor. Foi mais rápido, menos doloroso, mais intuitivo e muito mais natural.
Pós-parto imediato
O baque imediato foi exactamente o mesmo com o Matias e a Gabriela. Amei-os, ali, logo, naquele segundo em que os vi. Fiquei cheia de hormonas felizes, estava pronta para tudo, queria correr a maratona se me deixassem.
Levantei-me duas horas depois do parto do Matias e fui tomar banho. Ainda andei uma ou duas semanas com dores no braço que tinha partido e na episiotomia (um dos pontos abriu), mas andava impecável e cheia de energia. Um mês depois estava pronta para outra e não fiquei com qualquer sequela do parto.
Levantei-me duas horas depois do parto da Gabriela (porque não me deixaram levantar antes) e fui tomar banho. Tive contracções durante três ou quatro dias, mas de resto tive zero dores. Por outro lado, senti-me (e sinto-me) com menos energia. Fisicamente estou bem e uma semana depois já estava pronta para outra, mas mentalmente sinto-me muito mais cansada. Até ver não fiquei com qualquer sequela do parto.
Quando trouxemos o Matias para casa foi um namoro pegado. A amamentação foi um dramalhão, mas fora isso achei tudo lindo e maravilhoso e no geral a adaptação foi muito fácil. O Matias comia e dormia, e tirando ali umas três horinhas ao fim da tarde em que chorava bastante era um bebé muito tranquilo.
Quando trouxemos a Gabriela para casa foi uma aventura. A amamentação não foi um dramalhão porque acabou antes de o ser. A adaptação foi, e ainda é, um desafio. A Gabriela comia e dormia, mas chorava como uma desalmada e berrava como se a estivessem a matar, de tal forma que decidi que mal a miúda faça seis anos vou logo inscrevê-la nas aulas de canto para começar a rentabilizar estes pulmões.
No geral, diria que houve um investimento diferente no Matias. O tempo era todo para ele, o resto ficou em segundo plano, ele era a nossa única prioridade. A minha pasta das fotos da altura era assim:
Com a Gabriela foi diferente. O Matias continuou a ter mais investimento (porque é mais crescido e exige coisas diferentes e mais complexas), a casa tinha de estar habitável, a roupa tinha de estar lavada, a sopa tinha de estar feita, precisávamos de ter leite e pão e fruta e por aí fora. Por isso, a pasta das fotos de agora tem este aspecto:
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Pós-parto a médio prazo
Com o Matias a rotina instalou-se depressa. O Pedro voltou ao trabalho passado um mês, e no geral diria que tudo correu de forma tranquila. Eu estava focada no miúdo, íamos dando uns passeios, dormia umas sestas, tudo muito relaxado.
Com a Gabriela a rotina demorou mais tempo a instalar-se, mas acho que estamos finalmente a acalmar. O Matias já não acorda durante a noite com a miúda a chorar (o que é logo uma grande ajuda porque já só temos uma criança para gerir de madrugada e não duas). O Pedro volta ao trabalho daqui a dez dias. Andamos fartos de passear, até porque a Gabi fica tranquila na rua (leia-se, fecha a matraca), e nos dias em que saímos sentimos que ela dorme melhor. A Gabriela dorme e come tão bem como o irmão (possivelmente até melhor ainda), mas nós achamos que as noites, embora melhores, custam mais agora (não sei se estamos efectivamente mais acabados ou se simplesmente reprimimos o quanto nos custaram os primeiros meses do Matias).
Futurologia
Estou muito curiosa para ver o que aí vem. O Pedro volta ao trabalho mesmo antes do Natal, e estou expectante para perceber como vai ser gerir a miúda e o seu berranço, levar o Matias à escola e ir buscá-lo, gerir a casa sozinha durante o dia e gramar com as noites.
Também me parece que no geral a Gabriela vai ser uma bebé menos investida do que o Matias. A nossa vida está diferente, temos outro miúdo e outras responsabilidades, e possivelmente também temos outro enamoramento por esta fase porque sabemos que as seguintes são, sejamos honestos, mais fixes e divertidas. Por outro lado, e porque não pode ser tudo mau, também sentimos que somos agora muito mais confiantes e eficazes do que éramos antes, e no geral sinto que conseguimos corresponder às necessidades da miúda de uma forma mais rápida, até porque agora somos mais experientes.
Um óptimo exemplo disso é a questão das noites. O Matias sempre dormiu muito mal no nosso quarto. Por outro lado, eu também dormia muito mal com o Matias no nosso quarto. Vai daí, passámos o miúdo para o quarto dele com um mês. Na altura foi um mega drama, os protocolos isto, a morte súbita aquilo, que negligentes. Agora voltou a repetir-se a problemática, por isso a miúda foi para o quarto dela esta semana, sem qualquer drama, com zero sentimentos de culpa e com noites muito melhores para todos.
