16 de março de 2015

Butterscotch. Apenas.

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am.
So many stories of where I've been,
And how I got to where I am.

But these stories don't mean anything,
When you've got no one to tell them to.
It's true, I was made for you.

Brandi Carlile


Dizia o Ricardo Araújo Pereira no seu brilhante sketch sobre o INEM e os Bombeiros algo deste género:

É tudo a ligar e sempre a dar más notícias! É 'ai, parti uma perna', é 'ai, que a minha casa está a arder'! Nunca ninguém liga a dizer 'está, é dos Bombeiros? Olhe, é só para dizer que eu hoje tive um dia espectacular. Cantei, dancei, estive com os meus amigos, foi óptimo!'


De facto, e como imaginam, também ninguém vem para as consultas de psiquiatria dizer que a sua vida corre lindamente.

Assim sendo, o meu dia-a-dia consiste essencialmente em ouvir histórias. Histórias tristes, histórias dramáticas, histórias horrendas, histórias nojentas, histórias chocantes, histórias levemente cómicas, histórias assustadoras, histórias estranhas, histórias exóticas, histórias extraordinárias, histórias esquisitas, histórias inexplicáveis, histórias sinistras, histórias curiosas, histórias incríveis ou histórias falsas.


O meu dia-a-dia consiste em ouvir crianças assustadas, jovens revoltados, famílias disfuncionais, progenitores doentes, irmãos ciumentos, familiares abusadores e professores à beira de um ataque de nervos.

O meu dia-a-dia está irremediavelmente cheio de histórias.


Vai daí, às vezes chego a casa cansada de histórias. Fico cansada das palavras que se transmitem nos sons e nos silêncios das consultas. Fico cansada de sentir.

E nesses momentos, páro de sentir e dedico-me simplesmente a ser. A ser eu, a ser a minha essência, a ser a minha alma e o meu coração. A ser vazia, sem as histórias que trago sobre os ombros todos os dias.

E por isso, este butterscotch não tem história. Mas é muito bom, em toda a sua essência.


Butterscotch (receita adaptada do blog 'Just a Taste')

Ingredientes (para uma chávena):

* Um quarto de chávena de manteiga;
* Meia chávena de açúcar amarelo;
* Uma pitada de sal;
* 125ml de natas para bater;
* Uma colher de chá de essência de baunilha;
* Uma colher de sopa de whisky.

Confecção:

* Derreter a manteiga em lume brando;

* Juntar o açúcar amarelo, o sal e as natas e misturar bem com uma espátula de silicone até ficar um creme homogéneo;

* Deixar ferver durante cinco minutos;

* Desligar o lume e juntar a essência de baunilha e o whisky;

* Transferir para um recipiente e deixar arrefecer.


Tenham uma óptima semana :D

8 comentários:

  1. esse butterschotch tem uma história...uma história deliciosa :D, muito bom aspeto.


    www.ocantinhodosgulosos.blogspot.pt

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    1. Obrigada :D É um butterscotch delicioso também :D

      Beijinhos! :D

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  2. Para além das receitas, os teus textos são sempre deliciosos! :)

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    1. Muito obrigada Margarida :D

      Beijinhos e um bom resto de semana :D

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  3. Como eu a compreendo...de repente parece que vi o meu dia a dia :). Já esse butterschotch tem um ótimo aspeto. Vou levar a receita para experimentar um destes dias mais cinzentos. Beijinhos

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    1. Ainda bem que também há dias bons (e que são até a maioria), senão acho que ninguém trabalhava em saúde mental :D

      Este butterscotch adoça na perfeição um dia mais cinzento... Experimente :)

      Beijinhos e um bom resto de dia :D

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  4. Que título româmtico :)
    O Ricardo Araújo Pereira é mesmo engraçado. E ainda essa frase não está acompanhada do seu torcer de sobrancelhas ;)
    Pelo menos o teu trabalho não é aborrecido :P
    A colher assim mergulhada no butterscotch sem ninguém a segurar parece que está encostada na borda de um jacuzzi :P até deve ser relaxante ;)
    Eu sei que gostas do que fazes, mas dito assim soa um bocado deprimente :P
    Parece-me bem, para descansar um bocadinho :)
    Também não é assim tanta, é só uma colher de chá... :P
    Parece delicioso :D está mesmo com um aspecto fantástico! E ainda por cima fotogénico :) vou ter de fazer, nunca me lembro... Estou sempre quase, mas acabo por não o fazer :P
    É semelhante ao outro, não é? De qual gostas mais? :P

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    1. Por acaso também me apercebi que soava deprimente :D Mas gosto muito do que faço :D

      Eu gostei mais do primeiro, talvez pelo efeito da novidade do 'uau isto é mesmo bom!' :) Mas este também era muito bom :)

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