28 de setembro de 2016

Os pais é que sabem.

Os meus pais sempre organizaram as nossas viagens em família. A logística era sempre a mesma, como uma dança que já é tão natural que nem sequer pensamos nos passos seguintes: os meus pais procuravam promoções de voos, marcavam um voo completamente aleatório (Porto-Frankfurt, ou Londres-Singapura, por exemplo) e depois desenhavam o resto da viagem. E foi assim que acabámos a fazer o Qatar, o Nepal e as Maldivas na mesma viagem. Ou que fomos parar à Papua.

Nos últimos anos, os meus pais começaram a recorrer a uma agência de viagens. Pensei que talvez estivessem fartos ou cansados. Pensei que talvez se sentissem info-excluídos. Confesso, pensei que os meus pais estavam a ficar... Velhos, pronto.

E entra o dia de ontem.



Daqui a um mês vamos de férias (ai meu Deus só escrever isto já me faz tremer de entusiasmo!). Reservámos o hotel há sensivelmente um mês, recebemos a reserva... E nunca mais pensámos no assunto.

Tínhamos escolhido um hotel de uma cadeia que conhecemos pela primeira vez durante a nossa lua-de-mel. Desde essa altura (há dois anos, portanto) que os tipos mandam mails todas as semanas com novidades. Ora é porque abriu um hotel aqui, ora é porque há uma promoção ali... Enfim, é mais um dos 4578916878 mails de spam que recebo diariamente. Nunca os abro, e vão directamente para o lixo.

Ontem estava muito descansada na cama a ler os mails, quando abri por engano um dos mails deles. Era do hotel que reservámos para as férias, a dizer que como não tinham obtido resposta aos mails anteriores a nossa reserva estava cancelada.

Fiquei estupefacta. Li melhor. Reli. E juntei o Tico e o Teco.

Tínhamos feito a reserva com o meu cartão de crédito. Como era uma promoção que implicava o pagamento imediato do valor total da reserva, eles naturalmente tentaram tirar o dinheiro. E não conseguiram, porque eu tenho um limite activado no cartão que impede precisamente que me tirem uma grande quantidade de dinheiro sem que eu dê autorização prévia (dá jeito quando queremos evitar que nos roubem, não dá jeito quando queremos evitar que nos cancelem reservas).

Fiquei em pânico. Tinha marcado aquele hotel específico, aquele quarto específico, com aquela vista específica. E se estivesse cheio? E se estivesse mais caro? E se já não tivesse aqueles quartos disponíveis? E agora? Não podia tentar fazer novamente a reserva, porque teria o mesmo problema: o meu cartão de crédito simplesmente não permite pagamentos superiores a um determinado valor.

Vai daí, contactei a agência de viagens dos meus pais. Expliquei a situação e pedi para me fazerem a reserva do quarto, que eu depois pagaria por transferência bancária. E eis que a menina da agência me arranja o mesmo quarto no mesmo hotel... Por menos trezentos euros.

A agência de viagens dos meus pais fez-nos poupar trezentos euros. Se calhar eles não estão assim tão velhos quanto isso. Se calhar não estão fartos, nem cansados, nem info-excluídos. Se calhar eles é que sabem.

Se calhar os meus pais nunca pararão de me ensinar coisas. Sobre ser mãe, sobre ser filha... Mas também sobre ser pessoa. Sobre ser viajante.

E quase vinte e oito anos depois, os meus pais continuam a ter razão.

Bolas.

9 comentários:

  1. É caso para perguntar: qual é a agência que os seu Pais utilizam?

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Viajo muito pouco :( Mas felizmente descobri logo isso na minha primeira viagem a Barcelona. Nos voos não encontro grande diferença mas em hotéis eles podem conseguir melhores preços. Mas atenção muitos dos hotéis que eles têm com preços muito baixos nem sempre são muito bons. Então uma boa estratégia é fazer o trabalho de casa e pesquisar os hotéis mas depois fazer a reserva através deles.Tal como aconteceu no teu caso. Na viagem que fiz à Grécia reservei tudo através da agência excepto o hotel de Santorini. O hotel que escolhi não aparecia no site de reservas deles e as sugestões deles ou eram caríssimas ou más. Ah e uso a agência Abreu.

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    1. A única vez que usei uma agência (na altura foi outra) foi para fazer uma viagem muito específica, quando fomos ao Quénia. Ficámos bastante arrependidos, não pelo preço em si (que foi uma pechincha) mas pelo género de viagem: vais com um guia, fazes o que está programado, não há grande espaço para alterações, etc. Depois acabámos por desistir da ideia de usar agências, mas sinceramente isto fez-me repensar essa postura. Esta viagem já estava marcada, mas na próxima vou pedir preços :)

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    2. Na viagem à Grécia eu vi as opções que eles tinham e não me agradaram. Então construí a viagem que queria em conjunto com eles. Muitos mails trocados, mesmo muitos. Reservamos voos, hotéis e barcos com a agência. Como disse a única excepção foi o hotel de Santorini. No final comparamos preços e poupamos um bom dinheiro.

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  4. Tão verdade este post :). E às vezes sabem com alguma antecedência e não dizem com essa mesma antecedência eheh!

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