14 de novembro de 2018

Viena 2018 #4

Os últimos dias têm sido surreais. Na Quinta-feira à noite estive de urgência. Na Sexta saí às 8h, apanhei o Matias na escola às 9h, apanhámos o Pedro no trabalho às 12h e fomos para o Porto, onde o Pedro tinha um congresso. Passei o dia em modo zombie, e mal cheguei a casa dos meus pais adormeci no sofá, sendo que dormi de forma tão profunda apesar da barulheira do Matias que os meus pais questionaram-se se eu estaria desmaiada. No Sábado fomos gravar o vídeo de Natal dos meus pais (longa história) e depois do almoço voltámos para Lisboa, onde o Pedro entrou de banco às 20h. No Domingo andámos a pastelar e eu aproveitei para fazer uns docinhos bons - um coulant de chocolate negro e uma árvore de bolachinhas - e para ficar finalmente com os soninhos em dia.

Na Segunda trabalhei 24h seguidas. Saí às 8h, trabalhei todo o dia, vim a casa meia hora dar um beijinho nos rapazes e voltei para o hospital, onde estive de urgência das 20h às 8h. Depois saí, limpei o meu carro, arrumei a casa enquanto ouvia músicas de Natal, pus louça a lavar, pus roupa a lavar, organizei o meu mail, fiz uma tarte de Nutella para levar para o trabalho que nunca lá chegou e que já vai a meio, montei os meus Legos de Natal, tirei a louça da máquina, pus mais louça na máquina, tirei a roupa da máquina, estendi a roupa, fui aos correios enviar os meus postais de Natal, voltei depois de ter reparado que me esqueci de escrever a morada num deles, fui conhecer um sítio novo onde vou trabalhar, vim para casa e esperei pelo Pedro, fomos buscar o Matias, fomos lanchar (no meio da azáfama não tinha almoçado e estava cheia de fome), voltámos para casa e brincámos. O Pedro tinha feito caril de frango para o jantar de Segunda-feira e ainda havia imenso, por isso demos o jantar e o banho ao Matias e deitámo-lo, jantámos enquanto víamos um episódio antigo de House, passámos três horas a ver informação sobre trabalhar no Reino Unido (* pânico *) e caí para o lado.

Hoje quando acordei estava um caco. Chorei no carro enquanto estava parada no trânsito. Liguei à Joana e estive a partilhar as minhas angústias. O dia foi longo. Amanhã temos um jantar. No Sábado temos uma festa. No Domingo temos uma sessão fotográfica (e com temos quero dizer eu e o Matias, porque o Pedro já se demitiu das suas funções de progenitor que aparece nas fotos).

Estou cansada. Estou ansiosa. Estou angustiada.

Mas hoje cheguei a casa e o Matias estava à minha espera para 'brincarmos às hienas'. E fizemos pela vigésima vez a brincadeira preferida do momento: o Matias diz que o Pedro é uma hiena, o Pedro desata a correr atrás de nós pela casa fora, o Matias pede-me colo, depois inevitavelmente acabamos todos aos trambolhões na cama, com o Pedro a fazer barulhos assustadores (porque é uma hiena má) e o Matias a aninhar-se em mim e a pedir para eu o proteger, ou em alternativa a dizer 'eu protejo-te mamã' quando o Pedro começa a puxar-me as pernas. Freud explica. Que orgulho, já a expressar os conflitos edipianos através da brincadeira * snif *.

(Às vezes trocamos e o Matias faz de hiena, mas claramente ele gosta mais quando é o Pedro. Já eu sou uma péssima hiena, acabo sempre por tentar que eles sejam meus amigos e que percebam que não sou assim tão má.)

Antes de o deitar o Matias disse a sua nova frase preferida: 'quero um mano'. Quando lhe perguntamos como se chamaria o mano, o miúdo não tem qualquer dúvida e responde 'Gonçalo!'. Inicialmente pensámos que o Gonçalo seria algum amigo dele, depois percebemos que é o filho bebé da auxiliar da sala do Matias, que passa algum tempo na turma deles, e por isso ele associa o nome do miúdo a um potencial mano bebé.

