19 de setembro de 2019

Pregnancy Diary #44

Na Segunda-feira tinha uma consulta de Cardiologia marcada às 9h. Entrei às 11h. Cheguei a casa às 12h. Na Terça-feira tinha uma consulta de aconselhamento pré-natal de amamentação marcada às 11h. Estive duas horas na consulta com a Patrícia. Cheguei a casa às 13h. Ontem tinha aula de yoga para grávidas às 13h. Geralmente chego a casa às 15h. Na próxima semana tenho ecografia, consulta de babywearing, análises e dentista (é importante ir ao dentista na gravidez, não se esqueçam!). Na semana seguinte tenho obstetra, consulta no centro de saúde e massagem de drenagem linfática. Pelo meio ainda tenho a fisioterapia e devia ir visitar a maternidade.

Para algo que supostamente não é doença, podem crer que a gravidez envolve passar imenso tempo em consultas.

Na Segunda-feira comentei precisamente isso no Instagram: não sei como é que as grávidas que ainda trabalham conseguem manter este ritmo. Eu pareço uma grávida a tempo inteiro, e entre as voltinhas do dia-a-dia, o Matias e as consultas não sobra propriamente grande tempo para ver filmes no Netflix ou ler livros (que era o que eu fantasiava que ia fazer em casa).

Recebi imensas respostas totalmente opostas: enquanto algumas pessoas focam que de facto há muitas consultas e que no geral a entidade patronal não vê de todo com bons olhos a necessidade de ausências constantes (e quando a gravidez se segue a tratamentos de fertilidade então, nem se fala!), outras referem que numa gravidez normal basta à malta ser seguida em consultas mensais no centro de saúde.

E é óbvio que basta. Tal como para viver também nos basta respirar, comer e beber água. E não é por isso que não nos apaixonamos, não viajamos, não lemos livros ou ouvimos músicas.

Começo a achar que estar grávida é quase um trabalho a tempo inteiro, e acho que algo devia mudar para que isso não nos prejudique a nível profissional. Mas o quê? Do ponto de vista do empregador, percebo perfeitamente que deva ser uma chatice ter um funcionário que está sempre em consultas ou a não vir porque o filho está doente. Mas do outro lado estamos nós, exaustas, a achar que ir a uma consulta de babywearing é um luxo e a marcar consultas de obstetrícia para as dez da noite.

(Quando fiz o ecocardiograma fetal tinha marcação para as 20.30h e a sala de espera estava cheia de grávidas! Fui atendida às 22h e a sala continuava cheia de grávidas!).

Não tenho grandes sugestões. Mas tenho uma certeza: estar grávida não é assim tão simples como ir a uma consulta de dois em dois meses. A não ser que queiram só sobreviver à gravidez, e não vivê-la.

61 comentários:

  1. Mesmo quem é apenas seguida mais espaçadamente no centro de saúde, tem que fazer as análises e os exames. Claro que se quiseres ir a um obstetra, consultas de babywearing, yoga para grávidas, massagens, etc. etc., vais perder muito mais tempo. Mas assim no geral, isso são consideradas paneleirices :P e nem toda a gente se pode dar ao luxo de andar sempre a faltar ao trabalho para tudo isso. Desta última gravidez, só trabalhei o primeiro trimestre, onde fui apenas seguida no centro de saúde. Quando vim de baixa, à 14ª semana, comecei a ser seguida por uma obstetra por opção. Optei por usufruir da baixa e de fazer tudo o que achava necessário pela minha gravidez. E sabes como acabou? Não me renovaram o contrato :) a entidade patronal está-se cagando para a tua gravidez/necessidade de consultas/vida familiar.

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    1. Mas aí é que está, não acho nada justo que sejam consideradas 'paneleirices'. Não são imprescindíveis, mas são importantes. Os putos nascem na mesma, mas se calhar a minha existência fica mais tolerável se não tiver as pernas do tamanho de presuntos :P

      E eu sei que a entidade patronal não quer saber. Eu trabalho para o Estado e mesmo assim sinto isso :P Já passei por tudo: críticas por vir para casa na gravidez, críticas porque fico em casa com o Matias quando ele está doente e desmarco consultas... Pois, é a vida. E ninguém me pode despedir, por isso imagino o que fariam se pudessem. Por um lado percebo, o objectivo dos chefes é fazerem-nos produzir o máximo possível, mas por outro também não vou deixar a vida familiar em segundo plano.

      Lembro-me que um dia tive com um chefe meu a seguinte conversa:

      Chefe: Sim, é notório que para a Joana a primeira prioridade é a família.
      Eu: Não, isso implicaria que a segunda prioridade podia ser o trabalho. Mas não é. É a família novamente. E a terceira, e a quarta, para aí até à décima.

      Moral da história: nunca fui uma personagem lá muito apreciada nos sítios onde trabalho. Sou boa colega, sou fixe, sou preocupada com os meus miúdos, mas às 17.30h pico o ponto e venho para casa felicíssima da vida. E vivo muito bem com isto, nunca quis ser uma profissional xpto. Mas também posso dar-me a esse luxo... Porque ninguém me despede. Se tivesse esta postura num emprego 'normal', ou apanhava um chefe muito especial ou estava lixada :/

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  2. Olá. Deparo - me agora com uma situação semelhante, não por Gravidez mas porque optei por pedir redução de horário para meio tempo. E se no início foi bem aceite pela entidade patronal, pouco. Depois veio a revelar - se q afinal não seria uma situação tão bem aceite assim. Pois bem, é um direito q está previsto no Código do Trabalho e também não me Podem despedir por isso. É a minha família e tempo de qualidade com os meus tb surge em 1o lugar.

