10 de março de 2016

Pregnancy Diary #91

Hoje de manhã, enquanto preguiçava na cama e espreitava o Facebook, reparei num artigo do Observador sobre algo a que eles chamavam de 'a violência obstétrica'.

No artigo fala-se de alguém que 'teve de esperar horas pela epidural que tinha dito querer'. Provavelmente isso prende-se com o facto de não haver anestesista disponível no momento ou do trabalho de parto ainda não estar suficientemente avançado. Acreditem, nenhum profissional de saúde quer ter ali uma grávida aos gritos, quando a alternativa é ter uma grávida sem dores e muito mais relaxada.

A mesma pessoa 'ouviu palavras rudes de enfermeiros'. Bem, eu também já ouvi palavras rudes dos mais variados técnicos de saúde. Há quem esteja sem paciência, há quem esteja a ter um dia mau e há quem seja simplesmente um estafermo. Sinceramente, acho que naquele momento há ali coisas bastante mais importantes do que a simpatia da malta que nos trata. No entanto, acredito que quando nos sentimos maltratados podemos - e devemos - apresentar queixa nos locais próprios (eu já o fiz).

O relato de parto desta senhora parece efectivamente complicado, mas nada que eu não tenha já visto várias vezes. E volto a referir: nenhum profissional de saúde quer fazer as técnicas referidas, simplesmente naquele momento a maior prioridade é a saúde do bebé e a maior eficácia do período expulsivo. Não somos sádicos, mas o trabalho de parto muitas vezes não é tão simples e bonito como seria desejável.



Num dos slogans do cartaz da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e no Parto pode ler-se 'levem-na lá para a cesariana que isto não vai lá de outra maneira'. E eu pergunto-me: onde está ao certo o problema aqui? Se o trabalho de parto não está a progredir como esperado e a equipa médica acha, com base nos treze (ou mais) anos de experiência, que há indicação clara para cesariana, onde está a violência? Devia a mulher ser ouvida? Concordo perfeitamente. Mas, na prática, adianta alguma coisa? Se a mulher não der o seu consentimento, a cesariana é feita na mesma para salvar a vida daquele bebé.

No artigo podem ler-se ainda relatos de incontinência pós-parto (pode efectivamente acontecer, mas na grande maioria dos casos é tratável) ou toques feitos por 'médicos estagiários' para treinarem.

Já passei por isso. Não com toques - ainda não chegou a altura, ufa! - mas com outros procedimentos ginecológicos e obstétricos. Faz parte, e só assim é que os alunos e internos aprendem. Já fui eu, agora são eles. É agradável? Não. Eles percebem muito daquilo? Muitas vezes não. Mas só assim é que passam a perceber. E para vos ser muito honesta prefiro mil vezes ter um aluno a examinar-me com um espéculo, do que ter um especialista que nunca colocou nenhum porque é uma violência.

Acho que muitas vezes as grávidas esperam que os seus trabalhos de parto sejam lindos, cheios de flores e coelhinhos a saltitar, com enfermeiras queridas a distribuir chocolatinhos. Eu própria idealizo o meu parto, faz parte do processo. Mas muitas vezes (a esmagadora maioria das vezes!) isso não corresponde à realidade. Porque pode ser o nosso parto, mas é o 8786382684392103908767º parto da vida daqueles profissionais de saúde. E naquele momento a principal preocupação deles vai ser a nossa segurança e a do nosso bebé.

Isso a mim tranquiliza-me imenso. Não quero palavrinhas bonitas e não quero festinhas na cabeça - quero um parto eficaz e seguro. Se der também para ser bonito, agradeço. Se não, há coisas piores.

É claro que não nego que há por aí malta sapateira a fazer partos. Há maus profissionais em todo o lado, e eu não estou a escrever este texto para de alguma forma desculpabilizar o que é dito no artigo. Também não estou a diminuir o sofrimento das mulheres entrevistadas - afinal, viram as suas expectativas destruídas naquele que é sem dúvida um dos momentos mais importantes da vida de alguém.

Estou simplesmente a falar do outro lado. O nosso lado. Mais do que vitimizar estas mulheres, seria importante informar as pessoas de como se processa um parto. Do que acontece. De que podem recusar alguns dos procedimentos. De que devem fazer um plano de parto. E, acima de tudo, de que é importante confiar nos profissionais de saúde. Porque podemos não ser todos bons, mas também não somos todos assim tão maus.

61 comentários:

  1. Não tenho experiências traumáticas no que à prestação dos profissionais diz respeito. Posso até dizer que considero que fui sempre bem "atendida", apesar de não ter gostado especialmente da sensação de que o meu corpo era do mundo e toda a gente achava que podia ir lá tocar e mexer... mas enfim... Fora isso, nada a apontar. Se não foram queriduchos, achei-os sempre pelo menos profissionais, e isso é o mais importante.

    Mas sei de casos levados ao extremo, nos hospitais públicos, e sei por informação de profissionais da área, que as diretrizes que têm naqueles hospitais é de evitar as cesarianas ao máximo. E isso não é cuidar da saúde do bebé e da grávida. É querer poupar à custa do bem estar das pessoas...

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    1. Gorduchita, mas as cesarianas devem efectivamente ser evitadas ao máximo :) Está nas directrizes da OMS, e mesmo assim continuamos com uma taxa enorme de cesarianas ;) Não é uma questão de retenção de custos (até porque os médicos estão a borrifar-se para isso, somos médicos e não gestores), é efectivamente uma questão de diminuir os riscos para a mãe e para o bebé ;)

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    2. Joana, será que podias fazer um post em que conseguisses opinar enquanto grávida e mãe sobre as vantagens/desvantagens da cesariana e parto natural?
      Porque apesar de ainda não ser mãe nem estar grávida, e tendo amigas médicas próximas, todas se inclinam muito mais para a cesariana em vez de parto natural e gostava de ouvir a tua opinião dos factos.
      Ouvi cada coisa de parto natural que me deu vontade de - a ter filhos - parir pela boca ahahha.
      Desde já agradeço a resposta e envio o maior dos beijinhos para ti (que pelo que leio és um doce :) )

      Inês Roque

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    3. Fizeste-me dar uma gargalhada :D Olha que não sei se, existindo essa possibilidade, não optaria por ter o meu filho pela boca também :D :D :D

      Já falei um bocadinho do assunto aqui: http://omeubemestar.blogspot.pt/2015/11/pregnancy-diary-10.html

      Acho que tendencialmente as mulheres médicas têm mais medo do parto normal porque sabem para o que vão. Mas é como em tudo: também tenho colegas que se recusam a levar injecções de penicilina porque sabem que doem muito, quando toda a gente sabe que teoricamente é o melhor ;) Uma publicação minha sobre as vantagens do parto normal em relação à cesariana ia ser super tendenciosa porque quero ter um parto normal, mas posso tentar :P

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    4. Claro que as cesarianas são de evitar, nada contra. Mas não a qualquer custo, e a verdade é que as orientações são devido a dinheiro, não a bem estar/saúde do bebé. Levam a que os profissionais, por estarem pressionados, por vezes não tomem as decisões na melhor altura.
      Depois ouve-se comentários da parte dos profissionais que estão na neonatologia, com bebés que lá vão ter exatamente por se protelar o que não devia ser protelado.

