17 de setembro de 2019

Pregnancy Diary #42

Quem anda por aqui há algum tempo sabe que tive uma experiência relativamente traumatizante com a amamentação do Matias, e quando engravidei da Gabriela cheguei a pensar (e a escrever) que não ia querer amamentar.

De facto, desde o início da minha gravidez fiz um enorme percurso mental em relação a este tema. Pensei muito, analisei-me imenso, debrucei-me a fundo sobre este tema tão complexo. No fim, concluí duas coisas: não me imaginava a fazer nada de activo para não amamentar (como secar o leite), e devia ao Pedro tentar. O Pedro acha importante que eu amamente, e para mim essa é uma razão importantíssima para tentar amamentar: afinal, a filha também é dele, e lá porque as mamas são minhas não quer dizer que ele não tenha todo o direito a opinar sobre a alimentação da filha dele (o útero também é meu e se eu fumasse ou bebesse álcool ele também teria todo o direito de opinar). Já falei deste tema aqui e na altura houve imensa gente que não concordou (e malta que concordou também) e ainda deu uma discussão interessante :)

A partir do momento em que percebi que ia tentar amamentar, soube que ia precisar de ajuda. E não podia ser uma ajuda qualquer: eu ia precisar da ajuda xpto. E achei logo que ia encontrar isso na Amamentos.

Isto vai soar altamente parcial porque também trabalho na Amamentos, mas aquele sítio é absolutamente espectacular. Cruzei-me até agora com profissionais brilhantes e empáticos, de tal forma focados no bem-estar das famílias que às vezes sinto-me a burrinha menos experiente lá do sítio (mas vamos sempre tentando!). Falei com a Mariana (a minha obstetra) sobre todos estes meus receios em relação à amamentação e ela sugeriu-me a Patrícia, que é consultora internacional de lactação (IBCLC).

Hoje tive a minha primeira consulta pré-natal com a Patrícia. Durante duas horas falei sobre todo este percurso da amamentação do Matias, sobre as minhas expectativas, sobre os meus receios e sobre o que sinto que tenho de bom para dar a esta equação. Gostei imenso da Patrícia e daqui a um mês vou regressar para falarmos mais um bocado. E mal a Gabriela nasça a Patrícia vai entrar em acção, e vamos ver como correm as coisas.

Pode parecer precoce estar a escrever sobre o assunto aqui (afinal, não sei se resulta!), mas fiquei com alguma pena de não ter conversado com a Patrícia (ou com alguém da área!) sobre isto no início da gravidez, quando precisava de ajuda a pensar. Ajudar a pensar é um bocadinho o que eu faço, e fazê-lo comigo própria não é assim tão desafiante, mas ter alguém que nos ajude a pensar é sempre bem mais fácil :)

Se quiserem saber mais sobre a diferença entre uma CAM (conselheira em aleitamento materno) e uma IBCLC, é só verem aqui, aqui ou aqui.

35 comentários:

  1. As pessoas realmente estão sempre a mudar de opinião, o que é saudável. Eu fui uma das que disse logo, o corpo é meu, não há cá vontades dos maridos. Ainda bem que tomaste essa decisão. Também é verdade que se deixares de querer irás aceitar isso pacificamente.

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    1. Pois, são opiniões (e não digo isto da forma sarcástica que a malta às vezes usa para esta frase, são mesmo opiniões!). Quando disse ao Pedro que ia fazer a tatuagem ele disse que era contra porque achava feio e achava que eu ia arrepender-me, mas eu borrifei-me e fiz a tatuagem na mesma porque o corpo é meu (diga-se que agora arrependo-me, mas já está feita, também tenho arrependimentos piores por isso vivo bem com isto). Mas é um facto que nesta questão da gravidez ele tem tanto direito a opinar quanto eu (eu acho), porque é só por uma tecnicalidade genética/biológica que não é ele a ter a bebé dentro dele (quão fixe era isso?). Ou seja, cá em casa temos direito de veto. Já na educação do Matias é igual: as opções podem ser minhas, mas as consequências afectam-nos aos três.

