5 de janeiro de 2016

Pregnancy Diary #35

Sou uma crente no serviço nacional de saúde: trabalho num hospital público que considero ser bom, o meu serviço funciona bem, as pessoas que lá trabalham gostam realmente do que fazem (o que não invalida que o façam igualmente bem no privado, claro) e, obviamente, tem a grande vantagem de ser gratuito (ou sujeito ao pagamento de taxas moderadoras razoáveis). 

Também sou uma crente nas nossas escolas públicas: trabalho diariamente com elas, tive um bom percurso educacional numa, falo com professores, organizo apoios, estou presente em reuniões e, acima de tudo, posso comparar entre a abertura que as escolas públicas têm para ajudar miúdos com dificuldades (muita) com a que as escolas privadas têm (que é um misto de 'la la la não estamos a ver nada' com 'pontapé no traseiro daqui para fora').




Há excepções, claro, e como todas as generalizações também esta peca por ser injusta. Mas eu sabia que quando chegasse a altura de fazer as melhores opções para o meu filho iria decidir seguir a gravidez no serviço nacional de saúde, ter o parto num hospital público e colocá-lo numa escola pública.

E depois chega a hora da verdade.

15 hilarious parenting comics that are almost too real.:

Até há relativamente pouco tempo segui a minha gravidez no meu centro de saúde com a minha médica de família. Era também vista esporadicamente por um obstetra no hospital onde trabalho, e depois das complicações que tive passei a ser também seguida na consulta de cardiologia da grávida do meu hospital. Nessa altura, e por uma quantidade variada de razões, optei por mudar de obstetra. Falei com uma amiga interna de obstetrícia e marquei consulta para uma colega dela. Por uma questão de logística, optei por marcar consulta para o privado (o público onde a colega trabalha é mais longe). E, de repente, vi-me obrigada a considerar a hipótese de optar por um parto no privado.

Vamos aos factos: o dito hospital privado é tão bom como qualquer hospital público, tem profissionais excelentes, tem uma óptima unidade de neonatologia e condições físicas incomparavelmente melhores. Eu tenho seguro de saúde (os meus pais fizeram-no quando vim viver para Lisboa) e o bebé também já lá foi englobado, por isso estamos a falar de um custo monetário mais simpático (embora, obviamente, menos simpático do que zero euros).

Eventualmente percebi que a única coisa que me impedia de ter o parto no hospital privado... Eram os meus princípios. Não era o dinheiro, não eram as condições e não era pensar no que seria melhor para o meu bebé (até porque acredito que seria igual). Era doer-me na alma ir contra algo em que acredito.

Scary World

O mesmo se passou em relação à escola. Quando nos deparámos com a opção de inscrever o nosso bebé numa creche com acordo com a segurança social (IPSS) ou inscrevê-lo numa creche privada, o facto de ser privada não pesou rigorosamente nada na nossa escolha. Decidimos por aquela que mais gostámos, com que nos identificámos mais e onde pensámos sentir-nos mais seguros em deixar a nossa coisinha boa - o que, por coincidência, acabou por ser a creche privada.

E, de repente, fiquei a pensar nisso também. O ensino público é óptimo e abrangente? Sem dúvida. Mas será que quero o meu filho no meio de alguns dos gandulos com quem partilhei a escolaridade? Pois.

DICKY: What’d i tell you about wearing that?!

SHIRTS: Do as I say, not as I do
Eu estive em turmas com imensos alunos mais velhos problemáticos que fumavam ganza todos os dias e atiravam cadeiras à cabeça dos professores e isso não me traumatizou - muito pelo contrário, provavelmente até me deixou mais rija e tal. Mas será que é isso que quero para o meu filho?

Mais uma vez a generalização peca por ser injusta, eu sei. Há óptimas escolas públicas (conheço algumas), tal como há péssimas escolas privadas (também conheço algumas). E creio que, quando o momento chegar, isso será o que pesará na nossa decisão: não o facto de ser pública ou privada, mas sim o facto de poder dar à nossa coisinha fofa o melhor acompanhamento a todos os níveis.

Porque essa é a parte engraçada dos nossos princípios: mudam quando somos pais.

(Por outro lado a pediatra vai seguir o meu ursinho no público, por isso nem tudo está perdido.)

