13 de dezembro de 2019

Primeiro filho versus segundo filho.

Acho que é inevitável compararmos experiências quando temos mais do que um filho, e cá em casa isso tem acontecido. Vai daí, decidi escrever sobre as diferenças que noto entre as nossas vivências com o Matias e com a Gabriela. Aqui vai :)

Pré-gravidez

Engravidei do Matias logo à primeira, de tal forma que fiz o teste de gravidez por descarga de consciência porque achava impossível estar grávida logo quando as pessoas que conhecia demoravam meses ou anos a engravidar. Vai daí, quando decidimos ter a miúda estava convencidíssima que ia engravidar naquele segundo, claro, somos tão férteis, um prodígio da natureza, recordes do Guinness connosco já.

Quando não engravidei no primeiro mês achei normal. Pronto, acontece, não se pode ser perfeito, até os campeões olímpicos da fertilidade têm direito a dias menos bons e tal. Mas depois não engravidei no segundo mês também, e aí comecei seriamente a fritar a pipoca.

Achei que era de ser velha (recordo que tenho trinta anos), que algo tinha corrido mal no meu primeiro parto (nada que indicasse isso, mas ok) ou que estava como naquela frase do Saramago no início do Memorial do Convento 'já se murmura na corte, dentro e fora do palácio, que a rainha, provavelmente, tem a madre seca'. Mentalizei-me que ia demorar meses a engravidar e pumbas, engravidei no mês seguinte.

(Sim, eu sei que sou histérica.)

Vai daí, diria que vivi um pré-gravidez mais ansiogénico da segunda vez, até porque o pré-gravidez do Matias durou pouquíssimo tempo.

Gravidez

Quando vi o teste positivo na gravidez do Mati fiquei feliz, mas também surpreendida e ansiosa. Não sabia bem o que era suposto fazer. Depois fomos almoçar com a minha sogra e tivemos de agir como se tudo estivesse normal. Contei às minhas pessoas na semana seguinte, no trabalho às oito semanas, aos meus amigos às doze e aqui no blog às treze.

Quando vi o teste positivo na gravidez da Gabi fiquei histérica (até porque já andava a achar que tinha a madre seca, recordo-vos). Duas horas depois estava a ligar às minhas pessoas e a mandar mail à minha médica de família, e no dia seguinte contei no trabalho e aos meus amigos. Escrevi pela primeira vez sobre a gravidez no blog às oito semanas.

O início da gravidez do Matias correu razoavelmente bem, sem grandes sintomas. Fomos a Nova Iorque, onde eu recebi o resultado da sexagem fetal e descobri que íamos ter um rapaz. Depois fomos ver o musical do Rei Leão e eu chorei tanto que a Joana e o Bernardo acharam que íamos ter de ir embora. 

O início da gravidez da Gabriela foi tenebroso. Desatei a vomitar que nem uma pescada, a única coisa que tolerava no estômago era leite com chocolate da Ucal fresco (true story) e fiquei logo com a frequência cardíaca mais alta e por isso fui logo medicada. Às seis semanas sangrei e achei que seria 'só' uma sensibilidade aumentada do colo, mas no dia seguinte percebi que estava com uma ameaça de aborto por causa de um descolamento da placenta. Sangrei durante mais uma ou duas semanas. Chorei muito. No fim, tudo correu bem.

O resto da gravidez do Matias foi correndo. Comecei a desmaiar todos os dias, por isso fui medicada com um beta-bloqueante e vim para casa. Passei o segundo trimestre em repouso relativo, a aproveitar os dias bons para fazer compras. Tinha listas infinitas relacionadas com o enxoval, comprei imensas coisas inúteis (e outras muito úteis também), fiz um baby shower, duas sessões fotográficas e duas ecografias 4d. Vibrei com tudo. Delirei com tudo. Comprei um fato de cozinheiro para o Matias. Chorei porque não conseguia montar a cama, a poltrona ou o ovo no carro.

O resto da gravidez da Gabriela foi correndo também. Vim para casa sensivelmente na mesma altura do que na gravidez do Matias. Passei os meses restantes a organizar a chegada da miúda com muita calma. Usei as listas infinitas da gravidez do Matias, mas comprei pouquíssimas coisas. Fiz um baby shower, uma sessão fotográfica e zero ecografias 4d. Vibrei com tudo e delirei com tudo na mesma, mas de uma forma mais serena. Dei muito colo ao Matias e imaginei como seria dar colo a dois (é óptimo). Comprei vários vestidos com tule para a Gabriela. Não chorei a montar nada, já somos especialistas em montagens.

No geral, sinto que a gravidez da Gabriela foi mais difícil. Não tive dor ciática como na gravidez do Matias (muito chato!), mas tive vómitos e incontinência urinária (que entretanto desapareceu depois do parto, realmente o meu corpo detesta estar grávido!). Sentia-me fisicamente debilitada e enorme na mesma, mas sem aquele encanto das primeiras gravidezes em que tudo é novo, a barriga é linda, o mundo parece todo cor-de-rosa, os coelhinhos saltitam nos prados e etc.

Parto

Na minha aula de yoga para grávidas eu era a única que já era mãe, e as outras moças (grávidas pela primeira vez) adoravam falar sobre como não queriam epidural, queriam um parto natural com músicas e velas e danças, isto das dores era uma questão psicológica e conseguíamos todas parir sem fármacos só com o poder da mente. Geralmente eu fazia uma expressão assim: 

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Não me interpretem mal: eu admiro muito as pessoas que não levam epidural, a sério. A minha mãe teve dois filhos sem epidural, a minha avó teve dois filhos sem epidural, a minha bisavó teve nove filhos sem epidural. Sabem quem tem gostou mais do seu parto? Aqui a pessoa que levou epidural. Dito isto, tenho várias amigas que não levaram epidural (umas por opção e outras por razões médicas) e estão vivas na mesma e adoram os filhos e algumas também gostaram dos partos. Mas claramente há toda uma linha que separa os primeiros partos dos seguintes.

