30 de abril de 2015

Granola de amêndoa e coco para uma praxe :)

People try to put us down,
Talking about my generation.
Just because we get around,
Talking about my generation.
Things they do look awful cold,
Talking about my generation.
I hope I die before I get old.
Talking about my generation.

My generation,
This is my generation, baby.

The Who



Eu adorei as praxes da minha faculdade. Diverti-me à brava, conheci imensas pessoas fixes (como o Pedro e a Joana!) e de certa forma senti-me apoiada naquela que foi sem sombra de dúvida uma fase muito assustadora da minha vida - afinal, era apenas uma miúda de dezoito anos e estava sozinha numa cidade estranha e desconhecida.


Nunca vivi nas praxes os relatos tenebrosos que ouvia na comunicação social - nas nossas praxes cantávamos, dançávamos, fazíamos brincadeiras e jogos e conhecíamos outros caloiros e veteranos, e nunca fiz nada que não quisesse ou que me fizesse sentir desconfortável.

No fim, gostávamos tanto daquilo que começámos a praxar-nos uns aos outros.


No segundo ano ainda fui para o grémio académico (a comissão que regula as praxes), mas depressa desisti. Nunca gostei particularmente de praxar, e sentia sempre uma pontinha de inveja nostálgica por não ser eu a estar do outro lado.

Um dia, acabámos as praxes no Rossio. Aproveitámos para ir beber uma ginja à Ginjinha antes do jantar, e como éramos um grupo de seis pessoas concluímos que ficava mais barato comprarmos uma garrafa de ginja a dividir pelos seis em vez de comprarmos apenas o copinho. Bebida a garrafa, decidimos vir de metro para nossa casa e jantar todos juntos.


Eu trazia a garrafa vazia na mão - na altura fazíamos uma colecção de garrafas vazias com alguma espécie de significado emocional para nós, e aquela tinha sido de facto uma tarde muito divertida. Vínhamos trajados no metro, a conversar e a rir. E de repente o meu olhar cruzou-se com o de uma senhora que ia do outro lado da carruagem.

Na cara dela via-se um esgar crítico, que foi prontamente acompanhado por um olhar frio e um aceno reprovador. Olhou-me da cabeça aos pés, abanou a cabeça e desviou o olhar, certamente a pensar que a nossa geração estava perdida.

E eu fiquei ali, sem perceber o que tínhamos feito de errado. Estudávamos na faculdade, íamos ser médicos, estávamos a andar de transportes públicos depois de termos bebido, nenhum de nós estava minimamente alcoolizado (nem nada que se pareça!), estávamos a conversar sobre assuntos normalíssimos do nosso dia-a-dia, íamos discutindo sobre o que seria o jantar... Qual era ao certo o problema?


Com o tempo percebi que o problema não estava dentro de nós, mas sim dentro das pessoas que acham que as gerações seguintes são piores porque são, simplesmente, diferentes. Com o tempo compreendi que passar por determinadas experiências faz parte do crecimento normal, por muito que as pessoas mais velhas se esqueçam disso. Com o tempo tornei-me o oposto daquele olhar frio acompanhado de um aceno reprovador.

E hoje tenho ainda muitas saudades das praxes. De tal maneira que continuo a praxar os meus amigos, mas agora de uma forma um bocadinho diferente: com comida. 

É assim que eles são frequentemente cobaias de doces sem açúcar, queques sem glúten, brownies com feijão ou bolos com beterraba, e tudo isto sem fazerem a mínima ideia do que estão a comer. Enchem as barrigas com convicção, lambuzam-se cheios de satisfação e no fim são surpreendidos pela revelação dos factos - o que comeram era saudável!

(Muahuahuahuahuah) :D


Assim sendo, actualmente lamento informar que eles quase têm medo de comer o que lhes dou, como se temessem descobrir qual será a novidade seguinte. E por isso quando eu ofereci esta granola recebi em troca olhares de desconfiança - afinal, que praxe viria aí desta vez?

