2 de setembro de 2016

O pai não é um acessório.

Confesso que fico irritada quando me perguntam se 'o Pedro ajuda com o Matias', como se ele fosse um elemento secundário. Talvez isso aconteça porque cá em casa sempre foi tudo feito a quatro mãos, sem ninguém a ajudar mas com dois a fazer. E não saberíamos agir de outra forma em relação à parentalidade.

Desde o início que as tarefas são divididas. Os biberões são dados à vez. As fraldas são trocadas a dois. A licença de parentalidade vai ser dividida. O colo é dado por ambos. A brincadeira é feita a três. A música é quase exclusivamente ensinada por mim (o Pedro canta manifestamente mal), mas a ginástica é dominada pelo Pedro (eu sou mais pastelona, admito). Tudo é decidido a meias.

Somos os três uma família. Aqui não há elementos de primeira e de segunda, não há actores principais nem secundários, não há acessórios. Não há ajudas. E acho sinceramente que o pai tem de deixar de ser visto social e profissionalmente como um progenitor de segunda categoria.

Quando o Mati nasceu quis que o Pedro fizesse também contacto pele a pele. Toda a gente me achou esquisita, mas não consigo imaginar outra forma de fazer as coisas. E vê-los aos dois, juntinhos, a tocarem-se, a sentirem-se e a cheirarem-se foi provavelmente o momento mais emocionante da minha vida. Mais do que o nascimento do Matias, foi o nascimento do Pedro como pai que mais me marcou. Porque ali nasceu oficialmente a nossa família. Porque estavam ali os meus meninos.

Hoje sinto que o nosso miúdo está igualmente vinculado e se sente igualmente amado pelos dois. Agora passa mais tempo comigo, daqui a um mês quando eu regressar ao trabalho * tristezaaaaaa * e o Pedro ficar em casa passará mais tempo com ele.

E é tudo feito a três. As descobertas, as brincadeiras e as aventuras, mas também as dúvidas e as preocupações. E tem sido uma aventura fantástica :D

8 comentários:

  1. Exactamente como deve ser!!! Parabéns Joana e muitas felicidades para os três! :)

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  2. Também fico irritada quando me "parabenizam" por o meu namorado me "ajudar" tanto, principalmente quando essa conversa vem da parte da minha mãe. Até parece que me saiu a sorte grande por ter um namorado que cozinha, muda fraldas e trata das miúdas e da casa como eu. :P A minha mãe chega a perguntar-me se não vou fazer o lanche para o Milton ou se não lhe sirvo o jantar. Pergunto-lhe logo se ela terá notado que ele ficou maneta nos últimos 5 minutos e eu não terei dado por isso.
    Aqui em casa fazemos tudo os dois (só porque as miúdas ainda não podem ajudar muito), exceto uma coisa ou outra que um de nós tenha mais jeito ou goste mais de fazer. No que diz respeito às miúdas fazemos tudo os dois menos dar de mamar. Bom... uma vez o Milton tentou dar-lhe de mamar para ver se ela se calava, já que não gosta de chucha. Enfim... não foi por falta de boa vontade dele. :D

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    1. Até me ri com a parte do maneta :D Mas sabes que quando parti o braço (grávida de 40 semanas) houve malta que me deu os parabéns por ter um marido tão querido que (imagine-se!) meteu baixa para ficar em casa comigo e fazia tudo, desde dar-me banho (nos primeiros dias antes de eu apanhar o jeito à coisa) até cortar-me a carne ou vestir-me (esta ainda durou duas semanas). Não digo que não foi querido da parte dele (era, e muito), mas a modos que todo este apoio faz parte de estar numa relação (digo eu!). Nem sei se me irrite se me entristeça por isto aparentemente ser a excepção...

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    2. Eu acho um pouco triste a forma como a nossa sociedade ainda é machista. A mulher ainda é vista como a única com instinto maternal, a única capaz de prestar cuidados aos outros, a única capaz de cuidar da casa, etc. Mas vejo mais isso na geração da minha mãe (embora, pensando bem, conheça uma ou outra rapariga na casa dos 30 que não deixa o marido tratar dos filhos porque acha que ele não sabe).
      Espero que essas pessoas que te deram os parabéns não sejam da tua geração. Supostamente as coisas devem estar a mudar com alguma rapidez. Cabe-nos a nós educarmos as nossas crianças para a igualdade e darmos o exemplo. :)

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    3. Aqui por casa, enquanto o pai esteve em casa comigo as coisas eram feitas a meias. Nunca se pôs outra hipótese, nem do meu lado nem do dele. Afinal de contas, a desculpa que muitos pais usam "mas eu não sei como se faz!" pode perfeitamente ser usada pela mãe, se ambos forem pais de primeira viagem. E não passa efectivamente de uma desculpa, para fugir àquilo que não se quer fazer.

