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16 de janeiro de 2023

Serra da Estrela #1

A ideia para esta viagem surgiu de repente, na 563ª vez que vimos o Frozen: e se pegássemos nos miúdos e fôssemos procurar neve? Eles aderiram logo, marcámos um casa sem grandes pesquisas e partimos. Sabíamos que corríamos o risco de não ver neve (fomos no início de Dezembro, em Évora ainda estavam uns quinze graus ou mais), e por isso planeámos de acordo com isso: ficámos na parte sul da Serra da Estrela para estarmos mais perto de casa, seleccionámos alguns pontos onde queríamos passear também, e aproveitámos para colar um percurso pelo Alto Alentejo no regresso. Quando lá chegámos, o drama: esqueci-me do planeamento do percurso no computador em casa, e por isso íamos ter de improvisar. E quem me conhece sabe que eu não me dou particularmente bem com esse conceito. 

Mas olhem, parece que há uma primeira vez para tudo :D

Ficámos na Quinta da Feteira, em Tortosendo

16 de julho de 2020

Serra da Estrela 2020 #5

Somos adeptos de preparar as mudanças com calma e tranquilidade. No dia a seguir a ter o teste de gravidez da Gabriela positivo, dissemos ao Matias que ia passar a ter 'uma cama dos crescidos' no quarto dele, e que a cama de grades iria passar para a divisão que na altura chamávamos 'a lavandaria' e que agora é o quarto da Gabriela. Não queríamos que ele associasse a saída da cama de grades à chegada da irmã, mas a verdade é que efectivamente estavam relacionadas. Quando a irmã nasceu e passou a dormir na cama de grades foi para ele algo natural, afinal 'é uma cama de bebés e a mana é um bebé'.

Logo no início de Setembro eu regresso ao trabalho, o Matias vai mudar de escola e a Gabriela entra na creche. Vão ser muitas mudanças ao mesmo tempo, e decidimos tentar preparar-nos o melhor possível em relação às rotinas da manhã. Sou eu a prepará-los e a levá-los sozinha em quatro dos cinco dias da semana porque o Pedro entra muito cedo, por isso é importante para mim conseguir fazê-lo depressa, para tentar dormir o mais possível.

Sempre tivemos a nosso favor o facto do Matias ser um miúdo autónomo, e já há meses que ele acorda, levanta-se e vai à cozinha buscar qualquer coisa para comer (temos sempre disponível pão, queijo e fiambre fatiados, cereais, tortilhas de arroz e fruta, ele sabe deitar o leite no copo e bebe-o frio e às vezes gosta de ser imaginativo e comer amendoins ou chocolate de culinária). Depois fica na sala a brincar até eu acordar, e até agora eu vestia-o, lavava-lhe os dentinhos e estávamos prontos para sair. Mas nas últimas semanas tenho tentado incentivá-lo a vestir-se sozinho enquanto eu oriento a Gabriela... E não está a ser nada fácil.

Não é pelo acto de vestir sozinho, porque isso o Matias domina perfeitamente e já há meses que se veste sozinho depois do banho à tarde. É porque de manhã, entre a resmunguice, os 'não quero ir à escola', andar atrás de mim pelas diferentes divisões da casa e perder roupa pelo caminho, recusar-se a vestir, dizer que quer brincar, distrair-se de dez em dez segundos e por aí fora, é frequente nós estarmos prontas para sair e o Matias estar de pijama.

Têm sido manhãs do demo mesmo, e confesso que quando deixo o miúdo na escola cai sobre mim um alívio que nunca senti antes. O problema é que há uns tempos as manhãs más eram esquecidas mal chegava ao trabalho e ficava ocupada, agora as manhãs más não terminam quando vejo o miúdo pelas costas: há que chegar a casa, deitar a Gabriela para a sesta da manhã, arrumar as coisinhas, preparar-me, ter PT três vezes por semana, orientar refeições e mais o diabo a sete, e quando dou por mim já são 15h ou 16h e é hora de ir buscar o Matias outra vez.

As tardes correm significativamente melhor que as manhãs, mas mesmo assim noto que há em ambos um desgaste que não existia.

E depois penso nestas férias. Penso nos dias tranquilos, em acordar devagar, em sair de casa para o ar frio da serra e ir viver mais uma aventura. Penso no quão relaxados e felizes estávamos todos, e sei que consigo fazer melhor. Tenho de fazer melhor, porque na maior parte dos dias ainda não são 9h e eu já estou com vontade de beber ou de laquear as trompas.

Vamos a isto.