No primeiro parto eu não sabia para o que ia. Fiz a depilação às 32 semanas 'não fosse ele nascer às 36'. Levei duas malas de rodinhas cheias de bodegas, achei que corria o risco de ter o miúdo pelo caminho porque o hospital era a vinte minutos de carro de minha casa (e depois gramei com 38h a ter contracções), fui para o hospital cedíssimo e sentia-me aterrorizada com a perspectiva de passar a ser mãe. Tive um parto lindo.

No segundo parto eu sabia exactamente ao que ia. Fiz a depilação às 38 semanas e meia, e aproveitei para cortar e pintar o cabelo e pôr gelinho nas unhas. Levei um saco do ginásio com coisas para o primeiro dia e depois o Pedro trouxe o resto. Fui para o hospital muito mais tarde, com contracções de tal forma dolorosas e próximas que temi ter a miúda pelo caminho. Estava super tranquila. Tive um parto ainda mais lindo. Sabia o que queria, sabia o que fazer e deixaram-me fazê-lo.

O meu segundo parto foi melhor. Foi mais rápido, menos doloroso, mais intuitivo e muito mais natural.

Pós-parto imediato

O baque imediato foi exactamente o mesmo com o Matias e a Gabriela. Amei-os, ali, logo, naquele segundo em que os vi. Fiquei cheia de hormonas felizes, estava pronta para tudo, queria correr a maratona se me deixassem.

Levantei-me duas horas depois do parto do Matias e fui tomar banho. Ainda andei uma ou duas semanas com dores no braço que tinha partido e na episiotomia (um dos pontos abriu), mas andava impecável e cheia de energia. Um mês depois estava pronta para outra e não fiquei com qualquer sequela do parto.

Levantei-me duas horas depois do parto da Gabriela (porque não me deixaram levantar antes) e fui tomar banho. Tive contracções durante três ou quatro dias, mas de resto tive zero dores. Por outro lado, senti-me (e sinto-me) com menos energia. Fisicamente estou bem e uma semana depois já estava pronta para outra, mas mentalmente sinto-me muito mais cansada. Até ver não fiquei com qualquer sequela do parto.

Quando trouxemos o Matias para casa foi um namoro pegado. A amamentação foi um dramalhão, mas fora isso achei tudo lindo e maravilhoso e no geral a adaptação foi muito fácil. O Matias comia e dormia, e tirando ali umas três horinhas ao fim da tarde em que chorava bastante era um bebé muito tranquilo.

Quando trouxemos a Gabriela para casa foi uma aventura. A amamentação não foi um dramalhão porque acabou antes de o ser. A adaptação foi, e ainda é, um desafio. A Gabriela comia e dormia, mas chorava como uma desalmada e berrava como se a estivessem a matar, de tal forma que decidi que mal a miúda faça seis anos vou logo inscrevê-la nas aulas de canto para começar a rentabilizar estes pulmões.

No geral, diria que houve um investimento diferente no Matias. O tempo era todo para ele, o resto ficou em segundo plano, ele era a nossa única prioridade. A minha pasta das fotos da altura era assim:


Com a Gabriela foi diferente. O Matias continuou a ter mais investimento (porque é mais crescido e exige coisas diferentes e mais complexas), a casa tinha de estar habitável, a roupa tinha de estar lavada, a sopa tinha de estar feita, precisávamos de ter leite e pão e fruta e por aí fora. Por isso, a pasta das fotos de agora tem este aspecto:


Também senti que desta vez tivemos muito menos ajuda externa, por vários factores. As nossas famílias ficaram cá menos tempo, os nossos amigos vieram menos vezes, e acabámos por sentir-nos um bocadinho mais sozinhos e desamparados.

Pós-parto a médio prazo

Com o Matias a rotina instalou-se depressa. O Pedro voltou ao trabalho passado um mês, e no geral diria que tudo correu de forma tranquila. Eu estava focada no miúdo, íamos dando uns passeios, dormia umas sestas, tudo muito relaxado.

Com a Gabriela a rotina demorou mais tempo a instalar-se, mas acho que estamos finalmente a acalmar. O Matias já não acorda durante a noite com a miúda a chorar (o que é logo uma grande ajuda porque já só temos uma criança para gerir de madrugada e não duas). O Pedro volta ao trabalho daqui a dez dias. Andamos fartos de passear, até porque a Gabi fica tranquila na rua (leia-se, fecha a matraca), e nos dias em que saímos sentimos que ela dorme melhor. A Gabriela dorme e come tão bem como o irmão (possivelmente até melhor ainda), mas nós achamos que as noites, embora melhores, custam mais agora (não sei se estamos efectivamente mais acabados ou se simplesmente reprimimos o quanto nos custaram os primeiros meses do Matias).

Futurologia

Estou muito curiosa para ver o que aí vem. O Pedro volta ao trabalho mesmo antes do Natal, e estou expectante para perceber como vai ser gerir a miúda e o seu berranço, levar o Matias à escola e ir buscá-lo, gerir a casa sozinha durante o dia e gramar com as noites.

Também me parece que no geral a Gabriela vai ser uma bebé menos investida do que o Matias. A nossa vida está diferente, temos outro miúdo e outras responsabilidades, e possivelmente também temos outro enamoramento por esta fase porque sabemos que as seguintes são, sejamos honestos, mais fixes e divertidas. Por outro lado, e porque não pode ser tudo mau, também sentimos que somos agora muito mais confiantes e eficazes do que éramos antes, e no geral sinto que conseguimos corresponder às necessidades da miúda de uma forma mais rápida, até porque agora somos mais experientes.