E desaparece tudo, juro. Já nem me lembro que tenho sono, já nem me lembro que estou cansada, já nem me lembro que passei as últimas semanas a sofrer com a possibilidade de nos mudarmos para longe. De repente somos só nós, a brincar às hienas, aos gritos e às gargalhadas pela casa.

Tudo desaparece. Menos nós. E estes momentos perfeitos.

Podia ter uma punch line qualquer para enquadrar agora as fotos de Viena, mas não tenho. É isto que sinto, e aqui vão as fotos. As fotos reais de uma vida real com angústias reais.

Se calhar o Matias tem razão e estou a precisar de ser protegida das hienas.





Joana <3 Vasos gregos
* Brilha o sol, Hércules chegou *






Eu: 'Ai meu Deus um crocodilo mumificado, que giro, nunca tinha visto nenhum!' * mega entusiasmo, 400 fotos ao crocodilo * chego a casa e vejo que em 2012 já tinha visto e fotografado com a mesma histeria -.-




Klimt <3







Apfelstrudel <3
Com vista para o Palácio Imperial :D

Depois do strudel mudei-me para a chocolataria que ficava literalmente duas portas ao lado :D
Demel :)
Bolo Sacher e chocolate quente. Gostei mais do original :)




Wiener Schnitzel :D O prato mais típico de Viena são os panados de vaca :D Em 2012 provei e não achei nada de especial (não gosto de panados), mas estes souberam-me super bem (e eu nem tinha grande fome porque estava entupida de docinhos).
Bebidas de café deliciosas = Joana acordada toda a noite em Viena
Karlskirche :D
Não sei porquê mas acho sempre que os pretzels são doces e depois fico super desiludida! Mas este nem me soube mal :D
Interior da igreja :D

33 comentários:

  1. Uau que loucura de semana,...há dias assim!
    Adorei as fotos!
    Beijinhos,
    Espero por ti em:
    strawberrycandymoreira.blogspot.pt
    http://www.facebook.com/omeurefugioculinario
    https://www.instagram.com/marysolianimoreira/

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  2. Identifico-me muito mesmo com o que escreveste. Há dias mesmo desafiantes e em que parece que acontece tudo ao mesmo tempo.
    Mas depois, olho para os meus 3 miúdos (quase todos bebés) e por mais cansada que esteja, tudo desaparece. Mesmo. Olho para eles e sei que sou uma sortuda do caraças.
    O yoga e a meditação também ajudam muito.
    Já tomei anti depressivos e noto muitas semelhanças entre os efeitos dos comprimidos e os efeitos do mix: "meditação + filhos amorosos". Juro. :D
    Beijinhos e força

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  3. Às vezes faz falta simplesmente parar e tentar desfrutar dos nossos momentos felizes. Eu preciso muito de aprender a fazê-lo!

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  4. ahahahahaha... a foto dos bustos seguida da foto da estátua sem cabeça... podia ser um puzzle :-D :-D

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  5. Oh Joana, bem sei que é um assunto pessoal, mas se só pensar na possibilidade de mudança para longe causa angustia e sofrimento, porquê ir por esse caminho? É um objectivo de vida? É um passo essencial? Ou um capricho? Não será um sofrimento evitável? De qualquer forma, espero que encontres no teu coração o caminho "certo" para ti e para a tua família linda :)

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    1. Porque não é um objectivo de vida meu, mas é do Pedro e também já foi meu há uns anos, antes do Matias, antes das coisas cá melhorarem, antes de pensarmos em ter o segundo filho tão 'cedo' (inicialmente tínhamos pensado esperar uns quatro ou cinco anos). E o Pedro acaba a especialidade primeiro (daqui a um mês na verdade) e acaba por ter o 'poder de decisão' e eu sou muito pragmática com isso: acaba primeiro, tem ofertas, decide o que acha melhor e nós vamos com ele e orientamos o resto. Mas angustia-me na mesma, claro :) Isto ainda está tudo muito no plano das suposições, mas acaba por ser cada vez mais uma hipótese...

