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2 de dezembro de 2024

Huevos rancheros (versão actualizada).

É incrível pensar que passaram mais de dez anos desde que partilhei esta receita. Na altura delirávamos com isto e ainda nem casados éramos, agora temos três filhos e usamos ovos, pimentos, malaguetas e tomates da nossa quinta :D Que lindo :) 

Como bons filhos dos seus paizinhos, também os nossos miúdos deliram com isto (apesar de se queixarem sempre do picante). Aqui fica a nossa versão actualizada :)


Huevos rancheros

Ingredientes (para quatro pessoas):

* Seis ovos;
* Dois pimentos verdes picados;
* Três tomates picados; 
* Cebola picada (usei congelada);
* Alho picado (usei congelado);
* Sumo de um limão;
* Pimentão-doce, paprika, cominhos e coentros a gosto;
* Uma pitada de sal;
* Uma malagueta picada;
* Queijo ralado;
* Um fio de azeite. 

Confecção:

* Refogar o alho e a cebola num fio de azeite e juntar o pimento picado;

* Juntar o tomate picado e temperar com uma pitada de sal, pimentão-doce, paprika, cominhos e coentros a gosto;

* Acrescentar a malagueta;

* Regar com o sumo de limão;

* Tapar a panela e deixar cozinhar durante dez minutos;

* Colocar a mistura num tabuleiro de ir ao forno e abrir os ovos no centro;

* Polvilhar com queijo ralado e levar ao forno pré-aquecido a 180º durante quinze minutos.

7 de fevereiro de 2024

Fajitas de frango para o tempo que passa.

Fui confirmar, e a última receita de fajitas que aparece cá no blog data de Outubro de 2015. Quem diria que oito anos e dois a caminho dos três filhos depois íamos ter direito a comeback, e no entanto cá estamos porque esta é uma das receitas preferidas da criançada :D


Fajitas de frango

Ingredientes (para quatro pessoas, duas das quais pequeninas):

* Um fio de azeite;
* Uma cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Um pimento vermelho cortado em cubos;
* 50g de bacon cortado em cubos;
* 400g de peito de frango cortado em tiras;
* 200ml de molho de tomate;
* Uma colher de chá de paprika;
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Uma colher de chá de cominhos;
* Uma colher de chá de coentros;
* Uma pitada de sal;
* Uma lata pequena de feijão vermelho;
* Tortilhas de trigo q.b.;
* Abacate (opcional).

Confecção:

* Refogar a cebola picada, o alho picado, o pimento e o bacon num fio de azeite e juntar as tiras de frango;

* Deixar refogar e acrescentar o molho de tomate;

* Temperar com a paprika, o pimentão-doce, os cominhos, os coentros e o sal;

* Juntar o feijão vermelho e deixar cozinhar;

* Servir embrulhado nas tortilhas ou coberto com abacate.

16 de março de 2016

Burrito de lombinho de porco

Há por todo o lado informação sobre a alimentação adequada na gravidez. Na maior parte dos sítios, é ensinado às grávidas que não devem comer carne mal passada, saladas cruas, alguns frutos (como os morangos), queijos, enchidos, salmão, atum, peixes de águas frias no geral, marisco, porco, sushi, ovos crus, comidas condimentadas, doces... E a lista continua.


5 de janeiro de 2016

Huevos rancheros com farinheira

A receita que vos trago hoje também já apareceu cá em casa há uns meses. Na altura o Pedro estava de banco e eu fiquei responsável por fazer o jantar, e face à preguiça que sentia decidi fazer algo simples que comemos com frequência e adoramos: huevos rancheros. Encontrei uma farinheira perdida pelo frigorífico e decidi acrescentá-la também (já estava grávida na altura, e desde que engravidei sinto mais vontade de comer alheira e farinheira por razões que me são desconhecidas).

No fim ficou um prato rápido e delicioso :D Espero que gostem :D


13 de outubro de 2015

20 de janeiro de 2015

Tortilhas de trigo caseiras para uma tradição reciclada :)

You don't know the latest dance,
But when it's time to make romance
Your kisses let me know you're not a tomboy.

So, please, don't ever change,
No, don't you ever change,
Just promise me you're always gonna be
As sweet as you are.

