27 de junho de 2018

Barcelona com uma criança de dois anos - A logística

Há um ano fiz uma publicação sobre a logística de viajar para Santorini com um bebé de um ano, e entretanto ocorreu-me que podia fazer uma actualização - até porque esta viagem a Barcelona foi (ainda) mais desafiante nesse aspecto. Assim sendo, aqui vão algumas ideias.

1. No aeroporto

Eu tenho no aeroporto a mesma postura que tenho nos outros sítios todos: deixar o Matias explorar, correr, rastejar, sujar-se, mexer nas coisas, meter-se com as pessoas, enfim, ser uma criança normal :) Comprei três livros novos e levei uma bola, um ursinho e uma data de livros antigos que ele gosta. Levei o carrinho para ser menos cansativo para ele, mas no fim acabámos por usá-lo muito pouco porque o Mati gosta é de correr (e pirar-se!).

Mati a pirar-se



2. No avião

No ano passado o Mati fez a viagem de avião na maior, até porque ainda era pequenino. Este ano foi mais desafiante: com dois anos o Mati já precisa de ficar sentado na sua própria cadeira, com o seu próprio cinto (que rapidamente ele aprendeu a abrir). Optei por ir falando do assunto durante a semana, por isso quando o Matias chegou ao aeroporto já sabia que íamos andar 'no avião'. Ainda fez uma birra ou outra para ficar sossegado durante a aterragem e a descolagem, mas nada do outro mundo. Comeu o pãozinho que a TAP deu e eu também tinha levado tortilhas de arroz :) O voo fez-se bastante bem, e entre os livros, saltar em cima de nós, abrir e fechar as janelas e as mesas e meter-se com as pessoas sentadas à frente ou atrás, o Mati lá se foi entretendo :)


3. Do aeroporto para a cidade

Queríamos um meio de transporte rápido e prático, por isso optámos por ir de carro. Como nem o táxi nem o Uber garantem cadeirinhas para bebés, usámos o Cabify, onde podem pedir especificamente carros com cadeirinhas. Tivemos uma óptima experiência, tanto a ir como a voltar.


4. Alojamento

O Pedro está num apartamento com dois quartos, e já tinha sido decidido que o Mati dormia connosco, a Joana dormia no outro quarto e o Bernardo dormia na sala. Ainda andei algum tempo indecisa entre levar a nossa cama de viagem (opção fácil mas que implicaria carregar com aquele trambolho) ou alugar uma cama de viagem lá (opção também fácil mas que implicaria gastar setenta euros). Se fôssemos mais tempo possivelmente optaria mesmo por alugar a cama, mas assim decidi comprar um colchão insuflável e rezar aos santinhos - na pior das hipóteses, deitávamos o Matias na nossa cama e pronto. Entretanto quando lá chegámos descobrimos um colchão de criança num armário, por isso o Mati dormiu aos pés da nossa cama nesse colchão (tinha levado lençóis, mantinhas e os três peluches com os quais o Matias dorme). É claro que não dormiu tão bem como o costume, mas faz parte :)




5. Comida

Foi a balda total. Decidi descomplicar, e a única coisa que levei foram as tortilhas de arroz. Entretanto esqueci-me que os espanhóis comem tardíssimo (o Mati almoça às 11.30h e janta às 18.30h e os restaurantes abriam às 20.30h!), por isso as refeições não foram tão 'rígidas' e optámos por dar comida ao Mati com mais frequência: pão, leite, fruta, sumos naturais de fruta, tapas, por aí. No fim ele não passou propriamente fominha, mas apanhou uma gastroenterite leve.

A comer morangos que comprei numa banca perto da Sagrada Família
Sumos naturais da La Boquería
6. Siestaaaaa!

