3 de julho de 2018

As reflexões que antigamente antecediam receitas (parte 3).

Já há muito tempo que queria escrever esta publicação. Fui adiando porque não estava suficientemente inspirada, não tinha tempo, estava cansada, achava que talvez não fosse apropriado ou temia que não surgisse propriamente grande conversa à volta do tema nos comentários, mas hoje enchi-me de coragem e aqui vai.

Não é segredo que a amamentação não correu bem por estes lados, e já várias vezes disse em diversos contextos que não quero amamentar os meus próximos filhos. Vá, não é bem não querer - se os miúdos pegarem bem na mama e eu tiver rios de leite é óbvio que vou amamentar, mas ao primeiro sinal de que algo não está a correr como seria desejado provavelmente vou ser a primeira a desistir. E assumo isto sem quaisquer problemas. Sei as implicações disto, sei os riscos, sei as razões psicanalíticas pelas quais penso assim, sei que o problema são as minhas próprias fragilidades e por aí fora. Tenho direito a elas, é a vida. Entretanto tenho uma amiga que trabalha numa clínica de apoio à amamentação perto de minha casa (a Clínica Amamentos) que já me garantiu que para a próxima vou ter mais apoio e as coisas vão correr melhor e tal, por isso vamos ver.

A questão é que sempre que falo disso cá em casa o Pedro diz que gostava que eu amamentasse, porque efectivamente é melhor para o bebé.

O que me deixa a questionar-me o que aconteceria se eu não quisesse mesmo amamentar.



Sempre que falo sobre isto com os meus amigos os argumentos são sempre os mesmos: que o corpo é meu, que eu é que decido, que as mamas são minhas, que não são eles que sofrem, etc etc etc. Mas na verdade eu não concordo com isto. O corpo é meu mas o filho é dos dois, e acho que a opinião do Pedro em relação às decisões que influenciam o nosso filho é tão válida como a minha.

Há umas semanas falava sobre isto com uns amigos e eles usaram como argumento a questão da interrupção voluntária da gravidez. Diziam eles que as mulheres tinham todo o direito a terminar uma gravidez que não quisessem porque o corpo era delas, mesmo que o pai quisesse assumir o bebé, porque mãe é mãe e etc e tal. Ou seja, se um pai não quiser um filho e sugerir o aborto é um cabrão e devia assumir as suas responsabilidades, se uma mãe não quiser um filho e sugerir o aborto é o seu direito e o seu corpo.

Eu não tenho rigorosamente nada contra o aborto, atenção. Simplesmente acho que isto não é assim tão linear como as pessoas pensam. E sinceramente aborrece-me um bocado esta visão dos pais (e já falei sobre isto inúmeras vezes aqui no blog) como acessórios ou, pior, como uns idiotas que não podem e não devem ter opiniões em relação a um filho.

Por isso sim, na minha opinião seria legítimo tentar amamentar porque o pai (neste caso o Pedro) quer. Mas pareço estar sozinha nesta minha luta, pelo menos tendo em conta as opiniões da malta que me rodeia :)

Chutem aí as vossas opiniões :) Vou abrir os comentários anónimos para toda a gente poder comentar (e não só a malta que tem perfil)!

93 comentários:

  1. Obrigada por teres aberto os comentários, já gostava de ter comentado antes e não posso por não ter perfil! Em última instância acho que de facto o corpo é teu e não seria bom para ninguém, muito menos para o bebé, obrigar uma mãe que não quisesse amamentar de todo (pelos mais variados motivos), a amamentar, nem acho que pai nenhum racional faria essa exigência face a uma recusa da mãe. A verdade é que implica um desgaste físico e emocional que a mulher, por múltiplos motivos, pode achar não estar disposta e isso tem que ser respeitado porque aliás, se não for respeitado, é certo que não vai correr bem! Não é algo mecânico que se possa obrigar. Basta perceber a fisiologia da ejeção do leite materno! O mais importante neste caso, que não consigo comparar à decisão do aborto, é perceber o que está na base da recusa, isso sim. Já se provou inúmeras vezes que a grande maioria dos casos (e digo maioria, não digo todos, propositadamente) falham por falta de apoio nos primeiros dias (sim, dias) e acho que isso, de facto, deve ser melhorado, procurado, e tem ainda mais importância quando as pessoas estão bem informadas dos benefícios, como sei ser o vosso caso. E de certeza que é por isso que o Pedro insiste, mesmo que a primeira experiência não tenha sido tão boa, assim como é por ser racional que não correndo tão bem, ele não te "obrigou" a aguentar até à exaustão! Resumindo, como em qualquer decisão, os pais têm que chegar a um consenso que respeite e envolva as duas partes para um bem comum e muito querido de ambos!

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    1. Mas e se eu quisesse MESMO não amamentar e o Pedro quisesse MESMO amamentar? Não sei, não é uma questão fácil e na minha opinião não há assim uma resposta óbvia. É óbvio que eu sei o efeito que amamentar 'contra a vontade' da mãe tem (infelizmente demasiado bem), mas e se o pai quiser MESMO? Já me tinha questionado disto quando eu queria dar a vacina do rotavírus ao Matias e o Pedro não queria MESMO, por exemplo.

      Curiosamente, agora olhando para trás, percebo que ele não concordou com o facto de eu ter 'desistido', até porque não era propriamente doloroso ou desagradável - simplesmente o Matias não pegava de todo na mama, eu com a bomba só tirava 30ml das duas mamas e na altura ele já bebia 120ml de leite adaptado, por isso achei que só estava a prolongar a sensação de fracasso que sentia. Agora sinto que nos próximos filhos vou viver com este fantasma e possivelmente não vou conseguir lidar com a amamentação de uma forma tão descontraída como lidei com tudo, até porque na altura (em que fomos parar ao hospital porque o Matias não mamava e estava desidratado e hipoglicémico) o Matias só não foi internado porque nós somos médicos e sinto que isso mexeu mesmo muito comigo.

      O curioso é que eu até tive apoio, mas agora conversando com essa minha amiga que é CAM sei que não tive o apoio certo ou adequado e que tudo falhou: as aulas de preparação para o parto, as enfermeiras e auxiliares do hospital onde o Matias nasceu e até as enfermeiras do centro de saúde (que eram amorosas e prestáveis). Em última instância, nós também falhámos, porque não conseguimos tolerar não sermos eficazes em alguma coisa (neste caso, a amamentação).

      No fundo esta minha questão é com a amamentação, mas é válida para muuuuitas outras coisas. Eu dei o exemplo do aborto, mas depois lembrei-me também de outro: a questão da gravidez. Se uma mulher não quiser ser mãe, ninguém a obriga. Mas conheço várias mães que engravidaram 'de propósito', muitas mentindo aos maridos. Uns meses depois do Matias nascer comentava com uma pessoa que conheço que por mim tinha logo outro mas que o Pedro preferia esperar, e a resposta foi 'bem, tu é que decides, os meus filhos foram acidentes para o meu marido e planeados para mim'. Em muitas coisas sinto que ser homem (e ser pai) não é mesmo nada justo.

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    2. A vacina, a amamentacao e a gravidez sao coisas diferentes. Nao percebo como colocas td ao mesmo nivel.

      A vacina nao tem qq implicacao p a mae, portanto é uma decisao do pai e da mae com o mesmo peso cada um.

      A amamentacao tem impacto directo na mae, no corpo, nas dores, naquilo q tem de fazer. O pai pode e deve dar opiniao, mas a mae tem total liberdade de fazer o q quiser. As mamas sao minhas, mando eu.

      A gravidez é um processo previo q deve ser de mutuo acordo. Claro q eu nao vou engravidar sem o marido saber. Temos de debater e concordar antes. Se nao seria uma mulher falsa e desonesta. Isso tem a ver com a integridade e seriedade da mulher e nao com a questao da decisao. Pq é algo brutal q tem impacto em ambos e nao tenho o direito de forçar essa decisao. Agora outro exemplo: mulher solteira quer ter filhos; vai pra noite e tenta engravidar de um tipo qualquer, sendo q n tem o objectivo de lhe exigir dinheiro ou sequer q ele saiba q vai ser pai. Por mim ok, n vai ter impacto nenhum p ele, portanto...

      Ressalvo q no meu caso vou ter 1 filho por acordo e debate c o marido, sendo q eu por mim nem tinha filhos, mas ele faz questao. Foi uma decisao q eu tomei e q falamos antes de casar pq obvio n vou discutir isto depois. Nem ia ele tar casado c alguem q n quisesse filhos nem ia eu estar a ser pressionada para ter 3 ou 4. Se nao chegassemos a acordo nem sequer casavamos. Portanto, p mim, é o unico assunto q tendo impacto no corpo da mulher pode e deve ser discutido e acordado pelos 2 antes de acontecer. Porque neste caso, nao havendo consenso, separam-se e obviamente nao ha filhos sequer. Tudo o resto em q mexa com o meu corpo mando eu.

      As pessoas complicam muito e sao mesquinhas. Ter filhos sem o marido saber.... medo, muito medo destas mulheres.....

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    3. Tens toda a razão, a questão das vacinas está é mal resolvida na minha cabeça porque no fim concordámos em não dar aquela vacina específica e hoje arrependo-me :P

      Foi o que disse mais abaixo, a partir do momento em que amamentei o Matias as mamas deixaram de ser 'minhas' para ser 'nossas'. É uma imagem um bocado perturbadora, mas no fundo foi um bocadinho o que senti. Mas possivelmente penso assim porque nunca tive dores nem chatices, simplesmente as minhas mamas recusavam-se a funcionar :P

      Mas em relação ao teu exemplo, e o direito da criança a ter um pai? E o direito do pai a saber que tem um filho? Legalmente uma criança é obrigada a ter um pai, mesmo que a mãe não saiba quem é há um inquérito e tal. Não estou a dizer que não concordo, e conheço algumas situações assim (as mais óbvias serão até situações com dadores de esperma), mas não sinto que seja algo assim tão preto no branco quanto isso.

      Mas lá está, no vosso caso no fundo acabou por haver uma cedência porque assumiste que nesta situação o pai tinha o direito de ser pai, mesmo que tu não quisesses ser mãe (porque era importante para ele). Eu acho que com a amamentação vai dar ao mesmo. Mas é engraçado porque se eu não quisesse ser mãe sei que não o seria porque o Pedro quereria ser pai. Talvez porque a amamentação dura uns dois anos e um filho dura a vida toda :D

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    4. Temos ideias diferentes: a amamentacao sou em q faço, nao posso delegar no pai, seria uma violencia psicologica p mim passar por esse acto se o odiar. Ja basta a gravidez e o parto q n da mesmo p evitar. Por outro lado, O filho nao dura a vida a toda: depois do parto e excluindo a amamentacao, o pai pode ficar c ele exclusivamente. Parte do meu acordo c o meu marido é q em caso de divorcio ele fique com a guarda total da criança e mesmo estando juntos ele ficara c a maior parte das tarefas q envolvem a criança, tipo ele da-lhe banho e eu passo a ferro, ele da-lhe jantar e eu limpo a casa, etc.

      Aqui a questao é: ele quer ser pai, eu quero estar casada c ele , portanto tenho de gerar um bebe. Pq nao ha alternativa. Para q fique claro: se eu nao aceitasse o bebe ele nao se casava comigo. Tu nao serias mae se nao quizesses se isso implicasse perder o Pedro? No caso da amamentacao ha a alternativa do biberao, por isso nao me faz qq sentido ceder aí.

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    5. Esta é uma pergunta meeeeesmo difícil, e sinceramente acho mesmo (e correndo o risco de mandar para o ar um daqueles chavões do costume) que só quem está na situação é que pode opinar. Assim no abstracto eu diria que não, optaria por não ser mãe mesmo que isso implicasse perder o Pedro. Mas isso sou eu a opinar da minha caminha, sem saber como efectivamente reagiria nessa situação.