How Much I Love You

30 comentários:

  1. Joana, eu que não percebo nada dessas coisas de "parentalidade" tenho só uma opinião sobre a questão do ensino: o que tu dizes sobre os colegas que o vosso filho pode encontrar na escola pública não é só válido para a escola pública... "Maus" colegas há em todo o lado porque, infelizmente, o dinheiro nem sempre traz educação/formação e por isso há muita gente com dinheiro para pagar escolas privadas e com muito poucos valores a transmitir aos seus filhos (que têm por isso mais probabilidade de virem a ser maus colegas, seja no sentido que for)... Dito isto, penso que as vossas escolhas têm que ter a ver com o que o vosso instinto ditar que é melhor para o pequeno, independentemente do conceito de público ou privado... tal como fizeram com a creche! :) Gosto de ler estes diários, espero que continue a correr tudo bem! Muito descanso!! *

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    1. Eu sei disso, e disse inclusivamente que isto das generalizações tem as suas coisas claro :) Também andei numa escola privada (passei pelas duas alternativas) e não era por isso que os meus amigos eram todos queques. Há de tudo, claro. Mas em comparação era um ambiente menos 'confuso', bem mais protegido. No fundo isto é só uma reflexão sobre como muitas vezes temos tudo tão decidido no geral mas quando somos nós mesmo o caso muda de figura :P

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    2. Eu percebi que a intenção era essa e gostei muito da reflexão! :) Sem dúvida que uma coisa são os planos e as "idealizações" que fazemos e outra bem diferente é o que fazemos/decidimos na hora H... Por isso, o melhor conselho é: "vão aonde vos leve o coração". Coração de mãe/pai sabe sempre, pelo menos a avaliar pelos meus... :D

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    3. Exacto. Uma coisa é dizer 'ah o SNS é tão bom, não percebo porque é que as pessoas vão para o privado' ou 'mas a escola pública é tão abrangente e importa-se mesmo com os miúdos'. Outra coisa é estarmos nós nas situações e vermo-nos perante este tipo de opções :)

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  2. Bem eu posso opinar livremente, tenho 2 filhos.. 1 nasceu no público ..outro no privado... ambos frequentaram a creche no privado e a mais velha entrou no ensino público para fazer a pré-escola e consequentemente a escola... Eu vejo as coisas exatamente desta forma... o que faz as coisas não é o modo como te é cobrado... mas sim as pessoas e os métodos que que lhe são inerentes... Eu conheço vários hospitais privados por dentro e por fora... públicos idem... sei que por vezes gosto mais ou sou melhor atendida nuns ... outras situações noutros... depende da situação e basicamente das pessoas! Eu opto sempre pelo privado quando é uma questão de urgência, de acesso mais facilitado e direto... infelizmente o serviço público tem essa lacuna, para chegar ao ponto X, que será o ponto principal, tens que percorrer montes e vales onde a maioria das vezes as paragens são completamente desnecessárias... Os meus filhos têm pediatra no privado..imaginas quantos profissionais consultei até achar que ..é este! Era impossível termos pediatra no serviço público porque até há bem pouco tempo nem médico de família tínhamos. Mas tenho imensa pena de não poder usufruir dos serviços de alguns pediatras do SNS com quem já me cruzei... mas lá está... entre montes e vales... Pensa assim: as minhas escolhas são as melhores para mim...de qq forma quando isso não se verificar posso sempre mudar! ;)

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    1. Era precisamente este tipo de troca de opiniões que queria que acontecesse com este texto :) Tanto eu como o meu irmão nascemos no privado, eu frequentei a escola pública e privada e o meu irmão apenas a privada. E os meus pais não têm queixas de nada, mesmo em relação à escola pública onde eu andei, porque de facto fomos sempre bem acompanhados.

      Sinceramente já tive experiências piores em hospitais privados do que em públicos, mas isso depende muito das pessoas, dos técnicos, da sorte, enfim. Há muitos factores que pesam aqui. Sempre que preciso de recorrer à urgência vou ao público, mas isso poderá estar relacionado com o facto de estar num hospital bom e de (não sou inocente ao ponto de achar que isso não terá alguma relevância) ser médica.