Por outro lado, também é muito mais giro ver a interacção do Matias com a Gabriela. Ele continua muito entusiasmado, adora encher a irmã de beijos e faz as perguntas mais deliciosas. Esta semana quando passámos a miúda para o quarto dela ele disse logo 'Yey, mana está tão crescida! Já fala?' :D
E pronto, a vida corre tranquila :)
30 de novembro de 2019
Coisas variadas que me ajudam a manter a sanidade mental no pós-parto.
Acho que é uma verdade universalmente conhecida que o pós-parto não é fácil. Mesmo para quem tem sorte de ficar impecável depois do parto (o meu caso), é sempre uma fase de adaptação a novas rotinas, com as hormonas todas baralhadas, um bebé completamente dependente (e no nosso caso mais uma criança cheia de energia), muitas questões para gerir... E a privação de sono.
Ah, a privação de sono. A sério, tinha reprimido por completo estas memórias do Matias recém-nascido sob uma camada de 'pois, mas ele sempre dormiu bem'. Mentiras, claro. É um facto que o Matias dorme bem, mas quando nasceu era um bebé como outro qualquer que acordava de duas em duas ou de três em três horas.
A menina da canção é igual. Nasceu a acordar de duas em duas horas durante a noite, agora já tem feito três e nestas últimas duas noites até fez quatro horas de intervalo (Deus é grande!). Mas é difícil, juro. Não sei se é efectivamente mais difícil ou se eu é que não recordava do quão difícil era, mas sinceramente acho que as minhas expectativas estavam um-bocadinho-para-o-inflaccionadas.
Vai daí, decidi fazer uma lista das coisas que sinto que me têm ajudado nesta fase, para a Joana do futuro que daqui a três anos vai reprimir outra vez tudo (gravidez incluída) e querer ter mais filhos.
Joana do futuro, aqui vai: quando sentires que é mais difícil, não é. Quando achares que não vai melhorar, vai. Quando não souberes o que fazer, lê o que te ajudou desta vez.
Ah, a privação de sono. A sério, tinha reprimido por completo estas memórias do Matias recém-nascido sob uma camada de 'pois, mas ele sempre dormiu bem'. Mentiras, claro. É um facto que o Matias dorme bem, mas quando nasceu era um bebé como outro qualquer que acordava de duas em duas ou de três em três horas.
A menina da canção é igual. Nasceu a acordar de duas em duas horas durante a noite, agora já tem feito três e nestas últimas duas noites até fez quatro horas de intervalo (Deus é grande!). Mas é difícil, juro. Não sei se é efectivamente mais difícil ou se eu é que não recordava do quão difícil era, mas sinceramente acho que as minhas expectativas estavam um-bocadinho-para-o-inflaccionadas.
Vai daí, decidi fazer uma lista das coisas que sinto que me têm ajudado nesta fase, para a Joana do futuro que daqui a três anos vai reprimir outra vez tudo (gravidez incluída) e querer ter mais filhos.
Joana do futuro, aqui vai: quando sentires que é mais difícil, não é. Quando achares que não vai melhorar, vai. Quando não souberes o que fazer, lê o que te ajudou desta vez.
9 de julho de 2019
Pregnancy Diary #24
No Domingo, enquanto o deitávamos para a sesta, o Matias disse categoricamente 'não quero fralda'. Dissemos para ele ir fazer xixi e ele foi todo contente (nunca antes visto, ele só vai fazer xixi sozinho e se nós dizemos para ele ir fica todo zangado). Vinte minutos depois disse que queria fazer cocó, e foi. Dormiu três horas e não molhou a cama. Quando acordou fizemos uma grande festa, e para o lanche deixámo-lo comer um Epá (é só luxos nesta casa).
(Depois vimos o filme dos Aristogatos e já não me lembrava de ser tão engraçado!)
Ao deitar repetiu-se a mesma coisa, e o Matias declarou que não queria fralda. Combinámos que se ele não molhasse a cama tinha direito a um presente. Ele pareceu confuso com isto, mas acabou por dizer que queria ‘uma Jessie’ (a cowgirl do Toy Story, ele já tem o Woody, o Buzz e o Senhor Cabeça de Batata, por isso faz sentido).
Ele ainda veio ao nosso quarto umas duas vezes durante a noite, mas acho que foi para dizer que tinha sonhado com coisas (agora ele sonha muito com piratas). O Pedro voltou a levá-lo para a caminha dele (as vantagens de estar deitada mais longe da porta muahuahuah) e de manhã tínhamos uma cama SE-QUI-NHA.
Fizemos logo uma grande festa, e o Matias aproveitou para pedir gelado ao pequeno-almoço (desta vez não teve sorte). Na escola também não molhou a cama na sesta (ele que ainda três dias antes tinha molhado a cama quando as educadoras decidiram 'fazer a experiência'). Quando saiu da escola esperava-o uma Jessie, e passou o resto da tarde a dizer 'muito obrigado' :)
Esta noite não quis fralda novamente. Deitámo-lo às 20h, e por volta das 20.30h ele chamou-nos porque tinha feito xixi no chão a caminho da casa-de-banho (acontece). Depois ainda veio ao nosso quarto durante a noite avisar que queria fazer xixi (nem sei bem que horas eram, o Pedro é que foi com ele) e pumbas, mais uma cama sequinha de manhã.
