11 de novembro de 2016

Veneza 2016 - O resumo!

No dia 2 de Setembro fizemos dois anos de casados. Como prenda, o Pedro ofereceu-me algo inédito: ser eu a decidir o destino da nossa próxima viagem. Ora quem nos conhece sabe que isto é qualquer coisa de extraordinário, até porque o Pedro tem sempre demasiadas opiniões sobre tudo e está constantemente a boicotar os destinos de férias que sugiro (ou a simplesmente não vir). Poder escolher a nossa próxima viagem sem qualquer restrição foi uma das melhores prendas de sempre, e não demorei nem dois segundos a pensar em Veneza.

A única condição do Pedro foi irmos sem o Matias - não porque sentisse que precisávamos de 'férias' ou de 'tempo a dois', mas porque achava que andar de um lado para o outro com o miúdo é uma seca para nós e uma tortura para ele (nesse aspecto eu sou muito mais descontraída do que ele).



Demorei muito tempo a decidir-me. Por um lado, queria ir. Por outro, a ideia de passar três dias sem o miúdo assombrava-me. No fim, achei que pelo menos podia experimentar. Efectivamente Veneza parecia um destino mais 'pesado' para fazer com um bebé (e de facto é), e talvez descansar um bocadinho fosse bom.

Na véspera de partirmos achei que tinha cometido um erro terrível. Não estava minimamente entusiasmada com a viagem. Não queria deixar o Mati. Não queria perder-me pelo mundo. Já me tinha encontrado na nossa casa.

Mas a viagem estava paga. O hotel que reservámos em pleno Grand Canal também. E por isso lá fui, claramente contrariada.

E custou. Custou ver as fotos e vídeos do meu filho à distância. Custou perguntar-me se estaria a dormir bem ou a comer bem. Custou pensar se sentiria a nossa falta. Custou quase morrer de saudades dele. Mas também foi bom. Foi bom acordar às horas que o corpo quis e ficar na mimalhice na caminha. Foi bom passar horas na janela a ver os barcos a passar. Foi bom tomar banhos de imersão a dois. Foi bom falar de política e de história.

Foi bom ir. Foi bom voltar. Foi bom perder-me em Veneza, foi bom encontrar-me novamente na nossa casa. Foi bom sentir-me livre. Foi bom voltar a prender-me. Foi bom estar a dois. Foi bom voltarmos a ser três.

Foi bom, muito bom.









Nos próximos tempos vou mostrar a foto-reportagem da nossa visita :D Espero que gostem :D

17 comentários:

  1. Ah que inspiração! :) Ler isto está quase a convencer-me a ir passar 3 dias a Barcelona, só eu e ele... daqui a 2 anos, quando a Maria deixar de mamar.
    Até lá, vou sonhando que também é muito bom! :D

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    1. Levem-na :D Barcelona é um destino fixe para fazer com as miúdas ;)

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    2. Opá estou cheia de vontade, agora que temos voos diretos de Ponta Delgada para Barcelona. Acho que lá para março vou deixar de resistir e vamos mesmo. :P Já mandei vir uma mochila com "trela" para a Lara. :D

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    3. Sinceramente acho que é uma questão de adequar expectativas. Eu gostei imenso de ir a São Miguel com o miúdo :)

      Ainda hoje estava com algum receio porque íamos ao brunch no Ritz (era a prenda de aniversário do Bernardo). Supostamente o Pedro ia ficar em casa com o Mati (brunch não é de todo a cena dele), mas marcaram-lhe uma urgência em cima da hora e lá fui eu com o miúdo para o Ritz durante cinco horas. Estava com algum receio do ambiente, que o miúdo se passasse, que ficasse irritado para dormir, que se aborrecesse, que as outras pessoas reclamassem (o meu miúdo é um bebé normalíssimo, mas todos sabemos como há pessoas muito intolerantes para com os bebés, e depois de ter passado recentemente por uma situação do género tento proteger mais o miúdo - e a mim própria, que dispenso levar com parvoíces dos outros). Resumindo: lá fomos. Correu lindamente. Levei a casa toda atrás claro, mas ele gostou, esteve entretido, sorriu para toda a gente, ainda dormiu uma mini-sestinha, comeu, provou batido de manga e laranja e batido de manga, ainda meteu a mão numa sobremesa de chocolate que eu estava a comer, depois fez cocó... Foi super fixe, muito calmo, havia imensas crianças (até havia outro bebé que parecia mais pequeno que o meu, embora seja difícil de perceber porque o Matias é bastante comprido). Enfim, acho que muitas vezes estes receios estão mesmo só na nossa cabeça. Se não fosse pelo facto do Pedro ser um atadinho para estas coisas eu já estava farta de viajar com o miúdo, embora efectivamente seja necessário um planeamento enorme :)