      Mas possivelmente isto estará relacionado com a minha profissão e com a nossa personalidade/modo de funcionamento da relação. Eu não me imagino a ter um filho se ambos não quiséssemos MESMO, e aliás acabámos por ter o Matias mais 'tarde' porque eu queria logo mas o Pedro não, por isso esperámos (que remédio). Mas lá está, tal como vocês isto foi tudo conversado antes, e o importante é que as pessoas saibam ao certo onde se estão a meter e com que é que podem contar :)

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    6. Sou a primeira anónima :) Joana, para mim não faz qualquer sentido haver esses dois polos totalmente opostos num casal unido para um bem comum, lá está. Há sempre cedências de parte a parte. Acho que um pai não pode exigir isso a uma mãe que irredutivelmente não quer, como disse a outra anónima, é uma violência. Eu estou a perceber o teu raciocínio fundamental que está na base desta questão e até concordo, mas acho que não podemos pôr tudo no mesmo nível. Joana, lembro-me bem dessa altura e foi um dos momentos em que gostaria de comentar e não pude por não ter conta :) pelo que escreveste na altura e mesmo pelo que escreves agora acho que não tiveste o apoio certo, pelo menos o suficiente para ti/vós. Por vários motivos para umas mães é muito mais fácil e para outras não tanto (anatómicos, hormonais, tipo de bebé e facilidade de pega, capacidade de resistência ao cansaço etc etc muitos outros; outras há que não fazem nada, é só sacar da mamoca), porque como sabes há múltiplos fatores a interferirem na produção/ejeção, alguns difíceis de controlarmos, temos é que perceber o quê para poder resolver. Como de certeza sabes o que tiras com a bomba em nada prediz a tua capacidade de amamentar e por outro lado um bebé que mama 120 ml não precisa de muito mais sustento, portanto a lei da oferta e da procura subsiste. Infelizmente ainda não há todo o apoio possível nas maternidades e centro de saúde e por vezes é necessário procurar ajuda mais especializada (não devia ser considerada especializada mas, na minha opinião, ainda é, por não estar universalmente disponível - mas vocês têm a sorte de ter uma amiga CAM). Não sou nada fundamentalista (já percebeste que sou da área e sou tua colega :) mas acho que o facto de me parecer ser uma questão que não ficou muito bem resolvida valia a pena uma tentativa mais eficazmente apoiada de uma próxima vez, mesmo percebendo perfeitamente que, depois da primeira experiência e de tudo o que envolveu incluindo o susto do hospital, que não ficaste com a melhor das expetativas quanto à amamentação.
      Quanto às mulheres que engravidam porque elas querem, sem previamente estabelecer isso em casal, acho uma falta de carácter monstra que nem consigo classificar.

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    7. Acho que é um tema que me deixa muito ambivalente, lá está. E sei que há uma grande probabilidade de estar aqui a mandar postas de pescada e depois numa próxima gravidez tentar amamentar outra vez, até porque saberei procurar outro apoio e vou ter outra bagagem, outra experiência, expectativas mais adequadas, por aí fora :)

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    8. Olá Joana! Penso que já tudo foi dito nesta discussão (ou pelo menos muito), mas honestamente estas coisas dependem muito da pessoa e do casal em questão. Para mim estaria fora de questão amamentar, e não haveria marido que me obrigasse. Assim como não haveria marido que me obrigasse a fazer tratamentos de fertilidade. Para mim o aborto seria única e exclusivamente uma decisão minha porque, lá está, o corpo é meu. Já questões relativas ao bem estar da criança, deverão ser tomadas a dois, caso ambos estejam a assumir a função de pais. Por outro lado, penso ser extremamente injusto para um homem ter de assumir a paternidade de uma criança que não foi por ele desejada. É verdade que o superior interesse da criança legalmente assim o exige, mas o meu código de ética interior dispara todos os alarmes. Eu também não gostaria que me impusessem um filho (mas volto a referir, o corpo é meu, ver acima). Já agora, à anónima das 01h04m, estou consigo. Também nunca quis filhos, e acabei com três :) Mas lá está, foi uma decisão minha e do meu marido, muito pensada e trabalhada por mim.

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    9. Mas na verdade o que não falta por aí são homens nessa situação e pior, são os 'maus da fita'.

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  2. Eu não percebo nada da materia, por isso a minha opinião deve ser tão válida como outra qualquer :P
    Eu percebo exatamente a tua posição, exatamente. Em conversas uso muitas vezes esse exemplo do aborto: se a mãe quiser abortar mas o pai não, o corpo é da mulher e a mulher aborta. Mas caso a mãe queira manter a gravidez e o pai não, o pai é obrigado a responder perante as suas responsabilidades parentais. Não sei sinceramente uma solução para isto, mas sei que apenas assim como está não está bem.
    Na questão da amamentação acho mais simples: não é uma questao de vida ou morte, o bebé vai sobreviver por beber leite de fórmula, o "resultado" vai ser tendencialmente o mesmo: um bebé muito provavelmente saudavel. Aliás, consigo prever toda uma série de consequencias psicológicas negativas para o bebé que está a ser amamentado por uma mãe contrariada e infeliz. Não são tantas como as consequências de um pai que pressionou a mãe para amamentar e a mãe não quis xD

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    1. Este tema do aborto é-me próximo porque já passei pela consulta da IVG (como técnica) e via isto constantemente: os pais não eram tidos nem achados na decisão e muitas vezes nem sabiam. Não diria que acontecia na maioria das vezes, mas claramente acontecia mais do que o que devia acontecer (que é nunca). Até porque legalmente uma criança tem o direito a ter um pai, como dizes, e o pai tem o dever de ser pai. Ou seja, basicamente se não quiseres aquele filho... Lixas-te. Mas também não me faz de todo sentido que por tu não quereres aquele filho a mãe seja obrigada a abortar. Enfim, toda a temática do aborto é complicada para mim. Temos montes de conversas sobre isso cá em casa (o Pedro é contra o aborto) e nunca chegamos a conclusão nenhuma. Mas o giro é isso, acho eu. Também não vamos descobrir as respostas nesta caixa de comentários, mas eu gosto de discutir opiniões :)

      Há quem ache que o resultado não é bem o mesmo e não faltam por aí estudos sobre a questão da vinculação, do sistema imunitário, risco de desenvolver a doença x, y e z e até diminuição do QI! :P

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    2. Isso da vinculação só pode ser dito por alguém que nao percebe nada do assunto xD então e o pai? Não vincula? E pais adotivos? E avos? XD e alguém que me diga a vinculacao super segura que se obtem de uma mae a amamentar contrariada. O sistema imunitário e o desenvolvimento das doenças não depende só da amamentação. Não vale de nada amamentares um puto 3 anos e dares.lhe doces aos 12 meses (ou mais cedo!), por exemplo. Menos pressão nas mães, coitadas, a maioria das mães que nao amamenta já se sente mal o suficiente com isso (acredito que na maioria dos casos nao é por opcao, mas mesmo que seja, há sempre a dúvida em tudo o que se faz com os filhos se é o melhor ou nao!)

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    3. Só estou a dizer o que concluem os estudos, mas de facto eu não acho que nada em medicina seja propriamente assim tão linear :) Está efectivamente descrita essa questão da amamentação, e eu até posso não concordar com ela mas está descrita :P

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    4. E já agora, só mais uma pequena achega. Não compreendo que um homem (a não ser que profissional de saúde, e objetor de consciência), seja "contra o aborto". Não é, não pode, não deve ser uma decisão do homem. Nunca. Uma mulher não pode ser forçada, muito menos pela sociedade, a carregar um filho que não quer. Aquela conversa muito boazinha das adoções (mas a mulher é alguma incubadora?), e dos lares (onde está o superior interesse da criança?), já para não falar das violações e dos problemas de saúde para a mãe ou para o filho não permitem que seja mais do que uma escolha da mulher. Os valores judaico-cristãos às vezes chateiam-me um bocado :)

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    5. No caso do Pedro não são de todo valores judaico-cristãos :P E muito menos a conversa da adopção ou dos lares, porque eu lido com cada coisa que não lembra a ninguém, e conto-lhe muita coisa em casa. Na prática eu sei que para muitos miúdos (e correndo o risco de isto soar mesmo muito mal) mais valia não ter nascido. Mas depois teoricamente temos todos o direito à vida. Agora ser 'contra o aborto' não é igual a ser 'contra o aborto em todas as situações', acho que abortar 'porque sim' é diferente de abortar porque se foi violada ou há questões de saúde.

      Vou dar um exemplo mais concreto para ver se me faço explicar melhor sobre a nossa 'questão' com o aborto. Quando foi a discussão da eutanásia, a dada altura eu disse ao Pedro que achava que era a favor. No entanto, ele respondeu que se alguém for à urgência dizer que se quer matar, eu impeço a pessoa de fazer isso (porque assumo que está doente e que tem o direito de viver). Dizia ele que se a pessoa quisesse matar-se podia sempre assinar a alta e ir atirar-se da ponte a seguir, sem a conivência da equipa médica, e no fundo a opinião dele sobre a eutanásia é esta. Ora isto por arrasto deixou-me mesmo a pensar no aborto, embora sejam claramente problemáticas diferentes. Direito a viver todos temos, possibilidade de morrer também se o quisermos. É um bocadinho por aí acho eu.

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    6. Ui, a eutanásia é toda uma outra conversa :) Os profissionais de saúde que conheço normalmente são contra, e eu percebo. Eu sou totalmente a favor da liberdade individual, e do direito a morrer com dignidade. E penso que as propostas estavam mesmo bem feitas, para mim foi um dia triste. E o aborto "só porque sim" continua a ser um direito da mulher, independentemente de se poder aconselhar a pessoa. E percebo bem o que dizes, do mais valia não ter nascido. Sou mãe adotiva, penso que sei um pouco do que falas.

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    7. Nunca mais me irei esquecer de uma consulta de medicina geral e familiar a que assisti uma vez, em que os cinco irmãos MENORES de um bebé vieram SOZINHOS com ele à consulta de vigilância dos seis meses. A mais velha deveria ter uns 13 ou 14 anos. A médica que estava comigo virou-se para mim no fim e disse 'sabes, eu sou contra o aborto, mas acho seriamente que algumas pessoas deviam ser esterilizadas à força'. Na altura fiquei em choque e achei aquilo horrível... Mas só quem está 'no meio disto' é que sabe as merdas que vemos, a grande maioria das vezes sem qualquer poder para evitar o que quer que seja.

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  3. Olá Joana,
    Já visito o blog há algum tempo, mas nunca comentei. Vim cá parar por causa das receitas (já experimentei algumas) e fui ficando.
    Adoro acompanhar os relatos das tuas viagens e claro, tudo o que se relacione com o maravilhoso Matias.
    Porque é que decidi comentar hoje? Porque me deixaste a pensar que talvez a amamentação não seja algo assim tão inato e fácil para grande parte das mulheres. E esta reflexão ajudou-me a perceber o porquê de muitas mães, na resposta aos questionários para a minha tese de doutoramento, pedirem mais apoio na amamentação. O meu estudo é sobre necessidades de apoio à parentalidade nos Cuidados Primários de Saúde e num dos grupos de perguntas, questiono que tipo de apoios gostariam de receber nas Unidades de Saúde que frequentam. Ainda não fiz a análise dos dados, mas enquanto estava a inserir, esta questão passou-me imenso pelas "mãos".
    Agora, será que mais apoio e informação nesta questão irá ajudar a superar os problemas? Tal como tu, acho que é importante incluir o pai. Apesar de não ser ele a amamentar, acho que ele poderá ser uma enorme fonte de apoio e suporte.
    Também concordo contigo relativamente à questão do desconforto. Se não for bom para a mãe e para o bebé, não faz sentido insistir. Acho que só aumentará a frustração da mãe e interferir negativamente com o ambiente familiar.
    Melhor do que ninguém vocês sabem dos benefícios físicos do leite materno. Relativamente à questão da vinculação, que aparecem em imensos estudos associados à amamentação, será que ela não ficará prejudicada se a mãe estiver numa tarefa que não lhe dá satisfação?
    Infelizmente acho que a figura do pai é colocada um pouco de parte quando se abordam estas questões da maternidade, das decisões acerca da mesma e do seu papel no exercício da parentalidade. É uma pena, porque eles trazem sempre imensos contributos e com uma visão diferente. Em grupos de apoio à parentalidade que acompanhei apesar de serem maioritariamente constituídos por mães, havia sempre um pai e eles tinham um papel muito ativo e importante na dinâmica do grupo.

