21 de agosto de 2015

Bolo de chocolate paleo (sem glúten, sem açúcar) e uma opinião :)

'An eye for an eye will only make the whole world blind.' 

Mahatma Gandhi




Há uns anos conheci um rapaz polaco que dizia que os portugueses eram um povo tão apaixonado como era indignado. Dizia ele que tudo nos fazia zangar, e que quando nos cansávamos de reclamar sobre um determinado tema logo surgia outro para nos aborrecer. Vai daí, mostrei-lhe aquele sketch brilhante dos Gato Fedorento que julgo reflectir na perfeição o que ele tão rapidamente percebeu sobre nós.

Penso nele sempre que surgem as discussões sobre os direitos dos animais.


Há algumas semanas, um senhor americano caçou um leão no Parque Nacional de Hwange, no Zimbabwe. O episódio foi largamente retratado pela comunicação social em todo o mundo. O indivíduo diz que a caça foi legal e que tinha uma autorização. O Zimbabwe (onde este tipo de situações acontece com alguma frequência, infelizmente) julgou os dois guias que permitiram que a caça acontecesse. O mundo ficou em choque. E reagiu das mais variadas formas, sendo a mais comum dizerem que o tipo devia morrer pelo que fez.

Surgiram depois as duas facções do costume: os indignados e os indignados contra os indignados originais, numa eterna discussão sem fim.


Sabem, uma das coisas que ser psiquiatra me ensinou foi que não devemos ser rígidos nas nossas opiniões. Não há pessoas exclusivamente más nem pessoas totalmente boas. Não sabemos tudo sobre uma determinada situação. E, acima de tudo, a nossa opinião sobre um assunto é apenas isso: a nossa opinião.

Tenho amigos que gostam de caçar. São médicos, são boas pessoas, são carinhosos, são pessoas preocupadas com questões sociais, são voluntários em associações... E gostam de caçar animais para os comerem. Alguns até gostam de touradas. E eu posso não concordar com eles, mas isso não me dá o direito de os julgar por aquilo que, em última análise, são as opiniões deles.


Há uns meses estava numa consulta e a senhora, uma velhinha com um ar simpático, contava que tinha imensos cães e cadelas na quinta dela e que estes eram a alegria e a companhia dela. Quando comentei que devia ter então muitos cães pequeninos disse prontamente que não, porque mal estes nasciam eram imediatamente afogados num balde. Eu fiquei, obviamente, horrorizada. Mas depois percebi que isso não fazia da senhora uma pessoa má. Na verdade, continuava a ser a mesma velhinha com um ar simpático.

E lembro-me disto sempre que leio comentários de pessoas que pedem a morte de alguém. Porque não somos ninguém para julgar os outros. Porque não há pessoas totalmente más, mas sim acções más. E porque os erros, por muito graves que sejam, devem ser julgados por quem foi criado para o fazer: a justiça.

Por isso, confesso que este tipo de discussões me passa completamente ao lado. Na argumentação interminável sobre a morte do leão, o que me choca é mesmo a incapacidade do governo do Zimbabwe em cumprir a sua lei e proteger os seus animais.


E porque uma opinião será sempre só e apenas isso, também tenho amigos que continuam a achar uma grande parvoíce que cá em casa façamos uma alimentação maioritariamente paleo. E eu ouço com atenção, aceito os argumentos contrários e continuo com a minha vida.

Porque as nossas opiniões são verdades para nós, mas não para os outros.

(Vai daí, sintam-se à vontade para dar a vossa opinião na caixa dos comentários abaixo!)


Bolo de chocolate paleo (sem glúten, sem açúcar)

Ingredientes (para quatro mini-bolinhos):

* 60ml de leite de coco;
* Uma colher de chá de sumo de limão;
* Três colheres de sopa de óleo de coco derretido;
* 30g de chocolate com pelo menos 70% de cacau;
* Quatro colheres de sopa de cacau magro em pó;
* Meia chávena de chá de farinha de amêndoa;
* Meia colher de chá de bicarbonato de sódio;
* Meia colher de chá de fermento;
* 50g de pepitas de chocolate negro;
* Uma pitada de sal;
* Um ovo;
* Quatro colheres de sopa de mel;
* Uma colher de chá de essência de baunilha natural.

