26 de dezembro de 2014

Twelve Days of Christmas - 2 - Ovos escoceses com pão ralado caseiro :)

On the second day of Christmas my true love sent to me,
two turtle doves and a partridge in a pear tree.


Todos temos camadas. Dezenas, centenas, talvez até milhares de camadas. Todos temos lados, traços, particularidades e características que só se vão descobrindo ao longo dos anos por quem deixamos entrar no nosso coração e na nossa alma.

Eu não sou diferente.


Uma das minhas camadas quer largar tudo, atirar a mochila para as costas e partir sem rumo até me fartar de me perder no mundo inteiro. Outra das minhas camadas sonha com a minha quinta, as minhas vaquinhas, as minhas árvores e a minha cadeira de baloiço no alpendre.

Uma das minhas camadas quer passar o resto da vida a encher todas as minhas células da essência do Pedro. Quer viver com ele, quer fartar-se dele, quer ser só dele e com ele para sempre. Quer ser livre a dois. Outra das minhas camadas quer ter pelo menos três pequenos Pedros e dois gatos. Quer aumentar exponencialmente o amor que sentimos um pelo outro, englobando também a nossa pequena família.

 

Uma das minhas camadas quer ser a melhor. Quer fazer doutoramentos e pós-graduações, quer especializar-se em distúrbios do comportamento alimentar, em acupunctura e em psiquiatria forense. Quer fazer o curso e ser psicanalista. Outra das minhas camadas quer fazer o seu trabalho bem e depois sair cedo e mergulhar na alegria do lar.


Uma das minhas camadas quer viver numa cidade grande, onde a vida nunca pare e tudo seja novidade. Quer poder jantar no restaurante libanês, quer ter a possibilidade de ir ao supermercado às onze da noite, quer ter um hospital central pertinho porque nunca se sabe quando é necessário activar a via verde do AVC. Outra das minhas camadas quer ir para uma terrinha pequena, onde toda a gente se conheça. Quer receber limões do limoeiro do vizinho, quer respirar ar puro e ouvir os passarinhos pela manhã, quer comer amoras dos arbustos.

Uma das minhas camadas quer muito mandar tudo à fava e emigrar. Outra das minhas camadas quer ficar pertinho da família, no conforto do lar, à espera que tudo melhore.


Não é fácil viver no meio de tantas camadas. Não é divertido lidar com tantas indecisões. Não é simples equilibrar todos os lados, traços, particularidades e características que só se vão descobrindo ao longo dos anos por quem deixamos entrar no nosso coração e na nossa alma.

Todos temos camadas. Dezenas, centenas, talvez até milhares de camadas. Resta-nos fechar os olhos, respirar fundo e ouvir com o coração a camada que grita mais alto.


Também estes ovos escoceses têm camadas. E garanto-vos que à primeira vista ninguém descobre quais são, mas depois da primeira trinca não há quem não se apaixone :)


Ovos escoceses com pão ralado caseiro

Ingredientes (para duas pessoas):

* Dois pães integrais;
* Seis ovos de codorniz;
* Duas alheiras;
* 10g de farinha de trigo;
* Um ovo batido.

Confecção:

* Assar os pães até ficarem tostados;

* Deixar que arrefeçam e triturar na picadora;

* Colocar água a ferver numa panela e cozer os ovos de codorniz;

* Deixar arrefecer e tirar a casca;

* Picar a alheira e dividir em seis porções espalmadas (como se fossem discos);

* Passar os ovos de codorniz pela farinha e colocá-los no centro dos discos de alheira;

* Fechar os discos de alheira sobre si e passar pela farinha, pelo ovo batido e pelo pão ralado;

* Colocar num tabuleiro, pincelar com um fio de azeite e levar ao forno pré-aquecido a 180º durante trinta minutos.

 

Até amanhã :D

14 comentários:

  1. Que bom aspecto.

    Boas Festas.

    Beijinhos,
    Clarinha

    http://receitasetruquesdaclarinha.blogspot.pt/2014/12/quinze-dias-com-natal.html

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  2. Olá! Depois de ler o teu texto, pensei nas camadas que preenchem a minha vida e... que bom elas existirem! Não são para nos deixarem confusas ou indecisas mas para nos preencherem a vida. Claro, que nem sempre nos facilitam as decisões mas, e como bem referes, há sempre uma que grita mais alto e nesse momento, adicionamos/coleccionamos vivências à nossa existência.
    Mais uma vez, um texto maravilhoso e associado a uma receita que me deixou curiosa :)
    Beijinhos.

