2 de dezembro de 2015

Pregnancy Diary #14

Nos últimos tempos tenho recebido alguns mails com perguntas sobre dicas para engravidar. Eu pessoalmente não me debati particularmente com esta temática, mas achei que poderia ser útil explorar aqui algumas dicas médicas sobre o assunto (em oposição a algumas baboseiras que por vezes se lêem por aí).

Antes de mais, acho que é útil fazer uma pequena reflexão pessoal sobre o assunto. Ainda no seguimento da publicação anterior, ao longo do tempo fui reparando que há pessoas que olham para a concepção de um bebé como um trabalho - algo que têm de fazer, em determinados dias, em determinadas posições, com determinados passos a cumprir para atingir uma determinada meta. E eu não tenho nada contra a eficácia (muito pelo contrário, eu própria sou uma pessoa perfeccionista), mas acho que este tipo de abordagem não é propriamente a mais saudável.




Fazer um bebé é, no fundo, aliar o útil a algo que já de si é muito agradável. Se retirarem a parte agradável da equação e transformarem isto numa tarefa, vão perder a parte divertida :) Por isso o meu primeiro conselho é mesmo que parem de pensar em ter relações sexuais PARA engravidar, mas sim em ter relações sexuais PORQUE é muito bom, liberta endorfinas, gasta calorias, aumenta a intimidade e a auto-estima e um monte de outras razões bastante agradáveis. E sim, pelo meio há a vantagem de fazerem um bebé :)

Dito isto, aqui vão algumas dicas médicas :)

* Fazer uma consulta pré-natal (para ver se está tudo bem);

* Começar a tomar o ácido fólico (actualmente as linhas de orientação sugerem iniciar o ácido fólico três meses antes de começar a tentar engravidar);

* No meu caso iniciei também o iodo, embora as evidências científicas em relação à importância deste sejam duvidosas;

* Deixar de fumar e de beber;

* Não há evidências científicas suficientes que comprovem que mudar determinados factores da nossa alimentação faça alguma diferença;

* Convém conhecerem o vosso ciclo menstrual, mesmo antes de pensarem em engravidar - conhecerem o vosso corpo é sempre útil, até porque assim conseguem perceber algumas mudanças conforme as fases do ciclo. A partir daí, passam a perceber quantos dias tem o vosso ciclo e mais ou menos por volta de que altura é que é a vossa ovulação.

Vamos a um exemplo prático: Um ciclo menstrual normal tem entre 21 e 31 dias. Considera-se que o primeiro dia do ciclo é o dia em que começou a última menstruação. Geralmente a ovulação ocorre 14 dias após o primeiro dia do ciclo, embora haja alguma variabilidade interindividual. Considera-se que os dias mais férteis são entre o 10º e o 18º dia do ciclo, com um pico de fertilidade mais acentuado entre o 11º e o 15º dias.

Independentemente disto, a forma mais eficaz de engravidarem é terem relações sexuais com muita frequência. Há quem opte por fazê-lo em dias alternados (com base na ideia de que isso dará aos espermatozóides o tempo ideal para regressarem a níveis simpáticos), mas não há propriamente grandes evidências científicas para isso.

* Supostamente há posições mais propícias para engravidar (nomeadamente aquelas em que o esperma é depositado mais perto do colo do útero), mas também não é propriamente assim tão importante.

* Por outro lado, há efectivamente evidência científica de que ficarem deitadas e elevarem um pouco as pernas durante os dez a quinze minutos seguintes ajuda os espermatozóides a atingirem o óvulo com maior facilidade. Não precisam de fazer o pino, basta ficarem deitadinhos no ron-ron :)

* Por último, parem de pensar (e dizer) que a ansiedade impede os outros de engravidarem. Eu tinha uma professora de educação moral e religiosa que dizia que as raparigas que eram violadas não engravidavam porque a ansiedade impedia a fecundação, e de certa forma há muuuita gente a achar isso (não na questão das violações, mas no resto). Se a ansiedade fosse um factor assim tão importante, ninguém engravidaria quando está mais stressada. No fim, a ansiedade é uma parte normal e natural de tentar fazer um bebé - porque é algo que queremos, porque ficamos expectantes e porque efectivamente é uma decisão importante que muda a nossa vida. Por isso parem de ficar ansiosas com a perspectiva de ficarem ansiosas :)


E é isto. Basicamente, e em resumo, basta terem relações sexuais mooooontes de vezes sem protecção :D Se seis meses depois não ocorrer a gravidez convém irem ao médico de família ou a um ginecologista, que vos fará as análises e os exames que achar mais correctos. Não cedam à tentação de ler informação de fontes duvidosas. E, acima de tudo, divirtam-se muito :)

14 comentários:

  1. Também nunca me debati muito com este tema, mas li o texto e gostei imenso! Parecem-me dicas verdadeiramente razoáveis e... é sempre bom saber estas coisas. :)

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  2. A teoria é bonita e sensata e realmente é assim que funciona até determinada altura. Na prática não é bem assim. Passei 2 anos a tentar engravidar (no final consegui, foi uma alegria imensa) e chegas a um determinado ponto, a frustração é tanta que já tentas tudo e mais alguma coisa... A minha filha é o bem mais precioso que tenho na vida, mas o que passei para a conceber tirou-me completamente a vontade de tentar o segundo.
    Mas atenção, no fim de contas, valeu a pena a espera... saiu bem perfeitinha :) Beijo