E parece-me que é oficial: o miúdo está desfraldado de vez. Sem que nada o fizesse prever, depois de anos a encharcar fraldas e a molhar a cama. Não faço ideia do que terá acontecido, mas estamos muito satisfeitos com isto. E o Matias anda todo contente, a dizer que está muito crescido e que vai continuar a crescer até conseguir chegar ao céu (que para ele é o tecto cá de casa) :D
(Depois vimos o filme dos Aristogatos e já não me lembrava de ser tão engraçado!)
Ao deitar repetiu-se a mesma coisa, e o Matias declarou que não queria fralda. Combinámos que se ele não molhasse a cama tinha direito a um presente. Ele pareceu confuso com isto, mas acabou por dizer que queria ‘uma Jessie’ (a cowgirl do Toy Story, ele já tem o Woody, o Buzz e o Senhor Cabeça de Batata, por isso faz sentido).
Ele ainda veio ao nosso quarto umas duas vezes durante a noite, mas acho que foi para dizer que tinha sonhado com coisas (agora ele sonha muito com piratas). O Pedro voltou a levá-lo para a caminha dele (as vantagens de estar deitada mais longe da porta muahuahuah) e de manhã tínhamos uma cama SE-QUI-NHA.
Fizemos logo uma grande festa, e o Matias aproveitou para pedir gelado ao pequeno-almoço (desta vez não teve sorte). Na escola também não molhou a cama na sesta (ele que ainda três dias antes tinha molhado a cama quando as educadoras decidiram 'fazer a experiência'). Quando saiu da escola esperava-o uma Jessie, e passou o resto da tarde a dizer 'muito obrigado' :)
Esta noite não quis fralda novamente. Deitámo-lo às 20h, e por volta das 20.30h ele chamou-nos porque tinha feito xixi no chão a caminho da casa-de-banho (acontece). Depois ainda veio ao nosso quarto durante a noite avisar que queria fazer xixi (nem sei bem que horas eram, o Pedro é que foi com ele) e pumbas, mais uma cama sequinha de manhã.
E parece-me que é oficial: o miúdo está desfraldado de vez. Sem que nada o fizesse prever, depois de anos a encharcar fraldas e a molhar a cama. Não faço ideia do que terá acontecido, mas estamos muito satisfeitos com isto. E o Matias anda todo contente, a dizer que está muito crescido e que vai continuar a crescer até conseguir chegar ao céu (que para ele é o tecto cá de casa) :D
14 de maio de 2019
O Matias fez três anos :)
O
Matias fez três anos hoje.
Nos últimos três anos o Matias brincou, correu, saltou e gritou. O Matias dormiu muito e comeu ainda mais. O Matias andou de bicicleta e de skate, fez festinhas em cabrinhas, visitou exposições e museus, jogou futebol, andou de escorrega, brincou às escondidas, às hienas e aos piratas, perseguiu patos e amassou pão. O Matias andou de barco a remos e comeu queques e panquecas de banana.
Acima de tudo, o Matias é uma criança feliz e amada. E é o nosso malandrias, o nosso patuscão e a nossa coisinha boa. Para sempre.
Nos últimos três anos o Matias brincou, correu, saltou e gritou. O Matias dormiu muito e comeu ainda mais. O Matias andou de bicicleta e de skate, fez festinhas em cabrinhas, visitou exposições e museus, jogou futebol, andou de escorrega, brincou às escondidas, às hienas e aos piratas, perseguiu patos e amassou pão. O Matias andou de barco a remos e comeu queques e panquecas de banana.
Acima de tudo, o Matias é uma criança feliz e amada. E é o nosso malandrias, o nosso patuscão e a nossa coisinha boa. Para sempre.
| Matias com uma semana |
| Uma semana |
| Um mês |
| Um mês |
| Um ano |
| Um ano |
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| Dois anos |
| Dois anos |
| Há um mês e pouco |
| No Carnaval deste ano |
12 de janeiro de 2019
Nomes e mais nomes #2
Há uns dois meses estávamos a secar o Matias depois do banho e ele disse com um ar muito solene:
'Quero um mano.'
Inicialmente ainda ficámos com cara de 'Come again for Big Fudge?', mas depois achámos imensa graça e ainda nos rimos um pedaço. Nos dias seguintes o Matias começou a falar imensas vezes do 'mano Gonçalo', que eventualmente percebemos ser o filho bebé da auxiliar da sala que passa algum tempo com eles.
Hoje estávamos a ver o The Good Dinosaur (filme que o Mati adora e eu acho altamente violento e traumatizante) e ele perguntou se o Arlo e o Spot 'são manos'. Respondi que são amigos, ao que o miúdo respondeu logo 'porquê?' (#fml mais a idade dos porquês, worst thing ever).
Vai daí, a dada altura aproveitei para perguntar algo do género 'Quando um dia tiveres um mano como gostavas que se chamasse?'.
Resposta: CÃO.
Vou já consultar o registo do IRN.
