6 de outubro de 2016

Uma imagem real da maternidade.

Já li várias vezes por aí que há quem passe uma imagem irreal da maternidade - porque fica com um corpo espectacular dois dias depois do parto, porque vai ao ginásio, porque sai com os amigos, porque está sempre cheia de energia ou porque vai jantar só com o marido. Criticam-se as pessoas (geralmente figuras públicas) porque 'não mostram a realidade da maternidade', como se as nossas próprias experiências fossem a verdade de toda a gente.

Eu fiquei impecável depois do meu parto. Levantei-me sozinha duas horas depois (e tinha uma episiotomia simpática e um braço partido) e fui tomar um banho que me soube pela vidinha (o Matias ficou com o Pedro). Fiquei logo sem barriga de grávida nenhuma, embora tenha continuado balofa porque engordei vinte quilos durante a gravidez. Desde o início nunca tive problemas em dar uma ou outra voltinha sem o Matias. Não me recordo de o ter feito 'para espairecer', mas sim porque era necessário fazer alguma coisa e não dava jeito levá-lo. Desde o início que sempre saí com o Matias para os mais variados sítios ao ar livre. Fui jantar só com o Pedro quando o miúdo tinha duas ou três semanas (momento sinceramente sobrevalorizado, não nos faltam momentos a dois enquanto o miúdo dorme). Não fui ao ginásio porque não gosto do ginásio (nem de fazer exercício físico em geral, vamos lá ser honestos), mas duas semanas depois levei o Mati à Feira Medieval porque queria fazer alguma coisa diferente e interessante. Estou muito mais vezes com os meus amigos desde que fui mãe do que antes (ver o bebé é sempre uma óptima desculpa!).

E sim, já fui várias vezes criticada por não mostrar no blog 'a realidade da maternidade'. Nessas situações, quase peço desculpa por estar impecável. Por estar a passar a melhor fase da minha vida. Por estar a gerir razoavelmente bem as coisas. Por estar genuinamente entusiasmada e feliz. Por ver no meu filho a melhor coisa que me aconteceu, sem haver qualquer vestígio de um 'mas'. Caramba, até por ser optimista.

Quase peço desculpa por ter uma imagem real da maternidade diferente da que hoje em dia é socialmente aceitável mostrar.

Esta é a minha realidade. Outras pessoas terão realidades diferentes. Mais chatas, mais tristes, mais complicadas, mais difíceis. Mas isso não faz com que a minha não seja real, porque todas as mães são reais. E podem viver à sua maneira toda esta experiência da maternidade, mas amam os seus filhos de igual forma:

Incondicionalmente. Cada vez mais. Hoje muito mais do que ontem, amanhã incomparavelmente mais do que hoje. Com tudo o que temos.

E essa é a realidade da maternidade.

39 comentários:

  1. Eu acho que as pessoas gostam de ver as outras queixarem-se. O que faz com que o "queixar" seja a realidade. Logo quando não nos queixamos e muito pelo contrário mostramos algo bom, vêm logo dizer que não estamos a mostrar a realidade quando a nossa realidade é mesmo boa Lol

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    1. Não há nada de errado em falarmos das coisas menos boas, muito pelo contrário. Eu também me queixo quando tenho razões para isso. Mas acho irritante que só seja aceitável queixarmo-nos e que haja tão pouco espaço para podermos dizer que estamos felizes, como se fôssemos mentirosas!

      Chegaram a dizer (na verdade, a escrever) que eu devia ter 'lágrimas escondidas atrás do ecrã'. True story.

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  2. As pessoas criticam porque... olha, porque é fácil criticar. Difícil é perceber o porquê das coisas serem como são. E geralmente, são diferentes de pessoa para pessoa. Tenho o exemplo da minha mãe que em três gravidezes, diz nunca ter tido sintomas mais chatos (só tinha era sono), que recuperou às mil maravilhas (sendo que do meu parto foi o que custou mais por ter nascido de cesariana e os pontos infectaram, mas "olha, coisas que acontecem", diz ela) e que fez sempre tudo com três filhos. E ainda teve a sorte de nunca ter engordado, só fazia mesmo era barriga (comigo, até tinha menos peso no final da gravidez do que antes de engravidar - tanto eu como os meus irmãos nascemos saudáveis). Uma pessoa não deve pedir desculpas só porque as coisas, felizmente, até correm bem. Pode (deve?) é estar grata...

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    1. 'Olha, coisas que acontecem' parece mesmo algo que eu diria :D E eu estou grata, muito grata. Sei que algumas das coisas que nos acontecem são mérito, mas outras são sorte. Mas isso não tira valor à minha experiência e não a torna irreal, como se as mães tivessem mais valor se sofressem mais...

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  3. Gostei muito deste post. Os portugueses têm muita tendência para o drama e, principalmente, para criticar quem está bem e não tem grandes dificuldades. Cada um vive a experiência que tem de viver e fico feliz por estar a correr tudo bem aí desse lado.

    Bjs

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    1. Não são só os portugueses Anabela, toda a gente é assim :) Lembro-me que a dada altura me disseram que tinha de parar de falar bem do Pedro porque senão as outras cobiçavam-no :D :D :D E acho que é algo muito enraizado na nossa sociedade: temos medo que ao falar bem as coisas mudem, as pessoas invejem, ou o que quer que seja.

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  4. É essa uma das razões pela qual gosto de ler os teus posts: porque não são só queixas e mais queixas sobre como cuidar de um filho é suuuper difícil e cansativo, em vez disso, transmites sentimentos bons em relação à maternidade, contrariamente ao que é comum de se ver hoje em dia. Isso inspira me, pois nada na vida tem só vantagens, a vida não é sempre fácil, mas ao focar se na parte positiva fica mais fácil aceitar a parte menos boa. Estou quase a ser mãe também, já falta menos de um mês, e tenho procurado ser otimista e dar graças pelo que tenho e pensar em como vai ser bom ser mãe. Por isso continua assim, a mostrar que ter um filho não é um impedimento à vida normal, mas sim um motivo de alegria :)
    Beijinhos

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    1. Acima de tudo Inês, mesmo as coisas menos boas são estranhamente boas. Dou um exemplo: o Matias agora lembrou-se de acordar todos os dias às 6 da manhã. Acorda mesmo, super contente e pronto para a fiesta. Hoje dei-lhe o biberão e fiquei com ele nos braços sentada na cadeira do quarto dele, praticamente às escuras a vê-lo ali todo pachorrento. E pensei 'bem, na próxima semana é o Pedro que grama com isto!'... Até que percebi que na próxima semana é o Pedro que grama com isto. Vão acabar as mamadas da madrugada com o miúdo super quentinho nos braços, vê-lo a adormecer satisfeito, deitá-lo com cuidado e (esta é recente) vê-lo a cobrir a carinha com o cobertor. Caramba, até levantar o lombo da cama de madrugada é mágico para mim :D É claro que há dias em que estou suuuper cansada e só me apetecia continuar na cama, mas depois olho para aquela carinha linda e desaparece tudo.

