Mostrar mensagens com a etiqueta Páscoa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Páscoa. Mostrar todas as mensagens
24 de abril de 2025
23 de abril de 2025
28 de abril de 2020
Páscoa 2020 #3
Há algumas semanas falava com alguém que me disse 'com isto tudo até vais voltar ao trabalho feliz'. Disse que não. Já aqui o escrevi e volto a escrever: para mim, estar em casa com os meus filhos durante 24 horas, a vê-los crescer e serem felizes e autónomos é o maior privilégio da minha vida, e não trocava isto por nada. Se pudéssemos sair, eu era o apogeu máximo da felicidade. Nunca se colocou na nossa cabeça a possibilidade do Matias ficar em casa porque consideramos que é vantajoso para ele ir para a creche, socializar, vincular-se a outras pessoas e aprender coisas diferentes (hoje dizia-me ele 'mas a Isabel e a Isa dizem que isto são ténis, e tu dizes sapatilhas!'), mas conforme as coisas vão estabilizando no que será uma nova normalidade para todos, temos ponderado a possibilidade de ele ficar em casa até entrar na pré-primária em Setembro. Se tudo correr bem, a partir do meio de Maio vou ficar novamente de licença, desta vez até meio de Agosto, e ficar em casa com os dois começa a parecer uma ideia terrivelmente tentadora.
Claro que há dias difíceis. Fases difíceis. Mas o Matias está um miúdo crescido, curioso e divertido e a Gabriela está um apetite. Se não fosse a peixe-mortice do Pedro eu já estava a ter mais uns quantos miúdos, principalmente agora que a Gabriela dorme a noite toda (é incrível a diferença que isso faz na nossa sanidade, acreditem). Deito-me na cama à noite e penso no nome do nosso próximo filho (agora por mim era Joaquim ou Nicolau e Luísa, claramente), nos disfarces de Carnaval e de Halloween (quando ou se forem três obviamente que vai haver um disfarce de metralhas) e nos temas das festas. E no meio de toda esta nossa nova normalidade, sentimo-nos bem e felizes.
Curiosamente, voltar ao trabalho efectivamente fez-me sentir feliz. Não porque estava a deixar os meus filhos em casa (essa parte foi péssima, e ainda por cima nos dias de urgência já nem os vejo porque quando saio ainda está tudo a dormir e quanto chego eles já foram para a cama), mas porque desde que entrei na faculdade que não sentia tanto orgulho em ser médica. Sabem, a grande maioria de nós não acha que tem uma profissão glorificada. Saímos de casa, fazemos o nosso trabalho, voltamos, fim. É a nossa normalidade. Mas sair para trabalhar fez-me ter, pela primeira vez em muito, muito tempo, orgulho, não só no meu trabalho mas também no dos outros. Se não fosse o distanciamento social juro que andava por aí a dar beijinhos aos seguranças e polícias, aos funcionários dos supermercados, aos trabalhadores dos restaurantes em regime de entregas, aos estafetas, aos carteiros, aos lixeiros, às pessoas que fazem os sites funcionar e nos permitem encomendar cada vez mais coisas online... E, mais perto de mim, aos médicos, enfermeiros, auxiliares, assistentes, pessoas da limpeza e pessoas das cantinas que todos os dias fazem os nossos hospitais funcionarem.
Também dava beijinhos à malta em teletrabalho, a quem tem filhos em casa para gerir, para ensinar, para educar e para amar (muitas vezes em conjugação com o teletrabalho), a quem foi despedido, a quem vive sozinho, a quem se sente sozinho. Como dizia a Liliana num dos textos mais brilhantes que li nos últimos tempos, não estamos todos no mesmo barco, estamos todos na mesma tempestade. Uns com umas dificuldades, outros com outras, mas todos a lutar contra o mesmo inimigo comum.