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    1. Eu cheguei a ir aos recursos humanos informar-me sobre a redução de horário e a senhora ficou super confusa, porque pelos vistos no meu hospital nunca houve nenhum interno a pedir redução de horário. Não se faz, simplesmente. Nunca ninguém fez. Seria algo muito estranho e mal visto. Acabei por não fazer nada porque entretanto também comecei os estágios e para ser honesta fiquei menos deprimida com a minha vida profissional (isto aconteceu numa fase em particular em que eu inclusivamente ponderei mudar de especialidade) e pronto, não cheguei a fazer nada. Mas há uma pressão enorme para os internos trabalharem 40/50/60h por semana, independentemente de terem dez filhos em casa :/

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  3. Fiz tratamentos (3 IIU com estimulação hormonal) e uma gravidez sem um segundo filho.
    Em relação aos tratamentos tirei 3 dias para as inseminações, não por precisar mas porque o Ricardo também tinha esse dia de folga e aproveitávamos para ir dar uma volta, de bicicleta, almoçar fora, namorar. As ecos demoravam 10minutos e eram umas 3/4 por ciclo e o hospital é ao lado do trabalho (super sortuda é verdade) por isso nunca demorei mais de 20minutos a ir e voltar e frequentemente fazia antes do trabalho pelas 7h e pouco.
    Na Gravidez não há análises sanguíneas para confirmar o facto, se quiseres faz um teste, há 2 ecos (10/12 semanas e 20 semanas a morfológica) se tudo estiver normal, sendo fruto de um tratamento há uma eco mais cedo (7 semanas). Consultas com a parteira começam pelas 9 semanas, fazem testes sanguíneos umas 2 ou 3 vezes se tudo for normal, consultas com a parteira a cada mês e bastante rápidas, mais para o fim da gravidez (a partir das 30 semanas) começam a espaçar-se menos e fala-se do plano de parto. Nunca fiquei mais de 10/15 minutos numa consulta excepto a do plano e algumas consultas extra por outras questões. Houve consultas que nem 5 minutos demoraram (está tudo bem, ouvir batimento cardíaco, medir tensão e ala).
    Na Holanda vais para casa obrigatoriamente, pelo menos, 4 semanas antes da data prevista para o parto (podem ser 6 mas deduzem essas 2 semanas extra das semanas do pós-parto) e olha fui para o trabalho de bicicleta sempre!
    Não há prioridades nem bom senso em filas ahahah

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    1. Eu fico sempre imenso tempo nas consultas. No centro de saúde vou à enfermeira e à médica, devo demorar sempre umas duas horas (ir, esperar, ser atendida). As ecos também demoram uma hora, as consultas de obstetrícia também. O meu hospital fica a uns vinte minutos de carro destes sítios, mas facilmente demoro uma hora de manhã ou ao fim da tarde 🤷🏻‍♀️

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  4. Não sei o que é estar grávida, mas sei o que é a pressão da entidade patronal para trabalharmos mais do que devíamos...

    Há um ano por esta altura estive de baixa, depois de uma cirurgia, e fui criticada por não me ter oferecido para ficar a trabalhar a partir de casa (consigo fazer 90% do meu trabalho desde que tenha acesso a internet e um computador). Eu até o podia fazer, se trabalhasse numa empresa onde o meu trabalho fosse respeitado e reconhecido... Quando a empresa não faz a extra-mile pelos colaboradores, porque é que os colaboradores hão-de fazer a extra-mile pela empresa?...

    É triste, mas em Portugal ainda estamos a anos-luz de políticas de recursos humanos mais humanas, que valorizem o bem-estar das pessoas, o seu equilíbrio, a sua vida pessoal. Não pode haver colaboradores motivados enquanto não forem respeitados!...

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    1. Pois, percebo isso. E depois é um ciclo vicioso em que ninguém se sente motivado ☹️

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  5. Acho que há aqui um bocadinho de falta de vontade de ambas as partes. De um modo geral as entidades patronais são pouco flexíveis mas tb me parece que as pessoas, quando podem, abusam um pouco. Isto, para mim, é, em parte, resultado de um país cujos últimos 40 anos foram feitos á sombra do discurso da luta de classes, pintando o patrão como o nojento capitalista papão e o trabalhador como o pobre explorado. Estas duas entidades estão, neste sistema, sempre em luta entre si e nunca conseguem cooperar para o bem comum. Do meu ponto de vista, como em tudo, há de tudo. E se há patrões que exploram, tb há trabalhadores que se aproveitam. Pq sim, o argumento da familia ser prioridade é válido mas o empregador tb pode optar por ter na equipa pessoas que queiram crescer, evoluir profissionalmente e não simplesmente "despachar" serviço. Tudo depende da carreira em que se está.
    Na minha área (tecnológica) é muito complicado uma pessoa ausentar-se por um período de 1 ano ou 2. Claro que a pessoa o pode fazer, mas tem que ter consciência que isso vai ter um impacto na sua carreira e na empresa. Não se coloca o mundo em pausa pq se vai ter um bebé :-) Se eu engravidasse agora ia ser um problema para o meu empregador e eu tenho que ter consciência disso. Recusar essa noção e dizer "isso é um problema que ele tem que resolver" é alimentar a ideia de nós contra eles (que é tão ultrapassada que dá dó). Isto não quer dizer que eu deva optar por não engravidar por causa disso! Tenho é que ter noção que essa opção vai ter um impacto, que pode, no limite, resultar na minha não continuidade. Imaginem que para me substituir contratam uma pessoa muito melhor que eu? Ou que essa pessoa é igualmente boa mas não pretende dedicar-se à família e tem ambições profissionais superiores? Faz sentido a empresa manter-me? Direi que cada caso é um caso mas esperarmos que um colega que se esforça, dedica, produz mais do que eu, ganhe o mesmo que eu e progrida na carreira como eu, é, ou deveria ser, irreal (infelizmente na maior parte dos casos as pessoas tendem a pensar que isso é um direito).
    Relativamente ao estado, e Joana não me leves a mal, mas um dos grandes problemas é exactamente essa impossibilidade de despedimento. Há muita gente encostada a essa impossibilidade e eu, confesso, faltam-me estudos para a compreender :-)
    Para terminar, sei que a minha opinião é controversa mas acredito mesmo que se em vez de nos colocarmos de fora do problema o tentássemos solucionar em conjunto com os nossos empregadores todas estas questões seriam muito mais simples. Um trabalhador motivado é uma mais valia preciosa para qq empresa e qq empregador com 2 dedos de testa não o quererá perder ;-)

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    1. Não levo nada a mal, também acho que devia ser bem mais fácil despedir funcionários do Estado. Todos os médicos conhecem casos de pessoas incompetentes que às vezes roçam o criminoso e que continuam alegremente com os seus trabalhos 🤷🏻‍♀️

