19 de junho de 2019

Pregnancy Diary #13

Não é segredo para ninguém que não fiquei propriamente satisfeita quando descobri que ia ser mãe de uma menina. Eu sei que muitas pessoas gostam deste equilíbrio bonito de ter ‘o casalinho’, mas eu sempre me imaginei mãe de rapazes e sempre achei que não ia ser uma boa mãe de meninas porque sou super ‘arrapazada’ na minha forma de funcionar.

Quando descobri que a bebé era menina (ou quando confirmei, porque eu já sentia que sim) fiquei triste. Só conseguia pensar em mim própria adolescente, a escrever no diário que tinha em conjunto com as minhas amigas (e que levávamos para casa à vez) com aquelas canetas de brilho com cheirinhos de frutas que odiava a minha mãe porque ela não me deixava namorar com o grande amor da minha vida que tinha dezoito anos e fumava ganza.

E pensei que não queria passar por isso. Não queria ser odiada, discutir e lidar com namorados fumadores de ganza.

Até que na semana passada estava a conduzir e a Just Girls das Amarguinhas começou a tocar. E eu pensei que é engraçado o quanto algumas músicas são tão actuais, mesmo tendo sido escritas há vinte ou quarenta anos. E lembrei-me do quão divertida foi essa fase da minha adolescência. Ter o meu grupo de amigas, escrever parvoíces no nosso diário conjunto, fazer disparates controlados e confidências, crescer, autonomizar-me. Odiar a minha mãe pelo percurso, sim. Faz parte.

E quando a nossa miúda passar pelo mesmo, lá estaremos nós cá para sermos odiados.

Mas de preferência sem namorados fumadores de ganza.

18 comentários:

  1. Oh Joanita, a adolescência é assim e todas nós odiámos as nossas mães at some point :-D Faz parte e tenho a certeza que te vais safar muito bem a ser odiada! Já agora, um beijinho e as melhoras para esse problemita que anda a chatear!

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    1. Quando eu começo com esta conversa o Pedro adora dizer 'mas eu nunca odiei a minha mãe' :P

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    2. Claro que não... Mas ele é gajo :-D

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  2. Sempre que leio estes teus posts sobre a tua adolescência, acho sempre que a Joana adolescente não tem nada a ver com a Joana de agora...ehehehehe. Por isso é ter paciência, que a adolescência passa.

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    1. Eu também acho isso :D Mas a Joana adolescente foi uma peça dos diabos. É claro que em comparação com alguns dos miúdos da minha consulta fui uma menina do coro e nunca me meti em problemas (não porque fosse particularmente responsável, mas porque era inteligente e borrava-me de medo do que os meus pais me iam fazer se descobrissem as coisas). Mas não foi fácil e acho que só atinei lá pelos dezasseis anos. Por outro lado, a partir daí não dei mais uma única chatice aos meus pais, ao contrário do meu irmão que na adolescência foi um santo e depois só lhe deu para a parvoíce mais tarde :)

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  3. Olá
    Quando diz que é “arrapazada” está a referir-se a que tipo de comportamento seu.
    Sigo o seu blogue há já algum tempo e a Joana parece-me ser muito feminina.

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    1. Ainda hesitei em escrever isso, precisamente porque sinto que a) é um preconceito sobre a forma como supostamente funcionamos de forma diferente e b) advém dos meus próprios fantasmas. Mas vou tentar explicar o melhor que consigo. Quando comecei a dizer às pessoas que estava angustiada porque tinha medo de não conseguir 'ser uma boa mãe de menina', lembro-me que a Joana (a minha melhor amiga) comentou precisamente isso, dizendo 'mas tu és super feminina!'. O facto é que eu nunca me senti assim. Cresci a achar (e a ouvir) que não era feminina o suficiente, que não era misteriosa o suficiente, que não era recatada o suficiente e por aí fora. Cresci a sentir-me estranha e diferente porque as raparigas não deviam gostar disto ou daquilo, não deviam falar disto ou daquilo, não deviam gostar de pornografia, não deviam falar de cocó, etc etc, e eu sempre fui diferente disso. Sempre gostei mais de ter amigos rapazes porque achava as miúdas muito dramáticas, muito nhonhós, muito quezilentas e insuportáveis. E hoje em dia isso mantém-se. Quando estou com os meus amigos rapazes eu sou mesmo 'one of the guys', e quando faço novos amigos rapazes (e isso aconteceu-me agora no internamento) eles comentam que não conhecem muitas raparigas como eu (embora eu saiba que elas existem, até porque algumas das minhas amigas são assim mesmo).

