31 de março de 2021

Março (parte 2).

A terceira semana do mês foi bastante tranquila. Os miúdos regressaram à escola e nós ao trabalho 'normal'. Aproveitei um dia de teletrabalho para pedir uma salada com falafel da Grow Healthy para o almoço. A semana terminou da melhor forma: a partilhar um gelado da Artisani com o Matias :) Os queques do fim-de-semana foram de lima com recheio de doce de leite! Fomos fazer um trilho a Monsanto com direito a piquenique, e nenhum piquenique fica completo sem as bolachas de amendoim e chocolate (desta vez também com cacau) :D

Salada de falafel de beterraba com couve-flor, tomate-cherry e coleslaw :D

20 de março de 2021

Brownies de chocolate e laranja com curd de maracujá para uma adulta a sério.

The show must go on, the show must go on.
Inside my heart is breaking, my makeup may be flaking,
But my smile still stays on.

Queen


Quando a minha mãe tinha 32 anos, a minha idade, eu já tinha 10. Lembro-me tão bem da minha mãe nessa altura. Da confiança dela, da segurança dela, do investimento que ela tinha em tudo o que fazia. Lembro-me da minha mãe a rir com a Deolinda, a conduzir como uma louca no seu Renault Clio azul (amor esse que eu herdei, mas o meu é amarelo), a acordar mal-humorada, a fumar, a dar-me um abraço à saída da Pull & Bear enquanto eu chorava porque nada me servia. A minha mãe era, aos 32 anos, aquilo que eu via como 'uma adulta a sério'. 

18 de março de 2021

Festa da Anastasia #3

Podia escrever um tratado sobre isto de ter dois filhos tão diferentes e amá-los de formas tão diferentes. 

Eu amo o Matias, mas acima de tudo gosto dele. Gosto da autonomia dele, da persistência dele, da incrível resiliência dele. Gosto do optimismo dele, da sede por experiências novas dele, da criatividade dele. Gosto de olhar para ele e ver o meu entusiasmo misturado com a ânsia de conhecimento do Pedro, a minha inocência misturada com o sentido de humor do Pedro. Gosto da originalidade dele. O Matias não quer ir à Disneyland, quer ir ao Hermitage em São Petersburgo. O Matias não quer uma festa de aniversário da Patrulha Pata, quer uma festa dos DuckTales de 1987. O Matias aprendeu como surgem os bebés a ver o 'Era Uma Vez... A Vida' e escava na terra com os amigos na escola à procura de 'fósseis de dinossauros ou pessoas mortas', mas acredita vivamente no Pai Natal e deixa-lhe cartas no correio. Gosta de escolher a roupa e vestir-se, mas depois leva galochas para as aulas de ginástica e camisolas de manga curta no Inverno. É impaciente com despedidas. Gosta de castanhas assadas mas detesta castanhas no assado. Às vezes levanta-se de madrugada e vem ler livros para o sofá. Não está mal, antigamente assaltava o frigorífico. 

Eu amo a Gabriela e estou a começar a gostar dela. Estou a conhecê-la. Gosto da necessidade dos outros dela, da serenidade dela, da incrível simpatia dela. Gosto do olhar de adoração que ela nos dedica e do sorriso genuinamente feliz que povoa sempre a existência dela. Acho graça à ambivalência que ela sente em relação ao irmão e da cautela que ela tem a explorar a relação entre eles. Gosto do espaço que ela lhe dá se olharmos de forma superficial, só para depois ir em modo ninja roubar-lhe os brinquedos e esconder-se com um ar muito satisfeito. Gosto do jeito calmo dela, como se a vida fosse uma canção lenta, a minha Gabriela da canção. A Gabriela gosta de cães e delira com pombos, a Gabriela adora dizer 'olá', a Gabriela gosta de ter tudo arrumadinho. A Gabriela é do outro como eu e dela própria como o Pedro. É dramática e impaciente como eu, mas pacata e segura como o Pedro. 

São tão diferentes, mas tão nossos. Tão amados. Tão felizes. 

A Gabriela tinha começado a andar há umas semanas :D

Iogurtes de mel e nozes e a fama.

One thing we all adore, something worth dying for.
Nothing but pain, stuck in this game,
Searching for fortune and fame.

2Pac

Na sala de espera de um dos serviços onde estagiei estava ela. Uma famosa. Quando entrou num dos gabinetes, alguém comentou cá fora 'o filho da fulana também tem problemas'. 

Na Feira do Livro onde fui com uma amiga estava ela. Uma famosa. Uma rapariga ao meu lado comentou 'olha, ali está a fulana, não parece tão arranjada como nas fotos do Insta'. 

No Continente onde faço compras estava ela. Uma famosa. 'Parece mais magra do que na televisão, realmente a televisão engorda' - pensei eu. 