Confecção:

* Misturar o leite de coco com o sumo de limão e deixar actuar durante cinco minutos;

* Derreter chocolate e o óleo de coco no microondas, verificando e mexendo de vinte em vinte segundos;

* Deixar arrefecer ligeiramente;

* Numa tigela misturar o cacau, a farinha de amêndoa, o bicarbonato de sódio, o fermento, o sal e as pepitas de chocolate;

* Noutra tigela bater o ovo com o mel e juntar a essência de baunilha;

* Juntar a mistura de chocolate e óleo de coco e bater bem até ficar uma mistura homogénea;

* Acrescentar o leite de coco e o sumo de limão;

* Juntar os ingredientes e misturar bem;

* Levar ao forno pré-aquecido a 180º durante trinta minutos.


Tenham um óptimo fim-de-semana! :D

30 comentários:

  1. "Mas depois percebi que isso não fazia da senhora uma pessoa má." Pois não, faz dela uma pessoa profundamente ignorante, como tantas velhinhas iguais que vivem nas nossas aldeias (eu conheço algumas). Espero que entretanto alguém a tenha educado sobre esterilização e sobre a nova lei de proteção aos animais de companhia.

    Concordo contigo que pessoas que afogam cães e gatos e gostam de touradas não são necessariamente más pessoas, mas são certamente pessoas com quem eu não quero passar o meu tempo. Não consigo sentir empatia por pessoas assim. Pode ser irracional e inflexível, mas é o que eu sinto.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Rita nós falámos sobre isso, mas isto aconteceu num contexto muito específico num ambiente extremamente rural, por isso a simples ideia de esterilizar um animal parecia inconcebível para esta senhora por várias questões (a logística, o preço, enfim). Além disso, dava-me ideia que ela simplesmente aceitava todos os animais que aparecessem pela quinta e dava-lhes comida, mas depois precisava de alguma forma de lidar com o 'problema' de aparecerem mais.

      Eu não concordo que se diminua uma pessoa apenas a uma característica, mas lá está: também aprendi isso no dia em que uma grande amiga minha me contou que gostava de touradas e eu tive de repensar a minha postura. Não vou às touradas com ela e nem sequer falamos disso, mas não deixei de ser amiga dela por causa disso (muito pelo contrário, porque actualmente admitir isso a alguém requer uma certa dose de confiança). Não somos todos bons nem maus, e haverá sempre quem não concorde comigo e quem goste de coisas que eu considero erradas. Para isso é que há leis ;)

      (E sim, eu acho que a lei devia proibir as touradas. Enquanto isso não acontece, não é a minha opinião que é a lei.)

      Eliminar
    2. Só agora vi que respondeste aos comentários, e agradeço imenso a tua resposta.

      Eu sei como são as pessoas no ambiente rural, vivo nele, conheço bem a simplicidade de vida e de mentalidades que aqui habitam. Percebo que, para os mais antigos, gastar dinheiro na esterilização de um animal pareça ridículo e que seja mais prático afogar/enterrar ninhadas atrás de ninhadas mas, como tu dizes, para isso é que há leis. É só alguém lembrar-se de denunciar estes casos às autoridades competentes e estas senhoras podem ter de pagar uma multa superior ao valor que gastariam na esterilização das suas gatas/cadelas ou na compra de anticoncepcionais. (Sim, eu sei que a nova lei ainda funciona miseravelmente e que, muito provavelmente, nem uma reles multa lhes seria imposta... Mas eu sou sonhadora.)

      Eu também não concordo que uma pessoa seja definida apenas por uma característica, atenção. Acontece que esta característica em particular -- o mau trato dos animais, seja de forma activa ou passiva (amantes de touradas) -- toca-me particularmente e afecta grandemente a minha perspectiva da pessoa. Há quem não se dê com pessoas do espectro político oposto (o meu avô não podia sequer ouvir falar em comunistas que começava a espumar da boca de raiva!), de religião diferente ou de outra nacionalidade. Ora, isto para mim é uma imbelicidade porque, obviamente, não é uma só característica que define uma pessoa... Só que matar gatos e gostar de ver touros e cavalos a serem torturados é algo que me afecta tanto que eu não consigo ignorar esse aspecto de alguém e focar-me no resto. E eu não acho que a minha opinião é lei, nem que sou melhor pessoa que ninguém! Como tu disseste, estas pessoas não são assim porque são "más", mas porque foram assim educadas ou porque simplesmente vêm o mundo de um prisma diferente do meu. Eu aceito isso. Mas acho que não é nada estranho que as pessoas com quem escolhemos partilhar a nossa vida e o nosso tempo (as que podemos escolher, vá) sejam compatíveis connosco, pelo menos nos assuntos que são mais importantes para cada um de nós.

