18 de junho de 2018

Primeiras vezes.

Este fim-de-semana fiquei sozinha com o Matias, depois do Pedro ter ido para Barcelona (onde vai ficar durante um mês). Não é propriamente pouco habitual ficarmos sozinhos com o Mati (entre congressos, urgências, formações, competições de xadrez, viagens, etc etc etc), mas nunca nenhum de nós ficou tanto tempo sozinho com ele e confesso que estava um bocadinho assustada, principalmente com o primeiro fim-de-semana. Comigo ainda em recuperação e com algumas limitações (não posso fazer muitos esforços, não me consigo baixar, ainda vejo as coisas um bocadinho desfocadas e tenho uma comichão do demónio no olho), estava com receio que o fim-de-semana fosse um filme de terror para ambos.

Não foi. Foi espectacular. Foi incrível. Foi mesmo o máximo.

Acordámos quando quisemos (vá, quando o Matias quis), brincámos, cozinhámos, divertimo-nos, dormimos duas belas sestas de três horas cada uma, enfim. Pelo meio, tivemos umas quantas novidades.

Quando o Mati tinha uns três dias percebemos que lhe tínhamos que cortar as unhas pela primeira vez. Sugeri ao Pedro ser ele a fazê-lo (o tipo opera olhos, está habituado a cenas minúsculas), e a dada altura o Matias desatou a gritar e começou a deitar sangue de um dedo. Tinha uma feridinha minúscula feita pelo corta-unhas, mas que rapidamente infectou e foi inclusivamente necessário pôr pomada antibiótica passado uns dias. Depois disso fiquei traumatizada e nunca quis cortar as unhas ao miúdo. Nunca. Passei dois anos sem lhe cortar as unhas. A dada altura o Pedro esteve fora uns dias, era preciso cortar as unhas ao miúdo e fui ao cabeleireiro com ele. True story.

Pois bem, ontem lá me mentalizei que era preciso. O calor faz o Matias ficar com mais comichão (ele tem a pele atópica), por isso decidi encher-me de coragem. Ia-me vomitando, mas lá consegui cortar todas as unhas do Matias (das mãos e dos pés, YEY!). E a dada altura disse-lhe 'só faltam quatro!'.

Ao que ele me respondeu 'Um, dois, três, quatro!'.

Fiquei abismada. Nunca o tínhamos ouvido contar. Não é propriamente uma coisa que lhe ensinemos cá em casa, e embora já o tivesse ouvido a dizer um, dois ou três em situações pontuais, nunca o tinha ouvido a dizer quatro (ou os números seguidos!).

Depois disso, estávamos a ler um livro do Nemo que ele adora e o Matias pediu para ver 'o vídeo dos papás' (que é o de Svalbard). Confesso que já vomito o vídeo dos papás pelos olhos, por isso sugeri-lhe 'e se víssemos o filme do Nemo?'. Achei logo que íamos ver uns cinco minutos e ele ia aborrecer-se (até porque é o que acontece SEMPRE), e qual não foi o meu espanto quando ele viu meia hora SEGUIDA. Depois disso não o deixei ver mais, mas no dia seguinte ele pediu novamente para ver 'o filme' e viu mais meia hora de manhã e meia hora de tarde. Viu o seu primeiro filme :D (e logo um em que um peixe perde o pai, que apropriado).

Entretanto hoje comprei ao Matias a sua primeira Barbie! Ando a juntar alguns presentes para o entreter no avião a caminho de Barcelona, e depois de encomendar uns livros de dinossauros novos achei que um brinquedo novo era boa ideia :) Comprei-lhe a Barbie cientista, depois digo se fez sucesso ou não :D

Resultado de imagem para barbie cientista
Achei que era parecida comigo, com a bata e tal
E pronto, têm sido uns dias muito animados cá por casa :)

Miami e Bahamas #7

E pronto, chega assim ao fim a foto-reportagem da viagem a Miami, às Bahamas, aos Everglades e a Orlando. Sinceramente sinto-me quase deprimida com isto, como se ao luto pós-viagem se seguisse agora o luto pós-reportagem da viagem. Foi mesmo uma viagem de sonho. Vimos coisas giras, passeámos, andámos de carro, andámos de barco, vimos animais (pelo menos no caminho para os Everglades), andámos em montanhas-russas, descansámos, comemos coisas boas, bebemos coisas ainda melhores, cantámos, dançámos, rimo-nos imenso, fizemos umas compras, relaxámos na praia... Foi simplesmente perfeito.