The Beatles


Cá em casa estamos constantemente a inventar novas tradições e a reciclar tradições antigas. E é por isso que comemos comida japonesa no primeiro dia do ano, que o Pedro cozinha para mim no nosso aniversário de namoro, que todos os meses celebramos mais um mês de casamento com um jantar especial ou um programa romântico e que ignoramos consistentemente o dia dos namorados. É também por isso que fazemos um programa anti-social no aniversário do Pedro, que vamos ao Jardim Zoológico ou a Sintra todos os anos e que fazemos a árvore de Natal e o presépio no dia 1 de Novembro.

Pelo caminho ficaram certamente outras tradições.


Agora já não há a Quarta-feira da pizza, que acontecia de duas em duas semanas e que desapareceu quando eventualmente nos fartámos de pizza. Por outro lado, de vez em quando temos ainda a Quarta-feira do frango no churrasco, quando eu chego tarde da aula de canto e não nos apetece orientar nada para o jantar.


Agora já não celebramos o nosso fim-de-semana de Natal, cheio de filmes, pratos de esparguete à bolonhesa e colheradas bem gulosas de mousse de chocolate. Em vez disso, passamos o Natal com a nossa família e com as tradições originais que nos rodearam durante a infância.


Agora já não fazemos a Sexta-feira mexicana todas as semanas. No entanto, tornámo-nos mais versáteis: dizem que o Natal é quando um homem quiser, mas cá em casa é o dia da comida mexicana que é quando nós queremos.


Desta vez a Sexta-feira mexicana foi num almoço de Sábado, e trouxe consigo tortilhas de trigo caseiras. Fáceis, deliciosas, inconfundíveis, incomparavelmente melhores do que as de compra e com o poder de nos teletransportar directamente para o quentinho do México. E quem sabe, talvez se tornem também uma tradição cá por casa :)


Tortilhas de trigo caseiras (receita adaptada do blog 'The Café Sucré Farine')

Ingredientes (para seis tortilhas):

* Uma chávena de farinha de trigo;
* Uma pitada de sal;
* Meia colher de chá de fermento;
* Duas colheres de sopa de azeite;
* Um terço de chávena de água morna (80ml).

Confecção:

* Juntar todos os ingredientes e misturar bem;

* Transferir para uma superfície enfarinhada e amassar;

* Dividir a massa em seis porções, formar seis bolas e espalmar;

* Cobrir com um pano limpo e seco e reservar durante quinze minutos;

* Estender cada bolinha com o rolo até ficar bem fina;

* Colocar uma frigideira larga a aquecer em lume médio e colocar um círculo de massa;

* Deixar cozinhar durante um minuto e virar a tortilha, deixando cozinhar durante aproximadamente trinta segundos;

* Remover da frigideira e continuar o processo com as tortilhas restantes.


Até amanhã! :D

14 de outubro de 2014

Chili de legumes e uma escolha de vida.

It's the music that we choose,
It's the music that we choose,
It's the music that we choose,
It's the music that we choose.

Gorillaz


Durante a minha passagem pelo serviço de psiquiatria fui contando à minha tutora algumas coisas sobre mim. Um dia estávamos a conversar sobre coletes de Milwaukee enquanto esperávamos pelo elevador e eu partilhei com ela a minha própria experiência pessoal, uma vez que durante a adolescência usei um que ia do pescoço até à anca por causa da minha patologia da coluna vertebral. Ela ficou visivelmente surpreendida e logo comentou:

'Pareces uma pessoa tão despreocupada e feliz, mas a verdade é que já te aconteceram na vida situações muito tristes e aborrecidas.'

Fiquei estupefacta, confesso. Nunca penso na minha vida como um conjunto de acontecimentos menos bons - muito pelo contrário, sempre me considerei incrivelmente feliz. Mas isso é apenas uma questão de perspectiva: na verdade, se decidir concentrar-me apenas nas coisas negativas que vivi no passado é um facto que já ultrapassei situações dolorosas e difíceis.