    Há uns tempos vi a tua publicação sobre livros infantis. Deixo-te aqui a sugestão de um livro sobre emoções muito bonito, o livro "Emocionário". Tens ilustrações lindíssimas e uma forma muito simples de abordar e explicar todas as emoções.

    Bom resto de semana. :)

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    1. Sinceramente não achei assim muito 'inato'. Vou reformular: achei instintivo, mas não achei nada fácil. E senti que havia uma grande preocupação com que as coisas corressem bem, mas que isso não se conjugava com um grande investimento. Quando eu pedia ajuda, mal o Matias pegava na mama os técnicos diziam 'pronto, boa, agora é continuar' e iam embora - presumo eu para respeitarem o nosso espaço e o nosso momento de vinculação. Um minuto depois ele despegava da mama (talvez porque tinha uma pega má, talvez porque eu ficava ansiosa e ele sentia isso, não era propriamente uma questão consciente da minha parte mas pode ter acontecido) e não estava lá ninguém para me ajudar.

      Eu falei da questão da vinculação, mas eu sou sempre muito crítica com estes estudos. Se calhar há uma melhor vinculação porque as mães que estão mais disponíveis para a vinculação também estarão mais disponíveis para amamentarem, por exemplo. Pessoalmente e profissionalmente não é a minha experiência e acho que há muitas variáveis envolvidas em oposição a x dá origem a y... Mas também podemos argumentar que não consigo ser imparcial nesta situação em particular :)

      Sinceramente quem põe o pai de parte normalmente é mesmo a própria mãe, pelo menos daquilo que eu vou vendo. E contra mim falo, que na parentalidade não sou nada assim, mas com outras coisas sou imenso (assumo sempre que o Pedro limpa e arruma pior do que eu, por exemplo).

      Vou procurar o Emocionário, obrigada :)

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    2. Tens razão, acho que o termo instintivo é mais adequado :). Não tenho filhos, por isso só posso imaginar e compreender o tipo de dificuldades, nunca as senti. Pois, e esse preocupação gera pressão. Sim, também presumo que seria para vos dar aquele momento só vosso. Porém, em momentos de dificuldade só deveria aumentar a angústia e depois poderiam surgir mil e um fatores que levavam o Matias a despegar.
      Ontem até me esqueci de deixar aqui em comentário. Não sei se conheces a Rede Amamenta. Eu sigo o grupo no facebook e acho que prestam apoio no caso da amamentação.

      Mas sabes, acima tudo, acho que devemos ter a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e aceitar o que funciona e não funciona, sem dramas e sem julgamentos. E penso que o comentário da Susana Santos resume essa aceitação e respeito pelas necessidades individuais dos pais, da(s) criança(s) e da famílias.

      O meu olhar para esses estudos é um pouco como o teu :). Também sou um pouco crítica. Olhar para o ser humano é usar uma lente tipo "caleidoscópio", ou seja, não podemos olhar para os acontecimento tipo causa efeito porque eles têm muitas "cores", podem ser multi-determinados e dar origem a "imagens" diferentes.

      Sim, também concordo contigo. Talvez seja uma questão cultural, talvez seja ideia materna e o tal instinto... Acho que não há uma explicação concreta para isto, porém acho importante que se envolva mais a figura paterna no exercício da parentalidade e na promoção do desenvolvimento das crianças. Com pequenos passos, poderemos caminhar até aí.

      Em relação à eutanásia, estou um pouco no mesmo ponto que tu: a pensar para dentro e a ver o que melhor responde às minhas inquietações interiores. E porque é que difícil decidir: porque cada pessoa é uma pessoa, e cada sofre de maneira diferente. Se fosse eu, que opção tomaria? E é neste ponto de reflexão que estou.

      Relativamente ao aborto, sou a favor. Porém é como dizes, quem tem a responsabilidade da decisão: a mãe, o pai, ambos? E se o pai quiser e a mãe não quiser? Mas como é a mãe que "carrega" o filho terá uma maior legitimidade de escolha? Sou sincera, nunca tinha pensado nisso com a profundidade que merece.

      Obrigada por esta reflexão e partilha. Tem sido interessante acompanhar as múltiplas visões acerca do tema.

      Espero que gostes do livro :).

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    3. Eu acho que se fosse eu não quereria morrer, tal como acho que se fosse eu também não quereria abortar. Mas isso sou eu a opinar no conforto da minha cama, sem viver a situação em si. Quando comecei a minha vida sexual tinha 16 anos e usava três métodos contraceptivos diferentes porque MORRIA de medo de engravidar. Se efectivamente engravidasse não sei se não abortaria sinceramente. Há tantas variáveis, é complicado!

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  4. Este assunto dá para comentar até encher volumes de livros. :D
    Basicamente concordo contigo. O pai (na minha opinião) tem tanto direito a opinar como a mãe em relação a tudo o que diz respeito à criança, mesmo o que envolve o corpo da mulher. O homem não tem culpa que seja a mulher a engravidar e a amamentar. Considero de uma violência enorme um homem desejar muito um filho - mesmo que a gravidez não tenha sido planeada - e a mulher decida fazer um aborto sem sequer uma conversa. Também não acho que a mulher seja obrigada a ter o filho, só porque o homem quer. É preciso é respeitar o outro e conversar bastante até que se chegue a uma decisão. São questões em que cada um deve ter 50% de peso na decisão.
    Mas, logicamente, sabemos que não é assim. A mulher é que acaba - biologicamente - por ter o poder de fazer valer a sua vontade se assim entender. Uma mulher se quiser ter um filho contra a vontade do homem tem e pronto, não pode ser obrigada a fazer um aborto. Se não quiser amamentar não amamenta e pronto.
    Cá em casa decidimos tudo os dois e fazemos tudo os dois. O meu namorado não amamentou mas acordou todas as vezes comigo e era ele que ia buscar e colocar as crianças ao berço todas as vezes durante a noite. Eu basicamente limitava-me a não adormecer (funciono muito mal de noite).
    Hoje em dia as miúdas ficam tão bem com o pai como com a mãe em qualquer situação, sem qualquer tipo de preferência.

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    1. O problema com os 50% de peso é que são respostas de sim e não. Na situação em particular em que o Pedro não queria dar a vacina e eu queria, não havia forma de termos 50% de peso na decisão: alguém teve obrigatoriamente de ter 51%. E como é que chegamos a essas decisões? Será legítimo ceder na amamentação pelas características do acto em si?

      Mais do que biologicamente, nós socialmente acreditamos nisso. Quando disse aos meus amigos 'e se a mãe não quiser o filho e o pai se responsabilizar por ele, emocionalmente, financeiramente, tudo?' ninguém o disse, mas sei que pensaram que isso nunca aconteceria porque estamos programados para achar que 'mãe é mãe'...

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    2. "e se a mãe não quiser o filho e o pai se responsabilizar por ele, emocionalmente, financeiramente, tudo"

      Mesmo aqui, na minha opiniao a decisao é da mulher pq ela é q vai passar pelo processo de gravidez e parto

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    3. É um facto, sim. Pessoalmente eu não acho que isso justifique um aborto, mas também não sou eu que tenho de achar - é a pessoa em si. Não sei, ultimamente tenho pensado muito nisto no direito à vida, tal como disse à Tété num comentário mais abaixo. Ou seja, sinto muito honestamente que em relação à questão do aborto ainda estou eu própria a precisar de reflectir 'para dentro' para ter uma opinião bem formada e cimentada.

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    4. "mas também não sou eu que tenho de achar - é a pessoa em si."

      Acho q estás a confundir duas questoes.

      Uma é se és a favor ou contra o aborto e em q situacoes. Isso tua saberas mas penso q ainda nao está claro.

      Outra é quem é que decide abortar ou nao. E aí ja respondeste acima: é a pessoa em si q vai carregar o bebe e ter o parto. Hipoteticamente uma mulher ate pode nao querer ser mae, mas engravidar e o homem querer ficar c o bebe e tomar conta de tudo. E ela pode decidir n querer abortar e passar por tudo e dar-lhe o filho. Mas é uma decisao dela.

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    5. Por acaso, nesta questão do aborto (votei contra) mais depressa me imaginava a dar o bebé ao pai do que abortar. Se calhar porque cresci numa família onde não havia maus tratos físicos, mas os psicológicos eram constantes e a negligência emocional era a palavra de ordem. Sou filha única e sempre me senti um peso na vida dos meus pais. Basicamente cresci sozinha dentro de uma família supostamente normal. E adoro viver! Sou mesmo feliz (apesar de não ter nenhum tipo de relação afetiva com os meus pais, só uma convencional como se tem com pessoas com quem temos que nos relacionar obrigatoriamente) e ainda bem que aquelas duas pessoas se lembraram de ter filhos. :D

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    6. É muito isto. Nós temos o direito de decisão, mas toda a gente tem o direito a viver, e em última instância estamos a decidir que aquela pessoa não irá viver. Por outro lado, ter um filho sem vontade ou afecto também trará consequências pesadas para todos, e eu lido com isso diariamente no meu trabalho. Não há respostas claras nem respostas certas, parece-me.

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    7. Desculpa mas não eh uma pessoa.

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    8. Estamos a decidir que aquela pessoa não irá viver, no sentido em que não será pessoa.

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  5. Vivo exactamente a mesma situação que tu: tentei amamentar, não correu bem e desisti. O Jack apoiou-me na decisão mas não deixou de me dizer que por ele, continuava a tentar amamentar sem desistir logo. Há, claro, a pequena diferença da Mini-Tété ter demorado 3 meses a aprender a pegar à primeira no biberão (ela colava a língua ao céu da boca e o mamilo ou tetina ficavam por baixo da língua, e era preciso estar ali a com a tetina a tentar que ela baixasse a língua, o que às vezes a irritava porque ela tinha fome, queria comer e não percebia porque raio não estava a conseguir) e quando finalmente conseguiu, o Jack foi o primeiro a admitir que se eu tivesse continuado a amamentar e ela demorasse o mesmo tempo a aprender a mamar, teria sido demasiado complicado para mim.
    Contudo, quando falamos num segundo filho, estou quase como tu: há dias em que penso "talvez até experimente, pode ser que corra melhor, e se não correr, desisto logo" e outros em que nem penso nisso, vai logo a biberão mal nasça que amamentar não é para mim (e para as minhas fragilidades, que também as tenho).
    O Jack já me disse que ao ter um segundo filho gostava mesmo que eu amamentasse.
    Situação semelhante, portanto. :)

    A minha posição, no entanto, é diferente da tua. A Mini-Tété é filha dos dois e qualquer decisão tomada tem de ser pelos dois de forma igual, mas com verdadeira atenção se não há um pai a sacrificar-se mais que o outro. Por exemplo, o Jack poderia querer à-vontade colocar a filha na escola xpto a 2h de distância, mas sendo eu a ir buscá-la e levá-la, a minha opinião teria de ter um peso diferente. No caso das vacinas, por exemplo, ambos os pais têm o mesmo peso.
    No caso da amamentação, eu entendo o lado dele, mas as mamas são minhas, as fragilidades são minhas, sou eu que me vou sentir exposta se amamentar em público, sou eu que terei de acordar sempre durante a noite, não haverá a divisão de tarefas na alimentação, sou eu que vou ter de lidar com bombas, pelo que embora a nossa filha ficasse a ganhar, eu estava claramente a perder. E no caso da Mini-Tété, continuo a dizer que tomei a melhor decisão: mais vale um biberão dado por uma mãe feliz e calma do que peito por uma mãe que estava a odiar amamentar e que se retraia cada vez que ela chorava de fome. Pelo que no fundo, também acho que ela ficou a ganhar. :P

    Concluindo, não consigo, neste ponto, achar que eu e o pai temos o mesmo peso de decisão e que ele pode decidir o melhor para ela, usando o meu corpo.

