5 de julho de 2020

Julho (parte 1).

O mês começou em grande, com uma ida com a Gabriela ao Museu Colecção Berardo. No fim ainda rematei com uma fatia de bolo de ananás na Casa de Chá de Belém. Aproveitámos uma folga da Joana para passar um dia entre a praia e a piscina e soube mesmo, mesmo bem. No fim-de-semana voltámos ao Escape Hunt, desta vez para fazer um escape room diferente, e divertimo-nos imenso (e batemos o nosso tempo recorde!). Almoçámos com vista para a cidade no Chapitô à Mesa e jantámos no #Treestory, onde aproveitámos para matar saudades da comida da Geórgia!



1 de julho de 2020

Serra da Estrela 2020 #2

Tenho andado a sentir-me um bocadinho... Sozinha, talvez. Depois das férias na Serra da Estrela o Pedro tem trabalhado mais do que o habitual (o hospital dele é um dos mais afectados), por isso acabo por estar mais tempo com os miúdos. Levo o Matias à escola, regresso a casa (às vezes com uma paragem da esplanada para tomar o pequeno-almoço, mas nem tem acontecido muito ultimamente), deito a Gabriela para dormir a sesta e fico embrulhada nas minhas tarefas de mãe suburbana, como se estivesse dentro da música dos ratinhos da Cinderela:

Cinderela, Cinderela, noite e dia Cinderela,
Faz a sopa, lava a louça, passa a roupa, pobre moça.
Lave a casa, espane os móveis, mas como mandam nela!
Não para só um momento, mais parece um catavento,
E ainda brigam, mais depressa, Cinderela!

O dia vai passando. Tenho treino com a minha PT três vezes por semana, normalmente sob o olhar inquisidor da Gabriela. Trato de assuntos pendentes, leio muito. Não tenho feito grandes programas com a Gabriela e já passou um mês desde fomos a um museu da última vez (o Museu Nacional de Arte Antiga). A Joana e o Bernardo andaram focados no exame de saída da especialidade, por isso os programas com eles também se tornaram mais raros. Sinto falta de fazer coisas giras, de ter programas interessantes, de desafios. Desde que regressámos destas férias continuei numa espécie de limbo, e sinto que chegou a altura de voltar ao activo. Vamos ver o que me vai apetecer conhecer agora :)

A vista era tão bonita :)

30 de junho de 2020

Junho (parte 3).

A terceira semana do mês ficou marcada pela nossa viagem à Serra da Estrela, cuja foto-reportagem já está a sair no blog :) Voltámos para Lisboa a tempo de nos despedirmos do meu irmão, que voltou para a Suíça, e como fomos petiscar o Matias comeu os seus primeiros caracóis (e adorou!).

Na quarta semana do mês, e ainda a curtir aquela inércia do pós-férias, fez-se muito pouco. Voltei aos treinos com a minha PT (tinha parado nas férias) e andei toda a semana com dores musculares. Experimentámos o Honest Greens, mas não fiquei assim loucamente fã. Por outro lado, deliciei-me com uma salada de camarão e manga com molho de maracujá do Local - Your Healthy Kitchen. Comi um polvinho à lagareiro delicioso na esplanada do Boémio e matei saudades dos gelados da Oficina do Gelado. Bebi gin enquanto o Matias comia mais caracóis num fim de tarde preguiçoso na esplanada. A semana terminou com a Joana e o Bernardo a fazerem o exame de saída da especialidade, e celebrámos esse marco tão importante e o aniversário da Joana com uma festa na piscina. Depois mostro as fotos :)

E entretanto esta semana já começou animada, com um cheesecake de maracujá dos céus e uma visita fantástica à Tapada de Mafra :D Já tínhamos visitado a Tapada em 2016 (fotos aqui e aqui), nessa vez de comboio. Agora o comboio não está a funcionar, por isso fizemos o percurso pedestre com os miúdos :)

Falafel do Honest Greens. Não achei nada de especial e o atendimento foi mesmo desadequado. A minha mãe demorou algum tempo a escolher (nada de especial, a lista é confusa, mas nem sequer havia outras pessoas à espera!) e o empregado disse-lhe LITERALMENTE 'olhe eu não tenho o dia todo'. Por mim tinha rodado os calcanhares e ia embora, já fiz isso outras vezes noutros restaurantes, detesto sítios onde parece que as pessoas acham que nos estão a fazer um grande favor. Mas os meus pais quiseram ficar, por isso enfim. Dito isto, nunca mais lá volto.