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    2. Compreendo. Sendo um objectivo de vida, deve ser ponderado. Colocar os prós e contras em cima da mesa. Não acho justo ele poder decidir só porque acaba primeiro, afinal é a vossa vida TODA que muda. Uma decisão com esse peso devia vir dos dois, porque de outra forma há o risco de aquele que foi de arrasto culpar o outro pela infelicidade. Mas percebo que não queiras cortar as asas. É uma grande prova de amor!

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    3. Nós só ponderamos isto porque eu tenho a certeza que não iria sentir que 'fui de arrasto'. A partir do momento em que assumamos que é uma decisão final, é e pronto. Eu nestas coisas sou muito pragmática :)

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  6. Oh Joana, um abraco virtual apertadinho...de alguem de quem não conheces, mas es para mim como uma personagem de um livro à qual criamos algum laco efectivo. Ja leio o teu blog ha muitos anos e e sem duvida o meu blog preferido. A vossa familia e adoravel.
    Eu moro longe da Familia e dos amigos. Não no Reino Unido. Em França. É muito dificil, Joana. A sério. Não é facil os avos e tios não poderem acompanhar de perto o crescimento do nosso filho. Podem ter a sorte de encontrarem pessoas acolhedoras, mas não foi o nosso caso. E eu sou uma saudosista. Faz-me falta a emocao ! O rir, o chorar, o sentir com vontade. Aqui as pessoas sao muito "mornas", frias..
    Doi faltar aos momentos importantes. Não ir ao funeral de uma pessoa querida. Não ir ao casamento de um amigo. Não estar presente na festa de aniversario dos 30 anos de alguem. Não poder dar aquele abraco quando alguem precisa. E com o tempo algumas pessoas habituam-se à nossa ausencia. Passa a ser normal não estarmos perto. E avançam. E nos Continuamos a viver do passado. Elas continuam a ser as nossas pessoas. As nossas paisagens. Cheiros. Sabores. Continuam la. E comecamos a sentir que ja não pertencemos a lugar algum. Viajar e a melhor coisa do Mundo. Mas partir, deixar o nosso País... É dificil, Joana. Em Janeiro faz 5anos que aqui cheguei e cada vez e mais dificil. Choro tantas vezes no carro, de cansaco, de ansiedade, de saudade... Pensem bem nessa idade de irem morar longe. Um beijinho

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    1. Eu senti isso quando vim viver para Lisboa e foi difícil. Agora ainda consigo estar com a minha família uma vez por mês, mas sei que se formos para longe isso não vai acontecer e vou acabar por privar o Matias do direito de estar com a família sem grandes contrapartidas (ou seja, não sei se lhe estarei a proporcionar uma vida melhor por não estar cá). Ainda está tudo numa fase muito embrionária, se calhar não vai acontecer nada, mas há uns dois meses que o projecto vai avançando e a verdade é que está cada vez mais perto e agora que se está a tornar uma realidade mais concreta começo a sentir-me aterrorizada...

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    2. Concordo tanto com a Gisela. Eu acho que é por fases, é uma mistura de sentir que desde que estou em França que conseguimos concretizar projectos mais cedo do que conseguiria em Portugal e de sentir que estamos longe daquilo que é nosso. Ainda hoje estava na nossa futura casa e estava a pensar que o que gostaria era de organizar lá uns jantares com os meus amigos mas não vai dar porque estão em Portugal. Faltar a momentos importantes custa e não podermos partilhar os nossos momentos bons porque eles estão longe também custa. :) E depois há toda a logística familiar sem apoio. Por enquanto ainda cá estão os avós paternos mas não ficarão muito mais tempo e a nossos momentos a dois serão muito difíceis de conseguir. E sim, custa também ter a Mini-Tété a crescer longe da minha família. Os meus pais tentam cá vir algumas vezes por ano, mas os meus avós vêem-na mais por fotografias e isto custa muito. Como diz a Gisela, viajar é diferente de emigrar. Pensem bem, vejam se há outras alternativas, e se decidirem que sim, então coragem: nem tudo é mau, também há coisas boas. ;)

