19 de maio de 2015

Garam Masala de frango, cogumelos e sementes de linhaça para uma decisão difícil.

Are you ready kids?
Aye-aye captain.
I can't hear you...
Aye-aye captain!
Oh! Who lives in a pineapple under the sea?
SpongeBob SquarePants!
Absorbant and yellow and porous is he!
SpongeBob SquarePants!
If nautical nonsense is something you wish...
SpongeBob SquarePants!
Then drop on the deck and flop like a fish!
SpongeBob Squarepants!




Há bastante tempo rebentou no facebook do blog uma discussão sobre se existiria ou não uma roupa adequada para sermos considerados profissionais respeitáveis. Na altura, a troca de argumentos teve início quando eu recebi aquela pregadeira giríssima das Deemak Twins, e eu esclareci a minha opinião: é o conteúdo, e não a embalagem, que nos torna dignos de confiança.

Tragam os violinos, soltem as pombinhas, lancem os coelhinhos e imaginem crianças a saltitar em prados verdejantes - assim era a realidade idealista da Joana no ano comum do internato médico.


Entretanto iniciei a especialidade. No meu serviço ninguém usa bata. Eu tenho as minhas próprias consultas. Com os meus doentes. E com os pais deles. Que delegam em mim a responsabilidade de tratar dos seus filhos. E que não querem que seja uma tipa com ar de miúda, bandeletes com florzinhas, camisolas com vaquinhas, saias às bolinhas, All Star amarelas e unhas cor-de-rosa choque a fazê-lo.

E eu não posso dar-me ao luxo de comprometer o meu profissionalismo por causa de um ideal - não quando trabalho com algo tão importante como a saúde das crianças.

E, embora não concorde com isso, mudei. Disse adeus às t-shirts com vaquinhas ou ovelhinhas, às All Star gastas e às saias estranhas. Despedi-me das camisolas confortáveis com cores berrantes, e até guardei no fundo da gaveta a minha camisola do SpongeBob SquarePants, onde se lê com letras bem grandes que 'Nobody cares'.


Não se preocupem, não me tornei uma freira da moda. Ainda uso as minhas All Star velhas de vez em quando, bem como a minha saia às bolinhas - que, devidamente conjugada, até me dá um ar crescido. Às vezes até pinto as unhas de cor-de-rosa. Simplesmente não faço tudo ao mesmo tempo.


Decididamente, o curso de Medicina não nos prepara para este tipo de decisões. Aliás, arriscaria até a dizer que o curso não nos prepara de todo para a esmagadora maioria das decisões que temos de tomar como médicos 'a sério'. Mas creio que ainda está para nascer o curso que prepara os seus alunos para a vida profissional, com todas as suas vicissitudes e particularidades - e precisamente por isso é que crescer é tão difícil.


As decisões profissionais podem ser difíceis, mas isso não quer dizer que as outras também o sejam. Por isso, às vezes sabe mesmo bem saltar para a cozinha e fazer um prato simples, sem dúvidas e sem complicações.

E já que não posso ser extrovertida dentro do meu gabinete, pelo menos sou-o dentro da minha cozinha. Com as minhas bandeletes com florzinhas, com as minhas meias com pais natais, com o meu pijama das renas (também tenho um com ovelhinhas!)... E com os meus jantares com sementes de linhaça por cima :D


Garam Masala de frango, cogumelos e sementes de linhaça

Ingredientes (para duas pessoas):

* Meia cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Um fio de azeite;
* 250g de peito de frango cortado em cubos;
* Cogumelos laminados q.b.;
* Brócolos congelados q.b.;
* Uma colher de sopa de sementes de linhaça;
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Uma colher de chá de paprika;
* Uma pitada de sal;
* Uma pitada de piri-piri;
* Uma colher de chá de Garam Masala.

Confecção:

* Refogar a cebola picada e o alho picado num fio de azeite;

* Juntar os cubinhos de frango, os cogumelos, os brócolos e as sementes de linhaça e deixar refogar;

* Temperar com o pimentão-doce, a paprika, o sal e o piri-piri e misturar bem;

* Juntar o garam masala antes de servir, mexendo bem.

Até amanhã! :D

16 comentários:

  1. Tão queridas e ainda assim, tão realistas, estas tuas palavras. De facto, quem está por fora não se apercebe do que se passa lá dentro. Trabalho numa área flexível nesse aspecto, onde posso usar florezinhas no cabelo e meias coloridas, mas que depois acaba por falhar noutros aspectos. Por isso admiro muito que vai para a área de medicina, valorizo imenso todos aqueles que abdicam que alguns aspectos de sua vida (ainda que não totalmente, pelo menos grande parte do tempo) em prol de um bem maior. Valha-nos os teus cozinhados e receitas deliciosas, que nos enchem (não só a barriga mas também) o coração!

