15 de maio de 2019

Irlanda 2019 - O planeamento :)

Para a nossa viagem 'grande' (e possivelmente a única para mim) deste ano estávamos indecisos entre a Irlanda e o México. São destinos pouco comparáveis, mas o Pedro gostava de conhecer ambos e simplesmente não conseguíamos decidir. Por um lado, eu já tinha ido duas vezes ao México. Por outro, adoro o país, sou louca pela comida e estava com vontade de fazer umas férias mais calmas, num hotel bom, a encher a barriga de coisinhas boas e a visitar a ocasional pirâmide maia quando me aborrecesse de apanhar sol na piscina.

No fim, foi precisamente o facto da Irlanda ser uma viagem mais exigente que fez com que nos decidíssemos a ir: assumimos que vamos sempre ter energia para estar a boiar na água das Caraíbas, mas já para fazer seis horas de carro por dia se calhar nem tanto. E começámos o planeamento.

A primeira coisa que fiz foi procurar roteiros. Já há algum tempo que espreito os roteiros que fazem as agências de viagens para tirar ideias, e depois da nossa road trip em Itália fiquei super fã da Pinto Lopes Viagens (não é publicidade, nunca viajei com eles, mas gosto dos roteiros deles). Eles têm um roteiro da Irlanda muito fixe aqui, que acabou por servir de base à nossa viagem. Depois li sites e blogs de viagens, tirei ideias, vi documentários (adoro o Tales of Irish Castles, está no Netflix), comprei o Lonely Planet da Irlanda e o Lonely Planet das road trips na Irlanda e pumbas, o nosso plano começou a surgir.

O Pedro vetou a minha sugestão de levarmos o Matias (em retrospectiva, ainda bem) e propôs que não fôssemos mais do que seis dias para não ficarmos muito tempo sem ele. Rapidamente percebemos que íamos ter de abdicar da Irlanda do Norte para conhecer melhor a Irlanda 'em si', mas sinceramente acabei por ficar um bocado arrependida. Mas já lá vamos!



Há imensos voos directos de Lisboa para Dublin, e escolhemos um que nos permitisse ir cedo mas não demasiado cedo (já não temos idade nem estatuto para levantar o lombo da cama às quatro da manhã para ir para o aeroporto). Acabámos por sair de Lisboa no voo das 10h da Ryanair, que chegou a Dublin às 13h. Comprámos uma mala extra de cabine para cada um e deu perfeitamente para levarmos as coisinhas todas.

Eu tinha visto que entre o aeroporto e o nosso hotel eram uns quinze minutos de carro, por isso propus ao Pedro irmos de Uber. No fim alombámos com uns quarenta euros de tarifa, por isso aprendemos a lição: para a próxima vamos de transportes como os outros plebeus :)

Tínhamos bilhetes comprados previamente para a Guiness Storehouse para as 17h, por isso decidimos ir almoçar e passear até à Guiness. Pelo caminho vimos imensas coisas que tinha planeado para o dia seguinte, e tornou-se óbvio que Dublin é uma cidade que é compacta e que se vê super bem. Se voltasse atrás (ou, como diz a minha avó, se eu soubesse o que sei hoje), não teria ido à Guiness Storehouse. Mesmo com os bilhetes comprados estivemos meia hora em pé na fila (tive que puxar da pregnancy card para ir à casa-de-banho!), achei aquilo muito confuso e barulhento, tinha imensa gente e sinceramente não achei assim tão interessante. Sei que também há quem vá à prisão, mas nós já não conseguimos arranjar bilhetes.

No dia seguinte saímos do hotel às 9h, voltámos às 15h, dormimos a sesta, voltámos a sair às 18h e regressámos às 21.30h. Vimos tudo aquilo que queríamos ver na cidade (e eu sou exigente, como sabem). Nesta altura do ano anoitece tarde lá (às 21.30h ainda era de dia), por isso dá para esticarem bem o vosso dia. A única coisa para a qual comprámos bilhetes foi a Old Library da Trinity College, que eu gostei mas o Pedro achou que não valia a pena o dinheiro.