      Também é verdade que desta vez estou preparada para o pior (ao contrário da primeira em que não estava preparada para nada) e muito menos preocupada com a possibilidade de não correr bem. Se não conseguir não consegui, adiante com a vida :)

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    2. Olá joana! Fiquei mt contente de ler este post, acompanhei na altura esta saga e também a fase em q nao ponderavas tentar desta vez, por isso: que bom, e fantástico pedires ajuda ainda na gravidez! :) tenho a certeza q vai correr bem. agora uma pergunta, porque achas que podes nao conseguir? sendo que, de facto, se não, problema nenhum. mas porque não hás-de conseguir?

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    3. Porque esta bodega parece mega difícil :P E porque claramente não tenho alma de mártir nesse aspecto. Ou seja, eu sei que se começar a ser muito difícil ou desgastante vou desistir, possivelmente ainda mais rapidamente do que da primeira vez, porque tenho outras prioridades. E foi isso mesmo que disse à Patrícia: eu preciso de ajuda para isto ser o mais fácil e intuitivo possível, preciso de alguém que me diga o que fazer e me ajude a fazê-lo bem, porque quero fazê-lo mas acima de tudo quero estar bem a fazê-lo :)

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    4. Ok, compreendo! Seres acompanhada tão do início tenho a certeza que vai fazer a diferença. Pensa que desta vez já estas um passo à frente. Se a Patricia puder ir à maternidade, aproveita. Eu tive uma história muito difícil durante uns tempos, mas bem sucedida por fim (só para não achares que estou a falar do nada!). estava muito alerta para isto, pedi ajuda quase no início (3-4 dias), mas não mesmo logo, logo, hoje em dia pediria NO dia do nascimento porque acho que tudo começou aí... Há precursos mais complicados, infelizmente. E entendo isso que queres dizer da alma de mártir ehehehe não somos todas iguais. Mas recorrer a tudo o que há de disponível para ajudar parece-me muito bem! Fico a torcer! E acho q desta vez vai correr melhor! :)

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    5. A ideia é mesmo ela lá ir no dia do nascimento, porque claramente quando foi o Matias começou logo a correr mal ali, quando mal a enfermeira olhou para a minha mama disse 'ai tem os mamilos rasos, vai ser difícil' e depois andaram ali a apertar-me os mamilos e a dizer 'não pode fazer essa cara de dor porque depois o bebé sente que está desconfortável'. Agora vou logo de ajuda atrás :P Também estou optimista, acho que vai correr melhor, não sei se vai correr bem (esperemos que sim), mas ter mais apoio vai ser fundamental :)

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  2. Concordo com o que dizes em relação ao Pedro também opinar. É filha dos dois :)

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    1. É o que eu acho. Há quem concorde, há quem não concorde, eu acho uma discussão muito gira :)

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  3. Eu concordo que ele tem o direito a opinar mas no fundo no fundo a decisão iria/irá ser sempre tua. Se tivesse sido uma experiência super traumática que não quisesses mesmo reviver também tenho a certeza que ele percebia...
    É saudável que haja respeito pela opinião do outro, afinal a miúda não foi parar ao útero por obra e graça do Espírito Santo não é verdade?
    Apesar de ter corrido bem a amamentação da minha filha, fui vista no Hospital por 2 CAM o que achei muito bom, nunca adorei! Mas se tiver outro tenciono amamentar.
    Não é nada exagerado procurar ajuda e orientação antes do parto! É mesmo importante! No meu curso tivemos 2 sessões sobre o tema e achei que ajudou imenso saber da pega e o que é normal ou não. Principalmente se não correu bem com o Matias e é um factor de preocupação é mesmo inteligente procurar ajuda antes de correr mal, para evitar que comece mal e para dar alguma confiança...

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    1. Lá está, eu não acho isso nada justo. Se eu não quisesse mesmo amamentar e ele quisesse? Aliás, e se eu quisesse muito amamentar e ele não quisesse mesmo? Vai toda a gente dizer que eu é que decido, mas eu não acho isso nada justo. Também não tenho soluções mágicas, acho que é mesmo uma questão de comunicação entre o casal.

