28 de junho de 2017

Morrer um bocadinho por dentro.

'Se calhar vamos ter de internar.'

O Matias tinha quatro dias quando ouvimos estas palavras pela primeira vez, e um bocadinho do meu coração morreu ali. O Matias acabou por não ser internado, mas o bocadinho do coração morto ficou lá para sempre. E zanguei-me. Zanguei-me comigo, zanguei-me connosco, zanguei-me com quem não me apoiou na amamentação, zanguei-me com a amamentação.

Na Segunda ouvimos novamente as mesmas palavras, mas desta vez sem dúvida ou hesitação. O Matias ficou internado no Hospital Dona Estefânia com uma sobreinfecção bacteriana numa varicela muito feia, associada a uma febre altíssima e impossível de controlar, a um infiltrado meio manhoso no raio-x e a um gemido persistente.

E um bocadinho do meu coração morreu ali.


* Agora já estamos em casa e o Matias está a recuperar aos pouquinhos. É um forte e um lindão. Foi um herói. Nós estamos de rastos. Muito obrigada a todos pelos desejos de melhoras no Instagram. *

26 de junho de 2017

Santorini 2017 #6

Esta Quarta-feira ia para Helsínquia. O Pedro tem um congresso lá e tínhamos decidido aproveitar para fazer uma espécie de férias a dois, mas tendo em conta que o Matias está aflito e não dorme (nem ele, nem nós) há duas noites estou seriamente a repensar a minha vida. Por um lado, sei que não vou sossegada. Por outro, sei que ele vai ficar melhor e que é uma questão de tempo. Enfim, só me resta ver fotos das nossas férias passadas e tentar decidir-me :)

(Entretanto, se alguém tiver daquelas dicas caseiras para combater a comichão da varicela fico muito agradecida. Vale tudo, até água benzida pela Ārohirohi.)

Ainda na praia :)

25 de junho de 2017

Varicela.

Na Quarta-feira passada recebemos o mail habitual da creche com o plano de actividades, a ementa da semana e algumas fotos das brincadeiras dos miúdos. Pelo meio, o aviso: duas crianças da sala do Matias tinham sido diagnosticadas com varicela.

Preparámo-nos para o inevitável. O Mati anda sempre de um lado para o outro a lamber tudo e a varicela é altamente contagiosa, por isso pareceu-nos óbvio que nos dias seguintes o miúdo ia ficar doente e começámos a organizar as nossas agendas.

Na Quinta-feira o Mati claramente não estava nos seus dias, e ia alternando as birras com os pedidos de miminhos (que são pouco habituais nele) (os pedidos de miminhos, não as birras, entenda-se).

Na Sexta-feira quando o fui buscar ao quarto tinha três pintinhas no pescoço. Fotografei como consegui (porque ele estava activamente a espernear e a chorar), mandei para o grupo de WhatsApp que tenho com os meus amigos e as opiniões foram unânimes: parecia varicela. Liguei para o Serviço para desmarcarem os meus miúdos, passei pela farmácia para comprar umas coisinhas e fomos ao Centro de Saúde, onde as opiniões foram bastante menos unânimes: parecia varicela, mas era tão recente que não dava para ter a certeza.

O Matias andou bem dispostinho. Comeu, dormiu, brincou e esteve animado. As pintinhas foram aumentando, as vesículas começaram a ser mais claras e o diagnóstico estava feito.

Ontem tínhamos combinado voltar ao Centro de Saúde e saímos de lá com ordem de quarentena durante uma semana.

O Matias andou bem dispostinho. Comeu, dormiu, brincou e esteve animado. As pintinhas foram aumentando, as vesículas foram aumentando e começaram a aparecer algumas crostinhas. Esteve febril duas vezes.

Durante a noite all hell broke loose. Deitámos o Mati às 20.30h depois do miúdo ter adormecido a beber o leitinho e ele dormiu aparentemente confortável até à uma da manhã. Depois disso passou o resto da noite a chorar, a coçar-se, a gemer, a contorcer-se, a ter febre, a ter sede e a não conseguir adormecer de maneira nenhuma. Eu e o Pedro fomos trocando para tentarmos descansar um bocadinho, mas mesmo assim acabámos a passar muitas horas acordados com o Matias ao colo, com o Matias na cadeira, deitados no chão ao lado da caminha do Matias... Enfim.

A dada altura ele conseguiu adormecer a fazer contacto pele a pele comigo e ficámos ali os dois durante algum tempo. E soube bem. Soube bem saber que estava a ajudar o Mati a tranquilizar-se. Soube bem saber que vou sempre tentar ajudá-lo, independentemente da fase da vida dele (e independentemente do colo um dia passar de físico para metafórico). Soube bem estar ali a sentir o coraçãozinho dele. Mesmo estando doente.

Hoje de manhã o Matias já não está bem disposto. Mas não faz mal, porque isto vai passar. Até lá, temos desenhos animados com dinossauros e muitos miminhos.

