7 de fevereiro de 2017

Filho de paizinhos médicos.

Durante a gravidez expressei no blog o meu descontentamento perante o facto de as pessoas agirem de forma diferente connosco por sermos médicos e falei da minha preocupação em relação à possibilidade do patuscão sofrer do síndrome 'filho de paizinhos médicos'.

Na altura fui um bocadinho mal-interpretada (principalmente por colegas médicos que viram o meu texto como uma crítica à classe médica), mas sinceramente continuo a ter a mesma opinião. Mas há algo que mudou: agora consigo perceber as vantagens indiscutíveis de ser o filho dos paizinhos médicos. Senão vejamos:

Na madrugada de Segunda-feira o Matias acordou às 2h a choramingar. Nada de muito estranho para as nossas rotinas actuais (o Mati que dormia 12h seguidas foi substituído há um mês por um gémeo maléfico que acorda uma ou duas vezes durante a noite com vontade de fiesta), mas no entanto começámos logo a desconfiar que algo se passava. Eu fui lá, dei-lhe colinho, ele eventualmente acalmou, voltei a deitá-lo... E passado meia hora a choraminguice recomeçou. E assim continuou numa sucessão de episódios deste género, até que às 5h percebi que ele estava bastante quente. Medi-lhe a febre: 39º. Chamei o Pedro.

Auscultámo-lo. Vimos os ouvidinhos dele com o otoscópio (sim, temos um otoscópio em casa). Vimos a garganta com uma espátula. Fizemos a palpação abdominal. Vimos a pele à procura de manchinhas. Fizemos a limpeza do nariz com soro. Demos-lhe água. Fizemos as continhas à dose adequada de paracetamol, demos-lhe e depois ficámos com ele no quarto até ele se acalmar.

4h depois a febre regressou. Fiz as continhas à dose de ibuprofeno, dei-lhe. 4h depois, novo pico febril. Novo exame objectivo, sem nada de especial (alguma tosse, uma ranhoca inocente). Entretanto surgiu uma-espécie-de-diarreia.

Hoje o Matias já está melhor. Sempre fomos fiéis à velha técnica do 'avinha-te, abifa-te e abafa-te', por isso o miúdo tem estado o máximo de tempo possível no quentinho da caminha (hoje dormiu três horas seguidas de manhã e já está a dormir há uma hora), tem comido o que consegue (vamos insistindo na sopa e na fruta) e tem bebido bastante água (porque a parte do avinha-te não é recomendada para menores de 18 anos).

E nós estamos relaxados. Somos médicos. Já nos passaram pelas mãos um montão de miúdos doentes. Sabemos fazer um exame objectivo, diagnosticar a maioria das situações (não é difícil: são viroses!) e fazer o tratamento necessário (muitas vezes é basicamente esperar que passe e ir fazendo o tratamento de suporte).

Afinal, talvez ser filho de paizinhos médicos não seja assim tão mau... Certo? :)

6 comentários:

  1. Adoro a expressão "avinha-te, abifa-te a abafa-te", a minha avó dizia-me isso! Hehe.

    Já os meus futuros (se houverem) "filhos de dentista" acho que vão sofrer um bocado, porque eu vejo cada desgraça todos os dias, que vou andar sempre com a escova de dentes atrás deles!

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  2. A nós teria dado jeito porque por muito racional que seja e por muito que me tenha informado sobre doenças típicas desta fase, nada me impediu de ir a correr para as urgências no momento em que a Mini-Tété fez 39.5°C, sem sequer lhe ter dado nada para tentar baixar a febre. :P Mas em minha defesa, encarei naturalmente a febre provocada pelas vacinas. Para a próxima também encararei naturalmente uma virose....:)

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  3. Afinal existem vantagens em ter pais médicos :)

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  4. Ahah, claro que dá jeito ter pais médicos...Sortudo do Matias. :p

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  5. Joana, está tudo bem? Desculpe a pergunta, mas esta ausência...

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  6. Ter pais médicos é fabuloso...como ter pais de qualquer profissão, não é isso que determina como será a criança. Mas é uma ajuda extra sem duvida =)

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