25 de junho de 2020

Serra da Estrela 2020 #1

Chegámos pela segunda vez à Casa do Giestal, no fim do nosso primeiro dia de férias, com ar de quem tinha sido atropelado. E decidimos que íamos começar de novo, como se as últimas horas não tivessem acontecido. Descansámos, terminámos de desfazer as malas, demos uma volta pelo terreno, demos os banhos e o jantar à criançada, deitámo-los, jantámos, jogámos xadrez à lareira... E no dia seguinte partimos novamente à aventura :)

Vista do terreno para o rio. Eram uns dois minutos a descer, faziam-se bem.

24 de junho de 2020

Serra da Estrela 2020 - O resumo! :D

Bolas, foi um texto difícil de escrever. Estava a meio deste, e as palavras que tinha aqui dentro desde Sábado começaram a sair de rompante, num impulso incontrolável. Dito o que tinha a dizer, aqui vai a publicação original :)

Corria o ano de 2016 quando eu, grávida de 32 semanas, atolei o carro sozinha no meio da Serra da Estrela. Para vos ser sincera sempre achei que seria impossível rir-me desse episódio incrivelmente totó da minha vida, mas uns anos depois a verdade é que já não o vejo dessa forma tão traumatizante, e tal como tantos outros também esta é simplesmente mais uma história da nossa vida cheia de aventuras: umas boas, outras más, faz parte.

O Pedro estava decidido a voltar à Serra da Estrela nesse Inverno, mas depois o Matias nasceu e ele mudou de ideias em relação a viajar com um bebé pequenino. Decidimos ir em Junho de 2017, já com o Matias mais crescidote, e marcámos a Casa do Giestal. Uma semana antes da nossa viagem o terreno ardeu nos grandes incêndios desse ano. Decidimos adiar a viagem para o ano seguinte, já com o terreno mais recuperado, e marcámos para Dezembro de 2018. Três dias antes da nossa viagem, a estrada que levava à casa desabou por causa das grandes chuvas que se faziam sentir.

Aí, confesso, começámos a achar que isto era uma mensagem cósmica para esquecermos a Serra da Estrela. E nunca mais marcámos.

Chegou a pandemia, e com ela a vontade de ter espaço. De sair daqui, de ser livre, de correr pelos montes, de respirar ar puro, de ouvir o silêncio da noite. Viver em Lisboa é óptimo e eu adoro, mas também é, por vezes, vagamente asfixiante.

Decidimos desafiar o destino e marcámos a Casa do Giestal para as férias do Pedro, em Julho.

E depois as férias do Pedro não foram aprovadas. E se até aqui eu achei sempre que isto eram mensagens do universo, agora fiquei a pensar que o universo não era mais teimoso do que nós. Liguei para a Casa do Giestal, expliquei a situação e implorei por uns dias disponíveis em Junho. Conseguimos, ficou marcado, esperámos e rezámos.

O dia da partida amanheceu com nuvens. Demos o pequeno-almoço à criançada e partimos, o Matias delirante por ir 'para a casa da montanha', a Gabriela na sua alegria habitual, nós entusiasmados por termos, finalmente, espaço para podermos estar os quatro. Chegámos à casa cedo, o Pedro foi dar o almoço à Gabriela e eu comecei a desfazer as malas. O Matias ficou na relva a brincar, e de repente tentou abrir a porta e não conseguia. Tinha fechado a porta com a chave do lado de fora, não conseguia rodar a chave novamente e nós também não conseguíamos sair. A janela estava aberta mas tinha um mosquiteiro, e foi todo um filme até o conseguirmos tirar. O Matias andava felicíssimo, claro, a dizer que ia 'dormir na rua'. Saímos pela janela, mandámos o Matias para dentro de casa e continuámos na nossa vidinha: o Pedro no rés-do-chão a dar o almoço à Gabriela, eu no primeiro andar a desfazer as malas e o Matias no segundo andar a explorar o sótão.

E de repente, aconteceu. Ouvi pum pum pum pum pum pum, e lá veio o Matias a cair pelas escadas abaixo. Diz que estava a tentar fechar uma janela que havia no início das escadas (mesmo ideias à Matias, enfim) e que caiu 'às cambalhotas'. Quando lá cheguei já ele estava aos gritos. Levei-o para a casa-de-banho ao colo e vi logo que tinha ficado com o braço cheio de sangue, por isso de certeza que ele tinha partido a cabeça. Na verdade ele tinha três golpes: um colado ao olho esquerdo, outro na testa à direita e outro no couro cabeludo à direita, este último claramente a precisar de ser suturado.