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    3. (Laços afetivos **
      Este é outro motivo para não sair do País... 😅Temos de estar mais atentos quando escrevemos,porque o facto de falarmos e escrevermos diariamente outra língua não ajuda. Claro que o problema também está em ter cada vez menos tempo para ler. E nem sempre que leio é em Português. Outro motivo :os teclados dos computadores, que nem sequer têm todos os acentos 😓)
      Joana, quando eu decidi vir para cá estava profissionalmente numa situacão muito má. Tinha trabalhado quase um ano em Portugal. Tinha um emprego a tempo completo e outro a tempo parcial. Trabalhava de segunda a domingo .. E mesmo assim eu achava aquilo normal. Trabalhava na minha área e só por isso eu já me considerava uma sortuda. Ganhava uma miséria e pior que isso é que mesmo ganhando uma miséria tinha sempre os salários em atraso de ambos os trabalhos !!! Entretanto a clinica onde eu trabalhava a tempo completo fechou. E foi nessa situacão em que eu decidi vir. Estava sem esperança no mercado de trabalho em Portugal. Aqui a minha profissão é muito mais valorizada. O meu Marido, na altura namorado, veio umas semanas depois de mim. Ele procurava um trabalho não qualificado e encontrou facilmente. No começo ambos tinhamos um salário muito pequeno (para os salários e nível de vida aqui) e tinhamos contratos de curta duração. Actualmente , ambos nos mantemos nos mesmos locais de trabalho de quando aqui chegamos,mas ambos estamos efetivos, tivemos já vários aumentos de salário e o meu Marido actualmente é responsavel da equipa com que trabalha.
      Ou seja, como diz a Tété, é verdade que profissionalmente, financeiramente... temos consciência que em Portugal não teriamos as mesmas condicões. Mas este é para nós o único motivo que nos faz estar cá ! Temos um filho e queremos assegurar que ele terá sempre acesso a coisas que para nós são fundamentais. Os meus pais tiveram, por exemplo, muitas dificuldades em pagar os meus estudos e os das minhas irmãs ... Chegaram a pensar que não podiam e eu não quero viver nesse sufoco nem transmitir essa insegurança e medo ao M.
      Encontramos aqui estabilidade e segurança financeira que achamos que não poderiamos encontrar em Portugal e este é o único motivo que nos mantem cá ! Por isso pensem bem ! Eu não acho que as crianças precisem de muitas coisas. Mas só Vocês é que sabem o que procuram nammudança, qual a vossa situação actual e o que a mudança poderia acrescentar de Bom à vossa vida.
      E vou dizer-te um outro motivo. Provavelmente Vocês vão começar a viajar menos ! Porque vão querer usar as vossas férias para regressarem às origens. Para ver a família, os amigos... E se forem como nós vão voltar a Portugal sempre que podem e vão provavelmente acabar por viajar menos do que agora.
      Isso que a Tété disse é a nossa realidade : nós não temos momentos a dois desde que o M. nasceu. Não temos família perto.
      Pensem bem e se decidirem partir Toda a sorte do Mundo 🍀

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    4. Gisela e Tété, mas se é assim tão difícil, porque não um regresso? É impossível sustentarem-se em Portugal? Eu nunca estive a trabalhar fora do país, nem ponderei fazê-lo, mas tenho amigos que admitem nunca mais voltar a Portugal porque não querem cá viver. No vosso caso, parece haver uma certa tristeza. Não é melhor estar perto da família? O dinheiro não é tudo...