'Quero um mano.'
Inicialmente ainda ficámos com cara de 'Come again for Big Fudge?', mas depois achámos imensa graça e ainda nos rimos um pedaço. Nos dias seguintes o Matias começou a falar imensas vezes do 'mano Gonçalo', que eventualmente percebemos ser o filho bebé da auxiliar da sala que passa algum tempo com eles.
Hoje estávamos a ver o The Good Dinosaur (filme que o Mati adora e eu acho altamente violento e traumatizante) e ele perguntou se o Arlo e o Spot 'são manos'. Respondi que são amigos, ao que o miúdo respondeu logo 'porquê?' (#fml mais a idade dos porquês, worst thing ever).
Vai daí, a dada altura aproveitei para perguntar algo do género 'Quando um dia tiveres um mano como gostavas que se chamasse?'.
Resposta: CÃO.
Vou já consultar o registo do IRN.
| Malandrias da mami |
26 de julho de 2018
A sessão fotográfica da festa #2
Sei que por onde vou é o melhor caminho,
Não deixo nada ao acaso...
Por favor, anda trocar-me o passo.
Tenho uma rotina para todos os dias,
Há de durar muitos anos...
Por favor, anda estragar-me os planos.
Tira os livros da ordem certa,
Deixa a janela do quarto aberta,
Faz-me esquecer que amanhã vou trabalhar.
Faltam-me as saudades e os ciúmes,
Já tenho a minha conta de serões serenos,
Quero ir dançar.
Faltam-me as saudades e os ciúmes,
Já tenho a minha conta de serões serenos,
Tardes tontas, manhãs mecânicas,
Eu quero é ir dançar.
Tenho uma rotina para todos os dias,
Há de durar muitos anos...
Por favor, anda estragar-me os planos.
Não deixo nada ao acaso...
Por favor, anda trocar-me o passo.
Tenho uma rotina para todos os dias,
Há de durar muitos anos...
Por favor, anda estragar-me os planos.
Tira os livros da ordem certa,
Deixa a janela do quarto aberta,
Faz-me esquecer que amanhã vou trabalhar.
Faltam-me as saudades e os ciúmes,
Já tenho a minha conta de serões serenos,
Quero ir dançar.
Faltam-me as saudades e os ciúmes,
Já tenho a minha conta de serões serenos,
Tardes tontas, manhãs mecânicas,
Eu quero é ir dançar.
Tenho uma rotina para todos os dias,
Há de durar muitos anos...
Por favor, anda estragar-me os planos.
Tenho 29 anos. Tenho uma família, um trabalho, uma casa e um carro. Tenho a minha vida desenhada na minha cabeça. Sempre tive. Sempre soube o que queria em cada momento, mesmo que no seguinte já quisesse outra coisa qualquer. Faço planos intermináveis a todas as horas e listas obsessivamente organizadas.
Sei que em Agosto vou a Sesimbra, em Setembro a Viena, em Outubro a Paris e em Dezembro a Estugarda. Sei que no próximo ano vou engravidar novamente e que vamos à Argentina. Sei que em Junho vamos mudar de casa e de cidade. Também sei para onde vamos viver.
A minha vida é, na maioria dos dias, um conjunto de certezas. E depois chega algo avassalador que me estraga os planos.
O Pedro estragou-me os planos. Nunca imaginei que gostar de alguém pudesse ser assim, esta mistura irritante de querer beijá-lo até eu ficar sem forças e querer apertar-lhe o pescoço até ele ficar sem forças.
A especialidade estragou-me os planos. Nunca imaginei que pudesse sentir esta ambivalência tão grande, gostar tanto de algo que me faz tão mal, sentir simultaneamente o sucesso e o fracasso, o amor e o desespero, a vontade de lutar e a tentação de desistir.
O Matias estragou-me os planos. Quando já sabia tudo, ele mostrou-me que não sei grande coisa. Quando já sabia o que era amar alguém mais do que aquilo que achava possível, o Matias surgiu nas nossas vidas e mostrou-me que podemos sempre amar mais, amar melhor, amar diferente.
Nos meus desenhos, nos meus planos e nas minhas listas a minha vida não ia ser assim.
Quando ouvi esta música pela primeira vez no Festival da Canção dei por mim a chorar. Nos dias seguintes ouvi-a em loop. E quase sinto que a música foi escrita para mim.
Porque a minha vida é, na maioria dos dias, um conjunto de certezas. E depois chega algo avassalador que me estraga os planos. E torna tudo muito, muito, muito melhor.
