25 de fevereiro de 2015

Semana da diabetes #3: Rancho vegetariano, um prato à prova de avós!

This is the modern way
Of faking it everyday,
And taking it as we come,
And we're not the only ones.
Is that what we used to say? 
This is the modern way.

Kaiser Chiefs


Desde que me lembro que sempre existiu em casa dos meus pais um livro de culinária antiguinho e sobejamente conhecido da Maria de Lurdes Modesto, o 'Cozinha Tradicional Portuguesa'. Lembro-me que quando comecei a cozinhar mais a sério fui desenterrá-lo do esquecimento com o objectivo de aprender umas coisinhas engraçadas e úteis, apenas para ficar estupefacta dez minutos depois: como é que as pessoas comiam aquelas coisas?

Entre receitas com banha (e azeite, e manteiga, e toucinho!), receitas com quilos de açúcar (não esquecendo a manteiga, claro!) e receitas com coisas estranhas (sangue, vísceras, enfim!), confesso que me surpreende como é que os nossos avós não entupiram as coronárias logo aos quarenta anos.


(No fundo o senhor Salazar era um incompreendido, ele era apenas um benfeitor que fazia os portugueses passarem fome para que eles não comessem estas coisas tão agressivas. Tratava-se apenas de preocupação genuína - afinal, quem é que entope uma coronária comendo apenas um terço de sardinha por refeição?)

(O facto do Salazar ter sido eleito o primeiro d'Os Grandes Portugueses em 2007 continua a ser uma das razões que me impele a emigrar. Recuso-me a partilhar o espaço físico com malta que acha que um ditador é porreirinho, quanto mais com quem o julga o maior.)

(Nota-se muito que os meus avós eram comunistas e que o meu avô até chegou a ser preso pela PIDE? Enfim, adiante.)


Creio ser esta uma das causas da grande dificuldade em fazer com que a nossa população idosa diabética tenha bons hábitos alimentares: depois de terem passado anos a comer aqueles toucinhos do céu carregadinhos de açúcar do bom da Maria de Lurdes Modesto, quem é que se delicia com satisfação com um bolinho sem açúcar? Depois de décadas com pratinhos cheios de arroz, batatas e enchidos, quem é que decide que grelhados e saladas é que sabem bem?

E se eu vos disser que não precisam de sacrificar o tradicional e saboroso para obterem o saudável?


Hoje trago-vos um prato tradicionalmente português: o rancho. Normalmente feito com carne de vaca, macarrão, grão-de-bico e quilos de chouriça da boa, mas desta vez com uma ou outra adaptação que o tornam mais saudável e igualmente delicioso. À prova de qualquer avó, garanto-vos :D


Rancho vegetariano

Ingredientes (para quatro pessoas):

* Uma cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Um fio de azeite;
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Uma colher de chá de paprika;
* Uma colher de chá de coentros;
* Uma colher de chá de cominhos;
* Uma pitada de sal;
* Uma pitada de piri-piri;
* Macarrão integral q.b.;
* Uma lata grande de grão-de-bico cozido.

Confecção:

* Refogar a cebola picada e o alho picado num fio de azeite e juntar o pimentão-doce, a paprika, os coentros, os cominhos, o sal e o piri-piri;

* Acrescentar o macarrão e deixar refogar;

* Juntar água quente até cobrir a massa e deixar cozinhar até a massa ficar cozida;

* Adicionar o grão-de-bico cozido e misturar bem;

* Deixar cozinhar mais um pouco.



Até amanhã! :D

12 comentários:

  1. adoro grão :D que aspeto bom :D


    www.ocantinhodosgulosos.blogspot.pt

    ResponderEliminar
  2. Voa fazer.... Só não tenho é o macarrão integral! Mas hoje aqui em casa vai-se comer macarrão à moda da Joana!

