2 de dezembro de 2019

A aguinha do cu lavado, parte 2.

Lembram-se de quando a minha avó (sim, foi a minha avó!) tentou dar água do banho ao Matias, dizendo que 'a aguinha do cu lavado torna um filho bem-comportado'?

Depois das considerações que conto nessa publicação, surgiram inúmeras. O menino não podia ver-se ao espelho até ter um ano senão qualquer-coisa-que-não-me-recordo, coitadinho do menino que bebe o leitinho frio e isso faz-lhe mal por razões, o menino está sempre muito magrinho e por aí fora.

Mas desde que nasceu a Gabriela temos um conjunto novo de avisos, e temos achado imensa graça a isto. Vejamos:

(Quando comentei que a miúda é chorona): 'A menina chora porque tem dores porque as meninas tomam as dores das mães. Se a mãe não tem dores, tem a filha.'

(Quando disse que ia deixar de amamentar): 'Tens é de ter cuidado por causa do teu peito. Olha quando foi da tua mãe pus dois raminhos de salsa debaixo dos braços para me secar o leite e resulta!'

(Quando me queixei que a Gabi dorme que nem uma morta durante o dia e chora que nem uma desesperada durante a noite): 'Está com os sonos trocados! Quem sabia uma oração mesmo boa para isso era a minha madrinha. Ias para um cruzamento, andavas no sentido dos ponteiros do relógio e dizias aquela oraçãozinha e resultava mesmo! Que pena que a minha madrinha já não está cá...' (aposto que depois disto a minha avó foi perguntar a todas as velhinhas de Leça da Palmeira se conhecem a dita oração) (por acaso não conhecem? Sei lá, mal não faz!) :D

(Quando conto o que vamos fazendo durante o dia): 'Não podes sair de casa Joaninha! Estás no resguardo filha! Ainda nem tens um mês de parto e já andas a passear?'

(Estava a dizer que ia lavar roupa): 'Não dês roupa tua do resguardo para ninguém lavar Joaninha! Conheço quem tenha recebido muito mal por ter dado essa roupa a lavar, olha o mau-olhado!'

E isso sem falar na preferida 'E quando é que baptizas essas crianças Joaninha? Ai coitadinhas dessas alminhas que não entram no céu' :D

Nós achamos imensa graça a isto, confesso, até porque a minha avó não é nada invasiva com estas coisas e diz isto porque gosta de nós, gosta de cuidar e fica preocupada. E pronto, é engraçado e não ficamos nada ofendidos :)

23 comentários:

  1. Estava eu aqui com um humorzinho de treta e aparece-me isto :D Muito bom, fartei-me de rir! Essa da salsa nas axilas então é demais!

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  2. Tens de dizer à tua avó que desde 2007 que o Vaticano decretou o fim do Limbo ahah a partir de 2007 as alminhas foram todas para o céu xD

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  3. A da "aguinha de cu lavado" é de morrer a rir. O facto do M. não ser batizado contraria bastante parte da família... Quando ele era pequenino ouvimos o comentário que ele chorava muito porque não era abençoado (por não ter feito o baptismo)! 🤷

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    1. Ui aqui é um fartote de queixas por causa do baptismo. A sorte é que posso sempre mandar as culpas para cima do Pedro, toda a gente sabe que ele é um tinhoso :D :D :D

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    2. Aqui a tinhosa sou eu 🙈 ou melhor, no fundo também não sei até que ponto o baptismo faz imenso sentido para o meu marido. Mas tenho certeza que se não fosse por mim ele o teria feito sem se questionar, simplesmente porque para ele "é normal". Mas isso contraria imenso a família do meu marido. Ainda por cima eles têm imensos bebés na família : todos com o baptismo. Acho que dá para imaginar a saga que foi no início. Chegou a um ponto que para mim os comentários deixaram de ter graça... E acho que eventualmente perceberam isso e agora são cada vez menos frequentes. Ou isso, ou "esqueceram"... Entretanto se calhar se tivéssemos outro filho iriam lembrar-se novamente. Mas olha aqui em França existe o baptismo cívil! Nós ainda pensamos nisso, mas entretanto não tínhamos nunca sequer escolhido os padrinhos (sim, o M. não tem padrinhos) e achámos que os comentários sobre o baptismo religioso iriam continuar de qualquer forma. Então esquecemos isso também. 🙃