      No fundo acho que tem muito a ver com a questão daquele mistério feminino. Eu sou muito 'what you see is what you get', não tenho problemas em falar de nada, não tenho segredos, partilho claramente demasiadas coisas, e além disso também sou muito pragmática na minha forma de funcionar, mesmo quando estou a ser mais dramática ou histérica (que geralmente são coisas auto-limitadas).

      Associado ao facto de não ter qualquer preocupação sobre a forma como me visto, detestar comprar roupa, não ter paciência para o cabeleireiro, parecer sei lá o quê na maior parte dos dias, ainda andar de All Stars aos trinta anos e muitas outras coisas faz com que nunca me tenha sentido feminina.

      Eu sei que são fantasmas meus e que ter noção disso já me ajuda, mas há alturas em que o inconsciente é mais forte.

      Dou outro exemplo: eu fui educada a acreditar que os homens são muito físicos, que nós temos de tratar de nós porque senão eles traem-nos, que temos de tratar deles porque senão eles traem-nos, que até podemos ser espectaculares que eles podem trair-nos porque os homens são assim, etc etc etc. Nem sequer foi nada em concreto, os meus pais têm um casamento feliz e tudo, os meus avós também tiveram (com os seus momentos, claro), mas fui educada a acreditar que isso era a excepção.

      E demorei anos a curar essas feridas com a ajuda do Pedro e a diminuir esta minha crença que nunca iria ser boa o suficiente para alguém me querer até ao fim dos meus dias. Porque era um sofrimento para mim viver assim, e era uma angústia para o Pedro viver com alguém que achava que ia ser traída.

      E essa também é uma angústia minha como mãe, que sei que estou a conseguir fazer de forma diferente com o Matias. O miúdo pode ter muitos defeitos, mas parece-me que a falta de auto-estima não é um deles. Também não é um miúdo narcisado nem nada do género, mas de facto quero que ele cresça a acreditar que é bom e que consegue fazer coisas boas e que é suficiente e pode ser amado por isso. E ser mãe de uma menina traz acima tooooodas estas questões :)

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    2. Somos tão produto da sociedade que até faz medo...
      Joana, és uma miúda ao pé de mim mas acho que és bastante down to earth. Gosto de te ler exactamente por isso.
      Não, os homens não são todos traidores, pelo menos não mais do que as mulheres. A diferença é que eles tiveram muito mais facilidade em fazê-lo durante muito tempo. E isso ajudou a criar mitos. Homens e mulheres traem se tiverem que o fazer. E tenho para mim que tem muito pouco que ver com o que o parceiro possa fazer. Beijinho

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    3. Eu também acho que tem muito pouco a ver com o parceiro. Mas o meu inconsciente às vezes lá manda uns bitaites contrários e é uma canseira ter de andar sempre a fazer psicoterapia a mim própria :P

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  4. Olá Joana.
    Muitos parabéns pela menina, muitos parabéns pelo Matias e muitos parabéns pela família linda que estão a construir.
    O que transparece, pelas fotografias e pelos seus diários, é que o Matias é uma criança super bem disposta, feliz e confiante, o que significa que estão a fazer um bom trabalho.
    Muito interessante essa temática que levantou dos fantasmas que se vão enraizando ao longo do tempo que quando damos conta deles é tão difícil de os libertar. É realmente angustiante e um sofrimento para ambos os elementos do casal.
    Pode ajudar com umas dicas para melhor lidar com esse tipo de situações e tentar evitá-las?
    Obrigada
    Bom fim de semana.
    Beijinhos.

