6 de agosto de 2014

Lentilhas marroquinas... E uma mudança em mim.

Though it's darker than December,
What's ahead is a different color.
One day we're gonna get so high...

And at the end of the day, remember the days
When we were close to the edge,
And wonder how we made it through the night.

At the end of the day, remember the way
We stayed so close till the end.
We'll remember it was me and you.

Lighthouse Family


Há uns dias a minha mãe perguntou-me se eu achava que com o tempo estava a ficar uma médica mais fria (dito assim até parece que já trabalho há décadas, mas enfim). Disse-lhe que não - que continuava uma mariquinhas chorona e emotiva - mas que estava definitivamente a tornar-me mais amarga.


Eu explico-vos: com o tempo eventualmente tudo deixa de nos surpreender. Filhos que abandonam os pais no internamento e que não querem levá-los para casa? Já vi às dezenas. Pais ou familiares que exercem violência física e/ou psicológica sobre as crianças? Idem. Histórias de desgraça e de pobreza? Visto. Pessoas que não comem há uma semana ou que não tomam banho há meses? Já me passaram pelas mãos.

Episódios dramáticos, histórias de vida infelizes e miséria da pior espécie? Assisti. Telenovelas mexicanas, montanhas russas de emoções, reacções inusitadas e agressões? Vi. E com o tempo cada história passa a surpreender-nos cada vez menos, não porque nos tornamos frios mas porque nos tornamos mais amargos.


Esta mudança traz consigo as suas coisas boas, e de repente tudo o que antes pensaríamos ser um dado adquirido passa a ser uma razão para apreciarmos as pequenas coisas da vida. Aquela velhinha tem uma família que a apoia e que mal pode esperar por tê-la em casa? Ficamos felizes. Aquele miúdo tem uns pais preocupados e carinhosos que o tratam bem e lhe dão todo o amor que precisa? Ficamos felizes. Aquela adolescente é uma miúda atinada? Ficamos felizes.


Antes desta conversa com a minha mãe não me tinha apercebido que esta mudança tinha acontecido dentro de mim. E não sei se devia sentir-me triste por estar a perder a minha inocência infantil ou feliz por estar a dar ainda mais valor às coisas que tenho.

Enquanto decido se esta é uma mudança boa ou má, concentro-me nas coisas que nunca mudam dentro de mim: gosto de lentilhas, gosto de comida marroquina, e gosto de lentilhas com sabor a comida marroquina.


Lentilhas marroquinas

Ingredientes (para uma pessoa):

* Meia cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Um fio de azeite;
* 100g de lentilhas vermelhas cozidas (eu congelo já cozidas para ser mais prático usar depois);
* Uma chávena de molho de tomate caseiro;
* Uma colher de chá bem cheia de ras el hanout (mistura marroquina de especiarias);
* Uma pitada de sal;
* Uma pitada de piri-piri.

Confecção:

* Refogar a cebola picada e o alho picado num fio de azeite e juntar as lentilhas previamente cozidas;

* Deixar refogar e juntar o molho de tomate;

* Temperar com o ras el hanout, o sal e o piri-piri;

* Deixar cozinhar, acrescentando mais água se necessário.


Até amanhã! :D

2 comentários:

  1. Olá Joana,
    Adoro a sua cozinha!
    Obrigada por partilhas tão deliciosas:-D
    E quanto às mudanças ... bem. .. elas fazem parte de nós. Consciente ou inconscientemente crescemos psicologicamente e o que nos surpreendia e/ou revoltava deixa de surtir esse efeito...
    Já passei por ai... não é ficar amarga é crescer e aceitar o que a vida nos dá.
    Força e muitos beijinhos :-D

    Cristina Malheiro


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  2. Acho que é inevitável aquilo que vês não te moldar! Desde que não deixes de ser tu, ou seja que não deixes de "gosto de lentilhas, gosto de comida marroquina, e gosto de lentilhas com sabor a comida marroquina." está tudo bem :)

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