30 de novembro de 2016

Uma mãe como as outras.

Confesso que durante muito tempo olhei com uma certa sobranceria para aquelas mães que faziam verdadeiros espectáculos quando deixavam os filhos na creche pela primeira vez. Eu nunca seria assim, pensava. Eu era racional demais, pensava. Eu sabia a importância que tinha para o meu filho o facto da mãe estar segura da sua opção e não deixar transparecer qualquer dúvida, pensava. Eu não tinha outra alternativa a não ser deixá-lo na creche, por isso sentir-me triste não era minimamente produtivo, pensava.

O Mati vai entrar na creche em Janeiro. Eu recomeço o trabalho na Sexta-feira e o Pedro vai ficar em casa durante todo o mês de Dezembro. Vai daí, achámos que era bem pensado começar a levar o miúdo à creche de vez em quando, não só para ele conhecer as pessoas e o espaço, mas também para as educadoras começarem a perceber o funcionamento dele. Hoje foi o primeiro dia.

Estivemos na creche durante cerca de uma hora e meia. O Matias estava lindamente a rastejar, a brincar com os brinquedos, a saltar de colo em colo e a meter as mãos na cara dos outros miúdos (ele gosta de mexer em caras, enfim). Eu estava super ansiosa, a tentar jorrar toda a informação que me ocorria. O Matias dorme muito. O Matias come bem. O Matias gosta de sopa. O Matias só come papas caseiras. O Matias adormece sozinho, mas precisa de estar enroladinho no blankie. O Matias só chora quando tem sono. O Matias não gosta de estar sentado porque acha aborrecido, e prefere rastejar para todo o lado.

No caminho para casa, com o Matias aconchegadinho a mim na mochila, senti-me verdadeiramente triste. E depois de chegarmos e de o ter deitado na caminha, desatei a chorar como uma histérica.

E entreguei-me ao meu próprio espectáculo.

Não é deixá-lo lá que me assusta. Confio no local e nas pessoas que escolhemos. Confio nas opções que fizemos. Acredito que o meu filho se vai adaptar lindamente e que será bem tratado. Mas nunca será tão bem tratado como em casa, e eu nunca mais poderei fazer isso. Esta fase, a fase mais linda de toda a minha vida, terminou.

Outras chegarão, eu sei. E serão tão ou mais fantásticas do que a que passou, eu sei. E isto faz parte do crescimento dele, eu sei.

Mas hoje sou simplesmente uma mãe como as outras. Sem sobranceria. Com medos. Com dúvidas. Com vontade de ficar agarradinha ao meu filho para sempre.

6 comentários:

  1. Eu também dizia que não ia fazer "figuras". E não fiz. Pelo menos perto da Lara.
    Ajudou muito a redução de horário e o facto dela ter ficado na nossa casa, com a avó, durante o primeiro ano.
    Quando foi para a creche, o pai é que a levou. Assim, não fiz figuras. Se ela chorasse ou chamasse por mim, não conseguia deixá-la lá. Não conseguia mesmo. Depois de ser mãe, fiquei muito totó. Não há muito a fazer.
    Outras fases virão. Umas mais giras, outras mais totós.
    Na primeira festa de Natal da escola, a Lara, como os outros miúdos, foi fazer uma dança com a turminha dela. Quando ela nos viu, deixou de querer ficar no palco e começou a chorar. Credo... quando a vi a chorar no palco, comecei eu a chorar como uma histérica. Parecia que estava a desfazer-me em bocadinhos. O problema é que nem sequer conseguia chegar à minha filha, porque estavam várias centenas de pessoas na sala. Que dor mais manhosa. Por nada. Mas enfim... outras fases - mirabolantes e caricatas - virão.


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  2. E tens todo o direito a isso, Joana! A única coisa que te posso dizer, e que vale o que vale, é que do que contas por aqui, acho que estás a fazer um excelente trabalho com o Mati! Não duvides disso :)

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  3. Nao devia ser normal as mães deixarem os filhos tão cedo. Eu sei que não ha alternativa, mas parece.me tao antinatural a ideia dos nossos filhos serem criados por outras pessoas :(
    (nao consegui fazer nenhum comentário animador, desculpa!)
    Mas o que importa é a qualidade do tempo que vocês passam com ele, nao é? Pelo menos é onque dizen. E esse parece super fantastico pelo que nos deixas espreitar aqui no blogue :)

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  4. Ui...
    Tão como eu me imagino no próximo ano... :S
    O meu bebé ainda nem nasceu, mas começo a perspectivar tudo de outra forma. Ainda há uns meses pensava como tu inicialmente, mas o coração de mãe tem a mania de ficar apertadinho com estas mudanças todas...
    Enfim.
    Vai correr tudo bem, vais ver!
    E obrigada pelas tuas partilhas! De certo modo, ajudam a preparar-me para o que aí vem...

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  5. Ter-me-ia acontecido o mesmo se não tivesse a sorte de poder estar com os meus bebés comigo. O D vai para a escola mas apenas 3 dias por semana para poder conviver e estar ambientado à escola para o ano.

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