Um óptimo exemplo disso é a questão das noites. O Matias sempre dormiu muito mal no nosso quarto. Por outro lado, eu também dormia muito mal com o Matias no nosso quarto. Vai daí, passámos o miúdo para o quarto dele com um mês. Na altura foi um mega drama, os protocolos isto, a morte súbita aquilo, que negligentes. Agora voltou a repetir-se a problemática, por isso a miúda foi para o quarto dela esta semana, sem qualquer drama, com zero sentimentos de culpa e com noites muito melhores para todos.

Por outro lado, também é muito mais giro ver a interacção do Matias com a Gabriela. Ele continua muito entusiasmado, adora encher a irmã de beijos e faz as perguntas mais deliciosas. Esta semana quando passámos a miúda para o quarto dela ele disse logo 'Yey, mana está tão crescida! Já fala?' :D

E pronto, a vida corre tranquila :)

39 comentários:

  1. Tenho uma curiosidade porque referiste isso uma vez.. vocês sempre vão tirar 1 ano de licença repartida pelos dois?
    Gostava muito de fazer isso quando tivesse um baby. Felizmente temos a casa paga, apesar de precisar de pequenas obras,só o facto de pouparmos um bom dinheiro na renda/prestação da casa, vai dar-nos a possibilidade de conseguirmos estar 6 meses com menos rendimentos, e sinceramente, gostava muito de adiar a ida da futura criança para a creche... gostava que tivessemos tempo para nos dedicarmos a 100% ao nosso bebé durante um ano... Hoje em dia despejamos as crianças nas creches e n temos tempo para elas... Não queria de todo fazer isso aos meus filhos... Enfim. (os nossos planos são para daqui a 2 anos e eu já ando a pensar em licenças... lol!!! :D OU SEJA, se o forem fazer, fico ansiosamente à espera que contes a vossa experiência :P ahahah)

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    1. Não concordo mesmo nada que hoje em dia despejamos as crianças nas creches e não temos tempo para elas. Acho mesmo que nunca estivemos tão disponíveis e envolvidos com os nossos filhos. Não era certamente no tempo da minha avó em que as pessoas tinham sete ou oito filhos ou no tempo da minha mãe em que a licença de maternidade (paternidade nem pensar) era de um mês ou dois que havia mais tempo :)

      Dito isto, por aqui vamos fazer pelo menos nove meses e talvez doze. Do Matias fizemos cinco meses eu, um mês o Pedro (pagos a 80%), depois um mês de férias meu e depois um mês de férias do Pedro e ele entrou na creche com oito meses. Achámos que foi uma altura razoável e a adaptação correu lindamente. Dela vamos fazer na mesma cinco mais um, mas eu vou tirar o mês de férias durante o mês de licença do Pedro (porque não vale a pena voltar ao trabalho para lá estar um mês), depois eu vou tirar três meses de alargada pagos a 25% e ainda não decidimos se o Pedro tira a alargada depois da minha (que pode ser tirada parcial ou totalmente, até três meses, pagos também a 25%). Ainda não decidimos, acho que vai essencialmente depender de como correrem as coisas a partir de agora e como for o projecto escolar do Matias a partir de agora :)

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    2. Eu também não concordo nada. Efectivamente tenho pena de ter voltado ao trabalho tão cedo ( o M. ia fazer 4 meses). Mas voltei ao trabalho durante 6 meses a 50% e mais 6 a 80%. A partir daí voltei ao trabalho 100%. Mas acho que financeiramente não podíamos ter feito muito melhor. E sinto que a nível profissional também a licença de maternidade já teve consequências. E acho que quanto mais tempo ficasse ausente mais difícil seria o regresso. Tiro férias quando posso só para ficar com o meu filho! Tentámos mesmo fazer o melhor que podemos. Eu acho que dizer isso culpabiliza um pouco os pais que tudo fazem para serem os melhores pais que podem ser. Eu não acho que antigamente os pais eram mais presentes. Acho que as vidas eram muito diferentes. A minha mãe só começou a trabalhar quando eu tinha uns 12 anos, mas tinha 3 filhas e cuidava dos padrinhos idosos que moravam connosco (a madrinha cega totalmente dependente). Quando a minha avó que era idosa estava doente também era a minha mãe que cuidava dela. Para além disso, era a minha mãe que lhe fazia sempre as compras etc. A minha mãe fez o melhor que pode com os meios que tinha e os pais actualmente fazem a mesma coisa! Mas a minha mãe é a primeira pessoa a dizer que ela não brincava tanto tempo connosco como eu faço com o M., por exemplo. Eu fui a filha mais nova.. brincava imenso com as minhas irmãs, na rua com os vizinhos. Ia para casa da minha avó, de vizinhos... Eram tempos diferentes! Actualmente há imensos pais sem essa rede de apoio. E acredite que não é fácil. E mesmo assim o que eu vejo é pais super presentes a tentar diariamente serem os melhores pais que conseguem ser. Não fui "depositada" numa creche, mas não quer dizer que a minha mãe tinha imenso tempo para se ocupar de mim .. Porque claramente não tinha! Para não falar do tempo dos meus avós. A minha avó teve 7 filhos.. e a partir de uma certa idade eram as mais velhas que ajudavam a criar as mais novas... antigamente os miúdos ainda eram crianças e já começavam a trabalhar fora de casa. Sabe o que chegava a acontecer na minha aldeia ? Havia Pais que iam trabalhar e deixavam os bebés sozinhos em casa . Voltavam de x em x tempo para lhes dar de comer. Se isso acontecesse actualmente seria claramente considerado maus tratos e qualquer pessoa faria uma denúncia. Aparentemente na época dos meus avós isso era mais ou menos normal e ninguém ficava escandalizado.
      Ser mãe e pai é muito difícil... Acredite que (quase) todos os pais à sua maneira vão fazendo o melhor que podem.

