19 de outubro de 2019

Esta questão das urgências fechadas.

É assustador ler as notícias sobre o SNS ultimamente. Para nós médicos não é nada de novo, e há anos que andamos a queixar-nos da degradação daquele que foi em tempos um dos melhores sistemas de saúde públicos do mundo. Mas ultimamente andamos ainda mais frustrados e assustados, talvez porque os problemas chegaram a áreas como a obstetrícia e a pediatria, que foram nos últimos anos as áreas mais investidas e mais desenvolvidas da medicina no nosso país (não é à toa que temos uma das menores taxas de mortalidade infantil do mundo, à frente de países como o Reino Unido, a Holanda ou os Estados Unidos).

Ler as notícias sobre o encerramento das urgências de obstetrícia e de pediatria deprime-me. Ler sobre colegas que cometem erros grosseiros por razões que aparentemente ninguém compreende muito bem deprime-me. Saber de coisas que não passam para os jornais deprime-me. Ler comentários da malta deprime-me. Perceber que há uma enorme desinformação sobre aquilo que se passa deprime-me.

'Andamos aqui a pagar-lhes o curso e depois vão ganhar rios de dinheiro para os privados.' - dizem.

Bem, em nossa defesa nós pagamos propinas, tal como o resto do pessoal. Além disso, presumo que a esmagadora maioria das pessoas tire o curso (subsidiado também pelo Estado) e vá trabalhar para empresas privadas, por isso também seria válido para toda a gente que não fosse funcionário público. Dizem que medicina é um dos cursos mais caros, mas para ser muito sincera não percebo muito bem porquê. Os nossos tutores não são pagos, temos aulas como as outras pessoas, assim na loucura na minha faculdade havia dissecções mas com pessoas que tinham doado o corpo, os hospitais já lá estão a funcionar sem nós, não estou a ver onde pode estar esse investimento tão grande.

Em relação ao facto de irmos 'para o privado', vou falar do assunto abaixo.

'Era obrigarem as pessoas a saírem das grandes cidades e a entrarem no público no interior.'

Nos últimos anos a grande maioria das vagas da grande maioria das especialidades é em hospitais pequenos, precisamente na tentativa de atrair mais médicos para locais mais carenciados. O problema é que nesta fase da vida (o fim da especialidade) as pessoas já têm mais de trinta anos, muitas vezes são casadas, os companheiros têm empregos fixos, têm casa, têm filhos. Conheço alguns colegas que arriscaram e mudaram toda a sua família para outro local, mas a grande maioria opta por desvincular-se do público e ir trabalhar para o privado. Não por dinheiro, mas porque quer ficar no sítio onde já vive, às vezes onde viveu durante a vida toda. Anos após ano, o concurso começa e simplesmente não há vagas nas grandes cidades, que estão a ficar também cada vez mais carenciadas (os colegas reformam-se, ou saem, os internos vão segurando as pontas mas acabam o internato e vão à vida deles).

'Mas os professores saem de casa, às vezes sem a família!'

Saem, e eu acho um escândalo. Mas nós não precisamos. Se não existissem privados, obviamente que tínhamos de fazer o mesmo (pessoalmente eu até acho que não deviam existir, mas isso é a minha educação comunista a falar), mas existem, há alternativas não controladas pelo Estado e por isso ninguém nos obriga a aceitar um contrato no público longe de casa.

'Só querem dinheiro.'

Sabem quanto oferecem aos meus colegas da pediatria para irem fazer bancos para o Garcia da Orta? Muito dinheiro mesmo. E as urgências continuam a estar fechadas. Acham que é porque não queremos dinheiro? Asseguro que queremos. Não queremos é más condições de trabalho e estar sozinhos numa urgência com a responsabilidade de assegurar tudo o que vier (emergências, traumas, coisas complicadas). Não há dinheiro que pague a insegurança de estarmos sozinhos com a vida de um miúdo nas mãos, e é por isso que todos trabalhamos em equipas nos serviços de urgência. Além disso, também sabemos que aceitar este tipo de condições, por mais apetitosas que pareçam do ponto de vista financeiro, não resolve o problema de base, e ninguém quer compactuar com isso.

