10 de agosto de 2018

Programa para o fim-de-semana #1

No fim-de-semana passado fomos à Quinta da Regaleira ver a peça do Cyrano de Bergerac. Foi um programa mesmo giro: jantámos no Moinho Ibérico, vimos o teatro (que é itinerante, por isso andam à noite dentro da Quinta) e voltámos :) Gostei imenso da história (que já conhecia assim por alto) e da envolvência. Já tínhamos visto outra peça de teatro na Quinta da Regaleira (o Romeu e Julieta, há uns mil anos atrás) e também gostámos muito, por isso achei que podia deixar-vos esta sugestão. Podem ver a peça até Setembro :) Também há outras peças na Quinta da Regaleira (assim de repente ocorre-me a Bela e o Monstro e uma peça com contos do Edgar Allan Poe, mas que acho que já está esgotada).

Cyrano De Bergerac


Não é publicidade, gostei mesmo do programa :D 

2 de agosto de 2018

E quem sou eu para te ensinar agora a ver o lado claro de um dia mau?

Eu sei que a tua vida foi marcada pela dor de não saber aonde dói,
Mas vê bem, não houve à luz do dia quem não tenha provado o travo amargo da melancolia.
E então rapaz, então porquê a raiva, se a culpa não é minha?
Serão efeitos secundários da poesia?

Mas para quê gastar o meu tempo a ver se aperto a tua mão?
Eu tenho andado a pensar em nós, já que os teus pés não descolam do chão.
Dizes que eu dou só por gostar...
Eu vou dar-te a provar o travo amargo da solidão.

É só mais um dia mau, mau, mau,
É só mais um dia mau, mau, mau,
É só mais um dia mau.

Ornatos Violeta

O facto do meu mês de Julho ter sido horrível tornou-se uma piada no meu grupo de amigos, de tal forma que sempre que eu relatava mais uma peripécia eles comentavam que isto parecia uma maldição cósmica qualquer. Sinto que passei o mês todo a ter chatices, problemas e azares, e cheguei ao fim completamente farta da minha maré de má sorte.

Na Terça-feira chegou finalmente o dia 31, e confesso que comecei o dia cheia de medo. Afinal, que problemas me iria reservar aquele dia? Que hecatombe de proporções catastróficas me tinha reservado o fim do mês? Qual ia ser a cereja envenenada no topo do bolo?

Até que o Matias fez cocó na sanita e eu tive uma epifania: aquele dia iria ser o que eu fizesse dele.

Vai daí, disse no grupo de WhatsApp que ia fazer uma lista de todas as coisas boas que me iam acontecendo ao longo do dia. Eis o que escrevi.

* O Matias fez cocó na sanita!
* Vim tomar o pequeno-almoço na Padaria Portuguesa e deu a 'Mal por Mal' dos Deolinda enquanto eu esperava para pedir!
* Não tinha dinheiro suficiente para pagar o pequeno-almoço e o mínimo para o Multibanco são cinco euros, por isso comprei dois bolinhos de chocolate também.
* No carro deu a 'Só Hoje' dos Jota Quest.
* Demorei dez minutos a chegar ao Júlio e estacionei à porta da Juventude.
* Estou à espera da minha próxima consulta e a auxiliar está a ouvir rádio e está a dar a Havana da Camila Cabello, o que me faz pensar em Miami e sentir-me feliz :)
* Uma das minhas consultas faltou por isso estou a ver como se vai do aeroporto de Estugarda para o nosso hotel (emoji com óculos de sol)
* O meu MP3 deu a Blank Space da Taylor Swift seguida da Semi-Charmed Life dos Third Eye Blind e cantei ambas bem alto (vários emojis com óculos de sol) (Aqui o Bernardo comentou que também queria tomar o que eu estava a tomar)
* Estou a ler a página da Wikipédia do Oscar Wilde e é muito interessante!
* Decidi pintar o cabelo com a tinta roxa que tinha aqui há séculos!
* Convenci o Pedro e vamos ao Oceanário com o Matias.
* O Matias adorou o Oceanário! E não teve acidente nenhum!
* Pedimos Mac no Uber Eats para jantar e vimos um episódio de Narcos!

Não foi um dia assim tão diferente do costume, mas houve uma grande diferença: eu estava tão contente que de certa forma procurei ficar ainda mais contente - há semanas que tenho a tinta roxa mas optei por pintar o cabelo naquele dia, há semanas que falamos em voltar ao Oceanário mas optei por chatear o Pedro naquele dia. Porque estava feliz. Porque escolhi estar feliz.

Ontem também fiz uma lista das coisas boas que me aconteceram. Hoje também. Amanhã farei também. Porque nunca é tarde para vermos o lado claro de uma fase má. 


