4 de agosto de 2017

Sesimbra 2017 #2

No início do ano falei-vos dos projectos de viagem que tínhamos para 2017, e até ver está tudo a correr como esperado. Fui a Santorini, daqui a duas semanas vamos a Moscovo e a São Petersburgo, em Setembro vamos a Miami e a Orlando (e à Bahamas!), em Dezembro vamos à Serra da Estrela, não me colei ao congresso do Pedro em Helsínquia mas vou-me colar ao de Barcelona, fomos à Disneyland, a Florença, a Sesimbra e ao Minho e até já temos três viagens marcadas para 2018 (Svalbard está marcado (histeria!), vamos ver a peça do Harry Potter a Londres e ofereci um fim-de-semana nos Alpes à minha mãe).

Vai daí, ultimamente andamos em pleno modo de organização de viagens, ao ponto de já andar ansiosa com a quantidade de projectos em que nos metemos. Eu sei que isto soa um bocadinho snob e garanto-vos que tenho problemas muito sérios e tristes e tal, mas não posso realmente fazer nada em relação a eles (enquanto que posso efectivamente planear viagens).

Assim sendo, confesso que a viagem a Sesimbra já parece ter acontecido há uma vida atrás (até porque entretanto fomos ao Minho) e tem sido refrescante rever as fotos :) Espero que gostem :)

O início da aventura



Fomos à Praia do Ribeiro do Cavalo! :)
O trilho

Ainda no trilho
A dada altura decidimos seguir um trilho para a esquerda achando que seria o trilho que descia para a praia. Como verão mais à frente, foi um grande erro. Se chegarem a um sítio semelhante a este é porque estão no trilho errado! Eu tinha lido que o trilho era muito difícil e por isso não estranhei nada quando se tornou mesmo muito difícil, mas o trilho certo não é assim nada de especial (e está marcado).

Trilho errado (giro, mas muito difícil)


Quando chegámos a este ponto apercebemo-nos que tínhamos feito porcaria (vá, já desconfiávamos, mas aqui tivemos mesmo a certeza porque claramente há uma entrada do lado oposto ao nosso). Entretanto eu sentei-me numa pedra a descansar e o Pedro decidiu avançar mais uns passos para perceber onde ia mesmo dar o trilho em que estávamos, e eis que começou a escorregar e ficou a um metro de cair pela falésia. Não conseguia subir (porque havia muitas pedras soltas), não conseguia descer (porque estávamos na falésia), entrou em pânico e começou a dizer que íamos ter de chamar um helicóptero para nos evacuar dali. Consegui manter a calma (não sei como, juro) e lá fui trabalhando com ele para ele ir subindo devagar, agarrando-se às pedras e às raízes até que finalmente ele chegou a um sítio mais estável.
A partir daí começámos a tentar subir de volta, assumindo que seria mais fácil do que descer. Não foi. Já não sabíamos bem por onde tínhamos descido, não víamos ninguém há séculos, não tínhamos rede no telemóvel, tínhamos um filho em Lisboa, o Pedro continuava em pânico, eu estava em choque e a reprimir todas as minhas emoções, acabei a escorregar por um monte abaixo e a arranhar-me toda nas silvas, parti a lente da minha máquina fotográfica... Um. Filme. De. Terror.

Quando finalmente chegámos ao que nos parecia ser o trilho 'a sério' o Pedro insistiu em ir para a praia. Sinceramente apetecia-me era mandar a praia para o caralhinho ao ar, voltar para o hotel e atirar-me para a cama a chorar, mas ele insistiu que assim ia ser só uma experiência triste e inútil, e queria ver onde é que nos teríamos enganado, blá blá blá. Acabei por ceder e até foi rápido e fácil chegar à praia.

Sinceramente, depois da nossa experiência de quase-morte estava à espera NO MÍNIMO de uma cena transcendental, a praia mais linda que já vi, até valeu a pena a hora que passámos a sofrer e os cortes das silvas nos braços. Não foi isso que aconteceu. A praia é bonita, mas não é assim tããããão especial (foi o que nós sentimos).