Adaptarmo-nos ao facto do Mati fazer sesta nas férias foi fácil, porque dormiu ele e dormimos nós :D :D :D Com o calor, a barriguinha cheia e o cansaço soube-nos pela vidinha :D É claro que é um bocadinho 'chato' ter de parar entre as 12h e as 15h (e no caso do Mati temos mesmo de parar porque ele não gosta de dormir no carrinho), mas há que ver o lado positivo :D


7. Visitas

Nós tínhamos um plano maleável de coisas que queríamos ver: o CosmoCaixa (museu da ciência), a Sagrada Família, as Ramblas, a La Boqueria, a Catedral e alguns pontos de interesse perto do nosso apartamento. Não conseguimos ir ao museu porque o Mati dormiu uma sesta enorme nesse dia e não tivemos tempo, mas fizemos o resto do programa nas calmas. Tenham a atenção de verificar se as coisas que querem fazer são adequadas para crianças - eu andei semanas a pensar na logística de visitar as torres da Sagrada Família com o Mati (porque há elevador para subir mas não para descer) e no fim descobri que só dá para subir com crianças maiores do que seis anos! :)

Mati a ouvir o audioguia na Sagrada Família com os joelhos todos sujos de andar pelo chão :D

8. Carrinho - yay or nay?

Na publicação de Santorini disse que 'nunca mais ia levar o carrinho para lado nenhum', e na verdade isso fez-me todo o sentido na altura... Quando o Matias tinha um ano. Agora no dia-a-dia nunca usamos carrinho e o Mati anda sempre a pé, às cavalitas ou ao colo, mas nas férias deu jeito ter essa alternativa - nem que fosse para carregar com as nossas malas :) É claro que o Matias andou muito pouco no carrinho, mas deu jeito para algumas situações.




9. Saúde

O Mati tem Cartão Europeu de Seguro de Saúde, levei o paracetamol, o ibuprofeno, o Microlax e o Fenistil em gotas e tínhamos a pediatra connosco, por isso foi tudo tranquilo :)

 

10. Birras e afins

Cá em casa o Mati tem uma autonomia brutal. Ele é que decide o que veste (normalmente é a roupa dos dinossauros), com o que brinca, o que faz, para onde vai na rua (só o obrigamos a dar a mão na passadeira, no resto do caminho ele vai pelo passeio sozinho), se quer colo ou não, se prefere laranja ou maçã, que brinquedo quer levar para a rua, que sapatos quer calçar, etc etc. É óbvio que as escolhas têm consequências (quando quis ir para a escola de pantufas teve de ir ao colo porque as pantufas não são para andar na rua, quando não quer comer sopa também não come mais nada, por aí), mas ele já percebeu isso e é um miúdo independente e, na grande maioria dos dias, muito fácil de aturar. Ora em Barcelona isto não foi tão fácil de gerir porque em algumas situações o Matias não tinha opções: não podia ir a andar sozinho na rua, às vezes tinha de ir para o carro, tínhamos de esperar pela comida, tinha de ir sentado no avião com o cinto de segurança apertado... Enfim. Ainda tivemos direito a algumas birras, mas nada do outro mundo, e acho que no geral o Mati até foi bastante compreensivo :)

Deitado no chão da Sagrada Família :)

11. (Quase) Toda a gente gosta de bebés!

Na publicação de Santorini falei da minha surpresa com o facto das pessoas à nossa volta se envolverem com o Mati e brincarem com ele, tornando assim a experiência muito mais agradável para todos. Nesta viagem isso voltou a acontecer, e sinceramente nunca senti que a presença do Matias aborrecesse alguém em nenhum contexto (avião, restaurantes, na rua, etc). Muito pelo contrário: não faltaram pessoas a brincar com ele, a falar com ele, a deixá-lo fazer festinhas nos ãoãos, a fazer o jogo do cucu e por aí fora :) 

Mati a brincar às escondidas :D :D :D

E pronto, foi isto :D Espero que tenha sido útil :D

20 comentários:

  1. É engraçado como tendo filhos praticamente da mesma idade (a minha uns meses mais velha) acabamos por ter experiências diferentes. :) Já no outro post tinha comentado que não tenho essa sensação de (quase) toda a gente gostar de bebés. Com a Mini-Tété não sinto isso talvez porque eu mesma não sinto isso. Gosto de bebés e crianças mas há um espaço à volta de mim que não gosto de ver invadido. :) Sou a mãe que no parque brinca com todas as crianças mas que me encolho toda se alguma (que não a minha) se senta encostada a mim ou me abraça as pernas toda ranhosa. :P Talvez por isso esteja mais atenta a quem como eu não tem interesse que a Mini-Tété invada o seu espaço. Não que haja grandes probabilidades disso porque ela não tem grande interesse a meter-se seja com quem for. :D