Também isto passará, tudo passa. Até lá, eu vou dar graças pelas coisas boas que a vida me trouxe, apreciá-las, aproveitá-las. Amá-las. Agradecer muito, muito por elas.
Aqui vão as últimas fotos da Páscoa.
Claro que há dias difíceis. Fases difíceis. Mas o Matias está um miúdo crescido, curioso e divertido e a Gabriela está um apetite. Se não fosse a peixe-mortice do Pedro eu já estava a ter mais uns quantos miúdos, principalmente agora que a Gabriela dorme a noite toda (é incrível a diferença que isso faz na nossa sanidade, acreditem). Deito-me na cama à noite e penso no nome do nosso próximo filho (agora por mim era Joaquim ou Nicolau e Luísa, claramente), nos disfarces de Carnaval e de Halloween (quando ou se forem três obviamente que vai haver um disfarce de metralhas) e nos temas das festas. E no meio de toda esta nossa nova normalidade, sentimo-nos bem e felizes.
Curiosamente, voltar ao trabalho efectivamente fez-me sentir feliz. Não porque estava a deixar os meus filhos em casa (essa parte foi péssima, e ainda por cima nos dias de urgência já nem os vejo porque quando saio ainda está tudo a dormir e quanto chego eles já foram para a cama), mas porque desde que entrei na faculdade que não sentia tanto orgulho em ser médica. Sabem, a grande maioria de nós não acha que tem uma profissão glorificada. Saímos de casa, fazemos o nosso trabalho, voltamos, fim. É a nossa normalidade. Mas sair para trabalhar fez-me ter, pela primeira vez em muito, muito tempo, orgulho, não só no meu trabalho mas também no dos outros. Se não fosse o distanciamento social juro que andava por aí a dar beijinhos aos seguranças e polícias, aos funcionários dos supermercados, aos trabalhadores dos restaurantes em regime de entregas, aos estafetas, aos carteiros, aos lixeiros, às pessoas que fazem os sites funcionar e nos permitem encomendar cada vez mais coisas online... E, mais perto de mim, aos médicos, enfermeiros, auxiliares, assistentes, pessoas da limpeza e pessoas das cantinas que todos os dias fazem os nossos hospitais funcionarem.
Também dava beijinhos à malta em teletrabalho, a quem tem filhos em casa para gerir, para ensinar, para educar e para amar (muitas vezes em conjugação com o teletrabalho), a quem foi despedido, a quem vive sozinho, a quem se sente sozinho. Como dizia a Liliana num dos textos mais brilhantes que li nos últimos tempos, não estamos todos no mesmo barco, estamos todos na mesma tempestade. Uns com umas dificuldades, outros com outras, mas todos a lutar contra o mesmo inimigo comum.
Também isto passará, tudo passa. Até lá, eu vou dar graças pelas coisas boas que a vida me trouxe, apreciá-las, aproveitá-las. Amá-las. Agradecer muito, muito por elas.
Aqui vão as últimas fotos da Páscoa.
![]() |
24 de abril de 2020
Páscoa 2020 #2
E aqui vão mais fotografias da nossa Páscoa. O tema foi escolhido pelo Matias, que sugeriu 'coelhinhos e bolinhas de sabão'. Não é muito o meu género de tema, mas até me diverti a planear tudo :) Ainda experimentei colar umas bolinhas de sabão de cartolina na parede, mas depois não gostei lá muito do efeito e acabei por encomendar bolinhas de sabão para o Matias brincar :) As fotos foram tiradas por mim e editadas pela Célia, a nossa fotógrafa de sempre :D
E pronto, agora só falta decidir o tema da festa de aniversário da Gabriela. Originalmente tinha pensado no 'Plants vs Zombies' (é um jogo), mas o Matias acha 'que a mana vai achar muito assustador' e sugeriu... 'Uma festa da Ana e da Elsa'. SOCORRO.