      Acima de tudo sei que isto é temporário. Um dia o Matias não vai precisar de mim para lhe dar o leite. Um dia o Matias não vai precisar de mim para quase nada. Enquanto é o meu bebé, eu estou aqui a aproveitar. Quando passar a ser do mundo, eu vou estar aqui a apoiar.

      (E não, um filho não é um impedimento à vida normal. Mas é preciso adaptarmo-nos. Assinado: pessoa que está há três horas sentada no sofá porque sua excelência está a dormir a sesta - sendo que está quase desmaiado porque acordou às seis da manhã! - e não quero acordá-lo só porque preciso de ir ao supermercado e à biblioteca.) :D

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  5. Obrigada, Joana ! Estou gravida e confesso que muitas vezes me sinto assustada. Ao meu redor as pessoas dizem que nunca mais temos tempo para nos, que durante muito tempo nao vou dormir uma noite completa, para me preparar para as olheiras e uns meses de caos, que nunca mais terei os mesmos momentos a dois com o meu marido, que a barriga nunca mais volta a ser a mesma,que mesmo que coloque creme vao surgir estrias, etc etc. E eu gravida de primeira viagem, que serei mae apenas com 26 anos, às vezes sinto-me muito assustada. Muito obrigada. As experiencias de cada pessoa sao diferentes...E nenhuma realidade é menos ou mais valida que outra. E é bom ler casos felizes como o teu.
    Nao sei porque as pessoas sao assim, mas sao um pouco em tudo. Acho que realidades infelizes de certa forma as reconforta. Agora,por exemplo, eu estou gravida de 16 semanas e ja ouco comentarios que "ja devias ter mais barriga","conheco X ou Y que as 16 semanas ja estava com barriga grande. Eu respondo que nenhum medico se preocupa com o tamanho da minha barriga , que o tamanho da barriga nao significa se o bebe esta saudavel ou nao, que o bebe esta bem, eu sinto-me bem e nao tenho pressa de ver a barriga crescer. E parece que o facto de Eu lidar bem com a minha (quase) ausencia de barriga de gravida as incomoda. É estranho.
    Muuuuuito obrigada por tudo.

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    1. Bem, eu sinto que tenho bastante tempo para mim. Acredito que noutras fases terei menos, noutras terei mais, acho que também vai dependendo da idade do bebé e de tantos outros factores. Efectivamente durante algum tempo não dormi uma noite completa, mas não me sentia cansada por causa disso e compensava de dia :) Ainda hoje o Matias dorme a noitinha praticamente toda (acorda às 6 ou 7 para a primeira mamada) e eu acordo várias vezes durante a noite por nada :D Acho que quando somos mães o nosso sono muda, ficamos muito mais despertáveis ;)

      Por aqui não há olheiras nem caos, mas é preciso alguma adaptação claro. Há um elemento novo em casa, novas rotinas, novidades todos os dias... Mas é um caos organizado acho eu :D E momentos a dois não faltam Gisela, nos primeiros meses geralmente os bebés dormem imenso e mesmo quando deixam de dormir as sestinhas durante o dia vão para a caminha por volta das 20 ou 21 :D É claro que há excepções, há bebés que dormem pouco ou mal, mas são isso mesmo: excepções. Em relação à barriga já não estou tão optimista. A minha ficou impecável logo (aliás, lembro-me que da primeira vez que o Pedro pegou no Matias olhei para baixo e fiquei em choque porque já não tinha barriga NENHUMA). Mas por outro lado ainda tenho mais oito quilos em cima (que, diga-se, ando a perder nas calmas e ao meu ritmo). Acho que a minha barriga vai ficar igual quando voltar ao meu peso, mas tendo em conta as experiências de pessoas que conheço ando a tentar moderar as expectativas ;) Mas lá está: esta é a minha experiência. A tua pode ser melhor, pode ser pior... Igual não será de certeza :)

      Também andei a ser perseguida pela brigada da barriga pequena até ao fim :P Deixa lá :D

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    2. Olá Gisela e Joana,
      A minha experiência da maternidade também foi (e é) muito, muito boa! Tive uma gravidez santa, tive um parto santo, tive uma recuperação santa, tenho um filho santo. Salvo seja, claro, que também tive os meus maus momentos em todo o percurso, mas a verdade é que olho sempre pelo lado positivo e tudo correu muito bem.
      Gisela, em relação às estrias, eu fiz estrias de crescimento nas coxas quando era adolescente e da gravidez não tenho uma única (e não foi por andar a besuntar-me de creme à maluca), por isso depende mesmo de mulher para mulher, não deixes que te chateiem com isso. Quanto aos momentos a dois, concordo com a Joana: os bebés dormem imenso, por isso é aproveitar esses momentos. Claro que há bebés que acordam de hora a hora, que choram muito, que requerem muita atenção - só depois de o teres cá fora é que saberás que tipo de filho tens e também que tipo de mãe és (eu por exemplo nunca acordo a meio da noite, a menos que o Tiago chore a sério).
      Mas a verdade é que é uma nova realidade e nós temos de aprender a adaptar-nos a ela. E a ser flexíveis, acima de tudo. Estamos a tentar uma coisa e não está a funcionar bem para a nossa família, mesmo que todos os livros digam que é a coisa certa: epah muda! Não há coisas certas, há coisas que funcionam para cada família. E se vocês estiverem bem, o vosso bebé está bem e são felizes assim, então isso sim é certo :D

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  6. Acho que não se pode generalizar...eu infelizmente nao tenho uma visão assim tão optimista dos primeiros meses com o meu bebe..apesar ter recuperado muito bem, ficar praticamente a vestir as calças que vestia antes e quase sem dores da minha cesariana e passado 6 dias ir a conduzir sozinha à minha ginecologista, com o meu bebe não foi assim tão pacifico...primeiro porque ele recusava a mama e eu tinha bastante leite...foi logo uma batalha que tive de vencer e sair do hospital com ele a mamar...depois ele adormecia e estava quase uma hora na mama, comigo sempre a "puxar" por ele para mamar e depois as malditas colicas que faziam com que a partir de uma certa hora eu nao fizesse mais nada a nao ser estar com a mama de fora literalmente! Depois não tinha ajudas a nivel familiar porque a familia estava longe, o marido teve de regressar ao trabalho e com horarios muito preenchidos e os amigos tinham tambem o trabalho deles e nao podia estar sempre em minha casa...por isso para mim era impensavel deixar o meu bebe com alguem ou como chegou acontecer sair com ele e ter de vir embora tal a gritaria que ele fazia! Mas cada caso é um caso e adoro ler os teus relatos e sinceramente num segundo filho espero ter essa experiencia tão boa que retratas aqui! E atenção não me estou a queixar, como nunca me queixei, cada gravidez e cada bebe são diferentes...só temos de pensar que são fazes e que passam....faz parte...