Nos últimos anos saíram imensas pessoas da pediatria do Garcia (os jornais dizem que foram treze) e este ano só abriram quatro vagas para assegurar o trabalho de treze pessoas. Essas vagas ficaram vazias, porque ninguém quer correr o risco de entrar sozinho. E a culpa não é nossa. Pensem no seguinte:

Passam a vida inteira a estudar. Tiram médias altíssimas no secundário. Passam mais seis anos num curso super frustrante, que tem pouco de médico e muito de teórico, com maior ou menor competitividade com os colegas consoante a faculdade, com professores pouco disponíveis e estágios muitas vezes sofríveis. Entram numa especialidade de quatro, cinco ou seis anos onde é esperado que saibam automaticamente o que é para fazer, que estudem, que façam mil artigos e apresentações científicas em congressos, que vejam doentes em quinze ou vinte minutos e que façam dois bancos por semana, às vezes de 24h, muitas vezes sem direito a folgas compensatórias (volto a dizer que o Pedro em dias de banco trabalhava das 8h às 15h, entrava novamente às 20h, saía às 8h e ia operar até às 15h, e isto estava contemplado no horário de trabalho dele e não ganhava mais por isso, e na esmagadora maioria das vezes não conseguia descansar mais do que duas horas. Sentem-se seguros por saber que um médico que nas últimas 24h trabalhou dezanove e dormiu duas vai operar um dos vossos olhos?). Quando acabam a especialidade querem mesmo ir enfiar-se sozinhos num hospital e fazer dois bancos de 24h por semana a ganhar mais mil euros? Não há dinheiro que pague trabalhar 24h seguidas em más condições, acreditem em mim. A prova disso é o facto das urgências continuarem a fechar.

(E os zunzuns da obstetrícia terminaram, mas as urgências continuam a fechar. Ainda na semana passada um serviços de urgência dos maiores hospitais da zona de Lisboa fechou durante o dia porque não tinha obstetras suficientes para assegurarem o bloco de partos. As pessoas foram encaminhadas para outros hospitais, que já de si estão a rebentar pelas costuras, com prejuízo das grávidas e dos seus bebés.)

A par disto, é inegável que os privados e os público-privados oferecem contratos muito mais apetecíveis: muitas vezes com 30h, sem urgências, com horários flexíveis e com salários iguais aos oferecidos no público. Já falei aqui do caso do Pedro, que ganha sensivelmente o mesmo que ganharia se tivesse ido a concurso para ficar no público (até um bocadinho menos) mas tem uma vida infinitamente melhor. Não é uma questão de ambição ou de falta de vontade de trabalhar, simplesmente queremos boas condições de trabalho. Ou razoáveis, pronto. Não me choca nada que os colegas da pediatria façam exactamente a mesma coisa.

O que nos traz a questão: então o que fazer para resolver a questão gritante do Garcia? Talvez levar para lá uma equipa inteira, ou seja, contratar dez pessoas ao mesmo tempo (ou mais)? E dar-lhes benefícios específicos por estarem num hospital mesmo carenciado? Não sei. Não sei mesmo. E isso deprime-me.

Quase que tenho inveja das pessoas raivosas que comentam que o problema é sermos todos uns cabrões, mandriões e chulos. Ao menos, essas sabem todas as respostas. Eu não sei nenhuma, e não conheço médicos que saibam. Só nos resta mesmo olhar à nossa volta e ficar deprimidos.

15 de outubro de 2019

Pregnancy Diary #51

Quando há três anos as pessoas à minha volta sugeriam levar maquilhagem para a maternidade 'para dar um ar mais compostinho', eu achava que a malta não devia andar boa da cabeça. Pensava sempre que a última coisa que ia querer depois de ter um filho era maquilhar-me, e além disso as pessoas que iam visitar-me ao hospital não podiam estar menos importadas com isso. O Matias nasceu e eu não senti a mínima necessidade de estar pintada ou arranjada de alguma forma. 

Desta vez estou diferente.

