8 de setembro de 2016

Qual é o meu segredo?

Há uns dias partilhei convosco que já tinha a festa do primeiro aniversário do Matias toda planeada e choveram comentários e mails a perguntar como consigo organizar o meu tempo. Sinceramente nunca tinha pensado nisso, mas é um facto que não sinto propriamente falta de tempo para fazer as coisas. Simplesmente sei quais são as minhas prioridades (brincar com o Matias, estar com o Pedro, descansar, tratar da casa, adiantar o relatório, planear festinhas, eventualmente ver umas séries e fazer quizzes) e ajo de acordo com isso. Não sinto que faça alguma coisa especial, não descobri nenhuma fórmula secreta nem tenho dicas espectaculares para partilhar.

Independentemente disso, achei que podia falar-vos um pouco das nossas rotinas cá em casa. Pode ser que seja útil para alguém :)



O Matias acorda. Geralmente consigo perceber bem quando ele acorda porque tem fome ou porque não tem mais sono: se na primeira ele acorda a rabujar ou a choramingar, na segunda acorda todo bem disposto a sorrir para todo o lado :D Ficamos na mimalhice, troco-lhe a fralda e é hora do leitinho. Sei que há quem aproveite esta altura para fazer alguma coisa, mas eu não consigo - normalmente uma mão tem o Mati, a outra tem o biberão e os olhos estão postos nele :) Às vezes aproveito esta altura para responder a telefonemas (num verdadeiro exercício de equilibrismo do telemóvel no ombro) :)

Depois da papa deixo o Matias na espreguiçadeira e vou arrumar a casa. Desde que o Pedro voltou ao trabalho que temos esta rotina, e durante uns trinta minutos o Matias fica sozinho a entreter-se com os brinquedos enquanto eu faço a cama, ponho a roupa a lavar, lavo os biberões, encho as garrafas de água que tenho espalhadas pela casa (já lá vamos)... Enfim, as tarefas normais. Temos uma empregada que vem cá a casa uma vez por semana, mas tirando aspirar e passar a ferro eu vou fazendo todas as outras coisas. Recentemente comecei a aproveitar esta altura também para tomar banho (até agora esperava que o Pedro chegasse a casa para ficar com o Matias).

Depois disto o meu dia é todo dedicado ao Matias. Tomo o pequeno-almoço com ele e normalmente aproveito esta fase em que ele ainda está cheio do leitinho para ler (em oposição a fazer coisas mais físicas como dançar, brincar no chão ou ginasticar).

Hora da leitura :)
Quando ele começa a ficar rabugento (normalmente uma hora ou uma hora e meia depois de comer) levo-o para a caminha para a sesta da manhã. Às vezes ele adormece sozinho, mas o mais frequente é adormecê-lo ao colito. Ele fica na cama dele e eu vou para o nosso quarto. Ora a casa está arrumada e o pequeno-almoço está tomado, por isso posso aproveitar para fazer o que me apetecer. Antigamente dormia também uma sestinha, mas agora aproveito para escrever o meu relatório do primeiro ano do internato, descansar, planear as próximas dez festas de aniversário do Matias, tratar da contabilidade, organizar coisas, cozinhar... Depende dos dias.

Banana Cinnamon Rolls <3
As sestas do Matias duram entre quinze minutos e duas horas, dependendo dos dias. É frequente ele acordar a meio e precisar de colinho para voltar a adormecer, o que não deixa de ser engraçado porque à noite nunca faz isto :) De qualquer das formas, na grande maioria dos dias consigo tratar de tudo enquanto ele dorme.