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    1. Eu não generalizei, muito pelo contrário! Disse que esta é a minha experiência, e não é menos válida por ser boa ;) Também tive bastantes problemas com a amamentação (aliás, o Matias só mamou durante umas duas semanas), depois o próprio aleitamento com leite artificial também não foi fácil (o miúdo também adormecia) e quando chegaram as cólicas comprámos logo uns biberões próprios (que ajudaram, mas não curaram). Ainda passámos umas semanas em que a partir das oito da noite o miúdo gritava sem parar durante uma ou duas horas seguidas, mas há que abraçar a inevitabilidade de certa coisas e aguentar :P Muito colinho e muita paciência. Ajudou MUITO estarmos habituados ao choro dos outros bebés (nas urgências) porque tínhamos (e ainda temos) uma resistência completamente diferente. É óbvio que o choro do meu filho me incomoda muito mais do que o dos outros bebés, mas sentimos que de certa forma esse 'treino' ajuda.

      Por aqui a família também está longe, embora façam visitas esporádicas. Mas sinto que o facto do Pedro estar super presente é essencial para conseguir estar a ter uma experiência tão boa. Nos dias em que ele está de banco ou tem congressos ou futebol é sempre mais difícil e mais cansativo. Faz-se na mesma obviamente, mas cansa mais - principalmente quando o Matias está em dias não e só quer dar gritinhos estridentes :P

      Num tema não relacionado, mas já que falaste disso, não tinha ideia das pessoas serem tão intolerantes ao choro dos bebés. Às vezes quando saímos o Matias começa a chorar (normalmente porque tem sono) e quase somos fuzilados por olhares alheios. Uma vez estava numa pizzaria a almoçar, o miúdo começou a chorar, peguei nele ao colinho para o adormecer e passado uns cinco minutos (nem sequer era um choro muito aflitivo, era mais um queixume) uma das pessoas da mesa do lado comentou algo como 'vem aqui esta gente para o restaurante com os filhos'. Até fiquei meia parvinha sinceramente. Caramba, como se nós tivéssemos prazer em ouvir os nossos filhos chorar em público :P

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    2. Eu acho que quem te acusa de não mostrares a realidade da maternidade se esquece que na verdade tu vives uma maternidade diferente da maior parte das pessoas por teres o marido muito tempo em casa. :) Eu sou das que se queixa da falta de tempo e do caos, mas tenho noção que não me queixo disso aos domingos, dia em que o marido está em casa, ou nas férias. Nos dias restantes, ele sai ainda a bebé não acordou e regressa muitas vezes já depois de ela ter jantado. À noite sou eu que acordo visto que ele dorme menos de 5h e devido ao trabalho precisa mesmo de descansar (e a somar a isto, tenho ainda uma casa para cuidar visto não haver empregada). Tudo o que tu sentes nas ausências do Pedro (mais difícil e cansativo) há quem sinta todos os dias. :)
      Mas é a tua realidade e não vale a pena inventares uma realidade que não vives, isso é certo. :)
      Mas eu também sou daquelas que acha que algumas bloggers ou figuras públicas não têm noção quando dizem ou mostram que "não é nada difícil depois de ter um filho, há sempre tempo para tudo, para as compras, para os jantares com as amigas, para correr, para ir ao spa, para tirar fins-de-semana com o marido, etc, etc", como se dessem a entender que se as outras mães não fazem tudo isto é porque a culpa delas (e há mesmo algumas que dizem isto), quando no fundo se esquecem (ou não têm mesmo noção, vá) que a realidade delas (tal como a tua) não é a que a grande maioria vive.

      Quanto ao choro de bebés em restaurantes, eu sou uma das pessoas pouco tolerante a choro de bebés em restaurantes. :) Assumo que se vou a um restaurante para ter uma refeição fora, divertida, descansada, o choro de um bebé (ou uma criança aos gritos, ou um grupo de bêbados, ou alguém a falar aos berros ao telemóvel) me incomoda. É por isso que quando a minha filha chora, procuro pegar nela e sair até ela se acalmar, regressando depois à mesa. Porque acho que os outros têm o direito de comer sossegados. :) Mas não mando bocas aos bebés dos outros! E se for um choro que em 5 min está acabado, também resolvo na hora, claro. Mas quando ela grita e chora bastante, prefiro sair. :)

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    3. E eu confesso que também me esqueço que sou diferente da maior parte das pessoas porque tenho o marido muito tempo em casa (ou pronto, mais tempo em casa, porque o moço trabalha efectivamente 40h por semana ou 52h em semanas com urgências ao fim-de-semana). Na verdade, esse devia ser um direito de todas as pessoas: estar mais em casa durante os primeiros tempos (anos?) de vida dos filhos.

      Mas sim, é claro que em alturas em que o Pedro está mais ocupado, trabalha mais, passa menos tempo em casa ou está fora é bastante mais difícil. Não só psicologicamente, mas também fisicamente mesmo. Chego à cama estourada e depois de madrugada lá tenho de invocar as forças para me levantar, mas continuo a achar que não custa assim tanto (estou apaixonada pelo meu filho, fazer o quê?) :D

      E sim, acho que por vezes há um bocadinho a tentação de achar que isto 'não é nada difícil'. Porque para nós não é. Mas eu sei (até profissionalmente, claro) que há casos muito diferentes, bebés muito piores (também bebés muito melhores entenda-se, eu dormia 12h seguidas de noite desde que nasci. Desde que nasci, repito. 12h seguidas, repito. Caramba, quase me apetece chorar de inveja da minha mãe. Adiante.).

      Agora também acho que se quisermos mesmo até conseguimos fazer as coisas. Dou um exemplo: eu não quero assim tanto perder peso depressa. Se quisesse, perdia. Sei como fazê-lo. Já perdi 30 quilos no passado, perder 8 é facílimo. Mas não estou assim tão motivada para isso, tenho outras prioridades, comer docinhos é bom, etc etc etc. Se quisesse mesmo (e pegando nos teus exemplos) ir às compras, jantar com as amigas, correr, ir ao spa, tirar uns fins-de-semana, possivelmente conseguiria. Ia às compras com o miúdo atrás (não é o ideal, mas é fazível, já fiz isso), ia jantar com as amigas com o miúdo atrás ou nos dias em que o Pedro está em casa (o mesmo é válido para o spa), ia correr com o carrinho à frente (já vi malta a fazer isso!)... Só o fim-de-semana é que me parece mais difícil, principalmente quando vivemos longe da família (o meu caso).