Nem estava com mau ar, vá :D
E esta fofura da mãezinha aos dois dias? Estou mortinha que a nossa Gabi nasça :D :D :D
Agora quando marquei a depilação (desta vez marquei à confiança para as 38 semanas, espero que a miúda não decida nascer mais cedo!) aproveitei para marcar uma data de bodeguices fúteis: pedicure, cortar e pintar o cabelo (a minha obstetra diz que não há problema) e até pôr gelinho nas mãos pela primeira vez (a minha obstetra também diz que não há problema). Continuo sem qualquer vontade de levar maquilhagem para o pós-parto, mas isso é porque não sou de todo fã de estar maquilhada e sinto-me sempre pouco confortável. De resto, vou em modo cheguei como se fosse para um evento social e não para uma espécie de tortura medieval.

Beyonce Cheguei Desfilando Glamour GIF - Beyonce ImHere Modeling GIFs

Não sei bem a razão desta mudança. Sou a mesma pessoa, claramente vou receber as mesmas visitas, vai ser necessário um maior esforço adaptativo e uma gestão diferente das dinâmicas familiares (porque agora já há o Mati) e às vezes penso que ter o cabelo sem brancas devia ser a última das minhas preocupações. Mas pronto, se calhar são as hormonas. Se calhar é desta vez ser miúda. 

Vá-se lá compreender :D

Pregnancy Diary #50

A semana passada foi um horror: andámos toda a semana em obras, com a casa cheia de pó e com as paredes esburacadas, sem água quente, com consultas todos os dias. Cada dia havia um problema qualquer: os canos de água fria também não estavam bons, um cano partiu, as obras iam demorar mais tempo, era preciso esburacar mais parede ainda e chamar o pedreiro depois. Chorei todos os dias.

Até que ontem, de repente, tudo passou. As obras terminaram. E nós sentíamos tanta necessidade de organização que os senhores saíram de cá às duas da tarde e nós já tínhamos a casa toda limpa às cinco. Depois começou a saga da roupa: lavar e secar os lençóis, pijamas, toalhas, tapetes, cobertores, enfim.

Terminou. Ficou tudo bem. No fim, correu tudo melhor que o esperado. Tudo passa. All things go.

Entramos agora na semana 35, e esta semana não vou fazer nada. Vou dormir, vou deitar-me no sofá, vou sentir-me finalmente mais tranquila. Vou aproveitar esta calma e esperar pela próxima tempestade :)

10 de outubro de 2019

Halloween 2019 #2

Na gravidez do Matias desceu sobre nós toda uma urgência em fazer obras em casa. Pintámos a casa toda, afagámos o chão, instalámos candeeiros novos, pintámos os móveis, redecorámos... Enfim, foi uma animação.

Entretanto passaram quatro anos, e juro que pensei que desta vez ia ter uma gravidez mais tranquila nesse aspecto. Tínhamos algumas coisas pequeninas para tratar, mas nada assim do outro mundo. Aproveitei o facto do Pedro andar muito menos peixe morto e fomos fazendo tudo com calma, até que na Segunda-feira depois de substituirmos dois vidros pequenos da porta da sala que estavam partidos pensei:

'Pronto, já está tudo feito.'

Já estava tudo feito. Na minha lista de tarefas sobravam itens que só vou fazer daqui a algumas semanas (montar o berço, montar o ovo no carro, ir à depilação, acabar a mala da maternidade, por aí), e senti finalmente que estava tudo preparado para a chegada da Gabriela.

Na Terça-feira estava a tomar banho, e depois de desligar a água para pôr champô ficámos sem água quente. Tive literalmente de acabar o banho com água fria (cena mega desagradável), e depois de uma breve inspecção achei que o problema seria do esquentador.

Chamei o senhor do esquentador, que disse que o problema era dos canos. O prédio onde vivemos tem trinta anos, os canos são antigos e estão enferrujados. Chamei o canalizador, que foi da opinião que temos de instalar novos canos de água quente, o que nos vai gastar três dias e um orçamento com quatro dígitos. Enquanto isto, não temos água quente nas casas-de-banho (só na cozinha) e a Gabriela nasce no próximo mês.

Claramente estamos perante uma casa assombrada.

