23 de outubro de 2014

A dieta paleo vai ao nutricionista... Por Maria João Fialho (Guest Post)

Olá! Eu sou a Maria João, sou nutricionista e com base na minha formação a Joana pediu-me para vos dar a minha opinião informada sobre a dieta do paleolítico.

Antes de mais devo esclarecer que não sou uma especialista neste tipo de dieta e não sou apologista da sua utilização - especialmente para fins de emagrecimento -, uma vez que não é uma dieta apropriada para toda a população (como por exemplo grávidas, diabéticos, doentes renais, entre outros).

Pelas minhas pesquisas fiquei a perceber que a base da dieta paleo é a ingestão de carne e peixe à vontade, frutas, frutos secos e raízes. Se falarmos em nutrientes a dieta é adequada, pois todos os nutrientes essenciais estão presentes, como as proteínas e gorduras na carne e peixe e os hidratos de carbono complexos nas raízes e simples nas frutas.

Vou já dar a minha opinião do ponto de vista nutricional e talvez umas recomendações para quem faz este tipo de dieta.

* Relativamente à carne e peixe, não existia no paleolítico a criação de gado ou viveiros, por isso a procura de alimento promovia um dispêndio de energia brutal que tinha que ser compensado com elevadas quantidades de proteína e gordura - uma realidade bem diferente da de hoje em dia e que não se enquadra nas recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde). A única recomendação que faço é para darem preferência às carnes magras e peixe e restringirem a carne vermelha a duas a três vezes por semana devido à gordura saturada associada.

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* Alerto para o consumo excessivo de fruta, pois alguma frutas têm um índice glicémico elevado e o seu consumo deve ser moderado. Recomendo também que o seu consumo seja o mais variado possível para que não haja défices de vitaminas.

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* Na era do paleolítico não existia agricultura, por isso o acesso a hortícolas como a couve e a alface que consumimos no nosso quotidiano não era possível, mais não seja devido ao seu consumo por parte dos herbívoros. No entanto, eu defendo o consumo regular e variado de hortícolas.

* Penso que do ponto de vista nutricional só faz sentido restringir as farinhas refinadas e não todos os cereais e farinhas, pois esse processo elimina todas as propriedades nutricionalmente interessantes e protetoras desses alimentos (como as fibras e gorduras insaturadas).

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* Relativamente às gorduras, o azeite é a gordura de eleição, embora não existisse no paleolítico. As gorduras provinham essencialmente do peixe e da carne, sendo que a gordura da carne é saturada e o seu consumo como já referi deve ser leve a moderado. Se não utilizarem gorduras refinadas para tempero e confeção, uma boa opção são os frutos secos e sementes para atingir as doses recomendadas.

No entanto, a minha opinião é de que esta dieta não se adequa à realidade dos tempos de hoje. Durante a era do paleolítico o homem era um caçador-coletor, e embora já tivesse descoberto o fogo não há evidências de que o utilizava para cozinhar - por isso quem faz esta dieta de forma restrita deveria ingerir alimentos crus e evitar alimentos que tenham sofrido processos industriais como o azeite, os óleos alimentares, o sal, entre outros alimentos em que a confecção é benéfica pois permite a melhor absorção de alguns nutrientes.

Eu penso que hoje em dia existem outras 'dietas' que são nutricionalmente equilibradas e atingem os mesmos objetivos da dieta do paleolítico: consumir os alimentos da forma mais natural possível, sem aditivos e sem processos industriais. Não sou uma defensora, mas se esse é um dos motivos então a dieta macrobiótica e a dieta alcalina são uma boa opção.

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Maria João Fialho é licenciada em Ciências da Nutrição pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e encontra-se actualmente a frequentar o Mestrado em Biotecnologia e Inovação. Dá consultas na VilarClínic e na Casablanca, em Vila Nova de Gaia.
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