      Agora estamos a planear uma viagem com ele para Abril (e quando digo estamos sou eu e o miúdo) que vai envolver uma escala. Isso já é mais chato, porque implica tentar voar a horas decentes, tentar chegar a horas decentes, tentar não ter uma escala muito longa, viajar com o miúdo com um ano é diferente de viajar com o miúdo com quatro ou seis meses... Mas até pode ser que corra tudo bem :D Isto com os miúdos é uma lotaria, só sabemos se tentarmos :D

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    4. Sim, nunca sabemos bem como vai correr.
      Com a Lara fui várias vezes de Ponta Delgada a Lisboa para ver os meus pais e fizemos umas férias nas Canárias. Correu sempre bem mas agora com duas voltaram os receios.
      Acho que é uma questão de experimentar e ver como corre. Daqui a umas semanas vamos viajar de avião pela primeira vez com as duas (confesso que me assusta o monte de malas para carregar, cadeirinhas para o carro, carrinho, etc, etc) e, se correr bem, daqui a uns meses experimentamos Barcelona. Depois queria ir a Cuba, a Toronto... Tenho medo, sobretudo, que as miúdas fiquem doentes ou que fiquemos tão cansados que não possamos gozar as férias como deve de ser.

      Mas, muitas vezes as coisas correm muito melhor do que esperamos. Tenho a mania de me preparar para o pior e esperar o melhor e, de facto, acaba por correr sempre bem.

      A semana passada fiquei 5 dias sozinha com as duas para o Milton ir ao Web Summit. Estava mesmo com medo sobretudo dos fins de tarde e das noites (durante o dia a Lara foi para a creche). Não é raro a Maria precisar de mamar (o que só consegue fazer como deve de ser em silêncio e com um ambiente muito sossegado) e a Lara fazer uma birra mesmo nesse momento e eu acabar com as duas a berrar durante muito tempo. Estava com medo de não conseguir manter a calma e surtar aqui sozinha.
      Olha correu lindamente. Não dormi grande coisa mas a Lara portou-se tão bem que até fiquei comovida. Ajudou-me a tomar conta da Maria, entretendo-a muitas vezes, e não fez grandes filmes. E eu lá fui conseguindo manter a calma nas situações mais difíceis (quando tem que ser tem mesmo que ser). :D


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  2. Parabéns (atrasados) pelo aniversário de casamento. As fotos de Veneza são bonitas, aguardamos com expectativa a foto-reportagem!

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  3. Adoro as tuas viagens! Ansiosa para ler como foi a viagem, é um sítio que adorava ir!

    http://www.monologosdeumachocodependente.pt/

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  4. Também lá estive em Junho.(Além de Roma e Florença).
    Adorei... Repetiria a viagem sem pensar duas vezes...

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  5. Que fotos lindas, lindas!!! E a luz e as cores...em algumas fotos parece que as cores saltam cá para fora :).
    Eu ainda não tive coragem para fazer viagens sem a minha pequenina, fico bastante "invejosa" de quem tem eheh.
    E parabéns pelo 2º aniversário!!!

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    1. Não sinto que seja uma questão de coragem Vânia... Mas é muito uma questão de tentar ultrapassar o sentimento de culpa. É engraçado, porque toda a gente passa a vida a falar da importância de haver momentos a dois, de os pais não se esquecerem que originalmente eram um casal, que é preciso manter o romantismo aceso e blá blá blá... Mas quando efectivamente decides fazer isso já estás a ser negligente e abandónica :P De certa forma fiquei contente pelo facto do Pedro ter colocado esta condição. Fui, foi giro, diverti-me e percebi que nem eu morri nem o miúdo ficou traumatizado. Possivelmente vou demorar muuuuito tempo a repetir a proeza (as saudades foram mesmo muitas), mas soube bem :)

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  6. Vou a 26 de dezembro cinco dias! A expetativa é enorme! Aguardo a foto reportagem! Quanto ao facto de ter ido sem o bebé, aceite a opinião de uma mãe de 2 , muito mais velha que a Joana mas que adora lê-la: o tempo que passamos só a dois é precioso e muito importante. Nunca me senti menos mãe por deixar os meus e sempre fiz viagens com o meu marido. Agora têm 15 e 18 anos e não são traumatizados por isso certamente. Felicidades para a Joana e para essa família linda!