Enquanto esperamos que as obras comecem, só sobra mesmo respirar fundo, pensar que o que tem de ser tem muita força e continuar a festejar a chegada do Outono e a aproximação do Halloween.

Como diz o Sinatra: that's life :)

That's life, that's what people say, you're riding high in April, shot down in May.
But I know I'm gonna change that tune, when I'm back on top, back on top in June.

Mais decorações de Halloween: Mickey da loja da Disney, vela de gengibre da Primark :)

7 de outubro de 2019

Pregnancy Diary #49

Por cá, há pouco para contar. Como diriam os Da Weasel nessa obra-prima que é a Mundos Mudos:

'A vida corre tranquila, cada vez menos reguila, meto guita de parte e a cabeça não vacila tanto. Para minha alegria e meu espanto pode ser que o passado fique por onde deve estar: no pretérito imperfeito, já que não é mais-que-perfeito. Este é um presente que eu aceito para atingir a tranquilidade que supostamente se atinge com a nossa idade.'

(A propósito, não acho a música do Valete nada de chocante, pelo menos para quem está habituado a ouvir rap português no geral e Valete em particular. Não é o meu caso agora, mas foi o caso da Joana adolescente revoltada. Vão lá ouvir a Roleta Russa até ao fim e digam se não é pesado como o caraças - e tem na mesma uma mensagem super forte, quando a ouvem até ao fim.)

(Escrevi esta publicação a matar saudades das músicas que ouvia na minha adolescência, e quando ouvi a Todos Gordos dos Mind Da Gap apercebi-me que foi lançada em 2000. Há quase vinte anos. Vinte. Anos.)

Estamos nas 34 semanas. Hoje tive consulta de cardiologia e está tudo controlado. Amanhã tenho acupunctura porque ando cheia de dores numa costela e a fisioterapia não tem ajudado. Quarta vou ao centro de saúde. Quinta tenho consulta de obstetrícia. Sexta tenho consulta com a consultora de lactação. Sábado vou fazer bolinhos de abóbora com a minha avó. Domingo tenho um casamento.

A vida corre tranquila.

O Matias acorda por volta das 8h e começam as já habituais rotinas do nosso dia: enquanto o Matias vai brincar para a sala eu fico a arrumar, fazer as camas, pôr roupa a lavar, tirar louça lavada da máquina e passar o espanador no chão. Geralmente arrumar é a primeira coisa que faço de manhã porque ajuda-me bastante a acordar, e o Matias também não se importa nada de ter tempo para brincar antes de ir para a escola brincar mais :)

Visto-me, o Matias veste-se (agora faz questão de vestir-se sozinho, diz que já é crescido), tomamos o pequeno-almoço, ajudo-o a lavar os dentes, escolhemos um brinquedo e vamos para a escola, de carro ou a pé se estiver a sentir-me particularmente energética, onde o Matias chega por volta das 9.30h.

Passo o resto do dia a fazer coisas, a ver stand up no Netflix (gosto imenso do Dave Chappelle e da Ali Wong), a ouvir música, a dormir sestas e a fazer planos. Vou buscar o Matias à escola e brincamos, lemos, jogamos à bola ou cozinhamos.

A vida corre tranquila.

Achámos as eleições emocionantes, e seguimos os resultados em directo durante horas. Ouvimos todas as conferências de imprensa, discutimos o assunto e pensámos em conjunto. Continuo a achar que se discute pouca política no nosso país (mas pode ser porque venho de uma família de comunistas), que sabemos pouco sobre os partidos em que votamos e que confundimos as posições económicas com as sociais (ser de esquerda não é a mesma coisa do que ser libertário, nem ser de direita é a mesma coisa que ser conservador). Pessoalmente eu acho sempre útil usar ferramentas como a bússola política.

Enfim, a vida corre tranquila.