      Mas, volto a frisar, não sou a favor da cesariana "porque sim" (embora ache que é uma decisão de cada um), nem não tenho experiência pessoal de maus profissionais. Pelo contrário!

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    5. Desculpa, mas isso não é verdade. As orientações são devido a uma maior preocupação com a saúde da grávida e do bebé. Os médicos não são pressionados, porque ninguém nos consegue pressionar nesse aspecto. Iam fazer o quê? Ameaçar despedir-nos? :P

      Dou-te o exemplo do meu serviço: temos uma hora por miúdo, e somos constantemente pressionados pela administração a diminuir esse tempo. Mas não há nada que eles possam fazer nesse aspecto. Não nos conseguem prejudicar por querermos uma hora (e precisamos dela, acredita), não nos podem 'ameaçar'. Até podem tentar pressionar-nos, mas não podíamos estar a borrifar-nos mais. Passa-se o mesmo com os restantes colegas.

      Concordo que há locais onde a cesariana é protelada durante demasiado tempo (e tenho amigas obstetras que admitem isso mesmo), mas garanto que não é por contenção de custos. Até pode ser por falta de profissionais ou de material, mas não é certamente para se poupar dinheiro. Já li isso em vários sítios e acho um absurdo. Muitas vezes é mesmo uma questão de 'crença' dos profissionais, naquilo que eu chamo 'os puristas do parto normal' ;) Mas não há médico algum que coloque o dinheiro acima do bem estar de um doente, e se tens conhecimento do contrário deverias fazer uma queixa imediatamente.

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  2. Olá Joana. Vou dar um pequeno exemplo do meu caso para ver que às vezes não é apenas uma questão de salvar o bebé. durante o meu trabalho de parto, que foi um pouco prolongado, o saco amniótico não rompeu. Isto já tinha 8 dedos de dilatação. Uma médica que sinceramente, parecia que tinha acabado de sair do cabeleireiro e manicure com unhas de gel, introduz um ferro para rebentar o saco. Fez imensa força e tentativas repetidas. Sem sucesso, teve a lata de de virar para mim e dizer que se não vai lá com o ferro que tinha uma boa unha para o fazer.... Acha isto uma postura de uma profissional que tenciona salvar um bebé? Tanto que não era que a minha filhota nasceu com uma arranhões na cabeça devido de certeza a esse bem dito ferro.... Isto passou-se numa maternidade publica do centro de Portugal e por sua vez, muito bem vista.
    Acho que quem escolhe essa profissão tem que ter psicologia suficiente para lidar com os doentes. Se não, mude de profissão.

    Bjs

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    1. Bem, a parte de tentarem rebentar a bolsa faz-me sentido Biedronkita. Se efectivamente não estava rota, era preciso rebentá-la. Por vezes são mesmo necessárias várias tentativas até conseguir fazê-lo, não é algo assim tão simples e, mais uma vez, não me parece que a médica tivesse algum prazer especial em estar ali a tentar um montão de vezes.

      Já o comentário da unha é bastante horrível. Não sendo propriamente agressivo, parece-me desrespeituoso. Era capaz de funcionar bem com determinadas pessoas e em determinadas situações, mas há que avaliar bem ;) Há situações em que brinco com os meus doentes e recebo uma gargalhada de volta, outras há em que recebo caras sisudas. Depende ;)

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    2. Podia ter sido considerada brincadeira se ela estivesse com cara de brincadeira. naquele dia, tal como 2 médicos que me fizeram o toque, tinham que despachar 20. E o saco não rompeu. Só na cesariana quando abriram é que romperam o saco. E ainda bem que foi para cesariana.

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    3. Nesse caso, volto a referir que é um comentário bastante horrível. E sim, é uma das indicações para cesariana, por isso a equipa agiu bem nesse aspecto :)

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  3. Joana, sigo o teu blog à imenso tempo. Gosto das receitas, e acima de tudo de ler o que escreves. Acho que de facto tens jeito-pr'á-coisa! Mas acerca deste post, não concordo. E acredita, naquele espaço de tempo antes do parto, não há médico algum que queira melhor ao teu filho que tu própria. Mas há tanta negligência! Situações que se passaram a pessoas próximas de mim. Felizmente nao se passou comigo, tive a oportunidade de escolher o hospital privado mas acredita que há vários médicos a trabalhar no público que estão ali a despachar. E sim, tem que se fazer o parto já porque...o senhor doutor tem compromissos mais tarde. Inadiáveis pois claro. Sim eu sei que vocês têm horários e dificilmente os cumprem. Mas é inaceitável que um profissional, seja ele quem for, trate de uma forma a senhoraA porque é sua paciente no privado e trate a senhoraB ali ao lado de outra forma porque esta não tem como pagar consultas no privado. É triste! Até nas ecografias se nota isso. E digo-te, é mesmo muito triste. Eu fiz as ecos sempre nos 2 locais (publico e privado) e posso te dizer que uma das vezes, no publico, fui chamada para deitar para fazer a eco (1h30 depois da hora agendada) e estive ali seguramente 30min à espera que o doutor acabasse a conversa com um delegado de informação médica (praticamente ouvia a conversa deles à porta!) para em 5min me despachar (secamente!) para fora do consultório. Obviamente viu tudo e estava tudo bem com o bebé, mas aquela historia que nao se pode dar mais atenção porque são muitas pacientes e pa-ta-ta pa-ta-ta não serve para quando são eles que têm outros compromissos.
    Mas acredito que esta seja uma situação que (felizmente!) tu não vás passar, afinal de contas tu e o teu marido são médicos, mas em meu entender fizeste um post com muito pouco conhecimento de causa! Aquilo que tu és profissionalmente não se reflecte em muitos dos teus colegas.

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    1. Vamos por partes :)

      'há vários médicos a trabalhar no público que estão ali a despachar.' Concordo perfeitamente. Mas também há vários médicos a trabalhar no privado que estão ali a despachar. Porque se uns querem despachar para ir para o privado, outros querem despachar para ir para o público ou para casa ;)

      'Mas é inaceitável que um profissional, seja ele quem for, trate de uma forma a senhoraA porque é sua paciente no privado e trate a senhoraB ali ao lado de outra forma porque esta não tem como pagar consultas no privado. É triste!' Concordo perfeitamente. Sei que acontece. Já assisti. Já aconteceu comigo. Acho desprezível.

      Também já estive à espera de médicos que estavam a fazer as mais variadas coisas. Tanto na gravidez como fora dela. Uns estavam a falar com delegados, outros a tomar café, outros no trânsito, outros a dormir na caminha, outros a tratar de urgências. Achar que tenho um tratamento diferente porque somos médicos faz-me sentir um bocado revoltada, quando estou do outro lado sou igual a toda a gente ;) E também já me aconteceu esperar no privado. Na verdade, espero mais no privado do que no público. Não gosto, mas percebo. Mais uma vez, os médicos não têm nenhum prazer especial em deixar os doentes à espera. Acontece, é chato, não gosto, mas pronto.