      Em relação à pediatria, concordo perfeitamente. Na verdade, esta questão toda da obstetrícia ensinou-me uma lição importante: mais do que estarmos com o médico xpto, é importante estar com um médico com quem tenhamos confiança e que tenha disponibilidade para nós. Porque no fundo o importante é que as pessoas se importem, porque depois o que não souberem perguntam ou encaminham-nos para alguém mais experiente em determinada área. Mas se souberem muito e não quiserem saber de nós para nada, nunca nos vamos sentir seguros de que estamos a ser bem observados :/

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  3. Eu já tive experiencias, em termos de saúde, boas e más no público e no privado. Creio que depende das pessoas mais do que das instituições. Tento sempre encontrar as boas opções no público mas nem sempre é possível por isso, muitas vezes faço um grande esforço financeiro, para usar o privado.

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    1. Pois, eu também sou a favor de usar o público primeiro e depois recorrer ao privado apenas e só em casos particulares (coisa que nunca me tinha acontecido). Mas nisto dos partos é mais complicado, o conforto é diferente, as condições também, etc etc etc.

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  4. Do pouco que sei, optaria também por,um privado (ou o sonho: Parto em casa!. Razoes: Pai pode estar a noite inteira com a mãe e o bebe (nao é a visita) e em caso de cesariana no publico o pai não pode assistir, o que é um grande nao para mim. O que parecer melhor aos pais costuma ser o mais correto, por isso seguirem o vosso coração é fantastico :)

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    1. A questão é que me faz confusão pagar por algo que tenho gratuitamente num hospital público, principalmente porque trabalho num e estamos sempre a queixar-nos que as pessoas acham que no privado as coisas se fazem melhor quando na realidade não é bem assim :P Mas depois quando somos nós e o nosso parto, de repente estar numa sala de puerpério (pós-parto) com mais duas outras mulheres já não nos parece assim tão natural e fantástico :P

      Parto em casa: HELL NO! Nunca na vidinha :P E no meu caso nem sequer dava, a questão cardíaca obriga-me a ter um parto muito específico e medicamente assistido. Mas mesmo que desse: HELL NO! :P

      O pai estar a noite inteira com a mãe é importante... Mas, mais uma vez, no privado pagas por isso. E não sei se é assim tão imprescindível. Não sei. Eu sou completamente a favor da vinculação precoce pai-criança (e tenho a fantasia de estabelecer logo relação triangular em vez da relação dual mãe-criança, com o Pedro a ser tão importante como cuidador como eu), mas não me parece um motivo suficiente forte (para mim) para optar pelo privado. O mesmo é válido para a cesariana, mas no meu caso o Pedro estaria lá de qualquer das formas a assistir (porque é médico, ainda por cima faz cirurgias, está confortável no bloco operatório, por isso regra geral deixam).

      Isto de seguir o coração é bom, quando estamos confiantes na nossa intuição :P O problema é quando a nossa intuição é um bocadinho para o pouco eficaz e a racionalidade começa a invadir-nos com dúvidas :P

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    2. Nao é que seja imprescindível ou não a presença do pai, mas na minha cabeça transforma o pai numa "personagem secundaria" e parece que o parto fica só da mulher, sei lá :P manias minhas, mesmo xD o que vocês escolherem será acertado, e se não for, aprendem para o próximo ;)

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    3. Boa noite Joana,

      Apenas para dizer que há hospitais públicos que deixam o pai estar a noite/noites toda/s no quarto com a mãe e o bebé, embora as condições não sejam as melhores (dormem num sofá reclinável)...
      Falo pela experiência, tive o meu filho no Hospital Público de Braga há 3 semanas e no geral correu tudo bem :)
      Bjinhos e felicidades

      Luz

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    4. Bem... Tecnicamente o parto é mais da mulher, o homem está lá mais para o apoio moral :P Não é como os cuidados, a transmissão de valores, a educação em geral, etc :) Não quero dizer com isto que o pai não seja importante no momento do parto (até porque eu vou ser uma histérica e preciso do Pedro lá para me dizer para keep my shit together), mas não me parece uma razão para distinguir o público do privado :)

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    5. O Hospital de Braga é público-privado :) Tal como o de Vila Franca, onde já trabalhei e que também tinha o mesmo registo :) Em Braga não sei, mas Vila Franca era um óptimo sítio para ter bebés e ainda hoje penso nessa possibilidade :P