      Eu acho que parte do problema é o que consideramos produtividade. Sou um exemplo: no meu Serviço fazemos todos a mesma quantidade de primeiras consultas por semana - duas. Ora, se o meu horário é das 9h às 17.30h, o meu objectivo é ver as consultas nesse espaço. Se começo a ter miúdos a mais para esse espaço, preciso de dar altas. Por isso adaptei-me e arranjei outras estratégias: apoios na comunidade, intervenção junto dos pais, por aí. No fim faço a mesma quantidade de primeiras, mas estou no meu Serviço menos horas do que alguns dos meus colegas. Sou igualmente produtiva e até sou mais eficaz a dar altas (e pelo menos até agora os miúdos no geral não voltaram). Mas como estou no trabalho menos horas, fica subentendido que sou menos esforçada ou menos produtiva, quando no fundo até posso estar a ser mais eficaz 🙂 Mas ainda temos muito o espírito de estar muitas horas no trabalho a fazer que fazemos, a ir tomar cafézinhos, a ler as noticias na net... 🙂

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    2. Era dou um exemplo, não sou um exemplo 🤪 Não sou exemplo para ninguém 😇

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    3. Olha, eu por acaso acho que és um exemplo. A nossa prioridade devia ser a família, sim. E, se calhar, havia menos miúdos em consultas de pedo. E um trabalhador pode ser produtivo sem fazer horas a mais, nós em Portugal é que temos esta mania estúpida de ter horas de almoço longas e pausas para tudo e mais alguma coisa. No norte da Europa entram mais cedo, saem mais cedo, têm tempo para a família e amigos e são mais produtivos do que nós. E esta, hein? E a natalidade é uma mais valia para o país. Pode não ser para os empregadores no imediato, mas é para o país e para o futuro.
      Ah, e o facto de teres encontrado formas de dar apoio na comunidade para mim é brilhante e devia ser valorizada.

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    4. Eu faço questão de cumprir o meu horário, entro às 9h e saio às 17h30, faço apenas 1h de almoço e porque somos obrigados a tal e no tempo que lá estou faço por estar focada no que tenho a fazer e despachar o máximo de trabalho possível. Tenho colegas que entram às 10h e saem às 20h, fazem 2h de almoço e no meio disto andam de gabinete em gabinete com conversa de chacha, estão sempre a ir ao bar ou à copa, tratam de chamadas pessoais no trabalho, etc e depois espantam-se de eu "sair cedo". Eu não alimento esses hábitos não por ser anti social, mas porque o tempo que eu perder ali é tempo roubado à minha família, por isso tenho todo o interesse em simplesmente fazer o meu trabalho, poder ter uma conversa ou outra e não ser uma eremita, mas não estou ali para conviver ou dar a aparência de que passo muitas horas a trabalhar para impressionar no chefe.

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    5. Eu frequentemente nem faço hora de almoço e acho uma totózice sermos obrigados a tê-la. De resto, concordo com tudo o que foi dito :)

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  6. Entendo perfeitamente o que queres dizer! Vivo em França. Aqui a licença de maternidade é de 6 semanas antes da data prevista do parto + 10 pós data prevista do parto. Sendo que podes passar 3 semanas pré-parto para o pós parto. Foi o que eu fiz. Trabalhei até à semana 38. Só tive uma semana em casa onde tinha montes de assuntos pendentes a tratar. O meu filho nasceu na semana seguinte. Não terminei tudo o que queria (como finalizar decoração do quarto dele, fazer uma limpeza profunda à casa, etc), etc No início da minha gravidez casei-me, fui de lua de mel. Voltámos, procurámos casa. Mudamos para uma casa não mobilada ao 5o mês de gravidez(tivemos de comprar todos os móveis... Carrega-los, monta-los)... Foi uma canseira. Comprar o enxoval do M. Etc. Conclusão: a minha gravidez passou a voar. Sinto exactamente isso. Eu não sei o que é viver a gravidez em plenitude. Vivi em stress com o trabalho até ao final da gravidez. Eu não conhecia os direitos todos das grávidas cá e não me foram informados pela entidade patronal. O meu trabalho é bastante físico. A partir do segundo trimestre as grávidas têm direito a uma redução de 1h de trabalho. Pedi essa hora quase a chegar ao 8o mês de gravidez! Nunca me responderam ! Quando os questionei mais tarde, disseram que teriam perdido a carta!!! Teria direito à manhã/tarde das 3 ecografias obrigatórias. Eu dizia claramente à minha entidade patronal que ia fazer as ecografias naqueles dias. Sabia que tinha direito a esses momentos. E sempre me foram colocados como dias de férias. Trabalho no público! O meu marido trabalha no privado e ele tinha direito a essa manhã para acompanhamento (e nunca lhe colocaram como dia de férias . Eu fui as 3 ecografias na maternidade com um ginecologista, que não dava para fazer em horário pós-laboral porque eles não faziam ecografias até esse horário. Uma vez por mês ia a uma consulta com uma sage-femme. Marquei sempre para um horário depois do horário de trabalho,ao final do dia. Uma vez por mês tirava análises (fiz sempre ao sábado de manhã ,porque não trabalho ao fim de semana). No último trimestre tive as aulas de preparação para o parto uma vez por semana (se bem me lembro foram 8 aulas .. mas já não me recordo bem do número exato). Também as marquei sempre para o final do dia, após o trabalho. Confesso que quando leio textos de grávidas que vivem a gravidez em plenitude fico com saudades de algo que nunca tive. Mas também sei que senti alguma culpa quando voltei ao trabalho a 50% aos 4 meses do M durante 6 meses. E depois mais 6meses a 80%. Sentia que não era bem visto.. Mas estes momentos só são vividos uma vez na vida. A nossa família é o mais importante que temos. E o meu retorno ao trabalho até foi muito precoce (eu não estava ainda preparada para me separar do M. ).
    Se um dia voltar a passar por uma gravidez gostava de ter coragem para parar de trabalhar mais cedo (e com certeza que vou usufruir pelo menos das 6 semanas antes da data prevista do parto)! Mas gostava de ter coragem para ainda parar mais cedo e poder viver só a gravidez! Mas sei que a culpa ficará lá. Quando anunciei a minha gravidez no trabalho, a resposta foi "parabéns. Tente trabalhar o máximo de tempo que conseguir"! Portanto, não pensem que é só em Portugal! Acho que depende muito da boa vontade e da sensibilidade da entidade patronal.