      Engraçado, não sabia mesmo que isso do choro dos bebés era uma thing :D Na altura por acaso saí do restaurante, mas como estava bastante vento voltei para dentro. E creio terem sido mesmo cinco minutos, embora a mim obviamente me tivessem parecido cinco horas :P Mas pronto, se calhar vou começar a ter mais cuidado para a próxima (embora não me ocorra bem como) :)

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    4. Bom, eu também não quero fazer da maternidade um drama porque não acho isso. :D Muito pelo contrário, geralmente acordo bem-disposta por ter de cuidar desta coisa fofa e gosto imenso de poder ter o privilégio de ela ficar em casa comigo até aos 3 anos. Ainda assim que acho que uma pessoa dá mais valor quando sabe que vai acabar depressa. Por exemplo, se me dissessem que daqui a 1 mês e não daqui a 2 anos ela entraria na escola sei que este próximo mês me custaria fazer menos coisas e apreciaria mais outras, por saber que em breve acabaria.

      E eu sou das que têm sorte com uma bebé que chegou a dormir 14h seguidas. Desde o 1° mês que não come de noite e desde os 6 meses que faz uma média de 11h por noite. Nesse ponto não me queixo. Também come bem, nunca andei a experimentar leites (foi sempre o mesmo desde a maternidade), ou águas, ou sei lá mais o quê. Come a sopa toda, a fruta toda, sem resmungar, sem bonecos, sem palhaçadas, sem distracções.

      Ela vai comigo às compras desde o 1° mês de vida, vai a reuniões de condomínio, vai a festas e jantares, porque tem de ser. Mas claro que a logística é diferente e por exemplo durante uns meses eu não podia ir ao supermercado se ela tivesse fome ou sono (pois lá não dormia). Ora sendo uma bebé que comia e dormia, comia e dormia, eu tinha por dia um pequeno intervalo perfeito para ir com ela às compras sem que desatasse a chorar. Era quase cronometrado. :P

      Também acho as "dificuldades" dependem da sensibilidade de cada mãe. Por exemplo, sei que à maior parte das mães custa imenso levantar de noite apenas porque o bebé largou a chupeta e não a encontra. Isso a mim nunca me custou e chegou a haver noites em que era de hora a hora, e outras (poucas mas houve) que era de 10 em 10 min. Não gosto mais da minha filha do que estas mães gostam dos filhos delas por não me importar nada de lá ir dar-lhe a chupeta. Mas por outro lado, odiei com todas as minhas forças, a fase dos "brrrrr" com a sopa. Eu não contava até 10, contava até 20, 30, 40....mas sei que há mães que se riem com a situação. Para mim, essa fase foi extremamente stressante (até porque sou eu a dar-lhe 90% das refeições), muito mais que a fase de acordar de hora a hora por causa da chupeta. :D

      Mas concordo contigo, eu também não acho que ter um filho custe horrores, que a maternidade são só coisas más, que não há mesmo tempo para nada. Acho que o custo depende muito do bebé, da mãe e do pai (e bom, é normal que custe mais do que não ter um filho e poder ter um banho calmamente, comer a horas, sair sem pensar nos horários do bebé), acho que a maternidade é óptima (e se não achasse isso, ela não ficaria 3 anos em casa comigo) e bom, estou para aqui a escrever respostas enormes por isso afinal ainda sobra tempo. :)

      Também estou a pecar por uma coisa: não deixo de comparar o tempo que tenho agora com o tempo que tu tens, quando na verdade sei bem que aos 4 ou 5 meses da minha filha tinha muito mais tempo do que tenho agora. :) E quando ela começar a gatinhar/andar, muito menos tempo terei (agora é fácil lavar a louça porque ela fica na manta a brincar, depois....será um pouco mais complicado :) ).

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    5. Primeiro de tudo quero aqui esclarecer que não te estou a acusar de nada :) como referi, cada bebe é um bebe diferente, cada gravidez e uma gravidez diferente...e são fases que passamos e como referiste podemos ter passado um dia ou uma noite horrivel, mas depois olhamos para eles e esquecemos tudo!
      Quanto ao choro dos outros bebes em espaços públicos, nunca me perturbou, mesmo antes de ser mãe, imaginava como devia ser dificl não fazer um bebe chorar!!
      Noto de facto que há pessoas que ficam incomodadas e já senti isso mais do que uma vez...e por vezes nem é só em espaços públicos...como referi o meu filho era bastante chorão e dormia mini sestas durante o dia e havia alturas que estávamos com a família e ele não parava de chorar e claro que o que o acalmava era o colinho e a maminha coisa que sempre lhe ofereci em livre demanda....e claro que os comentários nao tardavam em chegar..."ah estas habitua-lo ao colo depois é que vão ser elas...olha que eles já sabem, tem manha...etc" ou então " Olha se calhar o teu leite não o está alimentar o suficiente por isso é que ele não para de chorar"....e nem o facto de ele estar um pequeno buda ou então engordar sempre uma media de 1kg por mes os fazia mudarem esta ideia...e quando somos mães de 1.ª viagem a insegurança está sempre presente e cheguei mesmo a duvidar se estaria a errar em alguma coisa...ser mãe não é de todo fácil, mas sem duvida é o melhor que temos!

