9 de janeiro de 2017

Matias e a creche #1

O Matias foi para a creche pela primeira vez no dia 28 de Novembro. Acordou às 15h da sua sestinha, eu dei-lhe o leitinho, levei-o para a creche e ele lá ficou até às 16.30h, a gatinhar de um lado para o outro. Nesse dia acabei por ficar lá (não foi de propósito, mas fiquei na conversa com a educadora) e notei que ele ia olhando para mim de vez em quando. Quando começou a ficar rabugento (ele só aguenta 1.30h acordado, na loucura das loucuras 2h) trouxe-o para casa, deitei-o, ele dormiu 2h seguidas e eu dediquei-me a chorar em posição fetal enrolada numa manta.

Três dias depois o Matias ficou doente e a virose varreu-nos a todos de tal forma que ficámos de molho durante semanas.

No dia 21 de Dezembro achámos que já parecia seguro o Matias voltar. O Pedro estava em casa com ele na altura e levou-o à creche à mesma hora. Optou por vir embora, mas quinze minutos depois ligaram-lhe porque o Matias não parava de chorar (estava com sono).

Fiquei muito angustiada. O miúdo ia entrar na creche a tempo inteiro no dia 2 de Janeiro, e embora seja um bebé 'fácil' (ou vá, não é 'difícil') a verdade é que é preciso perceber como é o funcionamento dele (precisa de dormir, não gosta de colo, adora explorar). Vai daí, combinámos com a creche que na semana seguinte o Mati passaria a ir todos os dias.

Na Segunda-feira chegou às 10.30h e veio embora às 12h. Na Terça e na Quarta veio embora às 15h (ou seja, brincou, almoçou e dormiu a sesta). Na Quinta e na Sexta chegou às 11.30h e veio embora às 15.30h (ou seja, também lanchou). E nós estávamos felizes da vida: mal o Matias via as educadoras desatava a rir-se, vinha sempre muito animado e estava a adaptar-se lindamente (comia bem, dormia bem, brincava, etc.).

E chegou a Segunda-feira seguinte, o dia em que o Matias entrou 'oficialmente' na creche. Ele acordou muito ranhoso e rabugento, foi o caminho todo a rezingar e quando o deixei na sala largou num pranto enorme. E eu? Eu tive de vir embora. Tive de deixar o meu filho a chorar de forma inconsolável e vir embora.

Chorei compulsivamente durante toda a viagem para o trabalho. Não sabia o que fazer. Não tinha ninguém com quem falar. Achava que ninguém iria perceber a minha angústia. Eu própria não percebia a minha angústia. Racionalmente sabia que não tinha outra hipótese, que tinha de trabalhar e que o miúdo ia ficar bem depois de dormir uma sestinha. Mas não conseguia lidar com aquilo. Não conseguia parar de pensar no meu filho ali, a chorar.

Desmarquei as minhas consultas da tarde (eu própria estava doente nesse dia também) e decidi ir buscá-lo depois do almoço. E eis que me ligam ao meio-dia a dizer que o Matias estava com febre.

O miúdo acabou por ficar doente (e em casa) durante toda a semana com febre e ranhoca (um dia falo sobre isto de sermos pais e médicos, mas devo dizer que é bestial). Nós fomos conseguindo ficar em casa (um ia trabalhar de manhã e o outro de tarde e a minha sogra veio para Lisboa para nos cobrir alguns buracos).

Hoje voltou à creche e foi bem mais fácil. Ficou todo sorridente, muito mais animado... E eu vim embora bem mais descansada também. Ainda não tinham passado nem dez minutos quando me ligaram a avisar que me tinha esquecido do blankie (na verdade achei que tinha deixado um lá na semana anterior), por isso lá voltei para trás. E eis que me ligam às três da tarde a dizer que o Matias estava com febre. Outra vez. Já não tinha febre desde Quinta-feira passada, mas pelos vistos conseguiu apanhar uma virose diferente.

A sorte é que até febril o miúdo é um bem dispostão.

Por isso aqui está a nossa experiência na creche até agora. Não tenho qualquer razão de queixa e o miúdo parece estar a gostar, mas está complicado mantê-lo lá sem apanhar nenhuma virose.