      Ainda assim, muitos foram os comentários ao Jack quando o viam mudar a fralda ou a dar o biberão como se ele fosse menos homem por isso, ou os parabéns que recebi por ter um homem assim (como se fosse obra do acaso e não uma escolha minha que casei com um homem inteligente e não com um machista de ideias fixas).
      Em 10 meses nunca contámos quantos biberões cada um deu, ou de quem é a vez de ir mudar a fralda. Ou fazemos os dois, ou faz aquele que naquele momento pode. Nem sequer é à vez, vamos fazendo sem haver um que faz mais que o outro.
      Ainda assim, criou-se o hábito de ser o Jack a tratar dela quando estamos fora (também o faço claro, que não sou maneta, mas ele faz mais, é um facto). E é também ele que dá o banho (comigo presente e a apoiar activamente).

      Agora que eu tomo conta da pequenita a tempo inteiro enquanto ele trabalha de sol a sol e ainda está na construção da nossa nova casa, o tempo que ele tem para ela é bem mais reduzido, ainda assim é ele que lhe dá banho e, estando ele em casa, as tarefas dela são divididas (não faço menos por ter passado o dia a tratar dela nem ele faz menos por vir cansado do trabalho).

      Recuso-me a ser como aquelas mães que não se atrevem a deixar os bebés com o pai porque "ele não sabe tomar conta", até porque infelizmente já tive de me ausentar inesperadamente 3 dias de casa quando ela tinha 2 meses e, fora o motivo da minha ausência, fui descansada por saber que ela estava bem entregue. Não há melhor pessoa no mundo para tomar conta da nossa filha do que ele, porque eu sei que ele o faz tão bem como eu. O que tem lógica, visto que somos os dois pais.

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    4. Por aqui nenhum de nós sabia como se fazia :) E mesmo que haja alguma coisa que eu fizesse melhor, garanto que o Pedro a faria na mesma. Já assisti a casos suficientes de retirada do pai da relação familiar para me arriscar a ter isso cá em casa :) Por aqui também não é propriamente 'à vez', é uma forma de falar. Continuamos a dividir-nos à noite no fim-de-semana, mas fora isso vai um qualquer. Mas fazemos sempre os dois :) Assim de repente só me ocorre uma coisa que é apenas um a fazer: cortar as unhas ao Matias :D (o Pedro é oftalmologista, está habituado a operar coisas pequenas!) :D

      Nós damos o banho a dois, mas quem dá o último biberão é quase sempre o Pedro. Provavelmente quando regressar ao trabalho e ele ficar em casa serei eu :) E sim, também não faço menos nem ele faz menos por estarmos em casa ou a trabalhar. A partir do momento em que ele chega, tudo é dividido :) E saio de casa sem qualquer problema - aliás, até costumamos brincar porque o Matias parece portar-se muito melhor quando fica com o pai :D Já sabe que faz de mim o que quer e que com o pai não há cá histórias :D

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    5. Aqui, há muitos dias em que o pai está com ela 1h por dia (e eu 24h), e depois há os domingos, em que dormem as sestas juntos. E com esta disparidade de atenção, poderia-se esperar um maior apego à mãe, no entanto o 1° sorriso foi para o pai, a primeira gargalhada também, é capaz de passar horas a olhá-lo nos olhos, a fazer-lhe festas, odeia adormecer ao colo mas no dele aceita (no meu nem pensar há já vários meses), e basta ele sorrir para ela que ela fica logo encantada. Para mim é a prova que o importante é o amor, sem horas nem tarefas contabilizadas. :)

      Ela porta-se naturalmente melhor com ele mas eu sei mais truques para a acalmar devido à convivência. :D (mas lá está, faço questão de lhos dizer para que ele esteja em pé de igualdade comigo)

      Quanto às unhas, era também ele que cortava até porque a minha primeira tentativa resultou num golpe num dedo dela e num berreiro das duas (ela de dor, eu de culpa). Agora com a falta de tempo dele, tenho de ser eu. :P

      Eu acho que nós como mães temos o dever de não pôr de parte o pai, já que em muita coisa a sociedade já o faz. Mesmo amigos e familiares não se contêm e ouvem-se coisas como "Ui, não me digas que também lhe mudas a fralda, paizinho??". É ridículo neste século dizer que sim, que faz literalmente tudo o que faço (já que não amamento).

      Acho que não temos sorte. Temos é juízo e os nossos maridos também. :D

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  3. Palmas!!! Apesar de concordar a 500% contigo, infelizmente, essa não é a realidade da maior parte das famílias =\

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