      Eliminar
    3. Olha que a minha família é toda comunista e são todos boas pessoas :P Eu já sou 'só' de esquerda, sou a ovelha negra da família ;)

      Acredita que eu tinha enormes trocas de argumentos com estes meus amigos, e eles também têm os argumentos deles. Dizem que assim protegem os touros, que se não fossem as touradas as 'raças' de touros entrariam em extinção, trá lá lá. No fim concordamos em discordar, e pronto. Acho que ajuda ter amigos com pontos de vista tão diferentes dos meus, já estou meia dessensibilizada a temáticas como a política, religião, coisas do género :)

      Eliminar
  2. Concordo plenamente contigo joana.Como dizia Jesus "que atire a primeira pedra quem não tiver pecados".Adoro as tuas reflexões, teorias , uma pessoa tão madura sensata para a sua idade.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada :) Por acaso sempre gostei muito dessa citação ;)

      Eliminar
  3. Antes de mais, dizer-te que sou leitora assídua, apesar de raramente comentar. Peço desculpa por isso, porque acredito que para quem escreve deve ser mais motivador ler algum tipo de feedback.

    Posto isto devo dizer que concordo em absoluto com o que disseste, principalmente:

    "Não há pessoas exclusivamente más nem pessoas totalmente boas. Não sabemos tudo sobre uma determinada situação. E, acima de tudo, a nossa opinião sobre um assunto é apenas isso: a nossa opinião."

    Acho que o acesso tão fácil que temos à informação faz com que nos seja possível opinar de tudo e de todos e das mais diversas formas. Isso, aliado à facilidade com que se escrevem umas tretas neste mundo enorme da Internet, faz com que muitas das vezes as críticas sejam feitas de uma forma barata, a destilar veneno para todos os lados. Dou-te como exemplo as caixas de comentários de alguns blogs que são completos murais de críticas, que a certa altura já passam a insulto ou são feitas de uma forma irónica, única e exclusivamente para rebaixar alguém/alguma coisa. E isso para mim já não é dar uma opinião. É ofender, é magoar.
    Posto isto sim, tenho a mesma opinião que tu. Mas se não tivesse, isso não me dava o direito de vir para esta caixa de comentários dizer que tu não percebes nada do assunto, que és assim ou assado, só porque não pensavas da mesma forma que eu. O mundo não é quadrado. E as pessoas deviam tentar ser mais redondas como o mundo e não tão quadradas como por vezes se vê.
    Beijinho, fica bem. E espero que o teu bloqueio criativo termine, porque adoro ler os teus textos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É isso e ler as caixas de comentários dos mais variados jornais online... Meu Deus, até acho que me faz mal à saúde.

      Eliminar
    2. Isabel, sem dúvida que o acesso à informação traz algumas desvantagens. Creio que a banalização da violência será uma delas: agora é aceitável alguém ir para a internet criticar fortemente algo, de uma forma extremamente agressiva até, e passa tudo relativamente despercebido porque já estamos tão habituados que até estamos dessensibilizados. É uma pena. Mas pronto, também dá espaço para outras discussões interessantes e para trocas de pontos de vista :)

      Eliminar
    3. E sim, também já deixei de ler caixas de comentários dos jornais online. Davam-me vontade de emigrar :P

      Eliminar
  4. Ola Joana. Usa muito o leite de coco. É daquelas embalagens de 1 lt, tipo marca Alpro, ou é o leite de coco em lata? Obrigada

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Uso dos dois :) O da Alpro para as receitas mais 'correntes' e o de lata para as receitas mais 'especiais' :)