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    3. É isso, acho que é um discurso que culpabiliza muito os pais. Acho sinceramente que hoje em dia somos pais mais envolvidos. Não somos melhores, mas também claramente não somos piores. Temos preocupações diferentes, vidas diferentes e posturas diferentes. Lá está, há trinta anos tirar um ano de licença para ficar com um filho era impossível, a minha mãe ficou um mês em casa e voltou ao trabalho. Na gravidez do meu irmão foi despedida, algo que actualmente supostamente não acontece (ou não devia acontecer). Eu acho sinceramente que as coisas estão melhores em muitos níveis agora. Há espaço para melhorar? Claro. Mas também não é a desgraça que se apregoa :)

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    4. Eu fui mãe este ano e fizemos como a Joana diz que vão fazer: 5 meses eu + 1 mês no meu marido e eu de férias esse mês + 3 meses da alargada eu + 3 semanas de férias do meu marido... Agora a miúda está 3 semanas com os meus pais e temos férias agora no Natal/início do ano, de modo que só vai para a creche em janeiro com 11 meses. Adorei fazer assim! Imensa gente me dizia que não aguentava estar em casa, que estavam com vontade de regressar ao trabalho... Eu adorei estar "tanto" tempo fora, senti que fizemos tudo com calma, que tínhamos tempo para tudo, aproveitávamos ao máximo, deu para fazer tarefas e passear na medida certa, foi óptimo, recomendo ☺️ no meio disso o meu marido também gozou aquelas 3 semanas pós parto + 2 semanas facultativas + dias de férias, por isso tivemos bastantes períodos os 3 e foi óptimo para a nossa família.

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    5. Eu sinto que agora é ainda mais importante, para podermos dar também mais tempo ao Matias :)

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  2. Enganei-me e carreguei no eliminar em vez de responder, mas aqui vai o outro comentário:

    Adorei o relato e estou ansiosa para ter o segundo filho e viver a experiência da minha filha com um irmão (ela ainda só tem 3 meses ahahaha). Em relação ao parto eu ADOREIIIIIII o meu parto, sem epidural e com quase tudo como quero. Senti-me espetacular durante o parto e no pós parto, passado 2h já estava como nova, 5min depois já estava a falar com os enfermeiros dos meus próximos partos. Uma experiência transformadora, adorei sentir tudo, saber como responder a tudo o que o meu corpo né fazia sentir e sinceramente hoje já não me lembro de nenhuma dor, aliás no dia seguinte já não me lembrava de nenhuma dor. “Sou mulher, qual é o teu super poder?”

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    1. Eu levei epidural e senti tudo na mesma :) Só não sentia dores, mas de resto senti tudo, ela a ir descendo, ela a encaixar... Foi tudo muito bom :) E quando o parto é assim uma experiência transcendente acho que é logo meio caminho andado para o pós-parto correr bem :)

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  3. "Não concordo mesmo nada que hoje em dia despejamos as crianças nas creches e não temos tempo para elas. Acho mesmo que nunca estivemos tão disponíveis e envolvidos com os nossos filhos. Não era certamente no tempo da minha avó em que as pessoas tinham sete ou oito filhos ou no tempo da minha mãe em que a licença de maternidade (paternidade nem pensar) era de um mês ou dois que havia mais tempo :)"

    A sério que achas isto? Talvez seja a tua realidade e a das pessoas que te rodeiam, mas não é a de grande parte das pessoas, sabes? A maior parte não tem possibilidade de ficar mais do que os meses de licença que são pagos na totalidade e, como tal, os meninos vão com 4/5 meses para a creche. Há imensa gente a trabalhar longe de casa, que sai cedo e entra tarde em casa... cujas crianças entram logo ao abrir da creche e são as últimas a sair porque os pais não têm possibilidade mesmo de chegar mais cedo. Muitas são as pessoas que, já com filhos a partir da escola primária (em que é obrigatório ir), trabalham fins de semana e nem esses dias têm para poder estar com os filhos. Se no tempo da tua avó tinham 8 filhos, também não trabalhavam e não os tinham no infantário. Se só tiveres um, mas passares 2h com ele por dia, horário dentro do qual tens que incluir banho e jantar... não sei se será tão melhor assim. E definitivamente os pais de hoje não são tão disponíveis como julgas que são. Seria bom. Mas não é de todo a realidade.

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    1. Concordo com este comentario. A vida fabulosa q vejo da Joana, sempre a passear com os filhos, a fazer actividades, a ser feliz com eles nao é de todo a realidade q vejo hoje á minha volta. No meu tempo em que as maes eram domesticas tinham muito mais tempo p estar com os filhos . Eu so fui p a pré aos 3anis, ia das 9h ás 16h, algo impensavel hoje em dia para a maioria das pessoas q conheço.