Há uns dias conversava sobre isso com o Bernardo, e ele comentou que de facto eu raramente falo sobre os meus problemas - como aliás já devem ter reparado aqui no blog. Dizia ele que isso poderia dar a quem me rodeia ou lê a ideia errada de que (e cito) 'nasci com o rabinho virado para a lua' e que a minha vida é perfeita, o que não corresponde obviamente à realidade.

Fui operada duas vezes ao meu estrabismo, que regressou novamente no ano passado. Voltarei a ser operada no futuro.
Fui operada à miopia há quatro anos e estou outra vez míope. Vou voltar a usar óculos.
Passei por vários meses de fisioterapia e por anos de utilização de um colete. Continuo a ter dores fortes diariamente.
Usei aparelho nos dentes durante três anos. Dez anos e o nascimento de um siso depois, tenho novamente um dente torto.
Fui vítima de agressões físicas e verbais na escola. Lidei com a tristeza e a solidão.
Fui gordinha durante anos. Quando decidi fazer dieta fiquei demasiado magra e lidei com um distúrbio alimentar.
Descobri uma insuficiência numa válvula cardíaca.
Passei pela morte traumática do meu avô e pelo longo e demorado processo legal que se seguiu.
Acompanhei o tratamento complicado e doloroso da doença do meu pai e temi pela vida dele.
Tenho infecções urinárias recorrentes e sofro muito com elas.
Questiono-me diariamente se escolhi a profissão certa e se não seria mais feliz noutra coisa.
Lido constantemente com o medo de não ser boa o suficiente: boa pessoa, boa amiga, boa irmã, boa filha e boa profissional.

Como vêem, a minha vida não é perfeita. Tenho os meus problemas, tal como toda a gente. Mas sabem que mais? Isso nunca me definirá. Nunca serei a pessoa que passou por isto ou aquilo, e nunca deixarei de ser a pessoa despreocupada e feliz.

Porque a vida é assim mesmo: todos vamos passar por momentos bons (que não serão melhores do que os dos outros por serem nossos) e por momentos maus (que não serão piores do que os dos outros por serem nossos), e vamos simplesmente continuar em frente com um pé depois do outro.


Ser feliz é uma escolha, por isso escolham-no. Não sejam amargos, não arremessem sentimentos maus ou palavras agressivas, não se magoem com ruminações que não resolvem nada. Riam, abracem, beijem, leiam, passeiem. Cozinhem. Acima de tudo, nunca deixem de valorizar o que a vida tem de bom e nunca deixem de fazer aquilo que realmente gostam.


Chili de legumes

Ingredientes (para duas pessoas):

* Uma cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Meio pimento vermelho picado;
* Um fio de azeite;
* Mistura de legumes congelados (usei feijão-verde, ervilhas e cenoura);
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Uma colher de chá de paprika;
* Uma colher de chá de cominhos;
* Uma colher de chá de coentros;
* Uma pitada de sal;
* Uma pitada generosa de piri-piri;
* Uma lata de feijão vermelho;
* Molho de tomate q.b.
* Uma fatia de queijo (opcional).

Confecção:

* Refogar a cebola picada, o alho picado e o pimento vermelho num fio de azeite;

* Juntar a mistura de legumes e deixar refogar;

* Temperar com pimentão-doce, a paprika, os cominhos, os coentros, o sal e o piri-piri e mexer bem;

* Acrescentar a lata de feijão fermelho e cobrir com o molho de tomate, envolvendo bem;

* Desligar o lume e juntar uma fatia de queijo cortada em tiras (opcional).


Até amanhã! :D

18 de março de 2014

Chili de bulgur e (mais) um assunto controverso :)

Have no fear for giving in,
Have no fear for giving over.
You better know that in the end
It's better to say too much
Than to never to say what you need to say again.

Say what you need to say...

John Mayer


Os meus pais não me educaram com grandes pudores. Em casa deles sempre se falou abertamente de todo e qualquer assunto sem vergonhas ou preconceitos, e é graças a isso que hoje sou uma pessoa extremamente aberta e liberal em relação à grande maioria das coisas.

Não tenho problemas em falar sobre o que quer que seja, e para mim não há temas tabu. Gosto de discutir as minhas opiniões e de partilhar as minhas histórias, e sinceramente não consigo ser de outra maneira.