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    1. Não tenho grandes dicas. Perceber quais são os nossos fantasmas ajuda, porque temos noção deles. Ou seja, mesmo que eu automaticamente tenha um determinado pensamento que não consigo controlar(tipo 'chegou mais tarde, aposto que esteve com a amante'), depois consigo fazer o pensamento contrário ('tu é que tens esta pancada, isto vem de ti, não de algo que o outro faça'). Ou seja, no fundo é preciso aceitar que não controlamos os nossos pensamentos, mas controlamos as nossas reacções a eles. Com o tempo e a prática fica mais automático, mais rápido e mais fácil ter o pensamento contrário.

      A mim também me ajuda muito falar com o Pedro sobre isto, mesmo que em muitas situações possa soar maluquinha. Ajuda-me a ficar em paz e ajuda-o a perceber. Não o ajuda a ajudar-me porque nada disto parte dele, mas ajuda-o a perceber quais são os meus receios.

      Também ajuda analisar porquê que pensamos nisto. Os nossos medos surgem de situações concretas, e eu consigo dizer exactamente porquê que tenho estas questões em particular e não outras. Está relacionado com vivências do meu passado, com aquilo que me foi transmitido, com o que vivi, etc. Ajudar a compreender porque sou assim também ajuda a perceber que isto não é algo que se controle ou se evite, é algo com o qual se aprende a viver com mais tranquilidade, até porque não há forma de controlarmos nada: nem o que pensamos nem o que o outro faz :)

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    2. Olá Joana!
      Muito obrigada pela resposta e pelas dicas.
      Existe algum email do blog para entrar em contacto com a Joana e, se existe, poderia informar por favor?
      Obrigada

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  5. Ainda não cheguei à parte de ter uma menina adolescente, tenho agora o mais velho a chegar a essa idade. Sempre quis uma menina, mas adorei desde o primeiro minuto ser mãe do Leo <3 ainda assim, fiquei muito feliz quando soube que ia ter uma menina e estou apaixonadíssima por ela. Também sou uma pessoa muito descontraída e não me preocupo por antecipação com as dores de cabeça de ter uma teenager :P

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    1. Se soubesses o que eu sei... :P É que junta-se o 'adolescência péssima' com o 'trabalhar com adolescentes com adolescências péssimas' :D Mas pronto, é um percurso, ainda tenho muitos anos para trabalhar isto :D