Santorini 2017 #5

Uns cinco minutos depois do pôr-do-sol a malta debandava em massa de Oia e a vila ficava praticamente deserta. Era quase uma experiência surreal: num minuto tinham pessoas empoleiradas em cima de vocês para tirar uma selfie, no minuto seguinte estavam sozinhos a olhar para o horizonte. Aconteceu isso nos dois dias em que vi o pôr-do-sol do castelo, e sinceramente achei um piadão enorme à coisa. No fim, acabei por ficar com esses momentos gravados na memória: passear à noite por Oia deserta, só com as luzinhas das casas acesas :)



19 de junho de 2017

Esperar.

No Sábado passámos a tarde na piscina em casa da Joana. Partimos de Lisboa super entusiasmados, com o carro a abarrotar de coisas. De manhã eu tinha comprado uma bóia redonda para o Matias e uma bóia em forma de flamingo para a Joana e ainda fiz um tiramisú para levar para o lanche.

O Bernardo veio ter cá a casa e fomos pelo caminho a conversar e a cantar. Eu enchi a bóia do Matias no carro e arrependi-me logo, porque não havia claramente espaço suficiente.

Passámos a tarde a nadar, a aparvalhar, a rir, a apanhar sol, a ver o Rússia - Nova Zelândia, a correr atrás do Matias (que por sua vez corria atrás da gata e da cadela da Joana) e a encher a barriga.

Chegámos a casa às oito e meia, demos um banho rápido ao Matias, deitámo-lo, arrumámos as coisas, fizemos um gin, sentámo-nos no sofá e eu abri o site do Expresso. Já tinham morrido 19 pessoas.

No dia seguinte o Pedro levantou-se para ficar com o Matias e eu só acordei às 11.30h. Quando abri o site do Expresso já tinham morrido 57 pessoas.

Hoje são já 64, e as palavras não saem. Conheço quem esteja no terreno desde Sábado. Vou lendo as actualizações pelas redes sociais e a angústia cresce cá dentro. Isto ainda só agora começou.

Este tipo de coisas sempre mexeu comigo, mas desde que sou mãe é uma sensação indescritível. Talvez porque antes pensava no que seria perder o Pedro, os meus pais, o meu irmão ou os meus amigos, e agora... Tenho um filho.

E nem sequer consigo avançar. Não consigo pensar nisso. A dor é tão grande que é inevitável reprimir esse pensamento.

Se dúvidas restassem sobre o que sinto sobre o meu filho (e não restam), os últimos dias vieram esclarecê-las. Se algo acontecesse com o Matias, eu morria. E pensar nisso enche-me de tristeza. Porque aquelas 64 pessoas morreram, mas levaram com elas as outras que cá ficaram e que morreram também.

Hoje aconteceu uma coisa horrível e tive o pior dia de que há memória no meu trabalho. E cheguei a casa, abracei o Matias, brinquei muito com ele, deitámo-lo, arrumámos as coisas e sentámo-nos no sofá.

Não jantei. Já bebi gin no Sábado, por isso está fora de questão beber novamente (além disso estamos sem gelo). Ontem já comi gelado, por isso está fora de questão comer novamente (além disso já não há gelado). Não fumo (mas apetece-me!).

Há dias em que o mundo é uma merda, e só nos resta aceitar isso. Amanhã vai ser melhor.

Amanhã é sempre melhor. Às vezes só nos sobra mesmo esperar.

15 de junho de 2017

Uma imagem real da maternidade #2

O Matias fez um ano no dia 14 de Maio. No dia 15 de Maio regressei às 'quarenta' horas de trabalho semanais (estava com trinta) e às urgências de doze horas (fazia 'só' dez).

No dia 19 de Maio fomos para Santorini. Foi uma viagem muito gira, mas também incrivelmente cansativa.

Nos últimos oito dias fiz três urgências de doze horas à noite (das 20h às 8h).

O Matias está aparentemente a passar uma qualquer fase. Já está bastante melhor na parte da alimentação (agora 'só' não come fruta e papa, e mesmo assim vai provando um bocadinho) e dorme como um anjinho durante a noite (embora nem sempre durma de dia), mas está claramente numa fase de afirmação e de testar os limites (hello birras). Também está mais fofo a cada dia que passa, mas é um facto que esta está a ser a fase mais desafiante da maternidade (até agora, pelo menos).

14 de junho de 2017

Santorini 2017 #4

Quando mais tempo passa desde que regressei de Santorini, mais gosto da viagem. Eu sei que isto pode parecer uma afirmação estranha e não quer de todo dizer que não gostei de Santorini enquanto lá estive, mas na verdade não nego que estava preocupada. Foi a primeira viagem internacional do Matias, para um sítio com comida 'diferente', com rotinas diferentes e inclusivamente com pessoas diferentes (sem o pai e com a avó e a bisavó, que infelizmente ele não vê tão frequentemente como gostaríamos). É claro que foi divertido e que gostei muito, mas também foi cansativo e desgastante (aliás, esta última frase descreve bastante bem toda a minha experiência de ser mãe nos últimos meses!) :D

Agora, no conforto do meu sofázinho, enquanto o Matias dorme a sua sesta ou brinca com o pai, olho para as fotos e sinto-me tranquila. Não me lembro das sestas que o Matias não dormiu ou das birras que fez. Não me lembro da febre no aeroporto.