Um dia estava com duas amigas minhas e fomos as três conhecer o namorado de uma delas. Pelo caminho ela disse-me:

'Podias tentar ser um bocadinho menos tu própria? É que falas sempre de uma maneira tão despreocupada, não quero que o *inserir-aqui-nome-do-namorado-com-quem-ela-andou-três-semanas* fique assustado.'

Gostava de vos dizer que foi a primeira vez que eu me senti julgada por ser 'demasiado eu própria', mas de facto não foi. No entanto, foi certamente a última vez que fiquei triste por alguém me acusar disso.

Por isso mentalizem-se: aqui em casa fala-se mesmo de tudo. E agora que estão avisados, vamos ao assunto concreto do post.


Durante anos eu evitava comer pimentos porque ficava sempre a (chamemos-lhe assim) eructar depois. Era capaz de passar horas maldisposta por causa de um prato com um pimentinho inocente, o que era extremamente frustrante porque eu sempre gostei de pimento.

Até que descobri o segredo: basta juntarem o pimento directamente no refogado em vez de o acrescentarem depois, e juro que nunca mais vos acontece isto. Além disso o prato fica bem mais saboroso, o que é uma vantagem inegável :)


Desde que comecei a usar esta técnica (já há uns anos atrás) os pratos com pimento são uma constante cá em casa - especialmente o chili nas suas mais variadas formas. Hoje trago-vos um chili de bulgur delicioso e bem saudável, não fosse o bulgur um cereal cheio de proteínas e fibras e com um baixo índice glicémico! :D


Chili de bulgur

Ingredientes (para duas pessoas):

* Uma cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Um pimento vermelho picado;
* Um fio de azeite;
* Meia chávena de bulgur;
* Uma lata pequena de feijão vermelho cozido;
* Uma chávena de molho de tomate;
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Uma colher de chá de paprika;
* Meia colher de chá de cominhos;
* Meia colher de chá de coentros;
* Uma pitada de canela (opcional);
* Uma pitada de sal;
* Uma pitada de piri-piri;
* Uma colher de chá de tabasco.

Confecção:

* Refogar a cebola picada, o alho picado e o pimento vermelho picado num fio de azeite;

* Juntar o bulgur e deixar refogar;

* Juntar o feijão vermelho (sem o molho) e o molho de tomate e misturar bem;

* Temperar com o pimentão-doce, a paprika, os cominhos, os coentros, a canela, o piri-piri e o tabasco;

* Deixar cozinhar e servir.


Até amanhã! :D 

25 de fevereiro de 2014

Chili de frango e as coisas preferidas :)

I'm getting wise,
And I'm feeling so Bohemian like you.
It's you that I want, so please...
Just a causal, casual, easy thing.
Is it?
It is for me!

And I like you,
Yeah, I like you,
And I like you,
I like you,
I like you, I like you,
I like you, I like you,
I like you,
And I feel whoa ho woo!

The Dandy Warhols


Em 2006 assisti ao concerto dos The Rolling Stones no Estádio do Dragão. Pode parecer um acontecimento glorioso q.b., mas para mim foi simplesmente épico: a abrir o concerto estavam os The Dandy Warhols, uma das minhas bandas preferidas de sempre (e a verdadeira razão pela qual fui ao concerto, confesso).

Saltei tanto durante o concerto deles que o meu telemóvel saltou do bolso e partiu-se. (Curiosamente anos mais tarde aconteceu o mesmo durante o concerto dos Coldplay no Estádio do Dragão. Desisti de levar o telemóvel para concertos.) Cantei, gritei e dancei imenso, e a dada altura as pessoas que esperavam pacientemente pelo concerto da banda verdadeiramente famosa começaram a olhar para mim como se eu tivesse um parafuso a menos.

E sabem que mais? Tenho mesmo.


Há uns dias uma colega interna veio falar comigo durante a reunião clínica.

'Hoje ultrapassei-te na autoestrada. Percebi logo que eras tu, o teu carro vê-se ao longe!'
(Nota: o meu carro é amarelo.)

Fiquei logo com um ar envergonhado. Será que ela me tinha ultrapassado precisamente naquela altura? Perguntei com algum receio:

'Quando?'

A resposta não tardou a chegar:

'Não sei, mas ias a cantar e a gesticular como uma louca.'