    A questão do aborto, acho que tenho uma posição semelhante. Se a mulher pretende continuar com a gravidez, não me parece de todo sensato submeter-se a um aborto apenas porque o futuro pai não deseja este papel (nos dias de hoje, parece-me que é daquelas coisas já facilmente evitáveis). É o corpo dela e a memória dela que passarão por aquele processo e aqui ela tem mais peso do que ela. Até porque o homem pode ir à vida dele, fingir que não é pai e o único senão será uma carteira mais leve todos os meses com as obrigações que tem para com o filho.
    No caso contrário, se uma mulher não quiser mãe, também me parece sensato obrigá-la a passar por isso, por muita vontade que o pai tenha em ser pai. É o corpo dela que se vai alterar, é ela que vai ter de se submeter a exames, é ela que vai passar por um parto. E mesmo que ela lhe dê o bebé e siga a vida dela (com a carteira mais leve), o corpo dela não escapará à gravidez e ao parto, pelo que mais uma vez não acho que homem e mulher tenham o mesmo peso na decisão porque uma gravidez não afecta os dois da mesma maneira.


    Finalmente, quanto ao engravidar sem o marido saber, aí para mim é simplesmente desonesto. Ter um filho é uma decisão dos dois, e começam os dois com o mesmo pé, ou seja, nenhum está grávido. Tudo bem que o corpo é teu mas precisas do marido para engravidar (coisa que não acontece na amamentação e aborto), pelo que aqui a questão nem se põe.


    Desculpa o comentário tão longo, mas a culpa é tua que lanças vários temas importantes num mesmo post. :P

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    1. E ainda nem reflecti sobre ter percebido que aceitaria tudo do Matias mas teria muita dificuldade em aceitar se ele não quiser ou não puder ser pai, e por isso não prolongar a nossa linhagem genética :D :D :D Mas isso fica para outra reflexão, porque já é tarde, merece uma reflexão só sua e tenho eu própria que fazer alguma introspecção sobre qual das minhas fragilidades é que me faz pensar assim :P

      É engraçado porque também acho o biberão infinitamente mais prático, e não me revejo muito na conversa das pessoas que amamentam ou amamentaram que conheço sobre ser melhor nesse aspecto amamentar. Mas isso sou eu, que só esterilizei biberões no primeiro mês e que nunca aqueci leite :P

      No geral não tenho grandes problemas com a amamentação. Nunca cheguei a amamentar em público mas se tivesse que acontecer acontecia, não me imagino a ter problemas com isso. A bomba não me era desagradável, simplesmente não funcionava e era uma seca estar ali. Sinceramente o meu principal problema é mesmo pensar nas noites, porque sei o quão importante foi para a nossa saúde mental conseguirmos os dois dormir pelo menos seis horas seguidas (quando o Matias acordava de três em três horas). Mesmo na fase inicial quando ele ficou aflito e nós tínhamos de o acordar de duas em duas horas para comer, eu podia deitar-me às 22h, o Pedro ficava acordado e assegurava o biberão da meia-noite, depois eu levantava-me às duas, ele às quatro, eu às seis e ele às oito (e os dois às dez), assegurando que dormíamos pelo menos quatro horas seguidas e pelo menos dez horas no total. Com a mama isto vai ao ar, principalmente porque o Pedro tem o sono pesadíssimo e nunca acordaria se fosse necessário dar de mamar. Nem eu o acordava também. Hoje em dia quando o Matias acorda durante a noite (felizmente já não acontece há para aí um mês) sou geralmente eu que me levanto, porque o Pedro nunca acorda e não vou eu acordá-lo já estando acordada. Por isso sim, nesse aspecto compreendo porque é que ele pode querer que eu amamente e eu esteja com menos vontade :D :D :D

      Sabes que apesar de tudo ainda vai acontecendo haver mulheres que fazem um aborto porque o pai não quer o filho. E de certa forma eu percebo. Não o faria, mas percebo. Estar sozinha neste barco é muito, muito difícil, principalmente em casos em que já há outras crianças de outros companheiros ou não, ou quando não tens uma casa só tua, ou quando não há apoio familiar ou estabilidade profissional e financeira... É um facto que muitas vezes vemos o pai como 'a pessoa que abraça a mãe e o bebé', o que não deixa de ser um bocadinho injusto, mas também é um facto que sem alguém que sirva 'de base' (nem que seja uma base alternante entre a mãe e o pai) isto é infinitamente mais difícil. A maioria dos miúdos da minha consulta vem de famílias monoparentais.

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    2. Mas mesmo que a gravidez e o parto sejam passados pela mulher, são nove meses da vida dela em oposição a toda uma vida com o pai. Não sei, este é mesmo um tema difícil para mim de discutir porque sinto que a minha própria posição em relação ao aborto está a sofrer uma transformação qualquer desde que se falou sobre a eutanásia e eu precisei de pensar muito a sério sobre qual seria a minha posição. E é engraçado porque sou tão liberal (politicamente falando), que de repente ter dúvidas sobre questões que para mim sempre foram óbvias e claras me está a fazer alguma confusão e sinto que preciso de pensar mais a fundo sobre isso para dentro antes de dizer baboseiras para fora. Ou seja, não sei se esta minha postura em relação à opinião do pai no aborto não estará a ser contaminada pela minha postura em relação ao aborto em si. Dito isto, continuo a achar que o pai tem o mesmo direito a querer um filho do que uma mãe.

      Sabes que cá em casa 'gozamos' um bocado com a questão do engravidar de propósito, porque eu quero tanto ter um segundo filho já que de vez em quando até tenho medo de engravidar por acidente e o Pedro achar que foi de propósito. Mas depois o Pedro diz que eu nunca conseguiria fazer algo do género porque sou péssima a mentir e não consigo fazer 'surpresas' (fico sempre com o ar mais comprometido do mundo), por isso está safo. Mas lá está, mais uma vez assume-se que 'a mãe é que é importante' e que 'a mãe querer é que é importante e depois o pai habitua-se e tal'.

      Isto no fundo a culpa é do Pedro, que foi embora e deixou-me aqui sozinha a pensar na vida e a ler páginas da Wikipédia sobre os mais variados assuntos, desde ataques de tubarões à lenda do Rei Artur :P Depois fico a pensar em dúvidas existenciais deste género e pronto :P

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    3. Tb concordo c o ex da escola. O meu marido quer colocar o bebe numa escola xpto em coimbra (30km) em vez de ser na aldeia. Eu disse ok, desde q vas tu levar e buscar. Em certos casos se as decisoes têm consequencias entao quem as toma tem de as assumir e nao o outro. Por ex eu quero q ele faça a catequese ate á prof de fe. O marido disse ok, mas vais tu leva-lo e busca-lo todos os domingos pq p mim a primeira comunhao é suficiente :-)

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    4. Faz todo o sentido, e nesta situação da amamentação acaba por ser impossível haver uma consequência porque efectivamente não é o pai que amamenta :) É um bom argumento de facto :) No fundo são exemplos de coisas que influenciam o bem-estar psicológico (distância à escola, actividades extra-curriculares) e não a saúde física (como a amamentação), mas para mim são igualmente válidos porque não existem um sem o outro :)

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    5. Se uma mulher disser ao marido que não se dá com contraceptivos orais e que não gosta de preservativo e por isso o melhor a fazer para evitar os filhos que ambos não querem é que ele faça uma vasectomia, ela tem tanto poder de decisão como ele? :) É o corpo dele mas é para evitar filhos que afectam a vida de ambos caso venham a surgir. :)

      Ahahahahah, ia acordando a pequena com a gargalhada sobre a linhagem genética. Isto de ser mãe é terrível. No outro dia andei todo o dia com uma neura enorme quando me apercebi que estive 3 anos em casa com a Mini-Tété (e eu não nasci para isto) e ela não se vai lembrar de nada quando for adulta. Eu vou estar cheia de recordações destes 3 anos e ela...nada. Nem sei explicar como isto mexe comigo.

      Ali no meu post, há um erro. Falta um não em "No caso contrário, se uma mulher não quiser mãe, também (não) me parece sensato obrigá-la a passar por isso...".

      O biberão é tão mais prático para mim. Dei conta disso quando um dia acordei às 3h da manhã para lhe dar o biberão, fui à cozinha e enquanto enchia o biberão, pensei "Ainda bem que não amamento, olha agora andar a pôr as mamas de fora a esta hora....". Ahah. Nós esterilizámos até mais tarde mas o facto de não se aquecer o leite tira obviamente muito do trabalho e é bem mais prático quando se sai.

      No que toca à amamentação, quem não o que fazer terá a sua próprias razões (eu tenho várias, algumas foram ditas aqui mas há outras). Quanto a acordar de noite, agora sou eu que acordo (ela precisa raramente) porque eu posso dormir a sesta se estiver cansada enquanto que ele tem de ir trabalhar no dia seguinte. Quando ela era pequena, revezávamo-nos como vocês.

      Sim, eu sei que há casos desses mas aí a mulher não é forçada a fazer um aborto. Ela analisa toda a situação e por muito que até gostasse de ter aquele bebé, conclui que não se vê a criá-lo sem ter um pai presente (e eu entendo isto que não acho nada fácil ser mãe solteira). Agora se uma mulher quiser mesmo seguir com a gravidez, sozinha ou acompanhada, não faz qualquer sentido que o homem a pressione para abortar porque ele não quer ser pai. O corpo é dela e se ela não quer passar por um aborto, é ela que decide (eu não sou contra o aborto mas não consigo vê-lo como algo que não marca uma mulher).

      É verdade que uma gravidez e um parto passam, mas as consequências disso? Eu adorei a minha gravidez e o meu parto foi fantástico (depois da epidural). Tenho a certeza que se tivesse sido obrigada a estar grávida, teria odiado aqueles meses e que não seria algo que eu esquecesse após o parto. Além de que o corpo muda, às vezes há coisas que não correm bem...Não é tão "descartável" e "facilmente esquecível" para a mulher como para o homem. A verdade é que à conta disto (e outras coisas), não me veria por exemplo a ser uma barriga de aluguer, porque não acho que acabando os 9 meses, tudo se esqueça e a vida continue igual.

      Atenção, Joana, eu acho que um pai tem o mesmo direito que uma mãe de ter um filho, começando desde logo antes sequer de engravidarem. Mas depois no decorrer da gravidez e tudo o que implique o corpo da mulher, o direito não se perde, mas o poder de decisão altera-se. Eu lembro-me quando fui fazer a ecografia às 13 semanas e dizer ao Jack "nesta ecografia podemos descobrir que o bebé tem problemas e podemos ver-nos na posição de decidir se continuamos com a gravidez ou não, e teremos de falar sobre isso e decidir os dois, mas não te esqueças que em caso de aborto sou eu a passar por ele e eu posso, com todo o direito, não querer passar por isso", ou seja, eu acho mesmo que a decisão não seria 50-50.


