15 de setembro de 2015

Pão de sementes para um choque de gerações :)

 You must remember this,
A kiss is still a kiss,
A sigh is just a sigh.
The fundamental things apply as time goes by.
And when two lovers woo,
They still say 'I love you',
On that you can rely.
No matter what the future brings,
As time goes by.

Frank Sinatra




Trabalhar diariamente com miúdos faz-me sentir constantemente velha e desactualizada. De facto, não é assim tão raro dar por mim nas consultas com adolescentes a questionar-me:

'Será que era assim que os meus pais se sentiam quando eu falava destas coisas?'.


Primeiro, temos as redes sociais. Já não é só o Facebook, o Instagram e o Twitter: agora há também o Tumblr, o Ask, o Snapchat, o Flickr, o WhatsApp, o Grindr ou o Tinder.

Depois, temos a música: as Beliebers, as Directioners, as Swifters, as fãs da Ariana Grande e das suas orelhas de gato, as adoradoras da Nicky e as suas arqui-inimigas, as seguidoras da Miley.


Por fim, há todos os dramas envolventes. As Directioners sofrem porque o Zayn foi embora (ou, como disse uma doentinha minha, 'nós temos todas que nos unir neste que é um dos piores momentos das nossas vidas') e as Beliebers odeiam a Selena Gomez e boicotam a série Supernatural.


As mensagens trocadas no Ask dão origem a crises de choro intermináveis e as fotos mandadas pelo Snapchat criam dúvidas existenciais implacáveis.

E, pelo meio, é por vezes difícil criar empatia com o que parece ser toda uma geração de pessoas histéricas e fúteis.


Mas depois puxo o filme para trás. Vejo-me a explicar aos meus pais o que era o mIRC, a contar-lhes que conseguia tirar músicas da internet com o Kazaa e a ignorar as queixas de que falava a toda a hora com os meus amigos no MSN Messenger. Vejo-me a curar os desgostos de amor com mensagens enviadas em conferência para o meu grupo de amigas e a trazer para casa o diário que todas partilhávamos e onde escrevíamos com canetas de cheirinhos como a nossa vida era triste e como os nossos pais eram chatos e autoritários.

Vejo-me a ser histérica e fútil. Como uma boa adolescente.


E sim, era assim que os meus pais se sentiam quando eu falava disto: exactamente como eu me sinto agora, quando parece que vivo num planeta diferente dos meus miúdos. Mas também é assim que a minha avó se sente quando, após longos anos a comer pão feito da forma tradicional, vê os meus pais a fazerem pão com uma mistura já preparada na máquina de fazer pão.


'Realmente, já nada é como antigamente', pensa a minha avó a olhar para os meus pais. E pensam eles a olhar para mim. E penso eu a olhar para os meus miúdos. E pensarão um dia eles, quando crescerem.

Mas no meio do choque de gerações, há uma coisa que se mantém constante: o sabor delicioso de um pão acabadinho de fazer :)


Pão de sementes

Ingredientes:

* 500g de farinha preparada para pão integral;
* 330ml de água morna;
* 50g de sementes de chia;
* 30g de sementes de sésamo;
* 40g de sementes de linhaça.

Confecção:

* Juntar a farinha com a água morna e amassar bem;

* Juntar as sementes e envolver;

* Colocar num recipiente, cobrir com um pano limpo e sexo e levar ao forno pré-aquecido a 50º e posteriormente desligado durante uma hora ou até a massa dobrar de volume;

* Retirar, colocar na forma pretendida (usei uma forma de bolo inglês) e levar novamente a levedar durante uma hora;

* Cozinhar no forno pré-aquecido a 220º durante trinta a quarenta minutos. 



Até amanhã! :D

12 comentários:

  1. Não percebi nada do que disseste, o que só prova que estou a ficar velha, desatualizada e ultrapassada!!! Agora a sério, nós olhamos para a juventude de agora e ficamos com cara de parvas. Mas na realidade nós já fomos assim, só que adaptadas ao tempo e à geração. A única diferença que eu noto é que os miúdos hoje em dia já nascem com um "software" completamente diferente do nosso! Nós nascíamos praticamente ignorantes e só aprendíamos certas coisas aos 12 anos, pelo menos comigo foi assim, e eles hoje já nascem a saber mexer num computador, num smartphone ou num talbet, já nascem com facebook e todas as tecnologias que possamos imaginar. Mas não me parece que sejam mais inteligentes ou mais felizes. Haverá sempre choque de gerações, é inevitável. Olha, quando eu era adolescente aborrecia-me imenso certas atitudes dos meus pais que eu achava serem um atentado contra a minha felicidade, enquanto que era justamente o contrário, e eu dizia que quando tivesse filhos não seria nada assim nem faria nada assim. Pois olha, rapidamente percebi que sou assim e faço exatamente igual, ou pior! Beijinhos

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    1. Sim, eu acho que tendemos a repetir os comportamentos dos nossos pais porque lá está, são comportamentos de pais :D

      Na verdade há estudos giros que mostram que os miúdos hoje em dia têm determinadas áreas do cérebro mais desenvolvidas por causa dos jogos :) É interessante :D

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  2. Esse choque é perfeitamente saudável. Quando antes éramos nós quem estava muito a frente ( tenho 29 aninhos :) ), agora já nos custa acompanhar tanta evolução, redes sociais, modas, expressões, maneiras de estar. O que para nos era cool, agora é à cota... e ora bolas que ainda me sinto tão nova! :)
    Venha pão de sementes, pequeno almoço saudável :)

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    1. Sim, para os meus doentes sou uma cota :P Dizia um muito surpreendido um destes dias 'mas como é que a doutora conhece o LOL?' (League of Legends). Como se fosse a coisa mais estranha do mundo :P

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  3. Adoro pão de sementes :)
    Beijinhos,
    Espero por ti em:
    http://strawberrycandymoreira.blogspot.pt/
    www.facebook.com/omeurefugioculinario

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  4. ui ui ui... também sofro do mesmo mal... não percebi metade!! mas conheço os que tu usavas!! lol
    belo pãozinho!
    Beijinhos,
    http://sudelicia.blogspot.pt/

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