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24 de julho de 2018
A sessão fotográfica da festa #1
Hoje foi um dia difícil. Como estou sem carro levo o Mati à escola a pé de manhã, o que é simultaneamente muito giro e terrivelmente cansativo (devemos demorar uns vinte minutos num percurso que eu normalmente faço em cinco). Depois arrastei-me até ao trabalho, onde tive uma primeira consulta absolutamente drenante. Tentei mais uma vez perceber quando raios vou ter o meu carro de volta, o que me demorou umas dez chamadas (e continuo sem respostas). Vim para casa a pé e cheguei estourada. Dez minutos depois voltámos a sair, desta vez para ir à mercearia e ao Glood com um Mati já a dar sinais do cansaço do fim do dia. Voltámos, demos o jantar ao miúdo, brincámos um bocadinho, estivemos uns dez minutos na sanita porque o Matias dizia que queria fazer cocó, e como nada aconteceu fomos para o banho, onde depois de já estar lavadinho e 'a relaxar' (o Mati pede sempre para ficar a relaxar no banho e mete a cabeça debaixo de água) o miúdo decide fazer mooooontes de cocó. No banho.
Deitámo-lo, tentámos organizar a balda que é a nossa casa neste momento, sentámo-nos no sofá, pedimos Uber Eats e vimos dois episódios de Narcos seguidos.
Há uma semana o meu Instagram encheu-se de fotos da malta que conheço no Alive com glitter e coroas de flores e calções que mostram as bochechinhas do rabo e num dos telefonemas que fiz ao Bernardo queixei-me de que a minha vida era uma seca e que nunca fazíamos nada giro (estava com TPM na altura e entrei num dos meus fuck my life rants ok, pronto, avancemos). E ele comentou algo que me deixou a pensar:
'Xi, muitas dessas pessoas querem o que tu tens. Querem estar casadas, ter uma família, estar bem e sentir-se amadas.'
Sinceramente na altura fiquei na mesma, mas hoje dei por mim a pensar nisso. Porque sim, mesmo num dia que acabou connosco a pescar cocós da banheira, não trocaria isto por nenhum Alive deste mundo. Mesmo num dia em que estou cansada e irritada, olho para estas fotos e quase que sinto os meus ovários a explodirem de vontade de ter outro filho.
Mesmo num dia mau, isto é a melhor coisa do mundo.
Deitámo-lo, tentámos organizar a balda que é a nossa casa neste momento, sentámo-nos no sofá, pedimos Uber Eats e vimos dois episódios de Narcos seguidos.
Há uma semana o meu Instagram encheu-se de fotos da malta que conheço no Alive com glitter e coroas de flores e calções que mostram as bochechinhas do rabo e num dos telefonemas que fiz ao Bernardo queixei-me de que a minha vida era uma seca e que nunca fazíamos nada giro (estava com TPM na altura e entrei num dos meus fuck my life rants ok, pronto, avancemos). E ele comentou algo que me deixou a pensar:
'Xi, muitas dessas pessoas querem o que tu tens. Querem estar casadas, ter uma família, estar bem e sentir-se amadas.'
Sinceramente na altura fiquei na mesma, mas hoje dei por mim a pensar nisso. Porque sim, mesmo num dia que acabou connosco a pescar cocós da banheira, não trocaria isto por nenhum Alive deste mundo. Mesmo num dia em que estou cansada e irritada, olho para estas fotos e quase que sinto os meus ovários a explodirem de vontade de ter outro filho.
Mesmo num dia mau, isto é a melhor coisa do mundo.
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12 de julho de 2018
A saga do desfralde.
É engraçado como nós alternamos entre ser pais incrivelmente descontraídos numas coisas e super rígidos noutras. A hora de dormir do Mati é cumprida de forma quase ditatorial (ultimamente é às 19.30h), mas o miúdo anda na rua sozinho e só precisa de nos dar a mão para atravessar na passadeira. O Mati pode escolher o que quer comer, vestir e fazer (dentro das opções disponíveis, claro), mas no entanto se faz birra porque não lhe apetece comer nada não tenho qualquer problema em deitá-lo sem jantar.
Um dia destes a minha mãe dava-me o seu já habitual sermão 'ai és tão rígida com o menino, coitadinho do pequenino' e comentou algo do estilo 'devias era ser assim para lhe tirar as fraldas, olha que tu desfraldaste aos onze meses e não ficaste nada traumatizada etc etc etc'.
Na altura encolhi os ombros e disse a lengalenga do costume: ainda é cedo, o desfralde é geralmente entre os dois e os três anos mas até há miúdos que desfraldam mais tarde, o Mati não mostrava grande interesse no tema (embora já faça xixi na sanita antes de ir para o banho há uns tempos), não avisava quando precisava de fazer xixi e cocó e não parecia muito desconfortável com o assunto, ainda tinha de ler sobre o tema e por aí fora.
Estava sozinha nesta luta. O Pedro queria desfraldar, a Joana queria desfraldar, e quando abordei o assunto na creche para ver qual era a opinião da educadora percebi que ela também achava uma óptima ideia. Vai daí o Pedro voltou de Barcelona na Sexta-feira (YEY), no Sábado o Mati passou o dia com os meus pais (foram ao zoo!)... E no Domingo iniciámos o desfralde.
Um dia destes a minha mãe dava-me o seu já habitual sermão 'ai és tão rígida com o menino, coitadinho do pequenino' e comentou algo do estilo 'devias era ser assim para lhe tirar as fraldas, olha que tu desfraldaste aos onze meses e não ficaste nada traumatizada etc etc etc'.