    Um beijinho grande

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    1. Eu acho que outras especialidades até tendem a ser mais flexíveis nesse aspecto (e outras talvez até sejam menos). Mas é uma utopia achar que aquilo que vestimos não influencia o que os doentes pensam de nós. Por outro lado, ontem tive uma conversa muito interessante com uma interna mais velha do meu serviço e fiquei a questionar-me se valerá realmente a pena mudar por causa da opinião dos meus doentes. Mas isso fica para outro texto :D

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  2. Pois, é pena que muitas vezes os profissionais sejam rotulados pelas roupas e acessórios que usam quando isso nada tem a ver com o profissionalismo e a competência de cada um. Mas também é compreensível que os pacientes (especialmente os pais) se sintam mais confortáveis com alguém que pareça normal do que com alguém que se vista de forma extravagante que se queres que te diga não é, de todo, o teu caso (posso comprovar pelas fotos que publicas). A meu ver o teu estilo é simplesmente mais descontraído e divertido! E isso não tem mal algum! Mas enfim, se é para termos algumas credibilidade então acho que não custa nada vestirmos-nos de forma mais adequada (e qual será a forma mais adequada, pergunto-me). Mais valia todos os profissionais de saúde usarem fardas como nos Estados Unidos, assim ficavam todos ao mesmo nível. Vale que fora de portas hospitalares podemos soltar o "Eu" que há dentro de nós (digo eu que nada tenho a ver com medicina)! Independentemente das roupas, não deixes de ser quem és! Beijinho

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    1. Não é que me vista de forma extravagante, mas acho que tenho um estilo próprio que tende a ser meio estranho de vez em quando. Mas não me custa nada tentar encontrar um meio termo :)

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  3. Olá Joana,

    Agora até me deu curiosidade de ver assim um look de trabalho :-)
    Infelizmente é verdade e temos de adequar o nosso look ao posto de trabalho...
    Eu por exemplo não posso andar vestida de forma muito feminina no meu trabalho para não perder credibilidade, pois tenho um trabalho 'de homens' digamos assim... E se me veem de unhas pintadas 'ai deixa estar que eu faço isso que se não ainda partes uma unha' grrrr :-(
    Preconceitos existem com fartura e por vezes revolta!
    E neste prato o que é que eu gosto? De tudo, claro! Mas o que me chama atenção são mesmo os brócolos, tão verdinhos e apetitosos... Ultimamente tenho comido muitas vezes brócolos e tenho adorado cada vez mais...

    Beijinhos***
    Continuação de boa semana.

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    1. Um dia faço um post com fotos, como uma blogger de moda :D

      Por aqui comemos brócolos praticamente todos os dias, são provavelmente o nosso legume preferido :D

      Beijinhos e um bom resto de semana :D

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  4. Joana, fazemos uma sessão como bloggers de moda no Martim Moniz no meio das especiarias :D tu com a do Sponge Bob e bandolete das florzinhas e eu com os meus lacinhos e t-shirt do Monstro das Bolachas *já estou a ver tudo*.

    Infelizmente já se sabe que a sociedade tem os valores todos trocados e que muitas das vezes temos de "encarneirar" como toda a gente...

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    1. Voto nisso :D :D :D :D

      Pois, tem dias em que acho que fiz bem em encarneirar, outros em que nem por isso. Vou dormir sobre o assunto novamente :D

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  5. Não usam bata no teu serviço? :O Eu tenho profs que vão dar aulas teóricas de bata (não sei, podem sujar-se com o pó de alguma mesa ou assim.... :P), sempre assumi - aliás, vi, em Psiquiatria de adultos - que mesmo nos serviços 'sem fluidos envolvidos' se usasse bata...

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    1. Nós não usamos, nem na urgência ;) E não é só no meu hospital, na Estefânia também não usam :) Acho que é para não assustar os miúdos ;) Mas depois também é chato, já perdi a conta das vezes em que me chamaram de 'a doutora psicóloga' ;)

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  6. Mais tarde ou mais cedo terias que enfrentar a realidade... ;-) Na verdade, essa questão é mais importante quando começas a tua vida profissional, depois à medida que o tempo passa vestes-te e apresentas-te de forma cada vez mais genuína. Mas no início é crucial fazer o luto da adolescência e abraçar a vida adulta. ;-)

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    1. Pois, talvez por isso é que seja tão difícil. Na verdade só agora é que estou a sentir que trabalho 'a sério' e que sou médica 'a sério', por isso devo estar mesmo a fazer o luto da adolescência ;)

