5 de novembro de 2014

Francesinha com presunto e queijo de cabra. E uma pneumonia.

Mama, life had just begun,
But now I've gone and thrown it all away.
Mama, didn't mean to make you cry.
If I'm not back again this time tomorrow,
Carry on, carry on, as if nothing really matters.

Queen


Um dia uma doente disse-me que os filhos só são difíceis nos primeiros quarenta anos da vida deles. Eu achei aquilo engraçado e ainda nos rimos um bocadinho à conta do assunto, mas confesso que mal ela saiu do gabinete nunca mais pensei naquela frase tão curiosa.

Até que fiquei doente com uma pneumonia.


Algum dia tinha de ser a minha vez. Pensava com orgulho que não ia ser vítima da malvada infecção respiratória como a maioria dos meus amigos médicos, que o meu sistema imunitário era um fortalhão tal que não havia bactéria que o vencesse e que certamente não ia apanhar nenhuma doença porque sou uma pessoa saudável e como muitas frutinhas, mas adivinhem: pouco depois de atender a minha primeira doente com pneumonia no centro de saúde caí na cama, e só levantei este lombinho comedor de vitaminas após três dias de antibiótico.

É claro que pelo caminho ainda tive umas aventuras, não fosse eu uma pessoa sempre cheia de peripécias. Desmaiei durante uma consulta, preguei um susto dos diabos a toda a gente, pensei que estava grávida, tomei uma dose escandalosa de anti-histamínicos porque pensei que estava simplesmente descontrolada das alergias... E ouvi muitos, muitos sermões dos papás.


Pois é, parece que a minha doente tinha razão, e até eu ter quarenta anos o trabalho dos meus pais é preocuparem-se comigo. Nem sequer lhes proferi a palavra pneumonia (disse-lhes que estava com uma virose) e logo veio a enxurrada de afirmações: que realmente estou mais magra, que se calhar não ando a comer o suficiente, que devia ter mais cuidado, que devia ter iniciado logo a medicação, que devia controlar melhor as minhas alergias e que devia descansar mais. No fim ninguém acreditou em mim quando disse que isto era uma situação normalíssima e perfeitamente controlável, que tenho uma profissão de risco e que isto vai continuar a acontecer.


Quando vim para Lisboa estudar, ficar doente sozinha era o que mais me custava. Não era não ter amigos ou família cá (numa fase inicial), não era cozinhar para mim ou limpar a minha casa e não era ser pequenina e estar assustada. Era não ter quem tratasse de mim quando eu não conseguia. Era não poder ouvir a enxurrada de afirmações acusatórias. Era não ter ali à mão quem, simplesmente, se preocupasse.

Porque, no fundo, os filhos serão sempre difíceis. Serão sempre fonte de preocupações, de medos e de inseguranças. Serão sempre dos pais, tenham cinco anos ou cinquenta.


Hoje os meus pais não podem cuidar de mim ao vivo quando estou doente - mas fazem o que podem e cuidam muito de mim pelo telefone. E hoje já não estou sozinha e tenho quem me faça chocolate quente, quem me vá comprar pastéis de nata ou quem me obrigue a engolir francesinhas caseiras.

Não foi à toa esta escolha do Pedro, arriscaria eu. A francesinha faz-me regressar ao ninho, ao meu porto de abrigo e ao meu local seguro. Faz-me ficar feliz na alma, na barriga e, acima de tudo, no coração. E, tal como a pneumonia, também esta francesinha de queijo de cabra ficou para a história. Não é uma história particularmente agradável, mas também delas se fazem a vida :)


Francesinha com presunto e queijo de cabra

Ingredientes (para duas pessoas):

* Um fio de azeite;
* Duas folhas de louro;
* Meio caldo de carne da knorr (opcional);
* 150ml de molho de tomate;
* Uma colher de sopa de piri-piri (ou a gosto);
* Uma colher de sopa de pimentão-doce;
* Uma pitada de sal;
* 200ml de cerveja;
* 80ml de leite;
* Uma colher de chá de amido de milho (farinha maizena);
* Quatro fatias de pão próprio para torradas (comprámos na padaria);
* Dois bifes de vaca fininhos;
* Quatro rodelas finas de salpicão;
* Duas fatias finas de presunto;
* Duas rodelas de queijo de cabra;
* Quatro fatias de queijo.