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    6. O meu caso também se junta aquelas para quem a primeira experiência na maternidade não correu da melhor forma. O meu filho tem hoje 5 anos, mas aquilo pelo que passei não vou esquecer tão cedo. É engraçado, como dizem que só se ouvem as mãe a queixarem-se da maternidade e que tudo muda e a pintarem um cenário negro. Mas a verdade é que antes do meu filho nascer, comigo passou-se precisamente o oposto. Tudo o que eu via, ouvia e lia eram relatos maravilhosos, tudo pintado de cor de rosa e muito floreado. E a realidade com que me deparei depois do parto não foi nada do que tinha ouvido, do que tinha imaginado. O meu filho foi um bebé muito difícil. As noite eram um martírio e foram por mais de um ano. Ele acordava imensas vezes, não dormia mais do que uma ou duas horas seguidas de noite, de dia fazia pequenas sestas de 20 ou 30 minutos... como devem imaginar, não conseguia dormir de noite, nem de dia, porque os pequenos intervalos que ele me dava para dormir, eu nem chegava a cair no sono e ele já me acordava. À noite, as vezes que o conseguia deitar no berço depois dele adormecer ao colo (só adormecia ao colo, também tentei de todas as maneiras para ele adormecer...) sem ele acordar eram raras... por isso muitas vezes dormia na minha cama porque eu estava esgotada, eu já não pensava direito, eu já não raciocinava eu estava um trapo. Eu cheguei a coloca-lo a arrotar, sem ele ainda ter mamado, mas o meu cansaço era tal que já nem me permitia raciocinar. E desculpem, mas quem está neste estado, não tem sequer forças para ir a spas ou ás compras ou jantar com as amigas. Qualquer tempo que consiga com o bebé entregue aos cuidados de alguém, é sem dúvidas para dormir, porque o sono é essencial ao organismo. Eu cheguei a um ponto que o meu corpo desligou uma vez, que eu adormeci de tal forma profundamente que quando o meu marido chegou a casa, eu estava a deitada na cama com o meu filho ao lado, ele chorava imenso e eu não acordava. Ele inclusive foi ver se eu estava a respirar... porque eu não me mexia sequer. Já para não falar no trauma que foi a amamentação, não por não ter leite ou o meu filho não mamar, mas porque foi extremamente doloroso, foi o pior de tudo para mim, foi mil vezes pior do que o parto, foram os primeiros 15 dias (que mais pareceram 15 semanas...) em que eu chorava a cada vez que se aproximava a hora de lhe dar de mamar... E não, nunca ninguém me disse que amamentar doía, não, nunca tinha lido em lado nenhum que amamentar era (ou poderia ser) assim, tão doloroso! Mas amamentei o meu filho em exclusivo com leite materno até aos 6 meses. Em relação ao meu marido, ele, como no comentário da Tété, também trabalha muitas horas. Ele sai de casa ás 07:00 e chega a casa entre as oito e as nove horas da noite, a correr bem. Por isso, a minha realidade, por mais que eu ame o meu filho e que ele seja a melhor coisa que tenho na vida, a maternidade na primeira fase da vida dele foi um período muito difícil e que me deixou marcada e que por isso ainda não consegui dar-lhe um irmão, porque não sei se estou preparada para passar por tudo outra vez! Mas, lá está, cada caso é um caso, mas chateia-me mesmo as mulheres fazem de tudo para mostrarem que as suas vidas são maravilhosas que tudo é lindo e perfeito e que não existe o lado menos bom das coisas, como existe na maternidade. Ninguém quer que as pessoas se andem a queixar das suas vidas, ou que se sintam mal por terem boas experiências com a maternidade, mas que não pintem um cenário "apenas cor-de-rosa" quando existem mais cores nesta realidade. E não tem mal nenhum dizer que se acordou com olheiras porque o filho nos deu uma noite mais difícil, ou dizer que não se consegue ir ao cinema à imenso tempo porque a maternidade não o permite.... por exemplo! Que se fale a verdade, que se diga a realidade como ela é, coisas más e boas. Se a maioria cão coisas boas tanto melhor, mas existe sempre o outro lado, por mais pequeno que seja.
      Beijinhos
      Diana

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    7. Teté:

      Eu acho que aprecio mais porque sei que em breve tudo acaba. Ele vai crescer, vai tornar-se mais independente, vai ser adolescente, vai tornar-se adulto... Há que aproveitar enquanto o coitado me liga alguma coisa, depois vou ser só a mãe chata e tolinha :D :D :D

      É claro que a logística é diferente e que depende muito das características dos nossos bebés e da nossa própria resiliência (e expectativas). Quando comecei a dar as sopinhas ao Matias achei que estava a correr super mal, até que a mãe do Pedro assistiu e disse que em comparação com o Pedro ele comia lindamente. Depois a minha mãe assistiu e disse que aquilo era de facto comer razoavelmente bem. Entretanto a minha avó esteve cá esta semana e corrroborou: o meu filho come bem. Ora eu, que tinha outras expectativas e, sejamos sinceros, outra paciência para a questão, já estava a desesperar. Agora estou muito mais paciente em relação à questão ;)

      E sim, eu disse ali acima que isto do tempo é por fases. Quando ele nasceu eu tinha muito menos tempo, porque como ele dormia muito mais de dia eu dormia também. Além disso na altura ainda fazia uma data de coisas que entretanto relativizei (do género, lavar toda a roupa dele à mão). Depois ele passou uma fase em que dormia sestas muito pequeninas de dia, por isso eu sentia que também não fazia nada de especial - quando ele estava acordado eu estava com ele, quando ele dormia eu estava muito sossegada para que ele não acordasse :D Entretanto ele começou a fazer sestas maiorzinhas e agora sim sinto que tenho bastante tempo, mas mais uma vez é uma fase: ele vai mudar, vai crescer, eu vou começar a trabalhar, vamos ter novamente que adaptar rotinas... Enfim :D

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    8. Costinha:

      Eu por acaso tenho a sorte de ser a única do grupo com bebés. Os únicos comentários que ouço são mesmo de familiares mais velhos, que levam logo com a resposta do 'ah mas isto agora é assim!' :P Ainda ontem disse isso à minha avó :P Na dúvida, ser pedopsiquiatra também ajuda, e não há melhor arma do que rematar com estudos e coisas do género (nem que sejam inventados) :D

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    9. Diana:

      Lamento imenso pela tua experiência. A minha sogra teve uma muito parecida, pelos vistos o Pedro era um bebé péssimo e isso traumatizou-a imenso. Mas continuo na minha, principalmente quando dizes que te chateia que as mulheres façam de tudo 'para mostrarem que as suas vidas são maravilhosas que tudo é lindo e perfeito e que não existe o lado menos bom das coisas, como existe na maternidade.'. Se calhar a minha vida é mesmo linda. Não faço de tudo para mostrar isso, é e pronto. Já falei aqui no blog e nos comentários de várias dificuldades que senti com o Matias, mas continuo a achar que a maternidade é linda e não sou obrigada a inventar dificuldades que não existem. Não estou a pintar uma realidade que não existe. É a minha realidade. Não estou a mentir. É a minha verdade. É precisamente por coisas assim que escrevi este texto...

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    10. Diana consigo compreender-te perfeitamente e para mim tambem era impensavel ir a spa ou ginasio...porque se conseguisse com que o meu filho dormisse mais de meia hora o que eu queria era dormir...ou entao tratar da casa, roupas e jantares, porque infelizmente não tenho empregada :) felizmente que a partir do 6.º mes ele melhorou...e hoje com 18 meses dorme duas sestas por dia, de duas horas cada! Eu costumo dizer que ele está a repor todo o sono agora!