Na altura encolhi os ombros e disse a lengalenga do costume: ainda é cedo, o desfralde é geralmente entre os dois e os três anos mas até há miúdos que desfraldam mais tarde, o Mati não mostrava grande interesse no tema (embora já faça xixi na sanita antes de ir para o banho há uns tempos), não avisava quando precisava de fazer xixi e cocó e não parecia muito desconfortável com o assunto, ainda tinha de ler sobre o tema e por aí fora.
Estava sozinha nesta luta. O Pedro queria desfraldar, a Joana queria desfraldar, e quando abordei o assunto na creche para ver qual era a opinião da educadora percebi que ela também achava uma óptima ideia. Vai daí o Pedro voltou de Barcelona na Sexta-feira (YEY), no Sábado o Mati passou o dia com os meus pais (foram ao zoo!)... E no Domingo iniciámos o desfralde.
9 de julho de 2018
Festa A Espada Era a Lei #3
E pronto, aqui estão as últimas fotos da festa do segundo aniversário do Matias :) Ainda faltam as fotos da nossa sessão fotográfica na Quinta das Conchas, das quais ainda não tenho a versão final (mas a versão não final está uma delícia!). Apesar de sermos pouquinhos foi uma festa muito gira :) E para o ano há mais :D
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4 de julho de 2018
Festa A Espada Era a Lei #2
2 de julho de 2018
Festa A Espada Era a Lei #1
E aqui vão as primeiras fotos da festa do segundo aniversário do Matias :D
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| O bolo, da Bolos e Bolinhos Atelier. Escolhemos a massa, o recheio, a cobertura e a forma (era um bolo de pão-de-ló com recheio de Nutella e cobertura de buttercream de Nutella) e eles vieram entregar cá a casa no dia da festa :) Era DELICIOSO :D |
1 de julho de 2018
Festa A Espada Era a Lei - O resumo! :)
A festa do segundo aniversário do Matias foi uma epopeia. Começou por ter outro tema (a Rua Sésamo), por ser planeada pela Maria das Festas, por ser na Quinta das Conchas (a dada altura também chegou a ser numa quinta em Mafra) e por ter quarenta convidados. Acabou por ser d'A Espada Era a Lei, planeada na íntegra por mim, cá em casa e com sete pessoas, depois de uma série de peripécias estranhas que se sucederam umas às outras.
E é muito engraçado, porque olho para as fotos da festa do Star Wars no primeiro aniversário e não sinto que essa tenha sido uma festa melhor. Foi claramente uma festa mais investida, mas estive sempre altamente preocupada, muito autoconsciente e insegura, a fazer malabarismos para tudo correr bem.
Desta vez estacionei o carro em casa às 23h da noite anterior à festa depois de ter ido a casa do meu irmão buscar as mantas de piquenique que a minha mãe fez, e quando vi que mais três pessoas tinham cancelado (porque a miúda estava doente) simplesmente encolhi os ombros e pensei 'bem, é a vida'.
E no fundo é isso, é a vida. É a celebração da vida do Matias. De mais um ano do nosso bãozão. Com uma festa que me deu imenso prazer a organizar... E ainda mais prazer a viver.
Fotos: Célia Lopes Fotografia
Mesa desdobrável: AKI
Máscara de cavaleiro, escudos, arcos e flechas: Imaginarium
Cordel: IKEA
Tábua de queijos e pão saloio: Continente
E é muito engraçado, porque olho para as fotos da festa do Star Wars no primeiro aniversário e não sinto que essa tenha sido uma festa melhor. Foi claramente uma festa mais investida, mas estive sempre altamente preocupada, muito autoconsciente e insegura, a fazer malabarismos para tudo correr bem.
Desta vez estacionei o carro em casa às 23h da noite anterior à festa depois de ter ido a casa do meu irmão buscar as mantas de piquenique que a minha mãe fez, e quando vi que mais três pessoas tinham cancelado (porque a miúda estava doente) simplesmente encolhi os ombros e pensei 'bem, é a vida'.
E no fundo é isso, é a vida. É a celebração da vida do Matias. De mais um ano do nosso bãozão. Com uma festa que me deu imenso prazer a organizar... E ainda mais prazer a viver.