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    1. Eu já achei no Matias e agora ainda tenho mais certezas: a paragem do trabalho para pensar a gravidez é do melhor que há. Até porque não é só comprar coisas e ir a consultas, também é focares-te em ti, dedicares-te a preparar as coisas com calma, estar tranquila, investir aquele bebé... Descansar!

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  7. Apetece-me aplaudir este texto mas são 00:44 e era só estranho!
    Infelizmente, na sociedade em que vivemos, a gravidez é vista como algo banal que não requer grande preparação (não falo de berços e roupinhas a condizer, mas de preparação física e mental). No hospital onde sou seguida atualmente existem as aulas de preparação para parto, as aulas de parentalidade e ainda preparação em meio aquático (8 aulas de cada). Quem quiser seguir todas as aulas tem pelo menos 3 dias preenchidos com coisas de grávida, fora tudo o resto como consultas, análises, ecografias etc! Já nem vou falar das gravidezes de risco com consultas noutras especialidades e mais uma catrefada de exames. Em nenhuma das mhas gravidezes trabalhei (na primeira fiquei de baixa logo às 8s e desta vez já estava em casa com o meu filho a tempo inteiro), e dou por mim a pensar como será estar grávida e trabalhar num full time. Deve ser uma chatice estar sempre a levar com o olhar reprovador da entidade patronal. Nem todos serão assim, mas acredito que muitos são e isso é muito mau para quem tenta viver uma gravidez na sua plenitude. Nem vou falar do tempo de licença de maternidade e paternidade que isso, então, acho uma aberração!

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    1. E também estamos mal informados em relação a isso. Em princípio vamos estar com a Gabriela um ano em casa, e toda a gente pergunta como é possível e fica surpreendida quando digo que está previsto na lei podermos estar doze meses em casa. Não será fácil para todos receber um quarto do salário, mas acho que no geral compensa bastante (se estivermos a falar da logística familiar, claro que do ponto de vista profissional o melhor é estar ausente o mínimo de tempo possível). Mas concordo plenamente contigo, também me questiono como conseguem as outras pessoas - provavelmente indo a menos consultas, lá está.

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  8. Aqui na República Checa temos 4 horas para irmos ao médico. Estas 4 podem ser usadas para nós ou para acompanhar-mos os nossos filhos e não tem limite mensal, ou seja, é para ser usado sempre que necessário. Vamos, o médico assina o comprovativo e entregamos nos recursos humanos, simples e fácil.
    Quanto à licença de maternidade pode ser no máximo até 3 anos e quando regressarmos temos direito à nossa posição no local de trabalho. Aqui não é super normal esta rotação é muito benéfica para a economia do país e para as famílias. Há um respeito enorme por quem tem filhos, nada mais normal do que as pessoas saírem cedo para irem buscar os seus filhos. Nada de ficarem na escola até tarde, no máximo as 4h as escolas já estão vazias. É sem dúvida um país que valoriza a família e respeita imenso os nossos direitos enquanto trabalhadores. ☺️

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    1. 😂 Serias muito bem vinda! Aproveito para dizer que adooooro o teu blogue e já o sigo há anos e é sem dúvida dos blogues que mais me gozo dá seguir. Sabes porquê? Por que é feito com muita honestidade e sem filtros. Agora como também estou grávida e já passaram 10 anos desde que fui mãe pela primeira vez, o teu blogue ajuda-me atualizar. 😅
      Beijo grande e continua como és! ❤️

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    2. Obrigada Ângela :D Olha o meu irmão também é dez anos mais novo do que eu, é sem dúvida uma aventura :D Boa sorte para a gravidez :D

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  9. Na empresa onde trabalho (produção de calçado) quando as mulheres decidem amamentar os filhos só o podem fazer em horas determinadas pelo patrão (10h-11h e 16h-17h) e essas duas horas diárias são descontadas do subsídio de alimentação. Como o subsídio de alimentação não é obrigatório essa medida não é ilegal mas é no mínimo imoral. Num salário médio 650€ com o subsídio de alimentação incluído, creches a partir de 120€ muitas são as mulheres que se vêm forçadas a secar o leite, pois financeiramente é difícil. Nessa hora têm de se deslocar à creche dos filhos e voltar à fábrica, se tiverem sorte por vezes estão com o filho 20minutos. Ah e não conheço nenhuma empresa que não desconta as horas em que temos de faltar para consultas.

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    1. Sinceramente eu preferia ficar em casa. Nós pagamos praticamente 600€ de creche, o Matias se tudo correr bem vai entrar para o público (este ano não entrou ainda, como só ainda tem os três anos é quase impossível) mas a irmã vai entrar, se eu ganhasse 600€ sinceramente não trabalhava e despachava os miúdos todos de uma vez. Mesmo com o nosso salário (eu ganho 1400€, o Pedro um bocado mais) achamos que compensa ficarmos os seis meses em casa a ganharmos 25% do salário... Não é nada fácil :/

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    2. O problema é que a maioria dos salários de uma fábrica de calçado não ultrapassa os 800€! Um casal não se governa com isso, se tiverem filhos é praticamente impossível que um dos pais possa ficar em casa...

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    3. Pois, eu imagino... Sinceramente desde que tivemos o Matias questionamo-nos imensas vezes como é que as outras pessoas conseguem. Nós ganhamos relativamente bem e não pagamos a casa, e mesmo assim desde que o Matias nasceu não é de todo uma gestão fácil (e à excepção das viagens nós até somos bastante poupados). Não sei como seria ganhar o salário mínimo e ter um filho ou dois :(

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    4. Se ganhasse 600€ e o marido outros 600€ explique la como se sustentavam supomos 2 filhos so com os 600€ do marido? E no vosso caso nao pagam casa ao contrario da maioria das pessoas q têm renda ou emprestimo. E por ultimo uma coisa é fazer isto por um 1 ano ou ate 2 qd se tem bons salarios e se tem poupanças anteriores q da para usar nesse periodo. Outra coisa sao pessoas com salarios de 600€ que mal da p viver quanto mais para poupar...

