24 de maio de 2019

Pregnancy Diary #6

Passámos metade da gravidez do Matias com obras cá em casa. Pensei imenso sobre o quarto dele, que foi planeado ao pormenor. O quarto onde o miúdo viveu durante praticamente três anos, e que há algumas semanas ficou transformado em algo completamente diferente: um quarto de menino mais crescido, que daqui a uns meses vai ter uma mana.

Fiquei comovida, confesso. Eu sei que este é um dos grandes clichés da maternidade, mas o tempo passa realmente rápido. Ontem o Matias era uma coisinha fofa nos meus braços, hoje é um miúdo que corre, salta, brinca, faz disparates e diz 'adoro-te mamã' e 'és linda mamã'.

Em comparação, e fazendo justiça a outro dos grandes clichés da maternidade, cheira-me que o quarto da miúda não vai ter tanto investimento. Só de pensar que vou ter de empatar as coisas que estão lá agora para outro sítio apetece-me tratar do assunto lá para 2030, e basicamente vamos reutilizar as mobílias do Matias, reutilizar as roupas do Matias, reutilizar os brinquedos do Matias... Enfim, vocês percebem a ideia.

Por outro lado, ocorreu-me uma ideia genial para o baby shower. Como desta vez não vamos precisar de trapalhadas nenhumas (termómetros para o banho? LOL), acho que vou pedir aos meus amigos para trazerem refeições cozinhadas por eles e congeladas, prontinhas para o nosso pós-parto :D

Quarto do Matias em 2016 (ainda com o varão da cortina no chão, cortina essa que nunca pendurámos)
Quarto do Matias agora :D
Futuro quarto da feijoca (coitada)

23 de maio de 2019

Irlanda 2019 #1

Sinto que o tempo tem passado a correr e eu não tenho conseguido fazer nada de especial. De manhã acordo, invoco todas as minhas forças para me levantar, questiono as minhas opções de vida, arrasto-me para o banho, arrasto-me para o quarto, visto-me, oriento o Matias com o Pedro e levo-o à escola. Depois arrasto-me para o trabalho, onde vou mantendo este registo durante todo o dia. Esta semana não tenho conseguido sair cedo, por isso tenho passado pouco tempo com o Matias (que continua a deitar-se entre as 20h e as 20.30h). Damos-lhe banho, eu conto-lhe uma história e canto-lhe umas dez canções, conversamos um bocadinho e depois ele fica a adormecer. Nós fazemos, aquecemos ou encomendamos o jantar, jantamos a ver um episódio de uma qualquer série e a seguir eu vou para a cama porque estou enjoada ou cansada ou com sono ou maldisposta ou irritada ou com dores ou todas as anteriores.

Não tem sido fácil. Pensei que com a entrada no segundo trimestre os sintomas fossem melhorar um bocadinho (pelo menos os enjoos, vá!), mas na verdade sinto-me na mesma, com a agravante de ter piorado dos sintomas da insuficiência mitral. Queria trabalhar até ao fim de Junho, mas todos os dias quando estou a ir do carro para o hospital (são uns dez minutos a pé) duvido seriamente das minhas hipóteses. A miúda está bem, mexe-se imenso nas ecografias e tem duas mãos e dois pés, eu é que sinto que as minhas energias são um balão vazio. Mas pronto, vai melhorar. No terceiro trimestre a insuficiência mitral tende a estabilizar, e até lá resta-me esperar ter alguns dias bons.

Pelo caminho, aqui estou às 8.30h a escrever no blog porque o Matias ainda dorme. Podia acordá-lo, é verdade. Vou chegar atrasada mais um dia, é verdade. Mas daqui para a frente a vida só vai ser mais difícil para ele. Tem muitos anos pela frente para ser obrigado a acordar cedo... Por isso por agora, vou deixá-lo dormir tudo o que ele quiser :)

Aqui vai o início da foto-reportagem da Irlanda :)

O nosso quarto no Draper Rooms. Não era nada do outro mundo, mas achámos os hotéis na Irlanda caríssimos por isso tivemos que baixar bastante as nossas expectativas!