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    11. Joana, não me interpretes mal por favor. Não me referia a ti quando disse que há pessoas que apenas mostram o lado bom da coisa, até porque como dizes, já disseste por diversas vezes as dificuldades pelas quais também tens passado e como as tens contornado. Referia-me a muitas figuras públicas, que o fazem e, no meu entender deveriam pensar duas vezes antes de passarem essa imagem, porque têm de ter consciência de que são seguidas por muita gente que os tem como exemplos e ponto de referência! Ás pessoas do nosso circulo conhecidos que tudo o que falam sobre a maternidade é maravilhoso. Aliás, muitas das pessoas com quem me fui cruzando depois do meu filho nascer, que já tinham sido mães antes de mim, quando eu falava dos problemas pelos que passava, elas aí também diziam que lhes acontecia, ou que também tinham passado pelo mesmo, ou até outras situações diferentes das minhas, quando antes de ter o meu filho falei com elas e eram só coisas boas! Era nesse sentido que me que as pessoas sentem muito essa necessidade de mostrar só o lado bom da maternidade. A maternidade é sim uma coisa linda, com coisas melhores, outras piores, apenas foi uma experiência muito difícil, no meu caso, a primeira fase desta nova realidade. Devemos mostrar exatamente isso, como tu o fases, a realidade, as coisas boas e as menos boas, porque desta forma podemos também ajudar quem está a passar (ou ainda vai passar) por estes problemas que vamos encontrando ou pelos quais já passamos. Daí eu achar que, também as figuras públicas, já que querem expor a sua vida mais privada, devem expor a parte boa e a menos boa também!

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    12. Costinha, ainda bem que ao fim de algum tempo ele melhorou. O meu filho mesmo com 5 anos continua a dormir mal. Já passou pela fase de quem quando lhe vistia o pijama ele já chorava desalmadamente porque não queria dormir, não gostava da noite, dizia ele. Agora é ainda complicado porque não o consigo por a dormir no quarto dele. Por mais que insista, experimente tudo ele não fica. Mesmo depois de adormecer, acorda pouco tempo depois e vê que está no quarto dele vem logo a correr para a minha cama! Então mesmo depois de 5 anos, ainda me são difíceis as noites. Mas claro, nada que se compare com o primeiro ano! Lá para os 17 anos dele, se calhar deixa-me dormir uma noite descansada! eheh!

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    13. Diana:

      Já percebi o que querias dizer. Se todas as 'figuras públicas' falam maravilhas da maternidade e nenhuma fala das dificuldades, nós assumimos que estatisticamente alguém não está a contar a verdade toda. Mas aí a questão também é que nós não sabemos a vida dos outros. Pelos comentários que me foram deixando eu percebi que uma das vantagens que temos cá em casa é o facto de o Pedro estar bastante presente e nós termos empregada (embora ela só trabalhe quatro ou cinco horas por semana, mas pronto). Talvez se eu fosse figura pública (e, entenda-se, tivesse mais dinheiro) pudesse ter uma empregada a tempo inteiro (e quantas vezes não fantasiei naquelas primeiras noites arranjar uma empregada interna que só trabalhasse de noite e desse o biberão ao miúdo?) :) Talvez tivesse outras facilidades, talvez pudesse ficar em casa mais tempo, talvez tivesse dinheiro para o spa e para o personal trainer (não é que seja pobrezinha, mas há que fazer opções). Nisto da maternidade sinceramente ter dinheiro ajuda muito mesmo. Mas enfim :)

      Por acaso as pessoas do meu círculo (mais os colegas de trabalho) só me falavam dos horrores da maternidade. Cheguei a ouvir que era um erro engravidar, que ter um filho muda a nossa vida para muito pior, tira-nos imenso tempo que podíamos estar a dedicar ao trabalho, etc. Por isso para mim foi uma surpresa muito agradável. Mas lá está, eu estava preparada para o pior e o meu filho também ajuda porque é um bebé 'normal'. Mas não nego que durante uns tempos achei que nunca iria ter um segundo filho porque de certeza que o meu filho era uma espécie de carapau de corrida dos bebés, devíamos ter tido uma sorte descomunal e o segundo ia ser o pesadelo que ouvia tanta gente falar. Mas agora sei que na verdade tal como há pessoas que só se focam no bom... Também há pessoas que só se focam no mau ;) (Bebés difíceis à parte, porque eles inegavelmente existem).

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    14. De facto ha bebés péssimos. Faço baysitting e tive uma experiência de uma bebé que chorou 8h seguidas. E foi com a mãe ainda a chorar e pelo que soube so se calou (por exaustão, suponho) ao outro dia de manhã. Às tantas a mãe so me contratou para dormir um bocadinho xD já tomei conta de muitos bebés e nunca vi nada igual (a mãe tinha.me avisado mas nunca pensei que fosse fisicamente possivel chorar - aos gritos, nao apenas choramingar - durante tanto tempo). Por isso sim, bebés "maus" existem, mas depois dessa experiência (que durou só 8h!!!) nunca mais pensei em ter filhos xD

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    15. Uma vez tivemos um casal amigo a jantar cá em casa e o Matias chorou umas duas horas seguidas... Acabámos a fazer chamada com vídeo para a pediatra enquanto lhe fazíamos o exame objectivo, e os coitados aqui :P Depois eles foram embora e o Matias ainda chorou mais um pedaço... Mas lá está, foram fases. Nessa fase ele chegava às oito da noite e desatava a gritar e só se calava lá para as onze :P Nós já brincávamos com o assunto e tudo (pudera, não dava para fazer mais nada!).

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    16. Pois mas neste caso a bebé chorou 24h seguidas (apesar de só oito terem sido comigo). Tinha 5 meses e isso não pode ser normal (até porque a miúda, como é evidente, nao dormiu durante o tempo que esteve a berrar). Mas já tomei conta de muitos bebés e nunca nenhum foi assim, so esta, por isso a menina devia ter mesmo um problema qualquer.
      A minha resistência ao choro é muito boa tambem, nao me faz confusão nenhuma :P agora aquele choro que uma pessoa vê que é mesmo de dor e dura horas seguidas, é impossível ignorar :/
      Penso que a onda de queixas em relação à maternidade é principalmente um problema social: As pessoas nao têm irmãos mais novos, nao têm primos, enfim... Tenho amigos que nunca tiveram contacto algum com bebés. Uma amiga disse.me que antes de ter um sobrinho nao fazia ideia que ter bebés era "assim". E o que era o "assim"? Era o bebé não ser um boneco :P também acho k os livros de preparação para o parto e para a parentalidade fazem um drama com tudo, como se o pai e a mãe tivessem de ser perfeitos ou fazer tudo da mesma maneira (da maneira "certa"). Isso cria uma pressão enorme, e se eu agora fosse mãe e nao tivesse tido o contacto que ja tive com dezenas de bebés, depressa ficaria apavorada e deprimida :P

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    17. Também deve descansar imenso os pais o facto de ter a pediatra disponível para chamadas de video. Nao conheço ninguém que tenha o privilegio de estar num jantar e fazer uma chamada de video ao pediatra lol (nao estou a ver nenhum pediatra dos bebés da família e amigos a disponibilizar.se a tal). Além de que nem todos os bebés têm pediatra, só as consultas do centro de saúde e, nestes casos em que o bebé nao pára de chorar, as urgências.