      Eliminar
  5. Hey, não somos só nós! Não viste o drama do Tesco? Toda a gente é um bocado assim, gosta de dizer mal :P
    É engraçado, até as telenovelas, filmes e histórias para crianças fazem as coisas assim. Ou se é bom e perfeito ou se é explicitamente mau, vil e cruel sem qualquer tipo de noção de justiça, ética ou moral. E parece que a TV e as pessoas podem evoluir muito, mas ainda se transmite a preto e branco...
    As redes sociais e a internet ajudam imenso a deitar lenha para a fogueira. Parece que quando nalgum blog se publica um texto que é uma abordagem a um assunto em relação ao qual não se tinha formado opinião TODA A GENTE concorda. Deve ser alguma espécie de fenómeno... É a questão da perspectiva, é incrível. Conta-se as coisas de uma forma e toda a gente corre a dizer que sim, se se contasse de forma contrária era a mesma coisa. Dá-se uma visão e toda a gente a toma como sua também... Vilifica-se episódios históricos, ações, posições, acontecimentos, e de repente o mundo está contra sem sequer saber os detalhes ou pensar por si, sem pesar argumentos de duas fações, tentar ver o outro lado ou pensar que não se conhece a história toda. Quando alguém faz algo de mal e aparece nas notícias ninguém pensa que podia ter acontecido a si próprio (e quase sempre podia, é mais fácil do que parece uma pessoa se enterrar de forma que não julgaria possível como observador externo). E pronto, formam-se juízos de moral inalteráveis, instantâneos, que, depois, havendo discussões, são para ser defendidos cegamente em vez de repensados e questionados (é incrivelmente raro ver uma discussão em que qualquer dos lados pondera sequer estar errado :P é mais um despejo de argumentos, geralmente facciosos e intolerantes...). É que é mesmo fácil julgar alguém... E mecanicamente condena-se, sem pensar que pode ser um erro humano justificável. Mas pronto, se a mensagem meio spam do facebook diz que é monstruoso é porque é monstruoso... Nem estou a falar em nenhum caso em particular, porque, como disseste, há SEMPRE alguma assunto na berra.
    (Desculpa se me alonguei, irrita-me :P)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nem me fales nas novelas, tenho imensas crianças com problemas porque assistem a novelas e acham que o mundo é assim! Enfim, é difícil desconstruir estas ideias de que só há pessoas extremamente boazinhas e pessoas terrivelmente más ;)

      Por acaso nunca gostei que toda a gente concordasse comigo, e talvez uma parte de mim tenha escrito este texto para fomentar uma troca de opiniões. Só assim é que crescemos, certo? :)

      E há sempre algum assunto da actualidade! É impressionante. Qual será o próximo, questiono-me? ;)

