8 de março de 2021

Tarte de amêndoa caramelizada para um regresso a casa.

Este é o sítio, este é o local,
Leça da Palmeira, terra mais bonita de Portugal.
Eu não sei se vou ficar bem assim,
Eu só sei o que vai ser melhor para mim.

Expensive Soul

Para ser rigorosa, a história desta tarte de amêndoa começa com a Carina. A Carina foi da minha turma da faculdade durante cinco anos (mudei para a turma do Pedro no fim do primeiro ano, e a Carina era dessa turma), por isso conhecemo-nos há quatorze anos. Não sei bem se éramos amigas na altura. Sempre nos demos bem e tínhamos algumas características em comum, mas acabávamos por ter círculos restritos distintos. 

Até que eu contei à Carina que estava grávida da Gabriela, e ela respondeu que estava grávida também.

E se ainda não éramos amigas, foi aí que ficámos. Partilhámos angústias, inquietações e conselhos, passeámos muito, rimos do nosso estado 'baleias e chatas queixosas'. Depois de nascerem as nossas miúdas passeámos as quatro, fomos ao spa e trocámos mensagens de madrugada enquanto as miúdas choravam. 

A Gabriela trouxe muitas coisas boas à minha vida, e uma delas foi a Carina. Também a Beatriz, a Vera, a Alexandra e a Ana e a Inês, amigas antigas de quem me aproximei ou amigas novas com quem partilhei a gravidez, o pós-parto e a vontade de fugir clandestinamente. 

Há umas semanas a Carina estava a ter um dia difícil e eu enviei-lhe uma garrafa de vinho personalizada da Happy Wine Days. Dois dias depois, chegou a minha casa uma caixa da Bordallo Pinheiro com três pratos lindos. E eu chorei. Chorei abraçada a pratos. É isto que o confinamento faz às pessoas. 

Depois disso enviei-lhe flores e ela trouxe-me comida. Também enviei flores à Joana, que como agradecimento trouxe sopa, bolo e bolachas. Enviei flores à mãe do Bernardo, e o Bernardo mandou bombons da Leonidas. Uma espécie de ciclo de carinho e de amizade, que soube tão bem nesta altura tão complexa para todos. 

E gostei tanto dos pratos da Bordallo Pinheiro que encomendei mais dois. E uma tarteira. E uma chávena de café. 

E gostei tanto da chávena de café da Bordallo Pinheiro que um dia abri o site da Vista Alegre. Apaixonei-me por duas colecções, uma em homenagem ao Porto e outra em homenagem a Lisboa, e comprei chávenas de café de ambas. Pareceu-me lógico e apropriado, estando também o meu coração dividido, que tivesse as duas. 

No dia em que as chávenas chegaram apaixonei-me por elas. Como diria o Marco Paulo, não tenho a certeza de qual eu gosto mais. Mas olhei para a do Porto e senti saudades. Não senti saudades da minha vida no Porto, porque gosto incomparavelmente mais da minha vida agora. Mas senti saudades de Leça da Palmeira, da praia da bola de Nivea, da Quinta da Conceição, da vista da nossa varanda para o Porto de Leixões, do café do Mon Ami, de namorar na Serra do Pilar... E da tarte de amêndoa do Casarão do Castelo. 

Íamos ao Casarão do Castelo praticamente todas as semanas. Mudámo-nos para Leça quando eu tinha quatro anos (antes disso vivíamos em Matosinhos), e por isso as pessoas do restaurante viram-me crescer (e hoje em dia os meus filhos já lá comeram). E de todas as vezes eu comia a mesma coisa: lombinhos de pescada com molho de marisco e tarte de amêndoa. 

E que boa era aquela tarte de amêndoa. Era simples: uma base normal, uma cobertura de amêndoa caramelizada, fim. Perfeita. Era a melhor tarte de amêndoa que já comi, e olhar para a chávena de café do Porto fez-me pensar nela. 

E fiz uma tarte de amêndoa. 

Esta receita já apareceu cá em casa inúmeras vezes. Encontrei-a em 2018 e já a fiz para nós, já a levei para o trabalho e já a partilhei na festa da Princesa Cisne. Desta vez fiz uma mini-versão só para mim, para comer enquanto bebia café na minha chávena do Porto. 

E pensei que esta história merecia ser contada aqui. Afinal, não são só as palavras que enchem a barriga: também são as memórias :)

Tarte de amêndoa caramelizada (receita do blog 'As Minhas Receitas')

Ingredientes:

(Nota: normalmente quando faço a receita de tarte 'normal' dobro sempre as quantidades que  a Joana Roque indica, porque tenho uma tarteira maior e porque gosto da base alta e com bastante amêndoa. Neste caso - e para fazer uma tarte pequena - faço metade da receita, daí lerem quantidades como 'meio ovo'.)

* 25g de manteiga amolecida (uso com sal);
* 65g de farinha;
* 25g de açúcar branco;
* Meio ovo;
* Um quarto de colher de chá de fermento;
* 80g de amêndoa laminada;
* 50g de açúcar branco;
* 50g de manteiga;
* 25g de leite.

Confecção:

* Juntar numa taça a manteiga amolecida, a farinha, o açúcar, o ovo e o fermento; 

* Amassar bem até obter uma massa homogénea;

* Colocar no fundo de uma tarteira pequena, esticar com os dedos e picar com um garfo;

* Levar ao forno pré-aquecido a 180º durante quinze minutos;

* Misturar a amêndoa, o açúcar, a manteiga e o leite e levar a aquecer em lume brando até a mistura ficar homogénea;

* Verter sobre a massa ainda quente e levar novamente ao forno durante aproximadamente vinte minutos; 

* Desenformar depois de fria (se aguentarem, não foi o meu caso) e servir. 

Espero que gostem :)

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