Já ando a ver outros cruzeiros que partam de Miami no próximo ano :D :D :D

Na montanha-russa do Hulk, que foi uma diversão :D A Joana e o Bernardo iam todos borrados, mas depois gostaram imenso! Ainda os tentei convencer a repetir, mas sem sucesso :D

16 de junho de 2018

Svalbard 2018 - O vídeo! :D

Agora que já está relatado o episódio do trenó, aqui vai o vídeo de Svalbard :D Está manifestamente inferior ao de Miami e das Bahamas, mas como podem ver o Pedro não é um parceiro tão cooperante como a Joana e o Bernardo :D Pode ser que o de Barcelona fique mais giro :) Por outro lado, o Matias adora este vídeo, e todos os dias pede para vê-lo (e depois pede para ver 'o dos titis', que é o de Miami!) :)

Liguem a música! :D



Bom fim-de-semana! :D

Svalbard 2018 #6

E aqui vão mais algumas fotos de Svalbard :D

O tempo começou a piorar consideravelmente em Ny-Alesund, por isso fomos para o pub (na foto!) :D

15 de junho de 2018

As reflexões que antigamente antecediam receitas (parte 2).

Fui operada há uma semana, e desde então tenho estado em casa. Hoje sinto-me manifestamente melhor, e embora ainda precise de andar de óculos de sol dentro de casa (e o meu olho pareça tirado daquela cena do Thor: Ragnarok), já consigo fazer uma vida mais ou menos normal.

Vai daí, hoje levantei-me e dei uma arrumadela na casa, fiz sopa, preparei um tabuleiro de costeletas com cogumelos, bacon e tomate para assar logo à noite, preparei duas vieiras recheadas para gratinar para o almoço, fiz pão na máquina de fazer pão, fiz brigadeiros, pus já algumas coisas na mesa para logo (temos malta cá em casa a ver o jogo), fiz uma máquina de lavar a louça... E quando me sentei no sofá a descansar um bocadinho pensei mais uma vez que seria super feliz a ser dona de casa (ou CEO da casa, como eu lhe chamo).

Eu sei que isto parece estranho. Lembro-me de uma vez ter falado disto a uma pessoa da minha família e ela ter comentado algo do género 'andaram as mulheres a lutar durante séculos para poderem trabalhar fora de casa, e tu queres viver de avental rodeada de filhos'.

Pois, that's right. Era exactamente isso que eu queria.

Não me interpretem mal: eu gosto do que faço (agora, pelo menos), e também sei que o Matias está bem na escolinha. Mas tratar da nossa casa e tratar da nossa família é aquilo que me deixa mais feliz no mundo inteiro. E digo a mim própria que não faço isso por uma questão de indisponibilidade financeira, mas a verdade é que ficar em casa é uma decisão super corajosa que eu não consigo ter neste momento.

Talvez um dia o faça. Não sei. Mas sinceramente acho que as mulheres que andaram a lutar durante séculos para poderem trabalhar fora de casa ficariam orgulhosas na mesma. Porque hoje em dia esta é uma escolha. Uma escolha corajosa e assustadora, mas uma escolha.

Miami e Bahamas 2018 #6

Uma das piadas recorrentes das nossas férias foi a quantidade de pessoas que nos pediam para lhes tirarmos fotos, possivelmente porque nós parecemos os prós da fotografia (eu com a máquina fotográfica e com a GoPro, a Joana com a máquina fotográfica e cada um de nós com o seu iPhone). E não era do género 'tira-me aqui uma foto!' - era toda uma sessão fotográfica com direito a 'agora tira deitado, agora tira de pé, agora quero que se vejam os meus pés mas não o chão, agora quero que se veja só a minha cara e a parte de cima do mural' * suspiro *.

A dada altura estávamos no Wizarding World of Harry Potter e aproximou-se um moço a pedir à Joana para lhe tirar uma foto com a namorada. Ela tirou, e ele pediu para ela tirar mais uma. Ela olhou para nós e revirou os olhos, e eis que de repente o moço se ajoelha à frente da rapariga com um anel na mão :D :D :D :D :D

Ficámos mesmo espantados, e acho que durante uns segundos nem tivemos grande reacção. Depois desatámos logo a tirar fotos :D Foi um momento muito bonito, e foi uma honra fazer parte dele.