Bom fim-de-semana a todos :)
E pronto, agora só falta decidir o tema da festa de aniversário da Gabriela. Originalmente tinha pensado no 'Plants vs Zombies' (é um jogo), mas o Matias acha 'que a mana vai achar muito assustador' e sugeriu... 'Uma festa da Ana e da Elsa'. SOCORRO.
Bom fim-de-semana a todos :)
![]() |
| Bolo de chocolate com mousse de chocolate :) |
23 de abril de 2020
Páscoa 2020 #1
Nunca fui grande fã da Páscoa. Em casa dos meus pais não era propriamente uma festa muito 'child-friendly': tinha de acordar cedíssimo, vestir uma roupa frufru qualquer, esperar pelo compasso, beijar uma cruz toda babalhada, ir para uma missa chatíssima e voltar para uma mesa com cabrito (não gosto), arroz de miúdos (não gosto), esparregado (gosto que só adquiri na vida adulta) e batatas assadas (basicamente a única coisa que eu comia). Na altura não havia prendas de Páscoa nem nada que se pareça: a minha madrinha mandava-me cinco contos pelo correio (o que era imenso dinheiro na altura), havia aquelas amêndoas de açúcar que eu não gostava (as amêndoas de chocolate só chegaram à ribalta mais tarde para os nossos lados) eeeee fim.
Curiosamente, agora recordo com imensas saudades esses momentos. O meu avô vivo, nós a ir à missa na Igreja da Lapa, a eterna discussão sobre o cabrito, os cinco contos que depois usava para comprar lápis novos no quiosque e coxinhas na pastelaria da rua da igreja no intervalo da catequese, o meu pai a reclamar porque eu cantava ou ouvia música na Sexta-feira Santa, todas estas memórias transportam-me para a minha infância e fazem-me sentir uma felicidade que garanto-vos que não sentia na altura.
Acabámos por transportar cá para casa a falta de tradições pascais das nossas famílias. No entanto, nos últimos anos confesso que senti o regresso do entusiasmo, e a Páscoa acabou por transformar-se num momento de festa onde estamos com as nossas famílias - inclusivamente no ano passado os primos do Brasil do Pedro (que eu já não via desde que lá fomos em 2015) vieram a Portugal na Páscoa e foi óptimo revê-los.
Este ano íamos passar a Páscoa com os meus pais e estávamos super entusiasmados - afinal, era a primeira Páscoa da Gabi. Os planos mudaram, e honestamente o Domingo de Páscoa foi, para mim, o dia mais difícil de toda esta quarentena até agora. Tínhamos combinado almoçar em vídeochamada com os meus pais mas acabámos por almoçar cedo (com os miúdos a hora de almoço cá em casa é por volta das 12.30h, e os meus pais almoçam às 14h), depois o Matias entrou em modo azeitanço máximo e foi logo de requitó dormir a sesta, a Gabriela dormiu das 13h às 15h... Por isso eu e o Pedro almoçámos e às 13.30h já estávamos sentados no sofá, os dois de roupa de andar por casa, barriga ainda cheia das comidinhas da festa de anos dele no dia anterior, adeus Páscoa. A Joana esteve de urgência, o Bernardo esteve sozinho em Coimbra, o meu irmão está de quarentena com a namorada, 'todos uns para cada lado', como diria a minha avó.
Viver longe das nossas famílias é, em muitas coisas, um hábito. Para nós, não ver os nossos pais durante um mês ou dois não nos causa sofrimento: é normal. Já estamos habituados a que eles vejam os miúdos crescer pelos ecrãs do telemóvel. Já estamos habituados a trocar abraços de dois em dois meses. Mas nos dias de festa, lá estamos nós. Nos aniversários, na Páscoa, no Natal, há sempre família para abraçar. Nesta Páscoa só nos tivemos uns aos outros, e embora isso seja mais do que suficiente nos dias normais, neste não foi. Este foi um dia triste.