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    5. Porque é por fases. :) No dia em que respondi aqui estava a ser um dia difícil, estava cheia de saudades, até de pessoas que nunca mais vou voltar a ver e de coisas de infância. O estado de espírito está bem presente na resposta que dei.:)
      Não acho a resposta simples: nós queremos voltar a Portugal, sempre foi esse o plano, mesmo até no ano da mudança para cá. Mas temos de criar maneira de o fazer. Não seria bom simplesmente largar tudo aqui, pegar nas malinhas e irmos para casa dos meus pais em Portugal, sem qualquer perspectiva de trabalho ou plano (embora esse seja sempre o plano B se um dia acordarmos os dois e percebermos que não estamos felizes aqui :)). Eu talvez conseguisse emprego, sim, mas provavelmente não a fazer o que estava a fazer e provavelmente teria mais hipóteses em grandes centros urbanos, como Lisboa ou Porto, coisa que não me deixaria feliz. O Jack dificilmente conseguiria algo onde lhe pagassem mais do que o salário mínimo. E bom, aqui estamos a conseguir levar a vida com apenas um salário. Em Portugal seria complicado. E depois porque também tenho de ter os pés na terra: mesmo em Portugal, a maioria dos meus amigos estão espalhados por Portugal, não daria propriamente para andar a fazer jantaradas frequentes como na adolescência ou universidade. :) A família também está espalhada e se não conseguisse trabalho perto da terra dos meus pais ou dos avós, também não os veria frequentemente (como diz a minha mãe quando alguém fica horrorizado por eu ter vindo para França: "se ela tivesse ido para Faro não a veria mais vezes do que vejo agora..."). No fundo, o que eu queria era viver em Portugal sob uma série de condições específicas. :D Se assim não fosse, não sei se seria melhor do que aqui. :) E não, não há tristeza. Não gosto de uma série de coisas aqui (tal como não gosto de algumas coisas em Portugal, é normal) mas sei que se não me sentisse feliz aqui, amanhã estava no primeiro avião de regresso. A minha sanidade mental e a minha felicidade estão acima de tudo. :)

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    6. Ana,
      Eu tenho um filho de 20 meses.
      Ca temos um trabalho estavel..não abundamos em dinheiro. Não cometemos excessos. Mas temos dinheiro que nos permite viver tranquilos. Se tivermos despesas extra um mes sabemos que podemos pagar.
      Os meus pais Sao pobres. Atencao, nunca me faltou nada! Todos os meses via a minha mãe a partir de uma certa altura do mes a contar o dinheiro umas dezenas de Vezes por dia. Era angustiante. No final do mes ela so tinha dinheiro contado para coisas basicas como o pao. Lembro-me de um verao em que a minha mãe ia ao pao e uma tia minha pediu-lhe para tambem lhe trazer para ela. A minha mãe ficou muito aflita e com vergonha de dizer que ja não tinha dinheiro para comprar o pao dela (a minha tia ia pagar lhe depois,claro). Os meus pais viviam stressados com a falta de dinheiro. O mes de setembro, da compra do Material escolar era sempre uma angustia. Quando a minha irma mais velha entrou para o ensino superior o meu pai disse que não podia. A minha mãe bateu o pe e disse que teria de encontrar uma solucao. A solucao foi abrir uma loja, que ajudou a pagar as despesas. Mas quando a minha irma do meio, que so tem 2 anos de diferenca com a mais velha, foi para a faculdade viveu-se a mesma angustia. No final, eles conseguiram dar-nos tudo o que precisamos. Alimentacao, saude, educacao... Tudo. Não nos faltou nada de essencial. Mas ficou sempre a ansiedade e angustia e stress que aquilo provocava. O sonho dos meus pais era poderem comprar uma casa. Vivem na casa que era dos padrinhos da minha mãe. Ela foi criada com eles desde pequena. E nos sempre vivemos la todos juntos. Agora a casa e dos meus pais desde que eles morreram,mas e uma casa muito Antiga, muito mal estruturada... Sobretudo para a velhice. Mas com a idade que eles tem já perderam o sonho de conseguirem comprar uma.
      Eu não queria fazer passar ao meu filho a mesma angustia e stress com que eu vivi a vida toda. Para além disso, a minha profissao em Portugal e muito mal paga no privado. E no publico ja todos sabemos como funcionam os concursos ... O meu Marido não tem qualificacoes. E neste momento esta como responsavel de equipa. Nunca conseguiria um emprego como o que aqui tem actualmente. Se fossemos para Portugal acredito que não conseguiriamos mesmo sustentar-nos. Seria muito complicado, tendo em conta o preco de aluguer das casas, etc.
      Acredite, pensamos muitas vezes em alternativas para voltar. Ja pensamos em abrir uma creche em Portugal (eu adoro criancas), mas seria um grande investimento... E muito medo e receio que não desse certo.