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  6. Joana, somos 3 irmãs e sempre adorei isso... A família da minha mãe é muito unida e a minha mãe tem 5 irmãs e um irmão (o sétimo)! Eu sempre adorei viver num "Mundo de Mulheres". O meu pai tinha 2 irmãos (rapazes), mas nunca convivemos muito com a família do meu pai. Eu nunca odiei a minha Mãe! As minhas irmãs também não. Temos uma relação muito mais saudável com a minha mãe que com o meu pai. A minha Mãe sempre foi o meu exemplo, "a minha Pessoa", o meu pilar. O meu maior medo durante muito tempo ( e até muito tarde) era a morte da minha mãe. Tinha pesadelos com isso. Chorava só de pensar como seria a minha vida sem ela. Era como se ficasse sozinha e desamparada no Mundo. Já era adolescente e talvez até início da vida adulta e dizia à Minha Mãe que ela seria sempre a pessoa mais importante da minha vida. E lembro-me que ela dizia sempre "dizes isso agora, um dia arranjas um namorado e já não pensas isso...". E na realidade mesmo depois de começar a morar com o meu marido houve alturas difíceis que eu pensei /disse "só queria o colo da minha mãe" ou "ninguém nunca me amará nem cuidará de mim tao bem como a minha mãe". Depois de ter o M. conheci um amor diferente e maior que tudo... E percebi melhor a dimensão do amor da minha mãe por nós e ainda valorizo mais (se é que é possível) tudo o que ela fez e faz por nós. Mas ganhei novos medos que não tinha antes e que são dolorosos. Agora temo a minha própria morte. Antes de ter o M. não era um medo meu. Eu tinha medo da forma como iria morrer, mas não da morte em si. Agora tenho imenso medo, preciso de cuidar do M., Quero vê-lo crescer, quero que ele tenha o meu colo sempre que precisar... Os meus medos mudaram e são muitos mais que antes. Mas pronto, isto para dizer que as miúdas não odeiam todas as mães na adolescência. 😉
    Agora a adolescência do M. eu tenho medo e não porque eu tive uma adolescência difícil. Que não tive de todo. Fui uma adolescente que nunca deu nenhum problema aos meus pais, mas... Sei perfeitamente como alguns adolescentes são e tenho Medo ! Mas não teria mais medo se fosse uma menina do que tenho de ser Mãe de menino. O medo é igual. Ao ler a tua história tenho mais medo de ser a mãe do adolescente que fuma as ganzas do que da menina que está apaixonada por ele 🙃 claro que as meninas são mais dramáticas e choronas... Eu também tinha diários deprimentes e a auto-estima em níveis negativos e o meu diário era um drama pegado. Mas isso não me assusta. Por exemplo, no outro dia vi um vídeo da queima em Portugal, que achei deprimente... E pensei logo se o M. fosse um daqueles miúdos como eu como mãe me sentiria... Mas acho que menina ou menino a adolescência pode ser complicada.

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    1. Pois, a minha relação com a minha mãe não foi tão linear. Mas hoje em dia é óptima, e também sinto que melhorou imenso depois de eu própria ter sido mãe porque agora compreendo de forma diferente algumas das escolhas difíceis que ela precisou de fazer.

      Em relação aos vídeos da Queima (que não vi), isso não me assusta. Fiz cenas bem tristes na faculdade e sei que os meus filhos também vão fazer. Aliás, espero até que o façam como eu fiz, com algum juízo relativo, porque se há altura para viver as coisas é essa e depois cresces e aprendes :) Dispenso é estar lá para assistir, tal como os meus pais nunca assistiram a nenhuma bebedeira minha :P

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    2. Mas a questão é que os pais dos miúdos (jovens adultos!) no vídeo podem ver ! eu não sei o que sentiria ao ver o M. num video assim. Mas tenho perfeitamente noção que quase de certeza que ele vai viver a adolescência como a maioria o faz, com muitos disparates à mistura. Tive um colega que uma altura ficou em coma alcoólico! felizmente com um final feliz, mas não imagino o que os pais sentiram e passaram...
      E quando vi o vídeo ocorriam-me imensas coisas : doenças sexualmente transmissíveis, miúdos que poderiam conduzir num estado não adaptado... Acidentes de carro ... Etc etc Como mãe acho assustador sim! Se há fase em que acho que o M. vai-me privar de dormir mais do que em bebé é mesmo essa. Entendo o que queres dizer. E percebo que existam muitos adolescentes que precisem desses anos, que faz parte e que depois crescem e aprendem. Embora eu não ache que isso seja "viver as coisas ". Não consigo ver alguém muito embriagado e achar que aquilo é "viver as coisas ". Acho deprimente ver as pessoas a vomitar, a não conseguirem ir sozinhas para casa... Será que se divertem realmente quando o fazem? Será que lhes traz mesmo felicidade?
      E depois há pessoas que não é so uma fase que passa. Tenho colegas na casa dos 30 que continuam a fazer isso quase todos os fins de semana. Pessoas informadas que não tem parceiro fixo e têm relações sexuais sem preservativo, por exemplo. Eu como mãe tenho medo, sim. Mas não vale a pena pensar nisso, que eu ainda tenho muito tempo antes disso e muitas outras etapas desafiantes. 🙃

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