      Eliminar
  6. O problema é que depois também é difícil traçar o limite entre o que é debatível e o que não é... Há pessoas que gostam de touradas e acham bem. Há pessoas que acham que a mutilação genital está absolutamente correcta. Há pessoas que desprezam os direitos humanos aplicados nos países «mais avançados» e as práticas mais liberais. Há pessoas que acham que o racismo se justifica. E no fim é uma questão de cultura, hábito e educação, mas onde separamos aquilo em que podemos intervir daquilo que é questão cultural? Porque é que «nós» é que sabemos o que devia ser a lei «universal»?... De certeza que há sempre gente tão convicta a apoiar como há a contestar, e chega-se a um ponto em que custa justificar a razão pela qual «nós» temos razão (apesar de obviamente acreditarmos piamente nisso). Sim, acho que deviam ser respeitados certos valores e direitos, mas é tão complicado... Quanto aos animais, às pessoas, a tudo... Cada um se fixa e tranca numa posição e depois guerrilhamos em vez de tentar perceber sequer. Nascer com certas conviccções forçadas tem um peso muito grande e molda qualquer um... Mas nós achamos todos que se tivéssemos vivido durante o «reinado» do Hitler éramos dos que se insurgiam, lutavam para defender as vítimas e iam presos. Tem piada que na altura não eram assim tão frequentes...
    O meu avô teve há pouco uma ninhada de gatinhos (bem, os gatos dele tiveram) e ele também os afogou todos! Eu só soube depois :( também não achei piada nenhuma...
    Os apoiantes da pena de morte também têm piada :P hoje em dia é quase toda a gente, e depois contradizem-se em 1001 posições noutros assuntos. E mesmo quem se escandaliza com a morte dos leões e com as touradas não pensa duas vezes antes de devorar um belo naco de frango criado em condições horríveis, só porque a isso já não assiste e vem logo limpinho e morto... Não sou vegetariana, mas os direitos dos animais não existem só quando há vídeos de gente a espancar cães, por muito que uma pessoa (qualquer uma) tenda a desprezar muito mais actos de violência a que assistem assim e que (claro) sejam menos justificáveis do que matar para comer.
    Para ser sincera, estou sempre com ideias em conflito quanto à questão do vegetarianismo, sobretudo. Gosto da paleo, mas... Não sei. Tenho feito mais ou menos de forma liberal, mas parte de mim «defende» o vegetarianismo :P também não consumo muita carne... É como naquele episódio do House em que o gémeo interno de um miúdo tinha a mania de que estava a ser perseguido por aliens, mas totalmente diferente ;) de qualquer das maneiras os argumentos contra a paleo são mais rudimentares e ao estilo «blablabla viver numa gruta bla bacon tem gordura» :P ou então eu é que vivo rodeada de trogloditas ;)
    Uma coisa em que acho que dá para arranjar consenso é: estes bolinhos :D que bom aspecto! Estão mesmo bonitinhos, que perfeição :D e adoro coisas de chocolate húmidas :P deve ficar muito bom! Parecem mesmo fofinhos e intensos :) tenho de fazer um monte de receitas tuas, nomeadamente aquelas bolachas «3-fornadas-em-3-dias-são-assim-tão-boas» :D

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há países onde as mulheres não podem conduzir. Há países onde a ganza é legal. Há países onde os homossexuais são presos. Há países onde o aborto não é legal nunca, nem em casos de perigo de vida materna. Quem sou eu para dizer que só eu é que estou certa porque acho que as mulheres podem conduzir, a ganza devia ser proibida, a orientação sexual de cada um não me diz respeito e o aborto é justificável? Posso defender a minha opinião com unhas e dentes, mas não me dá o direito de dizer que quem acha o contrário devia ser morto.

      E não concordo com a questão dos frangos. Acho que nestas coisas não precisas de ser particularmente coerente: a mim não me faz confusão comer carne, mas odeio ir para o talho e ver a carne ali na montra. É uma reacção visceral, não preciso de ser coerente em relação a isso ;)

      Eliminar
    2. No 1º parágrafo resumiste o que eu estava a tentar dizer :P mas custa ser radicalista e não traçar limites!... Também não se deixa as mentalidades «a monte», livremente. Se não podemos impôr ideias não podemos legislar e cada um faz o que lhe apetece. A civilização precisa de regras e as regras nunca são consensuais, mas sem elas é o caos. Nunca vão ser perfeitas, mas são melhores do que nada. Se alguém achar que lançar bombas até é giro está no seu direito? Não podemos saber até que ponto não estamos a ser dominados por dogmas também, mas tocar no extremo é perigoso... Ou achas que não se deve forçar a linha entre a crença legítima e a violação dos direitos humanos (ainda que se possa argumentar que são criados de forma algo subjetiva)?
      Adorei a frase «não concordo com a questão dos frangos» :P haha :)
      Não percebi de que forma isso me contraria... Não estava a falar de ter nojo ou achar repulsivo. Normalmente quem critica as touradas não diz que a carnificina é nojenta, tenta apresentar argumentos racionais (invocar direitos de animais, etc) que em princípio não deveriam ser coagidos por haver mais ou menos sangue ou ser mais ou menos feio. Caso a causa da revolta contra as touradas seja «ewww» não há fundamento para criticar. Se o sofrimento dos animais é mau num caso também o é no outro, atenuantes ou não e sem pesar outras questões. Se se diz «os animais têm direito à vida», não se pode renunciar à maxima porque os bifes não têm cara nem olhinhos fofinhos. A reação à carne exposta pode ser perfeitamente normal, mas se achares (por questões éticas) mal comer carne em frente a uma montra de talhos também o deverás achar quando estiver no teu prato, e neste caso representam a mesma situação e não situações em que te contradigas. Meter impressão é outra coisa. Não te contrarias se deres razões objetivas para comeres carne e depois torceres o nariz ao ver cadáveres, é um sentimento normal, mas a teoria pensada (com base na razão e não nos sentidos) tem de ser coesa. Não acho que, reflectindo, deva haver diferença na oposição a alguém matar um frango numa quinta para o comer ou a vê-lo assado com batatas (:P), nem acho que faça sentido, mesmo que a primeira situação possa escandalizar mais porque se vê. As questões que uma levanta a outra levanta também... A violência pode levantar a reflexão, mas não vejo razão para que tolde o julgamento.