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    1. Acho que não me senti menos mãe. Mas custou deixar o miúdo, isso custou. Principalmente porque sou pedopsiquiatra e há teorias que dizem que enfim, efectivamente os miúdos ficam traumatizados. É difícil afastar a Joana mãe da Joana profissional, mas estou decidida a cometer os meus próprios erros. Lembro-me que uma vez a minha chefe disse que eu não ia ser melhor mãe por ser pedopsiquiatra, mas ia ser melhor pedopsiquiatra por ser mãe. E de facto é verdade, agora eu sei que as coisas não são assim tão simples e que de facto é bom passar uns momentos longe (nem que seja para aproveitar o facto de não haver qualquer tipo de responsabilidade!) :)

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  7. Uma das condições que tenho imposto ao meu namorado para termos filhos (ele quer muito ter um, eu quero muito... pouco) é continuarmos a fazer programas a dois. Imagino que tenha custado deixares o teu pequenino, mas acho óptimo que o tenhas feito, que continues a preocupar-te com a vossa vida de casal, acho isso muito saudável (= e Veneza tem que ter sido óptimo! Beijinhos

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    1. A questão é que a nossa vida de casal está óptima :D Acho um erro achar-se que a vida de casal desaparece quando tens filhos, e que para a teres de volta precisas de te afastar deles (bem, talvez se tiveres muitos filhos, mas não noto isso só com um). A vida de casal constrói-se todos os dias, e é delicioso fazê-lo tendo em conta estes nossos novos papéis como mãe e pai também. Quando as minhas amigas que não têm filhos me fazem perguntas sobre isso eu digo-lhes sempre que nunca amei ou desejei tanto o Pedro como agora que vejo o quão bom pai ele é, e segundo ele é mútuo. Soube muito bem ir porque pudemos fazer coisas que geralmente não conseguimos (como passar uma hora na banheira sem estarmos preocupados se o Mati vai acordar, ou ir jantar fora sem estarmos preocupados porque temos de deitar o miúdo a horas...) :)

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  8. Estou ansiosa por ver a foto reportagem ate porque a minha lua-de-mel em Agosto comecou em Veneza. As fotos estao taooo lindas ! Tens imenso jeito para fotografia.
    O teu post fez-me pensar numa das coisas que pensei quando soube que estava gravida. Nao foi uma gravidez planeada. Nos nossos planos estava viajarmos o maximo que pudessemos nos proximos 2/3 anos ate pensarmos em engravidar. Ora rapidemente pensei"os nossos planos nunca se irao concretizar" "viajar com uma crianca sera muito mais complicado", etc etc. Com o tempo percebi que talvez seja possivel sim viajar com uma crianca, mas claro que terao de ser viagens muito mais planeadas, sobretudo nos primeiros anos de vida do baby. Antes de engravidar sempre pensei que nunca conseguiria deixar o nosso filho com os avos (mesmo que por um fim-de-semana) e viajarmos sozinhos nunca seria opcao. Agora ja nao penso assim . Talvez seja uma possibilidade se isso for possivel (uma vez que nem vivemos perto dos avos, pois nao vivemos em Portugal).mas sei que só quando chegar o momento é que irei perceber se conseguiria faze-lo ou nao. Mas acho uma excelente opcao e acho que momentos a dois tambem sao importantes... E acho que da para repor muito mais energia. Para alem disso acho que todos os avos adorariam poder ficar com os netos um fim-de-semana prolongado. :-)
    Gostei bastante de Veneza e estou ansiosa pela foto reportagem :)

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    1. Eu também achava que viajarmos sozinhos não seria uma opção. Infelizmente o Pedro não partilha essa minha opinião, por isso é necessário fazermos cedências. Em Setembro fui com o miúdo para os Açores e o Pedro não veio, em Outubro fui com o Pedro para Veneza e o miúdo não veio... No próximo ano queria mesmo viajar a três, mas sinceramente percebo os motivos do Pedro - embora não concorde com eles :)

      Nós também não vivemos perto dos avós, mas eles vieram para cá e ficaram com o Matias. Desde que ele nasceu que vamos tentando ao máximo que ele mantenha o contacto com eles, quer por fotografias, por Skype ou por visitas... E ele ficou óptimo e os meus pais ficaram deliciados :D Aliás, a mãe do Pedro também está sempre a perguntar quando queremos ir passar outro fim-de-semana fora para ela poder ficar com o Matias :P Acho que antes via muito as coisas como 'despachar o miúdo para os avós', e não queria isso. Agora percebo que o miúdo fica bem, os avós deliram e nós podemos descansar um bocado. Se é algo que eu quero para mim? Não. Por mim levava o miúdo atrás para todo o lado. Mas não vivo nem decido sozinha... E até vejo algumas vantagens nesta abordagem do Pedro :)

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  9. Mas que felicidade... valeu muito a pena, tenho a certeza... e agora tens o Mati de volta!

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