      Posso não ter muito conhecimento de causa, mas estou a seguir a minha gravidez no público, sou seguida em várias consultas no público e já vi dezenas de partos de outras pessoas. Tenho pelo menos algum conhecimento de causa :P

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  4. Eu vi um filme chamado "o renascimento do parto", e houve uma coisa que um pai disse que eu fiquei "omfg... nunca pensei nisto". neste caso um bebé que nasceu de cesariana e a enfermeira pegou no bebé como se "fosse um frango" assim que nasceu e foi tratar do bebé. e o pai reclamou "não pega no meu filho assim não.." e a enfermeira "eu faço isso todo o dia!!" e ele respondeu "mas o meu filho não...é a primeira vez que está a ser pegado ao colo" ;_; ohhh... há assim tanta pressa em pesar e limpar e é mesmo necessário aqueles procedimentos todos com aquela pressa toda? que impressão. :x

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    1. Bem, na verdade... Sim. O parto por cesariana é muito mais agressivo porque não há passagem pelo canal de parto, é necessário ver se é preciso aspirar ou fazer outros procedimentos que, muito sinceramente, já não me recordo quais são ;) Por isso sim, é preciso pressa. Ver uma cesariana é bastante agressivo na verdade, nunca gostei :P

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  5. Olá Joana, sou leitora assídua do blog, mas estou a comentar pela primeira vez. Ontem li esse artigo, e o caso q descrevem aconteceu precisamente comigo. Também eu fui rasgada e tive uma enfermeira em cima de mim para empurrar o bebé. Fui cosida durante quase uma hora. Foi assim que idealizei o parto?! Não de todo, mas tenho a certeza que os profissionais fizeram o melhor para salvar o meu filho. Entretanto apercebi-me que já estavam a preparar o bloco, pois se assim não fosse teria q ir para cesariana. Não foi necessário. Só tenho que agradecer aquela equipa pelo profissionalismo e por não arriscarem mais un segundo da vida do meu filho ao usarem um 'método violento'.

    Que tudo corrar bem com o resto da sua gravidez e que o seu filho nasça bem e saudavel. No fundo é o que importa, porque nós mães aguentamos mais do que eles!

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    1. Eu nunca passei pelo parto pessoalmente, mas já passei profissionalmente e já vi várias equipas a fazer essa opção. Ninguém o faz porque lhe apetece, fazem-no porque consideram ser o melhor. Se acho que a grávida deveria ser informada do que está a acontecer? Claro! Se acho violento que aconteça? Não. O trabalho de parto é violento, as coisas são como são ;)

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  6. Hoje em dia com as redes sociais e o fácil acesso à informação difamam-se profissões com uma facilidade estonteante. É necessário distinguir entre os bons e os maus profissionais. É necessário falar dos bons dar-lhes reconhecimento e é necessário falar dos maus e fazer queixa deles não a criticar e escrever no facebook mas nos locais competentes para tal.
    As pessoas hoje em dia apontam o dedo com uma facilidade maior por estarem atrás de monitores e a realidade aqui é quando algo lhes acontece na altura nada fazem para mudar e depois chegam a casa sentam-se e criticam sobre tudo.
    Concordo com tudo o que disseste. As pessoas deviam informar-se mais para não fantasiarem em demasia com a realidade das coisas pois tal como disseste "Acho que muitas vezes as grávidas esperam que os seus trabalhos de parto sejam lindos, cheios de flores e coelhinhos a saltitar, com enfermeiras queridas a distribuir chocolatinhos" e na verdade não é assim tão "mundo das princesas".

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    1. Em lado nenhum eu digo que a violência obstétrica não existe. Existe, já assisti e eu própria já passei por situações que me desagradaram. E fiz queixa, como devíamos todos fazer. Mas há que separar os maus profissionais dos bons profissionais que fazem coisas 'más' porque tem de ser :)

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  7. Acredito que os médicos não façam esse tipo de procedimentos de ânimo leve e acredito que sejam necessários para salvar o bebé. Nunca passei por um parto, mas já soube de situações em que durante o trabalho de parto enfermeiras/os disseram algo do género "está a gritar? dói? quando o fez não lhe doeu nada, pois não?".
    Talvez isto me passe, talvez eu engravide e passe a achar isso normal... Quando soube dessa situação fiquei chocada e comentei com a minha mãe, ao que me respondeu (depois de ter 3 filhos) "isso é o pão nosso de cada dia" com uma leveza e achar perfeitamente normal. Eu não acho, acho que é entrar na esfera pessoal de cada um e acho que isso é "violência" verbal gratuita e completamente desnecessária, especialmente num momento de fragilidade para a mulher.

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    1. Até eu já ouvi isso de outras pessoas não profissionais de saúde ;) Algo do género 'estás a queixar-te agora, não te queixaste antes'. Sempre encarei isso como um comentário meio tonto, mas concordo que no trabalho de parto é mais foleiro :P Mas lá está, já assisti a situações que metiam essas num bolsinho. Talvez seja essa a minha surpresa em relação ao artigo, porque estão ali muitas situações que considero 'normais-like', e ficam por relatar outras a que assisti que foram bem mais graves.

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    2. Acredito que sim, sendo tu médica de certeza que já assististe a coisas que nem me passam pela cabeça. Acho que o problema, como em muitas outras situações na vida, se prende com as expectativas que as pessoas criam. E vou casar este ano e gostava de ter filhos dentro dos próximos 3/4 anos. No entanto já falo muito disso com o meu namorado e uma das coisas que tenho mais "medo" é do parto, porque sei que muita coisa pode correr mal (mesmo mal em termos médicos e não "apenas" violência obstétrica no sentido em que é referido no artigo) e porque não imagino que seja tudo cor-de-rosa!
      Sinceramente, de expectativas costumo dizer que só tenho uma... já que saí ao lado da minha mãe relativamente a já ter cabelos brancos com 25 anos, pelo menos que saia também a ela no que toca a ter filhos, já que os trabalhos de parto dela foram super rápidos. Ela diz que quando eu nasci, se não tivesse já tido o meu irmão 2 anos antes, eu nasci no quarto porque ela é que teve de avisar as enfermeiras que ia nascer! ahah

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    3. Não concordo que muita coisa possa correr mal. A esmagadora maioria dos partos corre bem e sem problemas de maior :)

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  8. Gostei muito deste texto porque, mais uma vez, deste o "outro lado da questão" que nós, enquanto mães e pacientes não vemos.
    Interesso-me especialmente por este texto porque há dois anos tive um parto que correu bem no final mas não foi propriamente um parto "fofinho".
    Para não maçar ninguém, se quiserem saber detalhes deixo o relato (mais ou menos bem humorado dadas as corcunstâncias) aqui: http://www.vinilepurpurina.com/2015/07/09/o-meu-parto-por-ventosa/