(Em retrospectiva, o meu pedido de casamento ao Pedro enquanto estava com os copinhos foi uma bosta, mas enfim, é o que temos.)

YEY :D

13 de junho de 2018

Tinoni - Barcelona.

Estou neste momento com uma questão existencial muito premente e preciso de sugestões vossas.

Daqui a dois dias o Pedro vai para Barcelona trabalhar durante um mês (e eu estou mega deprimida com isso, mas enfim), e nós vamos visitá-lo durante a estadia dele. Vamos ficar lá três dias não completos (uma parte de Sexta, Sábado o dia todo e uma parte de Domingo), na zona de Sarrià, e não faço a mais pálida ideia do que fazer lá, até porque como já aqui escrevi várias vezes eu não gosto nada de Barcelona (e ainda há nove meses lá fui, a sério, esta cidade persegue-me). Basicamente marcámos os bilhetes para a Sagrada Família (onde eu só entrei uma vez há quase vinte anos e onde tentei ir há nove meses mas não arranjei bilhetes)... E é isso. Estamos super pouco entusiasmados para visitar o que quer que seja, mas depois ao mesmo tempo também me parece estranho estar fechada em casa durante três dias.

Alguém tem ideias? Sugestões? Também podem fazer reforço positivo para ficarmos em casa :)

Svalbard 2018 #5

Aqui vão mais fotos, desta vez com o meu sítio preferido da viagem inteira :D

Glaciar :D

12 de junho de 2018

Miami e Bahamas 2018 #5

Estão preparados para as fotos do Wizarding World of Harry Potter? Vamos lá :D

Ainda no Everglades National Park :)

Sugestões de livros infantis até aos dois anos (e depois também!)

Hoje tive a minha primeira consulta pós-cirúrgica, e aproveitei o facto de ter motorista (a Joana) para ir à Ladurée (sempre a minha rotina depois das consultas porque aquilo deprime-me nem sei bem porquê, possivelmente Freud explica) e para passar pela Feira do Livro. Publiquei umas fotos sobre isso no meu Instagram (é privado mas podem mandar pedidos à vontade que eu aceito) e a Susana pediu para eu fazer uma publicação com uma espécie de top cinco dos livros infantis até aos dois anos.

Como eu sou muito simpática (e também porque estou deprimida porque é noite de Santos e há festa brava à volta da minha casa, mas eu estou enfiada na cama de óculos de sol a recuperar da cirurgia e o Pedro está de urgência), aqui vão algumas sugestões de livros. Não é um top cinco porque não consigo mesmo escolher, mas acho que levam aqui algumas ideias giras :D

Livros que a mamã interna de pedopsiquiatria gosta (e o Matias também)

Cá em casa somos adeptos de ensinar as emoções, e modéstia à parte somos mesmo bons nisso. O Mati ainda não sabe reconhecer números nem cores nem nada do género, mas consegue exemplificar imediatamente o que é estar contente, triste, zangado, surpreendido, relaxado, a pensar, concentrado, a gritar, a chorar e com medo (na verdade tenho uns vídeos amorosos com isso, qualquer dia mostro). É óbvio que os miúdos aprendem essencialmente pelo exemplo que lhes damos, mas não quer dizer que não falemos sobre o assunto - até porque nós próprios falamos bastantes vezes do que sentimos, analisamos as razões pelas quais temos determinados comportamentos, etc etc. É uma animação esta casa. 

Conheci este livro no trabalho e comprei-o hoje na Feira do Livro. Fui buscar o Matias às 15.30h, ele deitou-se às 20h e pelo meio quis lê-lo... Sete vezes. É um livro mesmo giro, com abas para puxar e para rodar, sobre os sentimentos bons e os menos bons :)

11 de junho de 2018

As reflexões que antigamente antecediam receitas.

(Banda sonora)

No intervalo da peça de teatro do Harry Potter And The Cursed Child dei por mim a questionar-me se a J. K. Rowling ainda se sente assoberbada pelo seu sucesso tantos anos depois. E perguntei à Joana, ao Bernardo e ao meu irmão se às vezes não tinham momentos em que olhavam para trás e ficavam fascinados por aquilo que já tinham conseguido atingir na vida.

A resposta foi igualmente surpreendente e deprimente, porque aparentemente nenhum deles pensa isto. E logo vieram as teorias: que eu me sinto assim porque escrevi um livro, tenho um filho, estou há mais de dez anos com o Pedro, etc etc etc, enquanto que eles * inserir aqui chorice sobre a vida deles *.