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    6. Sim, estava a pensar no de Vila-Franca como privado :P bem, então posso optar por publico-privado, pronto! Para mim vai ser mesmo uma cena importante quando engravidar (imaginemos se tenho um parto dificil e tenho de ser toda cortada e cosida... ou numa cesariana... e sei que vou estar toda baralhada das ideias e confusa e a precisar de uma presença reconfortante: quero o pai lá à noite sim! :P ). Uma amiga minha mãe recentemente teve o bebé no hospital de vila franca e ela a falar do próprio parto é realmente inspiradora eheh a minha irmã andou meses a dizer que quando tivesse um bebé seria no hospital de Vila-Franca. Bem, não importa o sitio, nem como, o importante é que corra bem ^^

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    7. Vila Franca é um hospital bem fixe :) Tem uma boa equipa de obstetrícia e de anestesia também :) E de pediatria :P É bom em tudo, no fundo :D

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  5. De escolas e creches ainda não posso falar porque a minha filha só tem 3 meses, mas pari no público e adorei o pai assistiu ao parto e fui tratada como uma princesa!!

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  6. Tenho uma filha com 5 anos e estou grávida de 17 semanas.
    Ser seguida no público nunca foi uma questão que ponderei. O privado foi sempre o que considerei em primeiro lugar.
    Na gravidez da minha filha tive diabetes gestacional e a obstetra que me seguia (privado) encaminhou-me para ser seguida no hospital público.
    Posso dizer que os serviços de consultas (obstetrícia, nutrição e diabetes) públicos foram excelentes, muito atenciosos, simpáticos, preocupados com o meu em estar e o do bebé. O único inconveniente é que marcavam muitas consultas para a mesma hora e o tempo de espera era muito grande (perdia uma manhã por semana nas consultas).
    Nesta gravidez, apesar de aparentemente ainda estar tudo bem, o meu médico de família devido à idade (35 anos) e histórico resolveu encaminhar-me para ser acompanhada no público. Por enquanto ainda só fiz consultas de rastreio, mas não tenho qualquer razão de queixa.
    Continuo a ser seguida no privado porque tem a vantagem de ser acompanhada por quem eu escolhi e não pelo médico que me impuseram.
    Em relação ao parto, uma gravida de primeira viagem fica assustada com tudo o que ouve! Por isso, mesmo tendo seguro de saúde, escolhi um hospital público.
    E só tenho a dizer bem. O meu parto foi provocado e tive algumas complicações e fui muito bem acompanhada. Senti-me bem tratada e desta vez vou tentar que o parto seja no mesmo hospital. O meu obstetra trabalha nesse hospital.
    Em relação à minha filha, ela ficou com a avó até aos 3 anos. A minha mãe deixou de trabalhar para ficar com a neta (primeira e única, por enquanto)!!
    O pré escolar está a frequentar numa escola pública. A escola é nova e tem muito boas condições, muito bons profissionais e a vantagem de ser muito perto de casa.
    Claro que "tem de tudo". Miúdos bem educados e outros mais rebeldes. Mas estas diferenças também são boas para que eles entendam melhor o mundo que os rodeia.
    As opções privadas na minha zona de residência não são melhores do que a oferta pública, por isso não foi uma decisão difícil.

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    1. Há hospitais mesmo muito bons na parte da obstetrícia, inclusivamente privados. Mas públicos também, obviamente :) No nosso caso ficar com os avós não é mesmo opção, mas queríamos mesmo optar pela escola pública depois da creche. Aqui na zona creio que a escola é boa, tenho que me informar melhor :)

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  7. "Contas" feitas, no final, vamos pelo que sentimos na altura e tomamos decisões - pelos menos é o que eu faço cada vez mais - a confiar na intuição ou no sexto sentido ou no que lhe quiserem chamar. Tenho 3 filhos - uma andou em escolas privadas até ao 4º ano, outra até entrar para a escola primária, o último até fazer 3 anos (sim, tive uma sorte descomunal e consegui que ele entrasse no público logo no 1º ano de jardim de infância :)). De certa forma desiludi-me com o privado, e cheguei à conclusão que não era isso que eu queria para os meus filhos. Sei exatamente em que momento tomei essa decisão (e foi mais sentimental do que racional), e até hoje só me arrependo de não ter tirado a mais velha de lá antes.
    Médicos também é um bocado assim: tanto vamos ao público como ao privado - é onde nos sentirmos mais seguros e bem acompanhados (confesso que cada vez mais tendo para este último, infelizmente). Há quem diga que as mães sabem sempre. Não posso dizer que concordo em absoluto, mas tem o seu quê de verdade. Se nos enganamos? Pois certamente que sim, mas que seja de consciência tranquila :)