Em todo o meu longo percurso até ao hospital, tive logo de ser ultrapassada quando estava a passar a Bohemian Like You na rádio (devia ir a fazer uma figurinha parecida com esta).


É sempre assim com as nossas coisas preferidas. Podemos ouvir aquela música dez mil vezes e ela vai continuar a ser especial. Podemos passar por aquele local todos os dias, mas ele vai continuar a fazer-nos sorrir. Podemos comer o mesmo prato frequentemente e ele continuar a ser perfeito.

Este é o meu prato preferido. É especial. Faz-me sorrir. É, simplesmente, perfeito.


Chili de frango

Ingredientes (para duas pessoas):

* Um fio de azeite;
* Meia cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Um pimento vermelho picado;
* 200g de peito de frango picado;
* Molho de tomate a gosto;
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Uma colher de chá de paprika;
* Meia colher de chá de cominhos;
* Meia colher de chá de coentros;
* Uma pitada de sal;
* Uma pitada de piri-piri;
* Uma lata pequena de feijão vermelho cozido.

Confecção:

* Refogar a cebola picada, o alho picado e o pimento picado num fio de azeite;

* Juntar o frango e deixar refogar;

* Acrescentar o molho de tomate e envolver bem;

* Temperar com o pimentão-doce, a paprika, os cominhos, os coentros, o sal e o piri-piri;

* Juntar o feijão vermelho, descartando o líquido da embalagem;

* Deixar cozinhar.


Até amanhã! :D

18 de dezembro de 2013

Chili vegetariano e uma passagem pela consulta de IVG.

Some people say that I'm not worth it.
I've made mistakes but nobody's perfect.
Guess I'll give it a try.

I've got one last chance to get myself together.
I can't lose no more time, it's now or never.
And I try to remember who I used to be.
I've got one last chance to get myself together.

James Morrison


Durante o estágio de Ginecologia e Obstetrícia do quarto ano do curso passávamos por várias valências da maternidade, nomeadamente a consulta da IVG (ou interrupção voluntária da gravidez).

Vi muitas coisas naquela consulta. Vi crianças de onze anos e mulheres adultas de quarenta. Vi raparigas felizes por se livrarem de uma gravidez não desejada, mas também vi mulheres destruídas pelo golpe do destino e pelo peso da sua própria decisão.


O caso que mais me marcou foi o da rapariga ruiva. Quando a rapariga ruiva chegou à consulta a gravidez já estava demasiado avançada para a IVG ser feita por via medicamentosa, e por isso ela foi encaminhada para a cirurgia. Nos breves (mas incrivelmente longos) minutos em que a rapariga ruiva esperou para entrar na sala de operações decidiu sentar-se numa cadeira no canto da sala, a tremer indefesa dentro da sua bata verde clara. E chorou. Soluçou num pranto sem fim, enquanto as lágrimas lhe escorriam pelas bochechas pálidas até secarem.

Decididamente não nos ensinam a lidar com isto no curso, raios.

Sentei-me à frente dela e apertei-lhe a mão com força. Disse-lhe que não ia doer, e que ia ser rápido. Disse que nunca mais ia ter de voltar ali. Disse-lhe para ter calma e força.


A dada altura a rapariga ruiva começou a dizer que não estava a sentir-se bem, e foi uma questão de milésimos de segundo até vomitar para cima da minha bata da cirurgia. Depois começou a hiperventilar e a ficar ansiosa e irritada, e foi então que a anestesista achou melhor sedá-la completamente para o procedimento.

E depois a anestesista disse:

'Esta miúda fica sempre tão alterada, não sei porque raios continua a cá voltar.'

Demorei alguns segundos a digerir o que tinha acabado de ouvir. E foi então que fui ler a ficha da anestesista.

Rapariga ruiva, 16 anos, quarta IVG.


Gostava de vos dizer que foi a única rapariga que vi a fazer a quarta IVG, mas estaria a mentir-vos. No entanto, aquela foi a única com a qual eu me senti verdadeiramente enganada: afinal, tinha sentido empatia por ela, tinha-lhe dado a mão e tinha-a confortado.

