26 de abril de 2018

Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros.

Quando comento em circunstâncias sociais que vou viajar sozinha ou com amigos, a primeira pergunta que me fazem é 'e o Matias fica com quem?'. Isto é terrivelmente frequente, e no entanto continua a deixar-me abismada, ao ponto de provavelmente responder com um ar de 'duh' que o Matias fica com o pai.

Às vezes as pessoas fazem um ar de surpresa 'ai meu Deus, o pai existe como elemento cuidador?'. Outras vezes, gabam a minha sorte 'por ter um marido que ajuda tanto'. Também já aconteceu comentarem que 'nunca conseguiriam deixar os seus filhos' porque 'gostam tanto deles', talvez pensando para si que eu gosto menos do meu porque vou. 

(Quando comento em circunstâncias sociais que o Pedro vai estar fora, ninguém parece questionar-se disto.)

Talvez isto aconteça porque as pessoas continuam a achar que 'mãe é mãe', mandando o pai para esse lugar tão injusto de acessório. Por alguma razão, toda a gente parece achar que eu sou mais capaz de cuidar do Matias porque sou menina. Ou parece ter pena do Pedro por eu lhe dar esse terrível fardo.

E eu explico-me. Explico-me, para tentar mostrar que há realidades diferentes. Que a realidade pode ser diferente. Que talvez a realidade devesse ser diferente.

Vou para Miami e o Matias fica com o Pedro porque ele pediu. Disse que achava que eu me ia divertir mais assim, que ia descansar mais e que o miúdo ia ficar mais confortável sem uma alteração tão abismal das suas rotinas. E eu disse que sim. E vou.

E eles ficam. Vivos, felizes, bem cuidados, bem alimentados, bem dormidos e lavadinhos.

Talvez com a roupa menos bem conjugada, mas pronto, não se pode pedir tudo.

6 comentários:

  1. Olá Joana,

    a sociedade ainda está um pouco atrasada nesse assunto. É verdade que carregamos o nosso bebé durante 9 meses (ou menos) e que existe uma grande ligação mãe/bebé, todavia o pai não deve ser visto como acessório, mas como um companheiro que ajuda, cuida e trata do bebé tão bem como a mãe.

    Se nos isolamos com o bebé e não deixarmos o pai ajudar, ai sim, o pai torna-se num acessório e não, um cuidador. O meu marido ajuda-me imenso e houve alturas que era ele a adormecer a O., porque eu estava exausta ou com dores nas costas e não me conseguia mexer.

    Boas férias, bom descanso e quando voltares tens os teus meninos inteiros e com muitas historias para te contar. O facto de viajares sem o Matias não significa que gostas menos dele e quem sugere isso é parvo e já deveria ter aprendido a não julgar os outros. Somo todos diferentes e isso faz-nos únicos e não errados.

    ResponderEliminar
  2. Cá em casa desde que a nossa primeira filha nasceu, há 4 anos, que eu e o pai fazemos tudo da mesma forma (menos amamentar). Já vamos a caminho do terceiro filho e tudo se mantém: as miúdas ficam tão bem comigo como com o pai (somos mesmo só os dois diariamente). Eu já viajei e o pai também mas até agora só por motivos de trabalho e as miudas ficam lindamente quer com um quer com outro. Acho extremamente saudável e desejável pai e mãe viajarem e sairem sozinhos ou com amigos e daqui a uns anos ninguém vai estranhar. Estamos na geração de transição e se calhar é por isso que é mais estranho para algumas pessoas. Cabe-nos a nós mudar isso, agindo com naturalidade. Na minha família sou a única mãe de filhos que não é casada e que sai à noite sozinha com amigas. Também sou a única que não tem ajudas ou alguém com quem deixar os filhos durante uma noite ou um fim de semana. E geralmente andamos felizes e com ar de quem tem vida fácil. E a única coisa que fazemos é partilhar tarefas que são, efetivamente, dos dois. Com o tempo chegamos lá. A minha família também diz que tive sorte, eu respondo que para mim não haveria outra possibilidade de relacionamento, nem consigo imaginar não sentir confiança para não deixar os miúdos com o pai. www.vinilepurpurina.com

    ResponderEliminar
  3. A primeira vez que fui e que os deixei com o pai dei-me ao trabalho de deixar saquinhos com as conjugações de roupa. Quando voltei estavam vestidos à cigano (será que isto se pode dizer?...) e os saquinhos estavam quase intactos.
    Pirosos mas saudáveis e felizes.
    (quando é que começámos a achar que os homens são incapazes?Não são, é só quererem)

    ResponderEliminar
  4. E mais nada!!! Adoro ler os seus textos! Obrigada.

    ResponderEliminar
  5. Não expliques nada sequer, manda logo à m*rda -.-'
    Os homens não são coitadinhos! -.-'
    Prevejo problemas semelhantes quando tiver os meus filhos. A minha sogra ao inicio da minha vida em conjunto com o meu namorado ligava-me com comentários deste género "Liguei-lhe e vê lá tu! estava a aspirar" ou "Sopa?! Ele faz sopa?!" como se ele não tivesse mãos ou algo do género. Se já é assim com coisas tão pequeninas e básicas como viver o dia a dia, o que será com os futuros babies.
    Aqui em casa ninguem ajuda ninguém. Se quisesse ajuda de alguém pagava a uma empregada. Aqui em casa vive-se e vai-se fazendo o que é preciso: em fevereiro acumulei 4 trabalhos, saía de casa às 6h15 e chegava às 22h. Não tinha um único dia de folga. O meu namorado estava desempregado: não questionámos sequer que ele fizesse tudo em casa - vá, exceto cozinhar, cozinhar cozinho eu, mas por uma questão de preferência: eu também nunca dobro meias, por exemplo xD Aqui em casa partilha-se tudo e mesmo com bebés espero que se mantenha assim. Por enquanto, e eles ainda só existem enquanto projeto futuro, já é assim: vou a uma conferencia sobre o parto (interesso-me pelo assunto) e ele disse logo que vinha também. Partilhar tudo desde o principio. Desde antes do principio: os filhos na grande maioria das vezes são um projeto a dois, e é a dois que se deve manter.

    Beijinhos revolucionários :)

    ResponderEliminar
  6. E é tão isto... mas anda estamos tão longe de isto ser o normal e não nos bombardearem com 13113 questões!

    ResponderEliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...r: 0" />