      Eliminar
    3. Mesmo as leis são criadas de forma subjectiva, a questão é essa. A nossa lei permite umas coisas, outras leis de outros países permitem outras. Já falei com pessoas diferenciadas que recusam a realidade da mulher trabalhar, por exemplo. São culturas e valores diferentes. E isso pode fazer-me confusão (faz) e pode ser contra a minha opinião (é), mas não me dá o direito de acusar a outra pessoa do que quer que seja. São as leis do país onde as pessoas vivem. É claro que todos estamos sujeitos à lei máxima (a declaração dos direitos humanos), mas há tantas nuances pelo meio disto...

      Quando disse que não era coerente prende-se um bocadinho com a questão de toda a gente saber que os touros sofrem, mas toda a gente saber também que os frangos e as vacas sofrem. Não é coerente, mas não precisa de ser. Ali o touro sofre de forma mais 'gratuita', no matadouro não há malta a aplaudir, a morte é mais rápida, enfim.

      E sim, não é de todo coerente. Faz-me confusão ver a carne no talho, mas não o suficiente para deixar de comer carne. Acho que está relacionado com o facto de gostar de pensar (porque sou demasiado totó, provavelmente) que as vaquinhas que como vivem nas montanhas suíças e que os frangos vivem em quintas como as da Ovelha Choné. O curioso no meio disto tudo é que efectivamente eu acho mal do ponto de vista ético comer carne e já tentei várias vezes deixar de comer, mas não consigo porque gosto de comer carne. Pronto, um dia vou conseguir ter uma opinião lógica sobre o assunto, mas entretanto é esta confusão toda ;) Pelo meio, tento fazer o melhor que posso ;)

      Eliminar
  7. Odeio caçadores mas a verdade é que existem leis para isso. Desde que as cumpram para que a espécie não se extinga não posso dizer nada. Mas todos sabemos que os animais, especialmente cães, gatos e os seus semelhantes são seres extremamente parecidos conosco porque pensam - apesar de não ser ao nosso nivel-,são inteligentes, aprendem, sentem e sofrem. Faz-me confusão que os seres humanos se sintam superiores quando claramente não o são. Se essa senhora fizesse isso a bebes, continuarias a acha-la fofa? E não me digas que é diferente porque não é. As cadelas são mães como a minha e a tua. Choram, gritam, chamam pelas crias ate ficarem sem forças. Procuram, percorrem os quilómetros que forem necessários. Ficam traumatizadas com a falta que as crias lhe fazem. Já lidei com cadelas que perderam as crias a primeira vez e nunca mais engravidaram, ficaram deprimidas e praticamente viviam no ultimo onde as viram. Somos mais parecidos do que as pessoas julgam. Essa senhora pode ser mal informada, sim, mas ha sempre solução.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Este comentário fez-me pensar muito. Não me acho superior aos outros animais, não mato animais nenhuns (nem aranhas, nem mosquitos, nem moscas, nadinha de nada) porque acho que todos temos o nosso lugar no ecossistema. Como já aqui contei, uma vez pesquei um peixe e senti-me tão mal que passei anos sem conseguir comer peixe e depois disso a minha relação com o peixe nunca mais foi a mesma. Também já assisti à caça de um porquinho bebé (estava numa aldeia na Papua e não tive outra alternativa) e achei aquilo tão horrível que não comi durante o dia inteiro (e também não comi porco durante anos depois disso).