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    5. Bem, eu digo em cima especificamente que não faço ideia como é que as pessoas conseguem. Estamos a dizer a mesma coisa, mas um de nós de forma significativamente mais agressiva :P

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    6. No comentario das 15:30 ao qual eu estava a responder ( o outro ainda nao estava publicado quando eu escrevi) refere que:

      “ se eu ganhasse 600€ sinceramente não trabalhava e despachava os miúdos todos de uma vez. ”

      Daí a minha pergunta. Nao pretendi ser agressiva, so fiquei chocada com o comentario.

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    7. Porque pago 600€ de creche. Se ganhasse 600€, ficava com eles em casa. No meu caso, era o que me faria sentido :) Depois entrariam no jardim de infância público e pronto, eu podia voltar a trabalhar.

      (Na minha zona as creches são caras e a mais barata que vimos custava 380€, por isso não é uma diferença assim tão grande. Muito sinceramente, no nosso caso, se ganhasse 600€ e pagássemos 380€ de escola possivelmente também ficava com os meus filhos em casa até eles ingressarem no público.)

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    8. Digo isso em dois sítios diferentes do comentário, que se EU ganhasse 600 euros ficava em casa. Mas essa é a minha realidade. Tenho uma casa que não pago, temos dois carros que só nos dão as chatices habituais dos carros normais e que já não estamos a pagar, tirando as coisas normais da vida não temos propriamente grandes despesas e quando temos imprevistos temos dinheiro para eles (felizmente também nunca tivemos imprevistos complicados). Não estou a ser mete nojo, genuinamente não sei como é que amigos nossos conseguem pagar 1000€ de renda, 500€ de creche e o resto das coisas com salários como os nossos (que, saliento, são salários relativamente bons).

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    9. A ver se eu percebo: pagam 600€ de creche por um filho e a mais barata aí custa 380€? Nao ha ipss nessa zona, nenhuma? Nas ipss paga-se consoante o salario, ou seja quem ganha 600€ nao deve pagar mais de 150€ de creche.

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    10. A que custa 380€ é a IPSS :P Entretanto abriu outra, mas o Matias já estava nesta. Não sei quais são os tectos honestamente, mas mesmo que eu ganhasse 600€ o salário do Pedro também entrava para a equação e aí possivelmente no nosso caso continuaria a fazer pouco sentido ter o miúdo na creche pela mesma razão. Mas esta é a minha realidade, lá está, há muitas outras realidades diferentes. Acho que não faz muito sentido estar a discutir a realidade individual de cada um, porque eu farei sempre algo diferente do que a vizinha do lado que ganha mais ou menos do que eu.

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    11. Joana, eu estava so a querer explicar que o exemplo que das nao faz sentido. Se ganhasses 600€ e o teu marido 1500€ claro que podia fazer sentido ficares em casa mas a creche seria sempre mais barata pois faz-se a media dos dois salarios, se ganhares 600€ e ele tb 600€ nao faz sentido porque o valor da creche seria mt mais baixo. Ou seja o exemplo de ganhares 600€ e pagares 600€ de creche é q é irrealista. E claro q cada um faz o que quer, tds temos ideias diferentes. So me faz confusao estarmos a debater cenarios matematicamente que nao sao correctos, mas isso deve ser defeito de profissao ;-)

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    12. Eu sei, eu percebi :) A questão é que se ele ganhasse 600€ e eu 600€ e a creche custasse 150€ não sei se não ia querer ficar em casa na mesma :D Não sei mesmo, mas conhecendo-me era provável que sim. Se precisássemos mesmo do dinheiro é óbvio que não, mas lá está, não consigo colocar-me nessa posição porque já ganhei 500€ mas numa fase anterior (na faculdade) e quando começámos a trabalhar começaram logo a cair 2000€ cá em casa entre os dois. Eu sei que sou muito privilegiada, mas não posso fazer de conta que há cá em casa uma realidade que não há :) Mas sei que se não fosse médica e não tivesse esta questão de ter de acabar o internato, ia pensar seriamente em ficar em casa com a criançada e ter já três ou quatro ou cinco miúdos. Mas isso é porque sou tolinha :D

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    13. Ponto previo: comecei a ganhar 950€ liquidos, actualmente ganho 1500€ e o marido 1700€, portanto sei o que é viver relativamente bem.
      Quando cresci, por razoes familiares, tinhamos muitas dificuldades, a minha mae contava cada centimo, limitavamos as luzes acesas á noite p poupar electricidade, faziamos pao no forno a lenha com a trigo e milho que cultivavamos e a sopa era na fogueira para poupar gas, por isso tambem sei o que é viver com dificuldades.

      O que é precisar mesmo do dinheiro? Consegues sobreviver com os 600€ mas nao vais levar o teu filho de ferias, nem a restaurantes, nem a museus, nem comprar os brinquedos que ele quer, ou dar as vacinas fora do PNV, .... ou seja ate que ponto ficar em casa, tendo muito mais apoio emocional mas menos coisas materiais é melhor p ele? Qual o ponto de equilibrio?

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    14. Não tive nenhuma dessas coisas referidas na minha própria infância 🙂 Tinha dez anos da primeira vez que fui a um museu com os meus pais, treze quando viajámos pela primeira vez para longe, só recebia uma Barbie pelo Natal e nunca tive consolas nem jogos. E fui uma criança super feliz. Olhando para trás, a única coisa que me deixava menos feliz era sentir que os meus pais trabalhavam imenso, mas sabia que as coisas eram assim mesmo. Já os meus pais culpabilizavam-se imenso, e ainda hoje sentem que não me apoiaram nada na minha infância porque estavam sempre a trabalhar. É óbvio que gosto de proporcionar experiências boas ao meu filho (e tê-las!), mas também não sinto que sejam tão importantes assim. Agora é claro que eu digo isso precisamente porque consigo dar todas estas coisas ao meu filho, não sei o que é fazer contas para poder oferecer-lhe brinquedos, ele frequenta todas as actividades da creche porque achamos giro (inglês, teatro, agora vai passar a ter música) e para nós o dinheiro nem é uma questão. Se fosse talvez me sentisse culpada, não sei mesmo.