Fiquei em silêncio durante alguns minutos, e depois disse-lhes que não acho que seja por isso. A verdade é que ainda me recordo demasiado bem de mim própria com quinze anos, a achar que ninguém me amaria, a escrever no meu diário com canetas com cheirinhos que odiava a minha mãe, sem ter amigos a sério como os adolescentes dos filmes, a sentir-me incompreendida, a pensar que era uma merda e a sentir que nunca iria a lado nenhum na vida.

Há umas semanas estávamos a falar sobre umas situações do meu passado (nada de especial, coisas que para mim são banais) e o Pedro ficou pensativo e disse de repente 'no fundo, tu és uma sobrevivente'. E eu fiquei um bocado em choque. Acima de tudo porque não penso em mim dessa forma - e o Pedro só pensa porque não trabalha na mesma área do que eu, onde os sonhos morrem um bocadinho todos os dias.

Acima de tudo, lembro-me demasiado bem de mim própria com quinze anos a pensar todos os dias 'amanhã vai ser melhor'. Às vezes era. Muitas vezes não era. Até que um dia foi mesmo. 

Antes da minha cirurgia, um dos enfermeiros perguntou porque tinha 'all things go' tatuado no braço. Encolhi os ombros. A história é demasiado longa e o tempo era pouco. Mas é esta a razão: porque tudo passa. Tudo vai. Tudo se resolve. Amanhã vai ser melhor.

Esta semana fiz urgência com uma interna do primeiro ano que passou lá pelo serviço no ano passado, em plena crise existencial gigante minha, quando quis desistir de tudo e dedicar-me a criar a minha empresa de organização de eventos. Aparentemente não fui eficaz a convencê-la, porque ela entrou na especialidade na mesma. Aparentemente não fui eficaz a convencer-me, porque aqui estou na mesma.

Tudo passou. Tudo foi. Tudo se resolveu. O dia seguinte não foi melhor. A semana seguinte também não. O mês seguinte também não. Mas eventualmente amanhã foi melhor.

All things go.

E espero honestamente nunca perder esta capacidade de olhar para o presente e de me sentir não só assoberbada, mas também terrivelmente agradecida. E naquele momento, em Londres, a realizar um sonho com os meus melhores amigos no mundo inteiro, senti muita, muita tristeza por eles não saberem o que é esta felicidade.

Um dia vão saber, espero eu. E eu vou estar lá para assistir da primeira fila.

Pound Cake de limão

A par das bolachas de manteiga de amendoim e chocolate, esta é possivelmente uma das receitas mais repetidas cá de casa ultimamente. É fácil, fica um bolo delicioso, rende um bolo enorme e por isso teoricamente dá-nos para a semana toda (embora não seja inédito desaparecer ao fim de dois dias), é bom quando se tem convidados... Enfim, é uma receita de sucesso :D Espero que gostem :D


Pound Cake de limão (receita adaptada do blog 'A Cozinha Colectiva')

Ingredientes:

* 350g de manteiga com sal ligeiramente amolecida;
* 350g de açúcar branco;
* Oito ovos;
* Raspa da casca de quatro limões;
* 420g de farinha de trigo;
* Duas colheres de chá bem cheias de fermento em pó;
* 180ml de sumo de limão;

Para a cobertura:

* Uma chávena de açúcar em pó;
* Sumo de limão q.b.

Svalbard 2018 #4

E aqui vão mais fotos da nossa expedição em Svalbard :D

Glaciar :D

Miami e Bahamas 2018 #4

Na Sexta-feira fiz a tão temida cirurgia. Foi a minha terceira cirurgia ao estrabismo (também fui operada quando tinha três e nove anos) e aparentemente correu bem. Estava com um medo terrível da anestesia (eu sei, é irónico que já tenha feito milhentas coisas muito mais perigosas sem qualquer receio e agora achasse que ia morrer por causa do propofol), mas foi rápido, estou inteira e já estou em casa a recuperar durante esta semana. É claro que já estou aborrecidíssima, mas não há mesmo muito que possa fazer.

Vai daí, é possível que durante esta semana vá publicar mais coisas, e quem sabe talvez até apareçam por aqui * gasp * receitas.

Continuando com as fotos da Blue Lagoon Island, nas Bahamas :D



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