Não era praxe nenhuma, claro. É só uma simples granola. Sem glúten. E sem açúcar. Mas com muito, muito sabor :)


Granola de amêndoa e coco (receita adaptada do blog 'Lovely Little Kitchen')

Ingredientes:

* Três quartos de chávena de amêndoa picada;
* Um quarto de chávena de coco ralado;
* Três chávenas de flocos de aveia finos (certifiquem-se que são sem glúten!);
* Quatro colheres de sopa de nozes pecan picadas (opcional);
* Uma pitada de sal;
* Um terço de chávena de mel;
* Três colheres de sopa de óleo de coco;
* Meia colher de sopa de essência de baunilha.

Confecção:

* Misturar a amêndoa, o coco ralado, os flocos de aveia, as nozes pecan e o sal;

* À parte juntar o mel e o óleo de coco e derreter no microondas durante aproximadamente trinta segundos;

* Acrescentar a essência de baunilha e misturar com os ingredientes secos;

* Colocar sobre um tabuleiro coberto com papel vegetal e levar ao forno pré-aquecido a 180º durante 
 dez minutos;

* Deixar arrefecer completamente, partir em pedaços e guardar num recipiente hermético.


Até amanhã! :D

8 comentários:

  1. Olá Joana,

    Eu cá não me importava de ser tua cobaia para experimentar essas comidinhas todas, porque são saudáveis e imagino que deliciosas :-)
    Esta granola tem muito bom aspecto, mas o sal é que me deixa assim um bocadinho intrigada... Não se nota nada de salgado? Mas que tem muito bom aspecto lá isso tem e como leva poucos ingredientes deve ser fácil de preparar...

    Beijinhos***

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    1. Não é salgada. É só uma pitada de sal mesmo :) Eu acho que corta um bocadinho o doce ;)

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  2. Esta granola é perfeita para mim porque não gosto nada daquelas com coco em lascas.

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  3. Respostas
    1. É sim :D Em versão barrinhas também deve ficar bem boa, tenho que experimentar! :D

      Beijinhos! :D

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  4. A sério? Que giro teres criado granes amizades (e mais do que isso!) na praxe :)
    Mudar de cidade para ir para a Universidade deve ser realmente assustador! Ainda por cima tão longe :P
    «Grémio», ha :P é uma palavra que parece nome de monstro e que associo particularmente aos Mais :)
    Que estranho quereres ser praxada e não praxar :P não tenho muita noção dessas coisas, mas é... estranho, é mesmo isso. :P
    Na casa mais cara do Monopólio? :O
    Achei engraçada essa reflexão... As pessoas têm a mania de julgar imenso. É sempre a história «da nova geração», e cada uma pensa isso da seguinte e acha que «no meu tempo não era nada assim». Podia não ser, mas era diferente, como é natural que seja... o mundo muda, mas não acho que a diferença entre gerações seja assim tão notável. No máximo é fruto do ambiente, porque de certeza que as «pessoas irresponsáveis» não iam nascer todas na mesma geração por algum factor desconhecido. As características pessoais são um bocado aleatórias, por isso de se vai julgar a geração o denominador comum é mesmo o contexto social, e sobre esse teve mais influência a geração anterior. :P
    ...Mas vê-se muito. As pessoas gostam de se sentir superiores, do tipo «ah e tal eu nunca esperei 10h por um concerto», como se isso as fizesse melhores... Eu gosto imenso dos Beatles, mas não acho que a histeria por eles seja por algum motivo superior à histeria por bandas actuais... Vai dar ao mesmo. Claro que com música muito melhor no primeiro caso ;) haha
    Foi da garrafa. É tudo culpa da garrafa! :P depende da ideia com que se fica e da mentalidade... Julgamentos apressados nunca se justificam, mas consigo ver muita gente a achar o mesmo nessa situação.
    Essa praxe ainda soa melhor :D e não tens um bocadinho de inveja por não seres praxada? :D
    Assim já estás «topada» antes do tempo, não tem tanta piada :P por outro lado, obriga-te a ser imaginativa para ainda os poderes chocar :D
    A granola parece-me meesmo muito bem! Pecan, óleo de coco, amêndoa, só coisas boas :D gosto mesmo desses «clusters» ;)

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    1. É verdade, com bandas as pessoas fazem muito isso. Como se os Beatles ou o Elvis não tivessem atraído uma data de histéricas ;)

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