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    15. Concordo contigo Joana. K único problema (grande) que prevejo seria depois a reinserção no mercado de trabalho. Trabalhos onde se ganha o ordenado minimo, a seguir aos 30 anos já fica bem complicado começar, e tentar explicar onde se andou 6 anos (por exemplo), seria complicado e, creio, mal visto.

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    16. Ana, e trabalhos onde se ganha mais, com profissoes mais exigentes intelectualmente eu diria que ainda é pior, pois se esperam pessoas com ambição, que façam formação continua, novos projectos e que vão crescendo sempre profissionalmente, bla bla bla, portanto nao podem estar parados 6 anos

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    17. Joana, mas a tua infancia é diferente da infancia de hoje em dia.
      Por ex, eu nao tive telemovel em criança, so o tive aos 13 anos. hoje em dia os miudos têm muito mais cedo, portanto o teu filho iria sentir a diferença de não o ter relativamente aos colegas. Por ex eu so via os desenhos animados da RTP2, hoje em dia a maioria das pessoas tem TV paga com dezenas de canais, e se o teu filho nao ve os desenhos animados do Panda, ou do Disney Channel, vai estar desenquadrado das conversas dos colegas da escola.
      Não quero com isto dizer que temos de dar tudo o que os colegas têm, alias nas roupas de marca até sou bastante contra isso, mas acho que hoje em dia os miudos geralmente têm muito mais coisas que custam efectivamente dinheiro, e que no nosso tempo não havia (pelo menos na classe media) e por isso nem pensavamos nisso. Ou seja, não acho facil um miudo de hoje em dia ser feliz como nós fomos na decada de 80/90 sem tudo isto.

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    18. Mas os meus filhos também só vão ter telemóvel tarde :P Não aos treze (que foi quando tive), talvez aos dez (depende da maturidade deles). Nós nem sequer temos televisão em casa, embora o Matias veja o Panda e afins em casa dos avós (onde está nem uma vez por mês). Por outro lado, vê imensos filmes nos nossos portáteis. Ou seja, obrigatoriamente irão existir coisas que os nossos filhos conhecem em relação aos colegas e outras que não, e o giro é mesmo isso. Na minha consulta os miúdos não têm todos Fortnite, uns têm e outros não têm e têm de lidar com isso, tolerando a frustração ou indo jogar para casa dos amigos. E ninguém é posto de parte por causa disso, porque os miúdos percebem que se não têm é porque os pais não podem (e percebem isto desde muito cedo, e os da minha consulta por vezes nem são particularmente brilhantes).

      Por outro lado, concordo perfeitamente que os miúdos hoje em dia têm muito mais coisas que custam efectivamente dinheiro. Eu nunca tive Playstation, mas o meu irmão (nascido em 1997) já teve e nem foi só uma (e também chegou a ter aquelas portáteis). Há um ano tive uma miúda na minha consulta que se queixava de não ter TvCabo, telemóvel ou net em casa (tinha treze anos), e dizia que não sabia nada do que os amigos estavam a falar. Mas também depende do que consideramos 'necessidade básica' - ou seja, para mim ter net em casa É efectivamente uma necessidade básica, tal como a água, a luz e o gás. Ter televisão nem por isso, mas ter net é imprescindível (para mim).

      No geral, acho que os miúdos ligam muito pouco a isso até determinada idade e depois não há muito por onde fugir. Ou seja, até aos dez anos eles querem lá saber o que vestem ou que jogos tem o vizinho, desde que eles próprios tenham coisas que considerem fixes e acesso fácil à casa do vizinho. Depois é que é mais difícil, embora a maturidade também seja outra.

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    19. Respondendo aos comentários acima, eu acho que depende muito dos trabalhos. Eu nunca conseguiria ficar parada seis anos sendo médica - aliás, fiquei parada um ano quando o Matias nasceu e quando regressei não me lembrava de nada (passwords de entrada, medicamentos, critérios de diagnóstico, etc), e também havia imensa coisa diferente (assim de repente lembro-me que enquanto estive fora as receitas passaram a ser enviadas para o telemóvel, por exemplo! Nada que não conseguisse entender com o tempo, mas que custou lá isso custou :)

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  10. Eu também trabalho num sítio "seguro" (autoridade pública, contrato sem termo, mas não sou funcionária pública), por isso também faço questão de cumprir com o meu horário e usufruir dos meus direitos. No entanto, tenho sentido de responsabilidade e também faço questão de trabalhar o melhor que posso e tentar contribuir para ajudar a equipa e os meus chefes (que, ainda que sejam todos pessoas muito diferentes entre si e diferentes de mim, são bastante respeitadores destas questões da parentalidade).

    Tive uma gravidez de baixo risco e trabalhei até às 37 semanas (office job). Acho que foi bom ter mantido essa rotina e não me custou ter essa obrigação (ok, mais para o final tinha dores de costas e bastante sono/cansaço à tarde, mas era gerível). Tentei sempre marcar as consultas/exames para a hora de almoço, andava na hidroginástica no final do dia, fizemos o curso de preparação para o parto à noite... Consegui sempre fazer as coisas todas fora do horário de trabalho, salvo algum atraso que não me era imputável e nunca tive problemas. O meu marido acompanhou-me em quase todas estas coisas e também estava a trabalhar, por isso dava jeito aos dois ser tudo pós laboral. Mas também não me enchi de atividades porque queria descansar e estar em casa depois do trabalho.

    Agora estou a fazer a licença alargada, o meu marido também vai fazer a seguir e vamos ficar 1 ano com a nossa filha (tem 7 meses). No meu trabalho até me incentivaram a fazê-lo, quase toda a gente tem filhos e todos disseram aquela do "aproveita, o tempo passa tão rápido". Quando regressar, se ainda estiver a amamentar (como estou agora), vou usar a redução de horário e quando terminar queria passar para tempo parcial e passar a trabalhar só 5h por dia e seguidas (neste momento trabalho
    7h30 + sou obrigada a fazer 1h de pausa para almoço, que não preciso porque levo comida de casa e gostava de poder comer à secretária e saír 1h mais cedo) para poder ir buscar a miúda à creche cedo e passarmos tempo de qualidade juntas (e com os avós).