    Dizia eu que o meu parto não foi fofinho porque o meu médico agendou para perto das 41 semanas a indução do parto (caso não ocorresse de forma natural). A indução foi feita e era parada de noite (disseram-me que de noite se trabalha pior e tal). Ok, queria pessoas bem acordadas no meu parto. O problema foi que isto durou 3 dias e entretanto já me tinham dado epidural o que fez com que ficasse "de cama" esse tempo todo. Quando isto já estava mais adiantado, vinha uma enfermeira que dizia para eu fazer força. Mudava o turno e vinha outra que dizia para estar quieta, que não era para fazer força nenhuma. Vinha a noite e ficava sozinha no quarto. Ouvia mulheres a darem 3 gritos e logo a seguir uma criança a chorar. Vinham as dores e pedia mais epidural. Umas enfermeiras davam, outras não (as que eram mais "by the book" não davam reforço. Aprendi a quem devia pedir e pedia a essas.
    Mais tarde, depois de toques horrorosos, uma enfeira muito querida e meiguinha (mesmo) rebentou-me as águas. Passado um dia levaram-me para a sala de partos e eu nem percebi porquê. parece que, de repente, já tinha a dilatação toda. Sinceramente, sentia-me igual.
    Depois veio uma médica estagiária recusar-me a epidural porque preferia que eu tivesse dores para fazer força melhor. Ok, até entendo a posição dela mas... e o que eu preferia? Pensei que tivesse opção de escolha.
    Essa médica tentou tirar o bebé com ventosa e partiu 2 na tentativa. De repente deixei de a ver, o orientador assumiu o parto e a lara nasceu em 10 minutos.
    Fiquei confusa e senti-me bastante desinformada. Depois do parto, estava com a tensão 5/3 ou algo parecido. A bebé felizmente estava muito bem, por isso considero que foi um parto que correu muito bem. mas antes da enfermeira dar por isso ainda se lembrou de ter lido na ficha que o pai era engenheiro informático e já agora ia-lhe dar umas dicas de como é que a filha devia usar o skype. Really?!!!
    Existem bons e maus profissionais em toda a parte e os sádicos devem ser uma minoria, mas "caramba" existem cadeiras de psicologia nos cursos, certamente, para que se lide com pessoas grávidas e fragilizadas com mais tacto. Digo eu. :)

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    1. Purpurina, sinceramente o teu relato do parto já foi lido por vários colegas meus. Quando o li pela primeira vez partilhei-o, precisamente porque considero-o um exemplo de violência obstétrica. Correu tudo bem, é um facto, mas foi um exemplo de como as coisas não deveriam de todo ser feitas e no teu caso teria feito uma queixa.

      E lamento muito informar que durante todo o curso tive quatro meses de psicologia com uma aula de 2h semanal na qual não aprendi rigorosamente nada sobre grávidas (ou sobre o que quer que seja de útil, diga-se).

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    2. Sabes que só muito tempo depois é que me apercebi que as coisas poderiam ser diferentes? Na altura achei normal e muitas amigas que tiveram os partos no mesmo hospital tiveram experiências semelhantes e acharam que seria normal.
      Desta vez não sei muito bem como vou fazer as coisas mas estava a pensar pedir ao meu médico que não me marcasse indução do parto a não ser que fosse mesmo necessário. Não o queria fazer como rotina. Depois, na hora, tenho receio de reclamar. O que vou dizer? Nós sentimo-nos numa posição tão frágil que não nos resta muito para além de esperar que corra tudo bem.
      Obrigado pelos teus comentários. Ajudam-me imenso a perceber algumas coisas. :) Beijinhos

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    3. A indução do parto não deve ser feita até ser ultrapassado o tempo normal de gestação. Há hospitais que consideram as 41 semanas, outros as 41 semanas e seis dias, outros as 42, depende muito. Mas também sei que há hospitais que marcam indução por rotina (para que, por exemplo, a grávida possa ter o parto no dia em que o seu obstetra está de urgência) e acho isto ridículo e moralmente reprovável. É claro que acontece imenso e sei de obstetras muito bons que o fazem, mas lá está - não é o que quero para mim e acho que as pessoas deveriam ser informadas de como funciona a indução e das potenciais desvantagens.

      Nunca passei pelo parto, mas uma das coisas que se passou comigo foi no meu centro de saúde. Pedi o livro de reclamações, escrevi uma queixa e pensei algo do género 'pronto, agora vou ser maltratada forever aqui porque sou a tinhosa que reclamou'. Na verdade aconteceu precisamente o contrário. Acho que muitas vezes temos medo de reclamar e que os outros façam pior, mas há formas e formas de fazer as coisas :)

      Não me choca a parte de te terem induzido o parto ou de terem tentado que a interna fizesse o parto de ventosa. Mas choca-me que tenhas estado três dias em trabalho de parto, que parassem a indução durante a noite e que te tenha sido recusada a epidural com base no argumento de que 'mulher com dores tem trabalho de parto mais rápido'.

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  9. Não concordo com o que escreveste. Acho que estás a diminuir um problema que existe e não pode ser ignorado. Percebo que exista muita gente a romancear o parto, mas acho que simplesmente existem coisas que acontecem que não são para o melhor interesse da grávida e do bebé.
    Sei, por exemplo, do caso de uma mãe em trabalho de parto de gémeos que teve a infelicidade de estar quase a parir na hora de mudança de turno. Administraram-lhe algo para atrasar o período de expulsão o que resultou na morte de dois bebés completamente saudáveis.
    Percebo que estando por dentro da realidade hospitalar queiras defender a tua classe profissional. Também percebo que num artigo sobre violência obstétrica possam ter pegado em casos mais "ligeiros". Contudo não acho normal a forma que muitas mulheres são tratadas numa altura em que se encontram especialmente frágeis. Qualquer um de nós pode estar num dia "mau", mas se no seu trabalho tem de lidar com pessoas, tem de deixar isso de lado. Se ao invés de médicos e enfermeiros estivermos a falar de pessoas que trabalham numa loja, de certeza que após respostas tortas aos clientes são despedidos com justa causa.
    Não quero pôr em causa a legitimidade dos procedimentos médicos (ok, o exemplo que dei acima se calhar põe em causa, mas não era bem isso que queria exemplificar) pois tenho a certeza que não há ninguém mais capacitado para tal que os médicos (acho assombroso mulheres pedirem para terem cesarianas - ninguém vai ao médico pedir uma apendicectomia, por exemplo). Contudo acho que a rotina faz muitas vezes com que se deixe de ver pessoas e sim nacos de carne. Não precisam de me dar palmadinhas nas costas, mas também não preciso de ser tratada como um ser inanimado.

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    1. Paracetamol, isso que referes é um crime. Não é violência obstétrica, é crime mesmo. Não comparemos coisas incomparáveis.

      Eu não tenho interesse nenhum em defender a minha classe profissional :P Neste aspecto acredita que sou muito imparcial, e se sou a primeira a admitir que há muita coisa mal, também sou a primeira a louvar o que está bem.

      A tua última frase vai muito de encontra ao que escrevi. Sim, nós vemos as pessoas um bocadinho como nacos de carne. Faz parte do nosso processo de protecção. Se na primeira semana da especialidade vinha para casa a chorar todos os dias, agora trabalhar com isto já é a minha rotina. Trabalho com crianças maltratadas e abusadas e sim, faz parte do meu processo de protecção distanciar-me emocionalmente do que vejo. A diferença é que nós temos uma ENORME formação em coisas como a empatia (não estivesse eu na saúde mental), mas outros profissionais não a têm. Por isso tendem a proteger-se como conseguem, e muitas vezes pecam por excesso.