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  7. Às vezes quase "parece mal" dizer que se está feliz ou que se é feliz. Acho que isso é porque as pessoas aceitam mal a diferença e esperam sempre que a experiência dos outros seja semelhante à sua.
    Claro que existem situações de maternidade em que é complicado estar sempre feliz, assim como existem outras em que é mais fácil a mãe estar descontraída, descansada e ter tempo e disposição para uma série de coisas. Entre essas situações existe toda uma zona cinzenta em o estado de espírito depende mais da pessoa do que das situações. Uma pessoa mais descontraída andará certamente mais satisfeita que outra mais stressada. Digo eu.
    Não existe uma forma certa de estar embora eu ache mais benéfico estar mais bem disposto do que o contrário disso.
    Quando engravidei da minha segunda filha, tendo uma filha de um ano e meio, o que mais ouvia era: "Mas como é que isso aconteceu? Descuidaste-te?" ou "Ai credo vais ter tanto trabalho! E a mais velha ainda precisa tanto de ti, como é que vai ser?"
    Se digo que foi tudo planeado e muito desejado e que, ter duas filhas é ainda melhor que ter uma e que não tenho o dobro do trabalho mas sim uma alegria multiplicada por 1000, as pessoas pensam que estou a mentir ou a ser parva.
    Claro que há dias bem difíceis mas na maioria são muito bons.

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    1. É mesmo isso: parece mal dizer que estás feliz. É um resumo perfeito do que quero dizer ;)

      É muito engraçado porque eu até sou uma pessoa relativamente stressada. Tinha tudo para ser uma mãe stressada: sou perfeccionista e controladora, sou demasiado organizada, gosto de tudo à minha maneira... Mas olha, afinal sou uma mãe super descontraída. Tenho obviamente as minhas pancas (quem não tem?), mas acho que sou bastante relaxada. Ainda bem :D

      Sabes que ontem disse à minha avó que queria muito engravidar novamente... Tipo já :P Coitada, pensei que lhe ia dar um ataquinho :D Anda a ser muito difícil controlar esta vontade de ter mais um filho, mas lá vou dizendo para mim própria que profissionalmente era péssimo, que queremos sair de Lisboa cedo e por isso preciso de acabar o internato o mais rápido possível, que ter dois filhos bebés é infinitamente mais trabalhoso do que ter só um e blá blá blá :P

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    2. Ah pois é! :) Conheço muito bem esse sentimento de querer engravidar logo. :P
      Quando a minha filha fez um ano, a coisa ficou muito aguda para mim. Cada vez que via um bebé pequeno ficava cheia de vontade de ter outro bebé. Esperei que ela deixasse de querer mamar, aos 18 meses, e engravidei. :) E tem sido maravilhoso ver a interação entre as duas.
      Tenho a certeza que te ias dar lindamente com dois miúdos (ou um miúdo e uma miúda) pequenos. Mas claro, há que ponderar um bocado as outras questões.
      No meu caso as coisas estão paradas profissionalmente há anos e o meu namorado trabalha por conta própria e tem um horário mais ou menos flexível.
      Beijinhos e que tudo continue a correr maravilhosamente por aí ;)

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    3. Nós por aqui sempre combinámos que íamos fazer um intervalo simpático entre o primeiro e o segundo. Eu tenho nove anos de diferença em relação ao meu irmão, o Pedro tem dez em relação à irmã dele... Obviamente que não pensávamos em ter uma diferença tão grande, mas pelo menos uns quatro ou cinco anos. Vamos ver se aguentamos :P

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  8. Engracado como as pessoas sempre se queixam. Se a pessoa reclama, se fala so maravilhas, se corre bem, se corre mal... sempre ha motivo para debate.

    As minhas amigas e familia passam a vida a perguntar como faco com o Liam, a sugerir q devo estar a sofrer horrores por estarmos aqui sozinhos, q devo ser louca de ter um filho sem ninguem para ajudar e q devia voltar para mocambique.
    Espantam-se quando digo q ter um filho foi a melhor decisao que tomamos, que tem sido maravilhoso ter o Liam nas nossas vidas. Se as vezes custa? Claro q sim, mas ninguem disse que criar um filho era facil.
    Ha dias maus mas a maioria dos dias sao bons e vale muito a pena.

    O Liam nao dorme a noite toda. Mas das poucas vezes que dorme 7 ou 8 horas seguidas acordo sempre para ver se esta tudo bem (hahahaha).

    Vou ao pub com colegas depois do trabalho de vez em quando. Hoje mesmo tenho uma "girls night out" com outras mamas que por aqui conheci. Ainda nao fui jantar ou fazer algum programa so com o Dario mas tambem nao sinto falta porque o Liam adormece as 19 e conseguimos sempre ter um jantar a sos (enquanto ele nao comecou a jantar connosco), ver um filme, enfim...estar a dois.

    Se eu pudesse engravidava de novo proximo ano (hahahaha) mas vou ter de esperar uns anitos.

    Aproveita Joana, nao ligues ao q dizem e nao tenhas medo de dizer q estas feliz e q tens bons momentos com o Matias. E continua a partilhar porque apesar de nao comentar muitas vezes leio e me identifico com muitas coisas q escreves e sentes. Faz-me ter certeza q nao estou a viver uma ilusao por ver a maternidade como vejo.


    Bjos

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    1. Pois, por aqui também sentimos isso. Foi a melhor decisão que tomámos. Morremos de vontade de ter outro filho já, mas como as pessoas dizem que é tãããão horrível e tãããão pior ter dois filhos lá nos vamos aguentando :P É óbvio que há momentos difíceis, mas sinceramente estava preparada para muito (mas muito mesmo!) pior.

