21 de julho de 2014

Queques de limão e amêndoa para um dia triste.

Without you now I see
How fragile the world can be.
And I know you've gone away
But in my heart you'll always stay.

I cried for you, and the sky cried for you,
And when you went I became a hopeless drifter.
But this life was not for you,
Though I learned from you,
That beauty need only be a whisper.

Katie Melua


Era Domingo à noite. Eu tinha chegado a casa vinda da minha viagem (na altura semanal) ao Porto. Sentei-me na cama a vestir o pijama, e eis que quando olhei para o chão vi algo extremamente parecido com... Um pequenino cocó.

Pensei que estava a alucinar de cansaço.

Alguns minutos depois sentei-me no sofá, e enquanto esperava que o meu portátil ligasse vi pelo canto do olho algo a mexer-se.

'Está ali um rato!' - gritei.


Os nossos gerbos da Mongólia tinham escavado um buraco na caixa e tinham passado todo o fim-de-semana a passear-se alegremente pela nossa casa. À excepção do Tomás, claro, que sempre foi o rato cocó tímido.

Seguiram-se horas de caça aos ratinhos, aspiração do chão e recuperação da casinha deles.


Em Novembro do ano passado um dos nossos ratinhos morreu de repente. Embora tecnicamente todos já tivessem ultrapassado a esperança média de vida típica da espécie, a verdade é que eram tão animados (à excepção do Tomás, pronto) que aquilo apanhou-nos completamente desprevenidos.

Em Janeiro o Tomás morreu também de repente, possivelmente assassinado pelo outro ratinho em circunstâncias muito suspeitas. 'Foste um rato mono, mas eras querido', foram as palavras que o Pedro lhe dedicou antes de o enterrarmos. E começámos a preparar-nos para o pior: afinal já só tínhamos o Jorge, e sempre nos disseram que um ratinho sozinho morria de solidão.


Não foi isso que aconteceu. O ratinho assassino sobrevivente ficou aparentemente mais feliz e animado do que nunca, e todos os dias podíamos vê-lo a saltitar e a correr de um lado para o outro o que ainda aumentou mais as minhas suspeitas da morte do Tomás não ter sido propriamente acidental.

Isso mudou há algumas semanas. O Jorge começou a desequilibrar-se, a ficar mais parado e a ter uma enorme dificuldade em subir as escadinhas para a comida. Pensámos que ele estava a ficar bem velhinho e tratámos logo de o deixar mais confortável, mas o estado dele piorou de repente. O que se seguiu foi uma longa noite e um dia ainda mais longo, até o Jorge decidir parar de lutar e entregar-se ao peso do cansaço da idade.


Enterrámo-lo debaixo de uma árvore no jardim em frente à nossa casa, embrulhado na sua caminha de algodão e feno. Com a emoção esquecemo-nos das sementes de sésamo, mas não faz mal: aposto que o céu dos ratinhos está cheio delas. Já em casa chorámos abraçados, esmagados pelo peso da morte do último dos bichinhos que nos acompanharam durante cinco anos. E depois o Pedro limpou-me as lágrimas e disse:

- E daquela vez que os ratinhos fugiram da casinha e o Tomás ficou para trás com medo?

E sorrimos. Os nossos ratinhos estavam novamente juntos, a correr livres pelo céu dos gerbos. À excepção do Tomás, que certamente tinha ficado para trás com medo de qualquer coisa.


Queques de limão e amêndoa

Ingredientes (para seis queques):

* 140g de farinha de trigo;
* Uma colher de chá de fermento;
* Meia colher de chá de bicarbonato de sódio;
* Uma pitada de sal;
* Duas colheres de sopa de amêndoa picada;
* Duas colheres de sopa de coco ralado (opcional);
* Um ovo;
* 60g de açúcar amarelo;
* Uma colher de chá de raspa de limão;
* 120ml de sumo de limão;
* Duas colheres de sopa de leite;
* Três colheres de sopa de óleo vegetal.

Confecção:

* Juntar a farinha, o fermento, o bicarbonato de sódio, o sal e a amêndoa picada (e o coco, se assim optarem);

* Noutra tigela bater o ovo com um garfo e juntar o açúcar amarelo, a raspa e o sumo de limão, o leite e o óleo vegetal, batendo bem entre cada ingrediente;

* Juntar a mistura líquida aos ingredientes secos e misturar com uma colher de sopa apenas até os ingredientes ficarem ligados;

* Colocar em forminhas para queques e cobrir com amêndoa picada;

* Levar ao forno pré-aquecido a 220º durante sete minutos, após os quais se baixa a temperatura para os 190º e se deixa cozinhar durante treze a quinze minutos.
  

Tenham uma boa Segunda-feira do queque (sim, agora são oficialmente queques!) :)

6 comentários:

  1. É o que faz nós adorarmos os animais, ficamos tão tristes, ainda há pouco morreu o hamster do Gonçalo, lá meti numa caixinha de fósforos, com umas flores do jardim, e lá fui de enxada na mão, enterrar no pinhal ao pé de casa... :(

    Os queques têm muito boa cara, beijinhos

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  2. Bonito texto! :-) E estes queques, se usarmos leite de soja, ficam lindos e sem lactose! Vou experimentar.

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  3. Se existe alguma parte má em termos animais de estimação é esta mesma, a perda. Mas de certeza que eles estão no céu dos ratinhos rodeados de sementes de sésamo :)

    Quanto aos queques nada a dizer, já é um hábito sairem assim lindos e super apetitosos! :)

    http://miascuisinemf.blogspot.pt/

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  4. Se há animal que eu não suporto, é o rato. Mas o teu texto está tão fofinho, que até eu fiquei comovida!

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  5. Lindos Joana!
    Também à pouco tempo chorei baba e racho pelo meu Tommy (neste caso o meu cão).. infelizmente nunca estamos completamente preparados...
    Beijinhos,
    http://sudelicia.blogspot.pt/

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