      Eu também tinha informação antes do Matias nascer, mas informação teórica não tem nada a ver com alguém com a cara colada à tua mama a ver se o bebé está a pegar, se está a comer, se está tudo bem... É isso que eu quero :P

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    2. Não é justo decidires o que queres fazer com o teu corpo? Porque por muito que ele queira és tu que passas pelo processo!
      Mesmo que quisesses que ele amamentasse e ele também isso não é possível e nada tem que ver com justiça mas sim com biologia!
      Falam mas a questão é se um quer e o outro não mas na realidade o processo só acontece no corpo de um esse um tem um maior poder de decisão porque no fim ninguém manda no nosso corpo, na nossa saúde mental e física!

      Fazes bem! Lá está fui vista por 2 CAM no hospital e apesar de estar tudo bem deu-me uma força extra :D

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    3. Não, eu não acho justo que seja só eu a decidir o que quero fazer com o meu corpo. Se eu andasse por aí a fumar ganza, estava a decidir o que fazer com o meu corpo, mas isso afecta o nosso filho. Não estou a comparar não amamentar com fumar ganza, mas não deixa de ser injusto. Também não estou a dizer que não temos mais poder de decisão, estou a dizer que acho que isso não é justo. É uma inevitabilidade da vida, mas não tenho de achar justo por isso :)

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    4. O contrário, alguém a decidir por ti o que fazer com o teu corpo também seria injusto ;)

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    5. Verdade. É uma questão difícil 🤪 Mas continuo a achar que o meu corpo é um bocadinho menos meu quando envolve o nosso bebé 😋

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    6. concordo contigo... Quando a miúda não virou e me iam induzir porque estava em risco de pré-eclâmpsia e me deram a escolha de cesariana também perguntei ao meu marido e falámos e decidimos em conjunto :)

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  4. Se tiver de amamentar irá amamentar, fui mãe em janeiro, ia na onda de se der dá, se não der não dá, tive o meu marido presente 24 horas por dia no hospital público, e digo que isso é que foi fundamental para eu dar de mamar, eu só tinha de me preocupar em dar de mamar,o pai fazia tudo o resto, o que numa cesariana foi muito bom. O apoio do pai, e ajuda de quem realmente sabe e irá amamentar!!! Claro que é doloroso, mas é compensador!! Vai correr bem!!

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    1. Nem sempre é assim. :) Eu tive o meu marido ao meu lado o tempo todo, até dormia lá, e também ia naquela de vamos ver como corre. Mas correu mal porque ela não sabia mamar. :) Tive de dar leite de lata e nem foi por falta de apoio do hospital que bem tentavam pôr a pequena a mamar. Mas ela não sabia e mesmo no biberão demorou 3 meses a aprender. Ou seja, às vezes não basta querer. :) Mas eu tb acredito que a Joana vai conseguir desta vez. :)

      Tété

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    2. Por acaso eu não faço de todo questão de ter lá o Pedro :D Quando foi do Matias não passei nada mal sem ele, e desta vez prefiro de longe que ele fique em casa com o Matias a descansar e a dormir, pelo menos um de nós está mais capaz quando eu vier para casa :D Mas nisto acho que o facto de nós estarmos super habituados a ser 'pais solteiros' ajuda imenso: se fosse ao contrário e por alguma razão o Pedro precisasse de ficar sozinho no hospital com a bebé sei que também não o angustiaria nada :) Sinceramente, a mim preocupa-me mais tê-lo lá. No dia em que o Matias nasceu estava super preocupada porque eu dormi depois de me terem dado a epidural e o Pedro não. No dia em que o Matias foi internado mandei o Pedro para casa dormir. Pronto, sou muito preocupada com o bem-estar do meu marido xD E nem é uma coisa de 'ai sou a mãe, vou ficar aqui a ser altruísta'. É mesmo uma questão de poupança de recusos: eu estou a penar, ele está a descansar, depois trocamos :P

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    3. Exatamente como nós. Ele foi dormir a casa e a mim descansava-me saber que um dos dois estava de cabeça fresca. Durante o dia dormitava eu entre mamadas e ele tomava conta do bebé. No segundo filho, ainda mais óbvio.