    Acho que devemos usufruir dos nossos direitos e pôr a nossa vida pessoal/familiar à frente do trabalho, mas se assumimos responsabilidades profissionais, temos de também "dar" um pouco a essa parte e tentar minimizar o impacto destas ausências.

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    1. Lá está, depende muito da logística de cada um. Eu não podia ter consultas à hora do almoço, porque tinha miúdos meus marcados a essa hora :) Mesmo que tivesse, não conseguia ir às consultas e voltar nesse espaço de tempo :) Também seria impraticável ter coisas ao fim do dia porque temos o Matias, ele teria que ficar com alguém (e com os esquemas de urgências não dá, nunca sabemos de certeza se temos amigos disponíveis naqueles dias). Numa primeira gravidez acho que seria possível sim, mas nesta não conseguia mesmo.

      No geral não senti problema nenhum com tirar a licença alargada, embora uma das pessoas tenha comentado que eu iria ficar fora demasiado tempo (porque com a baixa na prática vou estar fora mais de um ano). Mas não senti isso como uma crítica dirigida à maternidade, mas sim ao facto de estar simplesmente desligada do meio durante este tempo todo. Quando foi o Matias estive fora dez meses e quando voltei parecia uma burrinha, nem me lembrava das minhas passwords de acesso ao sistema no hospital :D

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    2. Eu posso fazer no máximo 2h30 de almoço, mas são horas que não são consideradas como trabalho, por isso, terei de compensar essas ausências nesse ou noutro dia. Mas se a ausência se prolongar para o horário laboral e for por motivos médicos, levo a justificação e tenho falta justificada. Mas fiz sempre por tentar que não se prolongasse, mas houve casos impossíveis, tipo o exame da glicose, mesmo tendo ido para lá às 8h aquilo demorou umas 3h! Eu privilegio em tudo fazer coisas perto de casa, porque vivo e trabalho no centro de Lisboa (a 15min a pé entre ambos os sítios) e por isso faço a minha vida toda a pé/transportes e nem pego no carro durante a semana. Esse é sempre o meu critério número 1 que apliquei para escolher onde ser seguida na gravidez, fazer exames, curso preparação parto, etc, por isso conseguia despachar-me bem de manhã/almoço/fim do dia sem demorar muito tempo. Agora já temos a bebé e continuo na hidroginástica, mas é à noite, por isso o meu marido fica com ela.

      Eu vou regressar aos 9 meses dela e também sei que vou ter esquecido isso tudo! Mas acho que o cérebro recupera rápido e vou estar integrada num instante a desejar estar em casa com ela de novo :P nem durante a gravidez, nem nos 7 meses que já passaram senti aquilo que dizem de perder memória e ficar mais desorganizada, até acho que estou cada vez melhor porque há mais coisas em que pensar e não me esqueci ainda de nada, acho que esse teste ao cérebro e mais capacidade de organização até me vão tornar melhor no lado profissional :)

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    3. Por acaso eu desde que vim para casa acho que estou muito mais concentrada! Até o Pedro nota isso. E mesmo quando foi do Matias não me senti nada estupidificada, muito pelo contrário: tinha imenso tempo para ler, para procurar informação interessante, para pensar, etc. Noto que fiquei muito mais eficaz em tudo e isso foi bom, mas no início custou-me imenso voltar as rotinas das consultas, parecia que estava tudo mal oleado 😄

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  11. Olha, nisso eu vou ter vantagem pois trabalho a recibos verdes. É só dizer "cansei!" E pronto. Não recebo mas também não gasto.
    Concordo com tudo o que disseste e alguns comentários que tiveste aqui são parte do problema, e perpetuam-no. Decidimos que queremos filhos (e temos uma vida muito difícil financeiramente), decidimos ir contra este sistema baseado no sucesso das carreiras, do dinheiro, desta treta. Não queremos nem saber: quando quisermos filhos teremos (ou pelo menos tentaremos ter!). Provavelmente depois não vou ter sítios para dar consultas, pois fui substituída. Provavelmente não terei direito a baixa durante a gravidez, nem sei qual será a minha baixa no pós parto. Provavelmente o meu noivo também será dispensado, pois tem trabalho a tempo incerto num call center. Mas a nossa vida vai ficar melhor, mais rica, tenho a certeza. Mesmo que com menos dinheiro, mesmo que continuemos a comer arroz com feijão e a suspirar por maçãs de Alcobaça enquanto compramos das outras, mais baratas.
    Até isto mudar, porque um dia mudará.

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    1. Sabes o que eu acho? Que hoje em dia não nos é tão fácil conseguir mudar. Os meus pais quando casaram alugaram uma casa e tinham lá dentro um colchão... E fim. Não tinham dinheiro literalmente para mais nada. Depois trabalharam muito e conseguiram ficar bem, e hoje em dia vivem bem. Mas se eu tivesse as profissões deles há trinta anos atrás e trabalhasse muito, não sei se conseguiria ficar tão bem como eles. Ou seja, hoje em dia acho que não basta tu trabalhares imenso para conseguires ter um emprego melhor, ou ganhar mais, ou teres mais estabilidade. Pelo menos é o que noto à minha volta. Acho que nós simplesmente adaptamo-nos a termos menos dinheiro (e com nós quero dizer a nossa geração) e menos estabilidade financeira e laboral, e a dada altura pensamos 'fuck it' e simplesmente vamos seguindo com a nossa vida na mesma :P

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    2. Ai pá tu não me digas uma coisa dessas que senão começo a ficar deprimida, e depois quem precisa de consultas sou eu :P

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    3. É o que eu acho :P Se eu trabalhar 40 horas ganho o quê? 1400 euros. Se eu trabalhar 100 horas ganho o quê? 1400 euros :P Se tu trabalhares 18h por dia (assumindo que consegues) fazes mais dinheiro, mas há sempre um tecto máximo que não se ultrapasse e muito provavelmente não será por isso que és promovida ou contratada para ficar efectiva. É o que é. A malta fala muito dos privados, mas nós já nem nos damos propriamente ao trabalho (a não ser que decidamos ir para o privado a tempo inteiro) precisamente porque a nível monetário a compensação não é assiiiiim tão brilhante. No tempo dos meus pais era diferente, se eles trabalhassem que nem escravos ganhavam melhor e eram promovidos. Agora se trabalhares que nem uma escrava só estás a fazer o que te compete, e com um bocado de sorte quando acabar o contracto és despedida e metem lá a escrava seguinte :/