    Não tenho nada a ver com isso e se calhar até se vão rir com isto, mas eu teria posto as minhas mãos no fogo que a Joana e o Bernardo eram um casal (daqueles que dorme no mesmo quarto, portanto :P). Acho que fui pela lógica: estão sempre os 4 juntos, tu e o Pedro são um casal, então...os outros dois também são. :P

    Nós também já não usamos carrinho, mais ou menos desde que ela começou a andar. Ainda por cima na última viagem de avião, partiram-no e foi uma carga de trabalhos assumirem a responsabilidade de o arranjar por isso nunca mais. :)

    A Mini-Tété aqui também tem a liberdade de decidir minimamente a vida dela (não tanto como o Mati porque ela não vai de pantufas para a rua, de certeza. :P) e o que resulta bem por aqui é explicar tudo, seja no dia-a-dia (por exemplo, que as pantufas não vão para a rua porque ficam todas sujas) ou para eventos futuros (avião, aeroporto) de forma a que ela saiba o que a espera. Acho que a torna menos preparada para as coisas inesperadas da vida mas penso que nesta fase é mais importante que eles sintam que controlam algumas coisas. Ela não é de muitas birras e, sabendo ao que vai, tornam-se raras.

    As fotografias estão muito giras. :)

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    1. É muito isso, sim, Acho que miúdos mais sociáveis também trazem esse lado das pessoas mais cá para fora. Na ida para lá vinha uma moça atrás de nós a trabalhar com umas folhas e a dada altura o Matias começou a fazer cucu e a rir-se e depois de eu ter dito que 'a menina está a ler' deu-lhe o livro do Ganso Gastão todo contente. Ela pareceu achar piada :P E exemplos como este tenho aos montes. Sinceramente acho que me passam um bocado ao lado as outras situações, porque farto-me de ler blogs com mães a queixarem-se de situações (como os outros pais serem desadequados, os outros adultos no geral serem desadequados, críticas, apontar de dedos, etc) e eu nunca tive nenhuma situação assim. No máximo aconteceu-me uma vez num restaurante, teria o Matias um mês ou dois e não parava de chorar e duas senhoras idosas fizeram um comentário desagradável, mas basicamente foi isso. Não sei, não devo estar atenta a essas coisas provavelmente :P

      Deixa lá, durante muito tempo os pais da Joana e do Bernardo também achavam que eles eram namorados :D Toda a gente acha :D Mas não são, somos todos tão amigos que é quase como se fôssemos irmãos, por isso isto de eles parecerem namorados faz-nos rir à brava :D Mas não, infelizmente são os dois uns encalhados de primeira cuja vida amorosa não desanda, para grande tristeza minha que passo a vida a intrometer-me :D :D :D

      Este carro custou uns trinta euros, por isso se mo partirem também não fico a chorar. Deu jeito principalmente no aeroporto, por causa das malas. Mas lá está, também não seria imprescindível :)

      Aqui não resulta explicar porque o Matias é um miúdo impulsivo e dá-me a sensação que se está a borrifar para as explicações que dou. Parece-me que funciona melhor com consequências lógicas: hoje fez uma birra porque não queria tirar os sapatos quando chegou a casa, por isso eu não o deixei entrar no sítio onde estão os brinquedos porque ele sabe que só podemos sair do hall de entrada sem sapatos. Ou no outro dia, quando ele estava a brincar com a Barbie enquanto estava na sanita e eu disse-lhe para ter cuidado com os sapatos da Barbie e ele mandou-os propositadamente pela sanita abaixo. Vai daí, eu disse 'agora os sapatos estão na sanita, vão por água abaixo como o xixi' e puxei a água. Desde então todos os dias ele pergunta pelos sapatos, e todos os dias eu lhe digo 'atiraste-os para a sanita, agora foram por água abaixo'. Ele funciona melhor assim, parece-me :P Foi pena pelos sapatos, mas enfim :D :D

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    2. Bom, eu não me refiro a comentários desagradáveis. Eu não os faço para com as crianças dos outros e também acho que nunca ouvi nenhum dirigido à Mini-Tété. Mas já ouvi de outras pessoas para crianças de outros. Ainda esta semana no parque, um miúdo desatou a guinchar porque a mãe não o deixava fazer uma coisa e um avô de outra criança que estava mesmo ao lado, disse ao miúdo com um tom super severo "Já chega!". Claramente não tem paciência para birras alheias. :P

      Eu no avião também me respondo se alguma criança se mete comigo. E nas filas de supermercado. Vá, eu não sou assim tão anti-social quanto isso. :) Mas como vejo outras pessoas que não fazem o mesmo, acredito que seja porque não querem ser incomodadas.