      Mais uma vez, não estou a defender ninguém. Tenho aqui no blog uma publicação em que conto algumas das coisas assombrosas que os meus amigos - médicos e muito boas pessoas - me dizem em relação à gravidez e ao parto e que são verdadeiramente desagradáveis de ouvir. Isso sem falar do que já ouvi de outras pessoas que nem sequer são minhas amigas. Se me aborrecem? Sim. Se compreendo a postura? Sim, também de certo modo.

      Sinceramente só acho grave dar-se tempo de antena a coisas destas e intitulá-las de violência obstétrica, quando já assisti a coisas muito mais graves que passam incólumes, sem qualquer queixa e com muita gente a assobiar para o lado. E era isso que queria demonstrar com este texto. Há que saber diferenciar o que é um parto normal - um procedimento médico, instrumentalizado - do que é negligência médica ou crime.

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    2. Mas aí é que está! O artigo pode pecar pelos fracos exemplos, mas a violência obstétrica é uma realidade que merece tempo de antena para que quando coisas anormais aconteçam as pessoas saibam e possam reclamar. Acho que só desta maneira as pessoas e os serviços podem melhorar. Em última análise, se as pessoas tiverem conhecimento dos seus direitos e fizerem queixa, talvez muitos "trolls" sejam postos de lado e seja dada a oportunidade a muita gente que trabalha por vocação.

      Eu sinceramente gostaria que o meu parto (ou da Alice?! =P ) fosse natural, com epidural e com os procedimentos que acharem mais correctos. Contudo mais depressa ficaria mais calma com uma cesariana do que com parto com ajuda de ventosas/fórceps. Eu nasci de parto induzido, com fórceps e estive em paragem cardio-respiratória, e pelo que ouvi de outras experiências do género parece-me um tipo de parto mais traumatizante para o bebé.
      Em última instância seja o que a natureza permitir! Confio na minha médica e acho que era bom todos poderem dizer o mesmo.

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    3. Nunca neguei que é uma realidade! Mas dar exemplos destes só faz com que as pessoas depois façam queixinhas 'totós' e não estejam atentas para o que é realmente grave. Acima nos comentários podes ver que há uma comentadora (a Purpurina) a descrever um parto que eu e vários amigos meus médicos vemos como violência obstétrica, mas ela assumiu como algo normal. E não é fazendo publicações sobre fazer pressão na barriga que vamos informar as pessoas. As pessoas devem ter conhecimento dos seus direitos sim, e por isso terminei o meu texto dizendo que toda a gente deveria informar-se e fazer um plano de parto. Mas não é com artigos destes que as informamos, garantidamente ;)

      Eu gostava de ter um parto normal, sem epidural e que não fosse instrumentado. Tenho os meus motivos - pessoais e médicos - para isso. Sei que provavelmente não irá acontecer isso (por causa da minha patologia cardíaca) e já fui informada da grande probabilidade de ter um parto instrumentado e distócico (com ventosa, por exemplo) e da necessidade de ter epidural (porque não posso fazer esforços grandes, sob pena de me dar o piripaque). Mesmo assim isso deixa-me mais segura e confortável do que fazer uma cesariana, medicamente falando. É claro que quando a minha obstetra disse com o ar mais natural do mundo que 'o mais provável é dar-se aí um toquezinho com a ventosa para ser mais rápido' fiquei do género 'WHAAAAAAAAAAAT?', mas depois falei com ela, expus as minhas dúvidas, li sobre o tema, informei-me e falei com outras pessoas. E sei que no meu caso o melhor é ter um trabalho de parto rápido. É claro que todas temos fantasias em relação à forma como gostávamos de ser tratadas, mas isso não é de todo mais importante do que a segurança dos nossos bebés ;)

      P.S.: Acho Alice um nome verdadeiramente lindo. Adoro :D

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    4. Nisso estamos de acordo: nada mais importa que a segurança dos nossos bebés! (já agora também era supimpa se não nos acontecesse nada...)

      Nós cá em casa também adoramos o nome. Já se fosse menino estaríamos numa situação chata: vários nomes que gostamos mas nenhum que fizesse "click".

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    5. Sim, também apreciava a parte dos coelhinhos a saltar :D Mas o que quero mesmo é ter o meu bebé comigo e bem de saúde, o resto é secundário ;)

      Nós também somos assim, com a chatice de que efectivamente temos um menino :P Mas já estivemos mais longe da decisão (aleluia!) :)

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  10. Enquanto grádvida, tenho lido um pouco sobre este assunto (embora às vezes me arrependa, porque começo a ter real receio da "hora" H...).
    Percebo que há procedimentos que têm que ser feitos, a bem da saúde de ambos. Não percebo que esses procedimentos não sejam explicados ou pelo menos comunicados à grávida, no momento em que têm que ser feitos. Acho grave.
    Tal como me parece grave que, segundo a OMS, determinados procedimentos são usados em excesso. Por exemplo o corte, em Portugal usado em 70% dos partos, devia ser feito segundo a OMS em cerca de 10%!...
    Não me parece mesmo aceitável! E tem que haver uma explicação para além da "politicamente correta"... se calhar são os tais compromissos de alguns profissionais que implicam o tal "despachar". Não de todos, claro, mas de alguns, é inegável, todos sabemos.
    E tudo isto me faz ponderar seriamente um parto no privado.

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    1. Raquel, se queres um conselho lê MUITO. Lê, vê partos, fala com pessoas, informa-te. Eu já vi dezenas de partos e acho sinceramente que isso foi muito bom. Sei para o que vou, sei que não é perfeito, mas acredita que no fim é sempre muito bonito :)

      Concordo que os procedimentos devem ser comunicados. Percebo que possa não haver tempo para serem explicados (intra-parto, acho que deveriam ser explicados antes). Lamento que haja profissionais que não o fazem.