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    6. E porque não uma laqueação? :) Mas sim, faz-me sentido que as opções contraceptivas sejam discutidas a dois! Ou seja, parecer-me-ia legítimo pelo menos discutir o assunto :)

      Ela não vai ter memórias dessa fase, mas está a aprender a todos os momentos ferramentas muito importantes contigo. E está a criar afecto, a vincular, a construir uma relação... E isso é importantíssimo. E pronto, depois cresce e lembra-se de outras situações :P Ainda ontem a minha mãe me contava ao telefone uma situação em que aparentemente a magoei bastante com uma coisa que disse aos doze anos, e eu não tenho qualquer tipo de memória da situação em si :D

      É curioso, porque mais uma vez ao ler o teu comentário senti que as minhas opiniões (possivelmente como as de toda a gente) são muito contaminadas pela minha própria experiência pessoal. Não sinto que depois do parto o meu corpo tenha mudado, houve até uma determinada questão em particular que mudou para melhor, por isso não é fácil recordar que sim, por vezes há consequências menos boas. Mas eu por acaso não acharia assim tão estranho ser barriga de aluguer em certas e determinadas situações muito pontuais.

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    7. Desculpem intrometer.me no comentário, era só para dizer isto à Teté: a minha mãe ficou em casa comigo e com a minha irmã (somos gêmeas) no primeiro ano de vida. Como eé obvio, não me lembro de nada. Mas tenho 26 anos, e nem imaginas o conforto que eé ouvi.la falar dessa altura, ver fotos e videos... Não te consigo explicar como me sinto amada. Isto para nao falar da marca que deixaste à mini Teté desses 3 anos de mais atenção. Ela pode não se lembrar, mas vai ficar com ela para sempre.

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    8. O Matias já adora ver fotos e vídeos dele próprio, e inclusivamente pede para ver 'o vídeo do Matias bebé', que eu até cheguei a publicar aqui no blog quando ele fez um ano :)

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    9. O meu corpo mudou com a gravidez e não são alterações que me agradem propriamente (mas também não me fazem arrepender de a ter tido e me impeçam de pensar em voltar a ter mais um). Mas está diferente e nem sempre é fácil aceitar a imagem que o espelho devolve.

      Hoje falei com o Jack sobre esta discussão e ele acaba por ter uma opinião mais parecida com a tua. Eu continuo na minha e ainda acrescento: acharia violento que alguém me obrigasse a seguir uma gravidez, a passar por um parto, a amamentar sem eu querer, por muito que eu até possa perceber as razões dessa pessoa. É o meu corpo e incomoda-me que alguém possa achar que tem tanto direito como eu de decidir o que faço com ele. :)

      (o argumento da laqueação foi bom, mas vamos imaginar que a senhora tem problemas e não pode ser operada. Continuamos a achar que a mulher tem o mesmo direito de decisão que o homem no que toca a uma vasectomia? Sendo o corpo dele, não penderá a maior decisão para o lado dele?)

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    10. Joana e Ana Afonso

      Obrigada pelas vossas palavras. :) A importância de estar com ela 3 anos em casa nunca foi posta em causa, sei bem que isto lhe trouxe um impacto importante à vida dela, à nossa relação, à saúde dela, etc, etc...Isto nunca foi posto em causa por mim e nunca me ouvirão dizer "mas para que é que eu estive estes 3 anos com ela?" porque eu sei porque estive e vejo o benefício disto.

      A minha neura é mesmo porque ela não se vai lembrar de nada. :P Vai ver as fotografias, os vídeos, ler o que escrevi sobre estes 3 anos, mas não terá recordações e pensar "uau, foi super fixe ter feito isto e aquilo com a minha mãe". :P Talvez o facto de sentir que não nasci para ser mãe a tempo inteiro e por isso ter passado por fases em tinha efectivamente de fazer um esforço para estarmos as duas bem (depois noutras, corria tudo tão naturalmente bem que não havia qualquer esforço) ajude neste sentimento. Um bocadinho tipo "Arrgh, passei 3 anos a cuidar dela, a ensinar-lhes coisas, a distraí-la, a adormecê-la, a preparar-lhe as refeições todas, a passear, a mostrar coisas novas, a mimá-la...e ela não se vai mesmo lembrar de nada? Injustiça!". :P Bom, por outro lado também não me vejo como mãe a deixar o seu bebé de meses numa creche, por isso acho que ainda ando à procura da minha "identidade maternal", o que talvez também ajude. :D

      É como a entrada no infantário: há dias em que me apetece riscar os dias que faltam no calendário e há outros em que me apetece perguntar à escola se não vou poder ficar sentada num cantinho da sala dela para não ter de me separar dela (mas sei a importância da escola desta fase, etc, etc...A parte teórica sei-a toda, os sentimentos é que não seguem regras nenhumas :D ).

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    11. É tudo uma questão de perspectiva, lá está. Antes de ser mãe eu tinha muitas vezes dores no início da penetração, e contraía-me tanto que inclusivamente acabava por ser desconfortável para o Pedro. Lembro-me perfeitamente que na nossa primeira vez depois do parto quase que me encharquei em lubrificante, e acabei por perceber que isso tinha passado por completo. Para nós foi óptimo, lá está, mas se calhar outra pessoa que não tivesse esse desconforto prévio sentir-se-ia desagradada. Foi assim a única coisa que notei de diferente. Mas eu já oscilei entre os 40 e os 70 quilos, já fui gordinha e magrinha, já tive barriga e já tive sem mamas nenhumas, por isso para mim acaba por ser uma coisa 'cagativa'. Também já tinha estrias, não fiquei diferente.

      Depois lembrei-me de outra questão, que sendo um exemplo parvo, também é um bocadinho adequada. No ano passado quando eu fiz a tatuagem o Pedro assumiu abertamente que não gostava e que não concordava. Os motivos dele eram lógicos (dizia que me conhecia e que eu me ia arrepender de fazer a tatuagem) e ele chegou a pedir-me que não a fizesse. E eu fiz na mesma porque o corpo é meu e eu faço o que me apetecer, por mim ele também rapava o cabelo todo e ele não o faz por isso temos pena. Mas lá está, a partir do momento que entra um filho nosso ao barulho é mais difícil!

      Eu sou sincera, para mim pensar na laqueação ou na vasectomia é complicado porque acho uma completa violência para qualquer uma das partes. Mas aqui em casa passámos um bocado por isso depois do parto porque eu recuso-me a tomar a pílula, o que nos obrigou a reformular todo o nosso planeamento familiar. E fizemos isso mesmo, explorando outras opções que achámos que se adequavam melhor. Se discutindo tudo achássemos que a vasectomia era o melhor, eu ia propor isso mesmo. Se o Pedro se recusasse, bem, estava no direito dele claro. Mas depois íamos ficar num grande impasse :P

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    12. Joana, não tens por aí no spam o outro comentário que fiz (a propósito da Mini-Tété não se vir a lembrar destes 3 anos)?

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    13. Não percebi a história da tatuagem e do filho. :) O Jack tem há muitos anos o plano de fazer um tatuagem enorme nas costas. Esta ideia arrepia-me a todos os níveis porque sei bem que não vou gostar nada. Mas dou-lhe a minha opinião sincera: "eu não vou gostar, mas o corpo é teu", e rezo a todos os santinhos que ele continue a adiar a decisão como tem feito até agora, ahah. :D

      Cá por casa o planeamento familiar também mudou porque depois do parto recusei-me também a tomar a pílula. E lá está, houve conversas mas em última análise a decisão de não tomar foi minha pois era o meu corpo que estaria a receber doses diárias de hormonas. :P No fundo, o Jack fez mais parte do processo de encontrar outra solução do que decidir se eu ia ou não voltar a tomar. :)

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    14. Joana, muito obrigada pela tua partilha. Será que podias fazer um post sobre isto? (a questão da seualidade durante a gravidez e após o parto). Na perspetiva de mãe e médica, assim descomplicada como de costume :)

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    15. Tété não tenho comentário nenhum no spam :( A história da tatuagem foi só um exemplo de como há situações em que acho aceitável que o Pedro mande bitaites sobre o meu corpo e outras que não :P

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    16. Ana não sei, não é too much information? Não tenho muitas amigas que tenham sido mães, mas as que tenho acharam que a vida sexual delas ficou semelhante a todos os níveis. A minha melhorou pela razão que falei acima. Não que fosse má, mas melhorou. Eu já estava 'habituada', mas o Pedro então ficou satisfeitíssimo :P A única coisa que notei foi que no início tinha orgasmos 'diferentes' porque as contracções vaginais eram 'estranhas' (tipo mais rápidas e menos 'profundas', não sei explicar bem), mas depois voltou tudo ao normal com o treino :P E não noto diferença a outros níveis tipo frequência e por aí fora. Aliás, provavelmente até aumentou, porque antigamente ficava dorida por causa da tal questão inicial e agora não fico :P Para mim foi best thing ever :P

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    17. Joana, o meu comentário já apareceu (começa por "Joana e Ana Afonso"). Tinha escrito 2 de seguida mas quando vi só tinhas publicado o primeiro, daí achar que talvez o segundo tivesse ido para o spam. :)

      Por aqui não senti diferença a nível sexual, continuou na mesma sem razões de queixas. Mesmo fisicamente, o meu parto foi simples e eu cicatrizei muito bem e rapidamente pelo que não houve dores nem nada.

      Ah, já percebi. Eu acho que bitaites podemos mandar sempre, desde que cada um continue a ter a liberdade de ser o último a decidir o que fazer com o próprio corpo. :)

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    18. Obrigada Joana! Fala.se tão pouco sobre o assunto... Eu também tinha esse "problema" mas já passou sem ser preciso um parto vaginal (não sei como, foi passando e pronto! Acho que "ajudou" deixar o yoga, os meus musculos lá em baixo continuam fortes - o meu copo menstrual fica tipo panqueca, por exemplo - mas estão bastante mais relaxados. Mas ha outras questões para alem da elasticidade da vagina: os orgasnos, como referiste, as dores, o tempo de espera até ter relações sexuais, o impacto da episiotomia ou lacerações, o "trauma" do parto (para a mulher e parceiro) e esse impacto a nível sexual... Tanta tanta coisa que há tantos mitos e historias, e quase nao encontro informação como deve ser! Fiz agora pos graduacao em sexologia clinica e o assunto mal foi abordado. Daí o meu pedido :)

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  6. Eu e o meu marido estamos a pensar engravidar para o final do ano e naturalmente ja reflecti bastante sobre estes assuntos. Para mim nao ha qualquer duvida:

    1) ter ou nao filhos: tem de ser uma decisao dos dois, clara e consciente, isso de ter filhos sem o marido saber é de pessoa desonesta sem escrupulos. No nosso caso antes de casar ja tinhamos decidido ter so 1 filho

    2) decisoes q envolvem o corpo/saude da mulher comp amamentar, aborto, parto natural vs cesariana, etc: deve ser a mulher sozinha a decidir. Obvio q vou ouvir a opiniao do pai mas a decisao final é exclusivamente minha mesmo tendo impacto no filho q é de ambos

    3) decisoes so com impacto no filho, por ex vacinas: a decisao é dos 2, 50%/50%

    Resumindo: essa do mae é mae p mim é treta, o filho é dos 2 portanto mandam os 2 por igual. Excepto nos casos em q envolve o meu corpo, aqui so mando eu pq as mamas tb sao so minhas, etc.

    Ps:fico verdadeiramente surpreendida c as tuas duvidas e opinioes contrarias de outras pessoas pq p mim este assunto é tao claro e obvio q nao percebo a duvida. Ter um homem a mandar no q eu vou fazer c as minhas mamas faz-me tanto sentido como na arabia saudita as mulheres so poderem viajar c autorizacao do marido. ( nao pretendo ofender ninguem c este exemplo, é so p tentar mostrar o q sinto).Tenho seguido o teu blog e li todos os posts desde a gravidez para ir tendo umas ideias e vendo opinioes e de facto é engraçado como pode haver tantas opinioes diferentes e visoes sobre o mesmo assunto.