1 de agosto de 2018

Julho (parte 2)

Continuando com as fotos do mês de Julho, desta vez com a nossa Street Art Tour, um passeio no CCB e comidinhas bem boas :D

Street Art Tour da Green Trekker

Já há imenso tempo que queria fazer uma tour de arte urbana, e quando encontrei esta marquei logo para mim, para o Bernardo e para a Joana :D Gostei imenso :D Em Setembro há outra tour com um percurso diferente, por isso acho que vou repetir :D

31 de julho de 2018

Julho (parte 1).

Julho foi um mês cheio de desafios.

Parti o meu telemóvel (depois de ter partido a lente da máquina fotográfica no mês passado, claramente a tecnologia tem andado com azar cá em casa) e comprei um novo. Tive uma intoxicação alimentar. Tive chatices no trabalho. Deram-me uma pantufada no carro e fiquei sem ele por tempo indeterminado. Tive chatices com o seguro do carro. Levei com uma barata voadora em cima.

No entanto, nem tudo foi mau. Iniciei um novo estágio com miúdos adolescentes (a minha faixa etária preferida). Visitei pela primeira vez o Museu Nacional do Azulejo e a Fragata D. Fernando II e Glória, fiz uma Street Art Tour e demos um belo passeio pelo CCB (interrompido porque o Matias fez cocó nas cuecas, mas oh well).

Comemos à grande: demos um avanço grande na nossa busca pelo melhor croissant de Lisboa (Lomar, L'Éclair, Cister, Choupana Caffé e Fábrica Lisboa), jantámos no Bairro do Avillez, tomei o pequeno-almoço na Ladurée, voltámos ao El Clandestino para a nossa date night, fomos ao brunch no Fauna & Flora e experimentámos os gelados decadentes d'O Tal, em Almada. 

Agosto promete ser um mês mais tranquilo (bem preciso). As primeiras semanas do mês vão ser a doer (muito trabalho, muitas urgências), mas temos as férias a três para descansar depois :D

Aqui vão algumas fotos do mês de Julho. Tentei resumi-las ao máximo, mas como eram mesmo muitas vou dividi-las em duas publicações. Espero que gostem :)


Museu Nacional do Azulejo



30 de julho de 2018

Onde está o melhor croissant de Lisboa?

Em 2013 fiz a única resolução de ano novo da minha vida: ver todos os 250 filmes da lista de melhores filmes do IMDb. Cinco anos depois ainda mantemos esta resolução e a lista foi aumentando consideravelmente (porque vamos actualizando a lista semestralmente e mantemos os filmes que saem). Já vimos os primeiros 110 filmes da lista, e no total já vimos quase 200 filmes (dos 351 actuais).

Em 2018 fiz a segunda resolução de ano novo da minha vida: descobrir o melhor croissant de Lisboa.

Não sei de onde veio esta pancada. Sinceramente nem sequer era assim tããão fã de croissants antes (pelo menos em comparação com outras coisas, como pastéis de nata ou bispos), mas a dada altura surgiu-nos esta ideia e nos últimos meses decidimos meter as mãos (e a barriga) à obra.

De uma lista inicial de quinze concorrentes (que encontrei essencialmente por pesquisas em blogs), já experimentámos dez.  E se algumas experiências nos deixaram absolutamente deliciados (mmm Choupana Caffé), outras foram uma verdadeira desilusão (estou a olhar para vocês com crazy eyes, Sam Croissants).

Sem mais demoras, aqui vai o nosso top. Se tiverem mais sugestões sintam-se à vontade! :D

26 de julho de 2018

A sessão fotográfica da festa #2

Sei que por onde vou é o melhor caminho,
Não deixo nada ao acaso...
Por favor, anda trocar-me o passo.

Tenho uma rotina para todos os dias,
Há de durar muitos anos...
Por favor, anda estragar-me os planos.

Tira os livros da ordem certa,
Deixa a janela do quarto aberta,
Faz-me esquecer que amanhã vou trabalhar.

Faltam-me as saudades e os ciúmes,
Já tenho a minha conta de serões serenos,
Quero ir dançar.

Faltam-me as saudades e os ciúmes,
Já tenho a minha conta de serões serenos,
Tardes tontas, manhãs mecânicas,
Eu quero é ir dançar.

Tenho uma rotina para todos os dias,
Há de durar muitos anos...
Por favor, anda estragar-me os planos.

Tenho 29 anos. Tenho uma família, um trabalho, uma casa e um carro. Tenho a minha vida desenhada na minha cabeça. Sempre tive. Sempre soube o que queria em cada momento, mesmo que no seguinte já quisesse outra coisa qualquer. Faço planos intermináveis a todas as horas e listas obsessivamente organizadas.

