7 de agosto de 2015

Bolachas de amendoim e chocolate (sem glúten, sem açúcar) para um senhor cirurgião :D

And I ain't gonna lie, cause your loving gets me high,
So to keep you by my side, there's nothing that I won't try.
Butterflies in her eyes and looks to kill,
Time is passing, I'm asking could this be real?
Cause I can't sleep, I can't hold still,
The only thing I really know is she got sex appeal.
I can feel too much is never enough,
You're always there to lift me up when these times get rough.
I was lost, now I'm found ever since you've been around.
You're the women that I want so yo, I'm putting it down.

CrazyTown




Ser interno do primeiro ano da especialidade é parecido com ser bebé. De repente há todo um mundo de coisas para aprender, todo um conjunto de estímulos para experimentar e um sem número de limites que temos de descobrir sozinhos. De certa forma, temos de percorrer novamente todo o percurso: gatinhar até à nossa primeira consulta, balbuciar a nossa primeira palavra numa reunião de discussão de casos, dar os primeiros passos na elaboração de estudos científicos e  sobreviver à base de leite (com quantidades industriais de café lá dentro).


Ser o bebé do serviço tem inegavelmente as suas vantagens, mas tem também inúmeras desvantagens: sentimo-nos frequentemente inseguros e sozinhos, ficamos assoberbados com a quantidade de conhecimentos e aprendizagens que necessitamos de adquirir, preocupamo-nos demasiado com situações que estão fora do nosso controlo e desesperamos com os detalhes mais ridículos.

E depois há o Pedro, o meu urso fortalhão.


O Pedro não é de todo uma pessoa insegura. Conto pelos dedos de uma mão as vezes em que o vi achar que não conseguia fazer algo a que se tinha proposto porque não tinha capacidades para tal. Na verdade, não me ocorrem muitos objectivos a que ele se tenha dedicado e que não tivessem sido concretizados - e isto deve-se não só ao facto de ele ser extremamente empenhado, mas também de ser honesto consigo próprio em relação às suas qualidades e não perseguir objectivos magalomaníacos.

Tal como no sentido bíblico, o Pedro é uma pedra. A minha pedra.


E foi assim que o primeiro ano da especialidade nos encontrou: eu, a histérica do costume, a alternar entre a confiança total e a insegurança paralisante, e o Pedro, o relaxado do costume, a assumir o seu estado basal de paz interior. Até que a primeira cirurgia dele foi marcada.

E o meu Pedro, a minha pedra, tremeu.


De repente, também ele ficou inseguro. De repente, também ele ficou ansioso. De repente, também ele precisava de uma pedra.

E eu esqueci as minhas choraminguices e convoquei a confiança que ele precisava naquele momento, mesmo que eu própria estivesse borrada de medo receosa com a ideia do Pedro operar o olho de alguém. Acreditei nele, tal como em tantas outras vezes ele acreditou em mim. E estive ao lado dele, firme como uma pedra.


No fim correu tudo lindamente e o Pedro salvou uma vida. E essa é indiscutivelmente a maior vantagem de ser interno do primeiro ano da especialidade. Porque há várias formas de salvar a vida de alguém: podemos ouvir no momento certo, excisar um pterígio, ensinar técnicas cognitivo-comportamentais para parar a encoprese, pedir análises para ver a função tiroideia ou até medir a tensão arterial numa consulta de rotina, mas estamos sempre a salvar aquela vida aos bocadinhos.


O bocadinho do Pedro ficou feito neste dia. E por isso festejámos como ele merecia: com uma fornada de quarenta das bolachas preferidas dele, devidamente adaptadas para a alimentação paleo e igualmente deliciosas.

Ele comeu-as todas em dois dias. E eu soube que a minha pedra estava de volta.
 

Bolachas de amendoim e chocolate (sem glúten, sem açúcar)

Ingredientes (para cerca de vinte bolachas):

* 100g de tâmaras;
* 50g de manteiga;
* 75g de manteiga de amendoim caseira (receita aqui);
* Um ovo;
* 100g de polvilho doce (fécula de mandioca);
* Meia colher de chá de fermento;
* Meia colher de chá de bicarbonato de sódio;
* 100g de pepitas de chocolate.

Confecção:

* Aquecer as tâmaras no microondas durante trinta segundos e picar na picadora até ficarem em pasta;

* Bater a pasta de tâmaras, a manteiga e a manteiga de amendoim até ficar um creme;

* Juntar o ovo, o polvilho doce, o fermento e o bicarbonato e envolver bem;

* Acrescentar as pepitas de chocolate;

* Formar pequenas bolinhas com a mão e colocar num tabuleiro coberto com papel vegetal;

* Espalmar um pouco a bola para criar o formato de bolacha;

* Levar ao forno pré-aquecido a 180º durante treze a quinze minutos;

* Retirar do forno e deixar arrefecer completamente sobre uma rede de cozinha.




Até amanhã! :D

6 comentários:

  1. Gosto muito de ler o que a Joana escreve sobre a adaptação à especialidade.
    Há já alguns anos fiz o meu estagio de mestrado na psiquiatria do HSM.
    Lembro-me muuuito bem do medo inicial de participar nas reuniões de equipa, e da adrenalina de todos os dias fazer a diferença na vida de alguém.
    Quando a Joana escreve parece que volto aqueles corredores, às pessoas e ao que sentia nessa altura.
    Obrigado

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    1. Obrigada eu pelo comentário tão simpático :) De facto não é fácil, mas é muito recompensante :)

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  2. Essas bolachas devem ter ficado deliciosas. Tenho de experimentar tanto as bolachas como a manteiga de amendoim caseira.

    Beijinhos,
    Clarinha

    http://receitasetruquesdaclarinha.blogspot.pt/2015/08/quinze-dias-com-donal-skehan-e-duas.html?m=1

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    1. A manteiga de amendoim caseira fica uma delícia :D Tens de experimentar ;)

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