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Apesar de ter sido um tema pouco usual, a verdade é que achámos que resultou super bem. Como há muito poucas coisas temáticas d'A Espada Era a Lei (afinal, é um filme de 1963 que não teve propriamente um grande sucesso) e como as coisas temáticas que tínhamos encomendado tiveram um acidente pelo caminho (a sério, nem perguntem) optei por uma vibe mais medieval, com vermelhos e dourados e uns apontamentos do filme :) Como a festa foi dentro de casa optámos por fazer uma sessão fotográfica em família na Quinta das Conchas, cujas fotos ainda não tenho mas que depois mostro :)
Fotos: Célia Lopes Fotografia
Mesa desdobrável: AKI
Máscara de cavaleiro, escudos, arcos e flechas: Imaginarium
Cordel: IKEA
Copos: Partyland
Balde dos talheres: Mister Party
Guardanapos: Continente
Travessas: Docinho de açúcar e Partyland
Caixas para as batatas: Docinho de açúcar
Dispensador de bebidas: Foi oferecido pela minha mãe
Balde dos talheres: Mister Party
Guardanapos: Continente
Travessas: Docinho de açúcar e Partyland
Caixas para as batatas: Docinho de açúcar
Dispensador de bebidas: Foi oferecido pela minha mãe
Base para o bolo: Partyland
Base para a tábua de queijos: Docinho de açúcar
Etiquetas da comida: Criadas por mim
Rolinhos para os guardanapos: Confetty Momma Party
Bandeirolas para a comida: Criadas por mim
Bandeirolas medievais: Criadas por mim
Etiquetas da comida: Criadas por mim
Rolinhos para os guardanapos: Confetty Momma Party
Bandeirolas para a comida: Criadas por mim
Bandeirolas medievais: Criadas por mim
Tábua de queijos e pão saloio: Continente
Trouxinhas de alheira: Feitas por mim
Folhados de queijo de cabra com mel: Feitos por mim
Batatas doces fritas: Continente
Tartes de amêndoa: Continente
Bebidas: Água e sumo de laranja
Bolo de Nutella com recheio de Nutella e cobertura de Nutella (yeah we did): Bolos e Bolinhos Atelier
Bolo de Nutella com recheio de Nutella e cobertura de Nutella (yeah we did): Bolos e Bolinhos Atelier
27 de junho de 2018
Barcelona com uma criança de dois anos - A logística
Há um ano fiz uma publicação sobre a logística de viajar para Santorini com um bebé de um ano, e entretanto ocorreu-me que podia fazer uma actualização - até porque esta viagem a Barcelona foi (ainda) mais desafiante nesse aspecto. Assim sendo, aqui vão algumas ideias.
1. No aeroporto
Eu tenho no aeroporto a mesma postura que tenho nos outros sítios todos: deixar o Matias explorar, correr, rastejar, sujar-se, mexer nas coisas, meter-se com as pessoas, enfim, ser uma criança normal :) Comprei três livros novos e levei uma bola, um ursinho e uma data de livros antigos que ele gosta. Levei o carrinho para ser menos cansativo para ele, mas no fim acabámos por usá-lo muito pouco porque o Mati gosta é de correr (e pirar-se!).
1. No aeroporto
Eu tenho no aeroporto a mesma postura que tenho nos outros sítios todos: deixar o Matias explorar, correr, rastejar, sujar-se, mexer nas coisas, meter-se com as pessoas, enfim, ser uma criança normal :) Comprei três livros novos e levei uma bola, um ursinho e uma data de livros antigos que ele gosta. Levei o carrinho para ser menos cansativo para ele, mas no fim acabámos por usá-lo muito pouco porque o Mati gosta é de correr (e pirar-se!).
| Mati a pirar-se |
18 de junho de 2018
Primeiras vezes.
Este fim-de-semana fiquei sozinha com o Matias, depois do Pedro ter ido para Barcelona (onde vai ficar durante um mês). Não é propriamente pouco habitual ficarmos sozinhos com o Mati (entre congressos, urgências, formações, competições de xadrez, viagens, etc etc etc), mas nunca nenhum de nós ficou tanto tempo sozinho com ele e confesso que estava um bocadinho assustada, principalmente com o primeiro fim-de-semana. Comigo ainda em recuperação e com algumas limitações (não posso fazer muitos esforços, não me consigo baixar, ainda vejo as coisas um bocadinho desfocadas e tenho uma comichão do demónio no olho), estava com receio que o fim-de-semana fosse um filme de terror para ambos.
Não foi. Foi espectacular. Foi incrível. Foi mesmo o máximo.
Acordámos quando quisemos (vá, quando o Matias quis), brincámos, cozinhámos, divertimo-nos, dormimos duas belas sestas de três horas cada uma, enfim. Pelo meio, tivemos umas quantas novidades.
Quando o Mati tinha uns três dias percebemos que lhe tínhamos que cortar as unhas pela primeira vez. Sugeri ao Pedro ser ele a fazê-lo (o tipo opera olhos, está habituado a cenas minúsculas), e a dada altura o Matias desatou a gritar e começou a deitar sangue de um dedo. Tinha uma feridinha minúscula feita pelo corta-unhas, mas que rapidamente infectou e foi inclusivamente necessário pôr pomada antibiótica passado uns dias. Depois disso fiquei traumatizada e nunca quis cortar as unhas ao miúdo. Nunca. Passei dois anos sem lhe cortar as unhas. A dada altura o Pedro esteve fora uns dias, era preciso cortar as unhas ao miúdo e fui ao cabeleireiro com ele. True story.
Pois bem, ontem lá me mentalizei que era preciso. O calor faz o Matias ficar com mais comichão (ele tem a pele atópica), por isso decidi encher-me de coragem. Ia-me vomitando, mas lá consegui cortar todas as unhas do Matias (das mãos e dos pés, YEY!). E a dada altura disse-lhe 'só faltam quatro!'.
