27 de dezembro de 2014

Twelve Days of Christmas - 3 - Frango com ervas de Provence da Julia Child!

On the third day of Christmas my true love sent to me,
three french hens, two turtle doves and a partridge in a pear tree.


Eu acho que sou uma miúda fofinha. Sou simpática e querida, sou prestável quando me pedem ajuda (e ofereço-me quando não pedem), sou preocupada e empática e gosto de ser honesta. E podem apontar-me muitos defeitos (muitos mesmo!), mas acredito com toda a minha alma que nenhum deles seria eu ser tinhosa ou chunga com os outros.

Acima de tudo, faço questão de ser para os outros como eu gosto que sejam comigo. E custa-me saber que há por aí quem não goste de mim.

'You can be the ripest, juiciest peach in the world. 
And there's still going to be somebody who hates peaches.'

Dita Von Teese

 

Quer dizer, vamos lá ver: há por aí quem não goste de mim por razões perfeitamente lógicas e concretas. Durante a minha vida já magoei, já fiz sofrer, já errei e já desiludi algumas pessoas (felizmente poucas), e embora lhes tenha sempre pedido desculpa depois, há coisas que não se conseguem perdoar facilmente. E eu admito isso e vivo com a minha bagagem emocional, tal como toda a gente vive com a sua.

O que me faz confusão é quem não gosta de mim sem eu ter feito rigorosamente nada de mal. 


Esse grupo de pessoas parece estar restrito ao mundo virtual. Na vida real as pessoas conversam, esclarecem a situação, expõem os seus argumentos e resolvem o problema ou vão às suas vidas. Na vida virtual as pessoas deixam de nos falar, mandam uns bitaites amargos nos seus respectivos blogs e ficam cheias de razão, embora nós desconheçamos o que raios fizemos. 

Talvez eu não devesse ficar incomodada. Talvez isto seja apenas uma qualquer necessidade patológica de agradar a toda a gente (embora ache que estou bem melhor deste meu traço nos últimos anos). Talvez tenha ainda de aprender que haverá sempre quem não goste de mim e quem fale mal de mim.


Bem, ninguém é consensual. A Julia Child - a minha eterna musa culinária - não o era, e passou anos a lidar com as críticas alheias: porque era mulher num mundo de homens, porque era americana num mundo de chefs franceses e porque era uma pessoa simples num mundo de narizes emproados. E não só sobreviveu a isso, como se tornou numa lenda da cozinha.

'The only real stumbling block is fear of failure. 
In cooking you've got to have a what-the-hell attitude.'

Julia Child


Eu não pretendo tornar-me numa lenda da cozinha. Não tenho aspirações culinárias, não quero ser conhecida (muito pelo contrário!) e não quero ser lembrada por isto, até porque me parece quase redutor tendo em conta o quão preenchida é a minha vida. Mas não nego que uma parte de mim adorava ser uma pessoa mais consensual. 

Como haverá sempre quem não goste de pêssegos, vou ficar satisfeita com ser apenas uma miúda fofinha. E vou cozinhar pratos simples e deliciosos - como este frango francês - para um jantar com os meus amigos. Afinal, nunca é demais agradecer-lhes por gostarem de pêssegos e de miúdas fofinhas :)


Frango com ervas de Provence da Julia Child (receita adaptada do livro 'Mastering the Art of French Cooking')

Ingredientes (para quatro pessoas):

* Uma colher de sopa de manteiga;
* Um dente de alho picado;
* 500g de peito de frango cortado em cubos;
* Uma colher de sopa de ervas de Provence;
* Meia colher de chá de piri-piri;
* Uma pitada de sal;
* Meia chávena de chá de vinho branco;
* Duas gemas;
* Uma colher de sopa de sumo de limão;
* Uma colher de sopa de vinho branco;
* Uma colher de sopa de manteiga.

Confecção: 

* Aquecer a manteiga numa panela até derreter e juntar o alho picado, deixando refogar um pouco;

* Acrescentar os bocadinhos de frango e temperar com as ervas de Provence, o piri-piri e o sal;

* Deixar cozinhar durante cerca de quinze minutos, regando o frango com o molho de manteiga e rectificando o tempero se necessário;

 * Retirar o frango com uma escumadeira e juntar na panela o vinho, deixando cozinhar um pouco para evaporar;

* À parte bater as gemas com o sumo de limão e o vinho branco e juntar devagar o vinho, mexendo sempre;

* Misturar a manteiga e devolver à panela, mexendo até engrossar e sem deixar ferver;

* Retirar do lume e cobrir o frango com o molho, servindo de imediato.

 

Até amanhã! :D

12 comentários:

  1. O mundo virtual é propenso à projeção! As pessoas não se conhecem, mas projetam emoções e fantasmas umas para cima das outras como se não houvesse amanhã! :-) Faz parte. Mas diz mais de quem projeta do que de quem recebe as projeções.

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    1. Acredito que sim :) Eu sei que não podemos agradar a gregos e troianos, mas não quer dizer que isso não me aborreça ;)

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  2. Confesso que também me faz imensa impressão esta coisa de ódios virtuais... :\ Já o teu franginho percebo perfeitamente ahah

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  3. Parece-me impossível não gostar de alguém que só partilha delícias destas!!