1 de outubro de 2019

Baby shower do Nemo #3

Hoje o Matias acordou às 8h. Ultimamente tenho tido zero pressa em levá-lo à escola, por isso ele veio ao quarto perguntar-me as horas, disse 'vou brincar para sala' e eu fiquei a dormir mais um bocado enquanto ele brincava com os dinossauros. Vestimo-nos nas calmas, o miúdo chegou à escola por volta das 10h e eu cheguei a casa, vi o 'When Harry Met Sally' (nunca tinha visto), vi um episódio de House, almocei (tínhamos rolo de carne do jantar de ontem), dormi quase 4h de sesta e fui buscar o Matias. Fomos ao parque e depois brincámos em casa. A Joana ligou e acabou por passar cá para começarmos a cortar a abóbora. Só conseguimos fazer uma parte (cortar a tampa e tirar a polpa), por isso amanhã há mais. Jantámos esparguete à bolonhesa e o Matias acordou a choramingar e a queixar-se 'da boca'. Sacámos da parafernália médica e não vimos nada na garganta, embora ele estivesse rouco e tivesse um ouvido inflamado. Entretanto ele adormeceu, nós arrumámos a cozinha e pastelámos mais um bocado. Foi um dia mesmo bom. Amanhã há mais :)



30 de setembro de 2019

Baby shower do Nemo #2

Tenho andado mesmo bem. Quer dizer, entre a anemia e o avançar da gravidez sinto que fisicamente estou ainda mais debilitada, mas ando estranhamente animada. Acho que a fase em que me canso de ter pena de mim própria chegou finalmente :)

Ajuda estar cada vez mais perto do fim. Amanhã começa Outubro, e sei que Novembro vai chegar num tirinho e vou ter a minha miúda nos braços. Tenho zero angústias em relação ao parto, muito pelo contrário: estou ansiosa que chegue o dia :D

A menina da canção já tem imensos vestidos, todos cor-de-rosa e com folhos. Não sei que pancada é esta, mas asseguro-vos que é grave, e depois de ter passado anos a achar que este não era nada o meu estilo e meses a achar que estava triste porque ia ter uma menina, agora dou por mim a comprar vestidos para o Natal (com folhos, claro!), e lamento informar que a Gabriela até já tem fato para o Carnaval (que também tem folhos, claro!). A sério, que tolice é esta? Os meus amigos já avisaram que se começar a planear a festa do primeiro aniversário fazem uma intervenção :D

Enfim, já faltou mais. Acho sinceramente que não vou ter grandes saudades desta fase (a gravidez, entenda-se), mas enquanto cá estamos vamos aproveitando :)



Setembro.

Setembro foi um mês tendencialmente tranquilo. Entrei no mês logo a matar e tive uma primeira semana de loucos com imensas actividades, ao que se seguiu um episódio de contracções chatas que fez com que ficasse mais focada em relaxar e descansar.

Logo na primeira semana as férias acabaram e o Matias voltou à creche. O Bernardo partiu para Roterdão, onde vai viver durante três meses. Nós celebrámos o nosso quinto aniversário de casamento com um almoço no Hard Rock Cafe e o sempre delicioso bolo de morangos e chantilly da Frutalmeidas. Também aproveitei um dia em que me sentia particularmente energética para iniciar a decoração da casa para o Halloween, comprei uma nova máquina de fazer cappuccinos (a antiga avariou-se), fui a um piquenique no Jardim da Estrela para a despedida de solteira da Sofia e cozinhei uma tarte de Oreo e chocolate e umas múmias de salsicha assustadoras. A semana acabou com a nossa visita anual ao Jardim Zoológico!
 
Bolo de chantilly e morangos da Frutalmeidas com os nossos segundos bonecos do bolo (longa história!)


29 de setembro de 2019

Baby shower do Nemo #1

Quando eu era criança o habitual era haver festas de aniversário em casa, com direito a bicos de pato com queijo e fiambre, batatas fritas de pacote e quantidades industriais de refrigerantes cheios de açúcar do bom. Depois ainda trazíamos para casa aqueles saquinhos de plástico com o Mickey cheios de caixinhas de Pintarolas, rebuçados e gomas. O mais parecido que podíamos ter com uma festa temática era o bolo do campo de futebol da Torta de Noz (que era delicioso by the way).