19 de maio de 2019

Pregnancy Diary #5

Quanto mais penso no assunto, mais acho que as primeiras gravidezes não deviam existir e devíamos passar directamente para as segundas. Sinto uma serenidade que não julgava ser possível. Há muito pouco para decidir, para comprar e para organizar, e sabemos que temos muito tempo para o fazer.

A feijoca ainda não tem nome definido, e se hoje achamos de certeza que é Penélope amanhã já gostamos mais de Esmeralda (ambos nomes da minha lista que o Pedro chacinou, não se preocupem)? Há tempo para decisões e esta fase é divertida.

As minhas amigas andam preocupadíssimas a fazer documentos do Excel sobre as creches, tal como eu fiz com o Matias? A feijoca vai para a mesma creche, done.

Na gravidez do Matias tinha listas infindáveis de enxoval que me deixavam a tremer da pálpebra só a pensar como ia comprar e arrumar tudo aquilo cá em casa? Agora é só comprar algumas coisas que se foram estragando (biberões, fraldas de pano, babetes), e ainda temos imenso tempo para isso.

Dúvidas existenciais sobre a maternidade? Já tenho um filho, amo-o com todas as minhas células e adoro ser mãe, feito.

Dúvidas sobre o efeito da parentalidade no casamento? Ver o Pedro a ser pai é das coisas mais divertidas e amorosas da história.

Medo de ficar balofa para sempre? Depois de ter o Matias perdi todo o peso que ganhei na gravidez (demorei foi algum tempo a estar preparada para investir nisso), por isso não há razão para não fazer o mesmo agora (especialmente porque estou ainda mais balofa).

Enfim, está tudo super tranquilo - e ainda bem, porque a insuficiência mitral piorou em força neste início do segundo trimestre, e entre a viagem à Irlanda e a festa de aniversário do Matias (que foi ontem), ando a arrastar-me pelos cantos e a rezar aos santinhos que me deixem aguentar a trabalhar até ao fim de Junho.

É claro que continuo a ter as minhas crises existenciais. Às vezes tenho medo da reacção do Mati ao nascimento da mana. Continuo a não querer amamentar (e o Pedro quer que eu amamente, e continuo a achar palavra por palavra o que escrevi aqui sobre a amamentação). Questiono-me como vou ter energia para os dois, principalmente se a miúda for tão malandra como o Matias (e penso frequentemente que eles vão ser tantos como nós, o que me assusta um bocado).

Mas depois penso que há tempo. Há tempo para preocupações. Há tempo para angústias. Há tempo para dúvidas existenciais. E depois a miúda vai nascer e tudo vai ficar bem eventualmente.

15 de maio de 2019

Irlanda 2019 - O planeamento :)

Para a nossa viagem 'grande' (e possivelmente a única para mim) deste ano estávamos indecisos entre a Irlanda e o México. São destinos pouco comparáveis, mas o Pedro gostava de conhecer ambos e simplesmente não conseguíamos decidir. Por um lado, eu já tinha ido duas vezes ao México. Por outro, adoro o país, sou louca pela comida e estava com vontade de fazer umas férias mais calmas, num hotel bom, a encher a barriga de coisinhas boas e a visitar a ocasional pirâmide maia quando me aborrecesse de apanhar sol na piscina.

No fim, foi precisamente o facto da Irlanda ser uma viagem mais exigente que fez com que nos decidíssemos a ir: assumimos que vamos sempre ter energia para estar a boiar na água das Caraíbas, mas já para fazer seis horas de carro por dia se calhar nem tanto. E começámos o planeamento.

A primeira coisa que fiz foi procurar roteiros. Já há algum tempo que espreito os roteiros que fazem as agências de viagens para tirar ideias, e depois da nossa road trip em Itália fiquei super fã da Pinto Lopes Viagens (não é publicidade, nunca viajei com eles, mas gosto dos roteiros deles). Eles têm um roteiro da Irlanda muito fixe aqui, que acabou por servir de base à nossa viagem. Depois li sites e blogs de viagens, tirei ideias, vi documentários (adoro o Tales of Irish Castles, está no Netflix), comprei o Lonely Planet da Irlanda e o Lonely Planet das road trips na Irlanda e pumbas, o nosso plano começou a surgir.