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    2. Bem, eu fui para a creche com um mês e desde que me lembro ficava na escola das 9h às 19h. Durante a semana não via a minha mãe, e ao fim-de-semana não me lembro de fazer nada de especial com os meus pais. Não me lembro de brincar com eles, por exemplo. Ao Sábado íamos às compras e almoçávamos no centro comercial, depois dormíamos a sesta todos (sempre fomos grandes fãs de sesta), e de resto até ser já adolescente não me lembro de passar tempo com os meus pais orientado para mim, digamos assim. No tempo da minha avó não se trabalhava? Bem, a minha avó sempre trabalhou e bem. E a minha bisavó (que teve os nove filhos, a minha avó só teve dois e um morreu) também trabalhava, quem criava as crianças eram os irmãos mais velhos. Mesmo que não trabalhassem, tendo oito claramente não lhes davam atenção nenhuma :) Pelo menos é a realidade das pessoas que conheço. A minha é esta. A minha melhor amiga era sempre a última a sair da escola há vinte anos atrás. O meu melhor amigo foi terceiro filho, os próprios pais dizem que foi criado por lobos e que não lhe ligaram nenhuma. A minha realidade não é menos válida por ser diferente das realidades dos outros, cada um tem a sua opinião e a sua experiência :) Efectivamente à minha volta o que vejo são pais preocupados e investidos. Até na minha consulta vejo isso. Há quarenta anos alguém levava um filho ao médico porque era desatento na escola? Não, ia trabalhar e fim. Aliás, no meu sexto ano tive várias amigas que chumbaram e foram trabalhar em fábricas, e isto foi em 2000, não em 1950, e estamos a falar de menores. O meu filho anda na creche e tem inglês, teatro, psicomotricidade e música. Vai à biblioteca todas as semanas com a escola e muitas vezes connosco também. Já foi a teatros e a exposições, tem mil brinquedos diferentes e em casa brincamos imenso com ele. É muito diferente da realidade da minha infância, em que eu e os meus amigos ficávamos em casa sozinhos desde muito cedo nas férias, por exemplo, e não havia grande investimento. E os meus pais foram óptimos, atenção, simplesmente acho que hoje estamos muito mais atentos.

      Se esta opinião é fruto do meio em que me movimento? Muito provavelmente. Mas não será menos válida por ser diferente dos meios em que se movimentam a Cynthia ou a pessoa que comentou abaixo. Também não é mais válida, atenção. É a minha opinião e a minha experiência :)

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    3. Eiiii lá, a isto chama-se projectar:)

      Uma coisa é despejar os miúdos nas escolas, outra coisa é eles lá ficarem por necessidade. São coisas totalmente diferentes e concordo, nesta nova geração de pais somos todos mais atentos mas disponíveis, queremos estar envolvidos e participar activamente na vida dos miúdos. Se existem realidades diferentes? Claro que sim, como sempre houve, mas sinceramente de uma forma geral ninguém deixa um miúdo na escola até as 19h sem ser por necessidade, acho que era isso que a Joana queria dizer.
      Inês

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    4. Era mesmo isso, sim :) Acho que esta romantização toda do que se passava antigamente, embora seja muito típica de muitas gerações (há literalmente textos do tempo dos romanos em que os autores dizem algo do estilo 'estas novas gerações são uma porcaria e no nosso tempo é que era'), não está mesmo a ter em conta as mudanças profundas que aconteceram no nosso país do ponto de vista social e familiar. Na verdade, às vezes questiono-me é se não andamos a investir demasiado nos nossos miúdos, que agora parecem quase prolongamentos narcisicos nossos (e contra mim falo, não é por acaso que a miúda tem tantos vestidos com tule, Freud explica) :P

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    5. Eu acho que os pais hoje estão mais atentos e disponíveis, mas com vidas laborais/rotinas lixadas que lhes roubam qualidade de vida. Tenho imensos amigos da minha faixa etária com horários de trabalho horríveis (e salários óptimos), se tiverem filhos que tempo terão para eles? Para já não falar que muita gente quer viver no sítio X, trabalha no sítio Y e quer os filhos na creche bilingue xpto que fica em Z e perdem 2h todos os dias em deslocações com estas opções. Trabalho num sítio de classe média alta em que os salários são acima da média e essa é a vida das pessoas. Sabes quem faz o papel de mãe/pai dos filhos? As empregadas. Têm-nas a tempo inteiro e todos os dias lhes ligam a dar indicações do que cozinhar para os miúdos, que roupa lhes vestir, quando os ir buscar à escola, etc.

      São pais aparentemente preocupados e que investem nos filhos? Sim, têm todos boas casas, andam em boas creches, vestem boas roupas, vão a museus, viajam, comem biológico... E tempo passado com os pais? Atenção? Dedicação? Não vejo muito isso.

      Eu, que faço um esforço para não passar mais do que o mínimo indispensável no trabalho (e vivemos e temos a creche dela com walking distance umas das outras) estou 2h de manhã e 2h à tarde com a minha filha (também se deita às 20h), tento que seja tempo de qualidade mas sabe-me a pouco e ali a partir de 5a já só anseio pelo fim de semana, imagino esses meus colegas mais workaholic que saem depois das 20h todos os dias...

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    6. Pois, eu não conheço ninguém assim. Lá está, ao contrário daquilo que se pensa, a malta médica não tem dinheiro para aventuras destas :P Mas gostava :D Que sonho, ter uma empregada a tempo inteiro. Nem era para cuidar dos miúdos, já ficava satisfeita com alguém que me tratasse da casa e das refeições todos os dias. Vá, também podia gramar com as noites, pronto :D

      Eu acho que ter tempo para os filhos não é de todo uma questão de dinheiro, lá está. É uma questão de prioridades :)

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    7. Joana, dependerá das especialidades ou de outra coisa qualquer, não? Porque há médicos que levam vida de ricos, esta “ideia da malta” não surge do nada mas efectivamente de ver ou conhecer casos de médicos com boa vida. Mesmo vocês, conseguem pagar bastante pela escola do Matias e fazem todas as vossas viagens. Se abdicassem das viagens se calhar sobrava-vos dinheiro para estas coisas descritas. :)

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    8. Duvido :) Uma (boa) empregada a tempo inteiro em Lisboa custa uns 1000€ por mês, eu não gasto 12 mil euros por ano a viajar (mas gostava!) :D Mas sim, possivelmente abdicando de muitas coisas conseguiria pagar a uma empregada a tempo inteiro, nunca vi foi grande necessidade disso.