Acho que um dia e meio para Dublin foi óptimo. Deu para conhecer bem a cidade e saí com aquela sensação de 'gostava de cá voltar um dia para fazer um fim-de-semana e ver mais coisas, mas também não fiquei cá a pasmaçar'.

No terceiro dia pegámos no carro que tínhamos alugado e fizemos isto:


As nossas paragens estão assinaladas no mapa. Tenho para com este dia uma grande ambivalência. Adorei Glendalough (que aparece no mapa como Igreja de Kevin) e as Wicklow Mountains (a parte horizontal da viagem a seguir), adorei Kilkenny, amei Cashel, gostei de Cahir... De Cork é que pronto, nem por isso. É uma cidade com um ambiente engraçado e gostámos de passear por lá, mas por outro lado também não fez grande história e acabou por servir quase como um sítio para dormir. A alternativa teria sido desviar para a esquerda para Killarney e ir até Dingle e fazer o Ring of Kerry (originalmente tínhamos planeado isso), mas depois eu achei que Cork parecia porreiro e optámos por essa alternativa.

No quarto dia fizemos isto:


Nós já estávamos preparados para a violência deste dia, mas fazê-lo foi toda uma aventura, e chegámos ao nosso hotel em Tully Cross com vontade de apanhar um avião directos para casa :) De manhã fomos até ao Blackrock Castle (a bolinha à direita de Cork), depois fomos até ao King John's (e perdemo-nos), passámos por Bunratty, abordámos os Cliffs of Moher pelo Hag's Head, depois fomos ao centro dos Cliffs of Moher, fizemos o percurso pelo The Burren, parámos no castelo de Dunguaire e fomos directos ao centro de Connemara, onde chegámos às 21h. Foi uma canseira descomunal, mas mal começámos a entrar no Connemara National Park passou-nos logo a neura porque aquilo é lindo de morrer :)

Detalhe do percurso pelos Cliffs e pelo The Burren
No quinto dia estávamos mais tranquilos porque tínhamos um percurso bem mais simples (para recuperarmos do dia anterior).


Regressámos a Galway pela 'scenic route' e foi muito giro!
Detalhe do percurso pela costa
Este foi o dia que mais gostei, e se forem numa de relaxar eu sugiro vivamente que passem mais um dia nesta zona. Basicamente é tudo aquilo que imaginamos da Irlanda: vacas e ovelhas no meio da estrada, tudo verde, paisagens lindas de morrer, aquele cheirinho a mar... Adorei.

No sexto e último dia regressámos a Dublin, parando em Clonmacnoise e em Trim. Ainda fomos até ao Brú na Bóinne, mas estava tão cansada quando lá chegámos que pedi ao Pedro para me deixar dormir vinte minutos de sesta no banco de trás no carro e acabei a dormir duas horas (true story).


No fim, gostei muito da viagem. Achei a Irlanda um país surpreendentemente caro, principalmente a nível de hotéis. No total gastámos uns 500€ em comida em seis dias, o que também é puxadote (e não fomos propriamente aos Belcantos lá do sítio). Gastámos 160€ em voos (fomos na Ryanair e regressámos na Aer Lingus), cerca de 600€ em hotéis, 100€ em visitas (dos quais 50€ foram nos bilhetes da Guiness Storehouse) e 50€ no seguro de viagem (desde o fiasco de Helsínquia nunca mais meti os meus pés fora do país sem seguro, não vá o Mati ficar internado outra vez).

Acho que foi uma viagem bem planeada, embora tenha ficado ali com o Ring of Kerry meio entalado no goto. Mas acho que fazer essa zona e Connemara seria muito ambicioso, e fico muito contente que tenhamos escolhido Connemara (se calhar a outra zona é mil vezes mais linda, mas pronto). Para a próxima fazemos o Ring of Kerry e a Irlanda do Norte :D

E pronto, acho que cobri o básico. Na foto-reportagem também vou mostrar o que vimos, o que fizemos, onde comemos, etc, mas se tiverem mais perguntas estejam à vontade :D