23 de fevereiro de 2015

Diabetes Mellitus - O que é? (Guest Post)

A diabetes mellitus (genericamente designada de diabetes) resulta da deficiência de insulina, a hormona responsável pela entrada da glicose nas células.

http://sigmanutrition.com/wp-content/uploads/2014/05/insulin-action.jpg

Existem dois tipos de diabetes

* Diabetes tipo 1 - surge essencialmente em jovens, associada a um processo auto-imune contra as células produtoras de insulina. A deficiência de insulina é absoluta, havendo necessidade de tratamento com esta hormona desde a altura do diagnóstico.

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* Diabetes tipo 2 - é a mais comum e o seu desenvolvimento está associado a factores genéticos, a maus hábitos alimentares (alimentação rica em açúcar e hidratos de carbono) e a um estilo de vida sedentário. Ao longo dos anos, estes hábitos levam a um aumento da glicémia de forma crónica, e consequentemente a uma diminuição da actuação da insulina nas células e mais tarde à exaustão da produção desta pelo pâncreas.

http://dtc.ucsf.edu/images/charts/1.e.jpg

http://science-tuition.co.uk/wp-content/uploads/2013/11/diabetes_types_compare.jpg

Nos últimos estudos publicados sobre a diabetes em Portugal, estima-se que esta afecte cerca de 12% da população, encontrando-se a maioria das pessoas na faixa etária acima dos 60 anos. Estima-se ainda que uma parte significativa da população tenha diabetes mas desconheça o seu diagnóstico.

http://www.talkondiabetes.org/healthImg/Diabetes_Map_Large.jpg

A diabetes afecta não só o pâncreas, mas também outros locais como o rim, o sistema nervoso periférico e a retina (olho). Adicionalmente, é um conhecido factor de risco cardiovascular - ou seja, os diabéticos têm mais predisposição para desenvolver doenças como o AVC (acidente vascular cerebral) e o enfarte agudo do miocárdio.

http://cardiovascres.oxfordjournals.org/content/cardiovascres/early/2014/10/07/cvr.cvu211/F2.large.jpg

 http://humanenginedoctor.com/wp-content/uploads/2014/12/eye-care-2.png

Aproximadamente 40% dos diabéticos têm complicações associadas à sua doença e a principal causa de morte é a doença cardiovascular. Daí advém a importância do rastreio da diabetes em indivíduos de risco: 

* Obesos;
* Hipertensos;
* Com colesterol e/ou triglicéridos elevados;
* Acima dos 45 anos.

http://liberatehealth.us/wp-content/uploads/2014/02/Type-2-Diabetes-Risk-Factors.png

A diabetes é uma doença relativamente silenciosa, por isso não tem sintomas muito distintos e facilmente detectáveis. Os doentes com valores crónicos de glicémia muito elevados e deficiência de insulina surgem muitas vezes com aumento da sede (e consequentemente aumento do volume de urina), aumento do apetite e emagrecimento. No entanto, isto acontece apenas em estadios avançados da doença!

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O diagnóstico da diabetes baseia-se na detecção de níveis elevados de glicose no sangue. O tratamento inicial consiste na instituição de um estilo de vida saudável, através do exercício físico e de uma dieta equilibrada. Se estas medidas não forem suficientes, opta-se por medicamentos que actuam, por exemplo, de forma a melhorar a sensibilidade das células à acção da insulina. Mais tarde, poderá existir a necessidade de uma terapêutica com insulina.

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Em suma, a diabetes é uma doença do foro endócrino-metabólico caracterizada por glicémia cronicamente elevada, sendo que a diabetes tipo 2 pode ser evitável através da adopção de um estilo de vida saudável. Os indivíduos já diagnosticados beneficiam de um bom controlo através das medidas já explicadas. Estas medidas permitem ao diabético ter uma qualidade de vida comparável a qualquer pessoa, sem restrições na sua actividade diária.

http://www.medicographia.com/wp-content/uploads/2011/03/21.jpg    

http://meals-to-heal.com/wp-content/uploads/2014/02/American-Heart-Month.png

Bernardo Marques frequentou o mestrado integrado em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. É actualmente médico interno da formação específica de Endocrinologia.

5 comentários:

  1. Obrigada por esta informação.
    Como a nossa Mãe é diabética, é sempre bom estarmos atentas aos sinais.
    Beijinhos

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  2. Esta informação é preciosa! Recentemente, o meu pai foi submetido a uma cirurgia de emergência para remoção da vesícula e foi aí que tive noção dos problemas de saúde que ele tinha (e que ignorava, mesmo diagnosticados pela médica de família!). Diabetes (não toma insulina), hipertensão, acido úrico, etc...
    Gostava de deixar duas questões e peço desde já desculpa se forem algo "parvas".

    1 - É possível reverter um diagnóstico de diabetes? Ou seja, é possível eliminar a doença, mudando o nosso estilo de vida e a alimentação? Ou a partir do momento que se instala, fica connosco para sempre?

    2 - Há alguma alternativa ao adoçante? Pelo que sei, não faz nada bem... Pode-se recorrer ao uso de mel, açúcar amarelo ou mascavado e outros do tipo, em doses moderadas?

    Desde já muito obrigada! Acho que este tipo de posts dedicados a temas mais específicos é uma grande ideia!

    Cmps!

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    Respostas
    1. Olá Isabel!

      Não são perguntas nada parvas :) É possível reverter um diagnóstico de pré-diabetes, ou seja, um diagnóstico em que os valores de glicémia estão aumentados mas não demasiado. Pelo que sei a diabetes em si não se reverte porque como foi dito implica uma resistência à insulina, mas vou conferenciar com o autor desta publicação.

      Em relação a alternativas ao adoçante... Eu uso mel ou xarope de seiva de ácer. O açúcar amarelo e mascavado acabam por ser semelhantes ao açúcar, embora sejam nutricionalmente um bocadinho mais ricos. Também dá para usar a própria fruta como adoçante natural: banana, manga, coco ou mesmo até passas ou tâmaras, por exemplo :)

      Beijinhos :)

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    2. Obrigada, Joana! De facto, esta semana da diabetes veio mesmo na hora que mais precisava de orientação. Tenho andado um bocadinho à nora, confesso. A somar a este quadro, tenho os cuidados alimentares que a remoção da vesícula implica...
      Obrigada pelas dicas e pelo cuidado.
      Um beijinho!

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