12 de maio de 2015

Salteado de camarões e espargos para uma isolada social.

Podem me chamar, e me pedir e me rogar,
E podem mesmo falar mal, ficar de mal que não faz mal.
Podem preparar milhões de festas ao luar,
Que eu não vou ir, melhor nem pedir,
Eu não vou ir, não quero ir.
E também podem me obrigar, até sorrir, até chorar,
E podem mesmo imaginar o que melhor lhes parecer.
Podem espalhar que eu estou cansado de viver,
E que é uma pena para quem me conheceu.
Eu sou mais você e eu.

Stan Getz e Astrud Gilberto



Lembram-se disto? Vá, vão lá ler.

Há algum tempo que estou a passar novamente por uma fase semelhante a esta. Não me apetece estar com muita gente, não quero conhecer pessoas novas ou fazer novos amigos, tenho pouca paciência para conversas socialmente adequadas e só quero estar sozinha no meu cantinho com as pessoas de quem gosto.


Mas desta vez foi por uma razão diferente. Não estou cansada ou farta, não estou impaciente ou aborrecida e nem sequer estou emocionalmente esgotada. Simplesmente não quero conhecer pessoas que possam eventualmente tornar-se novos amigos: afinal, sem novos amigos não há novas desilusões.

E assim me mantive durante os últimos meses, bem agarradinha aos meus amigos de sempre e sem arriscar abrir o meu coração para alguém novo.


Na verdade, e para vos ser abertamente honesta, ainda não acabei de lamber as feridas da minha última batalha. Confesso que achava de forma inocente que a idade e a maturidade me iriam ensinar a lidar melhor com as decepções, mas estava redondamente enganada: de facto, é como se se tornasse cada vez mais difícil reconstruir os pequenos pedacinhos do meu coração magoado.


I've got thick skin and an elastic heart,
But your blade it might be too sharp.
I'm like a rubberband until you pull too hard,
I may snap and I move fast.
But you won't see me fall apart,
'Cos I've got an elastic heart.

Sia

Por isso por agora aqui estou. Rodeada pelas minhas pessoas, mas com o coração fechado a sete chaves para novos inquilinos e com a chave ainda em paradeiro incerto.

Talvez um dia abra novamente o coração. Talvez a chave fique perdida para sempre. Enquanto decido se vale a pena arriscar, aqui está um pratinho infalível que nunca desilude.


Salteado de camarões e espargos

Ingredientes (para duas pessoas):

* Meia cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Um fio de azeite;
* 250g de miolo de camarão congelado;
* 100g de espargos congelados;
* Duas colheres de sopa de molho inglês;
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Uma colher de chá de paprika;
* Uma colher de chá de ras el hanout;
* Uma pitada de sal;
* Uma pitada de piri-piri.

Confecção:

* Refogar a cebola e o alho num fio de azeite numa wok;

* Juntar o camarão e os espargos e saltear;

* Acrescentar o molho inglês e misturar;

* Temperar com o pimentão-doce, a paprika, o ras el hanout, o sal e o piri-piri;

* Deixar cozinhar.


Até amanhã! :D

6 comentários:

  1. Hummm que delícia.

    Beijinhos,
    Clarinha
    http://receitasetruquesdaclarinha.blogspot.pt/2015/05/arroz-xau-xau-de-feijao-frade.html?m=1

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    1. Obrigada Clara :) É de facto um prato muito bom :D

      Beijinhos! :D

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  2. A minha mãe dizia sempre: "amigos são os dentes e é quando não doem"! E é bem verdade. Também tenho o mesmo problema que tu. Não me apetece estar a lidar com desilusões por isso prefiro manter os que tenho. Mas acho que de vez em quando há que abrir o coração!

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    1. Pois, estou a tentar trabalhar na parte de abrir o coração ;) Vamos ver :)

      Beijinhos :D

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  3. Eu lembrava-me do post, não me lembrava é bem do quão bons esses iogurtes parecem ser! :O
    Acho que é normal não querer muita «agitação social». Eu não tenho necessidade praticamente nenhuma disso e não sinto falta... Há quem ache que é um ultraje, um sinal de infelicidade, mas sinceramente não podia discordar mais. As coisas podem-se proporcionar ou não, para mim não vale a pena estar a perseguir amizades para coleccionar. Não que os todos façam isso (alguns fazem), cada um é como é, e se numa fase não é disso que se está à procura não vejo grande problema. :)
    E teres «as pessoas de quem gostas» já te leva o estatuto de «isolada» - muito pelo contrário, estás bem acompanhada! :D
    Ei, tu tinhas dito que era só em situações de cansaço! :P
    Que texto triste :( se é por isso não sei até que ponto vale a pena fechares o coração... Se é solução para isso não voltar a acontecer, se te teria evitado um desgosto, também te teria evitado a construção de grandes amizades se o tivesses feito mais cedo. Eu percebo a tua ideia e deve ser difícil ultrapassar, mas como o Zack/o Cody/aquele homem do hotel/a mãe dos miúdos/outra personagem qualquer do Hotl Doce Hotel costumava dizer - «quem não arrisca não petisca»!
    (Embora a teoria caia por terra se não arriscas e mesmo assim petiscas esta comida deliciosa :D)
    Que «cliffhanger»! Ninguém merece :P
    A minha inveja por esses camarões gigantones cresce a cada prato que vejo. E por espargos. Ah, espera, eu tenho espargos. Tenho de comer espargos urgentemente :D
    Nunca pensei nesta combinação, mas fica mesmo apetitosa :D

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    1. O teu comentário fez-me lembrar o que me dizia um amigo há uns tempos: que não estava à procura de uma relação porque se sentia plenamente feliz com a vida que tinha. De certa forma sim, talvez a questão aqui seja que eu estou feliz assim e não me apetece mexer no equilíbrio ;)

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