Mas enfim, o Matias e a Gabriela divertiram-se. Brincaram, comeram, andaram na palhaçada, dormiram, o Matias fez bolhinhas de sabão e a Gabriela viu, foi um dia divertido para eles. Só espero que tenham sido boas memórias de Páscoa :)
Curiosamente, agora recordo com imensas saudades esses momentos. O meu avô vivo, nós a ir à missa na Igreja da Lapa, a eterna discussão sobre o cabrito, os cinco contos que depois usava para comprar lápis novos no quiosque e coxinhas na pastelaria da rua da igreja no intervalo da catequese, o meu pai a reclamar porque eu cantava ou ouvia música na Sexta-feira Santa, todas estas memórias transportam-me para a minha infância e fazem-me sentir uma felicidade que garanto-vos que não sentia na altura.
Acabámos por transportar cá para casa a falta de tradições pascais das nossas famílias. No entanto, nos últimos anos confesso que senti o regresso do entusiasmo, e a Páscoa acabou por transformar-se num momento de festa onde estamos com as nossas famílias - inclusivamente no ano passado os primos do Brasil do Pedro (que eu já não via desde que lá fomos em 2015) vieram a Portugal na Páscoa e foi óptimo revê-los.
Este ano íamos passar a Páscoa com os meus pais e estávamos super entusiasmados - afinal, era a primeira Páscoa da Gabi. Os planos mudaram, e honestamente o Domingo de Páscoa foi, para mim, o dia mais difícil de toda esta quarentena até agora. Tínhamos combinado almoçar em vídeochamada com os meus pais mas acabámos por almoçar cedo (com os miúdos a hora de almoço cá em casa é por volta das 12.30h, e os meus pais almoçam às 14h), depois o Matias entrou em modo azeitanço máximo e foi logo de requitó dormir a sesta, a Gabriela dormiu das 13h às 15h... Por isso eu e o Pedro almoçámos e às 13.30h já estávamos sentados no sofá, os dois de roupa de andar por casa, barriga ainda cheia das comidinhas da festa de anos dele no dia anterior, adeus Páscoa. A Joana esteve de urgência, o Bernardo esteve sozinho em Coimbra, o meu irmão está de quarentena com a namorada, 'todos uns para cada lado', como diria a minha avó.
Viver longe das nossas famílias é, em muitas coisas, um hábito. Para nós, não ver os nossos pais durante um mês ou dois não nos causa sofrimento: é normal. Já estamos habituados a que eles vejam os miúdos crescer pelos ecrãs do telemóvel. Já estamos habituados a trocar abraços de dois em dois meses. Mas nos dias de festa, lá estamos nós. Nos aniversários, na Páscoa, no Natal, há sempre família para abraçar. Nesta Páscoa só nos tivemos uns aos outros, e embora isso seja mais do que suficiente nos dias normais, neste não foi. Este foi um dia triste.
Mas enfim, o Matias e a Gabriela divertiram-se. Brincaram, comeram, andaram na palhaçada, dormiram, o Matias fez bolhinhas de sabão e a Gabriela viu, foi um dia divertido para eles. Só espero que tenham sido boas memórias de Páscoa :)
![]() |
5 de abril de 2015
Isto e aquilo #43 - Páscoa 2015 :)
E depois de um fim-de-semana marcado por um passeio pelo Porto e de dois fins-de-semana marcados por dois passeios em Lisboa, este fim-de-semana foi dedicado a descansar, dormir sestinhas, cozinhar e comer! :D Soube mesmo bem :D
Entretanto esta semana vai ser mais curtinha porque na Quinta-feira vou para o Brasil ter com o Pedro :D Mal posso esperar :D :D :D
Entretanto esta semana vai ser mais curtinha porque na Quinta-feira vou para o Brasil ter com o Pedro :D Mal posso esperar :D :D :D
| Na Quinta-feira à noite tive um jantar de aniversário no restaurante 'O Fondue'. |
Subscrever:
Mensagens (Atom)