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    4. Bem isso dos privados nao sei se depende da zona, tenho colegas em Vila Real que fazem horario completo no publico e depois mais 12h no privado e dizem q ganham tanto nessas 12h como o salario completo que têm do publico. Sendo q o valor do privado é pago a uma “empresa” que eles detêm para evitar descontar IRS e Seg social. Eu sinceramente se fosse medica preferia ir trabalhar so 10/20h para os privados e ficar com o resto do tempo livre ;-)

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    5. Mas isso é em Vila Real :D Tenho colegas de Lisboa que iam um dia para Vila Real, ou para o Algarve, ou para Portalegre, e limpavam na boa uns quinhentos ou mil euros. Agora não sei, acho que já não é bem assim (pelo menos para a malta mais nova). Cá em Lisboa não é de certeza. Tenho colegas que fazem privado e ganham a 2.5€ à consulta (dois euros e meio!), assumindo que uma consulta de pedo demora uma hora estamos a falar de 2.5€ por hora! Tenho colegas que ganham 5€, outros 10€, outros 20€ e não passa muito disso, a não ser que não trabalhes com seguros (e aí ganhas mais dinheiro mas no geral também recebes menos doentes).

      Aqui em Lisboa não conheço muita gente que faça privado, talvez malta que faz umas 4/5h por semana (vai uma tarde à clínica) e não há muito mais do que isso. E sim, a questão das empresas é comum, eu e o Pedro também temos uma empresa xD Somos empresários :D :D :D

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  12. Eu sou funcionária pública e estou de 23 semaninhas e apesar do apoio que tenho tido dos chefes e superiores não é fácil continuar a trabalhar. Já as colegas, têm uma memória seletiva da gravidez delas, ou tiveram todas gravidezes impecáveis que as deixaram trabalhar até horas antes do parto. O meu trabalho é mental e de contacto com o público (imenso desgaste, stress, ansiedade), e apesar de estar com contracções e ter crises de pânico, a minha médica de família considera que estou apta para trabalhar, não havendo qualquer empatia (só faz bem diz ela). Tenho consciência que se estivesse de baixa viveria a gravidez de outra forma, e invejo - no bom sentido - as gravidinhas que têm essa possibilidade . No entanto, mais tarde ou mais cedo terei de vir para casa descansar. Digo muitas vezes que as grávidas não são bem tratadas no nosso país - quer publico, quer privado. Mas enfim, que fazer?

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    1. Se eu fosse médica de família ia ser mesmo totó com baixas. Ia dar imenso prejuízo ao Estado 😄 Das minhas amigas próximas ninguém conseguiu trabalhar até ao fim, geralmente param por volta das 32 semanas porque lá está, a dada altura não dá mesmo para mais. Mas também há malta que vem logo às 8 semanas para casa, e vive a gravidez de uma forma bem mais tranquila. Quando eu tive o descolamento continuei a trabalhar, achei que o fritar a pipoca em casa sempre a pensar na possibilidade de abortar. Mas conforme a gravidez vai avançando acho mesmo importante poder ter uma vida mais tranquila e prepararmo-nos com calma para tudo 🙂

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    2. Eu fui a uma consulta no centro de saúde (estava a ser seguida no privado, mas queria ter o parto no público) às 36 semanas, falei da baixa porque já estava cansada e gostava de ir para casa umas semanas antes do parto e a médica disse que eu não tendo nenhum fator de risco a ideia era mesmo trabalhar até ao parto :P em termos médicos até pode fazer sentido, mas há a parte emocional e a vontade de ter ali um corte entre o deixar de trabalhar e o "vou ser mãe daqui a uns dias", haver um tempo para essa preparação! Depois às 37 semanas apareci lá com uma declaração da minha médica e a médica de serviço aí passou-me a baixa na boa! A miúda nasceu 3 semanas depois e tal como gostei de ter trabalhado e mantido a rotina durante a gravidez, também gostei muito de já não fazer nada nessas semanas finais :)

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    3. Eu acho mesmo importante ter essas semanas finais para preparar tudo com calma ou para ficar de papo para o ar 😄 Tipo a hibernação dos ursos 😄😄😄

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  13. Posso acrescentar apenas uma outra perspetiva? Sou mãe adotiva e as faltas que temos de dar obrigatoriamente para conhecermos o nosso filho, etapa sem a qual não podemos adotar, não me foram justificadas pela minha entidade patronal. É suposto tirarmos férias, que podemos não ter, para isso. E reparem, a lei não prevê expressamente mas tem uma cláusula aberta, "para cumprimento de obrigações legais", que é sempre negada. E até há pouco tempo, o progenitor adotivo que não estava de licença não tinha licença inicial. Ou seja, vim para casa com a criança e o meu marido foi trabalhar na manhã seguinte.

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    1. Ainda há uns tempos pensei nisto. Estávamos a ver uma série em que uma das personagens adopta uma bebé, veio para casa uns dias mas teve rapidamente que voltar ao trabalho e eu juro que pensei 'que cena horrível'. Adoptar é ainda mais complexo, porque há todo um investimento diferente para ambos (digam o que disserem, aquelas hormonas todas do pós-parto ajudam), muitas vezes com crianças mais crescidas com toda uma história para trás (e mais desafiantes de conhecer)... Não devia mesmo ser assim. Não faz qualquer sentido.

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  14. Eu só penso que estas tuas conversas no blog deveriam ir parar ao ministério da segurança social. Só para terem uma noção da vida real e fazerem medidas concretas e úteis em vez de dizerem que a taxa de natalidade é baixa em Portugal.

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    1. Mas olha que eu acho que as coisas até estão bem melhores. À minha volta não há ninguém com dois filhos mas somos novos, quem já tem um quer ir ao segundo, tenho colegas de trabalho com três, grande parte dos miúdos da minha consulta têm irmãos... Acho é que somos altamente adaptáveis :)

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