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    4. Ai não. Eu também mandei o Jack ir para casa dormir depois da filha ter nascido mas na manhã seguinte liguei-lhe a implorar que viesse e ficasse a dormir no hospital, ahah. A Mini-Tété berrou durante horas na primeira noite (de fome, muito provavelmente), eu não descansei e ganhei ali um trauma que me demorou vários meses a passar. Precisei muito do apoio do Jack naqueles dias. :)

      Tété

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    5. É mesmo isso, dormir à vez, andar bem à vez, garantir a sanidade de pelo menos um de nós :P

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    6. Teté lá está, eu quando entro em parafuso prefiro ficar sozinha :P O meu único receio é mesmo estar fisicamente muito mal, embora não me ocorra o que pode ser pior do que um parto com episio em cima de um braço partido :P

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    7. Eu não entrei em parafuso. Eu sinto-me foi incapaz de tratar sozinha da Mini-Tété e de a acalmar. Durante semanas sempre que ela começava a berrar eu entrava em pânico.Ate podia durar só 10 minutos mas eram 10 minutos durante os quais eu acreditava que não seria capaz de a fazer parar de chorar. Até que um dia percebi que a tinha conseguido acalmar. E no dia anterior também. E que afinal até conseguia. Mas a primeira noite foi mesmo horrível e eu não conseguia conceber a ideia de estar 3 dias com uma bebé sem apoio para a fazer parar de chorar (porque mesmo as enfermeiras tentaram ajudar mas não conseguiram. E fome parecia não ser porque visto de fora a Mini-Tété fazia uma pega muito boa e parecia mamar. Mas não. Foi mesmo uma noite do diabo. :P).

      Tété

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    8. Por acaso nisso ajuda eu sempre ter sido meio psicopatada em relação aos choros dos miúdos. Sabes aqueles vôos de cinco horas em que a criança vai sempre a chorar? Eu vou na maior. Mesmo quando vamos de férias sozinhos não me incomoda nada crianças a chorar, muito pelo contrário: acho que fico super tranquila por não ser eu a gramar com aquilo xD E isto é uma ferramenta do caraças quando tens filhos, porque mesmo em relação ao Matias tenho uma boa tolerância ao choro e noção da importância/inevitabilidade do chorar. É óbvio que tive os meus momentos, como temos todas, mas no geral tê-lo a chorar não me angustiava porque eu sabia que a) podia fazer alguma coisa para ele parar de chorar e fazia ou b) não havia nada que eu pudesse fazer para ele parar de chorar e então só me restava dar-lhe colo e esperar que passasse. Custa-me muitíssimo mais agora estar sozinha por exemplo, nos dias em que preciso de assegurar rotinas, levar à escola, dar o pequeno-almoço, lavar dentes, ir buscar, dar jantar, brincar, dar banho, ler história e deitar. Ontem o Pedro chegou a casa às 20.15h, o Matias já estava a dormir na cama dele e eu também, porque estava esgotada/deprimida/irritada. Agora com recém-nascidos? Pff I got this :D

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  5. Não é NADA precoce! Preparmo-nos com antecedencia para tanta coisa importante na nossa vida, um filho não é exceção. Desejo do fundo do coração que tenhas boa experiência desta vez (pelo menos uma experiencia nao traumatizante!)

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  6. Acho muito importante que leves a opinião do Pedro em consideração. Eu sempre quis muito amamentar, depois de um parto traumatizante (violência obstétrica na fase latente), depois do meu filho ter apanhado uma sepsis neonatal, amamentar era a única coisa que me restava do que eu tinha idealizado na minha gravidez. O apoio do meu marido foi fundamental, pq é difícil, no início, e ver q era algo tb importante para ele foi o que me fez continuar. Hoje ainda amamento o meu filho de 2,5 anos, mesmo grávida de 31s (estranho para muitos, eu sei, mas enquanto ele quiser e eu me sentir bem...) e pretendo amamentar os dois depois do nascimento da bebé (se ele ainda quiser).
    Acredito que com o apoio certo vais conseguir ultrapassar esse trauma, da mesma maneira que eu estou a tentar ultrapassar o trauma do primeiro parto junto de uma equipa médica e de enfermagem que me têm apoiado desde o início da gravidez (comecei o acompanhamento mal tive o positivo, às 4s, por isso já vês que não é nada precoce). O bom é sabermos as nossas limitações e pedirmos ajuda a quem nos pode ajudar. Da minha parte só te dou uns conselhos que foram importantes para mim: ouvidos fechados ao que te podem dizer de negativo, confiança em ti mesma acima de todos os medos e dificuldades que possam surgir, coração tranquilo e vai correr tudo bem*