Esperemos e rezemos.

12 comentários:

  1. Oh... estou a ver que estamos todas mais ou menos para o mesmo. :(
    A minha filha mais velha apanhou uma virose na creche e, assim que ficou sem febre voltou para a escola. Logo no primeiro dia ficou com otite bacteriana e teve que fazer antibiótico. Fiquei a sentir-me horrível por a ter colocado na creche mal ela ficou aparentemente bem. A irmã de 6 meses acabou por ficar doente também. Antibiótico para bronquiolite. Com seis meses. Fez-me impressão mas é o que tem que ser.
    Passou uma semana e a Lara foi para a creche novamente. No sábado ficou novamente com febre e queixou-se de dores na boca quando dormia (creio que lhe doi a garganta). Faz febre só à noite e damos-lhe supositório. Ainda não fomos ao médico (não nos parece suficientemente grave) mas também não a conseguimos deixar na creche. Agora tenho medo que vá para a creche e apanhe uma bactéria por isso ficará em casa esta semana sendo que eu vou trabalhar das 8h00 às 15h00 e o pai, que trabalha por conta própria, trabalha das 15h30 às 00h30. A avó também nos vem dar uma ajuda. Ainda por cima estou com uma tendinite no pescoço e pareço o robocop a andar (e mal me consigo mexer em metade das coisas que tenho para fazer). Dormir também tem sido uma grande utopia.
    Às vezes sinto que vou ficar louca mas, olho à volta, e parece que está toda a gente mais ou menos para o mesmo. :( Como é que se mantém a sanidade mental?

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    1. Deixa lá, o meu filho ainda ficou três dias sem febre em casa e depois quando voltou ficou doente na mesma! :) A questão é mesmo eles voltarem a infectar-se, não tem nada a ver com irem logo para a creche ou não ;)

      Sinceramente não sei como é que se mantém a sanidade mental. No meu dia de anos estava com uma TPM gigante (agora fico mesmo péssima, ao ponto de desatar a gritar por tudo e por nada...) e com o miúdo doente, a dormir sestas mínimas, a precisar de fazer sopa e papa e fruta... Passei todo o dia a sonhar com o momento em que ia deitar o lombo na banheira e tomar um belo banho de imersão :D

      Depois passa, vamos pensar nisso :) Um dia quando o miúdo sair de casa talvez até tenha saudades destes dias em que só cuidei dele (talvez!) :)

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    2. :) Dizem que sim, que ainda vamos ter saudades destes tempos. Vou mentalizar-me disso. ;)

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  2. É para mim, a maior chatice das creches: os pequenos apanham tudo e mais alguma coisa. A minha só entrará na escola aos 3 anos e mesmo assim já sei que os primeiros tempos vão ser um festival. Conheço um casal cujo primeiro ano do bebé na creche foi "terrível": conseguiram fazer um ano inteiro sem o bebé estar uma semana seguida na creche. Todas as semanas trazia qualquer coisa. Foi dose. Mas com o Matias as coisas vão correr melhor. :)

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    1. Bem, faz parte. É preciso reorganizarmo-nos (hoje estou a trabalhar em casa de manhã, por exemplo), mas faz parte. Vamos pensar que enrijece o carácter (que não enrijece, mas vamos pensar que sim!) :P

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    2. Pois faz parte, eu sei, mas acho mais piada a outras coisas que fazem parte do mundo dos bebés. :)
      (E enrijece o carácter, claro que sim, pelo menos o dos pais! :D )

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  3. Muito, muito obrigada!
    Eu tenho 15 dias de licença para fazer a adaptação dela e estou a rezar para que chegue, mas acho que quando delineei esse plano bonitinho não pensei na possibilidade de ficar doente - ela anda muito na rua, quase todos os dias vai ao jardim, mas não tem grande experiência com vírus e espaços fechados com outras pessoas e nunca esteve doente, coitada. Ainda por cima é muito bem disposta mas um bocado anti-social, se muita gente vem conversar com ela ri-se muito para todos, até ao momento em que faz "tilt" e desata num pranto inconsolável.
    A minha outra angústia é que não escolhi realmente a creche, foi a ausência de vagas noutros sítios que nos escolheu a nós - mas vou-me reconciliando com ela. Não é ideal, mas tem um galo de estimação, um pátio razoável e fica mesmo do outro lado da estrada do meu trabalho.
    Enfim, vou continuar a rezar e a acompanhar os teus relatos :)