      A episiotomia é feita em excesso, mas mais uma vez não é feita porque as enfermeiras tenham um gosto especial em cortar pipis ;) Não tenho dados para te dizer porque é que isto acontece, mas por isso é que fazer um plano de parto é importante. No meu caso, eu não quero uma episiotomia de rotina. Se for necessário obviamente que concordo e nem será preciso perguntarem-me, mas caso contrário não quero. E tenho direito a isso. Não posso é ficar muito caladinha e depois reclamar ;)

      Uma episiotomia não despacha as coisas por aí além. Depois tens de ser suturada e tudo ;) E volto a referir, tal como disse lá em cima: a ideia de que nos privados os médicos têm todo o tempo do mundo é falaciosa ;) Eu também pondero um parto no privado, mas apenas e só porque as condições físicas são melhores a nível de puerpério. As equipas são igualmente boas, as técnicas também, os cuidados também (em alguns privados, atenção!)... Sinceramente até estou mais inclinada a ir para o público, precisamente porque tenho uma total confiança nas equipas. Mas é a minha opinião :)

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    2. Sou estudante de medicina de 6º ano, e já vi dezenas de partos. E apesar de concordar que as episiotomias não devem ser feitas por rotina, obviamente, também acho que 10 % é uma perspectiva demasiado animadora da coisa (baseando-me na minha pequena amostra). Já vi partos sem episiotomia a decorrerem sem problemas, e é realmente fantástico. Mas também já vi partos sem episiotomia em que, infelizmente, o bebé não era tão "pequeno" quanto parecia (nem sempre as ecografias estimam correctamente o percentil em que o bebé se encontra, até porque muitas vezes a última ecografia é feita várias semanas antes do parto), o que levou a lacerações nada bonitas. De uma forma muito simplista, é preferível fazer episiotomia do que deixar que os tecidos "rasguem" por si mesmos, o que pode ter consequências muito mais graves para as mães. E tal como a Joana referiu, não me parece que um parto com episiotomia poupe assim tanto tempo, porque suturar tudo no fim não é propriamente rápido.

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    3. Por acaso eu também acho 10% uma perspectiva demasiado animadora, mas sinceramente não tenho assim tanta noção da real necessidade da episiotomia. Falando com a minha amiga interna de obstetrícia ela também acha muito pouco, mas lá está: se calhar se não se fizesse episiotomia de todo apenas 10% das mulheres sofreriam lacerações, por isso assume-se que só seria necessária uma episiotomia nessas. Mas isso é um bocadinho como dizer que se formos para a água só 10% de nós é que se afoga, por isso não devemos dar aulas de natação a toda a gente (um exemplo um bocado totó, mas acho que se percebe o que quero dizer). No fim acho que na grande maioria dos casos se faz episiotomia sem haver real necessidade disso por um excesso de zelo e precaução, mas não me parece que seja obrigatoriamente mau ;)

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  11. Eu li o mesmo artigo do Observador mas não consigo desvalorizar como tu. Conheço demasiadas histórias de partos horríveis para achar que sejam detalhes, exageros ou casos isolados...

    Estou grávida e não espero que o meu parto tenha florinhas, balõezinhos ou música sacra, mas as episiotomias desnecessárias assustam-me, confesso (e não acredito que seja apenas a necessidade médica que nos coloca no topo da tabela na Europa, seremos todas mais estreitas que nos outros países?).

    E também acho que toques não autorizados e porventura desnecessários são um desrespeito absoluto dos meus direitos - eu acho que os estagiários devem aprender e que devem aprender em pessoas, grávidas inclusive, mas isso não dá o direito a ninguém de o fazer à socapa.

    Sobre pessoas rudes e mal-criadas, acho o mesmo nos hospitais que noutros sítios - simplesmente, tento nunca tratar ninguém de forma rude e exijo que façam o mesmo comigo.

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    1. Rita, como disse acima concordo que a episiotomia é feita em excesso, mas sei que tem havido um esforço no sentido de mudar isso e não acho que seja violência obstétrica. Acredita que durante todo o trabalho de parto é a parte mais horrível de ver, mas em alguns casos é necessária.

      Há alguns anos também se colocava nitrato de prata para evitar infecções oculares nos recém-nascidos e isso não é violência pediátrica. Entretanto descobriu-se que era desnecessário e uma grande parvoíce e deixou de se fazer. A ciência evolui, e a medicina e os seus profissionais evoluem com ela. Eu não quero episiotomia a não ser que seja necessário. Por isso é que acho que as pessoas se devem informar sobre o que se passa. Mas dizer à posteriori que foi desnecessário é sempre complicado: como é que sabemos que aquela pessoa não precisava mesmo daquele procedimento?

      Depois de escrever a publicação apercebi-me que fui talvez demasiado permissiva em relação aos comentários malcriados. É um facto que são inaceitáveis, e que não são desculpabilizáveis por as pessoas estarem chateadas ou aborrecidas.

      Sobre os toques, não considero que sejam desnecessários. Mas concordo que há situações em que são dispensáveis. Mais uma vez, a grávida deve informar-se antes. Alguém fazer o descolamento de membranas, por exemplo, sem o consentimento da grávida, dá direito a queixa.

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  12. Olha Joana, acho que pela primeira vez escreves um texto que me revoltou bastante. O parto não deve ser só flores e chocolatinhos (também não creio que haja assim tanta gente a idealizar o parto desta maneira, mas pronto) mas não devia ser traumatizante, e muitas vezes é. Demasiadas vezes para o séc.XXI, na minha opinião. E para mim não há desculpa. Não há desculpa para os "Está a gritar para quê?" e os "Páre de se mexer!" quando mulheres que optaram por não levar epidural estão a ser cosidas depois do parto. Ok, optaram por não levar epidural, mas não poderem sequer optar por anestesia no momento de serem cosidas (uma anestesia no local, apenas!) obrigando-as a serem cosidas a sangue frio e aos gritos acho crueldade sim, e violência obstétrica. Durante o ultimo ano, aconteceu isto a duas conhecidas minhas que optaram (no direito delas) a não levar epidural, mas que para o 2º parto vão reconsiderar apenas porque a parte dos pontos foi demasiado traumatizante.
    Também "esquecerem-se" da mulher na sala de espera, não acho desculpável. Isto aconteceu à minha frente num hospital público. Tinham passado 7h.
    Também mandarem uma amiga para casa, com 27 semanas de gravidez, para a bebé nascer nem 40 min depois, foi violência obstétrica.
    Comentários como "quando o estavas a fazer não devias ter gritado tanto" não é o enfermeiro a ter um dia mau: é o enfermeiro a ser mal criado e a tornar uma experiência já stressante, ainda mais stressante.
    Chamarem uma colega minha de "histérica" porque gritava na altura do parto (optou por não levar epidural, por isso é normal gritar certo? Faz parte do processo, não?), também é violência para mim.
    Na parte da epidural tens razão, há muitas mulheres a queixarem-se apenas porque não sabem como esta funciona e acham que pode ser dada em qualquer altura e de qualquer maneira.
    Este devia ser um momento bom e com o menor stress possível. E, como em qualquer profissão, nenhum profissional deveria considerar aceitável comentários rudes e mal educados.
    Não é preciso nem chocolatinhos nem florinhas, apenas humanidade.

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    1. Mais uma vez, eu não disse que a violência obstétrica não existe. Disse que os casos descritos no artigo não são de violência obstétrica. Maltratar pessoas é violência obstétrica. Esquecerem-se de alguém é negligência. Mandarem a tua amiga para casa pode ter sido um azar, pode ter sido negligência, depende das situações e não estamos por dentro do caso para opinar. Comentários como o que referes são má educação e deviam dar origem a queixa. Chamar alguém de histérica também. Concordo em tudo o que disseste e estamos a dizer o mesmo ;)

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    2. Aliás, até digo que 'quando nos sentimos maltratados podemos - e devemos - apresentar queixa nos locais próprios (eu já o fiz)'. Mas há que saber distinguir o que é violência - por exemplo, já estive num parto em que a enfermeira chamou bardajona à parturiente - do que é procedimento necessário ou inevitável - fazer pressão na barriga, progredir um parto para uma cesariana, proibir o pai de assistir a um parto instrumentado se for a política do hospital, fazer episiotomia, usar a ventosa ou os fórceps, deixar que os alunos ou internos façam procedimentos e outros exemplos que o texto refere.