      Opah, eu juro que pensava que ias dizer que tinham sido namorados até à semana passada mas que por coisas da vida estavam amigos e solteiros. Huuum, se calhar estão encalhados porque todos os possíveis pretendentes acham que eles são um casal e nem se aproximam! :D

      Eu também sou fã do "comportamento gera consequência". Aliás, faz-me mais sentido as consequências do que os castigos. Acho que eles aprendem melhor com as primeiras e também as aplico com a Mini-Tété. Mas ela tem de facto outro feitio, ahah, e por exemplo nessa história das sapatos, após a minha explicação, ela não só não os mandaria para a sanita como era menina para, mal apanhasse os avós no Skype, lhes explicar que não se põe os sapatos na sanita.:P

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    3. Olha isso nunca me aconteceu, talvez porque a grande maioria das birras do Matias consiste em deitar-se no chão sem fazer nada :P Na foto em que ele está no chão está a 'fazer uma birra', o que no caso dele é basicamente 'preciso de uma pausa deste excesso de informação'. No aeroporto à vinda para cá ele também fez isso e eu olhei para ele e disse 'olha que boa ideia Matias!' e sentei-me ao lado dele :P A Joana e o Bernardo ficaram um bocado 'WTF?', mas pronto, também só estivemos ali uns dois minutos e depois ele levantou-se (com grande pena minha que realmente também estava a precisar de uma pausa). Talvez seja por isso que nunca me senti propriamente 'criticada': o Matias não faz aquelas birras de chorar e espernear (quer dizer, já chegou a tentar, mas nós fazemos contenção física e lá vai ele para o nosso colo onde não consegue espernear grande coisa e acalma-se). Sabes que também já pensei se será algo social, porque tenho ideia que vives noutro país e acho que isto de nos metermos muito com as crianças é uma cena muito 'mediterrânica'. Quando fomos para Santorini a dada altura veio uma miúda meter-se connosco e nós ficámos ali a dar-lhe imensa trela, e os pais a chamá-la e a dizerem para ela 'não aborrecer as pessoas'. Passado uns cinco minutos já andava a fazer cavalinho em cima da minha avó e os pais ali todos incomodados (não com a situação pareceu-me, mas com o facto da miúda nos estar a 'aborrecer' ou a 'invadir o nosso espaço').

      Por acaso há mesmo muita gente que acha que eles são um casal, mas não acredito que isso tenha influência porque eles até vivem em cidades diferentes e tudo (a Joana agora está cá, mas o Bernardo está em Coimbra). Acho que é mesmo uma questão de disponibilidade sinceramente. Às vezes penso que se não tivesse começado a namorar com o Pedro na faculdade não sei se agora teria tempo/paciência/vontade para passar aquilo que a Joana e o Bernardo passam honestamente. Na nossa área as pessoas trabalham imenso, têm personalidades tramadas, não têm disponibilidade nenhuma... Lembro-me particularmente de uma amiga minha que foi viver com o namorado que era engenheiro e passado um mês acabaram e ela contava coisas do género 'chegava depois de uma urgência de 24h e o gajo nem sequer tinha posto a roupa a lavar!'. Enfim, não é fácil. Eu sei que a grande maioria das pessoas acha que temos grandes vidas (e temos, de certa forma, não precisamos de nos preocupar muito com dinheiro, podemos viajar, etc), mas não é mesmo nada fácil viver/namorar/casar com um médico. E eu sei o que digo porque cá em casa somos dois :P

      Eu nunca castiguei o Matias :P Mas eu sou uma pessoa sui generis, também não lhe grito, raramente me passo... Lá está, sinto mesmo que nestes momentos isso não ajuda ninguém. Mas sim, eu explicar-lhe porque não pode mandar os sapatos só o faz mandá-los mais depressa para ver o que acontece :P Agora todos os dias pergunta por eles, é a vida :P

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    4. Sim, vivo em França. Talvez isso ajude. A verdade é que ela nasceu aqui por isso é aqui que faço a maior comparação. Não sei se em Portugal seria diferente porque nas férias adoptamos o mesmo comportamento por isso não consigo ver as diferenças.