Eu não sou ainda nem sequer uma amostrinha de médica, mas há dias em que juro-vos que só me apetece mandar tudo ao ar, virar as costas, sair da sala e nunca mais olhar para trás.

Mas não o faço. Em vez disso continuo a apertar mãos com força, continuo a dizer que não vai doer e continuo a levar com vomitado. Porque as bactérias limpam-se com a solução alcoólica, mas as marcas que as pessoas deixam no nosso coração não saem nunca. E ainda bem, porque nunca nos devemos esquecer de que todos merecemos uma nova oportunidade, por muito que supostamente tenhamos errado. Até a rapariga ruiva.


Por outro lado, já estava na hora do Estado obrigar as miúdas que fazem mais de duas IVGs a porem implantes, não? É verdade que é um possível problema ético, mas não seria melhor para proteger a saúde delas? 

Chili vegetariano

Ingredientes (para duas pessoas):

* Um fio de azeite;
* Uma cebola picada;
* Três dentes de alho picados;
* Uma lata pequena de feijão vermelho cozido;
* Uma lata pequena de tomate pelado;
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Uma colher de chá de paprika;
* Meia colher de chá de cominhos;
* Meia colher de chá de coentros;
* Uma colher de chá de salsa picada;
* Uma colher de chá de piri-piri (ou a gosto);
* Uma pitada de sal.

Confecção:

* Refogar a cebola picada e o alho picado num fio de azeite até a cebola ficar translúcida;

* Juntar o feijão vermelho e deixar refogar;

* Acrescentar a lata de tomate pelado (com o respectivo molho) e mexer bem;

* Temperar com o pimentão-doce, a paprika, os cominhos, os coentros, a salsa picada, o piri-piri e o sal;

* Deixar cozinhar até ficar apurado.


Ultimamente temos servido assim o chili, em versão sopinha. Fica tão reconfortante :D Experimentem! :D 

Até amanhã! :)

26 de novembro de 2013

Fajitas de frango com pimento vermelho e cenoura e um lamiré sobre política :)

This musical aggregation toured the entire nation,
Singing the traditional ballads,
And the folk songs of our land.
They performed with great virtuosity,
And soon they were the rage.
But political animosity prevailed upon the stage.

Well, the one on the right was on the left,
And the one in the middle was on the right,
And the one on the left was in the middle,
And the guy in the rear burned his driver's license.

Johnny Cash


O meu avô era comunista. A minha avó é comunista. A minha mãe já foi comunista. O meu pai já foi comunista. Apesar disso, sempre tive em casa toda a liberdade para expressar os meus pontos de vista político-partidários desde que não fossem de direita, claro!, e o facto é que aprendi imensas vezes com as discussões que daí surgiam.

O meu interesse pela política começou cedo: devia ter uns dez anos quando perguntei ao meu pai qual era a diferença entre a esquerda e a direita. A resposta do meu pai não foi particularmente esclarecedora, mas foi tão caricata que ficou para sempre imortalizada numa piada familiar privada.


Quando entrei na faculdade tinha amigos manifestamente de direita - alguns deles eram inclusivamente militantes. Trocávamos algumas ideias sobre finanças e discutíamos alguns dos nossos pontos de vista sobre a administração do Estado, e confesso que a dada altura aquilo começou a fazer-me algum sentido. E foi assim que durante alguns meses fui de direita para grande desgosto da minha família.

Não temam, porque a lua-de-mel não durou muito tempo. Eventualmente eu e os meus amigos de direita começámos a chocar em vários temas, e eu percebi que não era bem ali que eu me inseria.


Eu explico: eu sou uma pessoa extremamente liberal. Sou a favor do casamento homossexual, sou a favor da adopção por casais homossexuais, sou a favor da despenalização do aborto, sou a favor da legalização da prostituição, sou contra a marginalização dos imigrantes, sou contra a pena de morte e sou a favor de um Estado absolutamente laico. Sou também a favor do controlo do Estado sobre a saúde e a educação - isto assumindo que o país em questão funciona bem, claro.

Além disso eu não me identifico com uma única pessoa da direita. Não gosto deles. Não gosto do que eles fizeram quando chumbaram o PEC4. Não gosto deles a fazer oposição, e ainda gosto menos deles no governo. O Cavaco Silva irrita-me. O Passos Coelho irrita-me. O Rui Machete irrita-me muito.