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    7. P. S. Ana, o dinheiro não e mesmo tudo. Eu não sou nada apegada a bens materias. Mas tenho necessidade de sentir seguranca e estabilidade para coisas que considero essenciais, sobretudo agora que tenho um filho.

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    8. Obrigada Tété e Gisela. Eu tenho amigos que emigraram mas acabaram por voltar, precisamente porque não queriam viver fora de Portugal. Mas eram empregos mais ou menos qualificados, não ficaram mal. Tenho outros amigos que abertamente não querem voltar, por isso percebo os dois lados. Mas muitas vezes as pessoas poderiam voltar e não o fazem por receio de que lhes possa faltar alguma coisa...e isso é de facto horrível.

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  7. Acredito que o Matias a dizer "Quero um mano" te faça realmente esquecer de tudo o resto 😍😍😍
    Acho que o meu coracao explodia de carinho se um dia o meu reguila dissesse o mesmo ! 😊 Mas acho que ele nem tem nocao ainda do que é um irmão (tem 20 meses).

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  8. Olá Joana!
    Gosto muito de ler o que publicas, acompanho as tuas alegrias e tristezas, sucessos e angústias.
    Quanto a ir para longe, deixa-me contar-te: Dois dos meus filhos foram para o Reino Unido. Entretanto os dois casaram e cada um teve um bebé. Os dois nasceram lá.
    Eu apoiei a decisão deles irem trabalhar fora mas a tristeza por não estarmos juntos em tantos momentos importantes ou até em momentos banais, como simplesmente passearmos, jantarmos, brincar com os bebés, rir, abraçar desvalorizam todas as compensações monetárias e de carreiras que eles têm lá.
    E, depois de lá organizarem a vida, voltar é dificil....
    Sugiro: Ouçam o vosso coração! A vida passa muito depressa.
    Se quiseres o contacto dos meus filhos, a viver numa cidade a sul de Londres, condado de Surrey, dou-te.
    Beijinhos
    Filomena

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    1. Olá Filomena!

      Eu acho que apesar de tudo ir para mais longe não me faz muita confusão porque eu já estou 'longe' da minha família. Curiosamente, causa-me mais angústia deixar para trás a minha rede de suporte em Lisboa: os meus amigos, o restaurante de frango assado que já conhecemos, o japonês onde vamos há dez anos e por aí fora. É uma decisão muito difícil :/

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  9. Eu ando a temer a ideia de ela querer um mano. :P Para já está extremamente interessada para saber de onde vêm os bebés, se estava bem na minha barriga, se estava quentinha, se quando era bebé dormia ao meu colo, se bebia um biberão, se dormia connosco...E às vezes diz que tenho um bebé na barriga (não tenho!) mas para já não conhece o conceito de mano ou mana, por isso vou-me safando. Acho que mas depressa pede um cão. :P Mas acho que me vai custar se ela disser que quer um mano, numa altura em que eu também quero muito mas que sei que não é a altura ideal. :)

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  10. Joana, a medicina não é a minha área, mas o NHS, se for esse o caso, não é muito pior que o nosso SNS, em termos de qualidade e aprendizagens? Tenho um amigo que também vai agora fazer a especialidade para o Reino Unido e, sinceramente, não entendo que se vá agora, com o Brexit. A situação será assim tão melhor? Por outro lado, se amas verdadeiramente o teu marido, e podes ir com ele, faz todo o sentido que vás. O Matias ainda é pequeno, logo se adapta.