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  7. Yaay, SpongeBob :D
    Adoro o uso de «rebentar» para discussões, dá logo um ar mais dramático à coisa ;)
    Se envolve a pregadeira, eu acho que não importa DE TODO :P
    «Saltitar em prados verdejantes» - isso realmente soa SEMPRE idílico :)
    Ao longo do blog já identificaste para aí cinquenta alter egos :P
    Não usam bata? Que estranho! Até pode ser menos «frio», embora também possa parecer um bocadinho menos profissional - porque toda a gente sabe que roupa a condizer é o último grau de profissionalismo ;)
    Esse look até parece bastante simpático ;)
    Depois da emergência de uma cultura que venera a imagem há uma espécie de cultura alternativa (ou máscara de cultura?) que critica isso... Não sei até que ponto a imagem NÃO nos caracteriza, mais do que em termos de traços genéticos (a não ser que se acredite na predestinação e tal, como as mães que decidem os nomes ao ver as caras choronas dos filhos - mães essas que não se comparam de todo a miúdos que não conseguem escolher o brinquedo que querem até outro miúdo querer um deles. E depois há sempre aquelas pessoas que acham que os nomes ditam as características pessoais, o que eu não consigo entender - os pais tem uma iluminação divina ou as crianças moldam-se à palavra que lhes é impingida? :P) embora depois haja, claro, a questão de até quão longe podemos inferir, porque não é uma coisa linear, objectiva ou justa. Só que realmente é a única informação de fácil acesso que temos sobre a pessoa... E é mais cómodo ir por aí, pelo menos inicialmente. Instintivo, até. Se por um lado vergarmo-nos a uma ditadura da imagem não é (ou não devia ser) obrigatório, a atitude «quero lá saber» também não serve de muito, porque, se por um lado podemos (devemos?) manter-nos fiéis a nós mesmos, se tivermos segurança e não estivermos assoberbados com a hipótese de perder uma identidade pretensiosa que às vezes perseguimos não sei até que ponto isso é necessário. Não me interpretes mal, não acho que seja fútil qualquer detalhe com expressão física da personalidade de cada um, mas muitas vezes quem assume um certo «visual» fá-lo com a intenção de ser «julgado» e categorizado de acordo com isso - talvez não toda a gente, provavelmente muitos. Para que é que serve mantermos uma imagem que nos prejudica? Não temos de nos adaptar a exigências aleatórias exteriores, mas também não temos de nos agarrar a hábitos por sistema. Acaba por ser um balanço que tem em conta que a sociedade não é justa... E, se podemos construir teorias sobre como o mundo não devia obrigar a este dilema e cada um devia andar como quisesse, essas teorias não têm utilidade prática porque não vivemos num mundo utópico - e a mim parece-me que filosofias que se baseiam nesse mundo acabam por entrar numa espiral abstrata e deprimente. Por outro lado, quem é que quer viver num mundo que bane t-shirts com vaquinhas e ovelhinhas? :D

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    1. Pois, não usamos bata. Ninguém usa, nunca perguntei porquê e agora também não uso :P É mais prático, mas também é chato porque tenho que ter cuidado com a roupa :P Agora vaquinhas e ovelhinhas só para sair com os amigos ;)

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  8. Esse meme (odeio esta palavra por causa da pronúncia confusa!) do spongebob está demais :D e mesmo apropriado para o tema :P
    «Freira da moda»? Essa expressão existe? :P
    Acho que tens de criar um blog de moda, então ;) é que a frase «que, devidamente conjugada, (...)» soou mesmo a profissional :P
    Podes fazer tudo ao fim-de-semana! Festança de camisolas confortáveis :D
    Seria estranho darem formações sobre roupa de médico :P haha
    O meu primo bem se queixava de que os ossos dele doíam ao crescer :/ :P
    Sem dúvidas? Isto é um prato sem dúvidas? Eu tenho a sensação de que já fizeste tantos «Garam Masalas» apetitosos que me daria uma dor de cabeça enorme tentar escolher um. Mas qualquer dia tenho de passar por isso, porque parece valer bem a pena :D
    (Por outro lado, ordem alfabética soa bastante bem :P)
    A tua cozinha parece um lugar muito alegre ;) com crianças a saltitar por prados verdejantes, passarinhos, sóis com sorrisos (não perversos! Estás a ouvir, sol-cara-de-Pateta-assombração-do-Mickey?) violinos e imenso Garam Masala (que agora até escrevo com maiúsculas para honrar e tudo) :D
    Realmente sementes de linhaça é original :) só usei uma vez na comida, e foi em panados que não me agradaram muito. Aqui parecem muito boas! Não como há imenso tempo por preguiça de comprar. :P
    Esses bróculos elevam o prato a todo um outro nível :D
    Estranho sempre quando a especiaria e o prato têm o mesmo nome. E... e se... Se alguém em vez de pôr uma colher de chá do pozinho puser uma colher de chá do frango com cebola e especiarias do dia anterior no prato?! Tipo cultura de kefir, só que não volta a crescer e portanto a quantidade de garam masala diminui infinitamente, o que é terrível porque parece mesmo bom. Que mundo complicado.
    (Já disse que tenho de fazer garam masala? :D)

    PS: Desculpa o testamento, só me apercebi de que o comentário estava gigante quando o não-tão-subtil do blogger me informou gentilmente que excedi o limite de caracteres :P

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    1. A minha cozinha é um lugar protegido :D É tão bom :D Posso andar como eu quiser, fazer o que quiser... Ser livre :D

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