Ligámos para a Saúde 24, que nos encaminhou para o Hospital da Guarda. E quando pusemos o caminho no Waze... Dizia que demorávamos 1.30h. O Matias a chorar, a queixar-se de um dedo que estava inchado (não parecia partido), a sangrar da cabeça, a ficar prostrado... E o hospital a 1.30h. Vimos que o hospital da Covilhã parecia ficar mais perto (a 1h de viagem) e voltámos a ligar para a Saúde 24, onde nos disseram que afinal podíamos ir para a Covilhã. E arrancámos. Uma hora de viagem pelas estradinhas da montanha, com o Matias a alternar entre chorar ou ficar sonolento e a Gabriela com ar de 'mas o que é que se passa aqui?'.

Quando chegámos ao hospital o Pedro entrou com o Matias e eu fiquei cá fora a passear no parque de estacionamento com a Gabriela. Não sei quanto tempo passou, talvez uma hora ou duas. E de repente ouvi o Matias todo contente, e quando olhei... Ele vinha aos saltos. Aos saltos. Feliz da vida, a contar que lhe deram 'uma máscara com o Mickey' e lhe 'puseram uma cola na cabeça'.

Parámos na Covilhã para comer alguma coisa - eram 17h e nenhum de nós comia desde as 8h, à excepção da Gabriela. E o Matias pediu 'um crepe com gelado de chocolate'. Depois parámos no Continente, onde comprei sopa e arroz de pato para o jantar, e arrancámos para a Casa do Giestal novamente. Quando chegámos o Matias perguntou se podia 'ir ver o rio'. E lá fomos.

Folgo em dizer que os dias restantes decorreram numa normalidade tremenda. Passeámos, molhámos os pés no rio, conhecemos o Piódão, perdemo-nos na Serra, vimos sítios giríssimos. Curtimos muito os nossos filhos, nesta que foi a nossa primeira viagem a quatro. Divertimo-nos todos muito. Voltámos no fim-de-semana e ainda estamos naquele limbo pós-férias. E, finalmente, fizemos as pazes com a Serra da Estrela. Em grande.









Ajudar.

A minha anorexia começou com uma dieta. Estava com peso a mais (74kg para ser mais concreta),  e decidi perder algum peso para ficar mais gostosona e chegar aos 60kg que tinha quando entrei na faculdade. Três meses depois atingi o meu objectivo. Mas já estava doente.

Só falava em comida. Só pensava em comida. Sabia as calorias todas de tudo o que consigam imaginar, do feijão ao café, da pastilha elástica aos iogurtes. Achei que podia perder mais algum peso, 'ficar com alguma margem', dizia para mim própria. E fiquei. Com quase vinte quilos de margem.

Nunca pedi ajuda, porque não me sentia doente. Era funcional. Tinha namorado, ia às aulas da faculdade, tinha amigos. Na verdade, nunca me tinha sentido tão bem, cheia de energia e de vida. Quando as pessoas à minha volta começaram a preocupar-se, comecei a dizer em voz alta as desculpas que já dizia a mim própria: é só até chegar ao meu peso ideal, só quero ter alguma margem de manobra, não tenho fome, estou cheia, não gosto desta comida, ando a tentar ter uma alimentação mais saudável. Quando se tornou óbvio que isso eram balelas, comecei a mentir descaradamente, a evitar comer à frente de outras pessoas e a esconder a comida.

Nesta altura tinha amigos próximos, a Joana e o Bernardo já eram os meus melhores amigos, já vivia com o Pedro, ia a casa dos meus pais todos os fins-de-semana. E mesmo assim demorei seis meses a ir a uma consulta de psiquiatria. Porque eu não achava que estivesse doente, e à minha volta passou despercebido durante muito tempo o quão doente eu estava.

Não fui a uma consulta por achar que estava doente, fi-lo para calar a minha mãe e o Pedro. Já não os podia ouvir mais os seus nhenhés, que chatos, eu estava bem. Demorei algum tempo a confiar no meu psiquiatra, e até lá fazia exactamente a mesma coisa: mentia, enganava. Quem? Essencialmente a mim própria.