Na enfermaria onde fiz urgência interna há umas semanas estava ela. Uma famosa. Todos passaram a saber os antecedentes dela, quem a operou a quê, que fármacos fazia. A notícia demorou três dias a chegar às revistas. 

No serviço de urgência de psiquiatria estava ela. Uma famosa com uma tentativa de suicídio. 'A fama é um peso.', disse ela. 

Na consulta que o Pedro fez a substituir outro colega, começou a explicar à doente que não era o doutor não sei quê. 'Eu sei quem é, sigo o blog da sua mulher', disse a acompanhante. 

Na consulta que o Bernardo fez, a filha do doente disse 'não é o Bernardo, amigo da Joana do blog?'. 

No restaurante da Mealhada em que os meus pais pararam para almoçar a caminho de uma visita a Lisboa, a moça do restaurante perguntou 'não são os pais da Joana do blog?'. 

No Senhor de Matosinhos, na fila do sítio do pão com chouriço, tocam-me no ombro. Era a Andreia. 'És a Joana, adoro o teu blog!'. 

No Instagram, a minha vizinha Raquel diz-me que percebeu que somos vizinhas. 

Quando lancei o livro de queques a editora propôs-me lançar um livro de iogurtes. Eu escrevi-o. Tenho-o no disco externo. E depois não fiz rigorosamente nada. 

Lançar o livro de queques não foi uma experiência agradável. Tinha pesadelos em que as pessoas experimentavam as receitas e mandavam-me mensagens a dizer que tinham odiado. Sentia-me desconfortável nos eventos. Sentia-me uma adulta de chocolate, a realizar um sonho que me caiu no colo. 

Nunca lancei o segundo livro. Lancei-me à especialidade, aos meus filhos, ao meu casamento, à minha vida mundana. Desinvesti do blog. Boicotei-me. 

E sou feliz com isso. Sem livro de iogurtes, mas com receitas de iogurtes na cabeça. E agora sonho com iogurtes, e não com críticas de iogurtes. Sou livre. 

(Olhem, não me importava era de ser rica. Ser rica, sem ser famosa. Isso sim!)

Iogurtes de mel e nozes

Ingredientes (para sete iogurtes):

* Um litro de leite fresco meio-gordo;
* Três colheres de sopa de leite em pó;
* Um iogurte natural;
* Mel q.b.;
* Nozes esmagadas em pedaços pequeninos q.b.

Confecção:

* Num tacho colocar o leite fresco e o leite em pó e mexer com uma vara de arames;

* Levar ao lume até ferver e deixar arrefecer;

* Quando estiver morno juntar o iogurte, misturando com a vara de arames;

* Distribuir o mel e as nozes pelos copinhos;

* Cobrir com o leite e levar à iogurteira durante cerca de doze horas;

* Transferir para o frigorífico durante pelo menos quatro horas.


16 de março de 2021

Grândola 2020 #3

Nos dias restantes das nossas férias em Grândola a Gabriela manteve-se com febre (teve um exantema súbito), por isso ficámos pela casa a piscinar :D 

Que saudades :D

15 de março de 2021

Festa da Anastasia #2

E hoje foi dia de regresso às rotinas anteriores (não digo às rotinas normais porque nos últimos doze meses passámos quatro confinados, acho que já começa a fazer também parte da nossa rotina). O Matias foi felicíssimo para a escola, a Gabriela queixou-se um bocadinho mas ficou logo bem (gosto de pensar que se convenceu com o facto de poder finalmente ver o irmão pelas costas). O Pedro foi trabalhar para o hospital, eu fiquei a trabalhar em casa. Aproveitei para tratar de uns assuntos pendentes, e no fim do dia fui ao cabeleireiro. Amanhã regresso ao hospital e aos treinos com a minha PT (entre a minha contractura do trapézio e o tilt global das últimas semanas, a minha frequência de treinos tem sido uma vergonha). 

Os miúdos regressaram felizes da escola. A Gabriela foi dormir a sesta às 16.30h e acordou às 19h. O Matias contou que esteve a escavar armadilhas com os amigos e que os convidou para a festa de aniversário dele. Há sopa de brócolos feita e vitela assada com batatinhas para o jantar. Há amêndoas com coco, as minhas preferidas. Chegaram os meus auscultares novos e marcámos um fim-de-semana romântico para o aniversário do Pedro. Andamos a fazer um percurso pela rota do Zêzere, naquela que é sempre a fase mais divertida de qualquer viagem: a construção do sonho. 