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    1. Acredito que sim, mas muitas vezes gastas demasiada energia a tentar coisas que não resultam e que só te vão deixar mais frustrada :/

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  3. Teria imensa coisa a acrescentar a isso... No inicio realmente começa-se com o espírito "quando acontecer, aconteceu... o que interessa é que vamos namorando muito", mas com o tempo a passar e a passar e a passar, as coisas mudam de figura...
    Então quando ouço um "calma, relaxa que vai acontecer naturalmente..." ou "vai ser quando menos esperares..." só me apetece pregar um estaladão do tamanho do mundo.
    Não imaginas "a sorte" que tiveste por ter acontecido nas primeiras tentaivas... Eu pensava exatamente como descreves, de juntar o útil ao agradável, mas ao final de quase um ano as coisas mudam de figura... acredito que, para quem esteja nesta corrida há mais tempo tenha necessidade de experimentar tudo e mais alguma coisa que se possa ajudar ainda que não comprovado cientificamente...
    É uma prova a superar que não desejo a ninguem...
    Mas fico mesmo feliz por vocês por estar tudo a correr às mim maravilhas! Beijinho grande e tudo de bom para o pequenote.

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    1. Isto é um conjunto de dicas médicas para quem não tem dificuldade em engravidar. Por isso é que digo que se seis meses depois não acontecer as pessoas devem recorrer a um médico especializado no assunto ;) Quando escrevo, refiro-me mesmo a pessoas que encaram desde logo o engravidar desta forma. Nem sequer me quero meter por assuntos que sei envolverem muito mais a nível emocional, até porque já acompanhei vários casos de dificuldades em engravidar em amigas minhas e vi o sofrimento que isso lhes trazia...

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  4. Joana, como médica, poderes responder-me à seguinte pergunta?
    Os exames médicos que normalmente fazem na admissão de pessoas num emprego conseguem detectar uma gravidez? Refiro-me obviamente às análises.
    Muito obrigada e beijinhos

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    1. Sinceramente nunca ouvi falar de exames médicos aquando da admissão de alguém num emprego. Há as consultas da medicina do trabalho, e creio que os exames dependerão da entidade patronal. No meu local de trabalho não se pedem análises que detectam a gravidez, e creio que nos outros também não pedirão ;)

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  5. Desculpa não me ter identificado, mas é mesmo para salvaguardar a minha identidade. Estou grávida e vou fazer os exames médicos para admissão, provavelmente medicina no trabalho q inclui análises e estou preocupada que descubram e não me contratem.
    Obrigada, beijinhos

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    1. Não é habitual fazê-lo, mas mais uma vez creio que depende das empresas. Não me parece que seja muito ético, mas ao mesmo tempo não me surpreenderia assim tanto se o fizessem (infelizmente).

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  6. E que tal contares? Isso é mesmo para "entalar"

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    1. Este é um assunto complicado. Já acompanhei os dois lados da moeda.

      Já tive amigas grávidas ou que estavam a tentar engravidar e não o partilharam com a entidade patronal propositadamente, mesmo quando foram directamente questionadas sobre o assunto (de forma lógica, porque ninguém é obrigado a responder sobre algo privado e isso não deveria ser razão para se ser ou não contratado para uma determinada função).

      Por outro lado, uma pessoa da minha família tem uma pequena empresa e há uns meses duas das funcionárias engravidaram ao mesmo tempo e puseram baixa. A pessoa viu-se obrigada a contratar novos elementos, e nas entrevistas fez questão de referir que era um trabalho temporário enquanto as outras funcionárias não regressassem, por isso não estava à procura de alguém que também estaria a pensar em engravidar. É óbvio que toda a gente dizia que não e no fim aconteceu o expectável: mais funcionárias grávidas! :)

      Aqui não há respostas certas. Percebo o lado dos funcionários, percebo o lado dos patrões também. É para isto que existem leis, e creio que o resto estará ao cargo da consciência de cada um. Nunca será justo alguém perder uma oportunidade de emprego por causa de uma gravidez, mas para a entidade patronal também não o é contratar alguém (muitas vezes depois de meses de entrevistas) que dois meses depois se vai embora e só volta um ano depois ;)

      No meu serviço somos só mulheres. Há seis internas. Duas estão grávidas, uma está de licença de maternidade, outra de licença de amamentação e outra a tentar engravidar. Não é fácil ser chefe ali, como se imagina. Mas vamos fazer o quê? Não engravidar? Engravidar à vez?

      Não há respostas certas aqui :)

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  7. Pois no meu local de trabalho é exatamente a mesma coisa. Uma colega a tentar engravidar, eu também e uma de licença de maternidade ainda... Numa equipa de 5 pessoas imaginem o quanto difícil é gerir as coisas quando uma vai de férias!

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    1. Pois, as internas do meu trabalho estão exactamente na mesma situação. Mas o que vamos fazer? Não engravidar? Engravidar à vez? Sugerir à minha chefe contratar só homens? Contratar só mulheres em idade pós-fértil? A vida é assim mesmo, ter bebés faz parte dela ;)

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