Eventualmente, andaria eu pelo terceiro ou quarto ano, o paradigma das festas mudou. Abriu um sítio enorme de organização de festas em Matosinhos, daqueles onde os miúdos andam aos pinotes e a trepar estruturas sem meias, e a grande maioria dos meus amigos passou a ter festas dessas, para grande desagrado aqui da criança pastelona e sem grande gosto pela escalada. Tive uma festa dessas uma vez, não fiquei grande fã.

A partir do quinto ou sexto ano, as festas eram diferentes: íamos todos de autocarro até ao NorteShopping, onde víamos um filme aleatório qualquer no cinema (já experimentaram ver o The Libertine com um bando de miúdos de catorze e quinze anos?), lanchávamos no McDonald's, recebíamos uma prenda e fim.

No décimo já éramos todos super crescidos, e as festas incluíam passar a noite em casa das amigas e ver filmes de terror. No meu tempo (e no meu meio) não havia jantares nem saídas à noite (e creio que se houvesse os meus pais também não deixariam que eu fosse).

Já com o meu irmão foi tudo diferente - sou capaz de apostar que ele nunca foi a uma festa de aniversário em casa de nenhum amigo porque saltou directamente para as festas organizadas em espaços, e também creio que ir ao cinema já não se usava tanto na fase dele. Por outro lado, era comum e frequente haver jantares e saídas à noite.

Agora o paradigma das festas voltou a mudar, e muita gente acha isso mal. Agora as festas são em jardins ou em espaços, com decoração a condizer, tema, bolo com pasta de açúcar, balões e bandeirolas. Casar agora envolve um ano de planeamento (ou mais!), os baby showers são comuns, as despedidas de solteiro envolvem frequentemente fins-de-semana no estrangeiro (pelo menos no meu meio) e os aniversários já são mais pomposos.

Agora, as festas dos miúdos são eventos.

Vocês sabem o quanto eu adoro estas coisas. Há dias em que penso que devia desistir da medicina e abrir uma empresa de organização de eventos em conjunto com a minha mãe, mas depois penso em todas as festas da Patrulha Pata que ia ter de organizar e fico desmotivada - afinal, eu gosto é de planear as minhas festas, com os temas que eu gosto (vá, também planeei a festa do Harry Potter da Joana, mas também era com um tema que eu adoro!). Mas às vezes confesso que sinto falta da simplicidade das festas da nossa infância, e sou assaltada por uma espécie de velhice-do-Restelo, aquele saudosismo que nos faz sempre ver a nossa infância com uns óculos cor-de-rosa.

Para mim, as festas de aniversário do Matias têm sido perfeitas nesse aspecto: posso aliar a doideira toda dos pratos a combinar com as comidinhas feitas em casa. Por outro lado, recordava-me que o baby shower do Matias tinha sido super divertido, possivelmente porque não tive que mexer um dedo para que acontecesse (e porque adoro festas).

Depois da festa de aniversário deste ano, em que eu (já grávida) e o Pedro até andámos a arrastar mobília, a minha mãe proibiu-me de repetir a proeza com o baby shower da Gabi. Inicialmente confesso que fiquei sentida, mas depois da festa da Joana (e de ter passado a noite cheia de dores) pensei que se calhar não era assim tão má ideia.

Quando o baby shower acabou senti-me seriamente ambivalente. Por um lado, sei que teria gostado mais de ter sido eu a organizar tudo (embora a Maria das Festas tenha sido bastante fiel às minhas ideias). Por outro lado, também sei que dificilmente teria capacidade física para conseguir semelhante proeza sem levar com umas contracçõezinhas de brinde.

No fim, foi giro... Mas mal posso esperar por organizar a próxima festa (que segundo o Matias será do Plants vs. Zombies) :D

Para quem perguntou, geralmente uso o Pinterest para tirar ideias e organizá-las. Podem ver o meu perfil aqui, a minha pasta do Nemo aqui e a minha pasta do Plants vs. Zombies aqui :D

Bolo de limão com recheio de brigadeiro de chocolate e cobertura de buttercream de limão. Não gosto nada de pasta de açúcar, mas para vos ser muito sincera também começo a achar o buttercream um bocado enjoativo. Se calhar vou mesmo render-me à pasta de açúcar nas próximas festas :)

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