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    3. Por aqui desistiram da parte religiosa e começaram a apostar no facto do Matias ficar 'confuso' porque não tem padrinhos 'oficiais' -.- A Joana e o Bernardo são os padrinhos dele, mas não oficialmente claro. Ele chama-lhes 'titis', como faz ao meu irmão e à irmã do Pedro. E quando eu engravidei e explicámos que o titi Tiago era mano da mãe e a titi Cris era mana do pai o Matias perguntou logo 'e o titi Bernardo é mano de quem?'. Lá explicámos que o Bernardo e a Joana eram muito nossos amigos e eram padrinhos dele, mas para ele o conceito de 'padrinhos' não existe. Um dia quando for mais crescido explicamos-lhe, mas não acho que ele se vá sentir prejudicado de alguma forma por não ser baptizado. Se sentir, baptizamos :)

      Eu por mim baptizávamos. Acho bonito e gostava. Mas o Pedro não quer, por isso não há mesmo nada a fazer. Basta-me rezar que os miúdos queiram baptizar-se :P Já com a catequese é a mesma coisa. Eu gostei imenso de andar na catequese nos primeiros anos (depois passei a ter catequistas maus e odiava), e gostava mesmo que os miúdos andassem na catequese. Mas isso também acontecia comigo porque não fazia desporto nem tinha grupo nenhum, por isso a catequese era uma forma de fazer amigos fora da escola. Depois comecei a ter aulas na escola de inglês e fui guia (semelhante aos escuteiros mas só com meninas) e a catequese perdeu um bocadinho esse encanto. Mas o Pedro não quer, e sinceramente depois de ver o filme d'O Caso Spotlight também mudei um bocado de ideias. Contigo foi o Joker, comigo foi esse que me traumatizou :P

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    4. Eu nunca vi esse filme. Mas fui ver de que se tratava e conhecendo-me como me conheço eu acho que ia ficar a atrofiar durante algum tempo. Eu já tenho imensos medos e essas coisas só os alimentam. Medricas me assumo, mesmo. Mas confesso que eu não tinha tantas pancas antes de ter o M. Com o nascimento do M. nasceram em mim imensos medos novos. Acho que lá para a adolescência quando eu já não souber onde ele está e com quem etc vai-me dar qualquer coisinha. Eu que achava um exagero toda a preocupação da minha mãe. A minha mãe chegou ao ponto de ligar à polícia para ir a casa da minha irmã. Nós as 3 falamos sempre com a minha mãe antes de dormir . Ou se formos chegar mais tarde avisamos que pode dormir , não estamos em casa , mas está tudo bem (normalmente mandamos mensagem quando chegamos ou então já sabemos que às 6h da manhã está ela a ligar a dizer que não dormiu nada, a perguntar se chegamos bem).�� E um dia a minha irmã do meio não atendeu nem ligou. Ao meio da noite a minha mãe que já estava a ficar desesperada ligou à polícia para ir a casa da minha irmã. Achei que eles foram super gentis porque foram (imagino o drama que não deva ter feito ao telefone ��). E ela tinha simplesmente o telemóvel sem som e adormecido. Agora imagina o susto de acordares ao meio da noite e vires a polícia à tua porta. �� E nós sempre achamos isto tudo um exagero e até nos riamos dela e ela sempre dizia "um dia vocês vão entender". :D Pois, eu acho que vou fazer um esforço enorme de tentar não ser assim... Mas ainda não cheguei à adolescência e já a entendo perfeitamente.
      Eu tenho o baptismo. E até sou casada pela igreja. O que foi uma batalha enorme com o meu marido. Eu não queria um casamento religioso. Ele não queria abrir mão. O que me chateava imenso é que ele não tinha grandes argumentos. para ele o casamento que não fosse religioso era menos "válido", porque era o "normal" para ele, mas sem nenhum argumento plausível. Acabei por ceder, mas ficou claro o acordo que se um dia tivéssemos filhos eles não seria baptizados, excepto se eles pedissem. Que eles teriam direito a escolher a religião que queriam seguir ou nenhuma se fosse essa a vontade deles. O meu marido concordou. No entanto, a história do casamento deu direito a muitas discussões e eu digo muitas vezes que o casamento nos "desuniu" mais do que uniu e que isso não faz sentido nenhum. Foi mesmo a nossa pior fase. Eu senti que ao casar por igreja estava a anular uma parte de mim, dos meus valores e daquilo em que acredito e achei que ele não entender isso era não amar aquilo que sou. Mas lá está, também reconheço que se calhar eu é que sou uma pessoa muito complicada e penso demais.
      Eu sempre vi a Igreja como algo obscuro. Em pequena associava a morte à Igreja. Não sei bem porquê, mas acho que por assistir de perto à morte e funerais de pessoas próximas ainda ainda criança. Comecei a associar a morte à Igreja. E achar a Igreja um local muito obscuro. Andei na cataquese também, mas só gostava da parte de estar com outras crianças. Ou seja, tudo o resto não me fazia sentido e não era propriamente algo que eu gostasse. Aliás, até hoje lembro-me de como fui "Obrigada" a participar num teatro de Natal pela catequese e mesmo que só tenha feito uma personagem secundária que nem precisava de falar. Houve quem dissesse que eu tinha passado tão rápido (a personagem era fazer de conta que era uma pessoa às compras a passear com sacos com presentes de Natal) que nem me tinham visto. A minha amiga que supostamente ia comigo às compras disse que eu andei tão rápido que ela quase não me conseguia acompanhar. Ahahah e lá está, eu não queria mesmo participar, porque tinha (tenho) uma certa fobia de estar num palco onde muitas pessoas estar a ver... quando participava em festas, por exemplo, a cantar num grupo grande não me fazia confusão.