O Pedro vetou a minha sugestão de levarmos o Matias (em retrospectiva, ainda bem) e propôs que não fôssemos mais do que seis dias para não ficarmos muito tempo sem ele. Rapidamente percebemos que íamos ter de abdicar da Irlanda do Norte para conhecer melhor a Irlanda 'em si', mas sinceramente acabei por ficar um bocado arrependida. Mas já lá vamos!

14 de maio de 2019

Irlanda 2019 - O resumo! :D

Acho que já falei sobre isso aqui, mas o Pedro não é o maior fã de viajar. Vá, não é que ele não goste: simplesmente prefere ficar em casa no cantinho dele, a fazer as coisinhas dele. E durante muitos anos eu desconheci esta particularidade da personalidade do Pedro porque ele esforçava-se e cedia, e eu estava tão mergulhada na minha própria histeria que nunca me apercebi que do outro lado havia toda uma vibe de resignação em relação ao tema. 

Até que a infame viagem ao Quénia aconteceu e eu percebi que claramente não estávamos na mesma onda. E resolvemos esta problemática como resolvemos todas as questões da nossa relação - com um acordo de cavalheiros. 

Depois de casarmos concordámos que todos os anos fazíamos duas viagens juntos: uma para fora do país e outra cá dentro. O Pedro tinha um maior poder de decisão nos destinos (not a problem porque eu gosto de tudo!), e eu fazia as outras viagens que quisesse com os meus amigos ou a minha família.

Curiosamente, a partir desse momento as nossas viagens começaram a ser muito mais giras, provavelmente porque o Pedro deixou de se sentir pressionado para gostar dos sítios e eu deixei de me sentir pressionada para o fazer gostar dos sítios. 

E eis que chegou a Irlanda. A Irlanda tinha muita pressão. A Irlanda era a viagem de celebração do fim da especialidade do Pedro e da minha gravidez. A Irlanda era a viagem da catarse depois dos meses difíceis anteriores. A Irlanda era muito possivelmente a única viagem do ano (estou de rastos de cansaço). A Irlanda tinha de sobreviver às altas expectativas que ambos tínhamos, e simultaneamente à extrema preguiça em que ambos nos encontrávamos.

No fim, a Irlanda foi uma viagem do caraças. Mesmo com a pressão. Mesmo com o cansaço. Mesmo com as expectativas. Foi mesmo, mesmo bom.

Dublin



Glendalough, Wicklow Mountains, Kilkenny, Rock of Cashel e Cahir



Cork, Cliffs of Moher e The Burren



Connemara National Park



Galway, Clonmacnoise e Trim




O Matias fez três anos :)

O Matias fez três anos hoje.

Nos últimos três anos o Matias brincou, correu, saltou e gritou. O Matias dormiu muito e comeu ainda mais. O Matias andou de bicicleta e de skate, fez festinhas em cabrinhas, visitou exposições e museus, jogou futebol, andou de escorrega, brincou às escondidas, às hienas e aos piratas, perseguiu patos e amassou pão. O Matias andou de barco a remos e comeu queques e panquecas de banana.

Acima de tudo, o Matias é uma criança feliz e amada. E é o nosso malandrias, o nosso patuscão e a nossa coisinha boa. Para sempre.

Matias com uma semana
Uma semana
Um mês
Um mês
Um ano
Um ano
Dois anos
Dois anos
Há um mês e pouco
No Carnaval deste ano

2 de maio de 2019

Pregnancy Diary #4

Já a razar o fim do primeiro trimestre, já me sinto menos cansada no geral e até nos aventurámos numas mini-arrumações de Primavera. Fora isso, continuo cheia de náuseas e completamente inaturável de tão chorona. Ontem até foi cómico, porque tive um mega ataque de choro depois de ter visto um filme (que nem era assim tão deprimente, mas enfim) e o Pedro ficou a abraçar-me enquanto eu chorava durante uma boa meia hora, só para sermos interrompidos por um telefonema da minha cunhada, que também precisou de apoio moral do Pedro durante meia hora. Depois eu dei por mim a pensar que o Pedro já atura dramas femininos há muito tempo (primeiro os da irmã e depois os meus) e por isso presumo que vá ser bom pai da nossa feijoca, o que por alguma razão ainda me fez chorar mais. A sério, não há paciência. Entretanto hoje já estou de férias e andei a entreter-me no cabeleireiro, por isso já me sinto mais together do que ontem. Pode ser que o facto de saber que ir ao cabeleireiro ajuda nos meltdowns faça com que até seja uma mãe adequada para a nossa feijoca :)