O resto do dia acaba por ser muito semelhante. Ele acorda, troco a fraldinha se for necessário, cantamos, dançamos, vamos para o tapete de actividades brincar ou para a cama do nosso quarto 'gatinhar' (o Mati já faz uma espécie de pseudo-semi-wannabe-gatinhar), tocamos no piano dele (ele adora, consegue ficar praticamente uma hora inteira a tocar naquilo com os pés), voltamos a ler, damos pequenas voltinhas ou ficamos à janela a ver as folhas das árvores a baloiçar. Quando sinto que o miúdo está a ficar demasiado estimulado (o que confesso que acontece com alguma frequência) coloco-o na espreguiçadeira e deixo-o lamber o senhor Tobias ou um peluche do Timon por quem ele  tem uma paixão assolapada. Entretanto ele volta a comer e a dormir mais uma sestinha e eu trato novamente de assuntos pendentes.

O piano :)
O Pedro chega a casa e eu aproveito para sair, se tiver alguma coisa para fazer na rua que não dê jeito fazer com o Matias (como ir às compras, por exemplo). Às vezes também aproveito para dormir uma sesta 'a sério' (sim, porque sinto uma nítida diferença entre dormir enquanto o Matias dorme ou dormir enquanto o Matias dorme e eu sei que o Pedro está disponível para brincar com ele quando acordar). Depois brincamos os três até ao fim do dia (ou um de nós brinca com o Matias se o outro estiver ocupado), fazemos o jantar (levamos o Matias para a cozinha ou um de nós fica com ele a brincar na sala), arrumamos tudo e brincamos mais um bocado. Às vezes o Matias dorme uma sesta pequena nesta altura. Tentamos sempre fazer comida a mais, para sobrar para o meu almoço do dia seguinte e assim ser mais prático (é só aquecer e comer).

Caril de frango com couves-de-bruxelas :)

Por volta das dez horas fazemos as rotinas da noite: banhinho, swaddling, leite às escuras na sala (eu e o Pedro aproveitamos sempre para ver uma série ou fazer quizzes) e cama. Fazemos sempre isto a dois, a não ser nas noites em que eu tenho aula de canto ou o Pedro tem urgência ou futebol. Aproveitamos as horinhas restantes para namorar e por volta da meia-noite estamos na cama.

O Matias acorda a horas extremamente variadas durante a noite: tanto pode acordar às três, às seis e às nove para comer e só acordar de vez às onze como pode acordar só às nove. No total, desde que o deitamos até acordar 'de vez', dorme sempre entre dez a doze horas (mais frequentemente doze), com os intervalos para comer pelo meio. Eu levanto-me, faço o biberão (deixo tudo já pronto e depois é só colocar o pó) e dou-lhe no quartinho dele às escuras. A meio o miúdo já dorme profundamente e depois é só deitá-lo (de noite nem sequer o meto a arrotar porque não vale a pena). Geralmente demoro entre vinte e trinta minutos.

E pronto, são estas as nossas rotinas. Há, no entanto, algumas arestas que ainda precisamos de limar:

* Alimentar-me bem

Fracasso totalmente nisto. Até começo bem o dia, mas depois é um descalabro total: esqueço-me de almoçar, raramente lancho... E nem é uma questão de falta de tempo, é mesmo esquecimento.

* Beber água

Já estou melhor, mas mesmo assim ainda há espaço para melhorar. Agora optámos por espalhar garrafas de água pela casa e resulta bastante bem :)

* Fazer exercício

Pooooois. Não. Nada. Até já voltei para as minhas aulas de canto, mas confesso que tenho tido zero vontade de fazer qualquer tipo de exercício. Enfim, ela vai aparecer eventualmente (esperemos).

* Tentar não estimular tanto o miúdo

Pois é, isto é uma thing cá em casa. O Pedro costuma dizer na brincadeira que o Matias dorme tantas sestas (normalmente três a quatro por dia) porque está cansado de nos aturar, e a verdade é que estamos sempre a fazer coisas com ele: a passear, a falar, a cantar, a dançar, a mexer, a rir... Coitado do miúdo :D

E é isto. Acho que não é nada do outro mundo, mas de facto não sinto propriamente aquela falta de tempo que algumas mães referem. É claro que ajuda ter uma rotina bem definida (provavelmente existirão miúdos com os quais isto não será possível), ter aqueles minutos para tratar da casa e do banho de manhã (embora acredite que alguns bebés não consigam ficar sozinhos ou algumas mães não os consigam deixar sozinhos), aproveitar ao máximo as sestas do Matias (nem que sejam de quinze minutos) e ter um marido que ajuda... Mas pronto, cada família terá a sua realidade e esta é a nossa :)

(Texto escrito enquanto o Matias dormia uma sesta de uma hora de manhã.)