Lembro-me de ver o pôr-do-sol. Lembro-me do branco muito branco e do azul incrivelmente azul. Lembro-me dos copos de vinho e de gin. Lembro-me das azeitonas.

Santorini foi uma viagem dos diabos :)



Sou uma seca.

Podia ser corajosa como os Gryffindor. Podia ser inteligente e criativa como os Ravenclaw. Podia ser ambiciosa como os Slytherin...

Mas sou trabalhadora e paciente como os Hufflepuff.

Sou uma seca, portanto.

Não contente com isso, o meu Patronus é um golfinho. Que caca mais Hufflepuff.


(Fazer três noites de urgência em oito dias dá para isto.)

11 de junho de 2017

Manter a calma.

Há uma semana o Matias decidiu entrar em cheio na fase do negativismo e começou a recusar comer em casa.

O desgraçado que até azeitonas comia agora vira a cabeça, empurra o prato, bate na colher, fecha a boca e por vezes cospe. Geralmente não quer comer a sopa (mas depois come quando nos vê a comer a nossa), come bem o prato (quando lhe apetece) e recusa terminantemente a fruta. Também não come a papa, embora coma muito bem o iogurte. Inicialmente passou a beber apenas uns 60ml de leite, mas agora já voltou aos 270ml da praxe (de manhã e antes de deitar). Na escola aparentemente come bem, embora a educadora tenha referido que na Quinta-feira não quis comer a papa e 'forçou o vómito'.

Nós compreendemos o que se passa e não insistimos. Quem conhece o trabalho do Brazelton e o modelo dos Touchpoints sabe que o negativismo é uma fase absolutamente normal e expectável do desenvolvimento, e que o ideal é não entrar em conflito com o bebé.

(Quem não conhece o trabalho do Brazelton e o modelo dos Touchpoints devia conhecer!)

Assim, se o Matias não quer comer a sopa passamos para o prato, se não quer comer o prato passamos para a fruta, como ele não quer comer a fruta volta para a brincadeira novamente e não come absolutamente nada até à próxima refeição. Inicialmente ainda insistíamos, mas agora é tudo muito pacífico: não quer não come, mas também espera até à próxima refeição para comer.

Há possivelmente aqui um componente de anorexia fisiológica do segundo ano, bem como uma certa frustração por querer comer sozinho e não conseguir por ser tosquinho. Adicionalmente, é possível que ele esteja a fazer um surto do desenvolvimento e esteja a recuar na parte da alimentação, tal como anteriormente recuou na parte do sono (que agora anda lindamente, graças aos santinhos!). Além disso, o miúdo anda nitidamente focado na brincadeira e só quer brincar brincar brincar, por isso percebo que nesta fase comer seja uma seca.

Mas caramba, isto é mesmo difícil. É difícil manter a calma. É difícil lidar com a insegurança. É difícil lidar com o cansaço. É difícil não entrar em conflito e depois ter de aturar a resmunguice do miúdo porque tem fome duas horas depois de se ter recusado a comer a papa.

Essencialmente, é difícil manter a calma.

Como organizar uma festa de aniversário (parte I)

O baby shower do Matias foi muito engraçado e diverti-me imenso a planear as coisas, desde a ideia do tema (o Rei Leão) até à saga para encontrarmos um espaço adequado. Depois disso a pancada pela organização de festas ficou, e decidi organizar a festa do primeiro aniversário do Matias sozinha. Já a caminho do planeamento da segunda festa, decidi usar a lista que tinha colocado aqui no blog para dar umas dicas de organização de festas :) Espero que gostem :)

1. Decidir quem organiza

O que disse em 2016: Normalmente a organização do baby shower fica a cargo da mãe da grávida ou das amigas, mas eu decidi imiscuir-me. Vai daí, o planeamento do meu baby shower foi uma tarefa conjunta entre mim, a minha mãe, a Joana e a Maria das Festas, a empresa de organização de eventos. Em alternativa, também pode ser a grávida a planear a festa e deixar que seja surpresa para os convidados :)

O que fiz em 2017: Eu tratei da parte gráfica e da organização logística. Como a festa iria ser ao ar livre, aluguei duas mesas e dez pufes à Maria das Festas. Comprei os produtos na Mr. Party, na Docinho de Açúcar, no Ebay e no Amazon. Encomendei toda a comida, à excepção das espetadas de fruta e das espetadas de tomate e queijo feta.

O que vai acontecer em 2018: Vou tratar da parte gráfica e da organização na mesma, mas vou contratar a Maria das Festas para tratar de tudo. Fazendo as contas acabei por não poupar grande coisa este ano, e nada paga o descanso que é ter alguém que alombe com os pufes por nós (e que trate das coisas mais chatas!) :)

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