      Quando digo que a senhora era fofa foi porque todas as circunstâncias que envolveram a consulta me deixaram com pena - uma senhora sozinha, um marido alcoólico, um filho morto num acidente, enfim. Mas é claro que fiquei chocada quando ela contou a história, embora para mim não seja comparável a fazê-lo com bebés humanos. É a minha opinião. Sou médica, respeito a vida humana acima de qualquer outra coisa e sim, para mim uma vida humana vale mais do que uma vida animal. Mas tal como disse acima não pratico violência contra ser vivo nenhum - caramba, nem sequer arranco flores - porque é a minha perspectiva e a minha opinião. Não espero que seja partilhada por todos ;)

      Eliminar
    2. Joana, todos temos o nosso lugar no ecossistema e por isso mesmo é que às vezes temos de matar uns animais! Por exemplo, acredito que aa melgas tenham a sua função na Biosfera, mas no meu quarto não têm lugar, não :p Por isso se as vir (geralmene quando as vejo já estão carregadas do meu sangue e eu empastada de Fenistil...), mato-as!
      e lamento, mas a conduzir um automóvel também matas muitos mosquitos, é só veres a dianteira do carro depois de andares na auto-estrada! :p
      Beijinhos!

      Ass: Nossa Senhora da Procrastinação

      Eliminar
    3. Eu cá não mato melgas nenhumas, mas o Pedro mata e eu não o proíbo ;) E sim, com o carro devo matar imensos mosquitos ;)

      Quando vínhamos do Douro íamos atropelando uma raposa. Eram duas da manhã, vínhamos de Foz Côa porque eu entrava às oito no trabalho (#yolo) e de repente eu vi uma coisa a mexer-se à nossa frente, gritei, o Pedro travou a fundo e rodou o volante e lá salvámos a coitada da raposa (que ficou ali parada no meio da estrada feita totó). São mesmo aquelas reacções instintivas, mas podíamos ter arranjado uma brincadeira séria com isso :/ (mas ficámos muito orgulhosos!) :D

      Eliminar
  8. Não te achas superior aos outros animais, no entanto não tens pudor em comê-los e em achar que a vida humana vale mais do que a vida deles... Parece-me que é isso tudo que interessa quando se fala de superioridade.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bem, de facto a minha opinião é realmente essa. Não me faz confusão comer animais, mas não os mato. Acho que de facto há uma hierarquia, no sentido em que para mim nada é mais sagrado e absoluto do que a vida humana. Considero que deveria ser crime matar animais (por diversão/tradição), tal como é matar pessoas. Mas no sentido branco e preto da questão podemos afirmar que sim, acho que a vida humana é superior à vida animal. É uma opinião, e tenho direito a ela :) Não sou dona da verdade e reconheço que nem sequer é particularmente coerente (não mato aranhas mas adoro bifinhos do lombo do Uruguai), mas honestamente não estou à procura da perfeição e assumo que não tenho as respostas todas ;)

      Eliminar
  9. Olá Joana :)
    Tinha que vir meter uma colherada também :)
    Pois eu concordo contigo toda a gente tem coisas boas e más e aquilo que essa senhora fazia aos cachorrinhos era pratica corrente nas aldeias e não só, as pessoas eram simples e não faziam isso por mal, simplesmente era assim que se fazia, as pessoas não tinham dinheiro para investir com os animais, até comiam resto(e eram bem mais felizes que agora!!)
    Ainda agora, as pessoas mal tem dinheiro para os medicamentos e até para comer como vão pagar veterinários, esterilizações e sei lá mais o quê ressonancias e tac`s como ouço por aí falar que fazem aos bichos....

    Essa coisa dos defensores doentios dos animais também é uma coisa que já me enjoa,... acho que sim senhor devemos tratar bem dos animais e fazer o que podemos por eles, eu se vir matar o coelho ou a galinha já não consigo comer e gosto bastante dos animais e não tenho nenhum em casa, porque moro num apartamento e acho que não é um espaço adequado a um animal, para além de que saio de manhã e volto quase á noite e o bicho ficarias sozinho o dia todo, agora desejar a morte a alguém só porque caçou um leão... é de alguém doente.. só pode

    Defender os cachorrinhos e os gatinhos sim, mas depois vão passear com eles para a rua e deixam o cocó espalhado pelos passeios todos.... uma porcaria.... é o que vejo todos os dias pela minha urbanização!!!! mas isso já não é falta de princípios e civismo!!!!