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    1. Acho que depende também das zonas de residência. No sítio onde moro agora há um Jardim de Infância público manifestamente bom e uma escola primária pública que acho que é bastante boa também. Mas conheço outras situações em que não é de todo assim. No entanto, sinceramente tinha melhores opiniões sobre as escolas privadas antes de começar a trabalhar na pedopsiquiatria. Não será uma decisão fácil, mas acho que depende da intuição :)

      Em relação aos médicos, esta tendência para recorrer ao privado entristece-me. As pessoas que trabalham no privado são as mesmas que trabalham no público, por isso vou supor que terão o mesmo cuidado e a mesma dedicação em ambos os locais. Ou será que não? A nível de condições físicas é obviamente melhor, mas a nível de acompanhamento será igual ou até melhor optar por um público - pelo menos na teoria. Ora então porque é que não conseguimos pôr isto em prática? :/

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    2. Não tenho dúvida nenhuma que depende muito das zonas de residência e, mesmo numa determinada escola, depende também dos professores que nos calhem em sorte (pode até ser aquele que é considerado o melhor professor e simplesmente não se dar bem com o nosso filho...). Neste ponto tenho tido mesmo muita sorte.
      Quanto aos médicos... as condições físicas importam, naturalmente, mas não creio que seja só isso. Começando logo pelos horários. Não consigo conceber por exemplo porque é que num hospital marcam n consultas para a mesma hora e depois atendem-se os pacientes por ordem de chegada! Isto ainda acontece! Aquando das minhas gravidezes chegava a estar 3 horas à espera da consulta. No ginecologista privado a que recorro agora espero 10 minutos num dia mau... Ora, se o médico é o mesmo mas posso estar num local agradável e confortável e esperar consideravelmente menos, as minhas dúvidas já serão menores... Confesso que ainda por cima nas últimas vezes que recorri ao público senti que estava a ser despachada, mas isto pode ser uma espécie de ilusão/distorção da realidade. Falha-me agora um termo correto para isto, mas é como se estar tanto tempo à espera devesse merecer estar no consultório mais do que 10 minutos. Claro que racionalmente sei que isto não faz sentido, mas o inconsciente não pára, e às vezes prega-nos umas partidas, não é?
      Acredito mesmo que os médicos tentem dar o seu melhor, mas lá diz o povo que sem ovos não se fazem omoletes...
      Espero de todo o coração que vocês continuem com essa garra e com esses princípios - talvez se os formos passando aos nossos filhos as coisas não mudem irremediavelmente para pior :)
      Obrigada!

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    3. Sim, e às vezes os miúdos não se dão bem com determinados estilos de ensino... Enfim, acho que é preciso sorte :)

      Pois, isso é de facto verdade. No meu serviço é muito raro as pessoas ficarem à espera (eu sou loucamente pontual e até já tive pais que se recusaram a entrar porque os chamei às 8.45h e a consulta era às 9h!), mas regra geral há alguns atrasos sim. Também já esperei 2 a 3 horas (embora também já me tenha acontecido o mesmo no privado), mas no nosso caso é diferente porque percebemos que o colega que está do outro lado não faz de propósito e provavelmente estará simplesmente assoberbado de trabalho. Já em relação às consultas serem curtas concordo que isso efectivamente acontece e que saímos de lá um bocado com a sensação de que 'a montanha pariu um rato'. Mas, mais uma vez, não é por as consultas serem mais demoradas que serão mais eficazes :) Mas lá está, percebo perfeitamente porque as pessoas se sentem assim e eu própria já me senti assim algumas vezes. Aliás, confesso que foi uma das razões porque mudei de obstetra: uma coisa é ir a uma consulta mostrar um sinal, outra é seguir uma gravidez em consultas de 10 minutos. É claro que fica tudo bem visto na mesma, mas a segurança não é a mesma...