Entretanto preciso da vossa ajuda. A feijoca vai ter o seu próprio quarto, o que implica arranjarmos uma alternativa para secarmos a nossa roupa (porque seca nesse quarto). Ora aqui vão os factos:

* A nossa casa é bastante húmida, e no Inverno a roupa só seca cá dentro porque fechamos a porta desta divisão e ligamos o desumidificador 24h por dia. Não podemos secar a roupa em mais nenhuma divisão, porque as que sobram são demasiado grandes para o desumidificador funcionar bem.

* Temos uma lavandaria literalmente do outro lado da rua, mas lavamos sempre a roupa à noite (fazemos a máquina às 21h, lava até às 23h, estendemos logo), e sinceramente também não me parece muito prático andar sempre a secar a roupa na lavandaria no Inverno.

Vai daí, pensámos em comprar uma máquina de lavar e de secar, mas o Pedro está muito reticente. Os nossos electrodomésticos não têm propriamente uma esperança média de vida muito longa, e uma máquina de secar que aguente uma carga simpática ainda é um investimento (ou seja, não vou comprar uma máquina que só seque quatro quilos de roupa). Também não conhecemos ninguém que tenha, por isso não temos propriamente opiniões de amigos sobre o tema. E aqui entram vocês: alguém tem uma máquina que lave e seque? São fixes? Funcionam bem? É um descanso como parece?

E se pensavam que o vosso trabalho terminava aqui, enganaram-se porque temos mais uma dúvida de electrodomésticos :D Quero comprar uma máquina de fazer sopas das boas. Adoro sopa tipo creme, mas só com a Bimby é que já comi sopas dessas (em casa de amigos). Mesmo com a Julie, a máquina de sopas que tínhamos há uns anos, as sopas ficavam boas mas não eram assim de ir às lágrimas Bimby-style. Eu até estava disposta a passar o resto da vida só com sopas da Julie, não tivéssemos nós estragado duas no espaço de uns três meses (a tal questão da esperança média de vida dos electrodomésticos cá de casa). Agora fazemos as sopas na panela e trituramos na varinha mágica como os plebeus todos, mas não acho assim tão prático e nem sequer ficam sopas assim tão boas.

Agora vem aí mais uma freguesa, logo mais sopas. Também estamos mais velhos e mais cansados, logo com mais vontade de investir em coisas que nos facilitem a vida (nunca mais meti o meu lombo no Continente, agora vêm sempre cá entregar, e ontem até o Matias quis dar um beijinho 'ao senhor das compras'). Mas toda a gente com quem eu falo recomenda a Yammi e a Bimby, e sinceramente dar 400€ para fazer sopas ia deixar-me a chorar lágrimas de sangue (embora o desespero já tenha sido menor, confesso).

Vai daí, alguém conhece máquinas das sopas milagrosas que não cheguem aos três digitos? Pleeeease?

30 de abril de 2019

Abril.

É de mim ou Abril passou super rápido?

Na primeira semana de Abril não fizemos um bacalhau. Tínhamos muitos projectos para a altura em que o Pedro acabasse a especialidade, mas na verdade andámos toda a semana a pastelar e no fim-de-semana só saí de casa para ir jantar ao KOPPU com os meus colegas de trabalho (não sou loucamente fã do conceito, mas o meu ramen estava bom) e para irmos ao brunch em casa de uns amigos nossos que tiveram uma bebé há pouco tempo.

Pumbas, única foto da semana. Na verdade foi nesta semana que tive o descolamento da placenta, por isso também diminuí substancialmente as minhas actividades.

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