7 de maio de 2015

Bolachas de coco (paleo, sem glúten, sem açúcar) para uma alergia alimentar!

Take this pink ribbon off my eyes,
I'm exposed and it's no big surprise.
Don't you think I know exactly where I stand?
This world is forcing me to hold your hand.
'Cause I'm just a girl, little old me,
Well don't let me out of your sight.
Oh, I'm just a girl, all pretty and petite,
So don't let me have any rights.
Oh, I've had it up to here!

No Doubt



Há uns meses li um artigo muito interessante (vão lá ler, a sério) sobre aquilo que o autor chamava de 'geração y', ou seja, a geração das pessoas nascidas entre os anos 80 e 90 (como eu).

No artigo, ele afirmava que a geração y tinha tido como avós a geração que cresceu durante a grande depressão e a segunda guerra mundial (o que cá em Portugual correspondeu à altura da ditadura e da escassez de recursos). Por esta razão, os filhos desta geração (isto é, os nossos pais) foram incentivados a trabalhar muito para construir carreiras seguras que lhes permitissem ter alguma estabilidade financeira. A conjuntura económica da altura ajudou, e os nossos pais viram as suas expectativas correspondidas ou até superadas. E por isso ensinaram-nos a sermos optimistas.


Segundo este artigo, nós aprendemos desde cedo que tudo vai correr na perfeição. Que somos especiais. Que somos únicos e excepcionais. Que não devemos esperar menos da vida do que a felicidade plena, com tudo a que temos direito.

Nós aprendemos que somos unicórnios.


O artigo é algo extenso, e não é de todo o meu objectivo resumi-lo aqui. E nem sequer interessa para a história de hoje se concordo ou não com ele, mas é de facto um assunto que me deixou a pensar na altura: se todos achamos que somos especiais, seremos assim tão especiais como gostamos de pensar?

Quando eu tinha uns sete anos era uma miúda incrivelmente normal. Vá, tinha as minhas peculiaridades: já tinha sido submetida a duas cirurgias complexas, usava óculos, era gordinha, ficava embeiçada quando tirava menos do que 'Excelente' nos testes (e reza a lenda que chorava quando tirava 'Muito Bom') e era uma nódoa a tudo o que envolvesse a mínima destreza física. Mas sentia-me completamente normal e indistinguível dos outros, quase a roçar o aborrecido.


Por outro lado, alguns dos meus amigos tinham sobre si todas as atenções - ora porque eram alérgicos ao chocolate, ora porque não podiam comer morangos, ora porque não comiam ovos nem bebiam leite. Eles eram especiais, e eu era simplesmente uma miúda normal sem alergias alimentares.

Vai daí, um dia decidi dizer a toda a gente que era alérgica ao coco.

(Tinha sete anos, mas já era uma mente brilhante do crime!)


Não sei porque escolhi especificamente o coco, mas talvez tenha sido porque não queria deixar de comer chocolate e morango. No entanto, sei que me senti especial e única durante uns dias. Até que alguém trouxe Belgas para oferecer.

Sabem, eu sempre achei que as bolachas Belgas sabiam a coco. E por isso vi-me perante um enorme dilema - continuar a ser especial, ou comer aquelas bolachas maravilhosas? As bolachas ganharam, e foi o fim da minha alergia alimentar fictícia.


Desde que começámos a nossa alimentação paleo que surgiu em mim o desejo de fazer bolachas de coco paleo - afinal, há alguma coisa mais paleo do que farinha de coco e óleo de coco? Meti mãos à obra, e assim surgiram estas bolachas de coco sem glúten e sem açúcar.

Não vos vou mentir: estas bolachas não são a oitava maravilha do mundo. Vocês sabem que eu sou incrivelmente entusiasta quando as receitas merecem (quase a roçar o histérica até), mas estas bolachas em particular não me levaram propriamente ao céu. No entanto são boas, sabem bastante a coco, são saudáveis e são adequadas para um lanchinho paleo.