Sei que em Agosto vou a Sesimbra, em Setembro a Viena, em Outubro a Paris e em Dezembro a Estugarda. Sei que no próximo ano vou engravidar novamente e que vamos à Argentina. Sei que em Junho vamos mudar de casa e de cidade. Também sei para onde vamos viver.

A minha vida é, na maioria dos dias, um conjunto de certezas. E depois chega algo avassalador que me estraga os planos.

O Pedro estragou-me os planos. Nunca imaginei que gostar de alguém pudesse ser assim, esta mistura irritante de querer beijá-lo até eu ficar sem forças e querer apertar-lhe o pescoço até ele ficar sem forças.

A especialidade estragou-me os planos. Nunca imaginei que pudesse sentir esta ambivalência tão grande, gostar tanto de algo que me faz tão mal, sentir simultaneamente o sucesso e o fracasso, o amor e o desespero, a vontade de lutar e a tentação de desistir.

O Matias estragou-me os planos. Quando já sabia tudo, ele mostrou-me que não sei grande coisa. Quando já sabia o que era amar alguém mais do que aquilo que achava possível, o Matias surgiu nas nossas vidas e mostrou-me que podemos sempre amar mais, amar melhor, amar diferente.

Nos meus desenhos, nos meus planos e nas minhas listas a minha vida não ia ser assim.

Quando ouvi esta música pela primeira vez no Festival da Canção dei por mim a chorar. Nos dias seguintes ouvi-a em loop. E quase sinto que a música foi escrita para mim.

Porque a minha vida é, na maioria dos dias, um conjunto de certezas. E depois chega algo avassalador que me estraga os planos. E torna tudo muito, muito, muito melhor.



24 de julho de 2018

A sessão fotográfica da festa #1

Hoje foi um dia difícil. Como estou sem carro levo o Mati à escola a pé de manhã, o que é simultaneamente muito giro e terrivelmente cansativo (devemos demorar uns vinte minutos num percurso que eu normalmente faço em cinco). Depois arrastei-me até ao trabalho, onde tive uma primeira consulta absolutamente drenante. Tentei mais uma vez perceber quando raios vou ter o meu carro de volta, o que me demorou umas dez chamadas (e continuo sem respostas). Vim para casa a pé e cheguei estourada. Dez minutos depois voltámos a sair, desta vez para ir à mercearia e ao Glood com um Mati já a dar sinais do cansaço do fim do dia. Voltámos, demos o jantar ao miúdo, brincámos um bocadinho, estivemos uns dez minutos na sanita porque o Matias dizia que queria fazer cocó, e como nada aconteceu fomos para o banho, onde depois de já estar lavadinho e 'a relaxar' (o Mati pede sempre para ficar a relaxar no banho e mete a cabeça debaixo de água) o miúdo decide fazer mooooontes de cocó. No banho.

Deitámo-lo, tentámos organizar a balda que é a nossa casa neste momento, sentámo-nos no sofá, pedimos Uber Eats e vimos dois episódios de Narcos seguidos.

Há uma semana o meu Instagram encheu-se de fotos da malta que conheço no Alive com glitter e coroas de flores e calções que mostram as bochechinhas do rabo e num dos telefonemas que fiz ao Bernardo queixei-me de que a minha vida era uma seca e que nunca fazíamos nada giro (estava com TPM na altura e entrei num dos meus fuck my life rants ok, pronto, avancemos). E ele comentou algo que me deixou a pensar:

'Xi, muitas dessas pessoas querem o que tu tens. Querem estar casadas, ter uma família, estar bem e sentir-se amadas.'

Sinceramente na altura fiquei na mesma, mas hoje dei por mim a pensar nisso. Porque sim, mesmo num dia que acabou connosco a pescar cocós da banheira, não trocaria isto por nenhum Alive deste mundo. Mesmo num dia em que estou cansada e irritada, olho para estas fotos e quase que sinto os meus ovários a explodirem de vontade de ter outro filho.

Mesmo num dia mau, isto é a melhor coisa do mundo.



#morri

Eu até andava mais produtiva nas publicações, mas este mês de Julho está mesmo a acabar comigo. Nas últimas semanas acabei um estágio e comecei outro (passando assim a seguir miúdos em três sítios diferentes), parti o meu telemóvel e fiquei incontactável durante uma semana, tive uma intoxicação alimentar e achei que morria, deram-me uma pantufada no carro e estou sem carro há uma semana e meia (and counting...) e ainda continuamos com a saga do desfralde (agora a correr muito bem, mas não deixa de dar uma trabalheira do demo).

E isto não é ser queixinhas porque a minha vida é mesmo assim: as coisas boas vêm às ondas, as menos boas também. Esperemos pela bandeira verde :)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...r: 0" />