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  4. Eu ca gosto d pessegos.. E quando n gosto tento encontrar a foma de gostar mais :)
    Que belo franguinho...
    Beijinhos,
    http://sudelicia.blogspot.pt/

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  5. Eu não gosto muito da palavra "fofo" quando não é para descrever texturas de bolos, bebés, almofadas ou animais, mas acho que é um adjectivo que te assenta na perfeição. "Querida" também, e "simpática" viria em terceiro lugar. Pela maneira como escreves/falas/ages (por caracterização indirecta :P) "vê-se" que és uma pessoa genuína e boa, mas também "fofa". Desculpa mas é mesmo a melhor palavra :P
    "Chunga" é um adjectivo de que gosto ainda menos, e ainda por cima não serve para te descrever. Posso não te conhecer, mas acho que dá para saber um bocadinho de ti através do blog, e pareces realmente preocupada e querida com os outros.
    Tratar os outros como se gosta de ser tratado até funciona se pensarmos que somos todos iguais. Há princípios básicos, mas também há diferenças relevantes, ou nunca nos chatearíamos desde que fôssemos congruentes, o que parece ser precisamente o que dizes que não acontece.
    Pronto, agora estou-me a sentir uma vilã por não gostar de pêsseos maduros :( :P
    É difícil "não fazer rigorosamente nada de mal", por muito que não queiramos. Nem que seja por ter ou ser mais, de forma indirecta, há sempre maneira de aumentar a "pegada *inserir palavra que não ecológica para designar o campo das vidas dos outros aqui*". Eu não acho que tenha feito nada de mal a ninguém (sinceramente nem me lembro de ninguém a que tenha feito mal voluntariamente e de forma consciente) e há muita gente que não gosta de mim. Também é por eu não ser tão querida e carismática como tu, mas é fácil para toda a gente inventar razões para o ódio. Pelos vistos isso e o maldizer são grandes prazeres.
    Não é difícil perceber a divergência vida real/virtual. Somos todos uns covardes, é muito mais fácil atacar ou agir com ou contra outros quando não se os enfrenta! O anonimato dá super poderes a toda a gente, é muito mais fácil ser-se mau, parece que traz ao de cima o lado mau das pessoas. E mesmo que os blogs não sejam completamente anónimos permitem um bocado isso. Também porque em discussões "online" os argumentos podem ser ponderados quando na vida real qualquer um se atrapalha mais, e porque é mais fácil ignorar os outros. Nem se tem de olhá-los na cara. Uma coisa relacionada que acho triste é pessoas um bocado "aparte" de um grupo a fazerem-se de populares nas redes sociais. É muito mais fácil.
    Eu acho que nem vale a pena tentar ser consensual ou agradar a toda a gente, além de impossível não serve de muito. Claro que não se pode ignorar que vivemos em sociedade e tal, mas muitas vezes acho que é só infrutífero e um bocado deprimente.
    Não conheço muito bem a história da Julia Child e mal ouço falar dela - estou um bocado fora do assunto. Mas tem mérito pelo que conseguiu - e ainda bem que o fez, porque se não o tivesse feito algumas receitas deliciosas nunca teriam aparecido :)
    Nunca tinha pensado nas pressões no mundo dos chefs, mas há em todo o lado :P por acaso... coitados dos americanos, tem uma bela imagem. A França é aquela coisa da culinária :) associa-se, mas claro que não quer dizer que os franceses cozinhem bem ou algo do género. Diz mais sobre o típico do país. Essas ideias são sempre um bocado cruéis. Não que o post fale disso, lembrei-me com o americano/francês (mesmo que não tenha assim taanto a ver).
    Tu és uma espécie de lenda da cozinha em ascenção, desculpa lá :D seres reconhecida por uma coisa não implica que não o sejas por outras. Pode ofuscar um bocado, mas isso é mais em casos mais acentuados e é contornável com mérito.

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    1. 'Isso e o maldizer são grandes prazeres' é uma constatação mesmo acertada e verdadeira, infelizmente. Em minha casa chama-se a isso 'escarnicar', o acto de dizer mal de alguém porque sim ;)

      O anonimato é mesmo uma arma poderosa nas mãos das pessoas erradas. Penso frequentemente que devia aceitar novamente comentários anónimos porque assim estou a impedir outras pessoas (simpáticas certamente) de comentar, mas só de me lembrar de alguns comentários que cheguei a receber... Não, obrigada.

      Eu tinha acabado de ver pela terceira vez o Julie and Julia quando escrevi este texto, fiquei logo inspirada :D

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  6. Frango é das minhas carnes preferidas. é tão versátil. Esse deve ser super saboroso. Joana, sem dúvida que és querida, fofinha, meiga, simpática e isso dá para perceber mesmo que estejas desse lado do ecrã. E só podes ter orgulho de ser assim. O que não falta por ai são pessoas maldosas, invejosas e que apenas querem falar mal e deitar-nos abaixo. Dantes não sabia lidar com isso mas o tempo ensinou-me. Hoje não me importo. Digam o que quiserem. Enquanto falam de nós não falam de mais ninguém! Hão-de fartar-se!

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    1. Não me parece que seja por maldade ou inveja, acho que é mesmo porque se incompatibilizam... Mas pronto, fazer o quê? :)

      Beijinhos :D

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