E então descobri um site que mudou a minha vida política, a bússola eleitoral. Na verdade o site é de 2009, mas as perguntas são incrivelmente actuais e no fim podem ver exactamente onde se inserem no grande espectro de partidos e posições políticas. Finalmente descobri onde pertencia.

Porque é que vos estou a dar toda esta lengalenga chata de política? Porque eu e o Pedro adoramos discutir estas coisas, especialmente durante o jantar. E foi precisamente o que aconteceu enquanto comíamos estas fajitas de frango com pimento vermelho e cenoura e discutíamos a mais recente entrevista do Sócrates ao Expresso :)


Fajitas de frango com pimento vermelho e cenoura

Ingredientes (para duas pessoas):

* Dois bifes de frango fininhos cortados em tiras;
* Um pimento vermelho cortado em tiras;
* Uma cenoura cortada em tiras;
* Meia cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Um fio de azeite;
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Uma colher de chá de paprika;
* Meia colher de chá de cominhos;
* Meia colher de chá de coentros;
* Meia colher de chá de piri-piri;
* Uma colher de chá de salsa;
* Uma pitada de sal;
* Queijo cheddar ralado a gosto.

Confecção:

* Refogar a cebola picada e o alho picado num fio de azeite;

* Juntar as tiras de frango, as tiras de pimento e as tiras de cenoura e saltear;

* Temperar com o pimentão-doce, a paprika, os cominhos, os coentros, o piri-piri, a salsa e o sal;

* Servir coberto com o queijo ralado;


Tradicionalmente esta refeição é servida com uma tortilha de trigo ou de milho, mas desta vez não tínhamos em casa. Independentemente disso ficou um prato delicioso na mesma :D

Até amanhã! :D

25 de setembro de 2013

Quesadillas e um desabafo particularmente chorinhas.

But I'm a creep,
I'm a weirdo...
What the hell am I doing here?
I don't belong here.

Radiohead


Às vezes eu sinto que não sou nada de especial. 

É bastante óbvio que estou a anos-luz da Joana que não sabia sequer grelhar um bife (não era muito difícil), mas será que sou assim tão fantástica ao ponto de ter um blog de culinária com 50 mil visitas por mês? Serão os meus cozinhados assim tão bons e as minhas ideias assim tão originais? Serão as minhas fotos assim tão bonitas e as minhas histórias assim tão interessantes?

Não, não são. 


Não estou a ser modesta (até porque o excesso de modéstia irrita-me), e acreditem que não tenho problemas de auto-estima (vá, depende dos dias). Simplesmente questiono-me: porquê eu? 

Porquê eu, com a minha quantidade excessiva de receitas de muffins, a minha quase obsessão por comida mexicana, a minha falta de jeito para fazer bolos de aniversário e as minhas receitas extremamente simples e só mais-ou-menos saudáveis? 

Porquê eu, com as minhas histórias repetitivas, com o 'gosto muito do Pedro', o 'gosto muito do Natal', o 'o Pedro gosta de enchidos' e o 'faço uma refeição vegetariana por dia'?


Eu não sou inovadora. Eu não tenho jeito nenhum para coisas que envolvam a mínima destreza manual (vamos recordar-nos por um momento que chumbei a educação visual no 9º ano!). Eu não gosto de coisas elaboradas e pomposas. Eu não tenho paciência para esperar que a massa levede. 


Eu faço pratos com três ingredientes, enquanto digo para mim própria 'e tem isto um blog de culinária, a fazer pratos com três ingredientes!'.

Eu faço pratos com três ingredientes, mas que deixam o Pedro a murmurar de entusiasmo e a suspirar de satisfação entre dentadas. 

Eu faço pratos com três ingredientes, e acho que eles valem menos por isso.

Eu sou extremamente parva de vez em quando.


Quesadillas 

Ingredientes (para duas pessoas):

* Duas tortilhas de trigo;
* Três colheres de sopa de molho de salsa picante (normalmente fazemos o nosso próprio molho, mas neste dia em particular usámos o molho da Doritos);
* Queijo ralado q.b.