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  8. Olá Joaninha
    Tenho um filho já com 15 anos, e posso dizer-te que a grande diferença entre público e privado, sinceramente, são as pessoas. (In)felizmente no privado temos muita mais atenção. Vou começar pelo fim: escola - a minha pipoquinha ficou com as avós até aos 3 anos de idade (a melhor creche), aos 3 anos foi para o infantário público e de seguida escola primária toda no público, à exceção do 1.º ao 3.º ano de escolaridade (em que as turmas eram mistas - 2 anos de escolaridade diferentes por turmas) adorei, o meu filho teve a educação adequada e excelente. A partir do 5.º ano inclusive (porque o coração de mãe sofre e pensa em coisas absurdas – será que o rapaz vais faltar às aulas e vai sei lá para onde, fazer o quê e com quem...), optei pelo privado e posso dizer que foi a melhor opção, a melhor escolha que poderia ter feito. O Colégio é excelente, tem condições e atividades extra curriculares para todos os gostos e feitios, e melhor que tudo, os professores e o seu ensino é do melhor que temos na nossa cidade). Agora quanto à saúde: quando estive grávida fui seguida no privado, embora tenha decidido que queria um parto no público e só digo que não tive mais filhos porque ainda hoje quando penso no que passei (e que não desejo a ninguém, mesmo a ninguém) a minha tensão arterial sobe, sobe, sobe... e ficamos por aqui. Juro que tentei que em relação ao médico que fosse seguido no público, mas na primeira consulta fiquei elucidada como seria e bendita a hora que optei pelo privado com um pediatra com especialidade em alergologia, que sempre que houve (há) necessidade, está lá, e olha que quando o meu pipoquinha quando era (é, para mim continua a ser o meu menino) pequenino, precisou imenso do Dr. e nunca, nunca em momento algum nos deixou pendurados, mesmo quando com 18 meses teve de fazer exames de despiste (o pequeno andou 2 meses seguidos sempre doente, pois cada dente molar demorava a "furar" 15 dias e era infeção pela certa). Só te digo uma coisa, nunca digas nunca a nada, deixa-te guiar e seguir sempre pelo teu coração que é o melhor conselheiro que tens. Desejo-te o melhor. Maria

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    1. Lá está Maria, acho que depende. Quando andava na escola pública tive um problema de saúde e a minha directora de turma foi incansável a ajudar-me. Os professores estavam sempre atentos e puxavam por mim. No entanto, não era efectivamente um dos melhores sítios, e tenho a perfeita noção de que me safei porque era interessada. Já o Pedro andou sempre no público e fala maravilhas. Depende de tanta coisa... O problema é que aqui em Lisboa os meus amigos que andaram no público (que são poucos, confesso) contam histórias do horror mesmo! :O E eu até andei numa escola com facadas e coisas do género, por isso não é qualquer coisa que me choca :P

      Sinceramente acho que os partos tanto correm mal no público como no privado, salvo raras excepções de clara negligência (mas essas também podem acontecer no privado, atenção). Mas depois deste episódio com o meu ex-obstetra fiquei mesmo com a certeza que o melhor é termos um médico que se preocupe verdadeiramente connosco, independentemente de ser no público ou no privado. Assim sei que se algum dia precisar de ligar às duas da manhã por causa de uma qualquer urgência a minha amiga me atende o telefone :)

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  9. Desculpe a minha ignorância, mas fiquei a pensar... pediatra no público? só tenho conhecimento de médico de família, com todas as consultas gratuitas, mas pediatra não. Pelo menos no Porto não existe.
    Muitas felicidades Joana. Adoro o seu blog.

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    1. Há pediatras no público, para consultas específicas :) Creio que também poderão fazer a saúde global da criança, mas de facto é pouco comum. Mas a pediatra que escolhi é a Joana, a minha melhor amiga, por isso ela vai acompanhar o meu ursinho no público sim :)

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  10. Não tenho muito a acrescentar ao que já foi dito... concordo que o que realmente importa são as pessoas e que tanto no público como no privado existem bons e maus profissionais :)
    Não tenho filhos, por isso não sei nada do assunto em primeira mão, mas tanto eu como o meu irmão nascemos no público (duas cesarianas) e a minha mãe não tem queixas (excepto de uma enfermeira que não acertava a introduzir-lhe o cateter urinário... auch :P).
    No colégio eu andei no privado e o meu irmão no público (só a partir dos 2/3 anos... até lá estivemos em casa) e na escola andámos ambos no público. Gostei imenso da minha experiência e não me imagino no privado. Também tive alguns problemas relacionados com maus profissionais (nomeadamente a minha professora de Química no 12º ano... muito chato porque tinhamos de fazer exame nacional), mas felizmente foram raros!
    De certeza que vais fazer as opções correctas, boa sorte! ;)

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    1. Mas isso maus professores também há em todo o lado, eu tive-os no público e no privado :)

      Beijinhos! :)

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