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    1. A questão é que conheço algumas pessoas de forma próxima (outras conheço a nível profissional) e não as descreveria como desonestas ou sem escrúpulos. Talvez desesperadas por ter filhos simplesmente :P

      Para mim as mamas são minhas. Se eu quiser pôr-lhes silicone ponho. Mas se servem para amamentar um filho que é dos dois, no fundo é como se fossem do Pedro também. Não sei se me estou a fazer compreender, mas para mim isto faz sentido. E nunca me tinha questionado disto até o Pedro ter efectivamente dito depois de um dos meus tantrums 'não vou amamentar nunca mais' que ele queria. Ele nem disse mais nada, não disse que era importante para ele, nada, zero pressões. Simplesmente abriu a boca e disse 'mas eu queria'. E eu fiquei um bocadinho WTF? E não pensei 'ah, mas as mamas são minhas!'. Pensei 'pois, ele também tem o direito de opinar'. O leite é meu, mas influencia o filho que também é dele. Se eu beber que nem uma doida enquanto amamento, as consequências são para os três. Se ele acreditar que leite materno é melhor, não será justo tentar?

      A verdade é que este tipo de dúvidas só me surgiu mesmo depois de ser mãe (em oposição a durante a gravidez ou antes) porque fui confrontada com a realidade e não com a argumentação metafísica. Lá está, em relação ao já muito repetido exemplo das vacinas, como é que essa bodega se resolve se eu quero e ele não? E se eu quero baptizar e ele não? E se eu quero que ele vá à catequese e ele não? Tudo isto são questões nossas que obviamente são conversadas, mas eu gosto de discutir com as outras pessoas também.

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    2. Percebo q a realidade de ser mae pode mudar opinioes. Espero bem que nao me aconteça muito. No nosso caso debatemos previamente todas essas questoes p evitar stresses. No pior cenario se n chegassemos a acordo nao havia bebe.

      Portanto: eu vou tentar amamentar mas se nao gostar/conseguir páro ( decisao exclusivamente minha); as vacinas damos tudo o que está no PNV e o q o pediatra recomendar e em caso de duvida decide o pai ( ele é da area de ciencias portanto tem maior capacidade p tomar decisao informada sobre o assunto); vai ser batizado; vai obrigatoriamente á catequese ate á primeira comunhao e a partir daí so vai se a propria criança quiser.

      Daqui a uns anos informo se mudamos de ideias com a realidade ;-))))

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    3. Ah, mas o problema é que depois há o bebé real, e não o bebé imaginado :D Mas não há dramas, é só debater tudo novamente, várias vezes, conforme o miúdo for crescendo :D Pessoalmente eu acho muito giro, mas é uma luta dos diabos, principalmente quando os pais são teimosões :D

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  7. Sou mãe ha 10 dias e amamento e, apesar de ser muito recente, ja percebi o quanto é cansativo ter a bebé completamente dependente de mim (há alternativa da bomba que ainda não experimentei), e ter de ser sempre eu a acordar para a alimentar. Se fosse "obrigada" a amamentar isso teria, de certeza, impacto negativo na minha interação com a bebé. E seria uma coisa que eu nao iria controlar. Apesar de ser uma decisão que afecte o filho de ambos, penso que a opinião da mulher terá de ter mais peso porque tudo se passa no corpo dela. Sou a favor da igualdade mas há coisas que é impossível ser igual. Quanto ao aborto já é mais complexo e não tenho uma opinião formada. Depende dos casos. Em relação às vacinas, acho que não é comparável porque não afecta directamente nenhum dos pais e aí o peso da opinião de cada um deverá ser igual e no caso de opiniões opostas terão de chegar a um consenso e viver com a decisão. Nao sei se fui clara mas estou ha qse 1h a amamentar na segunda ronda da noite é o discurso está toldado :p

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    1. Ah, que memórias de estar de madrugada acordada :P Quase que tenho saudades :D

      Pois, essa questão das noites assusta-me um bocado, talvez porque não passei por isso. Quando passar possivelmente desmistifico a questão, até porque o que tem de ser tem de ser e também não dura para sempre :)

      (Agora fiquei com saudades de quando o Matias dormia montes de sestinhas durante o dia e nós dormíamos também!)

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  8. Bom a minha opinião vale o que vale...parece-me que se criam muitas expectativas em torno da mãe dar mama ou não ao seu bebe...ora bem, acho que se deve simplificar um pouco mais a coisa...dar a mama é um acto natural, e se for possível fazê-lo é otimo para o bebe, mas há milhares de crianças que crescem de forma saudavel sem nunca terem sido amamentadas. Portanto, não é assim uma questão tão grave.
    Cada vez mais na nossa sociedade evoluida esse tipo de actos parecem tornar-se um bicho de sete cabeças, quando na realidade tudo devia fluir normalmente. Vivo em Africa há quase uma década e aqui as mulheres dão de mamar até muitas vezes as crianças terem dois anos...sem qualquer stress, acontece tão naturalmente que ninguém liga. Aliás estejam elas onde estiverem o bebe pede mama e elas sacam da mama e lá vai...não há cá fralda para esconder nem nada disso, simplesmente acontece. Achas que alguma delas teve algum curso sobre o assunto? Claro que não...parece-me é que quanto mais evoluidos estamos mais dificuldades criamos às vezes em coisas tão simples. É também importante não esquecer que o dar de mamar é um acto e ligação única com a mãe, portanto, o pai pode ter as opiniões que quiser, mas se a mãe não estiver bem a coisa não vai correr bem. Depois acaba a mãe enervada, o bebe sente tudo e valerá apena?!
    Descomplica, deixa acontecer, quanto mais relaxada estiveres quanto ao assunto mais fácil a coisa se torna...o pai se for um bom pai só vai apoiar. Se a coisa tiver que acontecer acontece, não é por teres ajuda ou não...relaxa...

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    1. Sim, é muito engraçada a perspetiva que fala, não há cursos em áfrica mas há uma coisa muito importante que já não existe na nossa sociedade: o espírito de comunidade! E muitos bebés. Não há só uma mãe a amamentar, há 500 e o exemplo espelho tem muita influência, lá está, é natural. Aqui há quartos particulares nas "melhores" maternidades, e como disse a Joana, o bebé pega no primeiro segundo e depois ficam sozinhas. Claro que o stress, a expetativa moderna, o controlo exagerado do peso e a contra informação depois fazem o resto e muito interferem na parte hormonal. Mas sim, concordo que a chave é relaxar. Mas nem sempre é fácil.

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    2. Eu até sou relaxada, mas levei logo a banhada da realidade quando quiseram internar o Matias e aí não há relaxamento que aguente :P

      Não sei se estará só relacionado com a questão da comunidade. Acho que a nossa obsessão com o controlo pesa mais, mas isso é a minha opinião (possivelmente toldada pelo facto de ter um historial de obsessão com o controlo) :)

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    3. Sim, claro, até porque em africa ninguém pensa que não vai conseguir até porque não há mais hipótese nenhuma. É para amamentar e ponto final, ninguém tem crises de identidade por isso. A mama tem aquele desconsolo de nunca se saber quanto mamaram, isso faz muito diferença à mãe moderna, que lá está, se calhar hiper controla :) (mas nós, profissionais de saúde, por vezes estimulamos isso, daí a questão da comunidade e da sociedade moderna ....)

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    4. O que queria dizer com o exemplo de Africa é no sentido de descomplicar uma coisa que por si deve ser natural...obviamente nem tudo é um mar de rosas em África, as taxas de mortalidade infantil continuam a ser assustadoras...
      No entanto, acho que deviamos aprender um pouco com a descontração deles...Em PT às vezes acho que é 8 ou 80, vivemos numa sociedade que se a mulher por uma ou outra razão diz "não vou amamentar", há uma série de vozes que por trás faz comentários do tipo "ai não vai amamentar, que horror, que mãe tão pouco dedicada"...pelo contrário se alguém diz, " o meu bebe tem 12 meses e ainda dou de mamar"...o comentário é logo "12 meses, ainda? mas quando o miudo entrar para a primaria ainda vai andar agarrado à mama da mãe?"...
      A sociedade em si, coloca uma enorme pressão em tudo, e as mães, principalmente as de primeira viagem ficam um bocado perdidas, assim como se ouve dizer em todo o lado que se deve dar de mamar, mas se uma mulher num sitio público se atreve a tirar a mama para fora e dar de mamar a criança, meu deus que não está a respeitar a privacidade alheia...
      por isso volto a dizer, vamos lá levar as coisas com calma...naturalidade é o que é preciso...

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    5. Concordo consigo!!!! :)

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    6. Também concordo :) Embora nunca me tenha sentido criticada por nenhuma das minhas opções, mas cada vez acho mais que provavelmente é porque tenho um grande défice de atenção :D :D :D

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  9. Como já foi referido, acho que tocas em temas que colocam a posição de influência do pai em níveis distintos. No caso da amamentação, creio que o pai tem todo o direito a manifestar a sua preferência mas parece-me que se tratará apenas disso. De toda a forma, assumo que estamos a falar de casais que estão juntos porque se amam e que não se sentirão bem a forçar uma situação que coloca a mulher num enorme desconforto.

    Em relação a escolhas sobre a vida dos filhos, os 50-50 são bonitos na teoria, mas na prática alguém tem de ceder. Já deram bons exemplos, acrescento mais um, que é o momento de entrada na creche :D

    Quanto ao aborto, acho que depende muitíssimo do contexto. Não havendo uma relação estável, "assumir" um filho é muito diferente de o criar. E a criação fica quase sempre à responsabilidade da mulher, pelo que acho que a vontade do homem tem, na minha opinião, um peso menor!

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    1. Tenho várias famílias monoparentais de pais na minha consulta, por isso para mim as coisas não são assim tão estranhas ou raras ao ponto de assumir que é quase sempre a mulher a assumir esta responsabilidade :) Em última análise o homem claramente tem um peso menor porque a mulher pode abortar sem ele saber, mas o contrário não acontece :)

      Por acaso cá em casa o momento de entrada na creche foi pacífico. Ao menos isso :D :D :D

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    2. Uma curiosidade: o que querem dizer c o momento de entrada da creche? Em portugal ha x meses de licenca parental e depois disso tem de ir p a creche. A unica questao é decidir qual a creche. Estou confusa....

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    3. Bem, no caso do Matias ele podia ter entrado na creche aos com 4 meses, 5, 6 ou 7, e acabou por entrar com outro porque nós discutimos a questão e optámos por meter férias. Também há quem decida em conjunto ficar com os miúdos 9 meses, 1 ano ou mais :)

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    4. Desculpem mas continuo sem perceber. Pelo que conheço a licença varia entre 4 a 6 meses recebendo subsidio da seg social. Como se pode ter os 7 meses? Pensava q so em caso de gemeos em q tem acrescimo de mais 1 mes. Mas a licenca é individual e será uma opcao de cada um. Ou seja, se eu por ex acho q no meu trabalho nao posso ficar fora mais de 4 meses mas o marido quer q o bebe fique em casa mais tempo, entao tira ele a licenca dos 4 aos 6 meses. Para mim é uma decisao individual cumulativa de cada um. Eu posso tirar x meses de licenca mais z dias de ferias, o marido diz q pode tirar y dias de licenca mais w dias de ferias, portanto o bebe vai p a creche apos x+z+y+w (sem contar claro c os periodos de licenca comuns).

      Agora a outra opcao q colocas de ficar 1 ano ou mais isso ja implica ficar sem trabalhar e a ideia q tenho é q sao casos raros. Mas aí sim, é uma grande decisao a ser tomada a dois. No meu caso nem pensei nisso pq é algo q nunca em hipotese alguma eu faria.