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    5. Eu entendo quem acredite em Deus. Eu própria achava que não acreditava, mas às vezes acho que não sei nada de nada. E entendo perfeitamente quem acredite e precise de acreditar para dar algum sentido às suas vidas e mesmo ajudar a ultrapassar algumas dificuldades. Mas a história da Igreja enquanto Instituição está associada a imensos crimes. A religião para mim sempre criou mais mal que bem. Sempre gerou mais conflitos que paz. Mais mortes que vida. Acho que as religiões acabam por ser mais uma forma de afastar as pessoas do que uni-las. Mas se um dia o M. quiser ser baptizado irá ser baptizado claro. :) Assim como se ele quiser seguir uma outra religião irei apoia-lo na sua escolha.

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    6. Por aqui os meus pais não são muito 'chatos', mas sempre foram muito rígidos. Ou seja, não se preocupavam onde eu estava porque não me deixavam ir a lado nenhum :P Entretanto eu entrei na faculdade em Lisboa e comecei a sair sem lhes dizer (ou seja, eles ligavam às 21h, tudo bem, e depois do telefonema eu saía), e ainda hoje a minha mãe diz que isso foi o melhor que eu fiz porque senão ela ia ficar preocupada :) Mas eu também nunca fiz nada de especial, fazia as coisas normais de quem entra na faculdade numa cidade diferente. Muitos copos e tal :) Nunca dei grandes motivos para preocupação. Já com as viagens, como a minha mãe tem o trauma da minha avó (que quando nós íamos viajar podia acontecer um desastre num continente diferente que a minha avó ficava logo em pânico, e nem me faças falar do 11 de Setembro, porque a minha mãe estava em Paris e foi UM FILME) nunca nos chateou muito. Quando fui para a Amazónia em 2015 fiquei sem rede no telemóvel e achei que em quatro dias sem notícias a minha mãe ia ficar em pânico. Mal tive rede novamente liguei-lhe e lá estava ela muito calma 'ah sim, imaginei que tinhas ficado sem rede' :D

      Aqui quem gostava de casar pela igreja era eu, e casámos porque para o Pedro era indiferente. Mas com o baptismo é diferente, por isso só me resta respeitar a opinião dele :) Se ele não quisesse casar pela igreja também não casava :)

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  4. Não recebeste uma galinha velha para comer durante o resguardo?
    A das dores, o meu marido também se sai com essa quando estamos com outros casais que têm bebés que choram por causa das cólicas. Essa explicação deve ser recorrente na zona, ele é do concelho de Matosinhos.
    Nunca tinha ouvido falar no termo "oura" até um dia ele se ter queixado que que se encontrava em tal estado.

    Já tinha ouvido a dos sonos trocados.

    E o pânico pela possibilidade de os meninos que ficarem ougados?

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    1. Estar ourado é uma chatice :D

      A Gabi nasceu com dois cabelinhos em pé e a minha avó disse logo 'isso é um peidinho, esta menina nasceu ougadinha' xD

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  5. Tão giro! hehehe ele há com cada ditos.. é engraçado ver a quantidade de "superstições" à volta de uma criança... :D :D

    Beijinhos,
    passa lá no blogue e deixa um ola ;)
    http://sudelicia.blogspot.com/2019/12/maquina-de-aromaterapia-rainbow-como.html

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  6. Essa da aguinha de cu lavado a minha avó também a diz mas com uma finalidade diferente, "Aguinha de cu lavado, para falar declarado".
    A melhor só mesmo que não posso lavar a roupa na máquina, tem de ser tudo à mão e sem torcer, para o menino não ficar com dores.

