25 de agosto de 2015

Arroz de polvo e uma revisão das prioridades :)

'The only way to keep your health is to eat what you don't want, 
drink what you don't like, and do what you'd rather not.'

Mark Twain




Há uns bons anos fiz o percurso do Douro de comboio e parei no Pinhão, onde passei um dia bastante agradável. Na altura o Pinhão era uma aldeia pequena sem grande coisa para fazer mas com muitas particularidades bonitas para ver, e desde então lembro-me com nostalgia desse dia tão tranquilo e sereno. Durante a nossa road trip pelo Douro, o Pinhão foi uma das nossas paragens.

A aldeia em si não mudou muito. Está agora mais desenvolvida e turística, mas continua estranhamente vazia e parada no tempo. Demos um passeio, comemos um pastel de nata de vinho do Porto e parámos numa charcutaria para comprar queijinhos e enchidos.

Estivemos uma hora dentro da charcutaria.


O senhor que nos atendeu, o patrão, deu-nos logo a provar o presunto, o salpicão, o queijo picante e o pão caseiro. Depois falámos da vida na aldeia, do estado do país, dos nossos trabalhos e de muitas outras coisas. E ele, vegetariano convicto há doze anos, falou-nos sobre como achava que as prioridades das pessoas estavam trocadas em relação à comida.


Dizia o senhor que conhecia várias pessoas que preferiam levar um bife mais barato e com menos qualidade, mas que vestiam roupas de marca e calçavam sapatos caros. E comentava que era melhor levarem carne em menor quantidade, mas com mais qualidade, rematando com um 'somos o que comemos'.

É claro que cada um gasta o seu dinheiro como quer e tem as suas prioridades, mas aquilo deixou-me a pensar.


Embora nós estejamos sempre a poupar para a próxima viagem, não temos a preocupação de poupar no que comemos: a carne e o peixe são sempre da melhor qualidade (nham nham bifinhos do lombo do Uruguai), não nos inibimos de gastar dinheiro nos 157878545878 tipos diferentes de frutos secos que comemos e compramos produtos saudáveis apesar do preço excessivo (xarope de seiva de ácer, leites vegetais, farinhas sem glúten, entre outros). No entanto, tendemos a poupar em algumas coisas, e é raro comprarmos camarões, polvo ou pato, por exemplo.

E não deixa de ser curioso que tenhamos tanta facilidade em gastar dinheiro com alguns alimentos que sabemos serem bons (mais uma vez, nham nham bifinhos do lombo do Uruguai) mas não com outros.


Voltámos para casa com a mala cheia de enchidos e a alma cheia de uma certeza: efectivamente, nós somos o que comemos. E por isso talvez esteja na altura de rever as nossas prioridades em relação à nossa alimentação e começar a comprar mais polvo, algo que gostamos imenso de cozinhar e comer.

Assim surgiu este arroz de polvo. Delicioso, carregado de polvo, saudável, típico e reconfortante. Um prato cheio para uma lista de prioridades mudada.


Arroz de polvo

Ingredientes (para quatro pessoas):

* 1300g de polvo congelado;
* 100ml de vinho tinto;
* Um fio de azeite;
* 100g de chouriço cortado em cubinhos;
* Uma cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Um fio de azeite;
* Arroz basmati q.b.;
* Duas colheres de chá de mistura de especiarias italianas;
* Duas colheres de chá de salsa picada;
* Duas colheres de chá de paprika;
* Uma pitada de sal;
* Uma colher de chá de piri-piri.

Confecção:

* Cozer o polvo no vinho tinto e em água suficiente para cobrir o polvo, à qual se junta um fio de azeite;

* Cortar o polvo em pedaços e reservar a água da cozedura;

* Refogar o chouriço picado, a cebola picada e o alho picado num fio de azeite e juntar o arroz basmati;

* Deixar fritar e temperar com a mistura de especiarias italianas, a salsa, a paprika, o sal e o piri-piri;

* Juntar os bocados de polvo e misturar;

* Acrescentar a água da cozedura aos poucos, deixando cozer até ficar pronto e o polvo ficar macio.


Até amanhã! :D

8 comentários:

  1. Pinhão é um nome giro para localidade :) deve ser uma sensação engraçada, voltar! Estava à espera de uma história dramática de industrialização ou assim :P haha
    Agora há pastéis de nata de tudo ;) Era bom? Da minha experiência «dar-trincas-em-bolas-de-Berlim-de-limão-maracujá-Oreo-Mars-Maltesers-M&Ms-Bolacha-Framboesa», não há nada como o tradicional :P apesar de natas com chocolate no fundo serem melhores do que parecem...
    1 hora?! Estou a regressar aos tempos em que a minha avó me mandava ao supermercado/talho com uma lista infindável de pedidos em que o único elemento comum entre os 50 tipos de carne era a palavra «boa» no fim, variando o género e o número :P a sério, era horrível, ficava lá taanto tempo à espera. Então quanto tinha gente à frente que também pretendia alimentar um batalhão... *arrepio* :P
    MAS isso pode ter a ver com o facto de o dono não ser filosófico ;) haha :) só fazia piadas constrangdoras sobre animais mortos. :P
    É engraçado, acho que essa «técnica» resulta mesmo bem - costumo a ir uma feira onde há «barracas» com chouriças e queijos. Há bastantes, mas só 1 está CHEIA de gente (o contraste é mesmo notório) e as outras às moscas (figurada e literalmente, mete um bocado de nojo). E é aquela em que sempre que alguém aponta para um produto o senhor corta pedaços e distribui pela audiência expectante :)
    Vegetariano? E tem um talho? Que estranho! Nunca pensei na hipótese... Não lhe faz de certa forma «comichão»? Sei lá, se as pessoas não forem ali vão a outro sítio e é complicado arranjar forma alternativa de trabalho, claro, mas... É muito estranho :P faz-me confusão! Partindo do princípio que por consciência não come carne, é... Estranho, pronto. Mas assim ainda se torna mais forçoso o sistema. «Esta é boa?» «Não sei, pega lá um bocado» :P

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    1. Por acaso não gostei muito do pastel de nata :P

      Nós também achámos curioso. Mas ele também vendia outras coisas para além da carne, talvez fosse por aí :)

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  2. A minha avó está SEMPRE a criticar isso. «Gente que anda feita perua na rua e depois em casa passa fome», coisas do género. As escalas são muito diferentes, é engraçado. Se se vai ao supermercado e se vê um pacote de 4 iogurtes por 2 euros pensamos «fooogo». Mas umas sapatilhas por 150 euros está bem :P claro que a comida é um bem «temporário», mas o efeito é permanente, de certa forma. 10 euros por uma t-shirt é pechincha, por umas postas de salmão é roubo. É mesmo uma questão de prioridades... Para ser sincera também não compro coisas da melhor qualidade. Gostava de comprar fruta biológica, carne de pasto, mais peixe e de preferência de qualidade, etc., mas custa-me... Então quando os preços são quase absurdos para os padrões normais :P acabo por comprar sempre do mais barato. Também não é que gaste muito noutras coisas, a comida é de longe aquilo em que gasto mais. E às vezes também compro alimentos menos fundamentais, claro :) como chocolate, ingredientes para bolos e macadâmias (num futuro próximo!) :D
    Polvo é um óptimo exemplo. Aquilo não rende NADA, é fantástico :P comprei uma vez a 50% e mesmo assim ficou ridiculamente caro. Bem, acho que não há problema em esperar pelo Natal ;) também não gosto muito dele cozido, é meio gelatinoso :P
    Estou a ficar com uma vontade incontrolável de comprar bifinhos do lombo do Urugai :D haha :P
    Pato é chato de fazer, mas não fica assim tããão caro :) especialmente se fôr em arroz, sempre rende mais. Nunca faço porque não gosto de o limpar :P Agora, peito de pato... Até tremo só de olhar para o preço D:
    A frase «somos o que comemos», honestamente, não tem graaande significado para mim. Desde que dê para ser saudável a comida não é a minha prioridade ou daquilo que acho mais importante, apesar de perceber o espírito e o que se quer dizer (e de gostr de cozinhar). Claro que a importância é enorme até estarem satisfeitas as necessidades básicas e mesmo depois disso a até um certo ponto, de resto... :) Tem um papel inegável em várias coisas, não é só «combustível», sim, mas nada de esmagador. Pelo menos para mim, já a minha avó acha escandaloso NÃO cozinhar durante 10 horas quando se convida alguém para jantar. Mesmo eu já estive um dia inteiro a fazer um bolo. NUNCA MAIS.
    (Mas há muita gente que não se importa de gastar mais por comida de qualidade, e eu percebo perfeitamente.)
    Eu não gosto muito de arroz de polvo. A minha avó faz de vez em quando e não sou a maior fã. MAS esse parece fenomenal :D não digas à minha avó :D tão lindo e escurinho e com polvo não mole (a sério, odeio polvo mole)! Parece-me que talveez tenha de comprar polvo, afinal, para surpreender a minha avó com um prato tradicional ;) de qualquer das maneiras o polvo é um bicho divertido, a tingir a água de cozedura e tal. Quer dizer, até posso ficar pobre, mas pelo menos tenho água cor-de-rosa :D
    (Estou a gozar, claro. Mas não quanto ao arroz parecer delicioso. :D)

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    1. Da última vez que fui ao Continente já não havia macadamias :( Espero que voltem! Também não havia bifinhos do lombo do Uruguai. Foi um dia de compras horrível portanto :P

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    2. Também fui e não tinha macadâmias. Nem oreos de manteiga de amendoim. Acho que devíamos fazer um protesto :P

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    3. Eu voto nisso! Quero macadamias! :(

      (Eu disse ao Pedro que devíamos trazer 10 pacotes, mas o gajo não quis!)

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