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    1. A questão é que o Pedro não vai para o NHS, a proposta dele é para ir gerir uma cena no privado. Eu iria para o NHS provavelmente (ou não, não sei, podia ser dondoca, não ia ficar a chorar) :P

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    2. Pois, eu entendo. Mesmo a parte da dondoca :)

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  11. Obrigada pelos teus posts sobre Viena, vieram mesmo a calhar porque vou a Viena e a Bratislava no final deste mês celebrar o aniversario do meu namorado e o meu porque fazemos anos no mesmo dia. Em relação à tua possivel mudança para o Reino Unido, queria dizer que nem tudo é mau. Tem muitas coisas boas, na verdade. Eu vivo perto de Cambridge desde 2016 e adoro viver neste país. Gosto muito de trabalhar para o NHS e de poder finalmente ter estabilidade na minha vida, de me sentir valorizada diariamente. Sempre que sinto saudades da minha familia dou um saltinho a Portugal e eles fazem o mesmo, vêm até cá. E não, nao pretendo voltar para Portugal apesar das saudades da minha familia que entretanto aprendi a gerir. Curiosamente, antes de tomar esta decisao, todos disseram-me para nao emigrar, para ficar em Portugal porque no UK o tempo é uma treta, nao se ganha assim tao bem como se pensa, estamos longe da familia, etc, etc. A verdade é que estou muito feliz neste país e nao me arrependo de todo da decisao que tomei à quase 3 anos. Sinto-me muito grata a este país que me recebeu bem. No entanto, cada pessoa vive e sente coisas diferentes e sobretudo valoriza coisas diferentes. Se valorizas mais o estar perto da tua familia do que o lado profissional talvez devas ponderar muito bem em vir para o UK. Tudo depende da tua approach e da maneira como vês as coisas.

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    1. Eu longe da minha família já estou, e valorização profissional não é bem a minha cena. Ou seja, o que eu quero é estar com o Pedro e o Matias, e se o Pedro quiser ir então eu vou. O que não quer dizer que não me sinta angustiada com a mudança :)

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  12. Acho q estamos a comparar coisas diferentes: eu tenho um casal de amigos q foi p UK pq ele tinha um part tine a 300€/mes e ela ganhava o salario minimo numa pastelaria. Nao tinham qq perspectivas de melhorar isso e viviam c os pais dela pq n tinham dinheiro p se sustentarem sozinhos. Outra coisa é alguem como a Joana e o marido que como medicos ja têm um salario bom em Portugal e conseguem ter uma vida porreira em PT. Se emigrar da angustia por causa da parte familiar entao pq faze-lo?

    Eu ganho 1500€, o marido tb. Ja tive propostas p ir p a Alemanha a ganhar mto melhor e recusei. Claro q se ganhasse o salario minimo era diferente. Mas p quem ganha minimamente bem pq ir p um sitio q se faz infeliz? A Tete nao conseguia arranjar emprego em PT, eu leio o blog e lembro-me, mas esse nao é o caso da Joana. E qt ao dinheiro, bem, se formos por aí nunca é demais: quem ganha 1000€ quer ganhar 2000€, quem ganha 4000€ quer ganhar 10.000€, enfim. Cada um é que saberá qual o minimo suficiente p nao ter de sacrificar o bem estar familiar e deixar o seu país.

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    1. Bem, nós entre os dois ganhamos 2800€ e daqui a um ano se tudo correr bem vamos passar a pagar mais de 1000 só em creches :P A falta de dinheiro é relativa :P Mas sim, não é por razões monetárias que o Pedro quer ir, até porque tem uma oferta para cá a ganhar pouco menos. É também pela aventura, pela experiência, porque é o Reino Unido (sítio que ele idealiza), etc :)