      Sim, imagino que os horários não ajudem. O Jack não é médico mas tem horários que não lembram ao diabo e por isso há que ter as coisas bem articuladas. Hão-de encontrar a pessoa certa e nessa altura saberão (ou então apaixonam-se mesmo um pelo outro :D).

      Eu também nunca castiguei a Mini-Tété, não só por nunca ter tido necessidade mas também porque aqui a burrinha não sabe como castigar uma miúda de 2 anos. :P Passa-me com certeza qualquer coisa ao lado mas dizer algo como "A mamã disse para não mandares os sapatos para a sanita, tu mandaste e por isso agora ficas uma semana sem veres televisão ou sem brincares com os legos" parece-me apenas esquisito porque uma coisa não tem a ver com a outra (se ela tentasse mandar a televisão ou os legos, aí sim). Aqui há consequências directamente ligadas ao erro feito porque é que o que me faz mais lógica.
      E também não lhe grito, mas disso até já falámos uma vez. :)


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    5. Sabes que ontem o meu irmão ficou horrorizado porque o Matias estava a beber água do copo, caiu água ao chão e eu disse com a maior naturalidade 'limpas o chão se faz favor?' e o Matias lá foi buscar o pano e limpou o chão, normalmente, como faz em todas as situações do género. O meu irmão ficou escandalizado mesmo, disse logo que isto era tratar o Matias como se fosse meu criado... Mas não, é mesmo esta nossa cena das consequências.

      E às vezes olha, tudo falha. Hoje atrasei-me no trabalho, só cheguei à creche às 18 (vida de mãe solteira é uma merda, normalmente o Pedro vai buscá-lo às 15 ou 16), viemos para casa, brincámos um bocado, a dada altura disse-lhe que íamos cortar as unhas e começou um berreiro que só terminou literalmente UMA HORA E MEIA DEPOIS. Eu já não sabia o que fazer. Consegui cortar-lhe as unhas mas nem insisti com o jantar (portanto o Matias não jantou porque chorou o tempo todo abraçado a mim), no banho a mesma coisa, vesti-lhe o pijama e foi para a cama e ainda tive de ficar lá um bocado porque ele não parava de chorar, aparentemente sem razão nenhuma. E uma hora e meia depois só me apetecia gritar (não com ele, gritar só), enfrascar-me, fumar uns cigarros, chorar, chatear-me com o Pedro porque ele foi e deixou-me aqui sozinha e ter pena de mim própria. Ou seja, mesmo quando sabemos 'as respostas todas' há sempre dias em que não temos respostas, e é uma merda.

      Mas pronto, amanhã vai ser melhor :)

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    6. Então, hoje foi melhor? :)

      Não terá sido uma reacção à ausência do pai? Estou apenas a mandar para o ar.
      A "maior birra" da Mini-Tété implicou uma mãe (eu) a almoçar sozinha e ela amuada no quarto, recusando-se a falar comigo ou a sair de lá. Não me perguntes o que aconteceu porque não faço ideia.
      A história do copo de água parece-me normalíssima. Nem é apenas "uma consequência", é dar-lhes autonomia para aprender a resolver situações: caiu água, então seca-se com um pano. No futuro não precisará que lhe digas o que fazer quando isto acontece...
      No meu caso, não sinto que saiba as "respostas todas", bem pelo contrário. Digo até, a brincar, que a Mini-Tété começou a falar cedo porque percebeu desde logo que ou me explicava as coisas ou estavam bem tramada com a mãe que lhe calhou em sorte.:)

      No primeiro ano da Mini-Tété, em momentos de stress, chegava a passar a Mini-Tété ao Jack, ia chorar 5 minutos sozinha a sentir-me horrivelmente e depois respirava fundo e ia lidar com a situação. :) Agora, há dias em que depois de ela adormecer, a única coisa que me apetece é sentar-me no sofá, com um cigarro e um copo de algo alcoólico. Ora, eu nunca fumei e não bebo. :D

      Coragem para estes dias. Se vires bem, é só mais um mês como qualquer outro: com dias fantásticos e outros nem por isso. :)

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    7. Claro que foi melhor :P É sempre :P Pior também era difícil, diga-se!