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    3. Nunca tendo passado por nenhum parto - e, ao ler estes comentários, a repensar seriamente a decisão de um dia passar... :P -, arrepiei-me toda a ler a parte das duas amigas a serem cosidas a sangue frio.

      Joana, qual é a razão pela qual não é administrada uma anestesia local para dar os pontos depois de um parto sem epidural? Há sequer alguma razão médica para isto?... Que horror.

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    4. Rita pensa assim: eu já vi às dezenas e quero passar por isso na mesma. Como não sou masoquista, deve ser porque não é assim tão mau, certo? :P

      Sinceramente, desconheço se há razão médica para não ser administrada anestesia local. Assim de repente diria que não há qualquer contraindicação... Parece de facto uma grande brutalidade.

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    5. É que foram em dois hospitais diferentes (três, se contarmos com outra conhecida que levou epidural mas já tinha passado o efeito no momento de ser cosida e recusaram qualquer anestesia). E isto foi tudo o ano passado. O argumento costuma ser "é num instante". Mas é crueldade mesmo, não devia ser assim, revolta-me mesmo XD
      Eu sou sempre apologista do reclamar, e a verdade é que se ninguém reclamar as coisas nunca melhoram. Mas acredito que em comparação há uns anos esteja tudo melhor.

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    6. Bem, retirar um siso também 'é num instante' e não quer dizer que seja feito sem anestesia :P

      Digamos assim: há três anos fazeres um plano de parto era visto como ridículo. Hoje em dia é relativamente normal. As coisas evoluem (e ainda bem) :)

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    7. É num instante quer dizer, eu demorei 3h para cada um :P
      Sim, verdade. Mas irem melhorando não significam que estejam perfeitas, e neste aspeto há ainda bastante a percorrer. Mas lá chegaremos :)

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    8. Olha eu só conheço pessoas que tiraram sisos depressa! Vês, muitas vezes as nossas experiências não são demonstrativas da realidade :P

      Mas na verdade depois fiquei a pensar no que contaste e acho que há muito 'bullying' para com as pessoas que optam por não fazer epidural. Um bocadinho como a malta que fica a regozijar-se por ter morrido a senhora defensora do parto em casa enquanto tinha um parto em casa, ou quando a defensora das armas levou um tiro do seu filho. Há uma certa 'Ai não queres? Então agora ficas aí a sofrer que te lixas, e quando sofreres ainda vamos fazer pior que é para aprenderes'. Não é propriamente maldade, é uma certa... Mesquinhez talvez.

      Nunca vi acontecer algo assim, mas conhecendo a natureza humana parece-me uma boa explicação (triste, mas boa).

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    9. Os meus sisos não eram normais, também :P não dá para comparar eheh
      Ya, era isso que queria dizer mas como não tenho exemplo suficiente de pessoas que passaram por um parto sem epidural não queria estar a ser injusta para com o pessoal médico XD mas parece ser um bocado tipo o "Não quiseste? Agora aguenta!" Para mim é maldade, sim XD mas pronto, acho que as coisas têm tendência a melhorar, mesmo ;)
      Olha, relativamente ao Hospital de Vila Franca só tenho relatos de boas experiências e de uma grande humanidade. A minha irmã diz que quando tiver bebés só os quer ter lá, apesar de ser longe de casa! Uma amiga nossa teve lá o bebé e apesar de ter sido um parto complicado, ela relata-o como sendo uma experiência tão positiva e bonita que uma pessoa até acaba por sentir "orgulho alheio" pelos médicos, enfermeiros e técnicos portugueses (e esquecer um bocado os outros trolls XD)

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  13. Eu fiz cesariana,aos sete meses já sabia que tinha que ser assim.A minha filha era muito grande e eu não tinha espaço para ela passar,a minha obstetra livrou-me de um parto difícil.Cesariana não é fácil,o corpo não recupera tão rápido e deixa sempre marcas e não me refiro à cicatriz.

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    1. Mas lá está, quando é necessária é e não há nada a fazer ;)

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  14. Bom dia!
    Fico deveras triste por ler certos comentários. É impressionante tudo aquilo que ainda pode correr mal na altura do parto, algo que prima por ser um processo natural. Cada vez mais, com base no que vou ouvindo e lendo, percebo que ter um parto natural é quase uma raridade. Já me tinha perguntado o porquê disto ser a norma em Portugal. Não estou por dentro do sistema e não o conheço assim tão bem, mas ainda me custa a aceitar as divergências na formação profissional (a cívica, pronto, nem vou discutir) de todos os médicos e enfermeiros. Não há um standard na formação da medicina? Varia assim tanto de Universidade para Universidade? Como pode um médico preferir fazer uma cesariana a deixar que a natureza siga o seu curso quando não há razões para tal? E o que leva uma enfermeira a dissuadir alguém de não tomar epidural dizendo: "Tem a certeza? Veja lá, é que se depois não aguenta, não lhe podemos dar!"? Não aguenta o quê? As dores? Acho que de tudo o que pode acontecer, as dores são o mais tolerável e passageiro. Serão várias perguntas para as quais nunca haverá uma única resposta, porque, afinal, não é tudo preto no branco.
    Quando cheguei ao hospital (em Berlim) estava meia apreensiva, será que quero epidural, será que não? Sabia que se não tivessem passado 12 horas desde a última injecção de heparina (obrigadinha, trombose), essa hipótese estaria automaticamente excluída. Mas tanto o médico como as enfermeiras e as parteiras disseram em coro: "Não precisas de epidural, estás a fazer um óptimo trabalho!" Senti-me encorajada, ainda mais forte e determinada a continuar num parto natural, se assim fosse possível.
    E como pode uma mulher ser censurada por gritar durante as filhas da mãe das contracções? É que eu estava muito bem, mas aquelas últimas antes de me rebentarem as águas, menina, eu gritei como nunca tinha gritado na minha vida. Nem eu sei de onde vieram aqueles gritos, até hoje. Ninguém me mandou calar, no entanto, pedi desculpa a todos no final :D
    A médica também se colocou em cima da minha barriga para ajudar a empurrar e eu achei bom, achei que me estava a ajudar. Depois de 12 horas em trabalho de parto, já não tinha muitas forças, mas ele acabou por sair. Levei poucos pontos e com anestesia local. Lembro-me de me sentir bem no fim do parto, de estar feliz e de poder tomar banho pelo meu próprio pé. Contudo, sempre que penso nisto e leio mais histórias de partos infelizes devido ao tratamento que as parturientes (new word, thanks) recebem de alguns profissionais envolvidos, percebo que devo ter tido muita sorte. Porque poderia ter corrido tudo muito pior.
    Um beijinho para ti, Joana, e para todas as que passaram por esta experiência.