Criançada na sesta, papás a relaxar

14 de julho de 2020

Serra da Estrela 2020 #4

Por aqui já se sente o cheirinho das próximas férias. Íamos partir nos próximos dias em direcção ao Porto, mas aconteceu um imprevisto e não sabemos se vai dar para ir. Por outro lado, partimos novamente daqui a duas semanas para mais uns dias de férias em família :) Esperemos que sejam tão bons como os últimos (vá, tirando a parte da cabeça partida!) :)

Jantar grelhado na brasa (que aqui não estava bem em brasa na verdade, estávamos a tentar acelerar o assunto porque era hora de deitar o Matias) :)

13 de julho de 2020

Serra da Estrela 2020 #3

Com as nossas aventuras do costume nem tenho partilhado grandes fotos da nossa viagem à Serra da Estrela. Aqui vão, e espero que vos tragam um bocadinho de fresquinho nesta Segunda-feira tão quente :)

No caminho para a casa onde ficámos :)

1 de julho de 2020

Serra da Estrela 2020 #2

Tenho andado a sentir-me um bocadinho... Sozinha, talvez. Depois das férias na Serra da Estrela o Pedro tem trabalhado mais do que o habitual (o hospital dele é um dos mais afectados), por isso acabo por estar mais tempo com os miúdos. Levo o Matias à escola, regresso a casa (às vezes com uma paragem da esplanada para tomar o pequeno-almoço, mas nem tem acontecido muito ultimamente), deito a Gabriela para dormir a sesta e fico embrulhada nas minhas tarefas de mãe suburbana, como se estivesse dentro da música dos ratinhos da Cinderela:

Cinderela, Cinderela, noite e dia Cinderela,
Faz a sopa, lava a louça, passa a roupa, pobre moça.
Lave a casa, espane os móveis, mas como mandam nela!
Não para só um momento, mais parece um catavento,
E ainda brigam, mais depressa, Cinderela!

O dia vai passando. Tenho treino com a minha PT três vezes por semana, normalmente sob o olhar inquisidor da Gabriela. Trato de assuntos pendentes, leio muito. Não tenho feito grandes programas com a Gabriela e já passou um mês desde fomos a um museu da última vez (o Museu Nacional de Arte Antiga). A Joana e o Bernardo andaram focados no exame de saída da especialidade, por isso os programas com eles também se tornaram mais raros. Sinto falta de fazer coisas giras, de ter programas interessantes, de desafios. Desde que regressámos destas férias continuei numa espécie de limbo, e sinto que chegou a altura de voltar ao activo. Vamos ver o que me vai apetecer conhecer agora :)

A vista era tão bonita :)

25 de junho de 2020

Serra da Estrela 2020 #1

Chegámos pela segunda vez à Casa do Giestal, no fim do nosso primeiro dia de férias, com ar de quem tinha sido atropelado. E decidimos que íamos começar de novo, como se as últimas horas não tivessem acontecido. Descansámos, terminámos de desfazer as malas, demos uma volta pelo terreno, demos os banhos e o jantar à criançada, deitámo-los, jantámos, jogámos xadrez à lareira... E no dia seguinte partimos novamente à aventura :)

Vista do terreno para o rio. Eram uns dois minutos a descer, faziam-se bem.

24 de junho de 2020

Serra da Estrela 2020 - O resumo! :D

Bolas, foi um texto difícil de escrever. Estava a meio deste, e as palavras que tinha aqui dentro desde Sábado começaram a sair de rompante, num impulso incontrolável. Dito o que tinha a dizer, aqui vai a publicação original :)

Corria o ano de 2016 quando eu, grávida de 32 semanas, atolei o carro sozinha no meio da Serra da Estrela. Para vos ser sincera sempre achei que seria impossível rir-me desse episódio incrivelmente totó da minha vida, mas uns anos depois a verdade é que já não o vejo dessa forma tão traumatizante, e tal como tantos outros também esta é simplesmente mais uma história da nossa vida cheia de aventuras: umas boas, outras más, faz parte.

O Pedro estava decidido a voltar à Serra da Estrela nesse Inverno, mas depois o Matias nasceu e ele mudou de ideias em relação a viajar com um bebé pequenino. Decidimos ir em Junho de 2017, já com o Matias mais crescidote, e marcámos a Casa do Giestal. Uma semana antes da nossa viagem o terreno ardeu nos grandes incêndios desse ano. Decidimos adiar a viagem para o ano seguinte, já com o terreno mais recuperado, e marcámos para Dezembro de 2018. Três dias antes da nossa viagem, a estrada que levava à casa desabou por causa das grandes chuvas que se faziam sentir.