10 comentários:

  1. Lembro-me que a minha filha com a idade do Matias dormia sestas mínimas, e então a partir das 6 da tarde e até às 2 da manhã era um forrobodó pegado! Ela não adormecia mais cedo por nada deste mundo. Felizmente quando recomecei a trabalhar mudou, senão ia ser bonito... Enquanto estive em casa, passava muito bem os dias, não havia tempos mortos (também dormia sestinhas), nem falta de tempo. O pior foi quando recomecei a trabalhar, aí sim, a falta de tempo acho que é inevitável. Espero que consigas conjugar bem essa fase. Beijo

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    1. Eu confesso que estou optimista. Quando voltar ao trabalho o Pedro fica em casa, o que sempre é uma forma de me adaptar melhor à mudança de rotina. Depois será uma questão de ser menos flexível com os meus horários no trabalho, se antigamente facilitava muito com a minha hora de saída agora terei de ser mais certinha... Vamos ver se consigo :)

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  2. Simplesmente brilhante!
    Já li livros sobre organização e gestão de tempo cujos autores deveriam ter lido este post antes!
    Bom senso, organização, prioridades e mãos à obra... Tão fácil e simples!
    Num instante as rotinas a limar vão estar a 100%!
    Parabéns!!!

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  3. Até me distraí, mas na verdade ando à procura de uma receita de bolo de bolacha paleo!
    Será que existe?

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    1. Já pensei nisso, mas nunca concretizei. Achei que pelo trabalho que dava e pelo resultado final (que acho que ficaria muito diferente) não valeria a pena... E uma vez não são vezes, até porque cá por casa só comemos bolo de bolacha uma ou duas vezes por ano :)

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  4. Acho que depende também do conceito de casa arrumada, ou do tamanho da casa (ou da confusão). Eu não consigo arrumar a casa em meia-hora, não por ela ser grande, mas acho que por se manter num nível mínimo de desarrumação contra o qual tento lutar mas que parece se ter instalado com todas as forças. :) E depois há a limpeza do pó, da casa-de-banho, da cozinha, lavar a louça (a máquina morreu para meu grande desgosto), passar a ferro, arrumar a roupa, etc, que me consomem bem mais que meia-hora por dia. :)
    E depois, acho que o conceito de "falta de tempo" também difere de pessoa para pessoa. A Joana diz que tem tempo para a contabilidade, para cozinhar, etc...mas para mim, estas coisas são "obrigações" que me fazem sentir que me falta o tempo para as coisas que eu verdadeiramente gosto de fazer. :)
    Por fim, um marido que se levanta às 5h da manhã e chega a casa às 20h30 não é propriamente uma ajuda, pelo que não há cá tarefas partilhadas nesta fase da vida, o que parecendo que não também não ajuda a ganhar tempo. :)

    Mas eu acho que sobretudo o "segredo" está naquilo que para cada uma de nós "falta de tempo" significa. Eu posso queixar-me de falta de tempo, mas se calhar há mães que têm mesmo de esperar pelo marido para tomar banho (eu não espero), que não têm tempo para fazer sopa para os bebés, ou para ver uma série de vez em quando (que vejo), ou para ir ao cinema (eu vou), ou para ir dar um passeio (tento sair todos os dias com ela), ou para ler (coisa que continuo a fazer, menos mas continuo), etc. Ou seja, eu queixo-me de falta de tempo e acho que a Joana tem mais tempo que eu, mas haverá outras mães que acham que eu já tenho bastante tempo. :)

