6 de agosto de 2015

Frozen Yogurt de morango (saudável) para uma dúvida existencial.

'The measure of intelligence is the ability to change.'
- Albert Einstein




Eu sempre fui uma miúda esperta. Na primária era a mais rápida a terminar os trabalhos e sempre tive óptimas notas. Quando entrei no ciclo já sabia matéria do 6º e do 7º ano. Quando cheguei ao 7º afundei-me um bocadinho - sem dúvida prejudicada pela minha fase de adolescente revoltada - mas consegui sempre tirar notas bem razoáveis embora não estudasse um bacalhau.


No secundário esforcei-me à brava e acabei o 12º ano com 20 a todas as disciplinas (menos a educação física, não se pode ter tudo na vida). E também não me safei nada mal na faculdade, embora não fosse propriamente a pessoa mais estudiosa do mundo.

No fim cheguei onde quis, e hoje sou interna da especialidade que escolhi.


Lendo as afirmações supracitadas parece que estou a confundir inteligência com concentração e métodos de estudo, mas isso não é verdade. Sempre tive uma boa capacidade de resolução de problemas, sempre acedi facilmente ao raciocínio lógico sem perder a capacidade de me envolver no pensamento abstracto e sempre compreendi as situações que me eram propostas. Nunca tive qualquer dificuldade em comunicar, aprender, memorizar, planear, resolver os meus problemas ou imaginar situações novas.

Até que comecei a trabalhar.


Não sei se é cansaço, preguiça ou distracção, mas na verdade hoje em dia não me sinto tão brilhante como no passado. A minha capacidade de resolução de problemas tirou férias, o meu raciocínio lógico está incrivelmente lento, dedicar-me ao pensamento abstracto tornou-se mais difícil e a compreensão de situações novas exige mais calma. Aprender é mais demorado e memorizar é tremendamente desafiante.

E, no meio disto tudo, eu fico doida de medo. Será que estupidifiquei?


Há uns meses aconteceu algo que julgo ser um exemplo perfeito do que vos descrevo. Fui tirar um dente do siso e demorei uma semana inteira a conseguir mastigar. Eventualmente fartei-me de beber batidos ou comer gelados artificiais, por isso decidi pôr em prática uma ideia que tinha visto num blog há pouco tempo: fazer frozen yogurt em casa, em poucos minutos.


Juntei os ingredientes, fiz a receita e sentei-me no sofá muito satisfeita comigo própria: fazer frozen yogurt mais saudável era sem dúvida uma ideia brilhante. Até que levei a primeira colher à boca e apercebi-me de um problema gigante:

Os morangos têm sementes. As sementes enterram-se no buraquinho do dente inexistente. Isso dói.

Capacidade de resolução de problemas? Zero.
Raciocínio lógico? Zero.
Pensamento abstracto? Zero.
Planeamento adequado? Zero.

Bolas.


No entanto, nunca fui particularmente adepta de ficar a choramingar sobre as coisas que gostaria de mudar, por isso meti mãos à obra. Recomecei a ler, voltei a cultivar o meu conhecimento e tenho dedicado mais tempo para ficar, simplesmente, a pensar em coisas. Revi as minhas prioridades e decidi valorizar o descanso físico e mental. Voltei a incentivar as discussões filosóficas no meu grupo de amigos.

Hoje não sei se estupidifiquei ou não. Mas sei que aprendo coisas novas todos os dias, mesmo que sejam curiosidades engraçadas e pouco importantes. Sei que voltei a dedicar tempo a aumentar a minha cultura geral e a promover a minha saúde mental. E sei que não me vou deixar vencer sem dar luta.


Frozen Yogurt de morango (saudável) (receita adaptada do blog 'Just a Taste')

Ingredientes (para uma taça):

* Duas chávenas de cubinhos de morango congelados;
* Uma colher de sopa de mel;
* Quatro colheres de sopa de iogurte grego;
* Uma colher de sopa de sumo de limão.

Confecção:

* Picar tudo no robot de cozinha até ficar cremoso!


Até amanhã! :D

16 comentários:

  1. Bem, isto simplesmente parece divinal, e o sabor deve ser qualquer coisa, principalmente com morangos biológicos. Vou experimentar com toda a certeza. Muitos beijinhos e continue a deliciar-nos com receitas maravilhosas, saudáveis, a que me habituei. Beijinhos e muita sorte na vida. Maria

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    1. Olá Maria! :)

      Com framboesas também deve ficar uma delícia :D Dá para fazer uma data de variações, e sabe bem com este tempo quente :)

      Muito obrigada pelas palavras tão simpáticas :D

      Beijinhos! :D

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  2. Tenho de fazer o mesmo! É que na escola eu também era boa aluna, conseguia memorizar longuíssimos textos para os testes, tinha uma memória incrível que até ficava impressionada comigo própria! Só não tirava melhores notas porque não queria! Mas depois de ser mãe isso mudou! Uma prima médica diz que isto se deve à grande quantidade de coisas que tenho na cabeça e que o meu cérebro não consegue processar tudo e então "arquiva" algumas coisas! Não sei se é assim, mas enerva-me pois tenho de andar sempre a apontar tudo! Eu a apontar tudo?! Logo eu que nunca me esquecia de nada?! É deprimente! Olha, vou fazer iogurte gelado para ganhar ânimo!

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    1. Também está relacionado com a ansiedade ;) Mais ansiedade, mais distracção, menos memorização ;)

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  3. Bem...logo já sei o que vou comer! Tem um aspeto delicioso e além de tudo super simples!
    Bjs e resto de boa semana
    Ana

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    1. Correu bem! Muito bem! Obrigado pela partilha. Se espreitares no blog vês o resultado.
      Bjs e bom domingo!
      Ana

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    2. Obrigada pelo feedback :D Ainda bem que gostaste :D

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  4. Olá Joana! Mais uma vez adorei o texto o qual termina com motivação, algo que nunca devemos abandonar. Motivarmo-nos conduz sempre a aprendizagem e descoberta :)
    E este gelado maravilhoso vai ser testado lá em casa (bem, vou ver a lista de receitas da Joana a fazer e colocá-lo no topo para não perder tempo...hehehehe...mas não esqueço as outras, prometido).
    Beijinhos.
    Ana França

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    1. É um gelado mesmo bom e fresquinho :) Depois quero saber como correu ;)

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