Aí, confesso, começámos a achar que isto era uma mensagem cósmica para esquecermos a Serra da Estrela. E nunca mais marcámos.

Chegou a pandemia, e com ela a vontade de ter espaço. De sair daqui, de ser livre, de correr pelos montes, de respirar ar puro, de ouvir o silêncio da noite. Viver em Lisboa é óptimo e eu adoro, mas também é, por vezes, vagamente asfixiante.

Decidimos desafiar o destino e marcámos a Casa do Giestal para as férias do Pedro, em Julho.

E depois as férias do Pedro não foram aprovadas. E se até aqui eu achei sempre que isto eram mensagens do universo, agora fiquei a pensar que o universo não era mais teimoso do que nós. Liguei para a Casa do Giestal, expliquei a situação e implorei por uns dias disponíveis em Junho. Conseguimos, ficou marcado, esperámos e rezámos.

O dia da partida amanheceu com nuvens. Demos o pequeno-almoço à criançada e partimos, o Matias delirante por ir 'para a casa da montanha', a Gabriela na sua alegria habitual, nós entusiasmados por termos, finalmente, espaço para podermos estar os quatro. Chegámos à casa cedo, o Pedro foi dar o almoço à Gabriela e eu comecei a desfazer as malas. O Matias ficou na relva a brincar, e de repente tentou abrir a porta e não conseguia. Tinha fechado a porta com a chave do lado de fora, não conseguia rodar a chave novamente e nós também não conseguíamos sair. A janela estava aberta mas tinha um mosquiteiro, e foi todo um filme até o conseguirmos tirar. O Matias andava felicíssimo, claro, a dizer que ia 'dormir na rua'. Saímos pela janela, mandámos o Matias para dentro de casa e continuámos na nossa vidinha: o Pedro no rés-do-chão a dar o almoço à Gabriela, eu no primeiro andar a desfazer as malas e o Matias no segundo andar a explorar o sótão.

E de repente, aconteceu. Ouvi pum pum pum pum pum pum, e lá veio o Matias a cair pelas escadas abaixo. Diz que estava a tentar fechar uma janela que havia no início das escadas (mesmo ideias à Matias, enfim) e que caiu 'às cambalhotas'. Quando lá cheguei já ele estava aos gritos. Levei-o para a casa-de-banho ao colo e vi logo que tinha ficado com o braço cheio de sangue, por isso de certeza que ele tinha partido a cabeça. Na verdade ele tinha três golpes: um colado ao olho esquerdo, outro na testa à direita e outro no couro cabeludo à direita, este último claramente a precisar de ser suturado.

Ligámos para a Saúde 24, que nos encaminhou para o Hospital da Guarda. E quando pusemos o caminho no Waze... Dizia que demorávamos 1.30h. O Matias a chorar, a queixar-se de um dedo que estava inchado (não parecia partido), a sangrar da cabeça, a ficar prostrado... E o hospital a 1.30h. Vimos que o hospital da Covilhã parecia ficar mais perto (a 1h de viagem) e voltámos a ligar para a Saúde 24, onde nos disseram que afinal podíamos ir para a Covilhã. E arrancámos. Uma hora de viagem pelas estradinhas da montanha, com o Matias a alternar entre chorar ou ficar sonolento e a Gabriela com ar de 'mas o que é que se passa aqui?'.

Quando chegámos ao hospital o Pedro entrou com o Matias e eu fiquei cá fora a passear no parque de estacionamento com a Gabriela. Não sei quanto tempo passou, talvez uma hora ou duas. E de repente ouvi o Matias todo contente, e quando olhei... Ele vinha aos saltos. Aos saltos. Feliz da vida, a contar que lhe deram 'uma máscara com o Mickey' e lhe 'puseram uma cola na cabeça'.

Parámos na Covilhã para comer alguma coisa - eram 17h e nenhum de nós comia desde as 8h, à excepção da Gabriela. E o Matias pediu 'um crepe com gelado de chocolate'. Depois parámos no Continente, onde comprei sopa e arroz de pato para o jantar, e arrancámos para a Casa do Giestal novamente. Quando chegámos o Matias perguntou se podia 'ir ver o rio'. E lá fomos.

Folgo em dizer que os dias restantes decorreram numa normalidade tremenda. Passeámos, molhámos os pés no rio, conhecemos o Piódão, perdemo-nos na Serra, vimos sítios giríssimos. Curtimos muito os nossos filhos, nesta que foi a nossa primeira viagem a quatro. Divertimo-nos todos muito. Voltámos no fim-de-semana e ainda estamos naquele limbo pós-férias. E, finalmente, fizemos as pazes com a Serra da Estrela. Em grande.