      Eu não conheço ninguém com empregada a tempo inteiro em especialidade nenhuma, mas posso ser eu que só conheço médicos mais novos (a.k.a 'tesos') :)

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    9. Pois, eu não conheço nenhum com empregada a tempo inteiro também, é um facto. Mas conheço uns quantos que vivem em apartamentos em zonas nobres da cidade, conheço um que tem um barco...mas não são da nossa geração, é verdade. :) Quando eu era miúda não tínhamos empregada a tempo inteiro mas tínhamos todas as manhãs da semana e os meus pais não são ricos, na altura deveria sair mais barato do que é agora.

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    10. Sim, os casos da empregada a tempo inteiro não são da nossa geração (tenho 32). São pessoas de 38-até aos 50's. E olha que não é preciso ires para mil euros/mês, tive um colega que tinha empregada todos os dias das 9h às 18h e pagava-lhe o salário mínimo.

      Mas conheço muita gente da nossa geração que não tem empregada a tempo inteiro, mas tem mais do que um dia por semana, têm bons carros os dois, filhos em colégios a pagar 600€/mês, carteiras Louis Vuitton, etc... e ganham acima da média (infelizmente a média em Portugal também é tão baixa... mas são salários na ordem dos vossos médicos) mas a poupança mensal é zero para custear esse estilo de vida.

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    11. Sim, mas mesmo pagando o salário mínimo há os impostos, os subsídios de Natal e de férias... Sei lá, fica sempre a uns 700 euros por mês, na melhor das hipóteses. Se eu ganhasse cinco mil euros nada contra, até tinha empregadas em turnos para poderem dar os biberões da noite e tudo :P

      Lá está, eu não conheço ninguém com uma vida assim tão diferente da minha. Acredito que existam, claro, mas eu pessoalmente não conheço. Por outro lado, os meus amigos fartam-se de viajar, por isso se calhar conheço pessoas que gostam de o estourar de outras formas :D

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    12. O meu marido é médico, especialistas numa área que supostamente se ganha imenso dinheiro e no entanto eu ganho mais que ele e não trabalho em saúde (directamente) e não, não temos empregada a tempo inteiro, quem me dera!!! Como nas novelas da Globo ahahahha nada disso, temos uma vida desafogada é verdade mas nada como descrevem em cima (queres ver que ele me anda a esconder alguma coisa e tem uma conta secreta na Suíça) acho que as pessoas ainda têm a ideia preconcebida de que todos médicos são milionários, o que na minha experiência não é verdade.
      Inês

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    13. Ines, não é a questão de serem milionários, mas têm assegurado um certo nivel de vida o qual honestamente não existe em mais nenhuma profissão. Por ex, eu sou licenciada em Gestão de Empresas e sou neste momento Directora Financeira de uma empresa, tendo um salario mais elevado que o da Joana (pelo que ela menciona....) mas tenho uma colega da area que andou uns anos num escritorio de contabilidade, que depois fechou, nunca conseguiu mais nada na nossa area e neste momento trabalha numa pastelaria a ganhar o salario minimo. Ou seja, quem é de Gestão tanto pode ter um emprego bom, como pode ter um emprego de salario minimo. E o mesmo se aplica à maioria das areas. No caso dos medicos, salvo erro penso que começam com 1100€. Ou seja, não há nenhum medico no país desempregado, não há nenhum medico a ganhar o salario minimo, nem sequer a ganhar menos de 1000€. Obviamente que não sao milionarios, mas conseguem ter uma vida porreira. Agora, isto do dinheiro é tudo relativo: para uma pessoa que ganha o salario minimo, que tem de contar os centimos quando vai fazer compras ao supermercado, que está sempre aflita para pagar renda de casa, que não pode comprar os brinquedos que o filho quer no Natal, obvio que olha para a Joana e para os medicos em geral e acha que vivem muito bem. Já eu, tal como referido, olho para as novelas da Globo e penso quem me dera ter empregada a tempo inteiro para não ter de fazer rigorosamente nada em casa :-)

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    14. Joana, acho que tambem sao opções. Voces gastam bastante dinheiro a viajar e por ex parece-me que tens bastante cuidado com o que comes. Tenho um casal amigo de medicos na casa dos 30 anos com duas filhas. As miudas estão em creches "normais" (ou seja, privadas, mas sem ser naqueles colegios XPTO), e têm empregada 3 dias por semana que lhes faz a lida domestica toda (limpar a casa, tratar da roupa) e compram todas as refeições da semana num take away perto de casa, ao fim de semana vão ao restaurante. Obvio que não sao as refeições mais saudaveis mas eles preferem não perder tempo a cozinhar. Portanto passam o tempo livre que têm sempre a dar atenção às miudas e a passear. Em termos de gastos, bem, a empregada fica a menos de 500€/mês, e o take away não sei ao certo mas fiquei com a ideia de que não gastam mais de 200€ naquilo. Mas por ex compraram um apartamento T3 usado quando outros com o mesmo nivel de vida compram uma moradia enorme nova. Havendo dinheiro tudo são opções.

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    15. O meu marido é médico, tem 43 anos, temos 3 filhos em colégios e empregada a tempo inteiro há 13 anos (idade da mais velha). Não sendo a regra conheço algumas pessoas na mesma situação. No fundo a empregada dá aquela ajuda extra que muitas vezes ficava a cargo da família alargada e dá-nos muita qualidade de vida. Trabalhamos os dois bastante é certo mas um de nós pelo menos está sempre em casa pelas 19h. e aí só temos tempo livre para curtir os miúdos porque tudo o que é doméstico está tratado. Francamente tenho dúvidas que "antigamente" a ter de gerir casa, roupa, alimentação e afins as pessoas tivessem muito mais tempo livre para brincar com os filhos.