No fim demos um mergulho que soube lindamente (até porque a água estava bem fresquinha e nós estávamos super tensos), secámos um bocadinho, subimos sem qualquer dificuldade, fomos jantar ao Lobo do Mar (fotos na próxima publicação), voltámos para o hotel, ainda vimos um bocadinho de um filme, apagámos as luzes, o Pedro adormeceu... E foi aí que se abateu sobre mim o que tinha acontecido e, principalmente, o que poderia ter acontecido.

Se já estão por aqui há algum tempo talvez já tenham percebido que eu dou dada a estas aventuras. Às vezes procuro-as, às vezes acontecem sozinhas, não sei. Sempre fui a animação do meu grupo de amigos, que acabavam a comentar 'isto é mesmo à Xi' enquanto riam das minhas histórias malucas. Mas agora é diferente. Agora tenho (temos) um filho. Agora temos idade para ter juízo. Agora as consequências destas coisas são mais graves. Não foram, mas podiam ser.

Ainda demorei uns dias a digerir isto. A pensar que podíamos ter morrido numa situação muito parva. A pensar que tudo isto podia ter corrido muito mal, só porque queríamos ir a uma praia onde imensa gente vai (e havia lá crianças pequenas, acreditem que não é assim tão difícil lá chegar).

Entretanto fiz as pazes com o que aconteceu. Estivemos em perigo sem querer (achávamos genuinamente que o trilho se calhar era mesmo assim tão difícil), conseguimos acalmar-nos e resolver o assunto e a vida continua. Mas se calhar durante uns tempos dispenso praias naturais! :D

10 comentários:

  1. Não digo (de forma nenhuma) que esteja correta. Muitas vezes sinto que não estou nada e que deveria ser mais ousada e descontraída mas, desde que fui mãe, que tornei-me muito medrosa, uma cobardolas mesmo. E hipocondríaca.
    Antes, não era nada assim. metia-me em caminhos duvidosos, sozinha, e do outro lado do mundo, como quem não tem nada a perder.
    A coisa mudou da noite para o dia desde que a minha filha mais velha nasceu.
    Agora preciso de terapia para descontrair. :P

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nós continuamos descontraídos, pelos vistos até demais... Depois temos uns sustos e aprendemos a lição, mas facilmente descambamos outra vez :/

      Eliminar
  2. Há uns anos valentes que vou a essa praia - sou do tempo em que quase não se via uma alma, só iam de barco.
    Agora tem sempre gente, e também crianças. Acredito que o trilho esteja agora melhor marcado do que na altura que lá fui a primeira vez. Felizmente não tivemos esse tipo de enganos!
    Com a Inês (que tem quase um ano) também não tenho vontade nenhuma de me meter em aventuras - nem sequer tive coragem de a deixar com outras pessoas para além da creche - nunca tivemos uma noite separadas. Sou uma totozinha, lol

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não acho nada que seja ser totózinha. Conheço imensa gente que não deixa os miúdos. Aliás, aqui a 'estranha' até sou eu :P

      Eliminar
  3. Que susto esse! Caramba... que nó no estômago.

    ResponderEliminar
  4. Vais falar em pormenor dessa viagem ao Minho, não vais? :):):)
    Adoro o norte do país, quero muito ir conhecer zonas do Minho que ainda não conheço e adorava contar com as tuas dicas. Obrigada desde já. :)

    ResponderEliminar
  5. Conheci esta praia, enquanto fazia geocaching, numa altura em que quase ninguém a conhecia. Da primeira vez que lá fui também andámos meio perdidos mas depois percebemos que os trilhos estavam marcados e chegámos lá facilmente. Na altura adorei-a porque era um paraíso escondido e em pleno Julho à tarde estavam lá umas 6 pessoas, se tanto. Já lá voltei algumas vezes depois disso e senti que o caminho não compensou, visto que a praia já é mais conhecida e já começa a estar mais cheia. Além disso o meu receio das alturas faz-me demorar o triplo do tempo a descer e a ficar com as pernas doridas, tal é a tensão que sinto.

    Ainda assim uma praia bastante agradável e onde dá para fugir às maiores enchentes!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O trilho está marcado, mas por alguma razão só demos pelas marcações a subir. Não sei se estarão viradas para baixo...

      Eliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...r: 0" />