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    1. O meu também nunca tinha estado doente. Nem um ranhinho sequer. E nós sempre o incentivámos a explorar tudo, até porque eu tenho alergias e actualmente defende-se que viver num mundo 'menos higiénico' protege os miúdos de desenvolverem alergias. Basicamente o Matias anda sempre de cara no chão, lambe tudo, prova toda a gente, mete as mãos em todo o lado, volta a lamber brinquedos que caíram ao chão... Enfim, só falta rebolar-se na imundice mesmo :P Mas os vírus que andam por aí (e neste Inverno em particular então tem sido horrível!) são muito agressivos, por isso não há mesmo muito a fazer...

      Sabes que cada vez acho mais que as pessoas é que fazem a creche. Nós escolhemos a creche quando eu estava grávida de vinte semanas, e se fosse hoje talvez fizesse uma escolha diferente. Na altura escolhi com as hormonas, hoje provavelmente escolheria de uma forma mais racional. E ainda bem que assim foi, porque estou muito satisfeita :D É claro que todas as creches terão sempre defeitos porque não passam de um plano B quando o que nós realmente queríamos era ficar com os nossos filhos... Mas desde que as pessoas sejam afectuosas com os miúdos corre tudo bem :)

      E não te preocupes, elas sabem imenso de miúdos :P Não sabem tanto da tua filha como tu obviamente, mas já lhes passaram dezenas ou centenas de miúdos pelas mãos e não se assustam com pouco (pelo menos eu noto isso nas educadoras do meu filho!) ;)

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    2. Obrigada, é verdade, tenho de me focar na competência e na experiência delas e sei que também acreditam em muito colo.
      E se correr mal posso sempre trocar em Setembro.

      PS: A Maria da Graça é igual, também seguimos a mesma filosofia de combate às alergias. Outro dia dei com ela a chupar as franjas do tapete. Blergh!

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  4. Por acaso, deste lado, nunca tivemos problemas de doenças com a frequência da creche, o que é uma sorte muito grande. No entanto, como mãe, estou tão solidária contigo: é terrível termos de os deixar na creche a chorar. Parte-se-me o coração de tal forma que me apetece mandar tudo às urtigas e pegar no meu bebé e levá-lo para casa, ponto. Felizmente, é o pai que o leva todos os dias, eu vou buscar e esse é sem dúvida o melhor momento do meu dia, quando ele corre para mim e me abraça muito :D
    Boa sorte! Força e coragem! Tudo vai correr bem!

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  5. Isso das viroses é uma sorte e depende dos miúdos, acho eu. A minha filha andou no infantário desde os 11 meses até aos 6 anos e a única coisa que lá apanhou nesse tempo todo foi varicela (a isso é impossível escapar) e uma conjuntivite. O meu grande problema era mesmo o choro ao deixá-la e o olhar de desalento que me mandava todos os dias até aos 4 anos!... Era desesperante! Boa sorte com o Matias

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  6. Olá Joana!
    ao ler o teu texto lembrei-me da entrada da Rita para o colégio, e já ela tinha 3 anitos (fui uma sortuda ter os avós por perto e com disponibilidade). No 1.º mês apanhou varicela e os 6 meses seguintes foram uma sequência de estados de saúde mais débeis, febres, viroses ou outras doenças...foi um período preocupante e cansativo mas lembro-me de pensar: isto é só o 1.º ano, isto vai passar, ela vai ganhar resistência. E assim, foi. o 2.º ano no colégio correu bem melhor.
    Ainda bem que estão a gostar da creche. Ficamos sempre com receio de não ter escolhido bem mas quando os vemos felizes ficamos com o nosso coração descansado e feliz.
    Beijinhos e espero que o Matias melhore rapidamente.

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