4 de março de 2015

Almôndegas com molho barbecue para a Joana.

There was a time, I met a girl of a different kind.
We ruled the world, I thought I'd never lose her out of sight.
We were so young, I think of her now and then.
I still hear the song that reminded me of a friend.

Upon a hill across the blue lake,
That's where I had my first heartbreak.
I still remember how it all changed.

My father said,
'Don't you worry, don't you worry, child.
See heaven's got a plan for you.
Don't you worry, don't you worry now.'

Swedish House Mafia


Há dois meses que a minha amiga Joana se mudou para Leiria para perseguir aquele que era o seu grande sonho de infância: ser pediatra.

A Joana sabia que não ia ser fácil. Depois do pai dela ter emigrado para o outro lado do planeta (literalmente) há três anos atrás, chegou a altura da Joana também sair de casa e deixar para trás a mãe, a irmã, os três cães, os dois gatos e os amigos.

Não é a China, é Leiria. Mas eu sei que todas as distâncias nos parecem demasiado longínquas quando vamos viver sozinhos pela primeira vez.


Como seria de esperar, os primeiros tempos da Joana foram complicados. Os telefonemas eram pautados por frases curtas ditas com uma voz tristinha, os encontros mostravam-nos a cara cansada de quem vive entre o trabalho e uma casa vazia. A resignação pela ida dela transformou-se na preocupação para que tudo ficasse bem, embora soubéssemos melhor do que ninguém a avalanche de emoções que sentimos quando estamos numa cidade nova (e talvez precisamente por sabermos tão bem aquilo por que ela estava a passar é que estávamos tão apreensivos).

A Joana sobreviveu. Ambientou-se. Gosta do que faz. Salva criancinhas. E vai ser uma pediatra dos diabos.


Não me vou alongar muito. Sei que a Joana lê o meu blog com frequência, e não quero que ela chore. Sei que nos últimos tempos aquelas bochechas queridas já viram lágrimas demais onde só costumavam aparecer sorrisos abertos.

Mas quero que ela saiba que penso nela todos os dias, especialmente quando faço almoços e jantares simples e me lembro da chatice que era quando vim viver sozinha para Lisboa e tinha que cozinhar só para mim. Lembro-me da preguiça, da inércia, do quentinho do sofá e do chamamento do prato de cereais com iogurte. Lembro-me da satisfação que sentia quando comia comida caseira após passar algum tempo sem investir particularmente na cozinha, e lembro-me do quanto isso me aquecia a alma e o coração.


E embora à distância, tento aquecer um bocadinho a alma e o coração da Joana. E cozinho para ela, na esperança que ela descubra dentro dela a vontade de cozinhar para si depois de um dia passado a salvar criancinhas, como ela sempre sonhou.


Almôndegas com molho barbecue

Ingredientes (para quatro pessoas):

* 500g de carne de vaca picada (não processada);
* Uma colher de chá de paprika;
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Uma pitada de sal;
* Uma pitada de piri-piri;
* Uma pitada de cominhos;
* Uma pitada de coentros;
* Uma colher de chá de orégãos;
* Pão ralado caseiro q.b. (receita aqui);
* Uma cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Um fio de azeite;
* Uma chávena de molho barbecue caseiro (receita aqui).

Confecção:

* Misturar a carne picada com a paprika, o pimentão-doce, o sal, o piri-piri, os cominhos, os coentros e os orégãos e amassar bem;

* Se necessário, juntar pão ralado até se conseguir moldar bolinhas;

* Refogar a cebola picada e o alho picado num fio de azeite e juntar as almôndegas;

* Deixar refogar e juntar o molho barbecue;

* Cozinhar em lume brando até a carne ficar pronta.


Até amanhã! :D

4 comentários:

  1. que deliciosas mesmo bom aspeto.


    www.ocantinhodosgulosos.blogspot.pt

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    Respostas
    1. Muito obrigada :D São de facto deliciosas :D

      Beijinhos e bom fim-de-semana! :D

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  2. É mesmo uma coisa chata, ficarem tdos tão separados!... Está sempre a acontecer isso. E eu que ficava chateada por separarem as turmas depois do quarto ano...
    Pelo menos tem a nut'leiria :(
    Pronto, é por uma boa causa :)
    Para mim o outro lado do planeta = China sem sequer pensar, por causa de uma piada sobre um chinês e um berbequim.
    Pelo menos dá para relativizar as coisas, embora ache que isso não funciona assim tão bem...
    E tu sabes, também já estiveste «lá» :/
    Às vezes quando consegues perceber o sentimento ainda é pior, porque não te lembras de nada que ajudasse se se tratasse de ti.
    Espero que ela tenha tanta paixão pelo que faz como tu, assim é mais fácil :)
    Final feliz :D
    «Aquelas bochechas queridas» :)
    É difícil comentar textos destes. Mas nota-se que a amizade é forte e que gostas muito dela.
    Umas almôndegas como estas têm de ajudar, nem que seja um bocadinho :)
    Está memso com aspecto delicioso, especialmente quando tem o molho por cima! O prato ficou lindo de morrer, está fantástico :)
    «Não processada» haha :P será que a processada dá para fazer?... Se não for por questões de saúde. Não sei se aquilo pega muito, parecem fios sebosos de plasticina encerada.
    A sério, o prato está bonito que dói. A conjugação de tudo, as esferas perfeitas, o molho, os bróculos, o prato... Afinal «à brava» é demasiado redutos. Acho que vou ficar a olhar indefinidamente para estas fotos. É demasiado estranho se o meu wallpaper envolver almôndegas?

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    Respostas
    1. Na verdade o pai da Joana está em Timor, o que é ainda mais longe do que a China ;)

      A mim ajudou-me ter os meus amigos comigo, mas a Joana não nos tem lá... É complicado :(

      Plasticina encerada - obrigada por teres feito com que conseguisse finalmente descrever aquelas coisas-que-alguém-quer-fazer-passar-por-carne-picada :D

      Obrigada pelos elogios :D Almôndegas são sempre um prato muito fotogénico :D

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