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    1. Na verdade eu sempre achei que não ter a certeza de nada era bom, porque nos permite ser versáteis e mudar de opinião mediante as evidências que surgem em determinados momentos da nossa vida ;)

      Beijinhos :)

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  3. Joana, o teu texto foi altamente inspirador... E reflecte completamente o que é a maior parte das pessoas (penso eu)!
    Uns eternos insatisfeitos... Ou pelo menos por mim falo... Identifico-me completamente com as tuas palavras, mas ao mesmo tempo acho que não sabia ser de outra maneira e até é bom ser assim... Sonhar e querer sempre mais em vários aspectos da nossa vida! O importante é também conseguirmos desfrutar do presente e das alegrias que os dias e as situações nos vão proporcionando :-)

    Agora quanto às tuas bolinhas tenho uma dúvida...
    Colocas os pães a assar no forno? Quanto tempo??? É para o pão tostar apenas por fora? Ganhar côr apenas?
    E claro que a receita agrada-me... Ou não tivesse umas alheiras envolvidas nisso :-)

    Beijinhos***

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    1. Nem é propriamente estar insatisfeita, porque eu gosto muito da minha vida e sei que independentemente do que decidir vou ser feliz com as minhas escolhas. Difícil é escolher :D

      Eu cortei em fatias e torrei-as mesmo :)

      Beijinhos :D

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  4. ♥ bom aspeto como sempre. As minhas camadas também andam sempre em conflito umas com as outras :P

    beijinho

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  5. Adoro ovos escoceses, são deliciosos! Esta receita com alheira parece-me muito interessante. E se não fossem as camadas, que graça é que tinha a vida?

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  6. És muito bonita Joana, lembra-te sempre disso. :) Um beijinho *

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  7. Não fales em camadas, faz-me lembrar de cebola. Eu até gosto de cebola (por acaso até gosto imenso de cebola), mas há qualquer coisa no estereótipo de cebola que as faz desagradáveis. Pobres cebolas. Se calhar é por causa da palavra "bolbo", nada associado a "bolbo" poderia ser alguma vez agraciado pela aceitação social.
    (Acabei de reparar no cantinho da página de que tens 4000 likes no facebook! Boa! Estou com imensa pena de não poder usar carinhas demonstradoras de entusiasmo. De cada vez que ia à página lá tinhas mais likes, estava a demorar :D)
    (De repente as carinhas feitas com teclado deixaram de ter piada D:)
    Eu não chamaria a isso camadas :P camadas para mim implicaria uma espécie de progressão no sentido do íntimo e do interior, uma hierarquia, e o que comparas é tão semelhante que é apenas duas versões/ideias correspondentes a um determinado ponto...
    Será que se pode ter uma quinta ambulante? Uma quinta ambulante era giro.
    No segundo "conjunto de camadas" um não exclui assim taanto o outro :)
    Só pequenos Pedros? Por que não pequenas Joanas? :P
    Pensava que os horários de supermercados eram mais ou menos uniformes! Às onze horas é um luxo :)
    Eu tinha medo de comer frutos de arbustos :P não sei se ainda há muitos sítios assim. Eu vivo num sítio pequeno e não recebo limões :( haha
    (Recebo frangos. Frangos contam?)
    Algumas das camadas até se podem conciliar :) a indecisão é difícil, é uma pena não dar para fazer tudo. Mas pronto, pode-se sempre acreditar que há realidades alternativas nas quais se segue a outra opção. É muito útil e tudo, mesmo sem que se as viva. Mas espero que consigas fazer a melhor escolha (se é que existe) em cada um dos dilemas. Se não houver uma só se torna mais difícil :P é como ter um monte (supostamente "demasiados", como se isso existisse para alguma criança) de brinquedos e não saber com qual brincar (caso citado demasiadas vezes em disputas adulto vs. criança. Não tarda o "argumento" "descasca batatas" ou "limpa o chão".).
    Isto é uma ideia muito engraçada! Tenho de fazer no dia 1 de abril. "Olha, fiz croquetes." "Obrigada, parecem deliciosos." (*mastigar mastigar mastigar*) "HA! OVO!"
    (Não sei se com as pessoas "põe tudo à boca de uma vez" terá assim tanta piada. Só se for pela densidade da gema.)
    Estã muito girinhos e parecem deliciosos. Devem ficar bem crocantes, o que é sempre bom :) e com a alheira... Até acho que dá para fechar os olhos ao sacrilégio que é alheira com ovo cozido. Não interessa a forma. Continua a ser alheira com ovo cozido.
    (Mas alheira com ovo cozido deliciosa(o?).).
    Deste post retirei duas conclusões brilhantes. A primeira é que os dormitórios não se deviam chamar dormitórios mas sim "camadas". A segunda é que O CENTRO DA TERRA É FEITO DE OVO. Humpf, chocolate. Idiotas.
    (É perfeito - a gema é o centro centro, a clara é a parte mais externa. A implicação é que o resto é alheira. E nós somos bocadinhos de pão. Pelo menos é integral. Fernando Pessoa ia ficar orgulhoso.)

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    1. Gostava mais de ter filhos rapazes, daí os pequenos Pedros :D Nada contra as meninas, mas são um bocadinho uma seca :D

      Gostei muito da conclusão sobre a Terra :D

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