Confecção: 

* Colocar uma tortilha numa frigideira anti-aderente;

* Cobrir o centro com o molho de salsa e o queijo ralado;

* Cobrir com a outra tortilha;

* Deixar cozinhar, virando a meio;

* Servir cortado em triângulos. 


Normalmente as quesadillas têm mesmo imeeeenso queijo, mas eu decidi cortar um bocado - acho que as minhas coronárias agradecem :) Independentemente disso ficou um prato simples, rápido, saudável e saboroso :) 

Até amanhã :D

17 de julho de 2013

Chili vegetariano com nachos picantes e uma ida à televisão.

Throw away your television,
Take the noose off your ambition,
Reinvent your intuition now.
It's a repeat of a story told,
It's a repeat and it's getting old.

Red Hot Chili Peppers


Há cinco anos participei num concurso de televisão, o Jogo Duplo.

Nunca tinha estado na televisão, mas quando jogava em casa corria tão bem que decidi arriscar e concorrer.  Fui seleccionada, e lá fui para os estúdios da RTP gravar o programa.

Julgo não estar a exagerar quando digo que foi uma experiência vagamente traumatizante: a ansiedade, a sensação de estar a ser vista por milhares de pessoas e todas aquelas luzes contribuíram para que tivesse a maior enxaqueca da minha vida, e acabei por desistir no fim da segunda ronda.

Estava em segundo lugar.


O Pedro, que estava no público, ficou em choque. O senhor Malato, que apresentava o programa, veio ter comigo ao corredor e perguntou-me porque tinha desistido. Encolhi os ombros e respondi baixinho que achava que não estava assim tão bem colocada, mas a verdade era que simplesmente quis fugir dali o mais depressa possível.

Quando vi o programa em casa nem queria acreditar. Estava enorme (a televisão engorda mesmo!) e com um ar vagamente assustado, como uma gazela encurralada que só pensa em como escapar (isto se as gazelas fossem gordinhas e calçassem sapatilhas roxas).


No total ganhei 600 euros. Comprei o meu actual portátil quando o antigo se estragou (um incidente muito infeliz com uma caneca de chá) e ainda fui a Paris com o Pedro. Mas nunca mais consegui fazer as pazes com esse episódio da minha vida, e a partir daí até a minha relação com a televisão mudou.

Hoje em dia é muito raro ver televisão. Gosto de ver jogos de futebol, gosto de ver competições de ginástica, gosto de ver o Eixo do Mal na Sic Notícias, gosto de ouvir o Marcelo Rebelo de Sousa, e fim. Não vejo concursos, não vejo novelas, não vejo séries nem filmes.


Às vezes acho que fiquei com uma-espécie-de stress pós-traumático em relação à minha ida à televisão. Mas a vida é assim mesmo: às vezes há acontecimentos pequenos e insignificantes que nos marcam pela negativa, e que demoram muito tempo a serem esquecidos.


Este pratinho foi feito precisamente para um jantar em frente à televisão, num dia de competições de ginástica na RTP2. É um prato simples e fácil, mas delicioso e reconfortante - arriscaria até em dizer que é um prato reconciliador.

Talvez um dia volte à televisão, mas por agora estou muito satisfeita por ser apenas a pessoa que está deste lado, a lamber os dedos sujos de chili e de nachos.


Chili vegetariano com nachos

Ingredientes (para duas pessoas):

* Uma lata pequena de feijão vermelho cozido;
* Um pimento vermelho pequeno picado;
* Meia cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Um fio de azeite;
* Uma colher de chá rasa de cominhos;
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Meia colher de chá de paprika;
* Meia colher de chá de coentros;
* Meia colher de chá de piri-piri;
* Uma pitada de sal;
* 200ml de molho de tomate;
* Uma embalagem de nachos picantes.

Confecção:

* Refogar o alho picado, a cebola picada e o pimento pequeno num fio de azeite e juntar o feijão vermelho;

* Temperar com os cominhos, o pimentão-doce, a paprika, os coentros, o piri-piri e o sal;

* Juntar o molho de tomate e deixar cozinhar;

* Servir com os nachos picantes.


Podem ainda juntar milho nesta refeição, mas cá em casa não somos apreciadores :)

Até amanhã :D