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    1. Eu tive a minha primeira consulta às cinco semanas, por isso não acho nada precoce :) E é mesmo como dizes: eu sei as minhas limitações, sei que se algo correr mal desta vez vou querer desistir ainda mais depressa, por isso preciso de pessoas que sejam especialistas do assunto à minha volta. Não quero palmadinhas nas costas porque tive disso da outra vez e não é lá muito útil, quero é 'faz assim, faz assado, experimenta isto, aperta a mama aqui, etc'. Independentemente do resto, eu sei que vai correr bem porque na pior das hipóteses não consigo e ninguém morre com isso :)

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  7. Confirmo: a Amamentos é um sítio extraordinário. Já lá estive para pedir ajuda com a amamentação da primeira filha, numa situação de urgência comum princípio de mastite da segunda (também com a Patrícia) e as minhas filhas também são as duas seguidas lá.
    Mal entro sinto-me logo mais tranquila e segura e adoro as poltronas e as almofadas :)

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    1. Eu adoro. Acho um privilégio trabalhar lá, mas ainda mais ser lá seguida 🙂

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  8. Eu às vezes até tenho receio de falar sobinterpretadare amamentação e de ser mal . Eu amamentei o M. por quase 11 meses. Parámos quando simplesmente ele recusou a mama durante 3 dias seguidos.. E tenho de confessar que de certa forma foi um alívio. Nunca iria ter coragem de tentar parar por iniciativa minha, mas tudo se tornou menos cansativo e eu comecei a conhecer um lado da maternidade muito mais "rosa". Nao digo isto porque sou contra a amamentação. Muito pelo contrário: Eu própria quis muito amamentar! Consegui amamentar por quase 11 meses. E se voltasse a engravidar tenho certeza que voltaria de novo a tentar. E eu tenho noção que tive sorte: o M. fez uma boa pega, tive subida de leite ao terceiro dia como esperado , não tive mastites, o M. engordava bem etc Foi tudo bastante simples nesse sentido. Dores só tive nos primeiros dias /semanas mas duravam apenas uns segundos no início de cada mamada. Embora fossem intensas : para mim era muito suportáveis porque demoravam pouco tempo. No entanto, o M. mamava no máximo dos máximos de 2h/2h. Com o trocar fralda. Dar de mamar (que no início demorava muito tempo). Adormece-lo etc... Não há espaço para mais nada e dormir começa a ser um sonho! É uma tarefa que não dá para ser dividida. Quem quiser amamentar em exclusivo significa que haverão dias passados assim : a amamentar. O M. procurava a mama o tempo todo, mesmo que tivesse acabado de comer.. a cada choro eu tinha tendência a tentar acalma-lo assim, porque tinha insegurança que ele não estivesse saciado. Nunca sabemos quantos mml ele bebe. Portanto, é difícil ficarmos seguros perante choros inconsoláveis. Nos picos de crescimento eles vão chorar muito e por fome! A própria médica me dizia isso com imensa naturalidade: que ele estava a chorar com fome. nos picos de crescimento ele praticamente ficava na mama o dia todo. Passei muitos meses em privação de sono intenso, muito intenso. E houve muitos dias que não saberia se iria ter forças para aguentar. E tenho consciência que a amamentação contribuiu imenso para o cansaço. Tanto que por volta dos 9 meses o M. Começou a pegar no biberão e eu comecei a dar -lhe leite de formula depois dele mamar e as noites melhoraram. (Entretanto coincidiu com o primeiro inverno, com muitas otites e doenças de inverno e continuamos a ter muitas noites más até aos 14 meses... Mas pelo menos conseguíamos dormir relativamente bem de vez em quando. Algo que tenho certeza que não aconteceria se fosse amamentado). Tirar leite é uma tarefa que demora muito tempo : coisa que eu não tinha ! Eu comecei a trabalhar a 50% por volta dos 4 meses. Tirava leite (com muito esforço e tempo) e ele nem sequer pegava no biberão e o leite acabava por ir fora. extrair leite com a bomba pode ser mesmo demorado (e tempo não e uma coisa que mães de bebés pequenos tenham muito). No entanto, eu gostava de amamentar. Daquele momento só nosso. Mas também sinto isso quando lhe dou o biberão. Ainda agora um dos meus momentos preferidos é quando ele acorda de manhã e lhe dou o biberão com ele no meu colo, ainda meio no escuro... Nesses momentos vejo sempre o meu recém-nascido nos braços e agradeço à vida por o ter na minha vida.
    Claro que cada realidade é diferente e acredito que hajam pessoas que amamentaram com experiencias muito diferentes da minha. Mas isto só para dizer que mesmo quando tudo corre supostamente bem com a amamentação... Mesmo assim , a amamentação pode não ser algo "rosa" ! Mesmo assim pode ser muito difícil. Se tentaria de novo ? Sim! Se teria aguentado tanto tempo ? Provavelmente não. Acho que o primeiro ano teria sido muito mais fácil e feliz comigo menos cansada, com mais paciência e energia. No fundo, o que importa é a família estar bem. Em relação aos benefícios do leite materno : todos sabemos que tem muitos maaas... Não impediu o M. de ser um bebé que andava constantemente doente e que apanha tudo muito facilmente !