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    1. Por cá vivemos num T3 grandinho (para os padrões de Lisboa, isto é). Todos os dias arrumo as coisinhas de manhã, faço a cama, ponho roupa a lavar ou guardo roupa que já esteja seca, lavo a louça, faço a rotina dos biberões, lavo a cozinha... Aquelas coisas pequeninas. O pó é a minha empregada que limpa, mas na verdade a nossa casa ganha muito pouco pó (pelo menos em comparação com a do meu irmão, por exemplo). Ela também limpa as casas-de-banho (eu limpo assim por alto uma vez por semana), aspira e passa a ferro. Mas foi uma opção que fizemos, na verdade eu podia perfeitamente fazer essas coisas e durante um ano até foi o Pedro a fazê-las sozinho (ele não concordava com a ideia de contratarmos uma empregada, por isso eu pagava-lhe e ele arrumava e limpava a nossa casa). Como vou fazendo todos os dias temos sempre a casa arrumada :) E também não tenho máquina, mas sinceramente já senti mais falta dela :P

      Pois, para mim fazer a contabilidade e cozinhar são coisas fixes :D Eu gosto :D Fazer a contabilidade relaxa-me (gosto da organização, pronto), e cozinhar nem se fala :D

      Mas sim, ter um marido muito presente é uma ajuda e pêras. O Pedro trabalha das 8 às 15 e faz 12h de urgência por semana, das 8 às 20 ou das 20 às 8. Frequentemente faz 12h de urgência ao fim-de-semana, o que é chato (ele não tem descanso compensatório, por isso acaba por trabalhar seis dias por semana nessas semanas). Mas lá está, nos dias em que o Mati acorda às 11 eu fico sozinha com ele pouquíssimo tempo, o que é fantástico quando ele está naqueles dias impossíveis :)

      E sim, concordo totalmente com a parte da falta de tempo. Eu não planeei a festa do meu filho porque tenho montes de tempo livre, planeei-a porque adoro fazer coisas do género e porque para mim é uma prioridade. Não diria que tenho imenso tempo livre, mas acho que na maioria dos dias consigo geri-lo de forma mais ou menos adequada.

      Acima de tudo, creio que é uma questão de expectativas. Antes do Matias nascer eu achava que ser mãe de um bebé pequeno era desgastante e horrível, que não ia conseguir fazer nada, que ia andar a fritar a pipoca e que a casa ia estar um caos. Afinal é 'só' uma questão de adaptação. É claro que o Mati coopera, mas falando com outras pessoas percebo que ele não é um bebé especial. É um miúdo normal. Chora o habitual, dorme o habitual, brinca o habitual, come o habitual... Óbvio que há bebés muito piores e bastante mais exigentes, e nessas situações será muito mais difícil gerir o tempo desta maneira. Mas enfim, não acho que seja assim tão complicado. É uma questão de priorizar :)

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  5. A minha falta de tempo só se aplica quando estou a trabalhar. No tempo que estou em casa (férias, baixa, desemprego, o que for...) consigo organizar-me bastante bem. Mas a trabalhar, com casa, filho, marido, academia, enfim... sinto que ando sempre a correr para tudo!

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  6. Olá Jo e Matias :)
    Pois é, eu na licença de maternidade não senti "falta de tempo", mas tive alguns dias exasperantes (cólicas, muitas cólicas) e nesses dia algumas coisas ficavam por fazer (e ninguém morria por causa disso); Outros dias, tinha tudo tão organizado, que só me apetecia ir acordar o cachopo de tão aborrecida que estava. Ou seja, havia algumas rotinas que tentava cumprir, mas se não desse, não dava.
    As noites eram boas e acho que isso ajudava muito no nosso dia a dia. Levava muitas vezes o Di para a casa de banho enquanto eu me despachava. Assim aproveitava e ele também ia fazendo vapores :)
    Beijinhos grandes

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  7. Lendo assim até parece fácil. :D Obrigada pelo post! Admiro imenso a tua capacidade de organização e gestão do tempo.

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