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    16. anonima das 10:25

      acho que nao percebeu bem os comentarios. obvio que no seu caso tem muito mais disponibilidade para os filhos, sendo que o seu caso não é a regra hoje em dia. O que se estava a comparar era a tipica mae domestica dos anos 80 que não trabalhava fora, estando portanto o dia todo em casa com os filhos, mas que tinha todas as tarefas domesticas sobre si, ou as maes hoje em dia da classe media, que trabalham 8h ou mais por dia, mais o tempo perdido em transportes e chegam a casa tarde e têm todas as tarefas domesticas para fazer e portanto será que têm mais tempo de qualidade com os filhos do que antigamente?

      Vou-lhe dar o meu caso pessoal: chego a casa por volta das 19h e o marido às 20h. Tenho empregada um dia por semana so para fazer a limpeza geral à casa. Portanto todos os dias tenho de cozinhar, arrumar a louça, pôr roupa a lavar etc, sendo que aos fins de semana tendo uma moradia grande com jardim e quintal ainda gastamos algum tempo a tratar de tudo. Não me imagino a ter filhos e nem consigo perceber como é que as pessoas têm tempo para gerir tudo, os colegas que vejo à minha volta estão sempre a queixar-se de falta de tempo, que nunca mais viram um filme ou foram jantar fora ou passear pois passam o pouco tempo livre que têm a fazer tarefas domesticas e a dar banho, jantar aos filhos, etc. Eu pessoalmente sinto que quando era criança, sendo a minha mae domestica, ela fazia todo o trabalho até ao meu pai chegar a casa, por isso ao fim do dia tinhamos sempre tempo em familia, e ao Domingo também e parece-me de facto mais tempo do que as pessoas têm hoje em dia em que ambos trabalham. Mas pronto, é/era a minha realidade e cada um terá a sua.

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    17. Acho mesmo muito giro a troca de experiências e opiniões que acabou por acontecer numa publicação que nem tinha nada a ver com este assunto :) Quase sinto que tenho muito pouco a acrescentar à conversa. No nosso caso, nunca me fez sentido até agora ter empregada (do ponto de vista logístico, porque sentia que não havia necessidade), mas confesso que sentimos imenso a diferença agora com um segundo filho. Se antigamente fazia três máquinas de roupa por semana (que secavam na rua ou dentro de casa, com o desumidificador ligado num dos quartos que tínhamos vazio) agora faço máquinas todos os dias (às vezes mais do que uma), já não podemos secar roupa dentro de casa porque o quarto vazio agora é o da Gabriela por isso faço uma máquina de lavar e outra de secar (e temos que guardar essa roupa toda depois), uma máquina de lavar louça por dia (antigamente fazíamos dia sim dia não), mais andar sempre a arrumar coisas e cozinhar, com a privação de sono em cima. Noto mesmo muito a diferença. Mas lá está, sinceramente também não me imagino a fazer alguma coisa em relação a isso. Pago 100€ por mês à minha empregada (que vem cá uma tarde por semana), se duplicássemos o tempo teria de pagar o dobro e sinceramente custa-me um bocado. Depois também penso que não haveria muito para ela fazer, porque também não a ia pôr a cozinhar (sei lá, não me sinto muito confortável com a ideia), a casa não se suja assim tanto (desarruma-se mais do que o que se suja) e por aí fora. Ou seja, eu tinha na boa trabalho para alguém fazer a tempo inteiro, mas não em duas tardes :) E daí talvez não, quando a Gabriela nasceu a minha mãe e a minha avó ficaram cá uns dias e até as enervava não terem nada para fazer porque eu andava sempre a fazer tudo, eu até gosto de fazer tarefas domésticas (ou então é só uma dificuldade em delegar, não sei).

      Concluindo: a mim não me faz sentido ter uma empregada mais tempo, mas reconheço que poupa tempo em muitas coisas, principalmente para quem tem filhos :)

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  4. Eu não disse que a tua experiência era menos válida. Vês as coisas desse modo porque é a visão que tens conforme a vida que levas e a que levaste na tua infância. É válido, claro. O que não deves é generalizar e dizer que só porque tu passas mais tempo com os teus menino do que os teus pais puderam passar contigo, é o que acontece com toda a gente hoje em dia. Não é. E claro que tendo 8 filhos não lhes dão muita atenção, mas se estiveres fora de casa das 7 às 19 e os miúdos se deitarem às 21... tb não tens tempo para lhes dar muita atenção, por muito que queiras.

    Eu fiquei em casa com a minha mãe até aos 3 anos :) e não foi porque tirou licença alguma, foi porque não trabalhava. E em relação a ficar sozinhos desde muito cedo nas férias, comigo não acontecia, vês... todos tivemos experiências diferentes.

    Quanto a ser impensável antigamente tirar um ano de licença, era... mas o que estou a tentar salientar é que para muitos pais isso É completamente impossível hoje em dia.

    E isto "Na gravidez do meu irmão foi despedida, algo que actualmente supostamente não acontece (ou não devia acontecer)." Joaninha... vá. Não és assim tão ingénua, pois não? Eu fui despedida quando tive a minha filha :) e na fábrica onde estava foram várias pelo mesmo motivo! E o que não falta são N casos desses a acontecer todos os dias. Não podes sinceramente acreditar que isso não acontece com frequência.

    Reconheço que hoje em dia há mais informação e preocupação no geral com os miúdos, acho que a questão aqui não é essa. É apenas a impossibilidade de passar tempo de qualidade com eles, por motivos alheios aos pais...