Simplesmente não são tão boas como as Belgas :)


Bolachas de coco (paleo, sem glúten, sem açúcar) (receita adaptada do blog 'Chocolate-covered Katie')

Ingredientes (para cerca de quinze bolachas):

* 150g de farinha de coco;
* Uma pitada de sal;
* Um quarto de colher de chá de bicarbonato de sódio;
* 60g de mel;
* 50g de óleo de coco derretido;
* Duas colheres de chá de essência de baunilha.

Confecção:

* Misturar todos os ingredientes e amassar bem;

* Se necessário, juntar mais óleo de coco derretido até a massa ficar moldável;

* Formar bolinhas, espalmar ligeiramente com a palma da mão e colocar num tabuleiro coberto com papel vegetal;

* Levar ao forno pré-aquecido a 160º durante quinze minutos;

* Deixar arrefecer durante dez minutos e retirar para uma grade, deixando depois arrefecer completamente;

* Guardar num recipiente fechado.


Até amanhã! :D

9 comentários:

  1. Joana,

    Onde compra a farinha de coco?

    obrigada

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    Respostas
    1. Eu comprei no Martim Moniz, mas penso que em lojas de produtos naturais como o Celeiro também encontra. Em alternativa, pode fazer em casa até:

      http://lovelovething.com/homemade-coconut-flour/

      Boa sorte :)

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  2. Ha! y. y é secundário. ;) haha
    Fiquei curiosa com o artigo, especialmente depois de ver aquelas imagens super giras e à desenho animado semelhantes às que eu fiz uma vez para um trabalho em que o professor me tirou 4 pontos porque eram demasiado infantis :) D:
    Os pais é que tiveram sorte com o seu enquadramento na história :)
    Ser optimista não tem de significar isso tudo, não acredito que todos os pais da altura tivessem a vida perfeita e muito menos transmitissem isso aos filhos :P as generalizações podem fazer sentido, mas mesmo em períodos bons/maus não sei se as personalidades mudam assim tanto... Obviamente que faz diferença, faz sempre, mas depende imenso dos pais e do contexto particular :P se calhar custa-me imaginar tempos de prosperidade e sem crise, uma pessoa já não está habituada!
    Unicórnios :D
    Se o contexto é o mesmo para todos os de uma geração (invariavelmente) isso coloca-os à partida no mesmo patamar, por muito que os pais os coloquem no topo do mundo não sei se serão todos «especiais» fora de casa... na escola, por exemplo. :)
    Acho que eras muito parecida comigo :P tirando na parte das operações!
    Por acaso acho que também já «invejei» um bocado os miudinhos esquisitos com essas particularidades ou outras menos vinculadas como «não gosto de chocolate» ou «só gosto de pão e panados».
    És malévola ;)
    Deve ser difícil escolher uma alergia, não se quer abdicar de nada :P mas coco até parece adequado! :P
    (Podias escolher antes alguma coisa como soja :P)
    (Só agora é que me lembrei que já «escolheste» soja. :P)
    Nunca comi belgas, acho eu... nem sei bem como são. Mas soam bem :)
    Obviamente que sim, coco é tipo o ingrediente paleo por excelência :D
    Parecem ser, sua mentirosa ;)
    Eu gosto que sejas histéria para destcar as receitas mesmo mesmo MESMO boas! :)
    Eu acho sinceramente que estas bolachas parecem fenomenais, velgas ou não :D

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    Respostas
    1. Acho que é natural os miúdos invejarem os que têm alergias porque são 'especiais'. É engraçado até :) As bolachas não ficavam más, mas estava à espera de melhor. Entretanto fiz outras que ficaram maravilhosas, mal posso esperar por publicá-las :D

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  3. Agora que fui ver melhor fiquei curiosa - não tinhas partilhado já no Facebook o artigo há um ano ou mais? Tenho ideia de já o ter visto :P

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  4. Grande doida... hehe
    E viva o coco... e até me parece muito bem essas miudas, vou testar pro meu filhote ;-)
    Carla

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