Um dia lembro-me de me sentir particularmente desesperançada, e de ter perguntado ao psiquiatra como viviam as pessoas normais. E ele respondeu-me que um dia, quando eu estivesse curada, não ia saber a quantidade de calorias de uma lata de feijão, porque isso é o que acontece com as pessoas normais.

Não acreditei nele. Naquele momento, para mim, era impossível um futuro onde o peso não fizesse parte das minhas preocupações, onde a comida não fosse o inimigo, onde ia sentir-me confortável com o meu corpo. Achava genuinamente, com todas as minhas forças, que ia ficar doente para sempre, que nunca mais ia conseguir recuperar o peso, que a minha vida ia passar a ser a doença.

Quem se suicida não é cobarde, mas também não é corajoso. Está doente, muito doente. Tal como quem morre com um cancro no pulmão está doente do pulmão, quem morre por suicídio está doente do cérebro. Não tem crítica, não consegue ver outra saída. Percebo a ideia de partilhar recursos, partilhar números, incitar as pessoas a pedirem ajuda, mas a questão é esta: quem está muito doente, muitas vezes não tem energia para o fazer ou crítica para perceber que precisa de fazê-lo.

Que não dependa de quem está doente fazê-lo. Que dependa de quem está à sua volta, de quem se vai apercebendo aos poucos, de quem fica preocupado com uma frase ou um olhar. Chateiem. Chateiem os vossos amigos, chateiem os vossos familiares, obriguem-nos a ir a consultas, vão com eles para se certificarem que eles chegam à porta, certifiquem-se que eles cumprem os tratamentos.

A culpa não é de quem não se trata, mas também não é de quem não percebe que alguém precisa de se tratar. Não interpretem estas palavras dessa forma, esta não é uma culpabilização de quem não consegue fazer o suficiente. A culpa é da doença, é do cérebro, é do que deixou de funcionar bem temporariamente. Falem com quem está à vossa volta, partilhem as vossas experiências, ouçam. Aprendi muito sobre mim nas consultas psicoterapêuticas que tinha com o meu psiquiatra, e hoje em dia já nem sequer me lembro do nome dele. Alegro-me também em dizer-vos que não faço a mais pálida ideia de quantas calorias tem uma lata de feijão. Mas ali, naquele momento, achei que isso nunca iria acontecer. Porque estava doente.

Não sei se teria pedido ajuda sozinha. Provavelmente sim, mas talvez depois. Quem sabe o que teria acontecido.

22 de junho de 2020

Festa Toy Story #5

E chega assim ao fim a foto-reportagem da festa de aniversário do Matias. Sabem, durante uns tempos ainda achei que seria possível fazermos uma nova festinha com os amiguinhos do Matias, como estava originalmente planeado: no espaço que alugámos, com o insuflável, com todas as coisinhas do Toy Story que já cá estavam em casa e aqui se mantêm. Pensei que talvez em Setembro fosse possível juntarmos a malta toda a sério e fazermos uma festa 'como deve ser', com os cinquenta convidados originais.

Entretanto o tempo passou, e sabem que mais? O Matias adorou a festa dele. Esta foi, para ele, A festa. Era para ele extremamente confuso pensar em ter outra festa - afinal, ele já fez anos e já teve uma festa, do Toy Story, tal como pediu. Para ele, a próxima festa só pode ser da irmã, e anda muito investido a tentar convencer-me a mudar de tema porque acha 'que a mana vai achar o Plants vs. Zombies muito assustador'.

E pronto, em Novembro há mais, e esperemos que já dê para estarmos com mais pessoas em segurança. Se não der... Também não se esteve mesmo nada mal :D

Como bons miúdos dos anos 90, a Joana e o Bernardo também sempre quiseram ter um Mauzão e nunca tiveram por ser caro

14 de junho de 2020

Junho (parte 2).

Começámos a semana com uma ida à praia depois de um dia de escola que soube muito bem a mim e ao Matias (e comemos a primeira bola de Berlim do ano!). Aproveitámos o feriado para passear nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. Fiz uns queques de limão e mirtilo para levar para as minhas colegas de trabalho. O meu irmão veio jantar cá a casa e trouxe uns cups de caramelo e nozes paleo que eu fiz há uns anos e que já não me lembrava que eram tão bons! :D

No fim-de-semana fomos com o Miguel e a Leonor festejar os Santos como foi possível, e não faltaram o caldo verde e o chouriço assado :) Também fomos fazer um passeio à Ericeira com a criançada para visitar a tia do Pedro e soube bem estar em família.

Directo da escola para a praia :)

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