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    1. Também há uma qualquer da aguinha do cu lavado contra o mau-olhado :D

      Sim, essa do torcer a minha avó também disse do Matias, mas já desistiu. Mas quando vem cá ainda lava a roupa dos miúdos à mão :D

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  7. Opá que máximo! Coisa mais tola, mas também mais querida, essa preocupação dela :D

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    1. É isso, é mesmo preocupação genuína. E ela sofre imenso a pensar nestas coisas, que os meus filhos podem não estar bem por esta ou aquela razão :)

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  8. Ahahah! Eu adoro essas coisas! Quase que me deu um treco quando a minha avó meteu água do banho na boca do meu primeiro filho e disse “aguínha de cu lavado contra o mau olhado”!
    Se o miúdo tinha soluços queria meter um fio vermelho na testa colado com cuspe, se ele bocejava lá começava ela muito baixinho “avé Maria, Jesus e tralala guarde este menino”. SEMPRE!
    Fez cocó? “Graças a Deus”
    Não fez cocó? “Mete-lhe um trocinho de couve com azeite no rabinho que faz logo”
    Revirou os olhos? “Está a brincar com os anjinhos”
    Eu a contorcer-me de dores pós-parto? “Ainda bem que é para ela não te tomar as dores”
    Estender a roupa de noite? “Não podes pq senão ganha lua e passa para o bebé” (?)
    Não dorme de noite? “Mete uma tesoura aberta debaixo do berço”/“mete uma vassoura atrás da porta”/“tens de sair por uma porta e entrar por uma janela”
    Beber água enquanto amamento “não podes pq ganhas gota” “o que é gota, avó?” “Gota é uma doença” “mas que doença?” “OLHA NÃO SEI! Ficas com gotas nos ossos e não podes beber, porque é assim!” xD

    O batismo, então, foi uma luta, pq tanto eu como o meu marido somos batizados, fizemos parte do coro da igreja, ele foi acólito durante muitos anos, fomos os dois escuteiros durante 20 anos (e eu ainda fui reabrir uma companhia de guias que estava inactiva depois de sair dos escuteiros), portanto foi um choque quando decidimos que íamos casar pelo civil e não íamos batizar as criancinhas. Infelizmente ao longo do tempo fomos sendo confrontados com algumas coisas q não gostamos na igreja e o funeral do meu avô, em 2013, foi a gota de água.
    Claro que devido a não batizarmos os miúdos ouvimos que eles não vão para o céu, que não estão protegidos de doenças, entre outras coisas. Já lhes expliquei que Jesus só foi batizado com 30 anos, ainda há tempo, mas percebo q faça muita confusão à minha avó e aos nossos pais.



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    1. Conheço alguns desses! Os soluços a minha avó diz sempre que é frio (em defesa dela os meus filhos sempre tiveram imensos soluços, e de facto no caso do Matias notamos que acontecem mais quando ele tem frio). A da couve com azeite no rabinho também conheço, e o estender a roupa de noite também (mas a minha avó sempre disse que fazia mal com a nossa roupa também). Essa da gota é gira :D

      A eles faz-lhes imensa confusão. Primeiro era por causa da questão religiosa, agora falam da questão dos padrinhos, enfim. Eu gostava, sou sincera, mas não posso baptizar sozinha por isso é o que há :D E na verdade nem é só a minha família que insiste imenso nisso, os nossos amigos também :P

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  9. Vou ser sincera, eu não tenho paciência nenhuma para essas tangas. Não acredito em nenhuma. Devo ser a pessoa mais céptica à face da terra, não acredito em deus, em espíritos, experiências paranormais, mau-olhado, enfim. E essas superstições relacionadas com as crianças, então... opa, as pessoas dizem as coisas com tanta seriedade e convicção que só me dá vontade de rir por pensar como é possível acreditarem em algumas coisas que me parecem tão absurdas xD

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    1. Eu acho super engraçado. Também não acredito em nada, mas no fundo as pessoas dizem isto porque gostam de nós e preocupam-se. Prefiro assim do que ninguém dizer nada porque não quer saber :P

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