Ao que ele me respondeu 'Um, dois, três, quatro!'.
Fiquei abismada. Nunca o tínhamos ouvido contar. Não é propriamente uma coisa que lhe ensinemos cá em casa, e embora já o tivesse ouvido a dizer um, dois ou três em situações pontuais, nunca o tinha ouvido a dizer quatro (ou os números seguidos!).
Depois disso, estávamos a ler um livro do Nemo que ele adora e o Matias pediu para ver 'o vídeo dos papás' (que é o de Svalbard). Confesso que já vomito o vídeo dos papás pelos olhos, por isso sugeri-lhe 'e se víssemos o filme do Nemo?'. Achei logo que íamos ver uns cinco minutos e ele ia aborrecer-se (até porque é o que acontece SEMPRE), e qual não foi o meu espanto quando ele viu meia hora SEGUIDA. Depois disso não o deixei ver mais, mas no dia seguinte ele pediu novamente para ver 'o filme' e viu mais meia hora de manhã e meia hora de tarde. Viu o seu primeiro filme :D (e logo um em que um peixe perde o pai, que apropriado).
Entretanto hoje comprei ao Matias a sua primeira Barbie! Ando a juntar alguns presentes para o entreter no avião a caminho de Barcelona, e depois de encomendar uns livros de dinossauros novos achei que um brinquedo novo era boa ideia :) Comprei-lhe a Barbie cientista, depois digo se fez sucesso ou não :D
E pronto, têm sido uns dias muito animados cá por casa :)
Não foi. Foi espectacular. Foi incrível. Foi mesmo o máximo.
Acordámos quando quisemos (vá, quando o Matias quis), brincámos, cozinhámos, divertimo-nos, dormimos duas belas sestas de três horas cada uma, enfim. Pelo meio, tivemos umas quantas novidades.
Quando o Mati tinha uns três dias percebemos que lhe tínhamos que cortar as unhas pela primeira vez. Sugeri ao Pedro ser ele a fazê-lo (o tipo opera olhos, está habituado a cenas minúsculas), e a dada altura o Matias desatou a gritar e começou a deitar sangue de um dedo. Tinha uma feridinha minúscula feita pelo corta-unhas, mas que rapidamente infectou e foi inclusivamente necessário pôr pomada antibiótica passado uns dias. Depois disso fiquei traumatizada e nunca quis cortar as unhas ao miúdo. Nunca. Passei dois anos sem lhe cortar as unhas. A dada altura o Pedro esteve fora uns dias, era preciso cortar as unhas ao miúdo e fui ao cabeleireiro com ele. True story.
Pois bem, ontem lá me mentalizei que era preciso. O calor faz o Matias ficar com mais comichão (ele tem a pele atópica), por isso decidi encher-me de coragem. Ia-me vomitando, mas lá consegui cortar todas as unhas do Matias (das mãos e dos pés, YEY!). E a dada altura disse-lhe 'só faltam quatro!'.
Ao que ele me respondeu 'Um, dois, três, quatro!'.
Fiquei abismada. Nunca o tínhamos ouvido contar. Não é propriamente uma coisa que lhe ensinemos cá em casa, e embora já o tivesse ouvido a dizer um, dois ou três em situações pontuais, nunca o tinha ouvido a dizer quatro (ou os números seguidos!).
Depois disso, estávamos a ler um livro do Nemo que ele adora e o Matias pediu para ver 'o vídeo dos papás' (que é o de Svalbard). Confesso que já vomito o vídeo dos papás pelos olhos, por isso sugeri-lhe 'e se víssemos o filme do Nemo?'. Achei logo que íamos ver uns cinco minutos e ele ia aborrecer-se (até porque é o que acontece SEMPRE), e qual não foi o meu espanto quando ele viu meia hora SEGUIDA. Depois disso não o deixei ver mais, mas no dia seguinte ele pediu novamente para ver 'o filme' e viu mais meia hora de manhã e meia hora de tarde. Viu o seu primeiro filme :D (e logo um em que um peixe perde o pai, que apropriado).
Entretanto hoje comprei ao Matias a sua primeira Barbie! Ando a juntar alguns presentes para o entreter no avião a caminho de Barcelona, e depois de encomendar uns livros de dinossauros novos achei que um brinquedo novo era boa ideia :) Comprei-lhe a Barbie cientista, depois digo se fez sucesso ou não :D
| Achei que era parecida comigo, com a bata e tal |
30 de março de 2018
Vinte e dois meses de Matias.
Março foi um mês no mínimo peculiar. Trabalhámos que nem doidos, panicámos por causa dos nossos exames e tivemos umas mini-férias num sítio inesperado, por isso confesso que não tenho tido a disponibilidade (e a organização) necessárias para escrever. Independentemente disso, no dia 14 celebrámos mais um mês do Mati, por isso cá vai mais um resumo do nosso patuscão :D
Assim é o Mati aos vinte e dois meses:
* Alimentação
Assim é o Mati aos vinte e dois meses:
* Alimentação
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