      Eu não vou lá ver se ele está bem, mas fico a ver fotos dele no telemóvel antes de me deitar :D Fico com saudades :D

      Sabes Denise, acho que é uma mistura de várias coisas. Há a questão das nossas expectativas. Há a questão da nossa resiliência. Há a questão dos nossos maridos estarem mais ou menos presentes ou de termos ou não apoio familiar. Várias pessoas falam aqui que não têm empregada e eu creio que isso também ajuda - nem tanto na questão da limpeza, mas no meu caso poupa-me algum tempo porque não tenho nada para passar a ferro. Há a questão dos nossos próprios bebés e do próprio comportamento/personalidade deles. E por fim, há a questão do que é ou não normal. O normal é um bebé de quatro ou cinco meses acordar uma ou no máximo duas vezes por noite para comer. É o normal, está descrito, há estudos, não estou a inventar. É o mais comum estatisticamente. O normal é um bebé de quatro ou cinco meses dormir entre doze a dezasseis horas por dia. Mais uma vez, estatisticamente. Isto é o normal. É claro que há bebés que dormem menos, o meu por exemplo tem dias em que dorme mais. Mas isto é o normal, e antes eu achava que todos os bebés eram pequenas obras do demo porque não dormiam e etc etc etc. Acho que há que partilhar quando as coisas correm bem, sem medos. O normal é isto, senão ninguém teria filhos :P

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  9. Eu tive uma experiência diferente: todos me falavam do parto e do quão horrível seria mas do resto da maternidade nunca ninguém dizia nada de mau.

    Eu não acho que se deva só contar as coisas más mas acho que elas também fazem parte e acho que não se deve fingir que está tudo bem quando não está. E conheço várias pessoas que tiveram bons primeiros meses. Acho maravilhoso e é a única coisa que me faz pensar ter um outro filho mas tem como contrapartida a desvalorização que muitas depois fazem aos problemas dos outros e a culpabilização de quem não tem um filho "perfeito".

    A minha experiência com um recém-nascido foi diferente, aliás os primeiros 4 meses de vida do meu filho foram horríveis, a um ponto em que eu pensei que endoidecia ou colapsava.
    Nos primeiros 4 meses de vida ele simplesmente chorava de noite e de dia, eram cólicas. Além disso era uma criança que nunca dormiu o que "devia" e isso era uma fonte de stress até ter trocado de pediatra pois a primeira fazia um bicho de sete cabeças disso.
    Cerca de 1 mês após o parto o meu sistema imunitário foi ao charco e eu passei a apanhar de tudo. Depois, com a privação de sono vieram os lapsos de memória (como colocar as chaves de casa no frigorífico), como tirar o leite com a máquina electrica e esquecer-me de o congelar.
    E tinha imenso medo de adormecer e não acordar para lhe dar de comer atempadamente mas também me lembro de uma noite, completamente em desespero de sono, o ter colocado na minha cama ao meu lado e enquanto tinha a minha cabeça numa almofada, as minhas mãos em "modo automático" faziam-lhe massagens. E naquela noite, foi desde as 00h até às 6:37h da manhã. Eu passei a noite toda entre o acordar e o passar ligeiramente pelo sono mas assim que o meu corpo parava as massagens o meu filho desatava a chorar com dores.
    Tive também gretas e sangramento nos seios e outras coisas nos seios mas para ser sincera eu daria graças a todos os santos se esse fosse o meu único problema.

    O meu marido tinha um trabalho fora do país e só vinha 1 dia a casa por semana, quando não tinha de ficar 2 semanas fora. Sempre que estava em casa ele ficava com o meu filho e eu ia dormir. Os meus pais não vivem próximos de mim mas vieram passar 2 fins-de-semana a minha casa para que eu pudesse dormir pois eu estava mesmo prestes a colapsar. Eles bem que se revezaram durante as noites mas ainda assim ambos diziam que não aguentavam aquelas noites.
    Ninguém aguentava aquilo e eu também não, só que eu não tinha outra opção.
    E, apesar de acordar para amamentar, aquelas noites eram como férias para mim.

    E as pessoas faziam-me imensa pressão, cismavam que eu estava com depressão pós-parto. Não creio que tenha tido, o que eu tive foi de passar por 4 meses de privação de sono (e a privação de sono é um meio de tortura). Mas quando me diziam isso eu nunca sequer queria pensar nessa possibilidade pois, no momento em que foi, eu não podia estar doente, não podia deprimir, não podia porque não havia alternativa (e hoje bem sei que a depressão não é uma questão de opção mas na altura era o que eu pensava para mim mesma).

    Estou agora a tentar engravidar de um segundo filho mas precisei de quase 8 anos para me sentir pronta, precisei que o meu marido mudasse de emprego e tivesse mais disponibilidade só que isso já aconteceu há vários anos e eu ainda não tinha conseguido ultrapassar o medo. E, enquanto algumas pessoas fazem poupanças para o enxoval das crianças, as minhas poupanças centraram-se em garantir que existe um orçamento disponível para o meu marido tirar 3 meses sem vencimento caso seja necessário.

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    1. Achei engraçado dizeres que os teus pais disseram que não aguentavam aquelas noites. O Matias não é um miúdo particularmente chorão, mas gosta muito de ser estimulado e está habituado a isso. Há uns tempos os meus pais ficaram com ele um dia inteiro e no fim disseram precisamente isso: que não iam aguentar novamente ter um bebé, que era muito cansativo e que realmente não se fazia mais nada que não fosse estar atento ao bebé (como é óbvio) :)

      Não passar sozinha por isto é essencial. Há fases em que o Pedro trabalha bastante mais (inclusivamente aos fins-de-semana) e eu fico muito mais cansada e sozinha. Em semanas mais difíceis sonho com o fim-de-semana, onde nos revezamos nos biberões da noite (por exemplo ontem deitámos o Matias às 21, ele acordou às 4 para comer e o Pedro deu-lhe o biberão, acordou às 8 e eu dei-lhe, e depois quando acordou às 10.30 o Pedro levantou-se e eu ainda dormi até às 11.30. Durante a semana sou eu que me levanto as vezes todas, o que é mais cansativo. Mas sim, o marido é essencial.

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  10. Mas a maternidade não foi nem é só isto. Também tenho boas memórias dos primeiros meses, as memórias más só me vêem quando penso nos primeiros meses de um possível próximo filho.
    O meu filho a partir do bem-dito Biogaia nunca mais teve problema nenhum do género, tive más noites depois mas é incomparável.
    A maternidade é para mim uma das melhores coisas que me aconteceu, adoro o meu filho, o sentido de humor dele, a criatividade, a alegria de viver e a pessoa que ele é como um todo.

    E ainda bem que existem experiências diferentes, são todas válidas e sinceramente é a ler relatos como o teu e o de outras pessoas (que falam do bom e do menos bom) que me ajudaram a decidir ter um segundo filho.


    Ps: Desculpa o testamento que vim aqui deixar.

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    1. Engraçado, o Biogaia cá em casa não fez nadinha ;) Nem o Biogaia, nem o Bivos, nem a água do Luso, ou a água do Vimeiro... Só mesmo os biberões da Dr. Brown's e o tempo é que ajudaram ;)

      Mas sim, concordo que é difícil pensar num segundo filho. Há dias em que também penso que nunca irei ter um segundo, mas depois olha... Adoro o meu miúdo e quero muito ter outra coisa para adorar assim :D

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