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    1. Cecília ninguém aprende a fazer partos na faculdade e sim, há muitas variações consoante os hospitais onde os colegas fazem a especialidade. Há hospitais onde as induções são normais, outros onde são evitadas. Há hospitais onde a cesariana é vista como um plano B, outros onde é o plano Z. Depende de tantas coisas...

      Mas sim, sei que em determinados locais há uma perspectiva mais 'zen' (falta-me uma palavra melhor, não estou muito eloquente hoje) do parto, mas na verdade nós temos uma das menores taxas de mortalidade infantil da Europa por isso alguma coisa estamos a fazer bem :P É claro que isto da epidural tem muito que se lhe diga e é triste que as mulheres sejam quase pressionadas para a fazerem... Mas é o que temos :/

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  15. Sabes o que é que eu acho cada vez mais? Se as pessoas se informassem mais sobre o seu próprio corpo, se nos conhecermos melhor, se exigirmos mais e melhor, acho que conseguimos uma melhor experiência. Estarmos conscientes do que poderá acontecer e estarmos preparadas para que possa não correr como planeamos. Quantos partos são provocados sem necessidade, por exemplo? Se a mulher monitorizar o seu ciclo, consegue praticamente saber em que dia engravidou, com uma margem de erro muito pequena... Há imensos partos provocados às 40 semanas e que na verdade estarão nas 38 ou 39... Sei que isto não é violência obstétrica, mas acho que também é dever da mulher conhecer-se e exigir informação a quem têm de exigir. A partir daí, sabe que intervenções poderão ser necessárias, não irá às escuras. Desinformação é o pior para nós.

    Não sou mãe, não estou a pensar ser tão cedo, mas interesso-me bastante por estes temas... O parto não são só florzinhas e arco-íris, mas quanto mais informadas tivermos, melhor correrá o parto mesmo que não seja como idealizámos (que não será certamente!). :)

    Margarida

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    1. Margarida concordo perfeitamente contigo e acho que a questão da indução é uma das maiores parvoíces de sempre (como até já referi num comentário acima). No entanto, muitas grávidas pedem indução porque já estão cansadas de estar grávidas (e nesse aspecto eu não cuspo para o ar, confesso que as 32 semanas já me pesam) e porque isso lhes dá a segurança de poderem ter um parto feito pelo seu obstetra (alegadamente, às vezes as coisas não correm bem assim). Ou seja, não é propriamente uma coisa imposta ;) Mas concordo que é preciso informar MUITO toda a gente. Por mim a malta via vídeos de partos na escola, por exemplo ;)

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  16. Joana, encontrei este vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=MlBaKctrpKM) e lembrei-me de te vir perguntar sobre partos verticais. Parece-me que a posição sentada ou de cócoras facilita a expulsão e diminui a dor e o desconforto, certo? Porque razão, não sendo esta opção mais dispendiosa ou elaborada que o parto tradicional, não está disponível em todos os hospitais à escolha da parturiente? Parece-me uma posição mais natural e "bonita", não sei bem porquê... :P

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    1. Rita é verdade que a posição sentada ou de cócoras é muito mais fisiológica :) O problema é que para os profissionais não é tão fácil porque têm de estar 'em baixo' da grávida, enquanto que se ela estiver deitada basta estarem à frente. No fundo faz-se assim por ser mais prático. Mas depende dos hospitais. O Garcia é um hospital óptimo nesse aspecto e é onde muito provavelmente vou ter a minha coisinha fofa. Tenho lá uma amiga interna de obstetrícia que faz partos em todas as posições: deitadas, sentadas, de gatas, eles são muito fixes nesse aspecto :)

      Mas dou-te o meu exemplo: vou ter de ter um parto muito específico e já fui avisada de que há uma grande probabilidade de precisar de ventosa. Nesse caso, não poderei fazer um parto sentada porque o médico precisa que eu esteja deitada para aplicar a ventosa com segurança ;) É uma chatice, mas é o que é ;)

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  17. Ola Joana ;)

    Nunca assisti nenhum parto mas ja vi imensos videos no youtube (1 born every minute :)), conta? ;)

    Ainda nao perdi tempo a pensar em como sera o meu parto. Nao tenho nenhuma expetativa. Quero que corra tudo bem e rapido de preferencia.

    Quando engravidei fiquei a saber das opcoes que tinha (centro de partos, hospital ou em casa) dependendo do percurso da gravidez. Recusei parto em casa porque assusta-me um bocado a ideia. Depois comecei a ler mais e fiz uma visita ao centro de partos e e la que quero ter o meu filho. Gostei do que vi e o ambiente e mais parecido a uma casa. Eles tem uma cama casal (O Dario pode passar o tempo todo la e inclusive dormir se for o caso, o que nao acontece no hospital), uma banheira enorme (para as contracoes ou fazer o parto na agua), o tal banco para parto sentada e outros apetrechos q desconheco os nomes ;). Se a pessoa escolher ficar deitada, o parto e feito num colchao especifico no chao. A unica coisa que me assustou no inicio foi o facto de nao terem epidural. Eles tem outros metodos para aliviar a dor mas nada de epidural. Dizem que se achares que precisas mesmo eles transferem para o hospital sem nenhum stress mas que a percentagem de mulheres que e transferida e muito pequena.

    As estatisticas em relacao ao centro de partos sao muito boas em muitos aspectos o que me deixa feliz com a escolha. Ainda tenho que fazer uma consulta com 36 semanas para saber se serei admitida la ou terei mesmo que ir ao hospital.

    Nas aulas de preparacao para o parto falaram de todos os casos possiveis, duracao do trabalho de parto, estagios e todas essas coisas. Falaram tambem das coisas "nao bonitas" que podem acontecer o que por um lado faz temer pelo pior mas deixa com uma ideia bem clara que nem tudo sao flores.

    E como falaram da posicao sentada ;), se tudo correr bem e a que quero para mim ;).

    Bjnhos

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    1. O que interessa é que seja um sítio seguro onde te sintas confortável :) E que estejas informada, isso é muito importante ;)

      Sentada é mesmo a melhor posição ;) Mas não dá para todos os casos ;)

      Beijinhos :)

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  18. Olá Joana,
    Fizeste-me recordar o meu parto... só idealizei que não nos fizessem sofrer a mim e ao meu bem grande João.. não pedia mais nada.. pois essas histórias de partos difíceis e complicados pairavam sempre na minha mente.
    E foi.. não houve coelhinhos e sorrisos rasgados, mas houve uma equipa médica atenta e houve um chupa-chupa :D

    Águas rebentadas às 15h, contrações à séria, epidural - para mim uma hora depois do que devia ter sido, mas lá está a equipa médica esperava que a dilatação se adiantasse mais, um chupa-chupa oferecido que soube a almoço, lanche e jantar.. e a sentença de cesariana às 21h30 quando a dilatação não ia a lado nenhum de jeito e maneira nenhum..

    Exatamente como tinha idealizado.. ninguém sofreu.. o meu big boy com 3,980kg nasceu uma hora depois tendo uma mãe feliz, descansada e preparada para o acolher.

    Beijinhos

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    1. É isso mesmo que eu quero: uma boa equipa e segurança para mim e o meu bebé :)

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