    Vêm pedir reduções nos impostos nas despesas com os animais e hospitais públicos para os animais, como já vi uma petição no facebook.... Já quase não temos serviço nacional de saúde, serviço publico para as pessoas e vamos pedir para os animais.... a serio haja paciência....

    E eu até defendo os animais, mas para tudo há um limite, já não tenho paciência para as milhentas fotografias de animais maltratados que todo mundo partilha no facebook, mas no entretanto desleixam o pai e a mãe velhinhos que só dão trabalho.....

    Bem quanto a touradas não suporto recuso-me a ver e penso que só se mantêm porque há grandes interesses nas ganaderias, se virmos são sempre os mesmo nomes de família que aparecem a tourear e a manterem a tradição, são eles os criadores dos cavalos e dos touros e a vitima não é só o touro, diz quem sabe que os cavalos que as pessoas até gostam de ver lá sofrem horrores também.

    Quanto ao bolinho parece-me bem, ainda que bolos sem isto e sem aquilo, me parecem não bolos ahahaha

    Beijinhos :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Reconheço que para se ter um animal é necessário um grande investimento monetário (isto é, se o queremos ter bem tratado) e concordo que deviam existir cuidados públicos para os animais, não só porque iria fomentar o aumento de emprego (e ia consequentemente ajudar a economia) mas também porque efectivamente há animais que precisam de cuidados que os donos não conseguem pagar pelas mais variadas razões (e se as pessoas tomam decisões erradas de terem animais não os podendo suportar financeiramente, não me parece justo 'castigá-los' à posteriori). Mas isto seria num mundo utópico onde não existissem outras prioridades, nomeadamente a nível do SNS. É claro que isso não invalida que haja uma preocupação nesse sentido - com a qual concordo e adianto até que não me importava que uma parte dos meus impostos fosse para contribuir para um hospital veterinário público, em oposição a ir para os bolsos de malandros.

      Por acaso acho que a questão dos cocós pela rua já esteve bem pior, pelo menos na zona onde moro. Acho que entretanto as pessoas mudaram um bocadinho de posição. Mas lá está, a minha avó tinha um cão e ia com ele ao jardim e recusava-se a apanhar cocós, achava uma parvoíce, doíam-lhe os joelhos, agora baixar-se para apanhar caca, que modernices e tal - e ela até é uma velhinha toda para a frente em muitas coisas. A mentalidade demora uns tempos a mudar :)

      Gosto sempre imenso dos teus comentários :D Como se diz em minha casa, tu 'não mandas dizer por ninguém' e eu gosto disso :D Mas olha que este bolinho surgiu de uma receita aqui do blog que tem açúcar, leite e tudo a que tem direito, por isso podes ir lá espreitar :D

      Beijinhos :D

      Eliminar
  10. Joana, não estou a pôr em causa o direito a teres uma opinião, obviamente que não. Comentei aquilo porque as pessoas no geral têm uma facilidade enorme em falarem dos direitos dos animais e em como todos somos iguais, mas depois não têm pudor em comê-los e sacrificá-los em prol da sua vida, o que prova logo que somos superiores a eles. Disseste em cima que não te achavas superior aos outros animais, mas a verdade é que és - somos todos. Foi apenas nesse sentido que comentei.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Talvez a minha resposta tenha parecido demasiado defensiva, mas eu tenho noção de que isto não é de todo uma questão coerente. Digo constantemente ao Pedro que vou deixar de comer carne porque me faz confusão, mas depois lambuzo-me toda com bifes e com chili. No fundo faz-me confusão, mas não o suficiente para deixar de actuar nesse sentido. Mas acho que todos temos direito às nossas incoerências. Há quem afirme que a vida humana valha menos do que a de um animal (porque os humanos são capazes de praticar propositadamente 'o mal' e os animais não) mas depois coma carne. No fundo desde que as pessoas sejam fiéis às suas opiniões e não critiquem as dos outros por serem diferentes, acho que conseguimos todos entender-nos :)

      Eliminar
  11. Nada a opinar! Concordo plenamente! Beijinhos

    ResponderEliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...r: 0" />