      Eu pensei que pudesse ser pela ausência do Pedro, mas por acaso pareceu-me que esteve mais relacionado com o facto de termos chegado muito tarde a casa e ele não ter podido brincar/divertir-se/distrair-se. Eu própria estava muito ansiosa por me ter atrasado, certamente que passei essa vibe para ele. Mas pronto, tudo melhorou e somos amigos outra vez :P

      Nós aqui também somos adeptos do time-out para nós! Mas sem o Pedro cá não há time-out para ninguém! Sinto mesmo falta disso sinceramente. No meu caso eu nem era muito de chorar, geralmente deitava-me na cama a sentir-me uma bosta de mãe e etc. Mas nem era assim tão frequente quanto isso, porque lá está, sendo duas pessoas a partilhar o trabalho é muito mais fácil. Queremos mesmo avançar com o segundo filho, mas são dias como Quinta que me fazem pensar que depois nestas situações vamos ser dois para dois ou PIOR, um de nós para dois deles! ME-DO.

      E respondendo ao outro comentário: eu fumei três cigarros antes de ser mãe. Depois disso já foram uns dez :P A minha 'sorte' é nunca ter comprado tabaco para mim, senão as coisas iam correr mal. Ou não, os meus pais eram os dois fumadores e eu sei bem o drama que é ter pais que fumam, por isso duvido que fizesse isso ao Matias. Mas penso constantemente nisso, principalmente depois de o deitar quando fico sozinha em casa...

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    8. Joana, li os comentarios e percebi que quando o teu Matias esperneia voces usam contencao. O meu filho tem 15 meses mas ja esperneia ha alguns meses... Umas fases mais que outras. Tem fases que quase nao o faz e noutras que por exemplo quando lhe estou a trocar a fralda da pontapes. Eu nao uso a contencao... Porque tinha medo que nao fosse uma boa estrategia.mas ao mesmo tempo tambem nao queria que ele comecasse a achar que espernear seja algo normal... O que achas ? O meu filho tambem quando eu digo "nao" a algo por muito que explique e quando ele faz mesmo.
      Fiquei feliz ao ler que voces quem serem pais novamente num futuro proximo..vou adorar ler novamente o diario da gravidez.
      Nos achamos que queremos o 2o filho com uma diferenca de Idades de 4 anos. Mas logo veremos na altura. Se ha dias que tenho uma vontade enorme de ter um 2o filho e que esperar mais uns 2 anos ate tentar engravidar me parece longo... Ha momentos /dias que acho que mesmo com 4 anos de diferenca de idades pode ser muito duro, cansativo e tenho receio de nao conseguir gerir. Quando estiverem doentes / birras / privacao de sono /gestao de tarefas domesticas, etc
      Tudo na maternidade e tao contraditorio.

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    9. Eu uso contenção às vezes, mas é pouco frequente. Hoje usei porque o Matias não queria lavar os dentes de manhã, por exemplo. Mas sei que foi porque estava com pouca paciência, porque de noite ele também não queria lavar os dentes (nunca quer, basicamente) e eu usei a táctica que melhor resulta, que é o 'ajudas a mamã a lavar os teus dentinhos?'. Ele sente-se super narcisado, muito competente e crescido e fica todo contente :)

      Em determinadas fases eu senti que a contenção era importante para o ajudar a auto-regular-se, mas sinceramente nos últimos tempos sinto que o irrita mais (isto nas birras grandes, tirando estas situações pontuais). Dito isto, se ele esperneia a trocar a fralda deitado começa a trocar-lhe a fralda de pé :) Está descrito como um marco do desenvolvimento, é importante para eles e eles preferem :) O Matias inclusivamente começou a querer ser ele a pôr a fralda a partir de dada altura :)

      Pois é, se tudo correr bem estamos a contar ter outro filho no próximo ano. Sempre quis ter pelo menos cinco anos de diferença entre o Matias e o próximo para me permitir acabar o internato, mas como queremos ter três (ou pelo menos deixar essa hipótese em aberto) e eu não quero ter filhos depois dos 35, basicamente depois ficava 'obrigada' a ter os outros dois muito próximos entre si. Como já estou com uma postura um bocado 'fuck it' em relação ao internato (ou pelo menos em relação ao prolongamento do internato) não sinto que seja um drama assim tão grande engravidar no próximo ano.

