26 de fevereiro de 2015

Diabetes Mellitus - O contributo da Medicina Energética (Guest Post)

De acordo com a MTC (Medicina Tradicional Chinesa - Medicina Energética), a diabetes é classificada como um síndrome Xiao-Ke. O termo Xiao-Ke remete-nos de imediato para dois sinais importantes da doença: o emagrecimento progressivo (Xiao) e a sede intensa (Ke).

Os antigos energeticistas consideravam que a diabetes estava relacionada com comidas 'gordurosas' ou 'doces' em excesso, com factores emocionais e com uma constituição deficiente em Yin (indivíduos com uma saúde débil desde a infância).

Sede, perda de peso, fadiga e açúcar na urina são uma consequência destes factores que afetam não só o pâncreas, como também o pulmão, o baço e o rim. A importância do rim é destacada em 'Fórmulas importantes' (702-762):

'A origem da diabetes é a insuficiência renal. Quanto mais aguda é a doença, mais açucarada é a urina. (...) Verifica-se que os alimentos consumidos transformam-se em açúcar e este vai para a bexiga; se o QI (energia) renal é forte, o açúcar transforma-se em quinta essência e vaporiza-se por todo o corpo. Os efeitos desta vaporização são a transformação da quinta essência em gorduras, sangue e massa magra ou muscular quando entra na medula'.

Nesta última citação depreende-se que a quinta essência, proveniente dos rins, está destinada a nutrir o corpo. Logo, se os rins não participarem no processo, o açúcar não chega às células.


Referências à diabetes surgem em todos os textos antigos, encontrando-se incluída na lista de 11.000 doenças referidas no livro clássico 'A Collection of Diseases' por Wang Shou. O autor recomendava pâncreas de porco como tratamento, tratamento similar ao tratamento moderno com insulina. Para testar a presença de açúcar na urina usava um método 'particular' que consistia em pedir ao paciente para urinar sobre um tijolo largo e liso e verificar se se juntavam formigas para recolherem o açúcar. Este método de testar a urina surgiu mais de mil anos antes do teste inventado por Richard Thomas Williamson (1862-1937), autor do livro 'Diabetes Mellitus and Its Treatment' (1898).

Ao longo de várias dinastias, o estudo da diabetes foi evoluindo tanto na sua etiologia, como no seu tratamento. No que toca ao tratamento, a dietética perdurou como uma das terapêuticas mais importantes, tal como descrito por Sun Si Miau: 'adoptando um regime alimentar correcto, a doença pode melhorar sem preparações medicinais de outros tratamentos'.

A dietética em MTC engloba várias particularidades, nomeadamente: os alimentos são recomendados tendo em atenção as propriedades energéticas e terapêuticas que possuem e as características do paciente, como por exemplo a idade e a actividade física, e ainda o método de preparação dos alimentos e a estação em que nos encontramos.

Na diabetes, um dos alimentos recomendados são os espinafres pois são considerados de natureza 'fresca',  tonificam todos os órgãos, lubrificam os intestinos, aliviam a sede e promovem a diurese ao fortalecer os órgãos digestivos e ao eliminar o Calor. Assim, um dos tratamentos recomendados envolve ferver espinafres e galinha e beber uma chávena deste caldo três vezes ao dia.

A par da alimentação, reitera-se a importância da existência de actividade física. Chao Yuan Fang, no tratado das 'Causas e Síndromes de enfermidades' (610 d.C) recomendou exercícios respiratórios e corporais para o tratamento da diabetes, recomendação esta que se mantém fundamental mesmo actualmente.

Em suma, a diabetes é uma doença complexa que afecta todo o organismo, mas que pode e deve ser prevenida e combatida através da alimentação, do exercicio fisico e respiratório e do controle dos factores emocionais.

Receita para tonificar os Rins (através do feijão Azuki) e o sistema Baço-Pâncreas (através da Abóbora):

Estufado de Abóbora com Feijão Azuki

Ingredientes (para quatro pessoas):

* Uma chávena de feijão Azuki (previamente de molho durante uma noite);
* Dois pedaços de algas Kombu;
* Uma Abóbora;
* Molho Tamari.

Confecção:

* Cubra os feijões e as algas com água e deixe cozer durante uma hora, adicionando água se necessário.

* Junte a abóbora em cubos.

* Cozinhe durante mais ou menos trinta minutos até a abóbora estar macia;

* Tempere com sal marinho e uma a duas colheres de Tamari.


Filipa Bernardino Baião, especialista em Medicina Tradicional Chinesa e pós-graduada em Medicina Energética, exerce há quinze anos em várias clínicas e, mais recentemente, leciona o curso de pós-graduação em Acupunctura para profissionais de saúde no IFE (Instituto de Formação em Enfermagem). Contacto: https://www.facebook.com/FilipaBernardinoBaiao/info

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