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    5. Não, porque há licenças da segurança social em que podes ficar mais três meses e o pai mais três: ou seja, ficar seis meses, mais três, mais três. O 'problema' é que nestes últimos seis meses recebes 25% do salário. Mas lá está, tem de ser uma situação discutida a dois. Até porque o pai pode preferir que o bebé fique nos seus pais e que só entre para a escola aos 4 ou aos 6 e a mãe não concordar, etc :)

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    6. Oh sim, percebo. Acho q o problema nestas conversas é ver so a nossa realidade e nao pensar nas dos outros. No nosso caso nem a minha mae nem os pais dele têm possibilidade de fazer isso, portanto qd penso onde o bebe vai ficar é sempre numa creche.

      O de entrar p a escola aos 4 ou aos 6 nem sabia q ha pessoas q fazem isso. Conheces casos em Lisboa? Aí fazem isso?Pensava q tds os miudos fazem pelo menos a pre primaria ( aos 3 anos). Eu fiquei em casa ate aos 3 anos pois a minha mae estava em casa mas nem sequer havia duvidas q a pre primaria era p se fazer tal como todos os miudos da aldeia apesar de muitos terem as maes em casa como eu.

      Quanto a ficar em casa ate aos 3 anos eu tive isso pois nos anos 80 ainda era comum nos meios pequenos a mae ser domestica e ficar em casa e so o pai ter emprego e sustentar a familia. Hoje em dias as mulheres ja vao p as universidades, tiram cursos, trabalham, por isso p mim ja nao é comum ver mulheres em casa.

      Penso q o dos 25% é a licenca alargada. O problema, do meu ponto de vista nao é o salario, é o impacto na carreira. Eu nao tou bem a ver como vou ficar 6 meses fora ( se contar ainda c pelo menos o ultimo mes da gravidez de baixa), e ele mal consegue ir 15 dias de ferias sem o chatearem. É complicado pq depois qd se volta corremos o risco de ser colocada de lado pois os projectos avançaram e como se costuma dizer quem foi ao ar perdeu o lugar... é uma das minhas principais preocupacoes c a gravidez

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    7. Eu também nunca ponderei outra hipótese (nem havia sequer), mas conheço pessoas que optaram por creches, por amas, por empregadas internas, pelos pais ou por ficar em casa :)

      Conheço algumas pessoas que ficaram em casa, e cada vez conheço mais. Mesmo no nosso caso, vejamos o seguinte: eu ganho 1400 euros limpos. O Pedro ganha um bocadinho mais porque faz mais urgências e faz privado, mas no fim deve ganhar mais uns 100 ou 200 euros por mês. Pagamos 545 euros de creche por mês (e o Matias não tem música, senão iríamos pagar 570). Se para o ano tivermos outro filho duvido que o Matias já esteja no jardim de infância público (porque terá três e é difícil entrarem nessa fase), por isso vamos passar a pagar 1090 euros de creches por mês. Sinceramente, para isso fico eu em casa com eles, mesmo que isso implique deixar a minha carreira em suspenso durante dois ou três anos! Mas lá está, para nós é diferente, não é como se alguém deixasse de nos contratar, temos um vínculo com o Estado e pronto. Dito isto, muitas das pessoas que conheço que estão em casa têm cursos, é uma opção tão válida como qualquer outra, e a única razão pela qual não fica o Pedro em casa em vez de mim (porque isso já foi discutido) é porque simplesmente ele ganha mais. Se fosse ao contrário ficaria encantada de trabalhar e o Pedro ficar em casa com os miúdos :)

      Dito isto, para nós é 'fácil' tirarmos licenças, mas percebo o que queres dizer. Há fases em que preciso de ficar em casa com o Matias porque ele está doente, e isso tem sempre repercussões. Ou alguém manda um bitaite, ou as pessoas comentam, ou perguntam porque é que a fulana nunca fica em casa com o miúdo e tu ficas, ou comentam que o teu filho está sempre doente... É muuuuuuito complicado :P

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    8. No meu caso sou directora financeira numa multinacional. Neste momento tenho a meu cargo tb as areas de gestao da qualidade, legal, compliance e vou a partir de agosto ter tb higiene e seguranca. E td isto muda a uma velocidade avassaladora, fui acumulando areas pq me consideram competente e as oportunidades foram surgindo. Mas acho q se estivesse um ano fora qd chegasse se calhar ja tinha perdido parte da responsabilidade e da equipa e estava so com a contabilidade, sei la... nao é uma questao de me despedirem, é perder o comboio, ficar p tras. Num ano implementa-se um novo software de gestao, muda-se uma area de negocio, abre-se uma sucursal, fecham-se departamentos...se eu n estiver ca vou ser atropelada. Por acaso é engraçado q soube esta semana q a directora de recursos humanos está gravida. Vou estar atenta a ver o q lhe acontece... ja todos andam a comentar como se vai fazer por causa dos projectos em curso e tal... pq o resto dos directores sao tds homens e o gerente tb é homem

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    9. A minha chefe ainda hoje comenta que quando eu fui fazer a reunião de apresentação no serviço ela me perguntou quais eram os meus objectivos para o meu primeiro ano do internato e eu respondi-lhe: engravidar. E foi mesmo isso que fiz. Podia ter feito cursos e trabalhos, mas engravidei. Fui honesta com eles e comigo própria, e sou-o diariamente. Não sou a melhor médica do pedaço, não sou a que lê mais livros, não sou a que sabe mais teorias, não sou a que dedica mais horas, não sou a que tem mais artigos, mas sou verdadeira e sou feliz e acho que isso transparece na minha actividade clínica (pelo menos assim espero). Sei lá, nós trabalhamos tantos anos que fico sempre a achar que se perdermos o comboio agora durante dois ou três ou dez anos, depois os miúdos crescem e aparecem sempre mais comboios para apanhar. Os nossos recursos internos adequam-se às nossas prioridades, e muito provavelmente se perder o comboio vou ficar-me a borrifar para isso durante uns tempos porque tenho outras preocupações. Quando tiver tempo/vontade/disponibilidade para voltar a apanhar o comboio, fá-lo-ei.

      Dito isto, é muito lindo eu dizer este tipo de coisas quando tenho um contrato com o Estado que só termina quando eu acabar a especialidade, independentemente do número de filhos que quiser ter pelo caminho (posso ter dez filhos e ser interna durante vinte anos), e depois ninguém deixa de me contratar por ter filhos. Mas tenho amigas noutras profissões que adiam a maternidade por isso mesmo... A questão é até quando.

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    10. Eu e o meu namorado... O que irias pagar de creche pelos dois filhos é menos do que eu e ele ganhamos juntos por mês :( (psicóloga e assistente de call center!). Sem familia de jeito por perto, não vejo como iremos conseguir ter um bebé nos tempos mais próximos. Mas como o Fábio quer muito (por ele seria ja e logo se via!) e somos jovens e inconsequentes, logo veremos como sao as coisas daqui a um ano ou dois :P De notar que se eu engravidasse era quase certo qhe ambos perderiamos os nossos trabalhos

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  10. Isto dá para discutir até mais não...
    No caso da amamentação (amamentei duas e espero amamentar o terceiro) as coisas não são nada simples e cada caso é um caso. Tem que se fazer o que for melhor para o bebé e o casal e de certeza que ter uma mãe stressada a amamentar não é o melhor para o casal.
    No meu caso, quase que o meu namorado teve que me obrigar a deixar de insistir com as miúdas porque eu ficava tristíssima quando elas desmamavam naturalmente (18 meses e 11 meses) e tentava continuar.
    Por outro lado a amamentação pode não ser nada inata para algumas mulheres. Para mim foi muito dolorosa e violenta (com os mamilos feridos durante mais de um mês e dores horríveis. Passei por isso por escolha minha ( o meu namorado nunca me pressionou e sempre deixou a decisão em mim) e depois foi maravilhoso. Com a segunda filha correu tudo bem até ela ter começado a perder peso e a primeira coisa que a médica me disse foi para deixar de amamentar (explico melhor aqui: http://www.vinilepurpurina.com/pensei-que-ia-deixar-de-amamentar-a-183367) sem ponderar mais nada e sem tentar ouvir a minha opinião. Procurei a opinião da pediatra e amamentei mais 6 meses sem problemas e com aumento normal de peso.

    O que acho é que os especialistas de saúde deviam ouvir mais as mães e prestar um apoio muito melhor. Perceber o que elas querem e ajudá-las nesse sentido, sempre tendo em consideração a saúde do bebé. O que eles me parecem fazer é, de acordo com a sua opinião pessoal, coagir a amamentar ou a não amamentar. Fiquei fula quando a médica me afirmou que provavelmente o leite iria secar e eu não tinha leite suficiente para a alimentar a minha filha e, depois de ir à pediatra e perceber exatamente o problema, ter continuado a amamentação com sucesso. Depois de ter continuado a amamentar sentia que olhavam para mim como uma mãe negligente porque não fiz o que me aconselharam. E desde então que as minhas consultas no centro de saúde são de rir. Sempre que tenho alguma dúvida (como se me podem receitar uma pomada para as hemorróidas na gravidez, dizem-me para ir perguntar ao médico particular porque não sabem bem :D )
    Em relação ao pai creio que o papel dele vai muito para além da opinião e pode mesmo ajudar muito na amamentação. A mim faz-me muita diferença que ele acorde de noite comigo e vá buscar o bebé e voltar a deitar e, muitas vezes, eu tirava o leite com a bomba e ele dava durante a noite para eu poder dormir umas 4 ou 5 horas seguidas. Na primeira vez isto foi essencial para eu conseguir amamentar numa fase mais difícil.

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    1. Esta é uma discussão que eu tenho constantemente com os meus colegas da pediatria ou da obstetrícia, que muitas vezes não percebem um bacalhau de amamentação e mandam postas de pescada para o ar como se fossem factos cientificamente validados, às vezes de uma forma super desadequada e grosseira. Pessoalmente nunca ouvi nada de desagradável, mas sei que no processo do Mati, por exemplo, uma das enfermeiras escreveu 'a mãe não consegue amamentar mas nós sentimos que se ela quisesse mesmo conseguia', quase como a sentir-se defraudada por ter investido numa situação que depois não correu bem.

      Na verdade, esta questão também não é propriamente específica da amamentação. Eu fartei-me de fazer coisas com as quais a Joana não concorda, e ainda faço, e estou no meu direito. Ela pode opinar à vontade, porque em última análise a decisão é minha. Diga-se de passagem que quando os pais da minha consulta fazem exactamente o mesmo fico fula :D

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    2. Joana a serio que escreveram isso? Coitadinha :/ que coisa cruel de se dizer!
      (Estou a adorar esta partilha de ideias, quero mais sobre mais assuntos! :) )

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    3. Provavelmente escreveram porque era o processo dele e só os técnicos têm acesso a ele... O problema é que o Matias é meu utente (porque passo-lhe receitas), por isso eu também tenho acesso ao processo dele :P Até é giro ler coisas do género 'o pai está extremamente preocupado com o tamanho das orelhas' :P

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  11. Querias comentários e tiveste! :-P Muito brevemente, eu sou muito sensível aos argumentos sobre o direito da mulher ao seu corpo, até porque vêm da luta feminista que em muitos aspetos continua a ser relevante hoje em dia, mas concordo contigo. O pai tem direito a ter uma opinião e a ser tido em conta tanto como a mãe. Aliás, até diria que essa é uma das lutas do feminismo de hoje em dia, estarmos ao mesmo nível, não só nos salários, mas também nestas coisas.