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  13. Olá Joana! Compreendo perfeitamente o Pedro e compreendo-te perfeitamente a ti. No meu caso também tenho uma história parecida. Eu vim estudar para Lisboa quando entrei para a faculdade e custou-me horrores o desenraizamento. Chorava literalmente todos os dias, enfiava as aulas todas de segunda à tarde a sexta de manhã (quando não quinta à tarde :-D) para poder ter fins de semana maiores, e vinha de casa sempre num estado miserável. Depois, claro, adaptei-me e passados 20 anos cá estou e não penso em voltar para casa. Na verdade, a minha casa já não é ali :-)
    Durante uns tempos o meu marido tinha a ideia de ir experimentar uma cena lá fora, nem que fossem só uns meses. Tinha convites de alguns institutos de investigação estrangeiros e ainda ponderou uma ida. Eu fui sincera desde o inicio e disse-lhe que não iria. Não queria passar por todo o processo novamente pq tinha sido muito traumático. Ele acabou por nunca ir (penso que tb pq era mais um plano no abstracto do que propriamente um objectivo de vida) e felizmente, na nossa ocupação temos muitas ligações a esses institutos e fazemos muitos trabalhos em conjunto o que acaba por ser positivo para essa tal da valorização :-D
    Sinceramente o UK neste momento não me apela... E atenção passei lá 3 semana em Agosto, adorei o país, mas viver no UK depois do Brexit não seria para mim (uma europeísta convicta que não concebe como um retrocesso a fronteiras pode ser bom).
    Acho que a "pequena grande" diferença entre o vosso caso e o caso de outros imigrantes é que vocês não estão forçados a ir, a irem será porque querem. E, caso não se adaptem, também acredito que não vos será dificil voltar e isso faz toda a diferença.

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    1. Pois, também já o disse acima...com o Brexit nunca iria, apesar de saber que, no caso do NHS, o sistema funciona à base de emigrantes qualificados. Também gosto muito do Reino Unido, mas nunca conseguiria viver lá: desde o tempo, às rendas e passes altos, ao facto de se ter de fazer formações para tudo (até dar injeções), um sem número de coisas que me fazem alguma espécie. E, acima de tudo, perceber que metade do país tem abertamente convições xenófobas...

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    2. Por aqui, como a ideia seria o Pedro trabalhar numa empresa privada, segundo o que eles lhe disseram o Brexit não nos afectaria do ponto de vista prático. Agora é claro que do ponto de vista metafísico me faz um bocado de confusão a ideologia, mas não posso fazer grande coisa. Desde que eu conheço o Pedro que ele idolatra aquele país, acha que o Reino Unido é o melhor país de sempre, tão eficazes, tão sérios, tiveram um império tão grande, foram tão bons, ai Reino Unido, love love love. Acho que todos temos tendência a fazer isso com algum país: julgo que no meu caso é provavelmente a Austrália. No caso dele o tempo é até uma vantagem, porque ele odeia sol (e diga-se que eu também não sinto grande falta, embora me faça confusão ter dias mais curtos do que cá).

      Já com as convicções xenófobas... É complexo. Há uns tempos o Pedro recebeu uma proposta para ir para a ilha da Reunião e ainda pensámos a sério em ir (o salário tinha muitos zeros), mas depois acabámos por mudar de ideias e o Pedro acabou por sugerir irmos para França. E eu NUNCA iria para França, acho que eles são super xenófobos :/

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    3. Já nem estava a ir pelas questões de xenofobia pq nem sei como reagiria a uma situação dessas. Mas mesmo só pensando nas questões práticas de deslocação Por exemplo ter que lidar com uma série de burocracia cada vez que quisesse vir a Portugal ou se alguém quisesse ir visitar me. Já cresci em contexto europeu com idas frequentes a todo o lado sem pensar muito. Voltar a vistos e fronteiras seria um retrocesso :-)

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  14. Eu e o Pedro iríamos dar-nos bem, de certeza. Também adoro o Reino Unido, mas esse Reino Unido não existe (o da minha cabeça). Então isto do Brexit foi mesmo uma facada. Mas era capaz de viver na Escócia. Se me sair o Euromilhões compro uma casa de férias na Escócia. Só de férias, porque apesar de não gostar de calor, preciso de sol. Viver no cinzento é deprimente. Relativamente a França, tens razão, mas eu passei a gostar progressivamente mais de França. E o serviço público de saúde é dos melhores do mundo. Mas, com sinceridade,eu vivia bem era em Espanha, se tivesse de sair de Portugal. Tem a dose certa de loucura que um português precisa.

    PS: já sabem, se quiserem dicas sobre Santarém, sou toda ouvidos. As creches aqui são mais baratas :)

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