    ResponderEliminar
  3. Esa combinación tiene que estar muy buena, besos
    Sofía

    ResponderEliminar
  4. Eu não conheço esse livro :P mas deve ser do nome, a minha avó também gosta de pessoas chamadas "Modesto".
    (Foi só uma pessoa.)
    (Por ajudar a pôr uma botija de gás.)
    Por acaso tenho alguns livros genéricos do género, não gosto nada. Não sei se já disse, mas não gosto nada de livros ou sites de culinária que têm só receitas ou receitas e uma foto, num registo impessoal e demasiado objectivo... Se vou fazer uma receita prefiro certificar-me de que alguém gosta dela. Portanto nem toco nos livros "Marisco" e "Receitas Portugueses" que andam a deambolar pela minha casa (mais precisamente pela gaveta das coisas que não devem ser perdidas, não sei porquê - destoa um bocado do amontoado de garantias).
    As receitas hoje não são assiim tão diferentes :P há a onda do saudável, mas fora disso ainda parece haver muita gente à moda antiga, para além de que a doçaria portuguesa, também conhecida por buraco negro de gemas e açúcar, não mudou assim tanto. Mas acho que tens razão, mesmo em revistas de culinária e afins as coisas, mesmo não sendo o mais saudável do mundo, nem costumam ser assim tãão más. E, não sei se é por causa das "manias" das dietas que parecem atingir toda a gente, parece que as pessoas se tornam cada vez mais conscientes. Eu não sei é se esse abandono do toucinho e da banha não são fruto da síndrome "querer o que não se tem". Antes a carne e o peixe eram a goluseima e o arroz, massa e pão eram o saudável, agora com as ideias sobre os hidratos de carbono até parece que as pessoas, por causa da privação, passaram a amá-los de paixão (ainda por cima acabam por ser um bocado chatos :P).
    Eu vejo uma diferença enorme entre a cozinha tradicional e aquilo a que chamo a cozinha de moi. Não sei, vejo o que faço como mais "límpido" e não pensaria em usar sangue, carnes estranhas ou panelonas cheias de pão. É estranho :P mas o sangue até está enraizado e é bastante comum (papas de sarrabulho, cabidela, arroz preto, farinhote, "verde", imensa coisa não muito agradável), e come-se levianamente tripas, corações, fígados, línguas e orelhas, por isso nem é assim tão escandaloso :)
    (Apesar de às vezes sentir que é algo mórbido roer ossos ou comer "cadáveres". A parte vegan de mim luta constantemente com a parte paleo, a primeira mais por uma questão de moral... Complicado de gerir :P)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Por acaso eu gosto de tripas :P Mas só tripas enfarinhadas, das outras não gosto ;)

      Também estou dividida entre a minha parte vegetariana e a minha parte paleo, é difícil ;)

      Eliminar
  5. Mas mas mas mas... A manteiga, o bacon e a banha agora fazem bem... Certo?... Haha :P
    Tu e o entupimento de coronárias, já é recorrente :P
    O Salazar já está como o Hitler, é tudo invenção do povo :P por acaso li algumas reflexões a propósito e achei interessante, somos todos facilmente manipuláveis.
    Que engraçado... Corre-te nas veias ;)
    Nunca comi toucinho do céu :P tenho de experimentar. Depois aproveito e faço 3 pavlovas, macarons, tarte merengada e suspiros. :P
    Olha que eu não acho que seja difícil gostar desses brownies, com ou sem currículo de emborcamento de toucinho.
    Eu sei que é uma vergonha, MAS eu nem sabia assim muuito bem o que era rancho :P só aquele de saltinhos e saias compridas :P haha
    "Chouriça da boa" foi o grande toque final a la avó, isso é comum a toda a gente? Eu acho muito constrangedor quando ela me pede para comprar "uma chouriça das boas". Ou "carne daquela sem gordura". O que vale é que os senhores da mercearia local estão acostumados a estes caprichos dos locais ;)
    RANCHO É MASSA COM GRÃO DE BICO.
    (Ainda fui tentar salvar o dia, mas a minha avó confirmou as suspeitas quando interrogada quanto à possibilidade de sugerir um sinónimo de "massa com grão de bico". A minha família deve ser muito original, porque sempre ouvi "massa com grão de bico". Nem é macarrão, só descobri que macarrão é aquele tipo de massa há pouco tempo.)
    Fizeste num wok? Parecia-me uma porção de wok.
    A massa parece-me uma sugestão muito boa :) acho que se fizesse isso a minha avó delirava :P eu nunca faço dessas comidas tradicionais!... Vou ter de pensar no assunto ;)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu gosto de toucinho do céu :)

      Rancho é macarrão com grão-de-bico e carne de vaca, essencialmente :)

      Não, fiz na panela mesmo :D

      Faz, fica muito bom :D

      Eliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...r: 0" />