2 de junho de 2015

A obesidade infantil - uma visão multidisciplinar (Guest Post)

A obesidade infantil, uma das doenças pediátricas mais prevalentes, é foco de atenção de médicos de várias especialidades, como a medicina geral e familiar, pediatria, endocrinologia ou psiquiatria da infância e adolescência. A sua abordagem idealmente será multidisciplinar, resultando da articulação de especialidades médicas com nutricionistas e especialistas em desporto.

Mas o papel não depende só dos profissionais de saúde, devendo ser sempre integrada a família!






A família é fundamental em toda a evolução da obesidade infantil, não só como factor de risco (crianças com um pai obeso têm 40% de probabilidade de serem obesos; esta probabilidade sobe para 80% se forem os dois pais obesos!), mas também no processo de reeducação de hábitos. Sendo assim, a obesidade da criança passa a ser também a doença da família, em que todos devem ajudar e adquirir novos hábitos saudáveis.

Outra situação preocupante relacionada com a obesidade infantil são as repercussões desta doença. Na nossa sociedade por vezes ainda há o mito de que as crianças ao crescerem 'dão o pulo e depois ficam bem'. Esta ideia deve ser desmistificada, até porque estudos sugerem que:

* Uma criança obesa não é uma criança nutrida a mais, podendo, devido aos maus hábitos alimentares, ter défices vitamínicos que prejudicam o seu normal desenvolvimento;

* Até 75 a 80% dos adolescentes obesos ficam adultos obesos;

* Quanto maior o tempo de vida que se passa obeso, maior a probabilidade de repercussões.

Tal como exemplificado na figura cima, várias são as consequências da obesidade infantil, nomeadamente, psicológicas (baixa auto-estima, depressão), cardiovasculares (diabetes, hipertensão arterial, enfartes e acidentes vasculares cerebrais precoces), digestivas (gorduras no fígado), osteo-articulares (défice de vitamina D, osteoporose, malformações ósseas), entre outras.

Em conclusão, a obesidade infantil é uma doença que cada vez mais afecta as crianças e jovens portugueses. Embora seja difícil a implementação de novos hábitos familiares, a sua aquisição deve ser uma batalha constante, evitando a longo prazo as potencialmente fatais repercussões desta doença.



Patrícia Ferreira é licenciada em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e especialista em Pediatria.

Susana Cordeiro Rita tem o mestrado integrado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e é actualmente interna da formação específica de Medicina Geral e Familiar.

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