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  9. Relativamente à questão do texto : por acaso acho que embora a opinião do pai seja importante... Não acho que faça sentido, se a mãe não quiser, amamentar só porque o pai quer. A amamentação exige muito muito muito da mulher. É cansativo, é o corpo dela ... É uma tarefa que não poderá ser partilhada pelo pai. Todas as consequências serão para a mãe. Portanto, neste caso acho mesmo que a decisão cabe mais à mãe que ao pai. Eu queria muito amamentar o M. O meu marido também queria. Aliás, não amamentar durante a gravidez nunca foi uma hipótese para nós (excepto se não conseguisse). No entanto, depois do M. nascer várias foram as vezes que o meu marido dizia para experimentarmos dar leite artificial. Ele queria experimentar. Encontrar soluções. Aliviar o nosso cansaço. Mas eu sempre quis continuar a amamentar. Sabia que sentiria uma culpa enorme se desse leite artificial. E nunca dei até aos 9 meses. Altura em que ele começou a pegar bem no biberão e eu desisti de tirar leite com a bomba (até porque tinha voltado ao trabalho a 80% e tirar leite tornava-se ainda mais complicado) e dava como complemento o LF. Mas espero se um dia tiver outro filho ter o discernimento de conseguir dizer STOP quando efectivamente a amamentação já não for o melhor para nós enquanto família.
    No fundo, o mais importante é todos estarem bem e felizes! Sem culpas e sem pressão se as coisas correrem menos bem. Vai correr tudo bem, Joana. E acho que estar rodeada das pessoas certas ajudará muito ! Outra coisa: não dês ouvidos aos bitaites sobre amamentação quando a Gabriela nascer. Se há assunto que toda a gente manda bitaites é mesmo amamentação. A do leite ser fraco perdi a conta ao número de vezes que a ouvi... Há comentários que só deixam as mães mais inseguras. Não trazem nada de positivo. Beijinhos

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    1. A mim não me angustia passar o dia a dar de mamar... Se só tivesse um filho. Mas vou ter dois, e o Matias ainda é um miúdo imensamente exigente. E estou sozinha em Lisboa (e mesmo que não estivesse, nunca fui lá muito de delegar estas questões). Enfim, vamos ver. Eu fui muito clara com a Patrícia: eu quero amamentar e estou motivada e preparada, mas acima de tudo preciso que seja fácil e que eu esteja bem. E com fácil não quero dizer sem dores ou sem chatices, porque sejamos sinceros: tudo é um bocado chato quando eles são bebés 😄 É fácil no sentido de estarmos bem, ou de eu sentir que estamos tão bem como estaríamos com o biberão.

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  10. Foi na Amamentos que nos encontramos e, tal como sabes, também eu fui acompanhada pela Patrícia e o Duarte e lá seguido pela Dra. Carlota. Gosto muito da Amamentos, sinto-me muito bem lá, os profissionais são excepcionais, o espaço é acolhedor e contentor, enfim, não podia estar mais contente.
    A Patrícia e a Dra. Carlota salvarama nossa história de amamentação.

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