Confecção:

* Refogar o azeite com o caldo de carne e as folhas de louro;

* Acrescentar o molho de tomate, o piri-piri, o pimentão-doce, o sal e a cerveja;

* À parte, misturar a farinha maizena no leite frio;

* Juntar o leite na panela e mexer bem;

* Deixar ferver até engrossar, provando e rectificando os temperos a gosto;

* Grelhar os bifes de vaca com uma pitada de sal, pimentão-doce e piri-piri;

* Montar a francesinha, colocando entre as fatias de pão o bife grelhado, o salpicão, o presunto e o queijo de cabra;

* Cobrir a fatia de pão superior com duas fatias de queijo;

* Levar ao forno pré-aquecido a 200º durante dez minutos, ou até o queijo derreter;

* Cobrir com o molho.

Até amanhã :D

6 comentários:

  1. As melhoras!!!
    Já anotei a receita, obrigada!

    Beijinhos

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  2. As melhoras!! Só a mim ninguém me faz uma francesinha dessas.. :P

    Mas sei o que falas... estar longe de todos (no meu caso nos Açores) é bem pior nestas alturas!
    Beijinhos,
    http://sudelicia.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  3. Olá querida!

    Que receita maravilhosa... adorei! :)

    Venho-te convidar a participares no passatempo do 3º aniversário do meu blogue, trazendo uma receita... as três melhores receitas serão premiadas com livros, e-books e produtos maravilhosos... gostava imenso que participasses :)

    http://arcoirisnacozinha.blogspot.pt/2014/10/passatempo-tua-receita-nao-me-e-estranha.html

    Beijinhos

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  4. Não fico assim tão surpreendida com a afirmação, até acho que não há limite aos 40 anos :P nos primeiros 18 anos até é mais fácil porque podem "obrigá-los" a fazer o que quiserem, e depois disso não perdem a teimosia e a mania de contrariar :P
    Eu gosto desse esquema de:
    "Frase poderosa com fim abrupto.
    Imagem de comida deliciosa."
    :D
    Que pena a fruta e a sopa não tornarem as pessoas imunes a doenças... E eu a pensar que estava salva! :P
    Adorei a expressão do lombinho :) hahaha a palavra "lombo" dá um carácter cómico a tudo!
    Acontecem-te sempre imensas coisas! És uma doente dramática :)
    Se isso fosse ao mesmo tempo que a "história" da Legionella passavam-se todos, não?
    (Nem tinha relacionado o hospital contigo, depois lembrei-me que OHMEUDEUS Vila Franca de Xira e postaste no facebook... Ainda bem que estás bem, deve ser uma situação muito desagradável! Mantém-te a salvo até ao dia 30 :P haha
    (Não, a sério, mantém-te a salvo. Não é preciso haver limites temporais para isso :P)
    Realmente, doente e sozinha deve ser horrível! Mais um motivo para a vitimização :P que desagradável, estar em casa fechada e doente sem ninguém!
    A mim ninguém me acusa quando fico doente... A minha avó até é capaz de murmurar "ir correr à chuva não faz mal e depois dá nisto", mas de resto nada :P deve ser divertido ouvir essas coisas com uma dor de cabeça! :P
    Agora estás em muito melhores mãos! E essa francesinha parece-me uma proteção/cura ainda melhor do que fruta ;)
    Claro que a francesinha te faz chegar ao teu "Porto " de abrigo :D
    Da última vez que fiz francesinhas também usei pão próprio para torradas na base, porque normalmente essa fatia fica ensopada :P em cima usei do normal, pensei que o outro fosse um bocado demais...
    Nunca fiz uma francesinha com mais "acessórios" do que fiambre, mas com presunto deve ficar bom! E depois há a junção presunto-queijo de cabra que parece italiana e deliciosa :P queijo no meio deve ser uma boa adição!
    As "tuas" (agora são uma pessoa só ;)) variações de francesinha são DEMAIS! Nunca vi variações tão giras, e gosto imenso de ver uma coisa que normalmente é sempre igual em versões diferentes, especialmente se tem combinações conhecidas e UM ASPETO COMO ESTE :P

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