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    1. Bem, eu enquanto trabalhava chegava a casa às 18h e o Matias deita-se às 20h e eu dava-lhe imensa atenção porque literalmente as duas horas que tínhamos eram passadas em família, a fazer as coisas do dia-a-dia sim (banhos e jantar) mas também a brincar aos lobos, a fazer puzzles, a ler histórias, a cantar e a conversar. Óbvio que gostava de lhe dar mais tempo, mas sentia sinceramente que o que dava era bom porque era 100% dedicado a ele. E deitá-lo cedo (para além dos benefícios que tem para ele obviamente) também me permitia ter depois tempo para as minhas coisas e para a gestão normal da casa. Agora obviamente que isso não é possível com toda a gente, tenho vários pais da consulta que chegam a casa às 20h ou 21h e aí sim, é difícil passar tempo de qualidade com os miúdos durante a semana. Mesmo nós cá em casa temos dias em que não vemos o Matias, nomeadamente quando estamos de urgência (e o Pedro tem horário até às 20h em dois dias da semana, por isso efectivamente nesses dias não vê de todo o Matias). Mas aqui não é uma questão de tempo mais uma vez, é uma questão de qualidade. Sinto que a qualidade do tempo que passamos com os nossos filhos é cada vez melhor porque estamos cada vez mais atentos às necessidades individuais deles, quer do ponto de vista físico quer do ponto de vista emocional.

      Mesmo em relação à entrada na pré-primária, hoje em dia isso não acontece tanto e não é só porque as pessoas trabalham: é também porque cada vez temos mais noção que a entrada na creche traz efectivamente benefícios do ponto de vista da socialização e do desenvolvimento! Se isso acontece a partir dos quatro meses? Não. Se isso acontecia quando andávamos todos a reboque dos irmãos mais velhos e dos primos pela rua? Claramente. Mas hoje a vida é diferente. Nas consultas aconselhamos muitas vezes os miúdos que estão em casa a entrarem na creche, por variadíssimas razões. A creche não é o demo, e entrar na pré aos três ou quatro não é tão vantajoso assim. Mais uma vez, obviamente que o ideal não é gramar com 12h na creche, mas é a realidade que temos, principalmente, diria eu, nas grandes cidades, em que perdemos imenso tempo em transportes de um lado para o outro.

      E em relação a isto 'Na gravidez do meu irmão foi despedida, algo que actualmente supostamente não acontece (ou não devia acontecer)', por isso é que estão aí o supostamente e o não devia acontecer, não sei onde é que há espaço para achar que estou a ser ingénua. Supostamente não acontece, é um facto, é ilegal. Não devia acontecer, é um facto. Mas acontece, embora não devesse. Connosco (médicos) não acontece porque temos um contrato com o Estado, mas há imensas pressões para as pessoas não engravidarem, quer de forma indirecta quer de forma directa mesmo, dos colegas e das direcções. E foi isso que escrevi: supostamente não acontece (ou não devia acontecer).

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  5. Que comparação fantástica! Ri-me sobretudo com a maneira de espalhar a notícia da gravidez. :D E, sem querer que me leves a mal, acho que estás a dar o uso errado à palavra “eventualmente” que significa “talvez”. :) Quando escreves “O resto da gravidez do Matias foi correndo. Comecei a desmaiar todos os dias, por isso fui medicada com um beta-bloqueante e eventualmente vim para casa. ” pareces que estás a dizer que se calhar foste para casa. :D Cada vez vejo mais pessoas a usar esta palavra como se fosse “eventually” que tem um significado diferente e que nestas frases faria sentido. :)

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    1. Já há uns anos apontaram-me o mesmo (não sei se foi a mesma pessoa até!) :D É verdade, uso mal o eventualmente! Obrigada :) Vou alterar :)

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    2. Não fui eu, não. E até é daqueles erros que se percebe porque acontecem, espero que não tenhas levado a mal. :)

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    3. Não levei nada a mal, eu gosto que me corrijam! É melhor do que andar anos a escrever bróculos, como andei :P

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    4. Ainda bem. E eu também fui das que escrevia bróculos. Ainda hoje me sai assim às vezes.

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  6. Não percebo o fascínio em reportar tanta informação sobre a tua vida familiar.

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    1. Bem, se é um blog sobre a minha vida, diria que é normal eu gostar de falar sobre a minha vida nele. Não percebo é o fascínio em ler sobre a minha vida familiar, mas aparentemente há muita gente que gosta :)

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    2. Ahhh! Gente chata, chiça. 😅

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    3. Eu gosto. E muito. Continua, Joana! Adoramos-te exatamente como és.
      Maria Miguel.

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  7. Adorei o post de comparação :)
    Uma curiosidade, porque será que os bebés com apenas um mês passaram a dormir melhor estando sozinhos?
    Que a mãe durma melhor percebo, não acorda com todos os pequenos sons do bebé...mas o bebé não sei...
    Beijinhos Joana! Parabéns pelo blog divertido e pelos filhos lindos :)

    Rita

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    1. Bem, o Matias é fácil porque sempre dormiu mal com pessoas no quarto. Quando fomos de férias com ele para Santorini (tinha ele um ano) ficámos numa casa com dois quartos (um para mim e para ele e outro para a minha mãe e a minha avó), e passado duas noites ele ficou sozinho no quarto dele e nós passámos a dormir as três juntas :P Ele sempre foi assim, se sente alguém com ele dorme muito pior, acorda imensas vezes, acorda super cedo depois, um drama.

      Já a Gabriela não notava tanto isso, mas notava que ela estando lá nós acordávamos mais vezes com os barulhinhos dela, achávamos que eram fome e dávamos biberão. Agora não acordamos tantas vezes e ela também não :)

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