      Mas percebo o que dizes. Por um lado, ter um já é difícil. Por outro, é difícil essencialmente porque estamos cá sozinhos (tal como vocês), e se forem dois não me parece que seja mais difícil. Por um lado, o Matias com três anos ainda é bastante 'dependente'. Por outro, o Matias com cinco se calhar já é mais 'independente' e depois vai ser mais difícil adaptar-me novamente a ter um bebé. Enfim, são muitas dúvidas. A minha maior dúvida é mesmo o facto de sentir que ao ter dois filhos vamos ser tantos como eles, com a agravante de que passamos muito tempo em modo 'pais solteiros' por causa dos congressos e das urgências e afins. Também confesso que tenho algum receio pela sanidade da nossa relação. Não é que estejamos mal nem nada que se pareça, mas agora com o Matias mais crescido (e infinitamente mais desafiante) sinto que a paciência para as merdoquinhas do Pedro está a diminuir consideravelmente :P Mas enfim, acho mesmo que é como tudo nisto da maternidade: é uma ambivalência pegada :D

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  2. Oh! Até fiquei triste, pois achava que o Bernardo e a Joana eram um casalinho.
    Beijinhos

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    1. Mais alguém que se sente enganado. :P Joana, não os queres convencer a ficarem um com o outro para bem das expectativas dos teus leitores?:)

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    2. Eles têm um acordo qualquer em que se ficarem solteiros até aos 40 vão viver juntos e têm filhos xD Mas eu pessoalmente acho isso uma deprimência pegada :P Acho é que devíamos juntar os leitores e fazer uma espécie de concurso com uns solteiros giros para ver se a coisa se dá xD

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    3. Se calhar aos 40 apaixonam-se mesmo. :D

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    4. Alguém falou em juntar os leitores solteiros?
      Já estou na fila :D
      O Bernardo deve ter mesmo pouco tempo livre porque pretendentes não devem faltar!
      Sempre o achei um gato. E depois daquela foto dele a beber cerveja de manteiga (na foto reportagem de Miami e Bahamas) acho-o ainda mais. Não sei bem qual a ligação da cerveja com o "nivel de gatice", não tenho explicação :P

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  3. Também estou como a Helena e pensava que o Bernardo e a Joana eram namorados ou casados :)
    Beijinhos,
    Espero por ti em:
    strawberrycandymoreira.blogspot.pt
    http://www.facebook.com/omeurefugioculinario
    https://www.instagram.com/marysolianimoreira/

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  4. Joana, não quer escrever um post sobre birras e como lidar com elas?

    Tenho uma bebe de quase 2 anos e tento optar pela psicologia parental positiva. Abraço, sem fazer contenção física, sento-me ao lado dela com toda calma do mundo... mas no fundo só me apetece berrar e depois de a deitar beber e fumar cigarros ihihihih

    Eu não sei se estou a fazer bem ou mal, não sei se devia berrar.... basicamente não sei! Acho que podia ajudar ouvir umas dicas de quem percebe do assunto:)

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    Respostas
    1. Começo a achar que todas as mães tem uma grande tendência para beber e fumar (mesmo que não o façam) depois de um dia difícil. A Joana referiu o mesmo mais em cima, e eu também. :D

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    2. Inês, já falei disso algumas vezes. Espreita isto:

      http://omeubemestar.blogspot.com/2018/02/tenho-um-filho-adolescente-e-nao-sabia.html

      Ou isto:

      http://omeubemestar.blogspot.com/2017/08/faz-birras-ainda-bem.html

      Ninguém tem as respostas. Da minha experiência do assunto, eles perceberem que tu te estás a esforçar para os ajudar já ajuda e muito, mesmo que a forma de o fazeres não seja a mais adequada. Não há qualquer tipo de evidência que berrar seja positivo para eles, mas cá em casa por exemplo o Pedro às vezes manda um 'MATIAS' mais assertivo (aka grita) e o miúdo fica sentido ali uns segundos e depois passa-lhe e não fica propriamente com um ar muito assustado. Já eu sou mais a que fala sobre os sentimentos, e acaba por resultar também.

      No fundo o problema é que nada resulta particularmente bem :P Os miúdos de dois anos são assim mesmo :P

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