Hoje o Matias aproximou-se com cara de caso e perguntou se a festa dele podia ser com o tema dos DuckTales (andamos a ver com ele a série de 1987, no fundo tivemos filhos para podermos rever estas pérolas) e se podíamos fazer 'um almoço do Asterix'. Já tinha tudo planeado: segundo ele a festa dos DuckTales 'era para os cinco anos' e a dos dinossauros 'passava para os seis', enumerou a lista de convidados para o almoço do Asterix e as comidas: 'poção feita com morangos, bolachas de dinossauros herbívoros 'a fazer de conta que são os amigos do Panoramix', bolachas de dragão 'porque os dragões são maus e por isso fazemos de conta que são os romanos', javalis e mirtilos'. Perguntou se a festa podia ser amanhã, e se não fosse pela lista de convidados juro que fazia, tamanho foi o entusiasmo com que o miúdo falou daquilo. Por via das dúvidas, vou criar um painel do Pinterest na mesma. Meu rico filho, a passar-se para o lado negro da força :D

Macarons da Arcádia :D

Março (parte 1).

Março começou com um passeio pela natureza, na Lagoa Azul :) A Lagoa Azul foi o primeiro sítio onde desconfinámos em Maio do ano passado, e apesar de desta vez ainda estarmos em confinamento, sentimos necessidade de lá voltar para recarregar energias depois de uma semana mais difícil. Foi também no início de Março que comecei o meu estágio na Fundação Champalimaud, onde tenho aprendido imenso! Passei umas quantas horas de almoço a caminhar até à Torre de Belém e ao Padrão dos Descobrimentos :) Os iogurtes da semana foram de ananás, manga e coco! A chegada das nossas novas chávenas de café da Vista Alegre deram o mote para uma mini-tarte de amêndoa caramelizada deliciosa :D Construímos mais um forte (é praticamente o estado permanente da nossa sala neste momento) e o Matias pediu queques de Nutella, por isso saíram uns queques (e um bolinho) de cenoura e chocolate com recheio de Nutella! O Pedro estava com desejos de hambúrguer, por isso mandámos vir da 100% Hamburgueria. Acabámos a semana da melhor forma: com um passeio pela Tapada das Necessidades num fim de tarde lindíssimo. 

Na Lagoa Azul

11 de março de 2021

Festa da Anastasia #1

É para mim impressionante como passaram dois meses desde esta festa. Juraria que foi há dois anos, tal é a quantidade de eventos que aconteceram entretanto. Uma nova vaga pandémica, o encerramento das escolas, nós em rotatividade cá em casa, eu a fazer imensas noites para assegurar os respectivos dias, o regresso às urgências na medicina sete anos depois, a loucura das nossas próprias urgências na pedopsiquiatria, a minha contractura do trapézio que coincidiu com o agravamento da hérnia do Pedro, o fim de um estágio particularmente ansiogénico... Olhando para trás, não foram dois meses nada fáceis. 

Olhando para a frente, sei que os próximos dois meses não vão ser perfeitos, mas sei que vão ser pelo menos mais tranquilos. Todos os nossos amigos estão vacinados, os nossos familiares estão protegidos (como sempre estiveram, ninguém ficou doente até agora), as escolas abrirão eventualmente (e parece que estará para breve), os miúdos voltarão à escola, com o tempo voltaremos ao chouriço assado na esplanada no fim da tarde e ao passeio aos museus no fim-de-semana. Este mês estou na Fundação Champalimaud mas no próximo vou iniciar um estágio que vai durar um ano, o que traz alguma noção de estabilidade para as nossas vidas. 

Venham daí os próximos desafios :)

A mesa :D

10 de março de 2021

Bolachas húngaras e as mudanças.

And now I tell you openly: you have my heart, so don't hurt me.
You're what I couldn't find, a totally amazing mind, so understanding and so kind.
You're everything to me.
Oh, my life is changing everyday, in every possible way.
And oh, my dreams, it's never quite as it seems, 'cause you're a dream to me.

The Cranberries

Eu e o Pedro tínhamos a vida desenhada. Íamos casar, ter um filho, acabar o internato, mudarmo-nos para longe, comprar uma casa, ter outro filho, ter outro filho, talvez ter outro filho, talvez ter outro filho. Viver longe de Lisboa, numa casa nova com quintal, com os nossos 'não menos de três, não mais de cinco' filhos. 

Não sei quem mudou de ideias primeiro. 

Adiantar a chegada da Gabriela foi uma decisão mútua. Inicialmente queríamos terminar o internato o mais depressa possível e mandarmo-nos daqui para fora, mas depois da vinda do Matias ficámos loucamente apaixonados por sermos pais e quisemos mais e mais depressa. Vai daí, a decisão 'ter outro filho' adiantou-se à 'acabar o internato', que se tudo correr bem é o próximo item da lista (no próximo ano). Mas o que nos acontece depois ainda é uma incógnita. 

Porque agora eu não quero sair de Lisboa e o Pedro não quer ter mais filhos. 

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