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  12. Olá Joana.
    Já sigo o blog há alguns anos :)
    Em relação a esse tema, vou deixar umas palavras sobre o que penso e o que aconteceu comigo.
    Sou mãe há 13 meses e ainda amamento (e está para durar), mas o início foi tudo menos rosas. Com 3 dias de vida, ainda no hospital, a babyC foi internada na neonatologia com icterícia e hipoglicémica. Até então ela estava sempre a dormir na mama... nem cócegas, nem nada lhe valia. Eu tive diabetes gestacional na gravidez e desde que nasceu que os níveis de glicemia lhe eram vistos com regularidade. E andavam sempre no limite do baixo. Nessa tarde foram buscar suplemento a correr pq estavam mesmo mt baixos, e horas depois foi para a neo. Eu estava com baby blues no seu expoente máximo e não foi nada fácil. Mas eu queria mesmo amamentar. Até que, finalmente, me apareceu uma enfermeira que sabia deste meu desejo e me apoiou ao máximo. Ouvi as palavras que precisava e eu quis acreditar em mim, que conseguia e que era possível. Ao quinto dia saímos do hospital, e eu morria de medo que voltasse a acontecer o mesmo. Então comprei suplemento para ter em casa, para ter sempre aquela segurança. Ela foi aprendendo a mamar, mas como chorava muito, acabava por tomar sempre suplemento (FOME, aquela dúvida que não nos larga). E mesmo assim continuava a chorar (foi de loucos).
    Passados cerca de 15 dias neste registo, noites sem dormir NADA, eu resolvi que "Se ela se acalma na mama, é na mama que vai estar, nem que eu fique com as mamas de fora todo o dia!!"
    Paralelamente ia lendo excertos do livro da Constança Cordeiro Ferreira "Os bebés também querem dormir" e bendito livro! Ganhei a confiança que precisava para acreditar em mim e nas minhas maminhas, e nunca mais lhe dei suplemento. A primeira vez que foi pesada quando já não tomava suplemento foi uma alegria imensa, pois tinha engordado (muito) bem, e foi a validação que eu precisava.
    Se o nosso corpo consegue gerar um filho, tê-lo durante 9 meses e suprir todas as necessidades dele na nossa barriga, cá fora a história é a mesma, basta ACREDITAR! :)

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    1. É engraçado porque eu comprei o livro da Constança e achei-o mesmo básico :D Talvez porque aquilo para nós da Pedo é básico: mesmo enquanto tentei amamentar, andava sempre de mamas de fora se fosse preciso :)

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  13. De todos os comentários que possas receber talvez o meu te faça mais sentido (modéstia à parte). Não porque te sigo à muitos anos (que sigo), não porque te tenha colocado questões e pedido opiniões (que deste) ou por termos gostos semelhantes em relação a fazer pratos deliciosos, gostar de cozinhar para os outros, viajar, adorar livros ou beber gin (tudo isso temos em comum e eu também tenho uma alforreca em casa em vez de um peixe morto. Tudo isto é verdade, mas o fundamental é que a minha experiência foi igual à tua. Tive o bebé no mesmo hospital que tu e tinha imenso colostro e ele saiu de lá a mamar muito bem. Chegou a casa e berrou 8h consecutivas. Não mamava. Abocanhava, ficava irritado, e ainda chorava mais. Também fiz curso de preparação para o parto, também li livros sobre amamentação e ele não comia. Tirava com a bomba e percebia que era insuficiente. Quando o levei à pesagem no centro de saúde já tinha perdido meio kg e a enfermeira disse - esta criança está cheia de fome. Vão já comprar suplemento se não amanhã vai ter que ser observado no hospital. E assim se acabou o sonho da amamentação. O problema não é o facto das mamas serem tuas e decidires sobre o teu corpo. Nem o do pai querer que dês de mamar. É aquele momento em que te dizem que a criança tem fome, ou no caso do Matias que ficou internado e em que o sentimento de culpa é só teu e não pode ser repartido com o marido. Tu é que sentes que falhaste ao dar de mamar, que as tuas mamas não produziam leite suficiente, que o bebé não ganhou o jeito pela tua falta de jeito, que tu é que foste inadequada para a situação, mesmo sendo um primeiro filho e mesmo as nossas mamas não tendo um conta gotas. Esta culpa nunca é partilhada ou dividida. Aqui em casa foi bem aceite o facto de não conseguir dar de mamar. Tentei 3 semanas mas aos poucos ele foi-se habituando ao biberon e era um desgaste tão grande colocar o João no peito e uma luta tão inglória que eu e o pai decidimos que o importante era ele estar bem alimentado fosse de que maneira fosse. Até no primeiro banho fizemos a mesma asneira que vocês e deixamos cair a mangueira da banheira para o tabuleiro das fraldas que ficaram todas encharcadas. Tivemos quase tudo e comum. Também demos apenas a vacina da menigite b por comum acordo e porque para o pediatra não era essencial, além de que eu iria ficar em casa com o João no pico das gastroenterites nas creches, tendo em conta que ele vai entrar em Setembro.
    Mas serena o teu coração que eu te vou contar aquilo que se vai passar.Quando tiveres um próximo filho vais voltar a tentar dar de mamar. É de ti pensares muito nas coisas, mas também não voltares costas às adversidades. Se funcionar optimo. Se não funcionar o Pedro vai saber reconhecer o teu esforço e como homem inteligente vai medir se é mais importante a alimentação à mama, que se tentou e não funcionou, ou se o teu bem estar, que por si, afecta o bem estar da criança também. E vai saber ultrapassar essa questão porque é isso que as famílias que se amam fazem, transcendem questões e tu és parte fundamental desse processo.

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    1. Muito muito muito obrigada Susana. A sério. Nem sei bem o que responder a isto, mas possivelmente agradecer por teres partilhado a tua experiência e por me teres ajudado a ficar mais tranquila :) E é mesmo isto, eu penso e penso e penso e depois deixo de pensar e vou à luta :)

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    2. Melhor comentário de sempre :)

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  14. O comentário da Susana é provavelmente dos melhores que li (não li todos, mas uma série deles).

    "se a mãe quiser abortar mas o pai não, o corpo é da mulher e a mulher aborta. Mas caso a mãe queira manter a gravidez e o pai não, o pai é obrigado a responder perante as suas responsabilidades parentais. Não sei sinceramente uma solução para isto, mas sei que apenas assim como está não está bem.
    Na questão da amamentação acho mais simples: não é uma questao de vida ou morte, o bebé vai sobreviver por beber leite de fórmula, o "resultado" vai ser tendencialmente o mesmo: um bebé muito provavelmente saudavel." Este é exactamente o que penso também. Quanto à solução, talvez passe por o aborto não poder ser decidido só pela mulher (salvo em casos de violação e excepções desse género, obviamente...). Talvez se assim fosse, houvesse mais consciência na concepção de criancinhas. Porque acho que há demasiada gente despreocupada na altura de ir brincar para a cama e depois a usar o aborto como contraceptivo. A amamentação e o aborto não estão ao mesmo nível porque não é uma questão de vida ou morte do bebé. De resto, também acho imensamente injusto a mulher ter o poder de decidir sozinha... e já o homem não poder decidir porra alguma se não quiser o filho, porque se a mulher quiser, tê-lo-á na mesma. Quanto à questão polémica e super discutida de o leite materno ser melhor para o bebé, por mim, podem impingir-me estudos e opiniões médicas e tudo o mais... que não me convencem que a fórmula e o bicho papão. Conheço pessoas que mamaram e são flores de estufa e outras que beberam leite adaptado e são rijas que nem um pêro, com uma saúde de ferro desde pequenos. Eu e a minha irmã, as duas a leite materno até 1 ano, ela raramente fica doente, eu raramente estou com a saúde a 100%. E agora? :)

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    1. Eu também acho que há muita gente demasiado impulsiva (ou demasiado optimista) nestas questões de não usar contracepção, e depois corre mal e a culpa é sempre do azar.

      Isto a nossa experiência vale o que vale. Eu também fui alimentada com fórmula e o meu irmão foi amamentado e somos os dois igualmente saudáveis, mas os estudos dizem outra coisa :P

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  15. Por acaso, eu e o meu marido sempre tivemos em sintonia: amamentar até a bebé quiser (já vão 10 meses). Compreendo os teus argumentos, os do Pedro e os dos teus amigos, acontece que o corpo é teu e em última instância és mesmo tu que decides. Sabias que o cérebro comanda o resto do nosso corpo e ele poderá não produzir leite, porque tu não te sentes bem ou preparada para isso.

    Sugiro que continues a falar com o Pedro sobre esse assunto e até sugeria chegarem a um entendimento: poderias amamentar até aos 6 meses e depois paras. Procura ler sobre a amamentação, porque penso que muitos dos teus receios é falta de informação. A amamentação pode mesmo ser um bicho papão e não é nada fácil. Há muitas mulheres que não consegues dar de mamar e têm vontade de o fazer. Em última instância deves fazer aquilo que te faz sentir melhor e não a ceder a pressões.

    Beijinhos :D

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    1. A minha questão não é de todo em relação ao tempo de amamentação. Se eu conseguisse amamentar não me faria confusão rigorosamente nenhuma amamentar até à idade que o bebé quisesse, por isso combinar os seis meses não faria sentido :)

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    2. Joana tinha ficado com a impressão que não querias amamentar (ponto!), independentemente se conseguias ou não. Daí ter dado a solução dos seis meses. Recordo-me que tiveste um parvo bastante demorado, mas não me recordo se foi cesariana ou não. Por vezes, o tipo de parto e o apoio que o próprio hospital dá pode influenciar a amamentação.
      É muitoooo difícil os primeiros dias, as dores, as nossas hormonas, o não dormir e a lista poderia continuar.

      Continuo a manter o que disse :D fala com o Pedro e decidam como casal. Se decidires amamentar o segundo informa-te (livros sobre o tema), tem o/a teu/tua petiz num hospital amigo da amamentação (isto é muito importante e existe uma lista) e número de telefone de apoio à amamentação

      Link: http://www.vamosdardemamar.org/index.php?option=com_content&view=article&id=10&Itemid=22).

      Beijinhos ***

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  16. Olá Joana!
    Sinceramente, a amamentação só vai correr bem se a mãe quiser mesmo, nunca funcionará só para fazer a vontade ao pai. Quase todas temos obstáculos na amamentação, ora seja má pega, gretas, atraso na produção de leite, etc... e é preciso determinação e muitas vezes ajuda. A verdade é que algo que devia ser inato (bolas, somos mamíferos!), não o é, trata-se de uma aprendizagem, com outras mulheres. Quando vivíamos em comunidades e havia muitos filhos, provavelmente era mais fácil... atualmente estamos isoladas, muitas vezes rodeadas de mulheres que também não amamentaram...
    Amamento há 17 meses (faz amanhã ��), adoro e não trocava por nada. Mas é exigente, acordar de noite para dar de mamar, não nos podermos separar do bebé porque dependem a 100% de nós... O meu marido é um pai incrível, que faz tudo. Mas durante 6 meses não participou na alimentação da bebé. Cheguei a extrair leite, mas a bebé bebia apenas o mínimo indispensável até eu chegar... prolonguei a licença para poder introduzir alimentos sólidos. Ainda agora não bebe outro leite... ainda agora acorda de noite para mamar... Ainda agora, se tiver que fazer uma urgência de 12 horas (o que aconteceu poucas vezes porque divido em turnos de 6horas) é complicado porque fico fisicamente desconfortável (e no início tinha que extrair leite)...
    Não acho que um pai possa pedir que a mãe amamente, pode e deve apoiar a decisão que a mãe tiver, porque no fim o que interessa é um bebé alimentado e uma mãe feliz.

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    1. É engraçado porque na altura não me senti nada 'pressionada' pela minha mãe ou pela minha sogra para amamentar. Mas também não me senti ajudada, porque ninguém sabia como fazê-lo. A minha mãe só amamentou o meu irmão, a minha sogra acho que não amamentou nenhum dos filhos, as minhas amigas não tinham filhos e só me sobravam os técnicos, que não podiam propriamente dedicar-me horas infinitas.

      Mas eu sei que aqui há coisas muito mais profundas. O Matias é um miúdo muito independente que já faz tudo praticamente sozinho porque nós também estimulámos isso, e começo a achar se não é para mim angustiante de alguma forma ele ser dependente de mim. Acho que antes de tentar amamentar um segundo filho tenho de ir para a psicanálise :P

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